No final do século 19 o jornal Echo Macaense referia-se às “idas a banhos”. A praia da "Bella Vista onde muitos dos residentes d’esta cidade, nacionaes e estrangeiros, costumam ir tomar banhos” era a mais destacada. No Verão de 1897 informava-se os leitores que se ia construir um barracão no local.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Jesuítas na Ilha Verde
Estava o Colégio de S. Paulo como estabelecimento universitário a funcionar; “quando em 1603 a Companhia de Jesus adquiriu a Ilha Verde a algumas famílias chinesas que ali possuíam sepulturas de antepassados seus, não podia prever que aquele pequeno pedaço de terra, a quem um mandarim chamou com certa dose de humor de porcelana de arroz revirada, pudesse abrir uma nova e inoportuna frente de conflito com as autoridades chinesas.”
Jorge M. dos Santos Alves em Um Porto entre dois Impérios (IPOR, Livros do Oriente, 1999). Já do Padre Manuel Teixeira: “A ilha era um local ideal de recreio para alunos e professores dos colégios dos jesuítas e de retiro para os missionários doentes e que cansados aí vinham repousar. Servia também para introduzir os missionários na China.”
Por tal em 1603 ou 1604, a Companhia de Jesus, pelos padres Alexandre Valignano, Visitador dos Jesuítas e Valentim de Carvalho S.J. reitor do Colégio de S. Paulo, tomou posse da pequena ilha que se situava no meio de um dos ramos do rio Xi (Oeste), entre as margens da península de Haojing (nome que Macau tinha nos registos chineses) e da ilha da Lapa. Era uma ilha inóspita a que, por troça, se deu o nome de Ilha Verde. Mas a verdade é que em poucos anos tal aglomerado rochoso, tornou-se num verdejante e agradável recanto para dias estivais, como relata a professora Ana Maria Amaro.
Jorge M. dos Santos Alves em Um Porto entre dois Impérios (IPOR, Livros do Oriente, 1999). Já do Padre Manuel Teixeira: “A ilha era um local ideal de recreio para alunos e professores dos colégios dos jesuítas e de retiro para os missionários doentes e que cansados aí vinham repousar. Servia também para introduzir os missionários na China.”
Por tal em 1603 ou 1604, a Companhia de Jesus, pelos padres Alexandre Valignano, Visitador dos Jesuítas e Valentim de Carvalho S.J. reitor do Colégio de S. Paulo, tomou posse da pequena ilha que se situava no meio de um dos ramos do rio Xi (Oeste), entre as margens da península de Haojing (nome que Macau tinha nos registos chineses) e da ilha da Lapa. Era uma ilha inóspita a que, por troça, se deu o nome de Ilha Verde. Mas a verdade é que em poucos anos tal aglomerado rochoso, tornou-se num verdejante e agradável recanto para dias estivais, como relata a professora Ana Maria Amaro.
Na província de Guangdong, em 1605, começava a haver oficiais que vendo a ocupação da Ilha Verde pelos jesuítas, local que ficava fora da cidade delimitada para os portugueses, se sentiram ameaçados. O padre Manuel Teixeira refere-se a um licenciado de Pan-yu, Lou-Ting-long tendo vindo à capital (Beijing) para o exame de doutoramento, pediu que expulsassem os bárbaros que estavam na baía (Ngao=Hao-king-ngao, ou seja Macau), que os mandasse residir nas águas fora de Lang po (Lampacao), e que nos restituíssem o nosso território de Hao-King (ou Hoi-Kieng, Macau). As suas preocupações foram, sem sucesso, transmitidas à corte imperial, onde o P. Ricci era já bem conhecido.
Já Luís Filipe Barreto, em Macau During the Ming Dynasty (Centro Científico e Cultural de Macau, I.P., Lisboa 2009), diz que: ”O primeiro debate sobre como Macau deveria ser governado, ocorreu em 1605, no reinado do imperador Wanli quando os portugueses construíram muralhas e uma capela na ilha Verde sem autorização. No ano seguinte houve rumores que o jesuíta Lazzaro Cattaneo preparava uma alegada rebelião contra a China. Após o corte de mantimentos e o cessar do comércio com Macau, Lu Tinglong, um candidato aos Exames Imperiais em Panyu, teve a oportunidade de dizer em voz alta a sua proposta: pôr fora do distrito de Xiangshan todos os estrangeiros e voltar a colocar Macau de volta à soberania da China. No entanto, a sua proposta foi rejeitada liminarmente pela Corte.” (Shen Defu, Miscellaneous Collections Compiled during the Reign of Emperor Wanli [Wan Li Ye Huo Pian] Beijing Zhonghua Book Company, 1997).
