Largo do Senado (década 1930-40) - Desenho de Alberto Sousa
domingo, 11 de agosto de 2013
sábado, 10 de agosto de 2013
Lancha-canhoneira “Macau”
Transcrição do capítulo do livro “Navios da Armada Portuguesa na Grande Guerra” (Academia da Marinha, 2008), da autoria do Comandante José Ferreira dos Santos.
“Construída, de aço, pelos estaleiros Yarrow, em Glasgow, foi enviada para Hong Kong, a bordo do cargueiro britânico ʻGlenlochyʼ, encaixotada. Destinava-se à província de Macau. As várias secções foram reunidas na firma Whampoa Dock, em Kowloon, por operários dos estaleiros Yarrow. Foi lançada à água no dia 7 de Julho de 1909.
Características principais:
Comprimento: 36,51 metros; Boca: 6,04 metros; Pontal: 1,54 metros; Calado máximo: 0,64 metros; Deslocamento: 135 toneladas.
Comprimento: 36,51 metros; Boca: 6,04 metros; Pontal: 1,54 metros; Calado máximo: 0,64 metros; Deslocamento: 135 toneladas.
Estava equipada com duas máquinas alternativas de vapor de tríplice expansão com a potência total de 250 cavalos indicados que lhe imprimiram nas experiências a velocidade de 11,8 nós. Tinha uma caldeira aquitubular e dois hélices trabalhando cada um em seu túnel. Estava armada com duas peças de artilharia Hotchkiss de 57 mm/40 calibres e com três metralhadoras de 6,5 mm também Hotchkiss. A guarnição era composta por dois oficiais, quatro sargentos e vinte e nove praças, sendo sete de contratação local.
No dia 19 de Julho de 1909 passou ao estado de completo armamento tendo o primeiro-tenente Joaquim Anselmo da Mata Oliveira assumido o comando naquela data. No dia 21 largou de Hong Kong para Macau. Na iminência da passagem de um tufão, a lancha-canhoneira subiu o rio e demandou um fundeadouro onde amarrou com dois ferros. No dia 19 de Outubro de 1909 o vento fez o navio garrar, quase provocando a sua perda. No dia seguinte conseguiu voltar a Macau mas com várias avarias.
Em 12 de Julho de 1910 foi a Coloane combater os piratas que detinham a posse de parte da vila. O bombardeamento empreendido pela ‘Macau’ provocou 150 baixas e a destruição de diversas casas pelo facto dos piratas não se quererem render. No dia 17 a canhoneira ‘Pátria’ (imagem ao lado) coadjuvou o bombardeamento da ‘Macau’ e ambas conseguiram, com a colaboração de forças do nosso Exército, acabar com as acções da pirataria no território de Macau.
Em Junho e Dezembro de 1913 e Junho de 1915 e Abril de 1916 foi a Hong Kong onde subiu o plano inclinado para beneficiação da carena aproveitando para efectuar outras pequenas reparações.
Em 3 de Agosto de 1913 foi a Cantão devido à alteração da ordem naquela cidade onde se verificou nutrido tiroteio, entre facções rivais, que provocou centenas de mortes. O comandante combinou com o cônsul de Portugal desembarcar uma pequena força com uma metralhadora mas não chegou a ser necessário. A ‘Macau’ estava pronta a receber mulheres e crianças mas também isso não foi preciso e em 19 de Agosto o navio largou para Macau depois de ter sido dispensado pelo cônsul. Teve a lancha-canhoneira ‘Macau’ uma vida muito longa e muito útil durante a qual desempenhou as mais variadas missões com relevância para as actividades de carácter militar e de presença naval.
Durante o auge da segunda guerra mundial, apesar de Portugal ser país neutro, era o então todo poderoso império do sol nascente quem verdadeiramente mandava em Macau, aliás era quem mandava em quase toda a Ásia. Os japoneses cometiam toda a espécie de arbitrariedades, atropelos e desmandos. Em Macau, só entrava o arroz (e outros géneros), que eles permitiam que entrasse e assim conseguiam dobrar-nos pela fome. Foi por esse processo que nos obrigaram a entregar-lhes duas boas dragas que havia em Macau.
Já há muito tempo que os nipónicos vinham cobiçando a nossa lancha-canhoneira e em 1943 a falta de arroz era tão premente que conseguiram que o Governo de Macau lhes entregasse o navio em troca de dez mil sacos de arroz, de sessenta quilogramas cada, o que perfez seiscentas toneladas de arroz no valor de um milhão de patacas.
Desse modo em 15 de Agosto de 1943 a ‘Macau’ foi integrada na armada japonesa com o nome ‘Maiko’. No final da guerra a ‘Maiko’ rendeu-se, em Cantão, à armada chinesa, que, em 1946, a rebaptizou ‘Wu Feng’. Em 1949 foi capturada pela China comunista.”
