domingo, 3 de maio de 2009
sábado, 2 de maio de 2009
Deolinda da Conceição: 1914-1957
Em Macau (década de 1940) recém-chegada de Hong Kong onde viveu num campo de refugiados durante a Guerra do Pacífico.
Num almoço no Hotel Riviera... à sua direita, Luis Gonzaga Gomes, colunista do NM, escritor, historiador, editor e director do museu de camões; à esquerda, Herman Machado Monteiro, o proprietário do Notícias de Macau
(...) Na senda aberta pelo desaparecimento de “A Voz de Macau”, com a morte do seu proprietário e director, esse republicano ferrenho e democrata de gema, Capitão Domingos Gregório da Rosa Duque, surgiu a 25 de Agosto de 1947, o “Notícias de Macau”, fundado por Hermman Machado Monteiro, também figura marcante de republicano e democrata, esse português de lei, que nasceu eu Celorico de Basto e adoptou Macau como sua segunda terra natal. Aqui viveu a maior parte da sua vida. Aqui amou, sofreu e lutou, sempre de olhar fito na Bandeira verde-rubra, no engrandecimento da Pátria distante e no desenvolvimento económico desta terra. E aqui deixou os seus ossos, sonhando sempre no regresso do Sol da Liberdade e da Democracia. E morreu sem ter a suprema consolação de raiar a Alvorada de Abril.Não é sem emoção que recordo os vinte e oito anos vividos naquele velho casarão da Calçado do Tronco Velho – hoje demolido e substituído por um moderno edifício multi-pisos, denominado “Edifício Dr. Caetano Soares” – onde funcionavam a Direcção, Administração, Redacção e Oficinas do jornal de Hermman Machado Monteiro. E hoje, funciona o “Jornal de Macau”, dirigido pelo colega João Fernandes. Em “O Pós de um Prefácio”, no livro de contos “Cheong Sam” (“A Cabaia”) de Deolinda da Conceição, sua Mãe, reeditado em 1979 (23 anos após o aparecimento da primeira edição, em Lisboa) estampou António Conceição Júnior estas palavras que valem bem uma legenda.“... O velho casarão da Calçada do Tronco Velho, que alojava o Notícias de Macau, ameaça ruína. Já no teu tempo o sobrado devia ranger. Porém, tu, Luís Gomes, Cassiano da Fonseca, Hermman Machado Monteiro, Rosa Duque, Patrício Guterres, meu Pai, o velho tipógrafo Jacob, defrontavam, quotidianamente, nocturnamente, em máquinas anacrónicas, a aventura de um diário. Hoje, as tábuas já não rangem. Usa-se betão armado...” (fim da citação)Tantos lustros volvidos, lembro-me, com profunda saudade, desses vinte e oito anos (1947-1975). E, ao lançar um olhar retrospectivo pela senda percorrida, na vida daquele diário de expressão portuguesa, como jornalista sem canudo nem carteira profissional, apagado e quase anónimo, perpassam pela minha retina, numa sequência sucessiva de imagens, como no desenrolar de um filme cinematográfico, caras amigas daqueles camaradas de trabalho que, ao longo desses anos, foram tombando, um a um, a meio da jornada. E também daqueles que, felizmente, estão vivos, alguns deles aqui presentes.A evocação dessas sombras que passam, dariam um livro de memórias. Por hoje limito-me a evocar a nossa homenageada desta tarde.
Excertos de um texto de Patrício Guterres escrito em 1987 por ocasião do 30º aniversário do falecimento de Deolinda da Conceoção e publicado na Gazeta Macaense.
