quarta-feira, 12 de setembro de 2018

The Great Ship from Amacon / O Grande Navio de Amacau


The Great Ship from Amacon: Annals of Macao and the Old Japan Trade, 1555-1640, de C. R. Boxer. 
Edição: Centro de Estudos Históricos Ultramarinos, Lisboa, 1959.
Estudo de Charles Boxer sobre a história económica do Japão e suas relações com Macau. Inclui a transcrição de numerosos documentos.

Houve uma segunda edição poucos anos depois, em 1963. E ainda em 1988 pelo ICM e em 1989 (versão portuguesa por Manuel Vilarinho) pela Fundação Oriente/Museu e Centro de Estudos Marítimos).
Charles Boxer (1904-2000), foi doutor "honoris causa" pelas mais prestigiadas universidades do mundo e o historiador estrangeiro que mais escreveu sobre os Descobrimentos portugueses. Sem qualquer título académico, começou a carreira de investigador apenas aos 43 anos, já depois de deixar o exército com o posto de major. Publicou livros entre 1926 e 1984.
Em 1988 Charles Boxer estava no território para ser homenageado pelo governador e deu uma entrevista à Revista Macau (nº 12) onde disse que gostaria de morrer em Macau:
“Quando vi Macau pela primeira vez, em 1933, era uma ‘vila pacata’, talvez como uma terra portuguesa semi adormecida no Alto Alentejo, onde muita gente vinha para descansar. Agora, não posso deixar de sentir uma certa nostalgia desse tempo embora saiba que as coisas não podem parar. […] Gostava muito de poder fazer como George Chinnery e morrer aqui, mas nunca fiquei em Macau mais do 10 ou 15 dias seguidos. A curta duração das minhas visitas foi compensada pelas inúmeras vezes que cá tenho vindo e como Macau é bastante pequena deu para ficar a conhecer a cidade bastante bem.”
Curiosamente o seu primeiro trabalho sobre Macau foi escrito em 1926 - "O 24 de Junho, uma façanha dos portugueses" - quando ainda nem tinha ido a Macau. Tinha o posto de tenente e sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa. Este trabalho foi feito originalmente em inglês e seria publicado (a primeira parte) em português logo em Setembro desse ano na edição nº 15 do Boletim Geral das Colónias.
Em baixo o Ex Libris de Charles Boxer.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Descrição da Cidade de Macau por Marco d'Avalo (1638)

Alguns excertos da “Descrição da cidade de MACAOU ou MACCAUW, com as suas fortalezas, peças, negocio e costumes dos habitantes”, escrita por Marco D'Avalo, italiano, em 1638, com apenas oito páginas, tornadas públicas pela primeira vez em 1645 na obra impressa em Amesterdão "Begin ende Voortgangh van de Vereenighde Nederlantsche geochtroyeerde Oost-Indische Compagnie" e incluída por Charles Boxer no livro Macau na Época da Restauração / Macao Three Hundred Years Ago.
Gravura feita por holandeses reproduzida no livro "Begin ende Voortgangh", de 1646, onde se inclui o relato de Marco D'avalo, de que só se conhece o nome e a nacionalidade italiana. Vê-se a Porta do Cerco, igrejas e fortificações. Curiosa, também, a representação da Igreja Mater Dei.
"A cidade de Maccaou ou Maccauw está situada em uma das pequenas ilhas ao longo da costa do excessivamente rico império da China a 20,5 graus de latitude norte. ainda que chamada de ilha encontra-se tão próxima do continente que se pode atravessar a pé por uma pequena tira de terra entre a ilha e a costa chinesa existe uma muralha de  pedra com uma porta. (...) Esta ilha foi oferecida ou garantida aos portugueses pelos mandarins de Canton a fim de que pudessem aí edificar uma cidade, pois que eles primitivamente residiam na ilha de Hanpehoao (Lampacao). (...)
A dita cidade é cercada de fortes muralhas e baluartes e tem três montanhas com fortalezas nos cimos, situadas à maneira d eum triângulo. O principal e mais forte destes castelos é chamado De São Paulo (...) tem 34 canhões todos de bronze o mais pequeno dos quais dispara uma bala de ferro com peso de 34 libras.
Chama-se o segundo dos fortes Nostra Seignora de la Penna de Francia, porque tem dentro uma ermida com este nome. Está guarnecido com «6 pequenas peças, de 6 a 8 libras de balla (...) Desta Hermida descobre o mar da parte de Oeste, e tem hua peça de bronze de seis libras invocada N. Snr.ª de Penha, e correndo a ilha da parte de sudoeste a largo de tiro de peça está a Fortaleza da Barra. (...)
Baluarte de Santiago de la Barra, por onde os navios passam e que é muito bom e forte dando a aparência de ser por si uma pequena cidade quando visto à distância devido às grandes construções e aquartelamento existentes no seu circuito. Existe um reduto no tôpo da montanha que serve de refúgio, aonde há 16 peças pesadas 4 das quais têm bôcas largas para tiros de pedras, enquanto as restantes são de calibre para bala de ferro de 24 libras. Dentro dêste referido baluarte há um outro baluarte mais alto, provido de seis canhões, como os referidos, que têm um alcance muito longo.(...)
Todos os navios e juncos que desejam entrar esta barra ou pôrto têm necessariamente que passar dentro de 3 ou 4 alabardas de distância do forte [c. 6-7 metros] porque os portugueses bloquearam a restante parte do canal a fim de protegerem melhor o local. (...) O capitão deste baluarte é nomeado directamente pelo rei ou em seu nome e o capitão geral da cidade não pode substitui-lo por outro, excepto em caso de negligência manifesta ou então, provisoriamente até que seja recebida a aprovação do Rei.” (...)
Deste último forte recebe a cidade aviso dos navios que se avistam no mar, quer venham do Norte ou do Sul, do Japão ou de Manila, para entrar no seu porto. Logo que se avista qualquer , toca-se o sino na montanha e, segundo as maneiras como for tocado, indica de qual lado eles aparecem. (...)