Em 1606, os jesuítas edificaram na ilha Verde umas quantas casas de taipal e uma capela dedicada a S. Miguel. Estes edifícios causaram no lado chinês uma grande apreensão, avivada por boatos criados pelo contencioso que na altura existia entre os padres católicos das diferentes ordens religiosas instaladas em Macau.
Segundo as fontes chinesas na Breve Monografia de Macau de Yin Guangren e Zhang Rulin (Edição do Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau, 12/2009): “A norte (de Macau) fica Qingzhoushan (a colina da Ilha Verde). Esta ilha fica num mar azul que separa Qianshan de Aoshan. Em meados do reinado de Jianjing, os Folangji (nome dado pelos chineses aos portugueses, e que provinha de um passado muito remoto pois era assim que era conhecido na China o Império Romano do Oriente e todo o litoral do Mediterrâneo sob o seu domínio) entraram em Macau. No 34.º ano (1606) chegaram a levantar nessa ilha um templo (igreja) de seis ou sete zhang (1 zhang = 3,048 metros) de altura e de uma imponência impressionante. O magistrado distrital Zhang Dayou (de nome próprio Yun Sheng, outro nome próprio público Wucheng, natural de Huangpo, em Hubei, tinha desde 1595, o título de jinshi) solicitou que fosse destruída uma alta muralha, o que não se veio a concretizar.”
O padre Manuel Teixeira, ao magistrado distrital Zhang Dayou chama sub-prefeito Tchang Ta Yeou e diz que o pedido deste para os jesuítas deitarem abaixo os altos muros foi em vão. Depois é Paul Pelliot que, na revista T’oung Pau vol. XXX, Leide, 1933, fornece notas ao fazer a crítica à crónica Sino-Portuguese Trade de T’ien-tsê-Chang. Assim argumentando quanto ao templo de seis ou sete zhang (60 ou 70 pés) que, pela sua amplidão e pelo seu mistério, não tinha rival na China, “não parece que possa tratar-se da capela que teria sido construída na Ilha Verde, e a descrição não pode aplicar-se senão à catedral de S. Paulo; mas esta foi acabada em 1602 e encontra-se em Macau mesmo, e não sobre a Ilha Verde.” Quanto às muralhas, há um acordo nas fontes religiosas portuguesas serem apenas os muros da igreja.
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| Ruínas do convento da ilha Verde |
Foram esses muros (as primeiras muralhas da cidade) ligados com a presença dos jesuítas na Ilha Verde que, em 1606 levou a estar por um fio a permanência dos portugueses em Macau.
| A "antiga propriedade dos jesuítas" no final do séc. 19 |
Continuando com o padre Manuel Teixeira no livro Os Militares em Macau: “Quando os jesuítas construíram a cerca do Colégio de S. Paulo, os chineses temeram que fosse alguma fortificação dirigida contra eles. Esta suspeita foi avivada pelos inimigos dos jesuítas que espalharam o boato de que estes se queriam assenhorar da China, com o auxílio dos portugueses, japoneses e malaios sob o comando do P. Lázaro Cattaneo.” E segundo as palavras do P. Trigault “o P. Cattaneo, homem bem constituído, activo, duma fisionomia simpática e de aparência venerável pela sua barba, estava destinado segundo os chineses, a ser o imperador”. “Estes boatos ridículos achavam-se já semeados e propagados por todos os lados”...”Um letrado publicou por então um livro de ódio e malícia, em que representava o P. Cattaneo como pretendente ao Império; os japoneses e malaios eram seus auxiliares.”
Esses rumores foram propagados devido a nessa altura (1606) se travar uma violenta polémica entre duas ordens de frades mendicantes, sendo uma apoiada pelo Vigário Geral do bispado, o Agostinho Frei Miguel dos Santos e no outro lado, encontrava-se o reitor dos Jesuítas e do Colégio de S. Paulo, o P. Valentim de Carvalho S.J.. “Houve excomunhões de parte a parte e a cidade dividiu-se em dois campos, com grande escândalo dos gentios.” (Padre Manuel Teixeira em Diocese de Macau)
Tal episódio fez perigar a ainda curta existência portuguesa na cidade de Macau e o caso só serenou porque imperou o bom senso por parte de um oficial de Heong-Shan, que veio a Macau perceber o que se passava.
Artigo da autoria de José Simões Morais publicado no JTM de 29-7-2011
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Macau no "Portugal dos Pequenitos"
No Dia Mundial da Criança fica a sugestão de visita e a evocação de uma obra ímpar em Portugal. O "Portugal dos Pequenitos", o parque temático lúdico-pedagógico mais antigo do país e um dos mais antigos do mundo e onde Macau também marca presença como não podia deixar de ser num espaço que pretende representar Portugal e a presença portuguesa no mundo. Situado em Coimbra, o Portugal dos Pequenitos é um parque lúdico-pedagógico destinado essencialmente às crianças.
