quinta-feira, 14 de maio de 2020

Auto-retrato de George Chinnery

Auto-retrato de Chinnery em 1840
Como era costume na época oitocentista entre os pintores, também George Chinnery fez alguns auto-retratos. Tanto quanto sei, uns cinco, sendo este de 1840, o mais conhecido (imagem ao lado).

Neste auto-retrato Chinnery está no seu atelier (e casa) em Macau. 
Quando chegou a Macau a 29 de Setembro de 1825, Chinnery começou por morar na Rua do Hospital, numa casa de Christopher August Fearon, comerciante da Companhia das Índias Orientais, que lhe instalou um atelier no jardim
Em 1826 Chinnery opta por arrendar o n.º 8 da Rua de Inácio Baptista (freguesia de S. Lourenço perto d aigreja com o mesmo nome) onde vive e monta o atelier. É ali que vive até à morte a 30 de Maio de 1852.
Voltando ao auto-retrato...
No cavalete podemos ver que está a pintar o que parece ser uma mesquita na Índia. Ao fundo, na parede, está exposto um quadro, também da sua autoria, onde é retratada a baía da Praia Grande em Macau. 
Chinnery enviou este quadro para o seu amigo Lancelot Dent (um comerciante rico) em Inglaterra. 
Atente-se o que Chinnery escreve numa carta datada de 29 de Agosto de 1845:
" I have the pleasure to put my own portrait in charge of Mr Duncan, who will kindly deliver it to you. I believe I mentioned to you my particular wish that it should not be engraved during my life time - but after my Death I can have no objection - I have put within the case my written Directions as to its being varnished. I now send a Certificate who will save you some trouble I believe at the Custom House in London."
Tradução:
"Tenho o prazer de enviar o meu auto-retrato através do senhor Duncan, que gentilmente o entregará a si. Julgo já lhe ter revelado o meu desejo particular que o mesmo não seja reproduzido enquanto for vivo - mas depois da minha morte não posso fazer nenhuma objecção. junto envio as minhas instruções escritas sobre o envernizamento. Agora envio um certificado que lhe poupará alguns problemas, acredito, na Alfândega de Londres."

O China Journal na edição de 6 de Junho de 1928 publica um artigo da autoria de Montalto de Jesus sobre Chinnery
Em 1974, no bicentenário do nascimento de Chinnery, o governo de Macau prestou-lhe homenagem baptizando uma rua com o seu nome (fica perto de onde viveu). Em cantonense chama-se "Quiannnanli"
Em baixo uma imagem de outro auto-retrato de Chinnery, a lápis e datado de 1832.

Desenho a lápis de 1832

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Memórias de um militar na década de 1950

Depoimento de Reinaldo Amarante


Meu Pai (padrasto) -  André Garcia da Silva - chegou a Macau como alferes do exército em 1950 no serviço militar obrigatório e regressou à então Metrópole em 1959 para frequentar o Curso para Oficiais do Quadro Permanente, como tenente. As fotografias são de paradas que participou.

Desconheço os motivos da mobilização para Macau. Por certo foi a partir de Lisboa que a viagem começou. Era no Depósito de Tropas do Ultramar que se aguardava a viagem que muito provavelmente ocorreu no navio "Timor" ou no "Índia" (construídos em 1951) ou então no aviso "João de Lisboa" ou "Pedro Nunes" que no início de 1950 tinha partido de viagem para Macau.
A partida dava-se no chamado Cais dos Soldados em S. Apolónia tendo como rota o Mar mediterrâneo, Canal do Suez, Srilanka, Índia, Ceilão, Singapura, Hong Kong e finalmente Macau. As comissões de serviço podiam ser de dois ou 4 anos. 
Ruínas de S. Paulo: postal da década 1950
Alguns acontecimentos deste período:

1949: subida ao poder dos comunistas na China; entre 1949 e 1950 o governo português envia para Macau cerca de 6 000 militares para reforçar a guarnição militar.