Mais imagens: http://macauantigo.blogspot.com/2009/04/nrp-macau-lancha-canhoneira-1909-1943.html
Sobre o autor do livro aqui referido
Capitão da marinha mercante, embarcado em diversos navios durante cerca de trinta anos, José Ferreira dos Santos tem dedicado muito do seu tempo à investigação histórico-naval, sendo também coleccionador de fotografias de navios. Membro da Academia de Marinha, é também membro de mérito da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, onde tem organizado dezenas de exposições de fotografias de navios, abrangendo milhares de fotos da sua colecção particular. JFS é ainda autor de dezenas de artigos publicados na Revista de Marinha e na Revista da Armada. Em 2007 recebeu a Medalha da Cruz Naval de 1ª classe.
Capitão da marinha mercante, embarcado em diversos navios durante cerca de trinta anos, José Ferreira dos Santos tem dedicado muito do seu tempo à investigação histórico-naval, sendo também coleccionador de fotografias de navios. Membro da Academia de Marinha, é também membro de mérito da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, onde tem organizado dezenas de exposições de fotografias de navios, abrangendo milhares de fotos da sua colecção particular. JFS é ainda autor de dezenas de artigos publicados na Revista de Marinha e na Revista da Armada. Em 2007 recebeu a Medalha da Cruz Naval de 1ª classe.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Colégio D. Bosco: um pouco de história
A 24 de Maio de 1939, o Prelado concedera aos Salesianos licença para
erigirem «uma Casa Salesiana em Macau para Oratório Festivo para
Europeus e Macaenses com capela pública». Em 1940, o Governo
concedeu-lhes um terreno em Mong-Há. A 10-11-1941 fez-se a inauguração
do aterro para os futuros pátios do actual Colégio. A 24 de Julho de 1941, a Santa Casa da Misericórdia entregou ao Bispo de Macau, D. José da Costa Nunes, o seu Asilo dos Órfãos, com os seus 30 rapazes, e a 15 de Agosto desse ano foi confiado aos Salesianos. Enquanto se não levantava edifício próprio, os órfãos portugueses ficaram instalados no Orfanato da Imaculada Conceição juntamente com os chineses.
A 6 de Fevereiro de 1949 foi lançada nesse terreno a primeira pedra dum edifício que se chamou «Colégio D. Bosco», de Artes e Ofícios, destinado ao Ensino Técnico e Profissional, sendo seu primeiro Director, o Pe. António Giacomino. António Bastos foi o arquitecto que preparou todos os planos. Num apelo ao público dizia-se: «Consta que serão precisos dois milhões de patacas para levar a cabo a construção do grandioso Colégio e que o Governo da Metrópole já autorizou um subsídio de $600.000,00 para. esse efeito» (Noticias de Macau, 7-2-49).
O novo edifício desse grandioso colégio foi inaugurado em parte, num domingo, 10 de Fevereiro de 1951. A 30 de Novembro desse mesmo ano foi colocada a primeira pedra da nova ala desse edifício, destinada a refeitório, salão de teatro e oficinas. Em Dezembro de 1958 inauguraram-se no Colégio D. Bosco oito novas máquinas da sua oficina de mecânica, um campo de basquetebol, um centro dos antigos alunos salesianos e a sala de jantar «Dr. Pedro Lobo».
A 30 de Janeiro de 1963, foram inaugurados dois novos andares para aulas e quartos.
E assim, por fases sucessivas, apareceu este grande colosso que hoje se chama «Colégio D. Bosco», acabado de construir em 1963, com a ajuda do Governo da Província. Não obstante nele funcionar o ensino primário, o Colégio D. Bosco é principalmente uma Escola Industrial, oficializada pelo Decreto-Lei No. 43 093, de 28 de Julho de 1960. Funciona também oficialmente o Ciclo Preparatório do Ensino Secundário.
Desde 1960 até à presente data o Colégio D. Bosco formou 111 Mecânicos, não se incluindo neste número os alunos que se prepararam na mesma especialidade antes de entrar em vigor a oficialização do Colégio.
A oficina de Mecânica possui equipamento à altura do ensino qne se ministra, tendo para isto contribuído o Governo da Província pelas verbas dos vários Planos de Fomento.
Além deste Curso oficializado e equiparado ao ministrado nas escolas oficiais similares, funcionam, em regime extra-curricular, o Curso de Mecânica de Automóvel e o Curso de Dactilografia, abertos a todos os que desejam valorizar-se com uma melhor preparação para enfrentar a vida.