Introduction to Deolinda da Conceição
By Professor David Brookshaw Bristol University
Deolinda da Conceição was a woman both of her times and in advance of her times. Born in Macau in 1914, as a young woman she experienced the hardships and perils of the War of the Pacific: in 1941, she was caught up in the Japanese occupation of Hong Kong, where she was working as a teacher and translator, later went to Shanghai with her first husband, where she was interned in a concentration camp before being released and returning to Macau alone, by this time a divorcee with two young children. After the end of the war, she worked as a journalist on the territory’s main newspaper, Notícias de Macau, writing the women’s page, as well as literary and art reviews. But it was in the pages of the newspaper that she also wrote “crónicas” (chronicles), a popular genre widespread in the press of the Portuguese-speaking world given its focus on a moral theme or contemporary issue, illustrated by the narration of an incident drawn from everyday life. She also wrote longer fiction and essays. In 1948, she married her fellow journalist and long-time friend, António Conceição, by whom she had her third son in 1951. She was the lone female voice among a group of Macanese intellectuals which emerged after the austere war years and flourished during the 1950s. Macau at this time was still a small, provincial city, and its society highly conservative, and one can imagine that Deolinda, a divorced woman, and a writer into the bargain, would have stood out as a dangerously free spirit, much as she would have done, it must be said, if she had lived in Portugal during the same period.Her short stories, some of which had already appeared in the press, were published as a collection in Portugal in 1956, under the title Cheong-Sam, A Cabaia. As suggested by the title, the unifying theme that characterizes all the tales, is the position of women in China and Macau: educated Chinese women, often brought up in urban Western ways, struggling for respect and emancipation in the face of traditional patriarchy in a China that, rather in the manner of Pearl Buck, is often portrayed in quite abstract terms; women of the people struggling against the oppression of grinding poverty or the effects of war, both of which the author had witnessed at close quarters in mainland China and in Macau; and finally women who are often the victims, and sometimes the perpetrators of superstitious beliefs. There are also tales of love, often destined to a sad end because they seem to cross insurmountable social and economic or racial barriers, such as in the tragic story of a poor woman seduced by an educated man, who sees her as a concubine and not a wife, or the tale of a poverty-stricken girl’s love for a Portuguese soldier, who is recalled to his distant homeland, but not before he has made her pregnant. As a Macanese, and therefore a product herself of the long centuries of fusion, Deolinda had a special sympathy for themes relating to inter-racial love and its effects.Deolinda da Conceição’s stories are exemplary tales, which invite us to ponder on the pitfalls of material ambition, even if such aspirations are relatively modest, such as in a little girl’s desire for a pretty pair of shoes or a young woman’s desire for a jade ring, and to reflect on the determinants of pride and prejudice, such as in the shame felt by a young Eurasian boy at his Chinese mother’s behaviour, in a still stratified colonial society. Deolinda’s world is often a bleak one, characterized by the masculine pursuit of war, unremitting oppression and social inequalities. Only occasionally is there a glimmer of human solidarity, such as when a group of invading Japanese soldiers protect a new-born child, or a colonial policeman shows a group of destitute refugees to a bread queue, or a model, who has her career cut short by an accident, turns to adopting orphaned children. Altruism and a happier ending seem possible when her characters follow the path of resignation and abstinence, or when they somehow relinquish the role by which they are defined socially.We cannot tell how Deolinda would have chronicled the changes that took place in Macau and China over subsequent decades, for she died prematurely in 1957. But her stories, and the role she played in the rebirth of the Portuguese-language press after the War, make her a unique figure in the literatures of Macau, China and the Portuguese-speaking world.
David Brookshaw is Professor of Luso-Brazilian Studies at the Bristol University, England. He has published widely on the colonial and post-colonial literature of the Portuguese-speaking world, most recently a study entitled, Perceptions of China in Modern Portuguese Literature - Border Gates.
Macao, 1952



Film Noir" visualmente dramático e sensual dirigido por Joseph von Sternberg com o famoso par Robert Mitchum e Jane Russell, cuja química na tela é electrizante. Nicholas Ray, realizaria posteriormente novos "takes" para complementar este filme.
Nick Cochran (Robert Mitchum), um forasteiro exilado por um crime no passado e Julie Benson (Jane Russel), uma exuberante mulher, encontram-se num barco para Macau. A antiga colónia portuguesa apresentava-se como a Las Vegas/Mónaco do Oriente, onde a impunidade reinava e onde criminosos procurados internacionalmente se escondiam. Uma troca de olhares e as suas vidas cruzam-se para sempre. Dois destinos tão parecidos e cansados esperando por uma razão para assentarem. Mas este é um filme "noir" e não um romance.
