quarta-feira, 8 de março de 2017

Nacional Bank of China

Anúncio publicado no Boletim Oficial em 1893. A agência em Macau do Nacional Bank of China anuncia a oferta de depósitos cujos juros variam entre os 3 e os 5% ao ano. O agente do banco no território é o Visconde de Senna Fernandes (1815-1893).

segunda-feira, 6 de março de 2017

"Particularidades de Macau"... 1836

Manuel José Gomes Loureiro (Braga, 1855) foi um jurista e magistrado português, ocupando o cargo de Juiz de Fora em várias colónias portuguesas
Depois da formatura em Leis e Filosofia pela Faculdade de Leis e pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em 1792, foi nomeado Juiz de Fora de Alcoutim, em Maio de 1794, donde passou para Ouvidor e também nomeado Juiz da Alfândega e Provedor "dos defuntos e ausentes" em Moçambique, em 1798. Foi ainda nomeado como Juiz Desembargador do Tribunal da Relação de Goa, ca. 1801/1802, sendo, também, nomeado para servir na Índia de Ouvidor Geral do Cível, Procurador da Coroa e Fazenda, Juiz dos Feitos da Santa Casa da Misericórdia, Procurador do Fisco, Juiz da Alfândega, um dos Claviculários dos Cofres da Sucessão, Secretário e Conselheiro do Governo e, interinamente, de Chanceler, durante a sua estadia ali.
Mudou-se para o Brasil com a vinda da Família Real Portuguesa, sendo nomeado em 1809/1810 como Juiz Desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação do Brasil. Regressaria à Índia em 1812 como Chanceler do Tribunal da Relação de Goa.
De regresso a Portugal desempenhou outros cargos e chegou a Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça. Em 1826 passa a servir no Conselho do Ultramar.
Escreveu dois livros:
- Memorias dos estabelecimentos Portuguezes a l'Este do Cabo da Boa Esperança", Lisboa, 1835 sobre os regimentos das Colónias Portuguesas no Oriente
- Aditamento às Memorias dos estabelecimentos Portuguezes a l'Este do Cabo da Boa Esperança, em que se referem algumas particularidades de Macau, Lisboa, 1836


Excertos do livro de 1835:
(...) Em Macau na China não ha moeda própria. Nem tem curso legal e forçado as moedas Por tuguezas de qualquer outra parte. Todas as transacções se fazem a respeito do Tael ou mil réis e das Patacas de Hespanha. Em muitas Praças e mercados da India para contas miudas são admittidos os Cauris que sào pequeninos Buzios brancos que se apauhào nas Praias das Maldivas e nas das Ilhas de Querimba ou de Cabo Delgado no Canal de Mossambique para taes miudezas tumbem se servem de Amendoas" (...)
"Restando o Commercio da China em Macau para o transporte do Chá e tendo diminuido os da Porcelana e Cangas pelo desuso e concurren cia da que se fabrica na Europa E de todo terminará o Commercio da India para a Europa se for com effeito livre para os Estrangeiros 9 tendo sido exceptuado pelo Tratado de 1810 . (...)
Em Macau ha Ouvidor Geral que tinha assento na Relação de Lisboa da forma que a tinhão os Ministros da Relação de Goa e dous Juizes Ordinarios Timor tem ouvidor que deve ser dos Letrados de Goa ea limitação das Rendas e diminuta povoação não admitte a criação de Juiz Letrado pela Universidade (...)
Em Macau ha huma Junta do Crime para os casos somente de morte de China criada e regulada pelo Regimento de 3 de Março de 1803. Ha outra em Mossambique para os casos capitaes. (...) 

domingo, 5 de março de 2017

"A Culinária dos Macaenses" e “Culinária Macaense – 100 Especialidades"


A gastronomia macaense define-se como uma fusão de sabores de Portugal com fortes influências do sul da Ásia e do mundo Lusófono. Muitos dos pratos resultam da mistura de especiarias e outros ingredientes que os marinheiros Portugueses recolhiam durante a viagem até Macau, e os usavam na tentativa de recriar pratos Portugueses. Os ingredientes e temperos vêm de lugares como a Europa, America Latina, Africa, India, Malásia e Sul da Ásia, assim como alguns ingredientes de Macau.
Macanese cuisine is unique to Macau. It is a blend of Portuguese cuisine with significant influences from Southeast Asia and the Lusophone world. The distinctive dishes are the result of the amalgamation of spices and ingredients the Portuguese sailors collected along the journey to Macao, in an attempt to replicate Portuguese dishes when they arrived in Macao. The ingredients and seasonings of Macanese cuisine include those from Europe, Latin America, Africa, India, Malaysia, Southeast Asia, as well as Macau.
João António Ferreira Lamas escreveu dois livros sobre o tema: em 1997 "A Culinária dos Macaenses" e em 2009 "Culinária Macaense - 100 Especialidades".
Entre as centenas de receitas apresentadas estão:

Sopas: açorda à moda de Macau, canja de peixe, canja de porco, sopa assada, sopa de aletria, sopa de cebola, sopa de frango com cogumelos, sopa de lacassá, sopa picante de porco com algas, etc.
Peixes e mariscos: bacalhau dourado ou macaísta (“tchatini”), caldeirada à macaense, camarões em molho picante de tomate, camarões fritos à macaense, casquinhas de caranguejo, empadas de peixe à moda de Macau, pastéis de bacalhau à macaense, peixe depenado, etc.
Aves: adem (pato) de cabidela, frango de caril à macaense, frango vermelho com castanhas, galinha assada à moda de Macau, galinha bafassá (bafá-assá), galinha “chau-chau” parida, galinha ou capão com molho de perdiz, galinha embriagada, galinha portuguesa (p’ou-kuok-kai”), pombos embriagados, etc.
Carnes: abafada de “chau-min”, amargoso com carne (margoso lorcha), bebinca (bebinga) de rábano (“ló-pák-cou”), bife pó-bolacha (bife panado), “bouletes”(roletes), capela, “chau-chau”, cozido macaense, “cria-cria”, iscas à macaense, lapa, minchi, ovos recheados à macaense, pastelinha, porco balichão (balchão) tamarindo (tamarinho), tacho (“chau-chau de pele”), etc.
Do chá-gordo: apa-bicos, chilicotes, genetes, pãezinhos recheados, patas-de-cavalo, etc...

Doçaria: aluá (aluar), colchão do Menino Jesus, bagi (baji), barba, batatada, bebinca (bebinga) de leite, bicho-bicho, bolo “mamon”, bolo menino, bolos de gengibre, celicário (selicária), chacha, coqueira, doce de camalenga (cambalenga), fatias de ovos (ovos fatia), folhar, formigo, fula-fula, genetes, ladu, macazotes (marquezotes), muchi (apa muchi coco), nata, ondi-ondi, sarán-surave (sarán-surável), tigelinhas-do-conde...
 Teresa Nolasco com João Ferreira Lamas (seu tio) aos 92 anos, em 2012. (Foto JTM)

sábado, 4 de março de 2017

João António Ferreira Lamas

Morreu esta sexta-feita João António Ferreira Lamas. Foi aluno do Colégio Militar, formou-se em engenharia no Porto e interessou-se pela Ásia por influência do seu trisavó paterno ainda no século XIX. António Gonçalves Lamas, era um comerciante de Lisboa com negócios no Extremo Oriente tendo aberto em Lisboa a primeira loja de chá. Apesar de nunca ter residido em Macau, JAFL aumentou o interesse pela história e cultural locais por via do casamento com Ercília Maria de Sousa Nolasco da Silva, membro de uma antiga e prestigiada família macaense.
Visitou Macau pela primeira vez em 1971e apercebeu-se que praticamente já não se fazia comida macaense, “a não ser a dos chás-gordos [misto de chá e de jantar, servido de pé em dias festivos, com iguarias salgadas e doces, frias e quentes] no Palácio do Governo e no Leal Senado, devido à saída continuada de famílias tradicionais macaenses do território a partir da II Guerra Mundial”, diria ao jornal Ponto Final em 2009.
Dedicou-se então ao estudo da gastronomia macaense e já na década de 1990, como membro da direcção da Casa de Macau em Lisboa (de que é sócio benemérito), fez um pedido para que os sócios lhe dessem receitas macaenses. Conseguiu recolher 800, das quais publicou 600 no livro “A Culinária dos Macaenses” que teve duas edições, em 1995 e 1997.
O livro serviria ainda de base para uma novo título, editado em 2009, com o nome "Culinária Macaense - 100 Especialidades”, uma edição trilingue.
JAFL,foi ainda membro do Conselho de Curadores da Fundação Casa de Macau.
Ao lado: "A Culinária dos Macenses", da autoria de João António Ferreira Lamas. Lello Editores, 1997.
Fotografia de Ângelo Vieira. Prefácio de Jorge Forjaz.
Num próximo post abordarei com mais detalhe o conteúdo destes livros.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Falta de água potável em 1959