O Colégio D. Bosco é frequentado por alunos, assim distribuídos: Ensino Primário (116); Ciclo Preparatório (75); Curso Geral de Mecânica (70); Curso de Automóvel (30). O curso de dactilografia é frequentado pelos alunos dos cursos normais, e por outras pessoas, em regime extra-curricular.
Outras actividades extra e para-escolares:
Música e Canto Coral - A música é um complemento das actividades escolares. Nos Colégios Salesianos esta actividade é fortemente valorizada e constitui uma das facetas da educação salesiana, desde as origens, segundo o pensamento e exemplo do próprio D. Bosco. Assim, além do Canto Coral (Geral), existe ainda o grupo dos «Pequenos Cantores», fundado em 1959 pelo P. César Brianza e que se encontra filiado no grupo internacional dos «Pequenos Cantores da Cruz de Madeira», sendo director o mesmo P. Brianza, diplomado em piano pelo Conservatório Nacional de Lisboa. Tem-se apresentado várias vezes em público, criando à sua volta uma justificável auréola de prestígio. Com a digressão ao Japão, em Abril de 1974, tornou-se realidade um sonho acalentado durante anos, dando-se assim a maior projecção e internacionalização a um coro que tem alto nível, como o deixou bem demonstrado, fora de Macau, ao conquistar o interesse e o entusiasmo das gentes do Japão, um país de fino gosto musical e artístico. Em 16 anos conseguiu o P. Brianza ensaiar 378 rapazes, levando os a actuar 602 vezes; o primeiro concerto realizou-se na capela do Colégio D. Bosco a 7 de Dezembro de 1959.
Em 1976, os «Pequenos Cantores fizeram uma digressão pelas Filipinas.
Desporto - Praticam-se e fomentam-se todas as modalidades existentes na Província, dando aos alunos todas as facilidades para a prática desportiva, descobrindo nele um valor educativo de grande importância. Além dos campeonatos escolares, que se vão realizando ao longo do ano entre as diversas classes e em que participam os professores, os atletas do D. Bosco participam em todos os campeonatos provinciais de diversas modalidades, tendo-se distinguido com boas classificações.
Sessões Culturais - O Colégio D. Bosco aproveita todas as ocasiões para dar aos seus educandos uma sólida preparação moral e cultural, técnica e literária, fomentando a prática de recitais, palestras, representações de cinema e outras manifestações.
Imprensa - Para activar a vida do Colégio e para que os Antigos Alunos se mantenham em contacte com a instituição que os educou é editado quinzenalmente um opúsculo intitulado «Vida Colegial», com excelente apresentação.
Associações Juvenis - Grupos naturais, constituídos pelas diversas turmas, reúnem-se depois das aulas, para discutir e dialogar sobre temas de interesse para a sua idade, orientados por um professor. Entre as várias actividades contam-se o Desporto, organizado pelos chefes de turma e conselho desportivo e o «Çlube de Guitarras» para aprendizagem e actuação nas festas, dentro e fora do Colégio, tendo-se já registado várias execuções notáveis, especialmente nas missas dominicais».
Oratório Festivo - Todos os domingos as portas do Colégio D. Bosco abrem-se aos jovens que ali queiram passar momentos de proveitosas distracções. Das actividades constam: Missa dominical, Instrução Moral, Desportos, Jogos variados, Sessões de cinema e Distribuição de bolos e guloseimas.
Nota: texto da década de 1970 da autoria muito provavelmente de Mons. Manuel Teixeira.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Revista "Life" (EUA): 8 Agosto 1949
Na edição de 8 de Agosto de 1949 - faz agora 64 anos - a revista Time Life (EUA) publicava um longo artigo sobre Macau (págs 19 a 23) intitulado "Macao Flourishes as Center of World Gold Trade" assinado por Jack Birns e Roy Rowan.
Veja outras das fotografias da reportagem de 1949 aqui
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
A recomposição dos macaenses
Em 2011 a investigadora Cristina Moreno (viveu em Macau nos anos 80 e 90) preparava no âmbito de uma tese de mestrado e projecto de doutoramento, na FCSH-Universidade Nova de Lisboa, um estudo que pretendia averiguar como a comunidade macaense se recompôs ao longo deste último século e meio de história e de como as migrações macaenses jogaram um papel na oscilação de uma “comunidade que sempre se sentiu ameaçada”. Segue-se a entrevista dada na altura ao jornal Hoje Macau.
Como é que surge este seu interesse académico pela questão das migrações e pela comunidade macaense, ou em rigor, pelas comunidades, no plural?