As personagens são obscuras, os seus passados mistérios e os seus propósitos desconhecidos. Antes que possam cair nos braços um do outro ainda têm de percorrer as obscuras ruas de Macau.... As referências portuguesas são muitas, nos nomes das ruas, a pensão onde as personagens ficam, "A Portugueza", ou até mesmo no nome do Xerife.
Este filme, curiosamente, nunca estreou comercialmente em Portugal. É também o último filme que o austríaco Sternberg realizou em Hollywood.
"Todos estamos sós, preocupados e arrependidos. Todos procuramos algo." Quem o diz é Julie Benson (Jane Russell), uma cantora desempregada e cuja beleza só atrai problemas. Num barco que parte de Hong Kong rumo a Macau, Julie conhece Nick Cochran (Robert Mitchum), um viajante solitário que, enquanto passeia, é atingido pelo sapato da "donzela em perigo".
Antes de chegarem ao destino, Julie e Nick encontram ainda um pacato vendedor, Lawrence C. Trumble (William Bendix), que pretende combinar negócios e prazer, sobretudo nos famosos casinos daquele que já deixou de ser um território português. Mas Trumble năo é o que aparenta ser e reserva alguns segredos e surpresas...
"Todos estamos sós, preocupados e arrependidos. Todos procuramos algo." Quem o diz é Julie Benson (Jane Russell), uma cantora desempregada e cuja beleza só atrai problemas. Num barco que parte de Hong Kong rumo a Macau, Julie conhece Nick Cochran (Robert Mitchum), um viajante solitário que, enquanto passeia, é atingido pelo sapato da "donzela em perigo".
Antes de chegarem ao destino, Julie e Nick encontram ainda um pacato vendedor, Lawrence C. Trumble (William Bendix), que pretende combinar negócios e prazer, sobretudo nos famosos casinos daquele que já deixou de ser um território português. Mas Trumble năo é o que aparenta ser e reserva alguns segredos e surpresas...
Macau nas relações sino-americanas do séc. XIX
Nos finais do século XVIII, comerciantes americanos em Cantão fundaram uma comunidade com fins mercantis em Macau, que veio a tornar-se o primeiro local de encontro sino-americano. O século seguinte testemunhou o crescente desenvolvimento dos interesses económicos americanos no Sudeste Asiático.
Durante a primeira metade do século XIX, o comércio com a China, o 3º em importância para os EUA, apenas ultrapassado pelo intercâmbio com Inglaterra e Cuba, evidencia o papel fundamental do comércio no âmbito das relações da América com aquela região. O comércio com a China era, na verdade, o ponto fulcral a partir do qual evoluíram a diplomacia américo-chinesa e a missionação.
Em 1844, foi assinado no Templo de Kun Iam em Wangxia, uma vila nos arredores do estabelecimento português de Macau, o primeiro tratado entre os dois países. Este acordo, que incluía a cláusula de extra-territorialidade e da nação mais favorecida, criou um mecanismo que interferiu com a soberania da China durante cerca de um século.
Neste processo, como entreposto tradicional e único estabelecimento europeu na costa da China, Macau funcionou como um elo entre o velho império celestial e o estado imperial emergente no novo continente, desempenhando um relevante papel na evolução dos primeiros contactos sino-americanos.
Teve Macau um papel primordial na evolução das relações sino-americanas durante esta fase inicial.
Durante a primeira metade do século XIX, o comércio com a China, o 3º em importância para os EUA, apenas ultrapassado pelo intercâmbio com Inglaterra e Cuba, evidencia o papel fundamental do comércio no âmbito das relações da América com aquela região. O comércio com a China era, na verdade, o ponto fulcral a partir do qual evoluíram a diplomacia américo-chinesa e a missionação.
Em 1844, foi assinado no Templo de Kun Iam em Wangxia, uma vila nos arredores do estabelecimento português de Macau, o primeiro tratado entre os dois países. Este acordo, que incluía a cláusula de extra-territorialidade e da nação mais favorecida, criou um mecanismo que interferiu com a soberania da China durante cerca de um século.
Neste processo, como entreposto tradicional e único estabelecimento europeu na costa da China, Macau funcionou como um elo entre o velho império celestial e o estado imperial emergente no novo continente, desempenhando um relevante papel na evolução dos primeiros contactos sino-americanos.