A cidade de Macau tem cinco conventos dos quais 4 são de frades e 1 de freiras. (...) Há também 3 paróquias.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Sabia que...

... o que se conhece hoje por Biblioteca Chinesa (inaugurada em 1948) está num edifício que já existia e foi construído para outro fim? 
O espaço original foi projectado por Chan Kun Pui em 1921 e começou por ser salão de chá/café e sala de jogos e não tinha dois 'pisos' fechados como se pode verificar na imagem de cima. Na primeira versão, tinha um terraço. A estrutura foi alterada quando o edifício foi transformado em biblioteca da Associação Comercial de Macau. Foi o Ho Yin, na altura vice-presidente da Associação Comercial de Macau que comprou o espaço e o transformou em biblioteca. É conhecido em chinês por Pak Kok Ting.

domingo, 9 de setembro de 2018

"Macau Souvenir": 1938

"Macau Souvenir" é o título de uma pequena brochura (19cmx13,5cm) publicada em 1938 pela Comissão de Turismo (impressa na tipografia Mercantil). Tem 23 páginas com cerca de 20 imagens do território com legendas em português, inglês e chinês.

sábado, 8 de setembro de 2018

Blick auf den Hafen von Macao por Oswald Lübeck

Blick auf den Hafen von Macao / Vista do Porto de Macau
Foto de Oswald Lübeck (1883-1935). Ca. 1910
Nas primeiras décadas do século este alemão viajou como fotógrafo 'oficial' da empresa de navegação marítima Hamburg-America Line (fundada em 1847) tendo feito pelo menos 4 viagens em grandes navios de cruzeiro (Viktoria Luise, Vaterland, Cleveland, Imperator, etc)  um pouco por todo o mundo. Nesse âmbito passou por inúmeros países, incluindo Portugal (Madeira), Japão, China, Hong Kong e Macau, onde esteve em 1911/1912. No território registou para a posteridade várias imagens de que neste post apresento algumas. A primeira é uma vista parcial da baía da Praia Grande vendo-se ao fundo a Ermida da Penha e parte do hotel Boa Vista. A segunda foi tirada no topo da escadaria que dá acesso à fachada das ruínas de S. Paulo.
 Blick über die Stadt Macao zur Bucht
Vista sobre a cidade de Macau para a baía
(Neste caso, o Porto interior e a China ao fundo)
Cartaz da época alusivo aos cruzeiros à volta do mundo e o Viktoria Luise




sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Gazeta dos Caminhos de Ferro: 1904 e 1954

Em 1954, na edição nº 1600 (16.8.1954), a Gazeta dos Caminhos de Ferro - revista quinzenal fundada em 1888 - reproduzia uma notícia publicada naquele órgão 50 anos antes (16.8.1904). Intitula-se "Carta de Macau - Caminhos de ferro - Luz Electrica - O Atrazo da Colónia". É assinada por C. e diz respeito à 'febre' do caminho de ferro na China com alusões a um projecto de ligação ferroviária entre Macau e a China, falado ao longo de várias décadas mas que nunca se concretizou.
Macau, 15 de Junho - Em boa hora tomei o encargo de enviar-lhes d'aqui algumas noticias. Habitualmente nada ha que mereça referencia. Tudo se reduz a um funcionário que chegou, a outro que partiu, ou a alguma mesquinha intriga d'estas que nos incitam o ânimo a nós, que não tendo muito em que nos entretenhamos, mas que para ahi nenhuma importância merecem. D'esta feita, porém, e por isso dou graças aos deuses, tenho um fartote de notícias de sensação. Por toda a China lavra uma febre de caminhos de ferro que parece epidémica. A tradicional inércia chineza parece ter desaparecido. Vão vendo. (...) Até nós, na nossa pacatíssima colónia, fomos atacados do prurido da viação acelerada e fala-se de estudar nada mais nada menos do que uma linha férrea de Macau a Cantão. (...)