In 1959 Macao suffered a severe shortage of freshwater. Therefore, the original water supply was suspended and seawater was provided as a substitute. Water rationing had put into effect for up to 5 months. Freshwater could only be bought from water tankers, as in the picture above. That water came from China mainland and Macau fountains. To address the water shortage, the Macau government and personalities, such as Ho Yin and Ma Wan Qi requested the Government of Guandong Province to build a reservoir in Zhuhai to supply Macau. In the same year the Yinkeng and Lapa reservoirs located in Wanchai were built. 
Em 1959 Macau sofreu uma grave escassez de água doce devido à seca que assolou a região. O abastecimento de água potável foi suspenso e a água do mar passou a ser usada como substituto embora apenas para as instalações sanitárias. O racionamento de água vigorou durante 5 meses. Para fazer face à situação a água doce era fornecida à população em camiões cisterna (imagem acima). A água doce era proveniente não só da China como também dos poços e fontes existentes em Macau. Para combater a escassez de água, o governo de Macau e personalidades como Ho Yin e Ma Wan Qi solicitaram ao Governo da Província de Guandong a construção de um reservatório em Zhuhai para abastecer Macau. No mesmo ano foram construídos os reservatórios Yinkeng e Lapa localizados em Wanchai. Ao lado, poço do Largo de N. Sra. do Amparo.


quinta-feira, 2 de março de 2017

Serviço Postal Oficial: desde 1884

Por estes dias comemora-se o 133º aniversário da criação do Serviço Postal Oficial de Macau. Na verdade, este serviço já existia antes mas só a partir de 1 de Março de 1884 é que o denominado "correio maritimo" foi transformado em repartição oficial com a nomeação de um director, Ricardo de Souza, e três carteiros. Também nesta data foram postos a circular os primeiros selos (que já estavam em Macau já desde 1878): nove selos com taxas de 5 a 300 réis, feitos na Casa da Moeda, de Lisboa.
Para ilustrar este post escolhi imagens de uma emissão filatélica de 1934 que assinalava a efeméride (1884-1934) com referências ao primeiro director dos Correios, Ricardo de Souza, e ao primeiro edifício dos Correios de Macau.
O serviço de correio começou por estar instalado na casa do director, depois numa antiga casa da guarda junto ao Palácio do Governo (zona do actual o Hotel Metrópole); daqui (ver imagens) passou em 1915 par auma divisão no psio térreo do Leal Senado. Em 1926  mudou para a antiga residência do padre Almeidinha, à Praia Grande, onde ficou até ao início da década de 1930, altura em que passou a ter um edifício contruído de raiz, no Largo do Senado, e que ainda hoje funciona como sede dos correios.
Sendo este um dos temas que mais desperta o interesse dos leitores, deixo aqui um link com vários posts.

quarta-feira, 1 de março de 2017

91º aniversário da morte de Camilo Pessanha

Nesta data assinalam-se ainda os 91 anos passados sobre a morte do poeta Camilo de Almeida Pessanha (1867-1926), vítima de tuberculose pulmonar, na sua casa no nº 75 da Rua da Praia Grande. Ao lado numa foto de Man Fook, tirade em 1915, pode ver-se a letra de Pessanha que partiu de Lisboa para Macau  a 17 de Março de 1894 no vapor espanhol, Santo Domingo.
No território, onde viveu durante 32 anos, começou por ser professor do Liceu (cadeira de filosofia Elementar) tendo como colega Wenceslau de Moraes, e desempenhou ainda diversos cargos ligados à sua formação de direito. Em Macau o seu nome ficou imortalizado num edifício, na toponímica, na numismática e numa estátua.
Para a ensaísta Barbara Spaggiari (1983) Pessanha foi ”o único verdadeiro simbolista da Literatura portuguesa e, em absoluto, um dos maiores intérpretes do Simbolismo europeu”.
Da sua obra, Clepsydra, (1920),  transcrevo:

Floriram por engano as rosas bravas
No inverno: veio o vento desfolhá-las...
Em que cismas, meu bem? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?
Castelos doidos! Tão cedo caístes!...
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que um momento
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!
E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos...
Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze _quanta flor! _do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?
Para além dos diversos posts aqui pelo blogue, eis outras sugestões de leitura, neste caso edições do IPOR, mas existem muitas obras sobre a vida e obra de Pessanha.
70º Aniversário da Primeira Edição da Clepsidra; Homenagem a Camilo Pessanha; Camilo Pessanha o Jurista e o Homem; Camilo Pessanha Prosador e Tradutor; A Imagem e o Verbo Fotobiografia de Camilo Pessanha.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Olá Bôbo: o carnaval em verso

Transcrição de “Olá Bôbo”, de Adé, na “língu maquista”, o patuá.
Festa de Carnaval em 1939

Olá Bôbo
Cara limpo, cara suzo,
Vestí bôbo tudo iscondê;
Chacha véla lôgo olá
Si pôde jóvi parecê.
Dominó quelora suzo,
Nina-nina sã nádi usá;
Masquí seza Carnaval,
Nho-nhónha nunca sã igual!