- O tema das migrações é um tema que me interessa, principalmente perceber como os movimentos de população se ligam às questões transnacionais, da globalização etc. O meu interesse pelas migrações macaenses vem da minha estadia em Macau. São um grupo social que sempre me interessou imenso. São um grupo de charneira por estarem, assim em termos muito gerais, entre a comunidade portuguesa - e dizer isto é bastante problemático - e a comunidade chinesa; de serem filhos de um processo de colonização, sempre abandonados ou ostracizados. Mesmo dentro de Macau, pelos vários poderes, seja pelos chineses seja pela administração colonial.
Quando eu comecei a estudar melhor a comunidade macaense apercebi-me que havia um movimento migratório bastante antigo que tinha começado, mais ou menos, na altura da guerra do ópio, cerca de 1840, quando pessoas que trabalhavam para as companhias inglesas que, na altura estavam sediadas em Macau e que com a formação de Hong Kong se mudaram para lá. Este fenómeno levou uma série de famílias macaenses a deslocarem-se para aquele território e daí para cidades chinesas, principalmente Xangai.
Como caracterizaria este processos migratórios?
- Penso que estes processos migratórios - e esta é uma das minhas interrogações mas eu acho que pelas pesquisas exploratórias que fiz até agora se confirma - assentam em redes familiares. Nessa altura, há um triângulo que se forma, muito importante, entre Macau, Xangai e Hong Kong. Há uma série de macaenses que vão trabalhar, primeiro, para Hong Kong e depois para Xangai com essas companhias inglesas. A partir deste momento, dá-se o início daquilo a que os macaenses hoje chamam a si próprios uma diáspora. Ou seja, a partir daqui registam-se fluxos migratórios constantes, dependentes das situações e contingências político-sociais. Neste momento, existem comunidades macaenses no Brasil, nos Estados Unidos, na Austrália, no Canadá, em vários pontos da Europa e em Portugal. A diáspora começa a ser uma expressão usada para designar as comunidades que mantém laços entre elas – não só os mantém como os recompõem, reforçam e até lhes dão uma dinâmica que tinham vindo a perder.
Começa-se a falar de diáspora macaense mais ou menos na altura em que fica decidida a data da passagem da administração para a China. Por exemplo, há instituições que são formadas em Macau, como o Instituto Internacional de Macau que hoje estão viradas para as comunidades macaenses no exterior. Mas, enfim, o meu foco não vai ser tanto esse, das redes institucionais, mas vai antes ser mais baseado no estudo das próprias redes familiares. Aquilo que eu estou a tentar fazer é, através dos estudos de histórias de vida, da genealogia, através do confronto comparativo entre várias gerações, perceber como é que entre final dos anos 80 até hoje, os grupos dispersos de macaenses vão reconstruindo esses laços que tinham perdido e com base em quê. É curiosíssimo que o patuá, já ninguém o falava, e agora na internet vêm-se fóruns em patuá, por exemplo.
Trata-se de uma estratégia de sobrevivência?
- Poderá ser, sim. A comunidade macaense sempre viveu ameaçada pela extinção. Cada catástrofe socioeconómica ou política ameaçava a comunidade macaense – ou ela se sentia ameaçada. Refiro-me, pelo menos, aos discursos. É muito curioso ler, por exemplo, o livro “Macau histórico” do Montalto de Jesus, de cerca de 1920. Ali estão todos os fantasmas ligados a esta situação de permanente indefinição. Acho que há ainda poucos estudos nas ciências sociais sobre os macaenses e, principalmente, sobre as migrações macaenses. Outro ponto que me interessa é cruzar este estudo das migrações macaenses com o das grandes correntes migratórias, através da História e da Geografia Humana, - desde finais do século XIX - e com a recomposição dessas grandes correntes migratórias ao longo dos tempos.
Entrevista de Carlos Picassinos publicada no HM de 14-7-2011
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Carta do Conde de Ericeira: 1623
4 de Agosto de 1623 (séc. VXII): carta do conde da Ericeira (um excerto na imagem) para Cristóvão Soares a dizer-lhe que as novas que vieram de Macau faziam haver alguma esperança de outros maiores sucessos naqueles Estados. Cristóvão Soares Monterroso era um rico comerciante em Macau que por certo experimentara uma dura viagem até aquelas paragens.
Conde da Ericeira foi um título nobiliárquico criado por Filipe III de Portugal, por carta de 1 de Março de 1622 a favor de D. Diogo de Meneses (1553-1625).
Os portugueses tinha-se estabelecido em Macau há poucos anos... 1557.
Conde da Ericeira foi um título nobiliárquico criado por Filipe III de Portugal, por carta de 1 de Março de 1622 a favor de D. Diogo de Meneses (1553-1625).
Os portugueses tinha-se estabelecido em Macau há poucos anos... 1557.