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

“Úi di Galánti”, o doce linguajar de Carlos Coelho

“Néu-Néu” morreu no passado mês de Janeiro, mas nem por isso deixa de influenciar a comunidade macaense. Os textos que ficaram na memória dos macaenses foram recolhidos pelo Instituto Internacional de Macau e vão ser publicados para que o patuá não morra. O lançamento do livro “Úi di Galánti” acontece a 12 de Setembro, dia em que o actor faria 65 anos.
Foi no passado dia 19 de Janeiro que o professor e actor macaense Carlos Coelho morreu. O patuá ficou sem o seu “Néu-Néu”, um dos que mais preservaram este crioulo de base portuguesa. Para a posteridade ficaram os textos publicados pelo actor no Facebook e também os artigos publicados no portal do Partido Comes e Bebes, um grupo dedicado a manter a comunicação entre os portugueses de Macau. Para que não se percam na volatilidade da internet, o Instituto Internacional de Macau (IIM) recolheu os melhores escritos de Carlos Coelho e vai agora publicá-los num livro intitulado “Úi di Galánti”, que em português significa “muito extraordinário”. Esta compilação de textos de Carlos Coelho é lançada no Jardim de infância D. José da Costa Nunes, pelas 18 horas do dia 12 de Setembro, aproveitando o dia em que o homenageado faria 65 anos. Além do lançamento do livro, haverá ainda tempo para a visualização de um vídeo onde foram seleccionados alguns dos melhores momentos teatrais de “Néu-Néu”, recolhidos durante a sua participação em espectáculos da companhia Dóci Papiaçám di Macau. (...)
No livro agora editado com o apoio da Fundação Macau vão constar textos, todos eles em patuá, com algumas das tiradas mais memoráveis de Carlos Coelho, contando com o jargão menos próprio utilizado muitas vezes em ambiente descontraído entre a comunidade macaense, explica o responsável do IIM. “Será um reflexo do patuá entre os macaenses”, sublinha. Aqui, é também o crioulo macaense de base portuguesa que está em causa: “Este livro é também uma maneira de manter o patuá vivo. O público-alvo são as pessoas que ainda dominam o patuá, mas também queremos dar a conhecer o seu ‘doce linguajar’ a quem não o conhece. Queremos manter viva essa identidade”.
Nascido em Macau em 1953, Carlos Coelho, que era conhecido por ser um dos poucos falantes fluentes do patuá em Macau, fazia questão de o utilizar no dia-a-dia. Notabilizou-se também como professor do ensino básico e como membro de várias organizações macaenses, promovendo, ao longo da vida, encontros entre a comunidade macaense. Como actor, Carlos Coelho trabalhou no grupo “Dóci Papiaçam di Macau” durante a década de 1990. (...)
in Ponto Final, 4.9.2018

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Remembering Ljungstedt, father of sinology in Sweden

Born in 1759 into a poor family in southern Sweden, Anders Ljungstedt moved to Guangzhou in 1798 at the age of 39 to work in the China trade. After making a fortune, he wrote the first history of Macao, where he spent the last 20 years of his life.He moved to Macao in 1815 where he spent his remaining years and never returned to Sweden.
In Macao, he worked as a merchant and writer. In 1820 the King of Sweden appointed him as the countrys first consul-general in China and awarded him the Order of Vasa. He began to develop an interest in history, the field in which he left his greatest legacy.  He spoke and read English, French, Dutch and Spanish as well as Swedish, and spoke Cantonese and Mandarin but could not read Chinese easily. In Macao, he learnt Portuguese, to the point that he could read old documents and write letters in the language.
In 1832, Ljungstedt published 'An Historical Sketch of the Portuguese Settlements in China and of the Roman Catholic Church and Mission in China & Description of the City of Canton', the first comprehensive history of Macao. How he did it?
He became friend of a Portuguese priest named Dom Joaquim de Sousa Saraiva, who had arrived in Macao in 1804, with the intention of going to Beijing to serve as an assistant to the Bishop of Beijing. But he could not go because of the persecution of the church, and instead remained in Macao for the rest of his life as a professor at St Josephs Seminary. Saraiva collected many documents from the Macao Archives in order to write the history of Macao. However, he decided in the end to let Ljungstedt write the book in place of him. In the preface, Ljungstedt acknowledged his debt to his Portuguese friend.
 Índice da edição de 1836 do "Historical Sketch..."
The book was published in English in Macao in 1832. On November 10, 1835, he died there, alone. In 1836, James Munroe, a publishing house in Boston, brought out a collection of his works. In 1992, a new edition appeared by Viking Publications of Hong Kong, edited by Bengt Johansson, who was then the Swedish consul there. A Chinese edition appeared in 1997.
By writting Macau's first history book, Macao became internationally known. One of the most controversial statements in Ljungstedts book was that, based on historical documents, Macao had always been Chinese territory and that the Emperor had never given it to Portugal. For this, he was fiercely attacked by Portuguese historians, who insisted that the Emperor had ceded the territory to Lisbon. History proved Ljungstedt to be correct.
Anders Ljungstedt is buried in the Protestant cemetery in Macao. He is also remembered in a large secondary school, named after him, which he established in his native Linkoping. In Macau there is also a street named after him.
Ljungstedt also had a Chinese name (Long Si Tai. Long means dragon, a symbol of China, Si means thinking and Tai means peaceful.)