13 Novembro 1950: inauguração da gruta com a estátua de N. Sra. de Fátima no Aquartelamento de Mong-Ha.

6 Janeiro 1951: baptizado de algumas praças indígenas de Angola e da Guiné em serviço na guarnição militar e Macau. 
16 Maio 1951: torneio de futebol em miniatura (bolinha), organizado pela Secção Desportiva do Quartel General da Guarnição Militar; venceu a equipa do Aquartelamento de Mong-Ha.
28 Junho de 1951: 1.º Batalhão de Caçadores de Moçambique desembarca em Macau 
Julho 1951: a Bataria Independente de Artilharia Anti-Aérea (BIAAA) de 7,5 cm muda a sede para o Aquartelamento das Barracas Metálicas de Mong Há.
22 Setembro 1951: a bordo do paquete “Índia” da Companhia Nacional de Navegação chega Macau um contingente composto de 527 homens, sob o comando do Tenente-coronel Acácio Vidigal das Neves e Castro.
22 Setembro 1951: remodelação dos nomes das companhias estacionadas em Macau terminando a designação de "Expedicionário".
Verão de 1952: incidentes entre militares portugueses e chineses junto à Porta do Cerco
Setembro 1953: os batalhões de Moçambique que vieram substituir os de Angola saem de Macau no navio "Niassa".

terça-feira, 12 de maio de 2020

De "Macau Excelsior" a "Grand Lapa"

A década de 1980 foi marcada por um vasto conjunto de investimentos em Macau, em especial na área do turismo.
Depois de em 1983 terem sido inaugurados dois hotéis de 5 estrelas, o Royal e o The Hyatt Regency em Abril de 1984 a oferta hoteleira de qualidade no território era aumentada com a inauguração do "Macau Excelsior" (44 quartos), da cadeia Mandarin International Hotels, na Avenida da Amizade, junto à meta do Grande Prémio. Stanley Ho da STDM e uma empresa de Hong Kong eram os proprietários.
Stanley Ho e o Governador Almeida e Costa na inauguração
Pouco tempo depois da abertura passou a denominar-se "The Oriental", mais tarde  "Mandarin Oriental" e desde 2009 "Grand Lapa".

Para se ter uma ideia do turismo na década de 1980, no primeiro semestre de 1984 mais de 2 milhões de turistas oriundos de Hong Kong visitaram Macau. A esmagadora maioria por causa do jogo. Em 1985 as apostas atingiram os 500 mil milhões de escudos (a maioria no bacará). O jogo representava 48% das receitas públicas do governo.
Num panfleto turístico de 1992 o hotel já se denominava “The Mandarin Oriental”. Tinha 406 quartos e 31 suites. 



Apesar dos aterros (do lado direito) nesta altura uma das fachadas ainda ficava virada para o rio. 
Escadas em madeira e a réplica da Janela do Capítulo do Convento de Cristo em Tomar
Mais informações sobre a Janela do Capítulo aqui

As marcas portuguesas no hotel passavam também pelos nomes dos bares e restaurantes: Vasco (da Gama), Guia Lounge, Bela Vista, Caravela, etc... 
Era o mais luxuoso do território e tinha provavelmente a maior e melhor piscina.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Pastelarias chinesas


A pastelaria Ieng Kei - na Avenida Almeida Ribeiro (San Ma Lou) - está entre as mais conceituadas casas do género no território durante o século 20. Juntamente com a Chi Heung/Heong, a Hing Kei, Iun Loi, Yin Hong,  Lau For Kee, Yuen Wa, Kai Chan, Keng Wa, Hong Hop, San Lin Heong e  Yu/U Lei. Entre os produtos mais procurados estava o bolo lunar e o óleo de ostra.

 Cupões

domingo, 10 de maio de 2020

Diário de viagem em Março de 1985

I had long been thinking that it would be wrong to drop a visit to this old Portuguese colony when staying in Hong Kong. So I went to the tourist office of Macau in the Star House and picked up some brochures and checked prices on the various means of transport. It turned out that the most convenient was a hydrofoil for 54HK$ and a 1.5 hour voyage.