Aqui bôbo, olá bôbo,
Ta passá na basso di janela!
Aqui bôbo, olá bôbo,
Tirá máscra pa nôs olá!
Nhónha jóvi, nhónha véla,
Qui capaz vai junto pandegá;
Bôbo tudo sã igual,
Qui muchado, qui donzela,
Vida sã unga Carnaval!

Gente pobre, gente rico,
Vestí bôbo pa divertí;
Chacha certo sabe olá
Si vôs sã vêm pa chicurí.
Tio Chai-Chai co Tico-Tico,
Olá saia mám ta cuçá:
Masquí seza Carnaval,
Hóme-hóme nunca sã igual!

Aqui bôbo, olá bôbo,
Ta passá na basso di janela!
Aqui bôbo, olá bôbo,
Tirá máscra pa nôs olá!
Nhónha jóvi, nhónha véla,
Qui capaz vai junto pandegá;

Bôbo tudo sã igual,
Qui muchado, qui donzela,
Vida sã unga Carnaval!


domingo, 26 de fevereiro de 2017

Farol da Guia: a primeira versão

"Foi o primeiro que luziu nas costas da China. Acendeu-se pela primeira vez a 24 de Setembro de 1865. Foi construído sob a direcção do governador José Rodrigues Coelho do Amaral, sendo um hábil macaense, Carlos Vicente da Rocha, o autor do seu engenhoso maquinismo, que funcionava com um candeeiro de petróleo. A construção foi custeada pela comunidade estrangeira de Macau, tendo à testa o comerciante H. D. Margesson, que tinha a sua firma na Rua Central, n.° 17. Tão curioso era o modelo desse farol que o seu autor o enviou para Lisboa, onde se conservou muito tempo na Sala do Risco do Ministério da Marinha até que um incêndio o devorou. (...)"
Manuel Teixeira: "Toponímia de Macau".

De acordo com um registo de 1865 era assim o farol:
O pharol está na latitude de 22° ÍV N., e na longitude de 113° 33 E, de Greenwich. A elevação da luz é de 101,5 metros acima do nivel do mar, nas mais altas marés de tempo calmo.
A torre do pharol mede 13,5 metros da base à cupola, tem a forma octogonal e é pintada de branco. A lanterna é vermelha.
A luz é branca e rotatória, fazendo um giro completo em 64″ de tempo.
Pode ser vista a vinte milhas, em tempo claro."
Com o tufão de 1874 sofreu graves danos tendo de ser reconstruído o que levaria vários anos.
Só a 29 de Junho de 1910, o antigo farol cedeu lugar a outro, de aparelhagem moderna (de rotação), importado de Paris.

 Dois postais: a mesma imagem
Curiosidade: Na primeira Exposição Colonial Portuguesa, realizada no Porto em 1934, foi construída uma réplica do farol visitada na altura pelo Presidente do Conselho, Oliveira Salazar (na foto).

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Postal para "guarda-marinha" do Adamastor em 1905

