terça-feira, 20 de junho de 2023

Narrative of Voyages and Travels

"A narrative of voyages and travels in the northern and southern hemispheres: comprising three voyages round the world together with a voyage of survey and discovery in the Pacific Ocean and oriental islands" é o longo título do livro da autoria de Amasa Delano impresso em Boston no ano 1817.
Na obra de 593 páginas conta as memórias das múltiplas viagens marítimas que fez tendo passado várias vezes por Macau entre o final do século 18 e o início do século 19.
"Going on shore at Macao I found many friends whom Maj. Samuel Shaw had procured for me before he left Canton. They were the English, Dutch, Danish and Swedish supercargoes besides others. They remove from Canton to Macao every spring for the benefit of the wholesome sea air during the summer months They were there at my landing and one of them, Thomas Freeman Esq., who afterwards paid such respect to Proctor in the funeral, offered me a room with himself in his factory in a most friendly manner. I accepted of his polite invitation took a room with him and resided in his house about two weeks."
Amasa Delano (1763-1823) era natural de Massachusetts (EUA). Depois de servir no Exército durante a Revolução Americana, começou uma carreira como marinheiro, capitão de navio e construtor naval ocasional, juntamente com o irmão Samuel. Viria a fazer três viagens de circumnavegação.
A primeira viagem de Delano à China ocorreu abordo do Massachusetts, o navio americano de maior envergadura na época e que seria vendido à chegada a Whampoa (muito perto de Cantão) no Outono de 1790.
Sem meios para regressar aos EUA, Delano e o irmão assumiram um cargo em Whampoa, supervisionando as reparações de um navio pertencente à Companhia Dinamarquesa das Índias Orientais. Depois de terminar o trabalho, navegaram para Macau, onde o comodoro britânico John McClure, impressionado com as habilidades e a ambição do norte-americano de 27 anos, contratou Delano para fazer parte da tripulação do HMS Panther para uma expedição da Companhia das Índias Orientais no Pacífico Ocidental que começou em Abril de 1791. Regressaria a Macau a 1 de Janeiro de 1798
"During my stay at Macao the weather was generally fine a gentle breeze from the north and east Fahrenheit's thermometer from 62 to 79 and the marine barometer from 30 to 30 55. As a general rule the weather is good at Macao from March to the last of October. An exception is sometimes made by the Typhon which always happens at the shifting of the monsoon an event commonly falling in April or May and in September or October."
Após mais uma colheita bem-sucedida de peles de foca e venda e comércio lucrativos em Cantão, Delano regressa a Boston em Novembro de 1802 e prepara-se para outra viagem que começa no outono seguinte. Novamente carregado com peles de foca, o brigue Perseverance  (imagem acima) chega a Macau a 10 de Novembro de 1806. Regressaria a casa de forma definitiva em 1808. Morreria em 1823 com 60 anos.

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Tabella dos emolumentos: 1898

"Tendo me sido presente o projecto de tabella dos emolumentos para a secretaria geral do governo da província de Macau, formulado pelo respectivo governador, conforme o preceituado na portaria régia de 10 de setembro de 1896 e...
Considerando que os nº 1 a 10 da tabella proposta são os previstos na tabella I do codigo administrativo de 1842 em vigor no ultramar ainda com uma pequena reducção...
Considerando que as restantes verbas são cobradas em Macau ha bastantes annos sem a minima reclamação...
Tendo ouvido a junta consultiva do ultramar e o conselho de ministros 
Usando da auctorisação concedida pelo 1º do artigo 15 o do primeiro acto addicional á carta constitucional da monarchia 
Hei por bem decretar o seguinte:
Artigo 1º É approvada a tabella da cobrança dos emolumentos na secretaria geral do governo da provincia de Macau que faz parte d'este decreto e baixa assignada pelo ministro e secretario d'estado dos negocios da marinha e ultramar. 
Art 2º Fica revogada a legislação em contrário.
O mesmo ministro e secretario d estado assim o tenha entendido e faça executar
Paço em 22 de junho de 1898 - Rei - Francisco Felisberto Dias Costa"
in Colleção de decretos promulgados pelo Ministério dos Negócios da Marinha e Ultramar.