In Macau I joined a South-African living in Los Angeles. He told me that he had checked into a fairly cheap hotel. How much, I asked. 270HK$ was the reply. “Oh yes”, I said and thought of my 22 dollars at the IYAC.
We went for a little walk in the small, narrow Chinese back streets. He told me that without me he would never ever have dared go in there. Now he had the greatest experience of his lifetime.
Largo do Senado
For my part I saw no problems walking in there. I was after all used to that kind of streets from Taiwan, HK and China. He wasn’t. I immediately realised that in the middle of the day in the hours of shopping there was very little probability that we were going to get robbed or threatened in any way.
Macau, a Portuguese colony from the 16th century, is now about to suffer the same destiny as Hong Kong in 1997. What is most exciting about Macau, and indeed the reason for most visits here, is the playing casinos.
For my part five minutes in each of them was sufficient, just to have a look. The places are however very popular among Hong Kong people who come over in large numbers to win money.

What in my opinion was most interesting was however the Chinese streets. They are always full of life and people selling and buying all things possible. The old Portuguese buildings which according to my brochures were big sights were in my eyes almost ready to collapse. (Even symbolically, so to speak.)
I had actually planned to stay the night here, but there was so little to see that I returned to Hong Kong the same evening.
Em cima o casino flutuante Macau Palace, no Porto Interior.
Notas de viagem e fotos de Bård Humberset, o norueguês que visitou Macau em Março de 1985.

sábado, 9 de maio de 2020

Corsairs of the China Seas

Corsairs of the China Seas / Corsários dos Mares da China. Corsários é sinónimo de piratas e é sobre esse tema que trata este livro cuja primeira edição é de 1936 e o autor assina sob o pseudónimo de Bok. Um outro título, Vampires of the China Seas, de 1932, é também da autoria de Bok. Estes títulos serviriam de inspiração a alguns filmes da época: "China Seas", de 1935, por exemplo.


Numa das muitas  fotografias de Macau estão as Casas de Fantan e a Rua da Felicidade


Capítulo sobre a "Rua dos Bordéis" (Rua da Felicidade)
A pirataria, prostituição e o jogo do fantan são os motivos principais 
deste livro muito famoso nas décadas de 1930 e 1940.

Até hoje não se conhece com certeza absoluta o nome do autor. Presume-se que se trata de Aleko E. Lilius, que editou em 1930 a obra "I sailed with Chinese Pirates" que apresenta muitas semelhanças. Aleko Lilius, jornalista e fotógrafo, é finlandês.
Neste último título, Lilius refere ter navegado com Lai Choi San, que apelida de "rainha dos piratas" e que tinha uma frota de 12 juncos.
Esta personagem - não se sabe se exsitiu mesmo - viria a 'ganhar vida própria' na época, em contos e banda desenhada. No Brasil, por exemplo, sob o título de "A Rainha dos Piratas Chineses". Jaime do Inso, em "A China", de 1936, também a refere.
Dois aspectos do Porto Interior

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Secando as redes

"Secando as redes" podia ser a legenda de uma das muitas fotografias de W. Robert Moore que fez parte da edição de Setembro de 1932 da NG. O texto é de Edgar Allen Forbes. 
A pesca foi durante muitas décadas uma das principais indústrias de Macau.
Hanging from boats in a Macao harbor, fishing nets dry in the early morning sunlight around 1931, the year photographer W. Robert Moore began his career at National Geographic. He eventually served as chief of the magazine’s foreign editorial staff. 
Photo: W. Robert Moore/NG

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Professora Maria Manuel Machado, a "Madame": 1921-2020

Morreu esta semana (dia 5) a professora (do Liceu e da Comercial) Maria Manuel Pereira Sanches Pimenta de Castro Machado, conhecida carinhosamente por Madame e cuja história pode ser vista neste post.
Nascida em 1921 casou com um Oficial do Exército, José Luís de Azevedo Ferreira Machado com quem teve 4 filhos. Desenvolveu toda a sua carreira profissional como professora de francês, tendo leccionado em três continentes: na Europa (Lisboa), em África (Luanda) e na Ásia (Macau).
A estadia em Macau ocorreu primeiro entre 1954 e 1960 e depois entre 1967 e 1973, acompanhando o marido nas suas comissões de serviço. Ensinou no Liceu Nacional Infante D. Henrique e na Escola Comercial, para além de ter dado explicações a inúmeros jovens macaenses de diversas gerações, tendo ficado conhecida por “Madame”, nome pelo gostava de ser tratada pelos seus alunos.

