segunda-feira, 24 de agosto de 2009

1963 - parte 2

Província ultramarina, na costa do continente chinês, com a superfície total de catorze quilómetros quadrados, aproximadamente, constituída por oito outeiros que são a sua característica orográfica.
Zona de turismo, não só pela natureza da paisagem que se admira em agradáveis excursões, mas muito especialmente pelos costumes orientais que ali prevalecem, constitui particular motivo de interesse para admirar.
Macau apresenta, também, o curioso aspecto das ilhas de Taipa, cuja arborização, a emergir do acidentado do terreno, estabelece um aprazível local de passeio. O brasão de armas da Província de Macau quer simbolizar a lembrança do território em que se acha situada.
In Agência Portuguesa de Revistas. 1963

1963 - parte 1

Capital da Província de Macau e sede de bispado, situada na península ligada ao continente chinês, com a população de 153.630 habitantes, é uma cidade que encanta e seduz. O seu aspecto urbano, a paisagem exótica, os costumes que predominam na população concorrem para um ambiente de misteriosa beleza, que desperta o mais vivo interesse pela expressão e pelo colorido. Os pagodes de Kun-Ian, e da Barra, o Miradouro de D. Maria, as igrejas e antigas fortalezas, as excursões aos arredores são atractivos de sonho inesperado e deslumbrante que se aceitam com gosto e interesse. Emblemas pessoais do Rei D. Manuel, recordando o incremento que no seu reinado foi dado aos descobrimentos.
In Agência Portuguesa de Revistas. 1963

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Blog dos Antigos Alunos do Liceu de Macau

Blog aberto à participação dos antigos professores, alunos e funcionários do Liceu de Macau. Podem fazê-lo tornando-se 'colaboradores' ou enviando um e-mail para liceumacau@gmail.com Tem pouco mais de um ano de existência e já recebeu cerca de 1300 visitas.
http://liceudemacau.blogspot.com/

O livro editado em Outubro de 2007 ainda pode ser aquirido. Em Portugal está à venda, em Lisboa, na Casa de Macau (Av. Gago Coutinho) e na Delegação Económica e Comercial de Macau/antiga Missão de Macau (Av. 5 de Outubro).
Em Macau está à venda na Livraria Portuguesa. Pode ainda ser aquirido de qualquer parte do mundo através do site http://liceumacau.googlepages.com/
A compra é efectuada de forma simples e segura através de transferência bancária. Recebido o e-mail com a confirmação do pagamento recebem comodamente o(s) livro(s) na morada que indicarem.
Preços
Para Portugal Continental, Madeira e Açores a encomenda mínima é de 2 exemplares ao preço total de 10 euros. Para a Europa cada exemplar custa 15 €. Para o Resto do Mundo são 20 euros.
Os preços indicados já incluem todas as despesas de portes de correio.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Casa de Silva Mendes


A residência onde está instalado o Instituto Internacional de Tecnologia de Software da Universidade das Nações Unidas está classificada como Edifício de Interesse Arquitectónico e localiza-se na Colina da Guia. Era propriedade de Manuel da Silva Mendes, famoso escritor e coleccionador de arte. Trata-se de uma construção de estilo neo-clássico, que integra alguns elementos de inspiração militar, tais como ameias, apresentando um aspecto geral sólido e imponente.

Escola Leng Nam

A Escola Leng Nam, igualmente designada por Vila Alegre está classificada como Edifício de Interesse Arquitectónico. Tal como a Casa Branca, que lhe fica próxima, foi construída em 1917. O proprietário era o advogado Francisco Silva. Desde 1937, o edifício passou a ser a Escola Leng Nam, função que mantém ainda hoje. A Vila Alegre é uma construção residencial nobre, caracterizada pela existência de numerosas colunas, uma grande varanda aberta, escadaria com decorações extraordinariamente belas e minuciosas, merecendo particular realce o equilíbrio na distribuição dos espaços.

