terça-feira, 19 de março de 2013

Fundação Oriente comemora 25 anos

A Fundação Oriente (FO) foi constituída a 18 de Março de 1988 pela Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), como uma das contrapartidas impostas pela Administração de Macau à concessão em regime de exclusivo da exploração do jogo naquele território até 31 de Dezembro de 2001. É uma pessoa colectiva de direito privado dotada de personalidade jurídica e sem fins lucrativos. A utilidade pública foi reconhecida em Portugal no Suplemento do Diário da República nº 54, II Série, de 6 de Março de 1989, e em Macau no Decreto-Lei nº 16/89/M, de 8 de Março, publicado no Boletim Oficial de Macau nº 10.
Em 20 de Junho de 1997, após consultas de ambas as partes, e com a anuência da FO, foi entendido pelo Grupo de Ligação Luso-Chinês, tutelado pelos Ministérios dos Negócios Estrangeiros de Portugal e da República Popular da China, que, com efeitos a partir de Janeiro de 1996, os rendimentos regulares previstos no contrato para a concessão do exclusivo da exploração do jogo no Território de Macau deixavam de ser atribuídos à FO e passariam a ser entregues a uma nova fundação, a constituir em Macau. Quebrou-se deste modo o elo que, desde 1988, unia a FO ao contrato do jogo em Macau.
Actualmente a Fundação Oriente Integra o grupo das 20 maiores fundações europeias e é membro fundador do European Foundation Centre. Tem sede em Lisboa e delegações na Região Administrativa Especial de Macau, na Índia e em Timor-Leste.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da FO, Carlos Monjardino fez um balanço dos 25 anos: "Foram várias fases, umas melhores do que outras, mas o balanço é claramente positivo, sobretudo no que toca à cooperação entre a China e Portugal e a especial atenção dada a Macau". O 25º aniversário vai ser assinalado com um conjunto de iniciativas no Museu do Oriente em Lisboa.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Return to Paradise: 1998

Durante um Verão passado na Malásia três norte-americanos - Lewis (Joaquin Phoenix), Sherife (Vince Vaughn) e Tony (David Conrad) - desfrutam dos prazeres da vida: mulheres, álcool e drogas.  Como o fim das férias, Tony e Sherife voltam para Nova York, mas Lewis decide ir para o Bornéu salvar os orangotangos. Nesse dia Lewis é preso, pois Tony e Sherife antes de partirem deixaram com ele 140 gramas de haxixe e, segundo as leis locais, a partir de 100 gramas o portador é considerado traficante e a pena é a morte por enforcamento. Dois anos depois, em Nova York, Sherife é condutor de limusines e Tony é um arquitecto que está noivo. É então que surge Beth (Anne Heche), uma advogada que conversa com os dois e lhes conta que há um acordo verbal que diz que se um deles voltar para cumprir a pena terá de ficar seis anos preso, se os dois voltarem, três anos de prisão para cada um e se nenhum voltar Lewis será enforcado em oito dias...
Acho que a sinopse é suficiente para vos aguçar o apetite e verem ou reverem este filme rodado em 1997/98 na Tailândia, EUA, Hong Kong e Macau. Entre as cenas filmadas no território temos o hotel Bela Vista (interiores - quartos e escadaria do lobby - e exteriores), o istmo Taipa-Coloane, o aeroporto e um avião da Air Macau, este último foi a única referência que encontrei nos créditos do filme.
Existem dezenas de filmes rodados em Macau como poderão verificar neste post

sábado, 16 de março de 2013

Liceu: o Infante, o padrão e as viagens de finalistas

Março é o mês do Infante D. Henrique, patrono do Liceu. Março é também o mês em que tradicionalmente se efectuavam as viagens de finalistas (à China, Tailândia, Filipinas, etc...).

Nas imagens a preto e branco - da empresa Foto Lens sita na av. almeida Ribeiro, 1Q e tel. 2872: anos 50/60 - a fase final de construção do edifício do Liceu na Praia Grande (o primeiro construído de raiz para albergar o Liceu que foi criado em 1893) e o padrão dos descobrimentos colocado frente ao edifício nas comemorações henriquinas de 1960 (V centenário da morte). Na época denominava-se Av. Salazar e mais tarde passou a chamar-se Av. Dr. Mário Soares. No final da década de 1980, com a demolição do edifício do Liceu o padrão foi removido e transferido para junto da estátua de Jorge Álvares, frente ao antigo tribunal. Inclui um excerto d'Os Lusíadas. "... e se mais mundo houvera lá chegara".
 Duas memórias fotográficas do 'meu' grupo de finalistas em 1989

sexta-feira, 15 de março de 2013

Memórias de António Cambeta

10 de Junho de 1964
1965: no riquexó (cima) e frente à Messe dos Sargentos (baixo)
Quem viveu em Macau nos anos 60 recorda com saudade a Avenida da Praia Grande, onde as suas frondosas árvores no abrigavam do calor, a sua baía tinha uma vista maravilhosa, pena era por vezes, quando a maré vazava o mau cheior que lá vinha, mas compensava com a tranquilidade do local. Por essa altura era, embora o quartel onde me encontrava alojado ser na Ilha Verde, à Praia Grande me deslocava para tomar as refeições na messe dos Sargentos e dar à noite os meus passeios "higiénicos" por toda a marginal. Nessa bela avenida desfilei no dia 10 de Junho de 1964, defronte do Palácio do Governo (1º imagem). Nos anos de 65 a 69 estudei no Liceu Nacional D. Henrique que ficava defronte da baía da Praia Grande, hoje Avenida Dr. Mário Soares.
No ano de 1997, quis o destino que fosse morar para a Praça de Lobo de Ávila, que fica na Praia Grande, disfrutando de minha varanda, sita num décimo andar, uma vista espectacular. Como ex-marinheiro continuo a ter o mar ao pé de mim. Não é bem o mar, é mais um lago chamado Nam Van com uma fonte cibernética linda, o mar esse fica um pouco mais lá ao longe. Recordar é viver!..