Teve Macau um papel primordial na evolução das relações sino-americanas durante esta fase inicial.
Em 1784 chega o primeiro barco mercantil americano, o Emperess of China, no fim da guerra anglo-chinesa do ópio, em 1842.
A empresa Russell & Companhia, a principal firma americana, teve um papel de diplomacia nos contactos entre chineses e americanos.
Guerra do Pacífico
Entre 1941 e 1945 Macau, "uma nesga de terra portuguesa com uma superfície duns 500 hectares", viveu um dos períodos mais conturbados. A população de pouco mais de 200 mil almas passou, de repente, a meio milhão... (ao contrário de Hong Kong que passou de um milhão para 300 mil) devido aos inúmeros refugiados que ali buscaram alguma paz. Portugueses de Hong Kong, Cantão, Shangai, mas também ingleses, americanos, italianos, alemães, japoneses e chineses. As procissões católicas ganharam novo ímpeto e o 13 de Maio de 1943 foi dedicado ao Imaculado Coração de Maria.
Era governador Gabriel Teixeira. A alimentação foi um dos maiores problemas com os bens essenciais a atingir preços astronómicos. Um par de sapagtos passou de 7 para 35 patacas. mais 500%. O mercado negro florescia... mas as sopas dos pobres também.
Era governador Gabriel Teixeira. A alimentação foi um dos maiores problemas com os bens essenciais a atingir preços astronómicos. Um par de sapagtos passou de 7 para 35 patacas. mais 500%. O mercado negro florescia... mas as sopas dos pobres também.
Teatros, clubes, escolas, hotéis... albergaram camaratas de refugiados. O Canídromo transformou-se em Casa dos Pobres. Só para se ter uma ideia, em apenas um dos centros de apoio, uma venda de arroz em Mong Ha, diariamente 7 mil pesssoas ali se deslocavam.
Macau dependia economicamente de Hong Kong mas com este território ocupado bem se pode imaginar a situação em que Macau ficou. Milhares de pessoas morriam à fome nas redondezas.
A igreja, que desde sempre exerceu um papel primordial da vida do território, esteve à altura dos seus pergaminhos. Dias difíceis mas que não impediram que a vida continuasse. Nesses anos surgiram inúmeros jornais e revistas.
O padre Manuel Texeira escreveu um livro repleto de histórias deste período.
Alguns (dos muitos) jornais de Macau
Exemplo de alguns jornais publicados em português em Macau. Apesar do reduzido público a história da imprensa periódica portuguesa em Macau é muito antiga. Remonta ao Abelha da China (ver outro post). Foram dezenas e dezenas de títulos marcados, salvo raríssimas excepções, pela curta duração de vida.
"O Portuguez na China" foi publicado entre 1839 e 1843. Seguiu-se "O Procurador dos Macaístas". Ambos de M. Dias Pegado.
"O Liberal" foi um semanário republicano independente publicado entre 1919 e 1923. Seguiu-se "O Combate", semanário independente, politico e noticioso, cuja primeria edição é de 6.12.1923. O jornal "A Verdade" é de 1927. Periódico independente bi-semanal (5ªs e domingos) impresso da tipografia da Rua dos Prazeres, nº 5.

"O Portuguez na China" foi publicado entre 1839 e 1843. Seguiu-se "O Procurador dos Macaístas". Ambos de M. Dias Pegado.
"O Liberal" foi um semanário republicano independente publicado entre 1919 e 1923. Seguiu-se "O Combate", semanário independente, politico e noticioso, cuja primeria edição é de 6.12.1923. O jornal "A Verdade" é de 1927. Periódico independente bi-semanal (5ªs e domingos) impresso da tipografia da Rua dos Prazeres, nº 5.
Entre 1929 e 1931 publicou-se o "Jornal de Macau" na Calçada do Tronco Velho, 6-8.
Em Setembro de 1931 surgiu "A Voz de Macau", primeiro 3 vezes por semana, e em Outubro passa a ser diário. O director era Henrique Nolasco da Silva. Proprietário e redactor principal Domingos Gregório Rosa Duque.