Em 2016 o jornalista e investigador João Guedes referiu-se assim a este historiador sueco no jornal O Clarim:
«Sendo um dos mais importantes, se não mesmo o mais importante elemento da comunidade comercial sueca por estas paragens, Ljungstedt não se limitava às suas actividades comerciais, pois mantinha relações de carácter político e de representação do seu país junto, não só das autoridades portuguesas, mas também das influentes comunidades inglesa e americana que exerciam actividades no Delta do Rio das Pérolas», disse a’O CLARIM o jornalista e investigador João Guedes.
«Neste âmbito, e ao que parece a pedido dos comerciantes americanos, iniciou um projecto destinado a estabelecer a legitimidade histórica da presença portuguesa em Macau. Para esse efeito, Ljungstedt contou com o precioso auxílio do bispo de Pequim, D. Joaquim de Sousa Saraiva», prelado que «escalou em Macau, em 1805, com destino à diocese de Pequim».
«As autoridades imperiais da China, no entanto, impediram que tomasse posse do cargo, pelo que teve de ficar a aguardar alguns anos em Macau [até ter] autorização imperial para o efeito. Durante esse período D. Joaquim dedicou-se a recolher e estudar os manuscritas que se encontravam nos arquivos da diocese macaense com o intuito de, tal como Ljungstedt, fazer uma história de Macau», explicou João Guedes.
«Diga-se, entretanto, que ambos estabeleceram relações de interesse mútuo pelo passado local, o que levou a que o bispo português acabasse por facultar, e provavelmente traduzir para Inglês, muita da documentação que tinha coligido e que facultou a Ljungstedt», continuou.
D. Joaquim chegaria a concluir a tarefa em que se empenhara, por «nunca ter publicado a sua almejada história de Macau». Ljungstedt, por seu turno, «publicaria um profundo estudo sobre a cidade, baseado nos manuscritos de D. Joaquim», que «acabaria por se constituir como a primeira história do Território».
«Este estudo viria a ser dado ao prelo em Boston, nos Estados Unidos, em 1836, com o título “An Historical Sketch of the Portuguese Settlements in China and the Roman Catholic Church and Missions in China & Description of the City of Canton”», recordou, acrescentando que «Ljungstedt viria a ser acusado de tentar, com aquela obra, minar a presença portuguesa em Macau, ao concluir pela inexistência de provas documentais sobre a alegada oferta de Macau a Portugal pela China em troca do auxílio na luta contra os piratas».
Excerto da edição
"Thopographical description
Macao is situated 22 deg 11 min 30 sec north latitude and 11 deg 32 min 30 sec east of Greenwich on a rocky peninsula renowned long before the Portqguese settled on it for its safe harbor; then by foreign writers denominated Ama-ngao, port of Ama in reference to an idol temple near the Bar Fort, the goddess of which is called Ama. In 1583 the Portuguese gave it the name "Porto de nome de Deos" and "Porto de Amacao" the etymology of Macao. Later it was also called Cidade do nome de Deos do porto Macao" at present it is "Cidade do Santo Nome de Deos de Macao". "
Sugestão de leitura:
“Anders Ljungstedt och breven från Kina”, em português, “Anders Ljungstedt e as Cartas da China", editado em 2015 pela Fundação Macau.
O livro tem 20 capítulos que cobrem parte da vida pessoal entre 1798 e 1835, nomeadamente a partida de Linköping para a Rússia e, posteriormente, da Suécia para Cantão e, mais tarde, para Macau. Ao longo destes anos, as suas funções foram mudando, tendo passado de Agente Comercial na Companhia Sueca da Índia Oriental para a seu último posto como Cônsul-Geral de Suécia na China. O livro original foi escrito em sueco e é de autoria de Harry Hellberg, antigo director da Escola Secundária Anders Ljungstedt de Linköping.
A tradução do livro para chinês é da autoria de Wang Mengda, a primeira estudiosa visitante da China no Museu Municipal de Goteborg, na Suécia.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Hotel Bela Vista: memories of a grande dame