Inaugurado a 8 de Junho de 1940 foi criado por Bissaya Barreto e projectado pelo arquitecto Cassiano Branco. Macau (representação etnográfica e monumental) está integrado na temática dos países de expressão portuguesa.
Ao contrário do que está inscrito na placa não foi a 31 de Dezembro mas a 19 o "termo do estatuto da administração portuguesa do território". Na imagem abaixo aspecto do pavilhão e à direita o que pretende ser uma réplica do Farol da Guia.
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| Macau e Timor numa imagem dos anos 60 e aspecto do interior (imagem actual) |
O caso da rua Volong - scenas da vida colonial
(...) O enredo dos romances de San Bruno deve muito à tradição romântica, mas o desfecho da história mostra as consequências de deixar as emoções dominar o intelecto. Em O Caso da Rua Volong, é a paixão do Conde de Palhais pela enigmática Miss Grace, portuguesa mascarada de americana, vítima de uma indiscreção do próprio Conde em Lisboa, e que o seguiu ao Oriente com a intenção de recuperar o seu amor. Poderíamos estar em plena comédia shakesperiana, se não fosse que o romance acaba numa tragédia melodramática. Tal como o herói de Jaime do Inso, Miss Grace se rende às atrações do Oriente na pessoa de Mansilla, elegante cavalheiro hispano-americano nos serões da alta sociedade de Macau, mas que na realidade é nacionalista filipino, e contrabandista de armas sem escrúpulos. Mansilla encarna as forças anárquicas e exóticas que atraem e destroem: «Sorria-se para mim, cravando no meu olhar atónito, o seu olhar fascinador, donde sentia, mau grado meu, irradiar uma força magnética poderosíssima. Como estava belo!» (Bruno, 380-1). Tal como no romance de Jaime do Inso, o processo é gradual, descrito como uma luta entre a atração física e emocional, estado depravado, por um lado, e uma consciência do dever nacional por outro: «Não podia continuar a deixar-se prender daquele olhar, que parecia um estilete que a perfurava numa morbida embriaguez, dando-lhe a sensação nitida da aventura do amor... E uma esperança tremeluziu no fundo negro da sua alma cativa, e veio refrescar-lhe como um bálsamo brando, a ardência dolorosa dos seus pensamentos. Era portuguesa de alma forte! Não devia deixar-se estar em obediência a ninguém» (Bruno, 388).
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| A rua do Volong |
A decadência de Macau no fim do século 19, reflete a decadência da China dos últimos anos do regime monárquico. Uma é o espelho da outra nas palavras de um dos personagens: «Os portugueses e os chineses, têm a mesma moral. Viajei na América, conheço o sistema inglês dos Straits e vi que no carácter e na política os chineses e os portugueses pouco diferiam...» (Bruno, 351). Na grande luta entre a Europa e a Ásia que tanto preocupava Jaime do Inso, A China está ganhando em Macau, uma China arcaica e anárquica, victoriosa no enclave porque permitida pela letargia a decadência de Portugal: «Em baixo a procissão chinesa continuava a desfilar com o mesmo pitoresco exotismo de há mil anos./ Era bem a China impenetrável, retrógrada, rotineira, insubmissa à febril civilização ocidental, mas já minada no antigo respeito à lei pela anarquia latente entre os mandarins do Império./ Como a arcaica civilização chinesa se achava bem dentro da ronceira e velha colónia de Macau!» (Bruno, 142).
Como colonialista, e autor de um romance que ia concorrer para o prémio da Agência Geral das Colónias, San Bruno nao podia acabar num tom tão pessimista. Como o seu contemporâneo, Jaime do Inso, cujo livro também ganhou um prémio da Agência, concluiu positivamente o seu romance, recorrendo a uma técnica já conhecida dos românticos: o narrador se distancia do período em que se desenrolou a acção da história, ao informar os seus leitores que o manuscrito tinha sido achado num velho baú. Refere, portanto, a uma situação que já não existia: «Hoje, Macau, já difere, em civilizado confôrto, e em adequadas obras de fomento, do daquele tempo, em que o autor dos folhetos coloniais por lá andou» (Bruno, 413-4). San Bruno escrevia quando a ditadura de Salazar estava-se consolidando, criando as condições para a imposição da lei orgânica que ia entrar em vigor no império a partir da década de 30.