Herman Machado Monteiro
Edição do NM de 1949
década de 1960
Herman Machado Monteiro nasceu em Celorico de Basto em 1899 e foi exilado para Macau por ordem do Estado Novo. Razões: a sua ligação à maçonaria. Fundou o Notícias de Macau cuja primeira edição veio para a rua a 25 de Agosto de 1947. Foi o sucessor de "A Voz de Macau" e contou com o apoio do capitão Rosa Duque. sexta-feira, 1 de maio de 2009
Sarmento Rodrigues
Sarmento Rodrigues no Liceu de Macau, ao Tap Seac, em 1952
1952 é um marco na história de Macau pela simples visita do Ministro do Ultramar de então. Nesse ano, Sarmento Rodrigues faz uma longa viagem às províncias ultramarinas do Oriente, Macau incluído. A viagem foi documentada em filme e livro: "Roteiro do oriente na viagem do Ministro do Ultramar, Comandante Sarmento Rodrigues às províncias portuguesas da India, Timor e Macau no ano de 1952" foi escrito pelo jornalista Barradas de Oliveira.
Só a título de exemplo eis algumas das obras que se devem a esta visita (ver outros post's): Liceu de Macau, estátua Jorge Álvares, Hospital S. Januário, etc.
Sarmento Rodrigues em 1950 era Ministro das Colónias, sendo o primeiro a usar a designação de Ministro do Ultramar quando foi efectuada a reforma administrativa de 1951. São inúmeras as realizações que se devem ao Almirante Sarmento Rodrigues, no exercício deste cargo. Nelas se contam o plano de fomento para o Ultramar, de 1953-58, marcando uma viragem completa da posiçãoo de quase abandono dos territórios ultramarinos, para a multiplicação de projectos de desenvolvimento a todos os níveis. A reformulaçãoo do Hospital do Ultramar e a construção do Instituto de Medicina Tropical, devem-se à sua acção como Ministro do Ultramar.

Fragata Gonçalves Zarco em Macau... o navio em que viajou Sarmento Rodrigues
"Abril em Portugal"
A história começa na década de 1960 com uma música chamada "Coimbra" da autoria de Raúl Ferrão. Na sequência da participação de Amália nos concertos integrados no Plano Marshall, esta música tornou-se provavelmente a música portuguesa mais reconhecida em todo o mundo. As versões internacionais surgiram um pouco por todo o mundo e o tema virou "April in Portugal" ou "Avril au Portugal" cantado por nomes como Júlio Iglésias, Roberto Carlos ou Caetano Veloso.
Esta pequena introdução serve para percebermos a razão de ser do nome de uma espécie de festival que a partir da década de 1960 acontecia em Macau. Sob este nome o Hotel Lisboa levava a Macau os artistas em voga em Portugal. O festival perdurou até ao final do século XX.

Bilhete de Sorteio - Abril em Portugal - organizado e realizado pelo Hotel Lisboa, em 1972, com a presença de músicos portugueses convidados para a celebração do evento. Os músicos foram a “Tonicha” e o Quarteto 1111 (José Cid, Tozé Brito, etc...)
Raid aéreo Lisboa - Macau em 1987
Sagres faz-se à pista e aterra
Relato de Jorge Cruz Galego:
"OK! Está autorizado a descer para 800 pés e reporte com Macau à vista. (...) Decidido, meti o nariz em baixo para perder rapidamente os 200 pés e surpresa das surpresas, saí da camada e ali bem à minha frente estava uma ponte com uma enorme boça.
Gritei e eles também: É a ponte, é inconfundível, já a vi em montes de fotografias, é Macau! Entretanto continuei a descer e o cenário completou-se com uma linda e enorme cidade à nossa direita e à esquerda umas ilhas. Era mesmo MACAU ! Em voo timidamente baixo, sobrevoámos a cidade e as ilhas, agora mais calmos e confiantes, olhámo-nos sem coragem para falar tentando a todo custo reter aquelas lágrimas que me turvavam a vista e com voz embargada disse: "Arnaldo a aterragem é tua ! És o mais velho e bem mereces esta honra!" Sem flaps mas com muita experiência, o Arnaldo aterrou o seu avião, o nosso Sagres, no aterro da Concórdia em Macau.