Testemunho de António Cambeta, antigo militar em Macau (e com longa vida no território) e leitor desde a primeira hora do blog Macau Antigo. Nesta última imagem António Cambeta foi fotografado na Penha tendo como fundo a baía da Praia Grande em 1964.
PS: faça como o António e partilha as suas memórias de Macau enviando um e-mail com um texto e imagens para macauantigo@gmail.com.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Capitão Fernando Lara Reis: 1892-1950

O Capitão Fernando Lara Reis (1892-1950) foi uma das figuras marcantes dessa larga elite do professorado que serviu no Liceu de Macau ao longo dos decénios. Foi um activo precursor da escola igualitária, democrática e inclusiva, com uma genuína preocupação com a formação integral do alunos.
Lara Reis (1º a contar da dta): júri de um exposição de Arte no Leal Senado em 1924. Destaque ainda para nomes como Camilo Pessanha (1ª da esq) e Manuel da Silva Mendes (2º a contar da dta sentado).
Natural de Leiria, a sua formação fez-se no Colégio Militar e na Escola de Guerra, designada posteriormente como Academia Militar. Em 1915, como oficial de infantaria, faz uma comissão de serviço em Angola. Em 1917, já tenente e adido à recém formada estrutura da aviação militar, parte para França, integrando o Corpo Expedicionário Português, para combater na primeira grande guerra. Sofre um acidente com o avião militar e é internado no Hospital Militar de Paris. As lesões sofridas incapacitam-no para o serviço activo. É promovido a Capitão e passa à reserva em 1918.
É nomeado Professor Efectivo do 9º Grupo (Desenho e Trabalhos Manuais) no Liceu de Macau, em 1919, que será a escola de toda a sua vida, com a ressalva dos anos da Segunda Guerra Mundial em que leccionará em Goa, no Liceu Afonso de Albuquerque. Não fica, nesse ano, seguramente, indiferente à capitulação da Alemanha pelo Tratado de Versalhes, que coloca um ponto final na primeira Grande Guerra.
O Liceu de Macau tinha então 37 alunos e quando se apresenta, o Reitor era Humberto Severino de Aguiar, recém-empossado após o mandato de Mateus António de Lima. Em 1919 Macau e as Ilhas perfaziam 12 km2, um pequeno cosmos, como bem se percebe. O Bispo era D. José da Costa Nunes e o Governador, Henrique Correia da Silva. No Liceu, já lá estavam Camilo Pessanha, Manuel da Silva Mendes, Carlos Borges Delgado ou José Ferreira de Castro.
Monsenhor Manuel Teixeira, na importante monografia que dedicou ao Liceu de Macau, refere: “nós, que vimos acompanhando a vida do Liceu desde há cerca de 50 anos e que vasculhamos todo o seu arquivo, não encontramos ainda um professor que tenha servido a sua escola com tanta dedicação como Lara Reis. É que ele não se limitava às suas funções de professor competentíssimo de desenho (…) A sua dedicação levava-o a tomar muitas outras iniciativas, sempre a bem dos alunos: exposições escolares anuais, em que ele sabia despertar o estímulo dos alunos e o interesse do público; festas e récitas frequentes, excursões culturais a Hong Kong, ‘picnics’ às ilhas, etc.”.