Clicar na imagem para ver em tamanho maior

quarta-feira, 6 de maio de 2020

"Uma Viagem no Sui An*"

"A atrofia de imaginação e sentimentalismo está reflectida no nome dos vários barcos que fazem a travessia de Hong-Kong a Macau. Esperaria naturalmente o viajante encontrar o nome de "Luís de Camões", dos "Lusíadas", ou mesmo o de "Druida" em memória do pequeno mas esforçado navio comandado pelo Capt. Lord Henry Churchil que está sepultado no velho cemitério protestante de Macau. Mas, não. 
O barco chama-se "Sui An". Se o seu nome nada diz, o barco no entanto é bonito, muito próprio para pic-nics e o viajante americano sentado no convés pode facilmente imaginar-se a caminho da ilha Coney. Uma das particularidades mais interessantes que notamos em todos os barcos é a presença de um guarda. Armado e equipado, passeia serenamente no convés infundindo confiança ao viajante como a dizer-lhe - "Não tenha receio! Que estou aqui". Apesar de muito pitoresco e divertido é todavia de grande utilidade, por causa dos piratas que infestam o Mar da China. Este homem, que mal deixa ver o rosto encoberto nas barbas espessas, é uma alma forte que está preparada a defender-vos com risco da própria vida. Quem já fez a viagem, não esquecerá. nunca figura tão abnegada. 
O "Sui An" começou sua carreira marítima na Scothish Highlands. Era airoso e veloz. Mas a longa estadia no Oriente causou-lhe urna lassidão, aliás nada de estranhar nesta parte do mundo. Vai rodando suas hélices negligentemente, oferecendo todos os detalhes nas três horas que gasta a chegar a Macau. 
Avistando o farol o "Sui An" entra na mais bela baía do Oriente. A visão guarda a recordação da arquitectura clara da Europa meridional - casas com terraços, cor azul, rosa, amarelo, espalhando-se tudo sobre um bonito e arborisado cabo. O aspecto geral da paisagem apreciada do vapor é sugestiva e lembra uma alegre e risonha praia do Mediterrâneo ao longo de Riviera. As cores das casas à portuguesa levou Frederic Courtland Penfield a denominar Macau "um arco íris encalhado no Oriente". Então o "Sui An" entra no dique e dá duas horas antes de voltar ao Pico Vitória. Portugal, índia, África Ocidental na China. (...)
A doce saudade do jardim de Camões é perturbada pelo estalar do jogo feito à mão. Os sinos das igrejas não deixam ouvir o tinir das moedas do fantan. O psalmodiar dos ramos sobre a sepultura de Morrison é interrompida pela fervura do ópio nas grandes caldeiras. Brancas e pequenas nuvens flutuam num céu de azul infinito. Ao longe, no lodo, brincam semi-nus uns rapazitos chineses. A mãe enlevada contempla-os O "Sui An" move-se vagarosamente. Deixa Macau. Dirige-se a Hong-Kong."
Publicidade da época aos vapores Sui An e Sui Tai
da Hongkong, Canton & Macao Steamboat Co. Ltd.
Excerto traduzido do artigo de Edgar Allen Forbes "Macao Land of Sweet Sadness" (o equivalente a "Macau - Terra da Doce Saudade") publicado na edição de Setembro de 1932 da revista National Geographic.
O original foi primeiramente editado em 1927 num pequeno opúsculo de 23 páginas intitulado "Macao, Land of Sweet Sadness: The Oldest European Settlement in the Far East, Long the Only Haven for Distressed Mariners in the China Sea".
* Sui An, nome da embarcação a vapor que fazia as ligações fluviais entre Macau e Hong Kong, significa "maré-baixa"