Rota do raid aéreo Portugal - Macau no Sagres, um avião de 1965!
Foram percorridos 15 mil Kms e feitas 23 aterragens
Com o título "Recepção carinhosa aos homens do 'Sagres' o "Jornal de Macau" e o Tribuna de Macau" noticiaram assim o evento:
Eram precisamente 12:45 horas quando o monomotor “Sagres” tocou a pista da Concórdia terminando assim uma aventura de 27 dias e cumprindo a promessa de ligar o passado ao presente evocando a memória de Brito Pais, Sarmento Beires e Manuel Gouveia que em 1924 empreenderam a primeira ligação aérea entre Portugal e Macau. À chegada, Jorge Cruz, Prata Mendes e Arnaldo Leal, os três tripulantes do “Sagres”, foram recebidos por uma multidão e pelo secretário-adjunto Mário Cordeiro que em nome do Governador de Macau apresentou aos aviadores os cumprimentos de boas vindas. Na recepção não faltaram a tradicional dança do leão e o não menos tradicional champanhe a celebrar a missão cumprida. Mais tarde, no Palácio da Praia Grande, o Governador Pinto Machado atribuiu aos aviadores a mais alta condecoração do território no campo desportivo -a Medalha de Mérito Desportivo de Macau. Na ocasião, o Governador afirmou que a travessia que agora terminou, “reeditando a proeza semelhante levada a cabo há 63 anos também por aviadores portugueses, constitui não apenas um memorável acontecimento em termos desportivos mas também uma forma brilhante de enaltecer o território de Macau e a sua população”. Mesmo que chegassem em 1988, isso acabaria por ser secundário. “O que importa”, acrescentou Pinto Machado, “foi acabar uma tarefa que consideramos essencial”. Jorge Cruz, em representação dos três aviadores, leu então a mensagem em que Camões afirmou “esta é a minha ditosa pátria minha amada- sentiu-o aqui Camões e nós compreendemo-lo”. Terminando, e numa referência ao regresso a Portugal, o comandante do “Sagres” disse que “vamos pôr os olhos em Lisboa. Regressamos plenos de determinação e energia, conscientes de que daqui a alguns meses no nosso dia a dia não existirão cicatrizes, mas antes recordações de uma missão.In “Jornal de Macau” e “Tribuna de Macau” 6.2.1987
Aviation snapshot until 1995
Local newspaper O Liberal reported in 1920 "This week's main news is the government's planned purchase of Macao Aerial's hydroplanes, for which it has appointed a committee comprising lieutenants Carmona, Lara Reis and Rogério. On this matter, we have only one thing to say: you have our fullest support!"
American aviator David J. Dotty hired to give instruction at a flying school with two seaplanes in its fleet in 1922.
Pilots of the 1st Lisbon Macao Air Crossing - Majors Brito Pais and Sarmento de Beires plus mechanic Manuel Gouveia - arrive in Macao on 25th June, 1924.
In October 1927, Macao takes delivery of three seaplanes including the 'Santa Cruz' which made history flying the South Atlantic. They became the fleet of the Naval Aviation Centre on Taipa Island where the airport is now situated.
On 18th November 1934, Commander-Lieutenant Humberto da Cruz and mechanic Gonçalves Loberto land their craft at Areia Preta horse racing track en route to Dili from Lisbon.
On 23rd October 1936, Pan American Airways System's Martin M-130 four-engine flying boat Philippine Clipper touches down on the waters of Macao's outer harbour. It extended the transpacific route, pioneered by its sister M-130, the China Clipper in 1935, and was the first link to the China Coast.
In 1948 Cathay Pacific pioneers Roy Farrell and Sydney de Kantzow make a muddy, ignominious belly-up landing in front of the VIP rostrum on the Areia Preta race track and decline to pursue further opportunities in the territory.
From the late 40s to the early 60s, local airline MATCO - now operating hydroplanes - plies the 37 nautical miles between Macao and Hong Kong, providing up to four flights a day by 1961. The busy waters of Hong Kong Harbour, however, force the service to close.