Esta dedicação exclusiva, uma doação permanente à causa da educação e da formação extra-curricular é apreciada pela comunidade e pelos seus pares e reconhecida pelos seus alunos. Da sua formação militar traz a disciplina, a ordem, a objectividade e o método que aliará à cultura da razão prática e ao saber profissional, guindando, desse modo a cadeira que lecciona de uma zona secundária e residual para um nível de plena paridade com as demais áreas do saber.Os programas e as respectivas instruções pedagógicas, que então leccionará, poderemos vê-los no decreto-lei nº 6132 de 23 de Dezembro de 1919, que a Imprensa Nacional de Macau só publicará em 1922. Curiosamente, um sinal da grande instabilidade política então vivida, está no facto de a primeira parte desse decreto ter sido assinada em 26 de Setembro de 1919 pelo Presidente João do Canto e Castro, e a segunda parte, assinada em 30 de Dezembro de 1919, pelo Presidente António José de Almeida…
San Ma Lou: década 1920
Esta capacidade pedagógica inovadora, que a documentação guardada no seu arquivo pessoal poderá certamente documentar, tornou-o popular entre os alunos que o reconheciam como um Mestre exigente. Este pormenor não escapou a um antigo aluno, Hugo do Rosário, que diz,“recordo-me de um grande professor que nós tivemos, o Dr. Lara Reis, Professor de Desenho e de Trabalhos Manuais. No fundo da sala de aulas havia um dístico, no alto, que dizia ‘Quem Não Entende a Arte, Não a Estima’. Aprendemos a técnica do desenho sob várias perspectivas. Ele tinha um sistema pedagógico fantástico. E era um homem de muitos talentos”. Alberto Maria da Conceição escreveu em 1944 sobre a Associação Escolar do Liceu, estas palavras comovidamente luzidias: “quem poderá jamais olvidar as festas de Natal, em que se distribuíam ricos brinquedos aos caloiros, do carnaval, em que se observava uma miscelânia de pitorescos fatos carnavalescos, e do ‘fim do ano’ em que se apresentava o Orfeão, se representavam peças e se liam trabalhos feitos pelos próprios alunos e finalmente se distribuíam prémios aos vencedores dos torneios realizados durante o ano escolar?”. A alma de tudo isto era Lara Reis, concluiu, e bem, Monsenhor Teixeira.
Rua Cons. Ferreira de Almeida: década 1920
Lara Reis integra-se em todas as colectividades e agremiações que então existiam em Macau, numa fraternidade socializadora e com contornos cívicos e humanistas. Estava em todas porque todas representavam Macau, todas eram Macau. Fundou a Liga dos Combatentes da Grande Guerra e providenciou a construção de um Ossário-Monumento dos Combatentes no Cemitério de S. Miguel. Viajante cosmopolita, chegou a conversar com Mahatma Gandhi em Nova Deli, conseguia trazer essa mundivivência para dentro da sala de aula, enriquecendo sobremaneira a transmissão dos conhecimentos. José Maneiras, antigo aluno, lembra-se bem: “mas distingo o Professor Lara Reis por ter sido um professor excepcional, um homem eclético, mal humorado, mas com um grande coração. Era um solteirão muito viajado e muito organizado. Preparava as suas viagens ao longo do ano e durante as férias desaparecia por três meses. Nas aulas era um espanto ouvi-lo falar sobre o que ele conhecia acerca do mundo”.Joaquim Morais Alves reteve a sua rigidez militar e a alcunha de “chega-me isso”, dada pelos alunos.

Já Leonel Barros enfatiza outra vertente: “havia um professor de desenho, muito metódico, chamado Lara Reis, a quem recordo como amigo e não como professor. Quando pintávamos, dizia-nos que o pincel só se podia limpar com a língua e tentava convencer-nos que aquilo não matava ninguém. Não nos deixava lavar o pincel sem ser com a língua.(…) Quando eu estou a desenhar, limpo sempre o pincel com a língua. A culpa de proceder desta forma foi de Lara Reis. (…) Eu aprendi muita coisa com ele, no que diz respeito também ao desenho gráfico”.
O trabalho que realizou, que coordenou ou que os alunos executaram sob a sua orientação está completamente perdido. Monsenhor Manuel Teixeira explica-nos porquê: “No antigo liceu, na Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida, ostentavam-se vários quadros da sua lavra e dos seus alunos, que eram dignos de apreço. Também havia projecções de pontos, segmentos e polígonos nos vários quadrantes, feitos por ele com madeira, alfinetes, arames e linhas, que muito auxiliavam os alunos nos seus estudos. Infelizmente, quando em 1958, o Liceu passou para o Porto Exterior, tudo isso foi atirado para o lixo. Todas ou quase todas as exposições de artistas tanto portugueses como estrangeiros, realizadas em Macau, no seu tempo, foram da sua iniciativa ou patrocinadas por ele”.
Lara Reis foi benemérito e filantropo até ao fim. O Arquivo Distrital de Leiria acolheu os manuscritos, mais de 32 volumes dos “Diários de Viagem” e “A Minha Vida”, um rico espólio que tem sido minuciosamente estudado por Acácio de Sousa e por Orlando Cardoso. A casa de seus Pais, em Redinha, foi doada em 1941 e reconvertida em Escola Primária. A sua casa em Macau foi doada à Santa Casa da Misericórdia, tendo o Rotary Clube de Macau nela instalado a “Clínica Anticancerosa Lara Reis” (imagem acima).
Texto de António Aresta, docente e investigador, publicado no JTM de 27-01-2011

quarta-feira, 13 de março de 2013

Postal: carimbo 31 Julho 1911

Com o carimbo dos correios de 31 de Julho de 1911 este postal com uma mensagem muito sui generis para a época tem ainda a particularidade de ter um selo de 'contribuição industrial' com chancela antiga de 5 reis transformada em 1 avo. 
Nada se perdia tudo se transformava naqueles tempos...

terça-feira, 12 de março de 2013

Seminário sobre Luíz Gonzaga Gomes

A sessão do Seminário Permanente de Estudos sobre Macau do próximo dia 27 de Março está a cargo de Vanessa Sérgio (Universidade de Paris Ouest Nanterre La Défense, França). Vai falar sobre "Luís Gonzaga Gomes ou o Símbolo do Intercâmbio Cultural Luso-Chinês". É na UNL - FCSH, em Lisboa, às 18 horas.
"Inho" Gomes como também era conhecido, é um dos grandes nomes da cultura macaense. Dedicou parte da sua vida ao estudo das comunidades portuguesa e chinesa de Macau.
Nasceu em Macau a 11 de Julho de 1907 e morreu a 20 de Março de 1976. Foi aluno do Liceu de Macau, vice-presidente do Leal Senado, secretário-geral do “Notícias de Macau”, administrador do jornal “Renascimento”, intérprete na Repartição Técnica do Expediente Sínico, professor e director da escola primária oficial “Pedro Nolasco da Silva”, director da Emissora de Macau e do Centro de Cultura Musical e Conservador do Museu Luís de Camões. Produziu inúmeras obras. Foi condecorado com a medalha do Infante D. Henrique e com a de Cavaleiro da Ordem das Palmas da França.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Museu e Centro de Estudos Marítimos de Macau