A este propósito sugiro a leitura de "Ásia portuguesa no tempo do vice-rei conde da Ericeira (1718-1720)" de Charles R. Boxer, Imprensa Nacional, Macau, 1970
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
A decadência da Ilha Verde
Devido ao decreto pombalino de 3 de Setembro de 1759, os jesuítas são presos e expulsos de Macau em 5 de Julho de 1762. Em 13 de Dezembro de 1763, a quinta da Ilha Verde foi entregue com todos os pertences, judicialmente pelo juiz ordinário e dos feitos da Coroa e da Fazenda, por auto público, a Manuel José Batalha, alferes de infantaria da Fortaleza de S. Paulo do Monte. Por este documento fica-se “a saber que existiam na Ilha Verde uma capela, uma sacristia, uma galeria que conduzia ao coro, uma habitação próxima ao refeitório com seus pertences. Não se faz menção aí do colégio, observatório, ou jardim botânico. Este inventário devia servir de consto no caso que qualquer pessoa que viesse a ser dono da ilha tivesse em qualquer tempo de a restituir ao Rei de Portugal, quando uma reversão tivesse lugar.” Mas como os Colégios de S. Paulo e S. José dos Jesuítas deviam 6147 taéis a Simão Vicente Rosa, ele, que nessa altura se encontrava em Goa, como forma de reaver essa dívida em 1765 consentiu ficar com a Ilha Verde por essa quantia. Tentou-se ainda leiloar a propriedade da ilha, mas não houve ninguém que oferecesse coisa alguma. Em 14 de Abril de 1766 o Governo de Goa dá ordem ao Senado para entregar a ilha a Simão Vicente Rosa. Esta durante algum tempo conservou-se em bom estado e tratada e qualquer pessoa respeitável podia, com a devida permissão, passar um dia na ilha.
Em 31 de Janeiro de 1773 faleceu Simão Vicente Rosa, legando a ilha Verde à sua filha, Ana de Araújo Rosa. Os anos foram passando e os edifícios foram demolidos e os materiais vendidos, ficando a ilha ao abandono. Quando Ana de Araújo Rosa faleceu, a ilha foi vendida em leilão e arrematada por Manuel Homem de Carvalho e Bernardo Gomes de Lemos por 501 taéis, em 1 de Setembro de 1813. A controvérsia estalou sobre o legítimo herdeiro da ilha, que opôs em 22 de Agosto de 1814 a neta de Simão Rosa, Margarida Carvalho Milner ao seu pai, Manuel Homem de Carvalho. A contenda só terminou em 18 de Abril de 1822, quando o ouvidor Miguel de Arriaga obrigou Margarida Milner a pagar as custas do processo.
Em 31 de Janeiro de 1773 faleceu Simão Vicente Rosa, legando a ilha Verde à sua filha, Ana de Araújo Rosa. Os anos foram passando e os edifícios foram demolidos e os materiais vendidos, ficando a ilha ao abandono. Quando Ana de Araújo Rosa faleceu, a ilha foi vendida em leilão e arrematada por Manuel Homem de Carvalho e Bernardo Gomes de Lemos por 501 taéis, em 1 de Setembro de 1813. A controvérsia estalou sobre o legítimo herdeiro da ilha, que opôs em 22 de Agosto de 1814 a neta de Simão Rosa, Margarida Carvalho Milner ao seu pai, Manuel Homem de Carvalho. A contenda só terminou em 18 de Abril de 1822, quando o ouvidor Miguel de Arriaga obrigou Margarida Milner a pagar as custas do processo.
No jornal Abelha da China, veio um aviso na página 20 do dia 10 de Outubro de 1822 que dizia: “Pelo Juizo da Ouvidoria Geral se há-de vender a Ilha Verde, havendo a pregoações nos dias quarta-feira, sábado, e quarta-feira, 9, 12, e 16 do corrente, para ser arrematada no ultimo dos dias referidos, a quem mais der.” Já no dia 24 de Outubro de 1822 na página 28 no espaço referenciado como Leilão se pode ler: “Pela Repartição do Juizo da Ouvidoria Geral se ultimará no dia sábado 26 do corrente a venda do Brigue S. Pedro e da Ilha Verde, esta sobre 5000 patacas, e aquele sobre 3000 patacas.” Mas já em 15 de Março de 1820, a Ilha Verde (com árvores frutíferas e casas nela construídas) fora comprada por 2000 patacas Espanholas pelo Pe. Nicolau Rodrigues Pereira de Borja, Superior do Seminário de S. José, por conta do mesmo Colégio. A Ordem dos Jesuítas fora restaurada em 1814. A escritura, lavrada nas notas do tabelião de Macau, José Gabriel Mendes, sobre a posse pelo Seminário de S. José (que faz parte do Padroado Português no Oriente) da Ilha Verde foi feita a 15 de Março de 1828, apesar dos Jesuítas muito antes se terem aí estabelecido. Beatriz Basto da Silva na Cronologia da História de Macau: “A ilha tinha 3300 paos ou côvados chineses medidos por cima do alicerce do muro velho, em circuito.” O dinheiro, entregue antecipadamente, serviu para Bernardo Gomes de Lemos pagar as dívidas contraídas aos chineses que, por isso iam ocupando a ilha e aí construindo barracas. Passava a ilha a servir de recreio próprio a uma casa de educação.