Excerto de artigo da autoria de David Brookshaw
sábado, 11 de agosto de 2012
Flatfoot in Hong Kong: 1975
This is the first one of the Inspector Rizzo movie series where Bud Spencer exercises his swimming talents. Here Spencer, being an Olympic swimmer for Italy in 1952, 56 and 60, crosses the harbor of Macau by swimming.
Original title: Piedone a Hong Kong and also known as Flatfoot in Hong Kong
Esta comédia italiana com o inimitável Bud Spenser foi filmada maioritariamente em Hong Kong mas a certa altura o protaganista ruma a Macau e algumas cenas são rodadas no território: ponte, ruínas de S. Paulo, casino flutuante, etc... incluindo um troço da av. da República onde foi colocada esta placa são apenas alguns dos espaços que ficaram registados na película para a posteridade. Uma excelente ideia de promover Macau como destino turístico na década de 1970.
Imagens (do filme) cedidas por Phil (Hong Kong)
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Notícia de um assassinato: 1849
Notícia do assassinato do governador Ferreira do Amaral (a 22 de Agosto de 1849) numa edição do jornal The llustrated London News em Novembro de 1849 sob o título "Assassination of the governor of Macao" e com uma ilustração do sucedido.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Pataca: monarquia e repúplica
O tesoureiro da agência em Macau pagará à vista ao portador "uma pataca" em moeda corrente. Eram impressas e assinadas em Lisboa e as primeiras a circular a Macau chegaram ao território em 1906. No caso das de 10 patacas a principal diferença, para além do valor facial e do design, está no símbolo no verso: monarquia e república. A emissão fora feita antes do advento da República e naquele tempo não se podia desperdiçar...
Em Abril de 1912 o Banco Nacional Ultramarino abriu a agência de Dili (Timor) e colocou em circulação notas de patacas da filial de Macau com o carimbo “Pagavel em Timor".quarta-feira, 8 de agosto de 2012
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Volta ao mundo no Sunbeam: 1876-77
Assinado pela baronesa que com o marido, Thomas Brassey (aos comandos) fizeram uma viagem à volta do mundo a bordo do iate Sunbeam. Passaram pela Madeira (logo no início) e por Macau (já no final).Travel to: Madeira,Tenerife, Cape Verde, Rio de Janeiro, Brazil, The River Plate, Life on the Pampas, Sandy Point to Lota Bay, Chile, Santiago and Valparaiso, The South Sea Islands, Tahiti, Hawaii, Japan, China, Macao, Singapore, Sri Lanka
Aden, Yemen, Suez.
On July 1st, 1876, Lady Brassey and her party departed England aboard the large steam and sailing yacht Sunbeam for a cruise around the world. The Sunbeam was at this time the first privately owned yacht to make a circumnavigation and predated Slocum's single-handed voyage by some 10 years.
On July 1st, 1876, Lady Brassey and her party departed England aboard the large steam and sailing yacht Sunbeam for a cruise around the world. The Sunbeam was at this time the first privately owned yacht to make a circumnavigation and predated Slocum's single-handed voyage by some 10 years.
This forthright and courageous woman tells this story with full knowledge of the difficulties and pleasures of cruising in the late 19th century. The Sunbeam was large, in fact she had a list of persons aboard for the whole voyage which totaled eleven (Mrs. Brassey counts the Commander, the Captain and the Surgeon as part of this list) and a crew of 32 (counting the Nurse, the Lady's Maid and the Stewardess). Her children accompanied her on the cruise and many other guests arrived and departed at various points on the extended voyage. While there is no data in the book on the Sunbeam herself, vis-a-vis her dimensions, some idea of her size can be gleaned by the list of her boats: the Gleam, (lifeboat cutter), the Glance, (large gig), the Ray, (light gig), the Trap (steam launch), the Mote, dinghy, and the Flash, (light outrigger).
This was cruising in the grand style indeed! The contents list some of the areas visited: Farewell to Old England, Madeira, Teneriffe, and Cape de Verde Islands, Palma to Rio de Janeiro, The River Plate, the Straits of Magellan, Chili, Santiago and Valparaiso, Valparaiso to Tahiti, The South Sea Islands, Tahiti to the Sandwich Islands, Honolulu to Japan, To Canton up the Pearl River, From Macao to Singapore, Ceylon, Via Suez Canal, and Home. First published in 1892.