O Museu e Centro de Estudos Marítimos de Macau (1987) antecedeu o Museu Marítimo de Macau. (1990) Foi dirigido pelo contra-almirante Manuel Leal Vilarinho. As primeiras instalações ficavam na barra (imagem acima), ao lado do actual Museu Marítimo.
O museu começou por ter um boletim trilingue. O primeiro número saiu em Junho de 1988 
"Os seus objectivos são: Dar a conhecer ao público em geral os artigos relacionados directa ou indirectamente com as actividades marítimas baseadas em Macau, ou com aspectos ligados às navegações, sobretudo portuguesas e chinesas, de preferência as que tenham por tema os Oceanos Indico e Pacífico. A consecução destes objectivos depende da colaboração que conseguirmos. Consideramos que neste número os objectivos que nos propomos foram atingidos. Contámos com a prestimosa disponibilidade de autores que se têm vindo a dedicar a assuntos de natureza marítima e estudaram profundamente os temas que apresentam. E foi gratificante verem-se reunidos trabalhos dum autor brasileiro, duma autora francesa e de autores portugueses."
No segundo número podia ler-se. "Apresenta este segundo número do Boletim Cultural alterações de forma, de conteúdo e até de concepção. As instituições vão crescendo, e é bom e salutar que assim seja, porque a alternativa seria estagnarmos, pelo que, a reflectir este facto, os boletins passarão a ser apenas o espelho das Actividades do Centro de Estudos Marítimos de Macau. O Museu Marítimo de Macau também tem necessidade de comunicar com o público que serve, a população de Macau. Fá-lo-á por intermédio dum Boletim Informativo, que também será periódico mas independente do Boletim Cultural. Nestas condições o Boletim Cultural passará apenas a ter duas secções: uma introdutória, em que se comunicarão os acontecimentos respeitantes ao Centro de Estudos Marítimos que haja necessidade de divulgar, e outra que será o corpo do Boletim, em que figurarão os artigos dos nossos colaboradores, sua razão de ser e sem dúvida a mais importante das duas."
O museu foi ainda responsável pela edição de diversos livros relacionados com a história de Macau e da presença portuguesa no Oriente.

domingo, 10 de março de 2013

Manuel Vicente (1934-2013): o "arquitecto de Macau"

 Manuel Vicente em Macau (2011). Foto de Gonçalo César de Sá

Capa suplemento Ponto Final Maio 2012
O arquitecto Manuel Machado Vicente morreu em Lisboa, aos 78 anos, vítima de doença. Nascido em 1934 (Lisboa) formou-se na Escola de Belas Artes de Lisboa (1962) e começou a trabalhar em Goa. Daí seguiu para Macau, onde esteva pela primeira vez até 1966 à frente do Gabiente de Urbanização. Prosseguiu depois os estudos nos Estados Unidos, fazendo o mestrado na Universidade da Pensilvânia (1969), ao lado de Louis Khan.
Na década de 1970, já em Portugal, dedicou-se ao ensino e chefiou o sector de Planos Habitacionais do Fundo de Fomento de Habitação (1973/77). No final dessa década regressaria para uma segunda temporada em Macau. 
Datam deste período alguns dos seus mais significativos projectos no território, como são os casos das 3 torres residenciais da Barra (1976) e dos edifícios do bairro social do Fai Chi Kei (1977). Na década de 1980 destaca-se a concepção do novo edifício da TDM-Teledifusão de Macau (1986).
Já na década de 1990 realce para o Posto de Bombeiros do Bairro da Areia Preta (1992), a criação do edifício do World Trade Center (1995) e para o projecto multidisciplinar que liderou no fecho da Baía da Praia Grande (1996).
Em 1987 recebeu o Prémio AICA/MC (Associação Internacional de Críticos de Arte/Ministério da Cultura), que todos os anos distingue um nome consagrado na área das Artes Visuais e outro na área da Arquitectura. Em 1993 recebeu o Prémio da Associação de Arquitectos de Macau e um ano depois foi distinguido com a Medalha de Ouro da ARCASIA (Secção Ásia da União Internacional dos Arquitectos) pelo conjunto Fai Chi Kei. Em 1998 foi agraciado com o grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio. Em 2005 recebeu pela segunda vez a Medalha de Ouro da ARCASIA (Architects Regional Council Asia), na categoria de melhor espaço público. Foi membro da comissão instaladora da Associação de Arquitectos Portugueses (1975-1977) e vice-presidente da Ordem dos Arquitectos (2002-2007).  Manuel Vicente dedicou também parte da sua vida ao ensino, tendo passado pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e pela Universidade Autónoma. Mais recentemente foi o autor, com José Santa-Rita, do projecto de recuperação da Casa dos Bicos, que acolhe actualmente a Fundação José Saramago (Lisboa).
Link para documentário sobre a obra de Manuel Vicente em Macau
Comentários dos seus pares em Macau à agência Lusa.
Arquitecto Carlos Marreiros:
"Manuel Vicente foi um arquitecto muito criativo, às vezes roçando a  genialidade, muito interventivo e muitas vezes polémico também; (...) a sua obra "caracteriza-se por um desenho forte, não era um gesto de arquitectura para desaparecer, mas era um gesto para se impor, era uma arquitectura imponente neste sentido, independentemente da envergadura" da sua intervenção (...)  "Mesmo em elementos construídos mais pequenos, a sua arquitectura impunha-se" (...) "Perco um amigo, perco um mestre e Macau perde alguém que significou a sua paisagem construída, alguém que soube polemizar a arquitectura e alguém que elevou a profissão de arquitecto e a prática da arquitectura não só como um serviço profissional mas como uma disciplina do saber"(...) Manuel Vicente "contribuiu cívicamente para promover a profissão e para fazer da arquitectura algo que hoje é respeitado em Macau e também a sua profissão ser reconhecida aqui e além-fronteiras".  
Arquitecto Rui Leão 
"Manuel Vicente é uma figura gigante para Macau por toda a arquitectura que ele deixou, maravilhosa, comunicante, alegre, com vontade de perceber a cidade, os outros, a China, nós na China, tudo, isto no meio de grandes revoluções e atribulações do modernismo do século XX, da vida dele, dos amigos, de todos nós e também daqueles que conhecia pelo caminho e no dia-a-dia" (...) tinha um grande carinho por toda a obra que tinha desenhado e deixado em Macau".