sábado, 17 de junho de 2023

"À primeira vista parece maravilha"

 

"Fazendas europeas, (...) gravatas, bonés e outros objectos raros, e curiosos (...) uma porção de papel praparado a Chimica com tinta própria para uso oridnário da escripta; que à primeira vista parece maravilha"
Era assim que neste "aviso" (Anúncio) publicado no Boletim Oficial em Junho de 1847, Bernardino de Senna Fernandes (1815-1893) dava a conhecer à população as mais recentes novidades de produtos para venda.
Nascido na freguesia de St. António a 20 de Maio de 1815, Bernardino é da terceira geração da família macaense Senna Fernandes. Considerado um dos mais ricos comerciantes do seu tempo, destacou-se ainda em áreas muito diversas. 
Em 1847 fez parte, como 1º sargento, da 1ª Companhia do Batalhão Provincial de Macau; comandante da Guarda da Polícia (1857), major honorário (1861), cônsul do Sião/Tailândia (1863), comendador da Ordem de Cristo (1865), comendador da Ordem do Elefante Branco (1867), cavaleiro da Ordem da Torre e Espada (1869), fidalgo-cavaleiro da Casa Real (1871), medalha de prata do mérito, filantropia e generosidade (1871), cônsul de Itália (1886). Foi ainda sócio fundador de Associação Promotora da Instrução dos Macaenses. 1º Barão de Senna Fernandes (1889), elevado a visconde (1890) e elevado a conde (em duas vidas) em 1893. 
Ainda em vida, um grupo de importantes comerciantes chineses decidiu erigir-lhe uma estátua de corpo inteiro que seria inaugurada em Março de 1871, num terreno ajardinado frente ao Monumento da Vitória, com uma legenda em letras de bronze: 
"Esta Estátua foi mandada erigir por Lu-Cheo-Chi, Cham-Hau-in, Ho-Liu-Vong e outros Negociantes Chineses de Macau Em Testemunho de Amizade e Gratidão". 
A estátua seria transferida para a denominada vivenda Caravela na Avenida da República,  quando a família Senna Fernandes ali construiu uma residência. A estátua seria retirada do jardim desta moradia (na década de 1960) que passou a ser uma residencial e foi oferecida ao governo que a mandou colocar no jardim do então Museu Luís de Camões (no jardim homónimo), actualmente sede da Fundação Oriente em Macau. 
(imagem ao lado)

quinta-feira, 15 de junho de 2023

Acessos à nova ponte Macau-Taipa: década 1970

Com a inauguração da Ponte Macau-Taipa (Gov. Nobre de Carvalho) em Outubro de 1974 foi preciso antecipadamente proceder a algumas alterações nas rodovias de acesso. Neste pormenor de uma planta de ca. 1970 podem ver-se algumas das novas configurações, nomeadamente a rotunda em redor do Monumento/Estátua do Gov. Ferreira do Amaral, frente ao Hotel Lisboa e acesso principal à ponte do lado da cidade de Macau.
Nesta altura o casino/hotel Lisboa só tinha pronta a primeira fase. A imagem acima é de ca. 1975. Em 1º plano o edifício do Liceu. Atrás a nova configuração da rotunda Ferreira do Amaral com a estátua ao meio.
 