A 4 de Novembro de 1828 o Mandarim de Heong-San proibiu por Edital que se continuasse a quebrar um grande rochedo na ilha Verde. Os jesuítas voltam a construir na ilha Verde uma capela, uma casa com uma sala para receber hóspedes e quartos para professores, que vão para aí passar os dois meses de férias. Há também “casas para o feitor e para os guardas bem como currais para quadrúpedes domésticos e abrigos para galinhas e pombos etc.. no meio há uma área espaçosa aberta, e no alto há muitas árvores de pinheiro, nos lugares mais conspícuos há árvores frutíferas, há hortaliças e lugares para pastagem dos animais.” Os jesuítas começam a cercar a ilha com um muro como era antigamente.
Em 3 de Setembro de 1831, um edital do mandarim Cso-tang de Macau, Chen, proíbe a construção de muros na ilha Verde já que o terreno fora dos muros (da cidade cristã) pertence ao palácio imperial. “Ora a ilha Verde, que está fora de Macau, situada no meio do mar, em distância de alguns lis, nada tem com as habitações europeias. Não se pode, portanto, consentir que seja designada como propriedade europeia, e que ali se fabriquem muros porque deste modo se transgridem leis.” Já anteriormente, em 21 de Julho desse mesmo ano o mandarim de Heong-San tinha reclamado contra as obras que se estavam a efectuar na Ilha Verde. “Em 1833, o P. Leite construiu lá uma casa, uma capela e um muro, pelo que foi louvado pela Rainha D. Maria I em 23-11-1842.” (Macau e a sua Diocese). Esse muro em 1834 estava já feito em três quartas partes, prevendo-se para breve a sua conclusão. Defronte da casa principal há um cais para desembarque e entre elas encontram-se muitas árvores de pagode e ao sul há uma pequena bacia com comporta. Em 23 de Julho de 1834, procede-se à bênção da capela. Estão na ilha um inspector e cinco escravos para tratar dela.
Em 1844, a Comunidade Americana fez uma festa na Ilha Verde para celebrar a assinatura do I Tratado Sino-Americano que fora realizada na mesa de pedra do pagode de Kun Iam. Em 1865, no cume da colina da ilha Verde foi iniciada a construção de uma fortificação que não chegou a ser concluída e de que nada resta, segundo informação de Jorge Graça no livro Fortificações de Macau. A sua função era vigiar o continente chinês devido à afronta que o governador Ferreira do Amaral fizera aos chineses abrindo três estradas para fora das portas da cidade e ocupando as várzeas chinesas, removendo inúmeras campas.
Segundo o P. Manuel Teixeira “Em 1872, o P. António Luís de Carvalho construiu lá uma capela dedicada a S. António.” “Em 1873, o Delegado do Procurador da Coroa e Fazenda contestara o direito do Seminário de S. José à posse da Ilha Verde, pretendendo fazer dela um logradouro público; mas o Tribunal decidiu a favor do Seminário como se pode ver do processo de Julho desse ano.” A Educação em Macau P. Manuel Teixeira.
Esse episódio está narrado em mais uma das muitas disputas entre os jornais, O Independente e a Gazeta de Macau e Timor do ano de 1873. Enquanto O Independente, apregoava ter sido a Ilha Verde “sempre um logradouro público desde épocas remotas, sem entrarmos na discussão acerca de ser ou não ser ela uma propriedade do seminário de S. José, cujos pontos são diferentes, apesar de parecerem a mesma coisa. Vamos por tanto demonstrar esta diferença para acabar com essa confusão”...”Toda a cidade de Macau pertence à nação portuguesa, e é o governo que concede ou afora terrenos às pessoas particulares para o fabrico de casas, chácaras, etc. Uma pessoa qualquer que queira obter um bocado de terreno em qualquer parte da cidade, e mesmo no campo, tem de o pedir ao governo para o aforar: e o governo que pode dispor deste terreno, não pode contudo impedir a pessoa alguma o seu passeio nem pela cidade nem pelo campo. É isto que o bom senso chama logradouro público; e é debaixo deste ponto de vista que sustentámos e sustentaremos que a Ilha Verde é um logradouro público como é o campo e toda a parte da cidade que não é ocupada por casas, quintais, jardins, ou hortas.”
