sexta-feira, 3 de maio de 2013

Faitiões: beco, rua e travessa

O nome foi atribuído a uma rua, a uma travessa e ao beco "para comemorar a revolta dos marítimos chineses, a 8 de Outubro de 1846, contra o governador Ferreira do Amaral, por este ter imposto uma taxa sobre os seus barcos", segundo a Toponímia de Monsenhor Manuel Teixeira.
Pouco depois de chegar a Macau em 1568 D. Belchior Carneiro fixou residência no lugar compreendido, entre o Beco dos Faitiões, Travessa da Viola e Calçada do (Tarrafeiro ou do) Botelho, na Rua de Santo António.
E de onde vem a expressão faitiões? Estamos perante uma solução linguística específica de Macau fruto da mistura de duas expressões: "fai" (rápido/veloz) + "teang" (barco). Aliás, em cantonense "rápido" diz-se... "fai-ti".
Torre prestamista junto à Travessa dos Faitiões
Foto de Luis Trabuco
Por decreto de 20 de Setembro de 1844, o governo de Macau foi separado e tornado independente do de Goa, ficando a constituir uma Província independente com as ilhas de Timor e Solor. A 21 de Abril de 1846 tomou posse o governador João Maria Ferreira do Amaral cuja principal missão era estabelecer a absoluta independência da Colónia face à China e potências estrangeiras. Um dos primeiros exemplos data de 8 de Outubro de 1846 quando "sufocou a célebre revolta chinesa denominada dos faitiões. que se amotinaram por ter sido lançado o impôsto de uma pataca sôbre as suas embarcações (faitiões)". A Taipa e Coloane foram ocupadas militarmente, construindo-se, em 1847, uma fortaleza na primeira, a pedido e «com ininterrupta satisfação dos habitantes délla e sem litígio de senhorio differente». Mandou também ocupar as ilhas de D.João e Tai-Vong-Cam ou da Montanha. A ilha da Lapa (Patera ou ilha dos Padres), onde outrora  existira uma bateria militar, foi reocupada. No domínio territorial, destaque ainda para a 'recuperação' do território ocupado pelos chinas, entre a Porta do Campo e a Porta do Cerco. Ferreira do Amaral vai ainda 'impôr a sua lei' ao suprimir os direitos de tonelagem chamados de medição que os chineses cobravam sobre os navios portugueses que entravam em Macau  indo as receitas para o imperador. Proibiu certas demonstrações de autoridade com que os mandarins costumavam entrar em Macau e reprimiu com vigor alguns atentados cometidos pelos chinas. A 5 de Março de 1849 deu o 'golpe de misericórdia' do seu mandato ao proclamar a abolição e expulsão do ho-pu, a alfândega chinesa de Macau. Ordenou o seu encerramento a 13 do mesmo mês, uma medida que 'libertou' o território da influência política chinesa e que mudou para sempre o status quo da vida em Macau. Mais. F. do Amaral instituiu ainda o pagamento de fôro dos terrenos aos cidadãos chineses, numa espécie de confissão tácita de que a posse territorial era portuguesa...

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