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Motos da Polícia de Macau: década 1940

 

Nesta foto publicada na revista nº 9 da PSP em Portugal podem ver-se dois agentes da polícia em Macau na década de 1940.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Carta de 1848

Carta enviada de Paris a 9 de Maio de 1848 (carimbo a vermelho) pela Société de L'Océanie  - sociedade de missões cristãs criada em 1845 (carimbo a azul) - através da "Mala das Índias". É dirigida ao comandante do navio de três mastros "Stella del Mare" (embarcação italiana) e ao cuidado do cônsul de França em Macau.
Inclui também um carimbo "Hong Kong 1848" (verso) e na parte da frente um carimbo a vermelho "P.P", que significa "Pay to Port", ou seja, pago até ao porto do destino.
Nesta época os representantes consulares eram ao mesmo tempo comerciantes, os negociantes de maior importância. Em 1848 o cônsul francês em Macau era Gernaert que tinha as mesma funções em Cantão.

domingo, 11 de junho de 2023

Cidade do Santo Nome de Deus de Macau / Cidade do nome de Deus do porto de Macau

14 de Março
Macau 
Poucos sabem que o nome por inteiro d'esta nossa provincia ultramarina é Santo Nome de Deus de Macáu. Desejaramos que alguem de lá nos dissesse a derivação. (...)
25 de Maio
Santo Nome de Deus de Macáu
Pergunta-se a pag 140 do Almanach de 1859 qual será a origem d'esta palavra. Eu respondo. No anno de 1557 forão os portuguezes de Lampassau a Macáu em quatro navios seus. Repartiram entre si o terreno, edificaram casas e igrejas procuraram mulheres para suas consortes e chamaram logo ao novo estabelecimento Povoação do nome de Deus do porto de Macau. Em 1583 estabeleceram os macaenses o governo municipal, crearam uma guarda de segurança publica e chamaram á sua povoação Cidade do nome de Deus do porto de Macau.
Tudo foi approvado pelo Vice Rei de Goa, o conde da Villa de Orta. Em 1623, a pedido dos moradores de Macáu foi nomeado pelo Vice Rei da India, Conde da Vidigueira, o primeiro governador de Macáu, D. Francisco Mascarenhas. É uma de nossas importantes provincias ultramarinas. A.C."
in Almanach de lembranças Luso-Brazileiro, Lisboa, 1860
PS: Na edição de 1861 o Almanaque publicaria um artigo sobre "O Grande Templo de Macau", o Templo de A-Ama, na Barra.

sábado, 10 de junho de 2023

Gruta de Camões: aguarelas de 1794

Para este post seleccionei duas aguarelas da Gruta de Camões feitas no mesmo ano, 1794. São da autoria William Gomm e Henry William Parish. Os dois fizeram parte da primeira missão diplomática e comercial de Inglaterra ao império celeste. Embora não fossem os 'artistas' oficiais da missão, um era militar (Parish) e o outro diplomata (Gomm), tinham aptidões para o desenho e produziram inúmeros trabalhos ao longo da viagem. 
"A Rock in Camoes Garden: drawn from Nature marked F in the Plan & computed 350 Tons weight. / H. W. Parish Royal Artillery."
Henry William Parish, para além de militar era um desenhador exímio. Desenhou ainda uma planta detalhada do jardim de Camões - daí a legenda acima - e vários mapas e plantas de locais por onde a missão passou. Fez desenhos 'técnicos' da Muralha da China, por exemplo.
"View in Camoens' Garden at Macao: March 1794 / W. Gomm" 

A 26 de Setembro de 1792 uma missão liderada pelo conde George Macartney (1737–1806) partiu de Portsmouth, Inglaterra, para a China. A missão, patrocinada financeiramente pela Companhia das Índias Orientais, foi decidida pelo rei George III com o objectivo de se encontrar com o imperador chinês Qianlong por ocasião de seu 80º aniversário. A missão era composta por mais de 100 membros, incluindo o braço direito de Earl Macartney, George Staunton, o secretário oficial, o seu filho adolescente Thomas Staunton, o controlador John Barrow, dois médicos Hugh Gillan e William Scott, os desenhadores/pintores William Alexander, Thomas Hickey, o presidente da Royal Society Joseph Banks, um grupo de cientistas liderados por James Dinwiddie, e quatro padres católicos chineses que serviram como intérpretes. 
O esquadrão foi inicialmente composto por três navios, Lion, Hindostan e Jackall, a que se juntou o Clarence na Batávia e o East Indiaman Endeavour no Mar Amarelo. Após quase 11 meses de viagem. Nove meses depois, em Junho de 1793 a missão chegou a Macau de onde partiu para Pequim onde chegou a 21 de Agosto e foi recebida em audiência pelo imperador Qianlong a 14 de Setembro desse ano.
Sugestão de leitura:
"An Historical Account of the Embassy to the Emperor of China", da autoria de Sir George Staunton, publicado em Londres em 1797 e que inclui a ilustração acima da "Cave of Camoens":