Fai Chi Kei (cima) e TDM (baixo)
Conheci Manuel Vicente através de um amigo em comum, também arquitecto, o José Romano. Foi a 26 de Maio de 2010 que partilhámos a mesma mesa durante uma conferência sobre "Arquitectura e Urbanismo de Macau 1999-2009" decorreu no Museu do Oriente em Lisboa. Tratou-se de um encontro fugaz mas o suficiente para perceber que Manuel Vicente era uma pessoa fora de série...
Em Macau, terra onde Manuel Vicente viveu em trabalhou mais de 30 anos (ao longo de diversos períodos) já conhecia a sua obra, em especial o edifício da TDM onde trabalhei. Em 2011 tb no Museu do Oriente esteve patente a exposição Trama e Emoção.
Ana Vaz Milheiro, prof. de história de arquitectura (em 2011):
“Manuel Vicente trouxe uma lufada de ar fresco e contrastava com a moralidade dos anos 1960, que colocava em dúvida” (...) “Macau era uma terra disponível, sedenta de construção”.
World Trade Center em Macau
Manuel Vicente por ele próprio...
Entrevista ao "Público" 27-7-201: "Não confundo cultura com erudição. Há a informação, há a erudição, mas a cultura tem a ver com aquilo que a gente sabe, sem saber que sabe. E é isso que se transmite. Acho que a cultura portuguesa é mais reconhecida pela comida do que pela língua. Se for a Macau ou à Índia, nas mercearias encontra sempre azeite ou bacalhau. Esta é a memória que a gente deixou que se transmitisse. Esta história da comida é mais essencial do que a herança da língua e isto é que é cultura. É uma experiência mais total. "
Num debate sobre arquitectura que se realizou no Museu do Oriente (2011):
“Uma grande percentagem dos arquitectos que praticavam em Macau foram para lá porque eu fui, ou porque eu estava lá” (...) “Todos os desenhadores foram feitos por mim – e se isto não é uma escola, não sei o que é uma escola. (...) “Se alguém olhou para Macau com olhos de ver, com vontade de perceber o que aquilo era, foi através de mim” (...) “Se há arquitectura moderna em Macau, a mim se deve” (...)
 Posto de Bombeiros do Bairro da Areia Preta

sábado, 9 de março de 2013

O diário de Walter Richardson (1902): exclusivo Macau Antigo - 3ª parte

 ... continuação
We went to the old stone gate between the Chinese and Portuguese territories and then returned to the hotel along good shaded roads lined with houses and pretty gardens.  At the hotel I met a gentleman and his wife from Los Angeles. They are making a tour of the world westward. After supper Mr. Bingham, the gentleman from Los Angeles, Mr. R.N. Gachwind, and I went down to one of the gambling houses to see what they do there. There are nineteen of these places which pay the government over $100,000 in gold a year. They all play fan-tan, which is played with Chinese brass money or cash, as it is called here. The man takes a handful of this, puts a cup over it, and then you bet so much on one, two, three, or four. If you bet on two numbers and win, they pay you back double, less 10 percent; if you bet on one number and win, then you get three times your money less 10 percent.  When the bets are made, the man lifts up the cup and with a stick counts out the cash four at a time from the pile; if you have bet upon three and there are three left you win and get three times your money. 