"It is a magical place, it is a mythological place. It is somewhere which one cannot believe does not have a fantastic legend to its name, where you feel the presence of Bogart … or Bacall … or Loretta Young, or Hemingway …” Those were the words of French philosopher Bernard-Henri Lévy, who stayed at Macau’s Hotel Bela Vista in 1968.
The yellow-and-white building on Penha Hill has seen its share of fantastic times since William Clarke - the British captain and commander of the Heungshan steamer that travelled between Macau and Hong Kong - and his wife Catherine decided to open Macau’s first Western-style luxury hotel. They chose the three-story neoclassical building and called it the Boa Vista (Portuguese for “good view”).
Opened on July 1, 1890, it also had direct access to the beach, “hot, cold, shower and seawater baths, large and ventilated dining, billiards, reading room” and a “well supplied bar”. The hotel attracted a number of famous guests but revolutionary currents swirled through China and in November 1899, with hardly any customers, Clarke sold the hotel to the Hong Kong, Canton and Macao Steamer Company for 15,000 patacas.
The hotel later reopened under new management but police shut it down due to illegal gambling activities. From 1917 to 1923, it housed a school and Portuguese poet Camilo Pessanha was one of the teachers.
On December 23, 1936, the hotel reopened with a new name, Bela Vista (“beautiful view”), but, in the wake of the Sino-Japanese War, it was used instead to accommodate some of the thousands of refugees from Hong Kong and the mainland. After the war, Allied soldiers rested there.
In the early 1950s, the Bela Vista became famous for lavish balls that attracted hundreds of wealthy socialites and expatriates from Hong Kong and Macau. In 1967, Adrião Pinto Marques became the hotel manager. A fan of Napoleon, he decorated the site with memorabilia of the French leader. Pinto Marques, who was also known for lying on a chair on the verandah for hours at a time, died in 1985 and his son took over.
The hotel, with its “magical” setting and East-meets-West atmosphere, became a popular location for films and TV shows such as Around the World in 80 Days and Return to Paradise.
By the end of the 1980s, when the hotel was deteriorating, the Macau government declared the Bela Vista a historic monument.
After a major restoration, it reopened in 1992 as a boutique hotel, with a décor resembling that of a traditional Portuguese mansion with eight rooms.
Seven years later, as Macau was preparing to return to Chinese rule, the hotel bid its final guests farewell in a series of lavish parties and The Last Bela Vista Ball arranged by Hong Kong party host Ted Marr.
“Five hundred people, who have each spent HK$2,200, will dance until dawn observing the dress code, ‘black tie, gorgeous in gold or Walking on Sunshine’, the last a tribute to the song without which no Ted Marr event is complete”, reported the South China Morning Post at the time.
By the end of 1999, the Bela Vista was converted to the residence of Portugal’s consul for Macau and Hong Kong, which it remains today.
Article by João Botas for "Destination Macau" magazine (Hong Kong) March/April 2015.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Monte e Farol da Guia: foto e quadro de Marciano Baptista

Em cima o monte da guia com o farol numa imagem publicado em 1898 no Jornal Único
Em baixo o monte da guia e respectivo farol num desenho a lápis de Marciano Baptista
 

domingo, 2 de setembro de 2018

Macau (2) vs Hong Kong (1): Taça Spalding, 1968

Torneio Interport de Hóquei Macau-Hong Kong, Taça "Spalding" em 1968, tendo a equipa de Macau ganho por 2-1.
Legenda (esq. p/ dta.) - de cócoras: José Santos Ferreira, António Zeferino Souza, Herculano Ribeiro, Manuel "Gito" Jesus e Jorge Silva.

De pé: Luís Cunha, José "Zeca" Tavares, Alberto "Manga" Ritchie, Telmo Martins, Armando "Bíchim" da Silva, Amadeu Cordeiro, Álvaro Silva, Frederico "Dico" Cordeiro, Fernando Nascimento, Armando Ritchie e Rogério Couto.
Armando Sales Ritchie, que cedeu a imagem, recorda: "Na época havia anualmente um Interport entre Selecções de Macau e HK. Disputava a Taça "Spalding". O evento acontecia em cidades alternadas, e o vencedor do ano, detinha a taça até a próxima disputa no ano seguinte. Os resultados eram marcados ao redor da base da taça. Era o maior acontecimento desportivo do ano. A Caixa Escolar ficava totalmente lotada".

sábado, 1 de setembro de 2018

1.º Périplo aéreo do Império Colonial Português

4.º Cachet emitido pela S.I.C.
Comemorativo do 1.º Périplo aéreo do Império Colonial Português, feito pelos aviadores, Tenente Humberto da Cruz, piloto e 1.º Sargento Gonçalves Lobato, mecânico.
Vôo Macau – Goa – 27/11/934

Fourth Cachet issued by the S.I.C.
Commemorating the first intrepid aerial circumnavigation of the Portuguese Colonial Empire, by the fliers Lieutenant Humberto da Cruz, pilot, and air mechanic Gonçalves Lobato
Macau – Goa Flight – 27/11/934
O avião Dilly de regresso a Portugal, partiu do campo da Areia Preta (hipódromo) com destino a Goa, via Hanói, Bangkok, Akyab (Birmânia), Allahabad (Índia), tendo aterrado em Goa a 1 de Dezembro de 1934. Mais sobre esta aventura aqui.
Segundo o piloto: "Quási na hora da largada foram-nos entregues dois pacotes de cem cartas, cada, com envelopes especiais e devidamente selados. Um, dirigido a Gôa e, o outro , a Lisboa. alguém tivera a feliz ideia de aproveitar o avião para dar um início experimental ao correio entre colónias e entre Macau e a Metrópole…
Em cada um dos pacotes vinham duas cartas para os tripulantes do «Dilly» e , assim, em Gôa e em Lisboa, tivemos a satisfação de receber, quási à nossa chegada, cartas de Macau que nos eram dirigidas e que nós tínhamos trazido. Os envelopes ficarão, pelos seus dizeres e pelos seus gráficos e desenhos, não faltando a barra nacional verde-vermelha, a atestar para sempre, na posse dos colecionadores, êsse primeiro transporte de correio aéreo feito por um avião português". 
Nota: Imagens do 3º e 4º cachet, mas existiram outras. Cachet significa nesta caso selo, característica, uma marca distintiva... S.I.C. é a sigla de Sociedade Internacional de Coleccionadores. Era o primeiro correio aéreo a saír de Macau...