Bilhete-postal dirigido a "José Botelho de Carvalho Araújo, guarda-marinha a bordo do Cruzador Adamastor em Macau". O carimbo dos correios de Macau é de 6 de Março de 1905 tendo a carta saído de Lisboa a 30 de Janeiro desse ano.
O posto de guarda-marinha foi criado em 1761 e destinava-se aos jovens que assentavam praça a bordo de uma embarcação de Guerra para receberem formação com o objectivo de se tornarem oficiais da Marinha Portuguesa. Desconheço se sera o caso, mas também poderia ser oriundo da Escola Naval e, a ser assim, este era o primeiro posto da sub-categoria de oficiais.
O cruzador Adamastor foi construído nos Estaleiros Navais de Livorno (Itália) em 1896 e financiado pelas receitas provenientes de uma subscrição pública organizada como resposta portuguesa ao ultimato britânico de 1890. Teve como primeiro comandante o Capitão de Mar-e-Guerra Ferreira do Amaral (filho do governador de Macau, João Maria Ferreira do Amaral) chegando às águas do Tejo em Agosto de 1897. 
O Adamastor desempenhou um papel importante no golpe de 5 de Outubro de 1910, que levou à implantação da República Portuguesa, sendo responsável pelo bombardeamento do Palácio Real das Necessidades.
Durante os 36 anos que esteve no activo percorreu em missões de soberania quase todos os territórios ultramarinos portugueses, desde Angola a Timor, incluindo Macau;  fez várias visitas oficiais a países estrangeiros, como o Brasil ou o Japão; e na Primeira Guerra Mundial, fez parte de operações militares contra os alemães, no norte de Moçambique.
A 6 de Novembro de 1922 o Adamastor foi feito Comendador da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Em 1934 foi desactivado e vendido à Firma F. A. Ramos & Cª.
Missões do "Adamastor" em Macau (partida e chegadas a Lisboa):
1.ª - Outubro 1899 a Junho 1901
Missão repartida pela Divisão Naval do Índico e pela Estação Naval de Macau. 
2.ª - Novembro 1903 a Agosto 1905
Chega a Macau em Março de 1904 partindo em Agosto para Shangai onde permanece vários meses.
3.ª - Outubro 1912 a Outubro 1913
Além de Macau escala Xangai e outros portos da China; durante esta missão sofreu um acidente, 11 de Maio de 1913, ao sair do porto de Hong Kong; em meados de 1913, o então capitão de fragata, João de Canto e Castro (1862 -1934) (futuro Presidente da República, que sucede a Sidónio Pais) recebe a missão de se deslocar a Macau para aí assumir o comando do cruzador português Adamastor.
4.ª - 1926 a Abril 1928
Em Julho de 1926 chega a Xangai a fim de defender as concessões internacionais e render ao mesmo tempo o cruzador “República”. 
5.ª - Setembro 1929 a Julho 1933
Escala Macau de onde parte a 8 de Fevereiro de 1932, com destino a Xangai e dali em viagem diplomática para Japão. Volta a Xangai para protecção da comunidade portuguesa em virtude do início da guerra sino-nipónica; a 15 de Outubro de 1931, parte para Lisboa, levando o Governador de Macau, capitão de Fragata Joaquim Anselmo da Matta e Oliveira; fundeado em Macau em 1932 é reclassificado como aviso de 2.ª classe. Devido ao vançado estado de degradação é decidido o abate em Lisboa. Larga de Macau em Março de 1933 chegando a Lisboa em Julho depois de uma atribulada viagem em que é obrigado a diversas paragens por sucessivas avarias.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

"Amor por Macau" / "Love of Macao" por Lee Kung Kim

Embarcações abrigadas do tufão
O Museu de Arte de Macau (MAM), sob a égide do Instituto Cultural e a Associação de Fotógrafos a Preto e Branco de Macau, tem patente a exposição "Amor por Macau: Fotografias de Lee Kung Kim", onde são expostas 150 fotografias que têm Macau como tema.
Lee Kung Kim (1930-2015), experiente fotógrafo de Macau, nasceu em Meizhou e começou a fotografar nos anos 50. Foi presidente da Associação Fotográfica de Macau - a mais importante associação de fotografia de Macau, consultor da Associação de Fotógrafos da China e ainda presidente honorário de diversas associações fotográficas. Lee Kung Kim dedicou-se à fotografia por mais de meio século, tendo participado e conquistado diversos prémios em inúmeros concursos de fotografia internacionais.
Respeitando os seus desejos e dando o seu apoio à actividade cultural, os seus familiares doaram todos os seus trabalhos fotográficos, incluindo rolos fotográficos, para integrarem a colecção permanente do Museu de Arte de Macau. Para esta exposição, foram selecionadas 150 fotografias de Macau divididas nas séries patriotismo e costumes locais, dando a conhecer aspectos da vida do território nas décadas de 1960 e 1970.
 
Entrada do templo de Kun Iam
 Vista sobre o Porto Exterior e a ponte Nobre de Carvalho na década de 1970
 Pôr do Sol em Sai Van
Macau visto da Taipa
A exposição está patente ao público até 9 de Julho de 2017, no 1.º andar do MAM na Av. Xian Xing Hai. A entrada é livre. Horário: terça a domingo entre as 10h e as 19h (última admissão às 18:30 horas); encerra à segunda-feira.
Av. da República
The Macao Museum of Art (MAM), under the auspices of the Cultural Affairs Bureau and the Black-And-White Photographic Society of Macao co-organize the exhibition: "Love of Macao - Photographs by Lee Kung Kim”, featuring 150 photography works under the theme of Macao.
Lee Kung Kim (1930-2015), an experienced Macao photographer, was born in Meizhou and started taking photographs in the 1950s. He was the President and Chairman of the board of the Photographic Society of Macao - the most important photography association in Macao, the consultant of the China Photographers Association as well as the Honorary President of a number of photographic associations. He was dedicated to photography for over half a century and won awards in many international photography competitions.
Respecting his wishes and in support of cultural activities, his family members unconditionally donated all of his works to the Macao Museum of Art as permanent collection. In this exhibition, 150 excellent documental works under the theme of Macao were specially selected and divided into the series patriotism and local customs, showing the life aspects in Macao in the 1960s and 1970s.
Love of Macao 
Photographs by Lee Kung Kim
1st floor of the MAM until 9 July 2017
at MAM, located at Avenida Xian Xing Hai  Open daily from 10am to 7pm
(no admittance after 6:30pm)
Closed on mondays