A Gazeta de Macau e Timor tinha publicado pelo Pe. Carvalho quatro documentos para provar que a Ilha Verde não é um lugar público, pois pertence ao Seminário de S. José. Entre Agosto e Setembro de 1888 foram montados lazaretos em várias partes de Macau, entre eles na ilha Verde, para acolherem as tropas portuguesas, que de barco chegaram à praia de Cacilhas e vinham contagiadas com cólera morbus contraída durante a sua passagem por Hong Kong. Talvez tenha sido por esse motivo que a ilha ficou abandonada e assim muitas embarcações chinesas por aí permaneciam o que levou o Governo Português de Macau a apresentar um protesto ao Vice-Rei de Cantão, datado de 15 de Junho de 1890, contra essa ocupação.
Esse episódio está narrado em mais uma das muitas disputas entre os jornais, O Independente e a Gazeta de Macau e Timor do ano de 1873. Enquanto O Independente, apregoava ter sido a Ilha Verde “sempre um logradouro público desde épocas remotas, sem entrarmos na discussão acerca de ser ou não ser ela uma propriedade do seminário de S. José, cujos pontos são diferentes, apesar de parecerem a mesma coisa. Vamos por tanto demonstrar esta diferença para acabar com essa confusão”...”Toda a cidade de Macau pertence à nação portuguesa, e é o governo que concede ou afora terrenos às pessoas particulares para o fabrico de casas, chácaras, etc. Uma pessoa qualquer que queira obter um bocado de terreno em qualquer parte da cidade, e mesmo no campo, tem de o pedir ao governo para o aforar: e o governo que pode dispor deste terreno, não pode contudo impedir a pessoa alguma o seu passeio nem pela cidade nem pelo campo. É isto que o bom senso chama logradouro público; e é debaixo deste ponto de vista que sustentámos e sustentaremos que a Ilha Verde é um logradouro público como é o campo e toda a parte da cidade que não é ocupada por casas, quintais, jardins, ou hortas.”
A Gazeta de Macau e Timor tinha publicado pelo Pe. Carvalho quatro documentos para provar que a Ilha Verde não é um lugar público, pois pertence ao Seminário de S. José. Entre Agosto e Setembro de 1888 foram montados lazaretos em várias partes de Macau, entre eles na ilha Verde, para acolherem as tropas portuguesas, que de barco chegaram à praia de Cacilhas e vinham contagiadas com cólera morbus contraída durante a sua passagem por Hong Kong. Talvez tenha sido por esse motivo que a ilha ficou abandonada e assim muitas embarcações chinesas por aí permaneciam o que levou o Governo Português de Macau a apresentar um protesto ao Vice-Rei de Cantão, datado de 15 de Junho de 1890, contra essa ocupação.
Artigo da autoria de José Simões Morais publicado no JTM de 18-8-2011
domingo, 4 de agosto de 2013
Exposição "O Clarim 65 anos: mil imagens - uma história"
Esta segunda-feira, em Macau, a Fundação Rui Cunha inaugura a exposição “O Clarim, 65 Anos – Mil Imagens, Uma História”. A mostra “insere-se nas comemorações dos 65 anos do jornal". Dos que são publicados actualmente em língua portuguesa, é o mais antigo. Em termos de título tem até mais de 65 anos de existência já que surgiu em 1943.
No espaço da exposição na Praia Grande os visitantes vão poder encontrar “verdadeiras relíquias” da imprensa local, como o primeiro número d’O Clarim, publicado a 2 de Maio de 1948, sob o lema “Por Deus, pela Pátria” e com cabeçalho assinado pelo pintor russo George Smirnoff, que na altura vivia em Macau. Destaque ainda para outras primeiras páginas de momentos significativos da história mais recente do território (p.e., a edição de 8.12.1966) e das inúmeras fotografias que retratam Macau nos últimos 65 anos.
“O Clarim, 65 Anos – Mil Imagens, Uma História” é uma iniciativa conjunta da Fundação Rui Cunha e do jornal O Clarim que conta ainda como parceiros o Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, e o Instituto Português do Oriente (IPOR).
sábado, 3 de agosto de 2013
Genti di Macau
Ficção, mas com uns laivos de realidade. Assim é o “Genti di Macau”. Inspirando-se em algumas das comunidades radicadas no território, são sete pequenos contos sem moral à mistura. Pedaços das vidas que se vivem em Macau, reflectem superficialmente as interacções que se estabelecem entre chineses, macaenses, portugueses, filipinos e americanos. Afinal, Macau também é rico por isso: por ser um local de confluência das diferentes comunidades.