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Companhia de Artilharia: diligência na Taipa em 1931

Documento militar que atesta uma "diligência na Taipa" à Companhia de Artilharia onde um soldado - António Duque - recebeu tratamento a uma cárie dentária a 9 de Outubro de 1931. O documento é assinado pelo comandante da unidade.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Núcleo museológico da Santa Casa

Macau tem actualmente mais de duas dezenas de museus. Entre eles figura o da Santa Casa, porventura o mais pequeno em tamanho, mas não em importância, já que a SCMM é uma das instituições mais antigas do território (1569).
O Núcleo Museológico da Santa Casa foi inaugurado em 2001. Fica na Travessa da Misericórdia, em pleno centro histórico, junto ao edifício da sede da SCM de Macau (Largo do Senado) e classificado como Património da Humanidade pela UNESCO em 2005. Contém uma colecção de relíquias católicas de valor incalculável, com peças que datam do século XVI e que testemunham o percurso da cultura ocidental introduzida na China através de Macau. 
A maior parte das peças em exposição foram gentilmente cedidas pelos Irmãos da Santa Casa.

 Peças de porcelana com o símbolo dos Jesuítas (JHS)
e o livro do "Compromisso" de 1662

O acervo é constituído principalmente por objectos de arte religiosa que serviam de suporte à actividade litúrgica, imagens e esculturas para exposição em altares, bem como outras peças acumuladas ao longo dos séculos com natural destaque para o manuscrito original do Compromisso da Santa Casa da Misericórdia de Macau datado de 1662.
A invulgar colecção de porcelana e de cerâmica chinesa, japonesa e europeia, exibindo o monograma da Companhia de Jesus, revela um misto artístico-religioso único e representativo da herança multicultural de Macau. 
Destaque ainda para peças como a caveira do D. Belchior Carneiro e a Cruz com que foi sepultado; o retrato a óleo de corpo inteiro do D. Belchior Carneiro (séc. XVIII) e o sino de bronze do antigo Hospital S. Rafael, que sucedeu ao hospital da SCM, no século XVI.
Entre as peças de Arte Sacra realce para: estátua do Sagrado Coração de Jesus (produção local do início séc. XIX); estátuas de Nossa Senhora da Anunciação e do Cristo Crucificado (em marfim de produção indo-portuguesa séc. XVIII); e os vários exemplares de porcelana e de cerâmica chinesa, japonesa e europeia com o monograma da Companhia de Jesus.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Tufão em Setembro de 1906

O vapor Tak Hing, de Cantão, afectado pelo tufão a 18 Setembro 1906

O tufão de 18 de Setembro de 1906 afectou sobretudo Hong Kong, sendo considerado então o segundo mais mortífero de sempre. Pelo menos 10 mil pessoas morreram  e dezenas de barcos foram destruídos. A intempérie que tb se fez sentir em Macau afectou as ligações marítimas entre os dois territórios já que várias embarcações acabariam destruídas/afundadas registando-se centenas de mortes.
Dois dos vapores registados em Macau, o Heungshan, foi desviado para Sau-Chau, perto da ilha de Lantau, com 500 passageiros a bordo. Só teve socorro no dia seguinte tendo morrido alguns passageiros. O Kinshan  embateu no fundo do rio junto a Castle Peak e o Perseverance, conseguiu que todos os passageiros saíssem em Chung Chow, mas acabaria por afundar-se no regresso aMacau

terça-feira, 28 de agosto de 2018

100º aniversário do nascimento do Padre Benjamin Videira Pires

”Discreto e avesso ao protagonismo, o Padre Benjamin Videira Pires revelava a sua faceta intelectual quando escrevia", destaca Beatriz Basto da Silva.
O 100º aniversário do nascimento do Padre Benjamin Videira Pires foi assinalado na sexta-feira pelo Instituto Internacional de Macau com uma palestra proferida por Beatriz Basto da Silva, tendo a historiadora recordado a vasta obra deixada pelo missionário que é apontado como uma das figuras mais marcantes da vida cultural de Macau, na segunda metade do século XX.
“Deixou livros, deixou intervenções em revistas académicas, em jornais, em boletins técnicos de história, em boletins de instituições. Fez muitas palestras e muitas conferências e internacionalmente representou Portugal. A sua obra é vasta nesse sentido, mas sempre sobre um assunto pequeno. Ele nunca visou as obras de conjunto, nunca visou a interpretação global da presença de Portugal no Oriente”, afirmou a historiadora à Rádio Macau.
Segundo Beatriz Basto da Silva, o Padre Benjamin Videira Pires “sedimentou aspectos dessa presença, aprofundando e estudando muito a fundo determinados aspectos”, dando o exemplo do foro do chão. “Um pagamento exigido pela China para sermos autorizados a permanecer em Macau sem qualquer outra licença que não fosse pagando a nossa estadia. Era um aluguer de terreno, não era uma posse”.
A historiadora salientou ainda que o missionário aprendeu chinês “para poder entender melhor as pessoas e para poder penetrar na cultura chinesa tanto quanto lhe fosse possível”.
“Podemos dizer que foi um intelectual. Simplesmente não tinha um perfil humano de intelectual, e isso às vezes parece que não cabe na figura dele. Porque era uma pessoa discreta, silenciosa, falava pouco, quando falava correcto, mas não procurava protagonismo. Portanto, não se revelava na sua faceta intelectual, a não ser quando escrevia. Como nem toda a gente lê, nem toda a gente conhece a imagem dele”, acrescentou.
Artigo publicado no JTM de 11.1.2016. Foto do IIM