The single-engined 'Sagres' lands on Coloane Island after its mammoth flight from Lisbon in 1987

A 9 de janeiro de 1987 descolava de Tires (Portugal) a caminho de Macau, com 10 escalas previstas, um pequeno monomotor "Mooney" CS-ALG, baptizado de "Sagres". Era tripulado por três pilotos portugueses. Jorge Cruz, Arnaldo Leal e Prata Mendes propunham-se reviver a primeira ligação aérea Portugal-Macau, efectuada por Sarmento de Beires e Brito Pais e Gouveia em 1924 (ver outro post sobre esta viagem). O Sagres chegou a Macau às 12h45 (hora local) de 4 de Fevereiro (na imagem), após 28 dias de viagem. O pequeno monomotor encontra-se exposto no Jardim de Seac Pai Van, na ilha de Coloane, em Macau.
An Air Macao Airbus-321 touches down at the new Macao International Airport on 5th November, 1995
Salto de pára-quedas em 1891
A história da aviação de Macau remonta a 1891 quando Thomas Baldwin saltou de pára-quedas de um balão tendo aterrado num cemitério (cemitário protestante ao lado de um campo de ténis) na Calçada dos Cavaleiros, no centro da cidade. Na tarde de domingo de 18 de Janeiro de 1891 realizava-se o primeiro voo em balão da história de Macau. A população assistiu entusiasmada e espantada. Estes senhores iriam inventar o pára-quedas.
Pedro José Lobo
Hidroavião da MATCO no Porto Exterior em 1949
aparelhos utilizados no comércio de ouro, a maior parte oriundo da Tailândia e do Vietname
Pedro José Lobo dirigindo uma opereta - Cruel Separação - em Macau a 12 de Junho de 1949
Pedro José Lobo dirigindo uma opereta - Cruel Separação - em Macau a 12 de Junho de 1949
Durante as décadas de 1940-50, antes de Stanley Ho aparecer em cena, o homem-forte de Macau foi Pedro José Lobo. Multifacetado, tinha tanto jeito para os negócios (fundou a Matco, Macau Aerial Transport Co.) como para a cultura (fundou o Círculo Cultural de Macau, rádio Vilaverde). Era ainda um apaixonado pela música. Escreveu várias obras. Foi o que se chama, um filantropo. Chegou a Chefe dos Serviços de Economia que integrava a secção de Propaganda. Esta foi responsável, entre 1953 e 1956, por uma publicação quinzenal "Boletim Informativo da Repartição Central do Serviços de Economia - Secção de Propaganda e Turismo."
Presidiu ao Leal Senado, foi vogal da Santa Casa da Misericórdia e fundou a Revista Macau. O Leal Senado proclamou-o cidadão honorário e o governo português condecorou-o a Comenda do Ordem do Império Colonial em 1952 para além da medalha de ouro por serviços distintos e relevantes em 1958.
Foi braço direito de todos os governadores do seu tempo, excepto de um, João Pereira Barbosa... que o mandou prender mas que acabou demitido. O seu papel na Guerra do Pacífico, diz-se, foi fulcral.

Transcrevo aqui um texo de Eurico Ferreira, um militar português de foi para Macau em 1951... contemporâneo de Pedro Lobo.