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Gruta de Camões: "curiosidade natural" e "sítio histórico"

"Há em Macau uma curiosidade natural e ao mesmo tempo sitio histórico, de mui subido apreço. É a gruta de Camões onde o príncipe dos poetas portuguezes, inspirado pelo amor da pátria, compôz alguns cantos ou deu os últimos traços no seu poema sublime os Lusíadas, com que glorificou Portugal e se immortalisou a si próprio. É formada esta gruta por grandes rochedos com duas entradas divididas por um penedo de figura cónica no qual descança a parte superior da rocha. Sobre a gruta está um esbelto pavilhão ou mirante d'onde se descobre em dilatado horisonte a bahia e a cidade de Macau e parte do porto da Taipa ou Typa, sempre animado por uma immensidade de navios europeus e barcos chinezes. Acha-se esta gruta em um quintal particular. O seu actual proprietario, o snr. Lourenço Marques mandou ha pouco fazer em Lisboa um busto em bronze do grande poeta para ser collocado n'aquella célebre lapa. Foi feito o modelo pelo snr Bordallo Pinheiro e os trabalhos de fundição foram executados nas officinas do arsenal do exercito pelo snr. Felisberto José Pereira. Está feito o busto com bastante perfeição. Tem de peso 49 kilogrammas."
in Diccionário Universal de Educação e Ensino, 1886
Foto década 1920/30

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Antes e Depois: troço final da Rua/Av. da Praia Grande

Início do século XX (em cima) e versus início do século XXI (em baixo)
Troço final da Rua/Avenida (desde a década 1980) da Praia Grande: 
ao fundo o cruzamento de acesso à Rua do Campo

quarta-feira, 7 de junho de 2023

"Cadeiras" no Campo de S. Francisco

Notícia publicada na edição de 15.10.1863 do jornal "Ta-Ssi-Yang-Kuo: semanario macaense d'interesses publicos locaes, litterario e noticioso" sobre a colocação de "cadeiras no campo de S. Francisco em todas as tardes de música".
O campo de S. Francisco era uma vasta área plana onde viria a surgir o Jardim de S. Francisco - o primeiro jardim público do território - e o coreto onde as bandas militares tocavam. Mas antes disso acontecer, esses espectáculos ocorriam a céu aberto num terreno descampado, daí a necessidade de criar condições para ali serem colocadas "cadeiras" nos dias de concertos. 
Nests pintura do início do séc. 19 assinalei o Campo de S. Francisco

O programa acima referido é do Verão de 1863 - publicado no Boletim Oficial - e diz respeito à "Banda de Música do Batalhão de Macao".

terça-feira, 6 de junho de 2023

Comício em 1909 nos Paços do Concelho

(...)
A 29 de Abril de 1909 o director do jornal Vida Nova, Luiz Nolasco, fazia publicar uma "circular convocatória" destinada aos habitantes de Macau para que comparecessem a 1 de Maio de 1909 no Leal Senado "a affirmar os vossos direitos e a formular as vossas reclamações" em prol do "torrão portuguez" e pela "salvação da Leal Cidade de Macau".
Pedro Nolasco da Silva e Manuel da Silva Mendes, duas das personalidades mais importantes da sociedade macaense na época, foram alguns dos oradores. No jornal pode ler-se: "O sr. dr. Manuel da Silva Mendes, que empolgou a audiência com a sua voz sonora e argumentação cerrada (...)" 
Da comunidade chinesa o orador principal foi Sio-tang, "um dos maiores capitalistas chinas de Macau".