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Almirante Gago Coutinho: emissão filatélica de 1972

 
 Carimbo de 24.7.1972
A primeira travessia aérea do Atlântico Sul foi concluída por Gago Coutinho e Sacadura Cabral em 1922, no âmbito das comemorações do Primeiro Centenário da Independência do Brasil.
Em 1972 assinalou-se os 50º desse feito, em Macau, com uma emissão filatélica especial.
Incluía um envelope com carimbo do 1.º Dia de Circulação e selo comemorativo de 5 patacas que retrata a amaragem do hidroavião “Santa Cruz “ no Rio de Janeiro, em frente às ilhas das Enxadas, nas águas da Baía de Guanabara no dia 17 de Junho de 1922. 
Foi ainda editado um um postal ilustrado com a fotografia do Almirante Gago Coutinho e um selo de 20 avos (imagens acima) emitido em 1969, no centenário do nascimento do almirante.

domingo, 26 de agosto de 2018

Porta de saída dos evadidos da China popular

Edição nº 1506 de "O Século Ilustrado" em 1966 que inclui um artigo sobre os chineses que fugindo da China procuravam refúgio em Macau. Apesar do título - "porta de saída" - Macau era, ao contrário, uma porta de entrada o que representava uma "saída" para todos os que na China passavam fome. Já o tinha sido outras vezes antes e viria a sê-lo a posteriori, não só porto de abrigo para os refugiados oriundos da China mas também de outras paragens do sul da Ásia.
Na imagem obtida a partir do Farol da Guia ("Vista panorâmica da costa de Macau") pode ver-ser a baía da Praia Grande e a entrada para o Porto Interior.
Numa outra fotografia surge a legenda: "Evadidos da China formam bicha à porta de refúgio para eles montado em Macau por ordem dos jesuítas". O espaço parece ser a actual Escola Ricci.

O SI era o suplemento semanal do jornal diário O Século

sábado, 25 de agosto de 2018

Produtos filatélicos vendidos antes de tempo...