"O Dr. Pedro Lobo era timorense e o homem mais rico do Extremo Oriente, segundo diziam.Contava-se que iniciara a sua fortuna quando rebentou a guerra do Japão. Prevendo que viriam aí grandes dificuldades no abastecimento a Macau, na sua qualidade de Secretário para a Economia criou uns grandes armazéns e procedeu à nacionalização de todos os bens alimentares existentes nos diversos estabelecimentos e armazéns de Macau. Pagou esses bens alimentares que incluíam arroz, cereais, toda a espécie de latarias e não só, pelo seu justo preço e assim ninguém ficou prejudicado. Só que esses bens alimentares, à medida que o tempo foi passando com Macau em estado de cerco, foram escasseando e foram subindo astronomicamente de preço e toda gente para se alimentar tinha de os ir buscar àqueles armazéns.Contava-se também que durante a guerra um dos homens que mais fez pela população de Macau foi um chinês a que chamavam Sei Um Me Oi (que penso significava "Aquele que não pode morrer"), e que naquela altura ainda tinha um tancar ancorado entre Macau e a Taipa, equipado com um motor a diesel. Durante a guerra saia para o alto mar para sequestrar os barcos que levavam mantimentos para as tropas japonesas e os trazia para alimentar Macau.O Dr. Pedro Lobo que tinha uma vivenda onde morava e que se chamava Vila Verde, tinha em casa a única estação de rádio de Macau, a Emissora Vila Verde, que transmitia em português e em cantonense. Por outro lado ia ficando cada vez mais rico porque era o único cidadão a fazer legalmente contrabando de ouro. O ouro em Macau comprava-se por um preço muito inferior ao de qualquer outra parte do mundo. Fazia-se uma terrível perseguição a qualquer tentativa para contrabandear ouro. Só o Dr. Pedro Lobo fazia aterrar nas águas de Macau, todos os sábados, um Catalina (um hidroavião) carregado de ouro que a própria polícia ajudava a descarregar para umas lanchas que o traziam para terra.Esse ouro era comprado em países que não tinham aderido ao acordo que fixava internacionalmente o seu preço como valor de referência para todas as moedas, e que o vendiam pela porta das traseiras a preços muito inferiores: o México e a Rússia. E aqui de Macau esse ouro entrava no circuito oficial aos preços universais o que dava um bom lucro (para o Dr. Pedro Lobo).Havia também aqueles oficiais do nosso exército que aproveitavam a possibilidade de fazer um negócio simples e lucrativo e que por sinal eu fui dos primeiros a sber porque foi descoberto por um amigo meu, alferes, filho de um grande industrial e que me dizia - Pegas no teu vencimento, vais ao BNU e transferes para Portugal as tuas patacas. Uma pessoa de confiança em Portugal levanta o dinheiro em escudos e vai a um cambista e compra com esses escudos todos os dólares americanos que puder. Pega neles e mete-os numa carta registada com valor declarado e envia-os para ti em Macau. Pegas nos dólares e vais a um cambista trocá-los por patacas. As seiscentas patacas do teu ordenado que mandaste para Portugal agora são novecentas e vais repetir por aí fora até achares que já chega.Muitos oficiais entraram nesta prática e só dois anos depois, quando o BNU começou a impôr restrições porque os montantes das transferências já atingiam valores supeitos, é que o negócio começou a encontrar obstáculos.Eu não entrei porque não tinha ninguém de confiança em Portugal para me ajudar nessa operação e porque estava mais interessado em ganhar dinheiro com as minhas capacidades, a minha arte e os meus conhecimentos.Muitas destas histórias faziam parte do script dos CAMINHOS LONGOS, bem como aquela história do jogo vedado a todos os funcionários do Estado que jogavam na mesma indo ao café do Hotel Central que tinha uma varanda no primerio andar da sala do jogo e que dava em baixo para o café. Os croupiers deitavam um cestinho pendurado por uma corda e cá em baixo o interessado sentado no café metia no cestinho a sua aposta e o dinheiro. E pronto, estava o caso arrumado."
Revista "Mosaico" trilingue... em 1950
Órgão do Círculo Cultural de Macau, a “Mosaico” começou a ser publicada em Setembro de 1950, reivindicando ser “a única revista cultural em Português, Inglês e Chinês que se publica em todo o Mundo”. Curiosamente, nos finais dos anos 80, a “Revista da Cultura” do Instituto Cultural de Macau haveria de reclamar semelhante estatuto.
Ao Círculo Cultural de Macau ficaram para sempre associados nomes como os do Comandante Albano Rodrigues de Oliveira (Governador de Macau, Presidente Honorário), do Dr. Pedro José Lobo (Presidente), de José Silveira Machado (Secretário da Asembleia Geral), de Luís Gonzaga Gomes e de um grupo de élite de militares em comissão de serviço em Macau.
A revista era vendida - para além das assinaturas - na firma Oriente Comercial, na av. Almeida Ribeiro, na livraria Pou Ma Lou, no Largo do Senado e na livraria Seng Kwong, perto do Teatro Capitólio.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





