segunda-feira, 5 de junho de 2023

L'Empire Chinois Illustré

Macao, en Chinois Gaou-Moon, occupe une partie de l'île de Heang- Shan. Les Portugais vinrent s'y installer vers l'année 1537, et ils s'y sont maintenus depuis cette époque en payant au trésor du céleste empire une rente de 500 taels par année. Des mandarins délégués pour cet objet ont l'inspection des forteresses Portugaises, et perçoivent des droits sur les navires qui visitent le port. Aux termes d'un édit impérial, le nombre des navires Portugais autorisés à visiter le port de Macao, ne doit pas être de plus de vingt- cinq navires par année, mais rarement il atteint la moitié de ce nombre. Le pouvoir impérial est représenté à Macao par un sous-préfet qui réside à Casa-blanca, et un Tso-Tang qui habite dans la ville. Il serait absurde de supposer que les Portugais aient la souveraineté de cette île, ou même de Macao. Le seul droit dont jouisse la couronne de Portugal, c'est de gouverner ses sujets d'après les lois du royaume ; cependant les Portugais ont à Macao un gouverneur, un sénat, des juges. Toute la population Chinoise est sous la surveillance de la police Chinoise, qui connait des délits commis par les Chinois, et exige même des autorités Portugaises qu'elles ne punissent leurs justiciables qu'après en avoir conféré avec elle.
Le Praya Grande, Macao

La péninsule de Macao est formée de deux collines stériles et très-accidentées, unies l'une à l'antre par une langue de terre sur laquelle est bâtie la ville. Les maisons de Macao, élégantes et proprettes, sont bâties en briques et en pierres, recouvertes d'une couche blanche. Auprès de la baie, est une belle promenade, appelée Praya Grand Les rues sont mal pavées et beaucoup d'entre elles sont fort étroites comme dans toutes les villes Portugaises du monde. La ville est défendue par cinq forts, qui seraient imprennables, s'ils étaient bien approvisionnés. La population de Macao est d'environ trente-cinq mille âmes, dont cinq mille Portugais; encore ceux-ci se marient-ils tous les jours avec des Chinoises. 
Macao compte treize églises. Ce lieu est célèbre pour le séjour qu'y fit le fameux Camoëns; on y voit une caverne qui lui servit de retraite, et dans laquelle il écrivit la plus grande partie de son poëme de la Lucîade. L'île est également remarquable par le temple de la déesse Matsoo- Poo, qui est situé dans le village d'Ama- Ko. Ce temple doit son origine à un simple matelot qui aborda dans l'île dans une jonque Chinoise, après avoir quitté la province de Fokien où la déesse Matsoo-Poo est adorée. Il avait à bord de son navire la statue de la déesse . La jonque ayant fait naufrage en vue de l'ile, le matelot étreignit de ces deux bras la statue de la déesse, qui le conduisit à terre sain et sauf. Dans sa recon naissance, il deposa la déesse sur le rocher d'Ama-Ko et lui bâtit une petite cabane. À quelque temps de là, un astronome fameux dans les sciences occultes apprit à l'empereur Teënke, que dans la province de Kwang-ton il y avait un lac rempli de perles précieuses; l'empereur envoya aussitôt un mandarin de confiance à la recherche du lac, et celui-ci passant une nuit près du rocher d'Ama-Ko, s'endormit dans le lieu même où le matelot avait déposé la statue de la déesse. Alors notre mandarin vit en rêve la déesse, qui lui apprit que le lac aux perles se trouvait à Hopoo, dans le Keaou chow. Il se leva matin, et se dirigea en toute hâte vers le lieu indiqué , où il trouva, ainsi qu'il lui avait été enseigné, des perles de la plus riche espèce. En reconnaisance de cette découverte, il bâtit un temple à la déesse. Il y a environ douze ans que ce temple, dégradé par le temps, tombait en ruines, lorsque les marchands du Fo-kien se réunirent et donnèrent une somme considérable pour élever un nouveau temple à leur déesse favorite. L'édifice qui fut construit est le temple actuel; il se compose de plusieurs bâtimens, dont l'un est dédié à la déesse Kyanin, le second à la Bienveillance Universelle, et le troisième à la déesse Matsoo-Poo. Des bâtimens qui sont attenants, servent de demeures aux prêtres qui desservent le temple. La religion indigène de la Chine est un systême de polythéisme, qui a une grande ressemblance avec les théogonies de l'Egypte et de la Grèce. Les régions du firmament, là terre, et les eaux sont placées séparément sous la protection d'une divinité spéciale, qui a une autorité exclusive sur ces domaines. Les collines et les montagnes, les fleuves et les ruisseaux ont chacun un protecteur invisible, que le laboureur Chinois adore, et auquel il demande la fécondité pour son champ. Les dieux de la terre sont également un objet de grande vénération pour les habitants des campagnes; à certaines époques de l'année, leur autels sont chargés de fruits qu'y déposent la reconnaissance et la piété de l'homme des champs. Ces divinités, contrairement à l'idée des Chinois en matiére de gouvernement, ne subissent le controle d'aucune divinité supérieure; chacun d'eux agit, comme il lui plaît, dans la sphère qui lui est propre. Le Chinois, qui ne saurait comprendre qu'un royaume ou une famille put être administré autrement que par une volonté unique, ne saurait admettre dans sa religion que toutes les transformations du monde visible et invisible, leur corrélation entr'elles, leur harmonie, soient le fait d'un seul principe. Ces différentes divinités ont des temples, des autels, des niches, ornés de sculptures et de tableaux ; et les offrandes qu'on leur apporte consistent en viande, en légumes, en fruits. (...)
Macao, vu des Forts à Heang- Shan