This was cruising in the grand style indeed! The contents list some of the areas visited: Farewell to Old England, Madeira, Teneriffe, and Cape de Verde Islands, Palma to Rio de Janeiro, The River Plate, the Straits of Magellan, Chili, Santiago and Valparaiso, Valparaiso to Tahiti, The South Sea Islands, Tahiti to the Sandwich Islands, Honolulu to Japan, To Canton up the Pearl River, From Macao to Singapore, Ceylon, Via Suez Canal, and Home. First published in 1892. Anna [Annie] Brassey, Baroness Brassey (née Allnutt) (1839-1887) was an English traveller and writer. Her bestselling book, "A Voyage in the Sunbeam, our Home on the Ocean for Eleven Months" was published in 1878 for the first time. The couple had five children together before they travelled aboard their luxury yacht Sunbeam. The number of people on board was 43. A Voyage in the Sunbeam, describing their journey around the world in 1876-7, ran through many English editions and was translated into at least five other languages.
Her accounts of later voyages include Sunshine and Storm in the East (1880); In the Trades, the Tropics, and the Roaring Forties (1885); and The Last Voyage (1889, published posthumously). The daughter of John Allnutt, she married the English member of parliament Sir Thomas Brassey (later Earl Brassey), with whom she lived near his Hastings constituency. At home in England, she performed charitable work, largely for the St. John Ambulance Association. Her collection of ethnographic and natural history material were shown in a museum at her husband's London house until they were moved to Hastings Museum in 1919.
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| Uma edição de 1881 |
Lady Brassey's last voyage on the Sunbeam was to India and Australia, undertaken in November 1886 to improve her health.
On the way to Mauritius, she died of malaria on 14 September 1887, and was buried at sea.
On the way to Mauritius, she died of malaria on 14 September 1887, and was buried at sea.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Lapsos e erros - II
"A pátria honrai que a pátria vos contempla".
Esta é a versão correcta que pode ser vista na Porta do Cerco há séculos. Mas houve um período curto de tempo em que isso não sucedeu.
Tudo aconteceu aquando das obras de restauro em 1994 e em vésperas da visita de Cavaco Silva. Detectada a situação ela acabou por ser corrigida. No entanto o governador da altura, Rocha Vieira acabou por ser fotografado no local. A fotografia está publicada na edição de um livro - “Macau – O segundo terço da transição”) - com quase 350 páginas e ilustrado com centenas de fotos.
domingo, 5 de agosto de 2012
S. L. Benfica: Agosto 1970
Diário de Lisboa, 22 de Agosto de 1970
A viagem no Verão de 1970 da equipa do SL e Benfica na altura com Jimmy Hagan como treinador. Frente a Macau o Benfica venceu por 4-1 enquanto no encontro com Hong Kong a equipa portuguesa venceu por 11-0.
Equipa do Benfica: Zeca, Adolfo, Matine, Humberto Coelho, Malta da Silva, José Henrique.Jaime Graça, Nené, Artur Jorge, Eusébio, Simões.
Nota: clicando nos links acede às imagens da época.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Canhoneira “Pátria”: ao serviço de Portugal em Macau
Mais do que uma missão militar, a presença da marinha portuguesa em Macau sempre foi uma missão de soberania. Quando a Alemanha declarou guerra a Portugal em 1916, dezenas de navios de comércio e de pesca, a que se juntaram algumas embarcações de recreio, foram requisitados e artilhados para reforçarem a capacidade da Marinha de Guerra Portuguesa, que dispunha então de quatro cruzadores, três contratorpedeiros, um torpedeiro, quatro submersíveis, dois cruzadores-auxiliares, um aviso de 2.a classe, dois transportes de guerra, treze canhoneiras, quatro patrulhas de alto-mar, um lança-minas, um navio de salvamento, sete caça-minas, dezasseis patrulhas-auxiliares, um navio-escola de artilharia e um navio-escola de torpedos, além de um navio-hospital e vários outros navios de transporte e rebocadores. Aquela obra identifica e caracteriza cada um destes navios, sendo especialmente interessante, para nós, as referências feitas à canhoneira “Pátria” (1903-1931) e à lancha-canhoneira “Macau” (1909-1943), ambas colocadas ao serviço deste território.
Descrição do percurso da Canhoneira “Pátria”, que permaneceu em Macau e noutras partes do Extremo Oriente de Janeiro de 1909 a 4 de Março de 1931, quando foi vendida e desactivada.
“Construída, de aço, no Arsenal de Marinha de Lisboa, sob a direcção do engenheiro francês Cronneau, que chefiava aquele arsenal, foi o terceiro navio de construção metálica ali construído. O assentamento da quilha verificou-se no dia 5 de Novembro de 1901 e o lançamento à água em 27 de Junho de 1903, tendo a cerimónia da benção do navio ocorrido na véspera. Custou 230.417$736 e foi paga com parte da quantia obtida pela subscrição efectuada, em 1890, entre os Portugueses residentes no Brasil.