Mr. Lee Kung Kim was born in Meizhou in 1930. He moved to Macao in 1947 and passed away in 2015. He had lived in Macao for 69 years, witnessing the vicissitudes of Macao. His love for Macao, as well as the scenes that he had seen in Macao, are all preserved in his works.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Museu da Taipa e Coloane

O edifício é da década de 1920 e começou por ser o Edifício das Repartições Públicas. Fica na rua Correia da Silva (Taipa). Serviu depois a Câmara Municipal das Ilhas e alberga actualmente o Museu da história da Taipa e Coloane.
No museu, para além de se poder ver como era o edifício de dois pisos no interior estão ainda patentes achados arqueológicos resultantes de escavações feitas entre 1973 e 2006, incluindo das próprias fundações do edifício. As nove galerias incluem ainda testemunhos de como era a vida nas ilhas da Taipa e Coloane em tempos remotos. 
No rés-do-chão aborda-se a história e cultura dos tempos antigos da Taipa e Coloane, ilustrada por quadros e projecções de vídeos, nomeadamente “Arqueologia na Taipa e em Coloane”, “Alteração Territorial e Transformação das Aldeias na Taipa e em Coloane”, “Religião na Taipa e em Coloane ”. No 1º andar podem ver-se cenas do quotidiano: “Câmara Municipal das Ilhas”, “Economia da Taipa e Coloane” e “Características dos Edifícios e Desenvolvimento da Taipa e de Coloane”. Destaque ainda para uma antiga sala de reuniões com decoração dos anos 60.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Macau por Emma Sandys

Emma Sandys (1843-1877) foi uma pintura britânica da segunda metade do século 19 que ficou conhecida sobretudo pelos retratos a óleo. Ainda assim é-lhe atribuída a autoria de alguns trabalhos onde retrata Hong Kong e Macau, neste último caso, a "Praya Grande". Admite-se como muito provável que nunca tenha viajado para tais paragens pelo que certamente se inspirou em outras obras muito em voga na época. Natural de Norwich, aprendeu com o pai a técnica da pintura sendo o seu primeiro trabalho de 1863. Fez várias exposições em Londres e Norwich entre 1867 e 1874. Morreu com apenas 34 anos.
Emma Sandys (born Mary Ann Emma Sands) (1843-1877 was a 19th-century English painter. She was born in Norwich where her father, Anthony Sands gave her some early lessons. In 1853 the family added a ‘y’ to their surname. She was influenced by her brother Frederick Sandys, one of the Pre-Raphaelite Brotherhood, and his friend Dante Gabriel Rossetti. Her earliest dated painting is marked 1863 and she exhibited her works in both London and Norwich between 1867 and 1874. Her works were mainly portraits.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Macau na década de 1950 por Levy Gomes

Na "Nota ao leitor" de "Esboço da história de Macau 1511-1849" editado em 1857, Artur Levy Gomes - foi chefe da repartição superior dos correios da província de Macau na década de 1910 - traça um retrato de Macau na década de 1950. Eis um excerto:
(...) Territorialmente consta da cidade propriamente dita, que abrange toda a península, e das ilhas adjacentes, contando, presentemente, no seu conjunto, pouco mais de catorze quilómetros quadrados de superfície.
Privilegiadamente situada no delta comum dos dois rios, Chu-Kiang (rio de Leste, ou das Pérolas) e Si-Kiang (rio de Oeste) a oitenta milhas da cidade e porto de Cantão, capital da grande província de Kuang-Tung, distrito de Heung-Shan (1), a 22°-11′-50″ de latitude N., e 113°-33′-30″ de longitude E. de Greenwich, tendo na sua parte peninsular a pequena área de 3,5 quilómetros quadrados, árida e deserta ao tempo da concessão, está hoje repleta de edifícios e de luxuriante vegetação, aumentada territorialmente em quase três quilómetros quadrados de terrenos conquistados ao mar. É ligada por um pequeno istmo à ilha de Heung-Shan (montes odoríferos) e cercada de ilhas pequenas e agrestes, possuindo um porto natural pouco espaçoso e fundo, mas bastante abrigado. Colocada quase sob o trópico, na zona semitropical ou de transição, com uma temperatura média de 22°,2 e uma sensível estabilidade térmica, pode dizer-se que tem um clima salubre e invejàvelmente temperado. (...)