Il existe à Macao un de ces temples, appelé le vieux templet, également très remarquable. Une avenue charmante, bordée de collines couvertes d'arbres au feuillage d'un vert magnifique, vous y conduit. Le temple est enseveli au milieu de bouquets d'arbres, de façon qu'on arrive à quelques pas de l'édifice sans l'avoir aperçu. En face se dressent deux grands mâts sur lesquels flotte l'étendard impérial ; un escalier dont les degrés sont taillés dans des pierres monumentales, couvertes d'inscrip tions et de noms, vous conduit dans le saint lieu. Il n'est pas d'endroit dans tout l'empire, où ce qui constitue un paysage Chinois soit concentré dans un plus petit espace . Des arbres verdoyans qui ont leurs racines dans les rochers, un petit enclos dont l'air solitaire et la propreté rappellent les cimetières des pays protestants; un mur déchiré dans quelques endroits, recouvert dans d'autres d'un épais tapis de mousse; une balustrade richement ornée, et couvertes d'instruments de musique et d'instruments aratoires habilement sculptés, sont les principaux objets qui frappent vos regards. Dans un groupe est représenté un enfant assis sur un quadrupède d'une espèce inconnue; il est accompagné par des hommes vénérables et suivi de deux femmes qui portent des ombrelles, tandisque Satan, le front orné de cornes menaçantes, prend la fuite. Plus loin est un autre groupe représentant la dédicace du temple. Un toit, richement orné, et entièrement de porcelaine, supporte une jonque, sur laquelle l'artiste a sculpté différentes scènes nationales. Au-dessous d'une magnifique corniche sont deux panneaux de forme oblongue, encadrés dans une bordure en pierre rouge. Le plus élevé contient des bas-reliefs qui représentent des figures grotesques; le plus bas est couvert de maximes tirées des écrits du grand fondateur de la secte des idolâtres au-dessous de cette tablette s'ouvre une fenêtre large et circulaire qui a été taillée dans la pierre avec beaucoup de soin. 
Le dessein de la façade de l'édifice se compose d'une division centrale et de deux divisions latérales, separées les unes des autres par des pilastres couverts d'inscriptions et de différens ornemens. Chaque division est percée par une fenêtre carrée, d'une large dimension, et ornée de sculptures dont le travail est parfait. Il semble en examinant ce travail dans son ensemble, que l'architecte ait eu pour but d'établir la supériorité de l'industrie et de la perséverance sur le génie inculte. À l'exception de ce temple et de quelques autres édifices, Macao, où florissait autrefois un si grand commerce, où l'Espagne, si fière et si haute dans les temps passés, était obligée de saluer le pavillon de sa rivale, ne présente plus que le spectacle d'une ville délabrée et tombant en ruines. La Pria, ou la Praya Grande, est encore un specimen vivant de cet ancien théâtre de la grandeur du commerce Portugais. Vue de la mer, cette promenade offre un coup-d'œil magnifique. Une rangée de belles maisons qui s'allonge en forme de croissant, suit les contours gracieux de la baie. C'est là que s'élèvent le palais du gouverneur Portugais, la factorie Anglaise, et la douane que l'on reconnait au pavillon impérial. À l'extrémité de ce qu'on appelle le grande rue , est bâti le sénat, édifice qui ne se recommande à l'attention que par ses dimensions gigantesques.