Eis as suas características principais: Comprimento entre perpendiculares – 60,00 metros; Boca – 8,40 metros; Calado máximo – 2,57 metros; Deslocamento – 636 toneladas.
O aparelho propulsor era constituído por duas máquinas alternativas de vapor de tríplice expansão, verticais, com a potência total de 1.890 cavalos indicados que nas experiências lhe imprimiram a velocidade de 16,7 nós. Tinha duas caldeiras arquitubulares e dois hélices. Os paióis de carvão tinham capacidade para 210 toneladas que permitiam uma autonomia de 1.300 milhas à velocidade máxima. O armamento compunha-se de quatro peças de artilharia Schneider - Canet de 100 mm/45 calibres, 6 peças Hotchkiss de 47 mm/40 calibres e uma metralhadora Hotchkiss de 6,5 mm, instalada na gávea da mastro militar. Dispunha de dois projectores de 75 amperes com 60 cm de diâmetro.
Uma portaria datada de 9 de Julho de 1903 aprovou a lotação de 160 homens, incluindo 12 oficiais. No dia 10 de Agosto de 1903 navegou pela primeira vez no Tejo, iniciando as experiências. Em 9 de Julho de 1904 passou ao estado de completo armamento, tendo assumido o comando o capitão-tenente António Alfredo da Silva Ribeiro. Em 19 de Janeiro de 1905 zarpou para Angola para servir na Divisão Naval do Atlântico Sul.
Depois de ter recebido munições de artilharia de 100 mm do cruzador ‘Rainha Dona Amélia’, que estava em Angola, a ‘Pátria’, em 29 de Julho de 1905, largou de Luanda para o Brasil para ser mostrada aos Portugueses que tinham pago a sua construção. Escalou Funchal, S. Vicente de Cabo Verde, Freetown e Kotonou. Partindo deste porto, os oficiais do navio foram visitar o enclave Português de S. João Baptista de Ajudá, escalando o navio seguidamente Lagos, na Nigéria, S. Tomé, Príncipe, Luanda, Ilha da Ascenção e Recife que foi o primeiro porto brasileiro visitado, onde teve uma recepção extremamente calorosa, que aliás se repetiu em todos os portos do Brasil, culminando em apoteose no Rio de Janeiro.
Em Agosto de 1908 efectuou uma curta comissão a Málaga e em Setembro uma outra aos Açores em que visitou Horta e Ponta Delgada. Em 7 de Outubro do mesmo ano foi enviada para uma longa missão de soberania em águas do Extremo Oriente, tendo chegado a Macau em 8 de Janeiro de 1909.
Por lá permaneceu durante vinte e cinco anos consecutivos, mas com maior permanência nas águas de Macau. Visitou numerosas vezes os portos chineses de Cantão, Xangai e outros e a colónia britânica de Hong Kong onde foi mais de cinco dezenas de vezes para se reabastecer de carvão e para ser submetida a fabricos. Teve uma actividade incessante e prestimosa de que se destacaram as acções contra os piratas que infestavam a região de Macau.
Em Janeiro de 1912 foi enviada a Timor para dominar uma rebelião de indígenas. Bombardeou o enclave de Ocussi com as Hotchkiss de 47 mm e desembarcou uma força apoiada pelo fogo das peças de artilharia principal (100mm). Estando a ordem aparentemente restabelecida, a canhoneira retirou no dia 1 de Abril deixando alguns homens da guarnição desembarcados. Porém, foi obrigada a voltar no dia 18 de Abril devido à instabilidade da situação.
Em fins de Julho de 1915, tendo havido grandes inundações na região chinesa de Shiu-Hing, a ‘Pátria’ deu assistência às populações para as quais transportou cerca de cinquenta toneladas de alimentos. Em 28 de Setembro de 1920 foi enviada a Cantão para proteger a colónia Portuguesa ali residente cuja segurança perigava devido a uma revolta militar.
Em 30 de Abril de 1922 zarpou para o Japão, tendo chegado a Nagasaqui e Moji depois de ter escalado vários portos do extremo-oriente. Em 2 de Setembro de 1924 foi enviada a Xangai para proteger os Portugueses que ali residiam, bem como os seus haveres, que se encontravam em perigo por motivo da guerra civil que tinha deflagrado no mês anterior. Foi desembarcada uma força militar comandada por um segundo-tenente.
Em 4 de Maio de 1926 largou para o mar à procura de dois aviadores espanhóis cujo paradeiro era desconhecido, depois de terem voado de Manila rumo a Macau. No dia seguinte a ‘Pátria’ encontrou um navio chinês que tinha salvo os aviadores, os quais passaram para bordo da canhoneira que os conduziu a Macau. Em 24 de Julho de 1930, ao fugir de um tufão que assolava Macau, encalhou em fundo de lodo mas conseguiu desencalhar pelos próprios meios.