No início da década de 1910 a polémica em torno da venda de produtos postais emitidos propositadamente para Macau mas que eram postos a circular mesmo antes de chegar ao território, causou uma acesa discussão entre o responsável dos Correios de Macau e a Repartição das Colónias em Portugal.
A 20 de Março de 1912 o Director dos Correios de Macau remete o ofício n.º 135/12 para a 3.ª Repartição da Direcção Geral das Colónias enviando 4 sobrescritos franquiados com selos de Macau sem a sobrecarga “Republica” da Casa da Moeda criada por Decreto de 20 de Abril de 1911. No ofício explica que na vizinha colónia inglesa de Hong Kong estavam a ser comercializados a preços bastante elevados aquele tipo de selos não sabendo ele onde foram adquiridos, visto que ainda não tinham sido postos em circulação em Macau e nem tão pouco chegado, aquele tipo de selos, à Repartição de Fazenda de Macau. Mais informa que da Rússia, Hungria e outros países, têm-lhe sido enviadas cartas pré-franquiadas com esses selos, com a solicitação que fossem carimbadas e feitas circular de Macau para esses destinos. Conclui informando que não satisfez os pedidos presumindo que fossem falsificações.
A 23 de Março de 1912 por ofício n.º 143/12 dirigida à mesma 3.ª Repartição o mesmo Director volta a reclamar sobre a situação...
Exm.º Snr. Engenheiro Chefe da 3.ª Repartição da Direcção Geral das Colonias
Em aditamento ao meu offício n.º 135/12 de 20 do corrente cumpre-me enviar a V. Ex.ª um novo pedido feito por carta dirigida pelo Sr. A. Berdoz residente em Modu-Suissa, afim de serem aqui consideradas e devolvidas as formulas de franquia que remette. Devo dizer a V. Ex.ª que, á excepção do selo de 2 avos affixado n’um dos bilhetes postaes, todas as outras formulas de franquia estão sendo consideradas por esta Direcção como sendo falsificadas visto que aqui ainda não foram postas à venda ao publico, nem existem na caixa do thesouro d’esta provinciao. Os objectos contendo estes sellos e os cartões postais e bilhetes com a sobrecarga “Republica” recebidos ou encontrados nos receptáculos postaes d’esta província estão sendo expedidos multados em virtude de ainda não terem sido postas á venda estas formulas de franquia e se suppor que as estejam falsificando, sendo consideradas como já innutilizadas.
"
A 3.ª Repartição da Direcção Geral do Ultramar responde pelo ofício n.º 300/5857912 de 22 de Abril de 1912, informando que a Direcção dos Correios de Macau não pode deixar de aceitar esses selos, nem multar as cartas e inteiros postais, pois eles foram emitidos segundo um decreto governamental que o director não poderia desconhecer. O director acata as ordens mas não deixa de contestar e faz um novo Ofício n.º 237/12 de 16 de Maio. 
“Sobre o assunto do officio n.º 300/585/912 datado da 2.ª Secção de 22 d’Abril findo, permitta-me V. Ex.ª que exponha o seguinte:
Devo primeiro logar dizer a V. Ex.ª que a partir desta data determinei que fossem cumpridas as ordens a que allude o referido offício, não sendo de futuro multadas as correspondências que trouxerem sellos com a sobrecarga “Republica” ou ainda outras fórmulas de franquia com a mesma sobrecarga, muito embora nunca tivessem existido à venda nos correios de Macau para onde exclusivamente ellas se destinam.
Passando a expor o assumpto, devo dizer a V. Ex.ª que se torna maxima conveniência que sejam adoptadas providencias afim de todas as formulas de franquia que puzerem à venda na Casa da Moeda em Lisboa, e que sejam para circulação n’esta província, não sejam alli vendidas antes de serem mandadas para esta província.
Porvindo o valor e existência das formulas de franquia da sua applicação na transmissão da correspondência nas Administrações Postaes a que dizem respeito, ellas nenhum valor teem, pelo menos, se não chegarem a circular nas referidas Administrações postaes, o que se pode dar se se esgotarem as suas emissões e se tenham de fazer outras de emissões diversas, caso que parece susceptível de se dar no actual momento pela circulação de novos sellos do regime republicano.
Alguns colleccionadores teem-se admirado de na Casa da Moeda venderem sellos e mais fórmulas de franquia, adeantando-se alguns a dizerem que os compradores teem sido enganados pelo Governo Portuguez, porque as formulas de franquia que lhes venderam são falsas visto que não existem nas respectivas Administrações postaes.
É grave e urge providencias immediatas, quando demais se me affigura não haver necessidade de estas formulas de franquia deixarem de ser enviadas para esta província.
Devo ainda dizer que não ignorava que na Casa da Moeda em Lisboa se vendessem formulas de franquia privativas das Colónias, mas o que nunca suppuz foi que ellas fossem vendidas ali antes de serem enviadas para as respectivas Colónias, motivo porque determinei que fossem multadas as correspondências nestas condições."
A troca de argumentos continua e este ofício será respondido pela Direcção Geral das Colónias com o ofício n.º 445/585/912 de 8 de Junho de 1912 onde informa que os elementos essenciais para que as repartições de correio coloniais passassem a conhecer a validade ou não das fórmulas de franquia, independentemente de as já terem ou não à venda nas estações postais, eram os diplomas que autorizam as emissões ou sobrecargas, assim como os espécimes que a Direcção Geral das Colónias distribuía juntamente com as circulares da Secretaria Internacional de Berna. Diz ainda que com estes documentos as Repartições dos Correios estavam habilitadas a esclarecer o público sobre a validade das fórmulas de franquia que aparecessem afixadas nas correspondências, ainda que tais fórmulas não tivessem sido postas à venda nas colónias, embora já se tivesse iniciado a sua venda na Casa da Moeda.
Curiosamente não se faz qualquer referência à publicação das normas nos Boletins Oficiais das Colónias. No caso de Macau só em finais de Setembro de 1912 é que chegaram os selos sobrecarregados com “Republica” pela Casa da Moeda (imagem acima, à esq.).
Nota: texto elaborado a partir de um trabalho de investigação de Elder Correia, autor do blog A Mala Posta.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Carta dirigida ao imperador Yongzhen por D. João V em 1725

Como rei, D. João V tentou projectar Portugal como uma potência de primeira grandeza, principalmente nas primeiras décadas do reinado. Exemplos disso são as faustosas embaixadas que por motivos vários enviou ao imperador Leopoldo I em 1708, a Luís XIV da França em 1715, ao papa Clemente XI em 1716, ou ainda ao Imperador da China em 1725.
Em cima a reprodução da carta de 29 de Março de 1725 que está no Arquivo Histórico da China. Informações adicionais sobre o tema aqui.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Transporte de um canhão...


A 6 de Janeiro de 1913 teve início a construção de um abrigo e bateria na Colina da Guia. Já antes tinha havido e depois voltaram a ser construídos abrigos, subterrâneos e baterias . Às duas primeiras foi dado o nome de «5 de Outubro» que depois passou a «Almirante Gago Coutinho e Sacadura Cabral» sem perder o nome inicial, por ocasião da viagem aérea ao Brasil." 
O facto é assinalado pela revista “Illustração Portugueza” na edição de 12 de Janeiro de 1914 onde é publicada uma imagem com a seguinte legenda: “A companhia europeia de artilharia depois do transporte d´um canhão do Fortim da Bahia para o abrigo da colina da «Guia» sob a direcção do tenente d´artilharia sr. Farinha e Relvas no que foram empregados apenas 37 homens.”  Deve ser uma referência apenas ao número de militares já que o número de pessoas que surgem na fotografia é superior...
Este fortim da Bahia era nada mais nada menos que o fortim de S. Pedro (ficava junto ao Palácio do Governo e foi demolido em 1934). A peça de artilharia foi pois transferida para a Guia onde tinham sido construídas duas posições para a artilharia que constituíram a “Bateria 5 de Outubro”, na época do início da República e em virtude da grande agitação que passava pela China.