Excertos de "L'Empire Chinois Illustré", texto de Clément Pellé e ilustrações de Thomas Allom. Publicado em 1845.

domingo, 4 de junho de 2023

Diminuição da taxa mensal das "tavernas": 1847

Assinado pelo governador João Maria Ferreira do Amaral, este Edital de Julho de 1847 anula um anterior em que as tavernas estavam obrigadas ao pagamento de uma de "taxa de doze patacas mensaes" passando a pagar "duas patacas por mez em vez de doze".
Na época esta e outras actividades que mais tarde seriam da competência do Leal SEnado, ainda faziam parte das competências do governador. Como o tema suscitou dúvida na época, houve necessidade de um esclarecimento pelo Paço em Belém (rainha) em Fevereiro de 1846.
No artigo 28 do Regulamento do Corpo da Polícia (de 1869) pode ler-se: "Cumpre ás patrulhas vigiar que nas tavernas e casas de bebidas espirituosas e nos lugares de reunião publica não hajam desordens nem arruidos prendendo aquelles que resistirem ao aviso ou os que recusem obedecer-lhes ."

sábado, 3 de junho de 2023

Postal ilustrado "Area Preta" visto ao detalhe

Postal ilustrado "Area Preta - Bathing Beaches" (praias para banhos) editado em Hong Kong, entre os últimos anos do século 19 e os primeiros anos do século 20, com um erro tipográfico: "Area Preta" em vez de "Areia Preta".
À direita a enseada/praia da Areia Preta, uma das mais belas praias de Macau até à década de 1920 (quando se realizaram aterros na zona) segundo relatos coevos.
Em 1º plano pode ver-se a Estrada da Bela Vista e ao fundo, frente ao edifícios, a Estrada da Areia Preta. As estradas e a fortaleza ainda existem...
Do lado esquerdo do postal, em cima, vista parcial da Fortaleza de Mong-Ha (corpo principal construído em 1849 - obras posteriores entre 1864 e 1866), e mais abaixo, vista parcial da denominada Montanha Russa. Num dos vários miradouros podem ver-se uma ou duas pessoas sentadas.
As construções em colmo, do lado direito em 1º plano e também ao fundo, eram as chamadas 'barracas de banho".

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Portugal, ilhas adjacentes, coloniais e sua distribuição geographica

"Planispherio indicando Portugal, ilhas adjacentes, colonias e paizes de immigração portugueza".  