Em 1931 teve lugar o desarmamento da ‘Pátria’. Perante a guarnição formada, com o navio surto diante da cidade de Macau, o comandante, capitão-tenente João António Correia Pereira, falou à sua guarnição. E ao pôr-do-sol de 4 de Março de 1931, a bandeira nacional, o jack e a flâmula foram arriados, pela última vez, a bordo da canhoneira ‘Pátria’ que prestara serviço durante vinte e oito anos. Foi comprada, por cinquenta mil patacas, por um cidadão chinês que a vendeu ao Governo da China que a modernizou e a rearmou. Rebaptizada ‘Fu Yu’, passou a pertencer à marinha de guerra da China.”
Nota: texto elaborado a partir do livro “Navios da Armada Portuguesa na Grande Guerra”, publicado pela Academia de Marinha, da autoria do Comandante José Ferreira dos Santos, investigador histórico-naval.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Heróis do Mar
A banda surgiu em 1981, formada por Pedro Ayres de Magalhães, Pedro Paulo Gonçalves e Carlos Maria Trindade, após o fim do grupo Corpo Diplomático. A estes juntaram-se António José de Almeida (baterista dos Tantra) e Rui Pregal da Cunha, que se iniciava nas "coisas" da música. Na realidade, o futuro vocalista (nascido em Macau) era o único sem um passado com experiência musical. O nome Heróis do Mar foi tirado do primeiro verso do hino nacional português. O grupo pretendia "representar Portugal, a sua história e a sua cultura".
Em Agosto de 1981, é lançado o primeiro single que continha os temas "Saudade" e "Brava Dança dos Heróis", seguindo-se o LP de estreia, Heróis do Mar. Segue-se o sucesso "Amor", o álbum Mãe, os singles "Paixão" e "A Alegria". Em 1985 quando alguns músicos já se empenham em projectos a solo, e o grupo corre o risco de desaprecer, suge a viagem e os concertos em Macau. Inicialmente previam ficar no território apenas 10 dias para dar concertos (assisti ao do Fórum Macau), mas acabaram por ficar um mês e regressam a Portugal com um novo fôlego.
Da experiência de Macau surge, depois de quatro meses passados em estúdio (Valentim de Carvalho, Paço de Arcos), o álbum "Macau" em 1986. Mas era o princípio do fim. Em 1988 é editado o último álbum intitulado "Heróis do Mar". O grupo termina em 1990. Para a história ficaram meia dúzia de álbuns (e cerca de uma dezena de singles) que representaram um virar de página na música até então feita em Portugal.
Rui Pregal da Cunha, nascido em Macau, em entrevista ao Hoje Macau a 21-9-2011
"A nossa passagem por Macau deixou marcas nada indeléveis na psique do grupo. Na altura, por esse “estar” em longínquo solo nacional, bastião ultimo desse tudo sobre o qual, bom ou mau, cantámos uma carreira. Um percurso que não conseguiu ser alheio à viagem que tanto influenciou o disco que veio depois, esse Macau dos “Canhões da Bela Vista” e da “Revolução”. Se no primeiro disco indagávamos sobre esse “Olhar no Oriente” aqui o dado adquirido da experiência acabou por funcionar em modo via-defacto, “estive lá, fiz isso”... Medicamentos na Nolasco da Silva, espirituosos, chá das 5 ou mesmo chips no Lisboa, meia de leite na Vaquinha, dim sum onde nos servissem o melhor, porque em Lisboa nem sabiam o que isso era. Sempre afirmei que a música que faço é fruto de experiências, variadas, cosmopolitas, internacionais ou regionais, despoletadoras de sensações que conduzem à vontade de outras tantas."quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Exposição Colonial Portuguesa: 1ª edição
Pavilhão de Chá e Carro 'alegórico' de Macau na
1ª Exposição Colonial Portuguesa: Porto, 1934
Informações adicionais neste post:http://macauantigo.blogspot.com/2009/05/1-exposicao-colonial-portuguesa-1934.html
terça-feira, 31 de julho de 2012
José Rodrigues Coelho do Amaral: 1863-66
José Rodrigues Coelho do Amaral (1808-1873) foi um dos mais importantes governadores de Macau do século XIX (e ministro plenipotenciário de Portugal na China) mas a história não lhe tem feito justiça. Antes fora governador de Angola por duas vezes: 1854 e 1860.