Primeira obra da jornalista Luciana Leitão que chegou a Macau em 2007.
No ano do lançamento do livro (2009) a autora dizia à agência Lusa: “Os contos são ficção mas têm alguns ingredientes da realidade jornalística, algo de que me apercebi apenas quando estava a escrever. Tenho feito muitas reportagens e várias envolvendo as diversas realidades, culturas, religiões e povos que convivem em Macau e que me influenciaram”. (...)
Um português perdido por Macau em busca do filho, uma rapariga macaense que parte para Portugal com os receios da transição de poderes para a China e uma criança fascinada pelas histórias antigas contadas em patuá, o “crioulo” de Macau, são “Genti di Macau” vista e contada por Luciana Leitão.
Um português perdido por Macau em busca do filho, uma rapariga macaense que parte para Portugal com os receios da transição de poderes para a China e uma criança fascinada pelas histórias antigas contadas em patuá, o “crioulo” de Macau, são “Genti di Macau” vista e contada por Luciana Leitão.
A obra conta com prefácio do poeta e tradutor Yao Jingming e com capa da autoria do designer macaense João Magalhães.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Polícia Militar
Imagens da CPM2428 em Macau de 1968 a 1970
Pelotões Polícia Militar
O primeiro pelotão de Polícia Militar em Macau foi o PPM 38. A comissão durou de Setembro de 1962 a 1964. Ficou na Fortaleza da Barra nos primeiros tempos, tendo passado para a Fortaleza do Monte em Janeiro de 1963. Em 1964 chega outro, o PPM 932 (em substituição do anterior e vai existir até Maio de 1966). Em Maio de 1966 o PPM 1084 é reforçado. Seguem-se os PPM 2027, 2228, 3578, 3124 (1972-74) e o 8275 em Abril de 1975 que regressa a Lisboa em Outubro desse ano.
O pessoal da CPM 2428 embarcou com destino a Macau a 12 de Agosto de 1968 onde chegou a 3 de Outubro desse ano. A viagem de regresso começou a 6 de Dezembro de 1970 e a chegada a Lisboa aconteceu a 3 de Fevereiro de 1971. Começou por ficar aquartelada na Flora e depois passou para Mong-Há.
Estas unidades faziam a guarda, por exemplo, do Palácio do Governo, do Palacete de Santa Sancha, dos paióis, quartel e residências da Guia, etc. Mas tinham ainda tempo para outras actividades.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Revista "Serões": Junho e Agosto de 1910
Temas abordados: Apontamentos
históricos - A incuria portugueza nas relações com a China - De Lisboa a Macau -
Macau pittoresco - O anno novo china - A procissão do Dragão. São cerca de 10 páginas profusamente ilustradas. Algumas das imagens aparecem como sendo da autoria de P. Mar(t)inho.
Nota: clicar sobre as imagens para ver em tamanho maior
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Funeral de Lou Lim Ioc: 31 Julho 1927
A morte - com apenas 50 anos - ocorreu a 15 de Julho. O funeral foi a 31 do mesmo mês como documenta este postal cuja fotografia é da autoria (provavelmente) de José Neves Catela. Sobre Lou Lim Ioc (e família) existem aqui pelo blog diversos post's. Aproveito apenas para acrescentar uma curiosidade a propósito desta imagem.
Em 1927 o "New Macao Hotel" (antigo Hing Kee, Macao Hotel, etc.) encerrava as portas após um período de alguma euforia nos negócios. Lou Lim Ioc comprou-o e depois de obras de restauro profundas transformo-o no... Hotel Riviera. Foi inaugurado a 15 de Janeiro de 1928 e funcionou até 1969. À frente dos destinos do hotel ficou o irmão, Loo Huen Chong. Foi, a par do Bela/Boa Vista, um dos mais requintados hotéis de Macau na primeira metade do século XX.
Uma carta remetida por Lu Lim Ioc no ano de 1910
Sugestão: visita à casa de Lou Kau (pai de Lou Lim Ioc) fica situada na Travessa da Sé (próximo do Largo do Senado e da Sé), um edifício inscrito na lista do Património Mundial da Unesco.terça-feira, 30 de julho de 2013
Macao: portuguese colony in China
Macao, The Portuguese Colony in China - a handbook: Publicado por "Harbour Works Department", 1926. Impresso na Tip. Mercantil de N. T. Fernandes e Filhos, Macau. Durante a década de 1920 esta 'empreitada' viria a transformar por completo o território.
42 pages - 2 maps - many photos / 42 páginas - 2 mapas - inúmeras fotos
Tourist handbook published by the Publicity Office of the Harbour Works Departament in 1926. Printed at Tipografia Mercantil de N. T. Fernandes e Filhos (Macau).
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