Para quem não domina o inglês apresento em seguida uma tradução/adaptação resumo desta viagem de 2 dias a Macau: 19 e 20 Dezembro 1902
Tradução, adaptação e notas à parte da minha autoria:
Macau, China sexta-feira, 19 de dezembro, 1902: O recepcionista do hotel (em Hong Kong) chamou-nos bastante cedo, tal como combinado. Tomámos um pequeno-almoço rápido de forma a conseguir apanhar o barco das 7 da manhã para Macau. Apanhámos duas ‘cadeirinhas’ (meio de transporte anterior ao riquexó) que nos levou até ao cais onde chegámos mesmo a tempo. A manhã estava bastante nebulosa e não pudemos apreciar a paisagem como gostaríamos. A primeira paragem que fizemos foi em Seng Chau, uma pequena e pitoresca vila de pescadores junto a Hong Kong. Ficámos ligeiramente ao largo. Algumas sampanas aproximaram-se do nosso barco para fazer o transbordo de alguns passageiros chineses. Uns saíram e outros entraram num corropio de movimentos. Bastam poucos para que façam muito barulho. Quem conduz as sampanas são as mulheres utilizando para isso uma espécie de remos muito compridos. Muitas delas vivem nestas embarcações juntamente com a família. Há sempre uma mulher com grandes calças no leme que é quem dá as ordens. Estamos atravessando o Rio das Pérolas e passamos por muitas ilhas montanhosas praticamente sem vegetação. Nestas ilhas, parece que não mora ninguém. Avistam-se muitos juncos e alguns passam bastante perto de nós. À meddia que a nossa viagem avança o mar torna-se mais agitado. O vento é muito forte e o nosso  pequeno barco oscila bastante. Fiquei enjoado uma meia hora. Estamos à vista de Macau agora. Parece muito bonito. O mar azul é pontilhado com as velas acastanhadas dos juncos. Os edifícios de cor branca e amarelo claro em contraste com o verde da restante paisagem fazem uma imagem bonita.
A pequena península de Macau é uma colónia de Portugal. Os portugueses ocuparam este lugar em 1622. (não está correcto; a data da fixação dos portugueses é 1554). Foi-lhes dada pelos serviços prestados no combate aos piratas que aterrorizavam a população ao longo da costa. O governo chinês exigiu o pagamento de dinheiro aos portugueses até 1848 em troca da sua fixacção. Em seguida, o governador tentou impedir isso, mas foi assassinado. Seguiu-se um período de grande confusão mas Portugal nunca perdeu o direito sobre Macau. Rumámos para o lado do Porto Interior e a muito custo lá conseguimos atracar num pequeno ancoradouro depois de passarmos por centenas de juncos e sampanas. É uma zona muito movimentada. É aqui que estão os grandes juncos com todos os tipos de carga. Alguns juncos estão equipados com canhões de ferro. Já não são tão utilizados como antigamente mas ainda existem piratas nestas águas. Vêm-se muitos barcos a descarregar peixe que depois é posto a secar. são das mais diversas espécies. Desde os quase transparentes aos muito coloridos. O cheiro é que nã é nada agradável. Apanhamos um jerinxá que nos leva ao hotel (do outro lado da cidade). No Hotel King Kee (King Hee, mais tarde Macao Hotel e hotel Riviera)) encontramos o proprietário. Um gorducho de bom aspecto que nos arranja quartos e nos trata do transporte para a nossa visita pela cidade. O hotel é um edifício bastante espaçoso e a mesa de jantar é de primeira classe. De seeguida saímos para um passeio pela Praia Grande, um local bastante aprazível que fica junto ao mar.  a rua extende-se ao longo da baía repleta de frondosas árvores. Subimos depois à fortaleza de S. Francisco onde tirámos uma fotografia da cidade. Ali ao lado há um jardim muito bonitos. (Jardim de S. Francisco). No regresso ao hotel assistimos a um desfile de casamento. Era impossível ver a noiva e o noivo. Eram transportados em liteiras de grande porte mas todas cobertas por tecidos de cores berrantes. Quem os transportava vestia de vernelho. No cortejo também participavam crianças. Todos eles carregavam grandes sinais vermelhos, decorados com caracteres chineses em cor de ouro. Atrás seguiam os presentes dos noivos que  consistem em peças de mobiliário suficiente para mobiliar uma casa. Era um cenário digno de um romance. No regresso ao hotel jantámos muito bem. Saímos já noite, cada um no seu jerinxá para ver a cidade. Os rapazes que conduzem os jerinxás estão tão habituados aos turistas que, mesmo sem dizer nada, levam-nos a ver todos os pontos turísticos e trazem-nos de volta para o hotel novamente. Mas se for preciso também nos transportam para as casas de jogo ou para o cais dos vapores. Bingham (o colega que o acompanha na viagem) fez uma visita às ruínas da Igreja jesuíta de São Paulo, destruída em 1835 por um incêndio. A fachada é de granito e tem algumas esculturas e estátuas de bronze. Junto às ruínas fica um dos mais antigos fortes portugueses e ainda é utilizado. De lá tem-se uma vista magnífica. Os rapazes dos jerinxás levram-nos depois ao jardim e gruta de Camões, nome do distinto poeta português (1524-1580). É um jardim muito bem cuidado. Há flores, pequenos montes de pedra, graciosas árvores de bambu... Numa encosta encontramos debaixo de uma enorme pedra uma estátua e algumas inscrições de Luís de Camões. De regresso aos jerinxás somos levados por ruas movimentadas até um mercado. Ali vende-se de tudo um pouco. Aves, frutas, ovos e todos os tipos de iguarias chinesas. Porcos vivos são guardados dentro de uma rede de bambu trançado. Paramos junto a um portão onde se vêm muitas crianças. Lá dentro é uma fábrica de transformação de seda. Centenas de mulheres trabalham intensamente cad auma com uma bacia de água quente à frente e com os casulos de seda ao lado. Quando saímos um grupo de crianças queriam "cumsha" (um presente). Dali seguimos até a fronteira de Macau com a China, a Porta do Cerco. As estradas estão muito bem tratadas tornado o passeio agradável. No hotel conheci um senhor e a sua esposa, de Los Angeles. Também andam numa viagem pelo mundo. Depois do jantar, o Sr. Bingham, o cavalheiro de Los Angeles, o Sr. RN Gachwind, e eu fomos até uma das casas de jogo (fan-tan) para ver o que eles fazem lá. Há 19 desses lugares na cidade e rendem de impostos ao governo uma receita na ordem dos $100.000 em ouro todos os anos. 
Era assim Macau no início do século XX...