Possui urna configuração topográfica suavemente ondulada, em declives mais ou menos acentuados, e praias que se esbatem em curvas e recortes grácis, colinas revestidas de pujante vegetação, jardins encantadores pela sua policromia e frescor, plainos coalhados de casario em que se mistura o exotismo da arquitectura chinesa com as linhas sóbrias e pesadas das antigas construções europeias, aparecendo já em alguns edifícios modernos o futurismo arquitectónico importado da América.
Os seus templos cristãos, os pagodes budistas, os hotéis modernos, o característico bairro chinês com o seu bazar e ininterrupto vaivém dum formigueiro humano; os clássicos jerinxás, o tan-tan dos vendedores ambulantes, enfim um mundo exótico em miniatura, prende a atenção do europeu, gravando-se-lhe indelevelmente na retina e no ouvido.
A beleza poética da remançosa «Gruta de Camões», sobranceira ao Patane, evoca-nos, na sua ensombrada solidão, recordações saudosas do nosso poeta máximo.
Para a parte nova da cidade, sobressaem os massiços de verdura da colina da Guia, coroada, a cento e dez metros de altitude, pelo seu majestoso farol, o primeiro que iluminou as costas da China; o campo da Flora e a Avenida Vasco da Gama, com os seus dois monumentos, recordam-nos, na sua modéstia, um deles, a nossa maior glória marítima, e o outro, um dos factos mais brilhantes da História de Macau.
Ilustração do livro
Bem arborizadas estradas talam os terrenos de Mong-Há e, ao fundo, destaca-se a Ilha Verde, emergindo das águas do Porto Interior. As montanhas do Cathay, as Nove Ilhas aflorando no rio das Pérolas, a da Lapa, a da Taipa, a de Coloane, e mais para o sul as de D. João e Wong-Kam encerram Macau, qual preciosa gema, em escrínio maravilhoso.
Antes da eclosão da última guerra sino-japonesa, tinha Macau uma população que orçava por cento e sessenta mil almas, constituída por enorme  maioria  de  chineses  que  habita,  de  ordinário,  a parte sudoeste da península, por macaenses, europeus e alguns indianos. A população das ilhas da Taipa e Coloane anda por uns dez mil habitantes, na quase totalidade chineses, marítimos de profissão, ou comerciantes.
É sede de uma Diocese, a mais antiga do Extremo Oriente, e tem quatro freguesias: Sé, S.Lourenço, Santo António e S. Lázaro, esta última pertencente à comunidade chinesa católica. Há nela também a freguesia da Taipa e Coloane, sob a invocação de Nossa Senhora do Carmo. Tem ainda sob a sua jurisdição eclesiástica as Missões de Heung–Shan e Shiu-Hing, em território chinês, Malaca e Singapura em territórios ingleses. É este conjunto que compõe o Padroado do Oriente. Possui igualmente bastantes pagodes ou igrejas do culto budista, alguns bastante sumptuosos e até anteriores à nossa ocupação, como o da Barra, e, no cemitério dos protestantes, uma capela desse culto. (...)
Nota: o livro de mais de 400 páginas tem de ser lido com atenção dado o elevado número de erratas e outros informações históricas erradas.(...)"

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Uma história de piratas...