terça-feira, 5 de maio de 2020

Dia Mundial da Língua Portuguesa: 5 de Maio

Foi esta segunda-feira, 4 de maio 2020, ratificada em Paris a decisão que estipula o dia 5 de Maio como o Dia Mundial da Língua Portuguesa, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO.
Esta é a primeira vez que uma língua não oficial da organização é distinguida com um dia Mundial. A proposta foi apresentada por todos os países lusófonos em Outubro e foi apoiada por mais 24 países como Argentina, Chile, Geórgia, Luxemburgo ou Uruguai. A proposta foi aprovada por unanimidade no conselho da UNESCO a 12 de Novembro último.
Actualmente 265 milhões de pessoas têm o Português com língua oficial sendo a língua mais falada no hemisfério Sul (por via do Brasil).
Para além de Portugal o português é língua oficial em Angola, Brasil, Moçambique, Guiné Bissau, Timor Leste, Guiné Equatorial, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e Macau.
Consulado de Portugal em Macau

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Harriet Low e George Chinnery

Harriet Low (1809-1877) viveu em Macau entre 1829 e 1834. Nesse período escreveu um diário que a filha resumiu e editou em 1900 num total de 9 volumes e 947 páginas. Neste livro surge uma ilustração do retrato de Harriet pintado por George Chinnery (1774-1852). Um pequeno quadro a óleo de 26.7x22,9 cm.
Harriet chegou a Macau a 29 de Setembro de 1829 e foi viver com o tio no nº 2 do Pátio da Sé, no topo da calçada de S. João. Depressa passou a conviver com os mais influentes residentes do território, incluindo os estrangeiros. Entre eles estava o pintor britânico George Chinnery que lhe fez um retrato a óleo em 1833, poucos meses antes de Harriet sair de Macau. Nos diários são muitas as referências de Harry a Chinnery. Aqui ficam algumas delas...
Retrato de Harriet Low por George Chinnery em 1833.

23 Novembro 1829 - Harriet descreve uma peça de teatro onde os cenários foram pintados por Chinnery e onde o pintor também foi actor....
Aunt L. received a note from Mr. Dent this morning, requesting to be allowed to accompany us to the play tonight. It was one of the drollest things you ever saw. I should like to have you know him. He is a pleasant creature. We had satin play-bills sent us this morning, which I shall send to you, that you may see the style in which everything is carried on in Macao. I assure you everything corresponds. We went to the play at seven, accompanied by Mr. Dent. You would have been amused, I am sure. Several of the scenes were painted by Mr. Chinnery, a famous portrait painter. The play was performed very well. Some parts were admirably done, but the most amusing were the female characters. Mr. Chinnery was one, and they could not have chosen anybody less fit to perform a female part; but, however, his ridiculous appearance made much sport. He represented Miss Lucretia McTab, and Mr. Alex ander was Miss Emily Worthington, a tall, lean- looking man, with a gruff voice; but she was supposed to be breaking the hearts of all the young beaux, and you have no idea how ugly she was! It was so inconsistent that we could not but laugh. (...)

8 Dezembro 1829 - Harriet visita o estúdio de Chinnery
I went to Chinnery the portrait painter's room yesterday. He had some fine likeness there. He is remarkably successful. How I wished that I had a little of the needful to put into the man's hand, that he might take my beautiful phiz, that I might transport it across the great waters into your own hands! But there, what's the use of wishing?

2 Abril 1830 - Harried elogia a pintura de Chinnery
After dinner looked out of the window, and saw one of the Company's ships with the sun shining on her well-filled sails. How I wished for Mr. Chinnery's talent for painting, that I might sketch for you the beautiful scene before me, the large and handsome church, milk-white, with a splendid flight of stones and steps, and surrounded by trees and shrubbery. Just before the fort, stretch ing into the bay. Beyond this again, you can see the roads, and the little boats skimming over the surface. In the distance two islands of high ground can be discerned, and the beautiful ship heading toward her much desired home. A little farther in, is a little European boat flying along under full sail, and any quantity of Chinese boats are in sight.