quinta-feira, 7 de março de 2013

O diário de Walter Richardson (1902): exclusivo Macau Antigo - 2ª parte


Tal como prometido no post anterior, aqui ficam os excertos inéditos do diário de Walter L.  Richardson cedidos pelo neto William T. Coyle. 
"My grandfather was born in 1872 in Waltham, Mass., USA, and died in 1956 in Porterville, California, USA. This is an unpublished piece (about 50 double-spaced pages) he wrote for his four children (one being my mother) close to the time he passed away. The diary excerpt I sent you is from his unpublished diaries (6 hand-written volumes) which I transcribed about 10 years ago." Bill Coyle

Hong Kong, China Wednesday, December 17, 1902: We breakfasted at eight o’clock this morning and then went out for a stroll while we were waiting for a chap here in the hotel to go out with us to buy some clothing, etc. We went down Queen’s Road with its arcade of shops the whole length of the street.  At a Chinese tailor shop I ordered a suit of clothes and took my bolt of silk down to have it made into two suits. These Chinese are quick, polite and good businessmen.  They are like the Indians in driving a good bargain. Some places have only one price and they will not come down.  I purchased a beautiful camphor wood box for $7.00, a little more than $2.50 gold. The money here is Mexico dollars mostly but there is a Hong Kong coinage and currency.  Some of the Chinese speak very good English but the Pidgin English is more generally understood. I bought a few small articles and then returned to the hotel for dinner. After lunch I went down to the Steam Ship N.D.L. Cos. office and got my ticket changed for another. I will go on the boat sailing on the 25th, Christmas Day. I ordered another suit of clothes at another place. I was amused at how the tailor took my measurements. He had a piece of paper like a ribbon and he took all the measurements upon it and doubled it up and bit a little piece out for each measurement. 
Hong Kong, China Thursday, December 18, 1902: It has been raining all the morning but in spite of the rain Mr. Bingham and I got out and went around town a little. The streets are arcaded in places or rather the sidewalks so that one does not get wet. We went down and found out the sailing of one of the Chinese steamers for Canton. This is a good comfortable boat that will take us for two dollars. We about made up our minds to go this evening but it looked so cloudy and rainy that we decided to go to Macao next morning if it did not rain. We took a long walk out towards Happy Valley where we looked at street life and amused ourselves till nearly teatime.  Hong Kong is an interesting place. The Chinese here are a pretty smart lot, they have rubbed against the Europeans so long. The men wear their large bamboo hats and palm leaf suits to keep the rain off.
Macao, China Friday, December 19, 1902: The hotel attendant called us early this morning as agreed and got our breakfast ready so that we might catch the 7 AM boat for Macao. We took two chairs down to the wharf and only reached there just in time. The morning was rather foggy and as good for getting views as we could wish.  The first stop that we made was at Seng Chau, a small but picturesque little fishing village on the next island to Hong Kong. Sampans came out to take some of the Chinese passengers off and bring others aboard. There was an incessant uproar.  It only takes a few excited people here to make a good deal of noise.  Women at the oars behind scull these little crafts as though their lives depended upon it.  Whole families are born and raised upon these boats and live and die there.  There is always a woman with large trousers at the helm. She gives orders and seems to run things to suit herself.  She cooks and does all of her work there as well as taking care of a family of children.  We are crossing the Pearl River. There are many barren mountainous islands that we pass among.  On these islands there appears to be no one living.  Junks are sailing about here and there and some pass quite close to us. As we got further out, the sea became a good deal rougher.  The wind was pretty strong and the little boat plunged a good deal.  I was quite sick for about a half an hour.  We are in sight of Macao now.  It looks very pretty.  The blue sea dotted with the brown matting sails of the junks and the white and buff-colored buildings among the green of the land makes a pretty picture. 
The small peninsula of Macao is a Portuguese colony.  The Portuguese occupied this place in 1622. (Nota: os estabelecimento dos portugueses em Macau é de 1554-57) It was given to them for the services they rendered in destroying the pirates that terrorized the population along the coast.  The Chinese government used to exact certain sums of money from the Portuguese up to 1848. Then the governor tried to stop this but was murdered.  Trouble followed and since then Portugal’s right to Macao has been maintained.  We go around to the other side of the city that we first see, between hundreds of junks and sampans and tie up to a little wharf.  It is a busy sight all along the water front. Here are large junks unloading all kinds of cargo.  Some of the junks are mounted with old iron cannons. These weapons are not as useful as they were once, but there are still pirates on this river. There are boats unloading fish, which they are drying. There are many kinds of fish displayed here. Some of them are almost transparent and delicately colored. The odor from this place is anything but pleasant.  We engaged jinrickshas to take us to the hotel.  
At King Kee’s Hotel  (Nota: King Hee hotel) we found the proprietor, a fat faced good-natured man of whom we engaged rooms and board for the day.  The hotel is a good roomy building and the table is first class.  We went for a walk along the promenade, Praia Grande that is lined with beautiful trees and is along the sea wall.  We went up around Fort San Francisco where we took a photograph of the city.  There is a very pretty garden near this fort. As we were returning there was a wedding procession. It was impossible to see the bride and groom. They were in large sedan chairs that were covered up. The bearers and all were decorated in red. There were children participating as well. They bore large red signs decorated in golden Chinese characters. Then came the presents consisting of pieces of furniture enough to furnish a house all borne by men. It was a novel sight.   
We had a very good dinner on our return to the hotel and afterwards we took a jinricksha each and went out to see the town. These ricksha boys are so used to tourists that without a question they will take you out to see all the sights and bring you back to the hotel again or if you get in one at night they will take you straight to a gambling house or in the morning to your boat. Mr. Bingham took a view of the ruins of the Jesuit Church of San Paulo, which was destroyed in 1835 by fire. The façade is of granite and has some carvings upon it and bronze statues in niches.  Just above this upon the hill there is one of the old Portuguese forts.  It is still in use and is a sightly place. 
We were next taken to the garden and grotto of Camões named for the distinguished Portuguese poet (1524-1580).  This is a beautifully kept garden and there are some nice flowers in bloom now.  Many large boulders add to the beauty of the scene.  Graceful bamboo and pretty foliated trees grow all about.  Upon the hillside and under a group of boulders there is a statue and some inscriptions to Luiz de Camões. Returning to our jinrikshas our boys took us down through some busy market streets. Streets and walks alike crowded with baskets of fowl, fruit, eggs and all manner of Chinese delicacies hanging from poles.  Here are live hogs with a bamboo net braided tightly over them.  We stopped at a gate where many children were gathered about. On going inside this proved to be a silk factory. There were hundreds of women here each sitting with a basin of hot water in front of her in which silk cocoons were popping up and down. The woman would delicately gather several ends, thread them through an eye, and fasten them upon a wheel that was revolving slowly behind her. They gave us some samples when we left.  At the gate we were beset by Chinese youngsters who all wanted cumsha (a present). 
...continua