Um destes dias recebi do leitor José Azevedo e Silva um e-mail que publico neste post. É uma história e um apelo e diz respeito a um episódio com piratas ocorrido em 1925.
Envolve a lancha canhoneira "Macau", na altura comandada pelo Primeiro Tenente João Vaz Monteiro de Azevedo e Silva (1896-1954), pai de José Azevedo e Silva que nasceu em Macau a 29 de Setembro de 1925 tendo regressado a Portugal com poucos meses de vida. Esta história, ocorrida no ano em que ele nasceu, é portanto aquilo que ele ouviu contar ainda criança em conversas de família.
Não obstante a vitória reclamada pelas tropas portuguesas em 1910 sobre os piratas que 'infestavam' o delta do Rio das Pérolas com sucessivos ataques em mar alto e às ilhas da Taipa e Coloane, a verdade é que esse feito serviu apenas para atenuar, ainda que de forma significativa o flagelo. Os actos de pirataria continuariam até praticamente à década de 1950. São inúmeros os casos ocorridos. O que José Azevedo e Silva relata é de 1925 e nunca antes ouvira falar...
A canhoneira "Macau" (na imagem acima na doca das Oficinas Navais em Macau) fez serviço de patrulha no território no início do século XX.  A embarcação foi encomendada aos estaleiros Yarrow & Co. Ltd., de Glasgow (Escócia), tendo sido entregue à Marinha portuguesa em 1909. Foi o navio Nº 60 do Regimento de Sinais da Armada e utilizou o distintivo “C.T.A.X.”, como indicativo do Código Internacional de Sinais.
A embarcação seria abatida ao efectivo da Armada a 15 de Agosto de 1943, sendo entregue aos responsáveis militares japoneses da força expedicionária que invadiu a China, por troca com 10.000 sacos de arroz. Passaria a navegar com o nome "Maiko". Em 1949 seria capturada por militares chineses, passando a integrar a frota da marinha da China sob o nome “Wu Fang”.
"Quando o delta do rio das pérolas era ainda infestado por piratas que atacavam as embarcações mercantes que cruzavam a zona era fundamental o trabalho de fiscalização e prevenção de embarcações como a canhoneira "Pátria" e a lancha Canhoneira "Macau". Numa ocasião um barco pirata atacou uma embarcação de comércio e levou de refém todos os passageiros que não tinham calos nas mãos. Os que tinham mãos calejadas eram considerados pobres e como não tendo dinheiro para resgates eram deixados seguir. 
As freiras pertenciam a uma missão católica sediada num antigo templo chinês situados na região de Macau. Não tendo dinheiro para resgates o Superior da Missão pediu auxílio ao Governo de Macau que decidiu destacar a lancha canhoneira "Macau" para libertar as freiras tentando não usar a força de forma a não colocar a vida das reféns em risco. Depois de detectado o refúgio dos piratas o comandante da "Macau", Tenente Azevedo e Silva, foi até ao local, falou com eles e conseguiu convencê-los que aquela senhoras eram pobres vivendo de esmolas e de mãos postas pediam a Deus que protegesse os homens cá na terra.
O apelo foi bem sucedido e as freiras libertadas. Como forma de recompensa, o superior da missão ofereceu ao tenente Azevedo e Silva dois leões de pedra que guardavam a entrada do templo. O comandante recusou tão caro presente mas o padre insistiu... e a oferta foi aceite pelo Imediato da canhoneira. Azevedo e Silva acabaria por aceitar um disco de pedra redonda - com cerca de 80 cm de diâmetro - com dragões esculpidos dos dois lados.
Aquando a morte do meu pai, a minha mãe e os meus irmãos, concordámos em oferecer esta peça ao Museu da Marinha que a teve exposta na Sala do Oriente. Anos mais tarde, com o encerramento desta sala, perdeu-se um pequeno quadro que continha a descrição destes factos. A quem porventura possa ter mais informações sobre estes factos solicita-se que enviem para: macauantigo@gmail.com de forma a poder fornecê-las à direcção do museu e assim solicitar aquela instituição para voltar a expor a peça.

João Vaz Monteiro de Azevedo e Silva (1896-1954)
Militar da Marinha, comandou os navios "Diu" e a canhoneira "Macau" em Macau e a "Bartolomeu Dias" na Índia. Casou em 1905 com Laura Avelar Lopes de Carvalho tendo tido quatro filhos.
Em meados de 1923 embarcou na lancha-canhoneira "Macau" onde esteve até Setembro de 1925 ainda que com uma diligência na canhoneira "Pátria" entre 1 e 23 de Outubro de 1925, ano em que foi promovido a 1º Tenente. Em 1926 terminou a comissão em Macau.
De regresso a Portugal foi responsável pela Direcção das Pescarias, director da Biblioteca de Marinha, professor da Escola Naval e da Escola Náutica e membro da ”Comissão Permanente de Direito Marítimo” tendo contribuído para a elaboração de leis ainda hoje em vigor. Foi ainda juiz no Tribunal de Marinha e membro do Instituto Superior Naval de Guerra.
Em 1935 foi promovido a Capitão-Tenente da Marinha de Guerra e em 1940 a Capitão-de-Fragata. Terminou a carreira militar com a patente de Capitão-de-Mar-e-Guerra. Morreu a 24 de Dezembro de 1954.
Condecorações (Ordem Militar de Avis): Grau de Comendador, com Decreto de 21 de Novembro de 1947; Grau de Grande-Oficial, decreto de 27 de Setembro de 1954.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Ainda a Fonte dos Amores

Existe na taipa uma inscrição num muro com a designação Fonte dos Amores. A actual configuração do muro - já sem a fonte - dá para perceber como era a fonte... original.