sexta-feira, 24 de abril de 2026

"A Hora Presente da Nação"

A notícia da revolução de Abril de 1974 em Portugal só chegou aos jornais de Macau alguns dias depois. A primeira informação pública sobre os acontecimentos em Lisboa foi dada aos microfones da rádio Macau, através de Rui de Mascarenhas, cantor português de enorme sucesso na época e que por esses dias atuava em Macau no âmbito do evento "Abril em Portugal", organizado pelo Hotel Lisboa (STDM), actuando no restaurante Portas do Sol.

Na imagem a primeira página do jornal Gazeta Macaense de 27 de Abril de 1974.
Excertos:
CONSTITUÍDA A JUNTA DE SALVAÇÃO NACIONAL
Lisboa, Abr. 25 (R)
O general António Spínola, presidente da Junta Militar, fez esta manhã uma breve alocução ao País pela televisão, tendo depois apresentado outros cinco membros da junta. A Junta Militar de Salvação compromete-se a garantir a sobrevivência de Portugal como nação soberana e independente na "sua integridade multi-continental". Além do general Spínola fazem parte da junta os seguintes oficiais superiores: 
General do exército Francisco da Costa Gomes; Brigadeiro do exército Jaime Silvério Marques; Capitão-de-mar-e-guerra José Batista Pinheiro Azevedo; Capitão-de-fragata António Rosa Coutinho; General Manuel Diogo Neto e coronel Carlos Galvão de Melo, ambos da aeronáutica. O general Diogo Neto foi o único que não esteve presente na emissão televisionada, por se encontrar ausente no ultramar.
(...)
Tudo indica que 25 de Abril de 1974 vai entrar na História Política Portuguesa como mais uma efeméride célebre.
De facto, as últimas vinte horas que se viveram em Portugal Continental devem registar-se como das mais dramáticas e surpreendentes da vida nacional nos últimos 48 anos.
O «Movimento das Forças Armadas», cuja chefia até à hora do fecho desta edição (18 horas), ainda se não conhece com exactidão, parece ter abalado profundamente os alicerces em que há muitos anos assentava o edifício político nacional. Se for confirmado por individualidades verdadeiramente respeitáveis na vida nacional o que tem vindo a ser proclamado, de há 20 horas para cá, pelo chamado «Movimento das Forças Armadas», prova-se que a palavra e a propaganda podem ter mais força do que poderosas armas de guerra. O Movimento soube aplicar o sistema ao iniciar a sua acção com a conquista dos mais poderosos meios de informação do País.
Continua-se a aguardar a revelação dos nomes dos principais responsáveis pelo «Movimento das Forças Armadas» e as declarações que então deverão ser feitas por aqueles sobre quem cairão as responsabilidades de governar a Nação. Logo que nos cheguem mais elementos informativos, faremos a sua transmissão, certos de que a Nação Portuguesa, que não é apenas Portugal Europeu, há-de sentir que mudanças de fórmulas políticas não correspondem a quebras de unidade, antes procuram atingir, servindo o ideal comum e antigo de amor à Pátria e a sua grandeza histórica.
Que mudem os sistemas políticos será sempre secundário, pois o que importa é que os governantes de ontem, de hoje e de amanhã, sejam verdadeiros portugueses, pois isso é, sobretudo e sobre todos, o que interessa. (...)

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