terça-feira, 5 de março de 2013

O diário de Walter Richardson (1902): exclusivo Macau Antigo - 1ª parte

O norte-americano Walter L. Richardson (1872-1956) deu a volta ao mundo entre 1897 e 1903. Uma viagem que demorou seis anos.
Partiu com 25 e regressou com 31 anos. Em 1902 passou por Macau. A sua história está contada numa autobiografia repleta de fotografias intitulada "An Autobiography of Walter L. Richardson". Ficou pronta em 1954 mas nunca chegou a ser publicada. 'Descobri' o feito através do seu neto, William 'Bill' Coyle.
Desafiei-o a ceder aos leitores do Macau Antigo os excertos desse diário relacionados com Macau bem como as fotografias da época.
É isso que vão poder ver em exclusivo aqui no blog: excertos do diário escrito (e fotografias) em 1902 e o testemunho do seu neto Bill.
Para já fica o testemunho do neto...


My grandfather, Walter L. Richardson, authored the diary below and took the photographs of Macau during a brief visit over 100 years ago. This was one stop on an epic trip around the world in 1897-1903. The photos are reproduced from the original 4” x 5” glass plate negatives. About 600 were found in the basement of his ranch in Porterville, California, The negatives were scanned to create JPG files and were cleaned up in PhotoShop to remove the effects of chemical residue, dust and dirt accumulated over a century.
By present day standards, my grandfather’s journey was ambitious, foot-loose, and courageous. He was a young man of 25 when he embarked on his travels in September 1897, and 30 when he returned to his family in Pasadena in February 1903. His was a long journey, lasting almost 5 and a half years. Most of this time was spent in South Africa, where he worked as an electrical engineer in a gold mine in Roodepoort, just outside Johannesburg. Siemens, the still well known German company, owned the mine and was his employer. He witnessed various parts of the Boer War, including armed engagements, which began and ended during his time there. He spent the last six months traveling from Africa to Europe via the Suez Canal and then back through the Canal to Asia, with stops in Ceylon, India, Singapore, Borneo, the Philippines, Hong Kong, Macao, Canton, Shanghai, and Japan.
Perhaps the most interesting part of his journey was a three-month big game trip up the Pungue River in Mozambique. He was accompanied by two companions. Together, they demonstrated great self reliance in setting out on such a trip into unknown country, in their ability to fabricate and outfit two boats, in their skill with firearms, in their capacity to negotiate and work with the natives, and in their surviving in the African bush with primitive equipment. On this trip, they killed a variety of big game, including a hippopotamus. My grandfather contracted a fever, cutting short his hunting trip early; he was forced to spend a month convalescing in a Durban hospital. My grandfather was an aggressive traveler. When he traveled, he wanted to see and experience everything he could: the museums, the architecture, the art, the natural wonders, and the countryside. He cast an observant eye on the world around him including through the lens of a camera. Not war, illness, lack of easy transportation, or foreign language seemed to discourage his relentless curiosity.
I have compiled a photo book of his travels that can be reviewed at: http://www.blurb.com/my/book/detail/3429529-around-the-world-1897-1903


O Porto Interior em 1902 numa fotografia de Walter Richardson. Walter registou com muito detalhe a sua viagem de seis anos pelo mundo. No final reuniu as memórias em 50 páginas divididas em 7 volumes e ofereceu (em 1954) os exemplares aos 4 filhos pouco antes de morrer (1956). O registo, feito manualmente, foi depois transcrito pelo seu neto e é tornado publico pelo primeira vez aqui no blog Macau Antigo. Mais de 100 anos depois. Espero que gostem!