"Engenheiro militar - tenente coronel graduado em coronel e depois coronel do corpo de engenheiros e general), resolveu os inúmeros problemas de salubridade de grandes áreas do Território, abriu estradas e pavimentou ruas, construi o primeiro farol da costa da China, plantou as árvores da Praia Grande e jardins, mandou construir o quartel para o batalhão de 1ª linha no lugar do antigo convento e igreja de S. Francisco, desenvolveu e ampliou a cidade." Pode ler-se em "Unidades Militares de Macau", da autoria de A. A. Cação.
Foi Coelho do Amaral (nomeado governador a 22 de Junho de 1863) quem mandou demolir o convento e construir o quartel de S. Francisco, segundo informa A. F. Marques Pereira nas Efemérides: «30 de Março de 1861: Portaria do ministerio da marinha e ultramar, autorisando a demolição do convento de S. Francisco de Macau, e a construção no mesmo lugar, de um quartel para o batalhão de primeira linha».
«30 de Dezembro de 1866 - O batalhão de primeira linha de Macau tomou néste dia posse do seu novo quartel, vastíssimo e solido edificio, construido, desde os alicerces, no lugar do antigo convento de S. Francisco, pelo desenho e debaixo da immediata direcção do governador José Rodrigues Coelho do Amaral. Ao mesmo governador se deve a construção do forte de S. Francisco, ahi junto, que também ocupa o lugar do antigo forte, sendo porém, a planta e a obra, como no quartel, inteiramente differente e nova».
O quartel foi reconstruído em 1937. Junto ao convento havia um espaço arborizado, chamado Campo de S. Francisco. Coelho do Amaral transformou esse campo em jardim, fechando-o com uma balaustrada, a qual já desapareceu há muito.
"Engenheiro militar - tenente coronel graduado em coronel e depois coronel do corpo de engenheiros e general), resolveu os inúmeros problemas de salubridade de grandes áreas do Território, abriu estradas e pavimentou ruas, construi o primeiro farol da costa da China, plantou as árvores da Praia Grande e jardins, mandou construir o quartel para o batalhão de 1ª linha no lugar do antigo convento e igreja de S. Francisco, desenvolveu e ampliou a cidade." Pode ler-se em "Unidades Militares de Macau", da autoria de A. A. Cação.
Foi Coelho do Amaral (nomeado governador a 22 de Junho de 1863) quem mandou demolir o convento e construir o quartel de S. Francisco, segundo informa A. F. Marques Pereira nas Efemérides: «30 de Março de 1861: Portaria do ministerio da marinha e ultramar, autorisando a demolição do convento de S. Francisco de Macau, e a construção no mesmo lugar, de um quartel para o batalhão de primeira linha».
«30 de Dezembro de 1866 - O batalhão de primeira linha de Macau tomou néste dia posse do seu novo quartel, vastíssimo e solido edificio, construido, desde os alicerces, no lugar do antigo convento de S. Francisco, pelo desenho e debaixo da immediata direcção do governador José Rodrigues Coelho do Amaral. Ao mesmo governador se deve a construção do forte de S. Francisco, ahi junto, que também ocupa o lugar do antigo forte, sendo porém, a planta e a obra, como no quartel, inteiramente differente e nova».
O quartel foi reconstruído em 1937. Junto ao convento havia um espaço arborizado, chamado Campo de S. Francisco. Coelho do Amaral transformou esse campo em jardim, fechando-o com uma balaustrada, a qual já desapareceu há muito.
Sugestão de leitura: este post sobre uma carta escrita em 1865
Algumas das obras que deixou:
Ordenou a construção de uma estrada entre Mong Há e a Porta do Cerco; mandou demolir o convento de Santa Clara para construir o quartel para o batalhão de primeira linha; retomou a construção do forte de Mong Há e ordenou a construção do farol da Guia (1865); demoliu as portas da cidade-cristã, como a Porta do Campo e ordenou a construção de inúmeras estradas; criou o primeiro jardim (passeio público) de Macau.
Coelho do Amaral morreu em Moçambique e foi sepultado junto à capela de N. Sra. do Baluarte, na Ilha de Moçambique, na altura capital do território. Os chineses ofereceram-lhe uma caixa em prata com a imagem do farol, que tinha secção octogonal, e que passou a circular depois do tufão de 1874. Recebeu do Lel Senado, caso raro, o título de "cidadão benemérito". Esteve ainda relacionado com a tentativa de ratificação de um tratado (o de 1862) entre Portugal e a China, algo que só viria a acontecer em 1887.
Na toponímia local foi dado o seu nome a uma travessa, estrada e rua.
Na toponímia local foi dado o seu nome a uma travessa, estrada e rua.
PS: no museu da história da Taipa e Coloane pode ver-se um retrato do governador.
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