sábado, 29 de junho de 2013

Os "Avisos"

“No início dos anos 30 e na sequência de um programa de modernização da sua esquadra que ficou conhecido como 'Programa Magalhães Corrêa', a Marinha Portuguesa começou a dispor de um novo conjunto de navios designados por avisos, especialmente concebidos para operar por longos períodos no Ultramar. O vocábulo 'estação' caiu então em desuso porque a mobilidade dos navios era maior e as comunicações navais se tinham desenvolvido, permitindo uma utilização em áreas mais diversificadas e de acordo com as necessidades. As ausências dos navios de guerra do porto de Lisboa passaram então a ser designadas por 'comissões' e alguns dos avisos depressa passaram a permanecer em comissão em Macau, quer antes, quer depois da II Grande Guerra. O primeiro navio dessa série que visitou Macau foi o aviso de 2.ª classe 'Gonçalves Zarco' que, estando em viagem pela China, Hong Kong e Japão em 1935, esteve em Macau durante alguns dias.
Porém, o primeiro aviso que estacionou em comissão em Macau foi o aviso de 2.ª classe 'Gonçalo Velho', que entrou no porto pela primeira vez no dia 18 de Setembro de 1937 e permaneceu na área durante cerca de 15 meses, regressando a Lisboa em Dezembro de 1938. 
Três meses antes, no dia 4 de Setembro de 1938, também o 'Gonçalves Zarco' iniciava a sua comissão em Macau, que terminou em Abril de 1939, tendo sido substituído pelo aviso da 2.ª classe 'João de Lisboa', que permaneceu em Macau entre Abril e Novembro de 1939. O 'Gonçalo Velho' chegou novamente a Macau para a sua segunda comissão no mês de Junho de 1940, permanecendo até Março de 1941. Em Maio de 1941, o 'João de Lisboa' entrou de novo em Macau para iniciar a sua segunda comissão, que foi dada por finda em 15 de Maio de 1942, exactamente um ano depois. A II Guerra Mundial estendera-se ao Extremo Oriente e o governo português decidiu que o navio regressasse a Lisboa, como afirmação de neutralidade perante o conflito, tendo a viagem para Lisboa sido feita pelo oceano Pacífico. Durante a Guerra, depois da saída do 'João de Lisboa' e da venda da canhoneira 'Macau' aos japoneses, a Marinha Portuguesa não localizou quaisquer outros navios em Macau. O estatuto de neutralidade adoptado na Europa estendia-se à Ásia e ao Pacífico. 
A partir de 1945, quando a Guerra terminou, a Marinha Portuguesa retomou a sua tradição de manter regularmente uma unidade naval em Macau, não só como instrumento de afirmação de soberania, mas também como elemento de apoio ao Governo de Macau, nomeadamente na área das comunicações. Os avisos de 1ª classe 'Afonso de Albuquerque' e 'Bartolomeu Dias', que estiveram empenhados nas operações de reocupação de Timor, também estacionaram em Macau, mas foram sobretudo os avisos de 2ª classe que mais regularmente aí permaneceram.
Nunca se verificaram quaisquer incidentes significativos com esses navios, mesmo durante os tempos de instabilidade provocada pelas transformações políticas que levaram à proclamação da República Popular da China”. (...) Depois da Guerra, voltámos a receber em Macau o “Gonçalo Velho”, de Outubro de 1945 a Julho de 1946 e de Julho de 1950 a Setembro de 1954. Também estiveram aqui o “Afonso de Albuquerque”, em missão de soberania em Macau e Timor de Novembro de 1945 a Janeiro de 1947 e em visitas ocasionais em Janeiro de 1952 e Maio de 1960, o “Pedro Nunes”, de Abril de 1948 a Julho de 1950, o “Bartolomeu Dias” (que já estivera nas nossas águas de Outubro de 1937 a Abril de 1938), de Fevereiro a Agosto de 1946, e de novo o “João de Lisboa”, de Maio de 1949 a Junho de 1951 e de Janeiro a Setembro de 1956.
Fechou este longo ciclo o “Gonçalves Zarco”, o primeiro aviso a entrar em Macau e também o último a sair, quando concluiu a sua missão nos mares do Extremo Oriente, numa comissão derradeira que ocorreu de Outubro de 1956 a Março de 1964. Depois, só ocasionalmente recebemos visitas de navios da Armada Portuguesa."
in "Marinha Portuguesa em Macau”, Capitania dos Portos de Macau, 1999 da autoria do Comandante Adelino Rodrigues da Costa

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