Organizado por Ernesto de Vasconcellos e Miranda Diniz. - Paris: Aillaud & Bertrand, Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves. Edição ca. 1920.

quinta-feira, 1 de junho de 2023

O Atlas de Francisco Rodrigues

Conservado na Biblioteca da Assembleia Nacional Francesa e conhecido como “O Livro de Francisco Rodrigues” é o primeiro Atlas da História Moderna relativo ao sudeste asiático. Datado de 1511-1515 é da autoria do piloto e cartógrafo português Francisco Rodrigues que andou pelas imediações do que viria a ser Macau nesta época.
Folio 37

Luis Keil, no livro de 1933, "Jorge Álvares, o primeiro português que foi à China" refere Francisco Rodrigues...
"(...) João de Barros, o nosso grande historiador do Oriente, na sua Década III, livro VI e cap. II, refere-se a Jorge Alvares e ao padrão que êle levantara, embora não declare ter sido êle o pri¬ meiro que fôra à China. Antecipa, porém, a sua ida de um ano à de Rafael Perestrelo2. A correlação entre a passagem da carta de Jorge de Albu¬ querque e o texto da Década de João de Barros, completa e aclara o conhecimento exacto do feito. Assim podemos hoje saber definitivamente, que o primeiro português que, em nome do Rei de Portugal, desembarcou na China foi Jorge Alvares, localisando o lugar do levantamento do padrão com as armas do Reino, testemunho dessa missão, muito perto do pôrto de Tamau (Ta-raang), a dezoito quilómetros de Cantão, e estabelecendo a data da sua chegada ali, em Junho de 1513'. A história deve conservar êste nome a par dos de Rafael Perestrelo, de Fernão Péres de Andrade e do infeliz embaixador Tomé Pires, boticário do infante D. Afonso. Foram as cartas de Malaca, a que já me referi, recebidas, sem dúvida, pelo rei português depois do meado do ano de 1614, ou ainda outras que se perderam, que decidiram D. Manuel a mandar «assentar a China», dando provisão dela a Fernão Peres de Andrade e enviando uma armada especial em Abril de 1515. Rafael Perestrelo, só depois da chegada a Malaca de Jorge Álvares partiu para Cantão, seguramente na monção de 1516. Por lá se demorou, e, não voltando no tempo normal da monção de regresso, julgaram os de Malaca que estivesse prêso com os seus companheiros Èste facto provocou a ida antecipada de Fernao Péres de Andrade que, chegando tarde a Malaca, logo partiu para a China, mas teve que retroceder por ser adiantada demais a monção de 1516. De volta a Malaca encontrou ali Rafael Perestrelo que vinha muito rico da China Nada mais direi da expedição de Fernão Péres, da de seu irmão e da de Martinho de Melo Coutinho. A história já muito falou nelas. E Jorge Alvares? Quando voltou a Malaca?
Jorge Alvares, parece ter voltado à China depois da sua vinda de Cantão; não encontro, porém, outra referência senão em 1517, quando, num junco, se avista, nas águas da China, com Fernão Péres e o avisa do estado precário em que se encontrava a fortaleza de Malaca. Num dos anos seguintes, 1519, vemo-lo em Tamau juntamente com Jorge Botelho, Álvaro Fuzeiro e Francisco Rodrigues na esquadra de Simão de Andrade. Jorge Alvares deve ter-se sepaparado de Simâo de Andrade e voltado a Malaca, pois em 1620 combate contra o rei de Bintão nas cercanias da cidade, no sítio chamado do Págo, e, depois, na ribeira de Muár, comandando um lanchara'. A viagem da China seduzia-o...
Na monção de 1521, torna a partir para Cantão e, perto dali, encontra Diogo Calvo e Francisco Rodrigues nos seus juncos. Mas os tempos eram adversos aos portugueses. Simâo de Andrade, com as exacões e as temeridades, exasperava os sentimentos dos chineses e comprometera a boa obra encetada por seu irmão Fernâo Péres e por Jorge de Mascarenhas. Os chineses atacam os navios dos portugueses e a situação, havendo-se complicado, torna-se verdadeiramente critica. Jorge Alvares, que assumira o comando dos navios, está muito doente. O junco de Francisco Rodrigues é saqueado. Em 27 de Junho chega Duarte Coelho com dois navios, mas as circunstâncias não se modificam. Jorge Alvares morre nos braços do seu grande amigo Duarte Coelho, na tarde do dia 8 de Julho de 1521. (...)