2 abril 1833 - Harriet descreve a personalidade de Chinnery
There is a good deal to be gathered from his conversation and some of his similes are most amusing. He has been a great observer of human nature, for which he has had every opportunity, his profession having brought him in contact with people of high and low degree. He has been in Calcutta (...) and has seen a great variety of characters (...) in that changing place. He has excellent sense, and plumes himself upon being, "though not handsome, excessively genteel"; (...) he is what I call fascinatingly ugly, (...) taking snuff, smoking and snorting (...)."

15 Maio 1833 - prestes a completar 24 anos, Harriet volta ao estúdio de Chinnery para uma última pose...
Went to Chinnery's this morning for my last sitting. The likeness is said to be perfect, but I think it is a very ugly face. It has not raised my vanity in the least. I sat there till nearly three, when I was quite exhausted, and very glad to leave the "studio." Spent the evening with Caroline, and read a tragedy called "Fazio," one played by Miss Kemble lately in New York. It is very good, and she is said to have acted the character of Bianca perfectly. Came home feeling very trisie, why I cannot say. I do suffer more from low spirits than I ever did before. What a light- hearted thing I used to be! Now I hardly find anything to make me feel really merry. I laugh, of course, but I have lost the feelings I once had. 'Tis retrospection, I think; the past year has been, I can truly say, the most melancholy that I ever passed, at least I have had more positive feelings of both kinds, pleasure and pain, - but would that it had never been! (...)

domingo, 3 de maio de 2020

Obra das Mães: desde 1959

A Obra das Mães é uma instituição de solidariedade fundada em 1959 por Augusta Silvério Marques, mulher do então governador, Jaime Silvério Marques, e com a participação das comunidades macaense e chinesa.
Tem por missão "promover actividades relacionadas com a educação familiar, aumento da qualidade de vida da família, apoio às mães, defesa dos direitos e dos interesses das mulheres, apoio a idosos e crianças, bem como promoção do desenvolvimento harmonioso da sociedade".
A instituição ainda hoje continua no activo com várias creches, lar de idosos, lar de cuidados especiais e centro de convívio.

sábado, 2 de maio de 2020

Mr. Marques Garden

At Macao there is a garden belonging to a Mr Marques that is beautiful and well situated on the termination of the ridge of hills that across the peninsula from east to west. This garden is of itself quite to attract the admiration of strangers, who are, with great liberality freely into it. But besides its natural advantages there is a halo of poetic association connected with it it is classic ground for it contains the spot in Portugal's epic poet during his exile composed a great part of his Lusiad.
Although the retreat in which Camoens sat is usually called the Cave Camoens, yet it is not a cave in the strict acceptation of the word, for it is not hollowed out of a rock, but is formed on the gently sloping side of a hill, by two upright masses of rock a few feet apart from each other, and covered by an immense block resting on them.
Such is the place itself; but the reader must not expect that every thing is now the same as when the poet sat and wrote in the shade of these rocks. No! There has been many so called improvements and prettinesses added - crutches to help on the halting imagination but they sadly trip up the vigourous and healthy one.
The entrance to the cave is nicely railed in, and instead of being able to sit where the exile sat we peep between the rails as through front of a wild beast's cage, at an elegant pedestal surmounted by a bust, whose nose is unfortunately broken off and recalls to the mind an Italian image boy; perhaps but most certainly not Camoens.
Excerto de uma descrição publicada em 1844 em vários jornais e revistas: The New Monthly Magazine and Humorist e o The Anglo American, por exemplo. As ilustrações não são dos títulos referidos títulos mas são da época de 1830/50.
Nota: O autor do texto passou por Macau antes de 1840 já que nesse ano foi colocado pelo Comendador Lourenço Marques (o tal Mr. Marques referido no artigo) na gruta, um busto em barro ou greda bronzeada, da autoria de artistas chineses, substituindo outro que tinha sido mutilado por vandalismo (daí o autor do texto referir o nariz partido). Este busto seria substituído em 1886 pelo que ainda hoje lá está, em bronze, da autoria de Manuel Maria Bordalo Pinheiro.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

População e Religião: censo de 1970


in Anuário Estatístico: Volume 2, Províncias Ultramarinas, 1971
Instituto Nacional de Estatística Sociedade Tipográfica, Lda. Lisboa 1973