Jardim Vasco da Gama

Este jardim foi construído, em 1898, para comemorar a passagem do 400º aniversário das Descobertas Marítimas de Vasco da Gama, o navegador português que descobriu, em 1498, o Caminho Marítimo para a Índia. O Jardim está organizado em torno de uma escultura comemorativa que se encontra rodeada por alguns canhões antigos.
No centro está o busto de Vasco da Gama, em bronze. A escultura de mármore que sustenta o pedestal apresenta um baixo relevo, no qual se pode ler um trecho do poema épico escrito por Luís de Camões, em Os Lusíadas que pretende elogiar o espírito aventureiro de Vasco da Gama, que apesar de nunca ter chegado a Macau, descobriu uma importante rota de ligação entre o Ocidente e o Oriente.

Convento do Precioso Sangue

O Convento do Precioso Sangue está classificado como Edifício de Interesse Arquitectónico e foi construído em 1917. Esta imponente mansão pertenceu em tempos a Luís Gonzaga Nolasco da Silva, advogado macaense. O pai, Pedro Nolasco da Silva, foi um famoso sinólogo e um dos fundadores da Escola Comercial de Pedro Nolasco da Silva. O seu genro, Carlos Silva, foi também uma individualidade importante, que impulsionou a realização do Grande Prémio de Macau.
Nas décadas de 30 ou 40, o edifício foi alienado e passou a denominar-se de Convento do Precioso Sangue. Actualmente, é a sede da Autoridade Monetária de Macau. Trata-se de um edifício de 2 pisos que apresenta uma mistura de estilos, do gótico ao barroco, passando mesmo por reminiscências vitorianas, apresentando uma concepção espacial de grande elegância e beleza arquitectónica. Em anexo à vivenda existe uma área de páteo e jardim que salienta a beleza natural do lugar, bem como as características clássicas da construção principal, formando um conjunto imponente. Em virtude das paredes exteriores do edifício serem caiadas de branco, esta mansão é também conhecida como Casa Branca.

Jardim da Vitória

A sua construção foi decidida em reunião do Leal Senado em 1862. No centro encontra-se um pilar comemorativo - uma coluna octogonal de mármore alusiva à vitória dos militares portugueses sobre a armada holandesa, a 24 de Junho de 1622, dia de S. João (a quem é atribuída a protecção da Cidade). De facto, a batalha foi ganha por militares portugueses e pela população local, que, em número reduzido, conseguiram impedir a invasão da cidade. Conta-se que num dos episódios da batalha foi disparado um tiro de canhão da Fortaleza do Monte, sob o comando do padre jesuíta Rho, disparo este que provocou grandes estragos entre as forças holandesas, forçando a sua retirada. O monumento que se encontra no centro deste jardim, da autoria de Manuel Maria Bordalo Pinheiro, foi erigido a 26 de Março de 1871.

Templo Pou Chai / Kun Iam Tong


O Templo de Pou Chai, mais conhecido por Templo de Kun Iam Tong é um dos três maiores templos de Macau. A sua fundação deu-se em 1627, como o atesta a placa em que se lê "fundou-se no auspicioso dia da 7ª lua do 7º ano do Reinado Tin Kai". Foi restaurado mais de 10 vezes ao longo de cerca de 370 anos. Para além da riqueza arquitectónica e escultórica de altíssimo valor histórico e artístico nele existente, este templo integra ainda um espólio de livros religiosos de grande valor, bem como obras de caligrafia e de pintura de autores famosos, elementos que constituem importantes testemunhos do património cultural de Macau.
Durante a guerra contra os japoneses, o grande mestre do ramo de Leng Nam da pintura chinesa, Kou Kim Fu, residiu neste templo, local aonde concluiu várias obras e leccionou a muitos disccípulos.
Num dos páteos interiores, existem uma mesa e quatro bancos de pedra, sobre os quais, em 1844, teve lugar a assinatura do famoso Tratado Sino-Americano de Mong-Ha.

Templo de Lin Fong

O Templo de Lin Fong foi construído em 1592 e é um dos três templos mais antigos de Macau. Inicialmente, era denominado Templo de Tin Fei (Templo da Concubina do Céu), ou Templo das Portas do Cerco, e tinha uma dimensão relativamente menor que a actual. Em 1723, os habitantes juntaram dinheiro para procederem à sua reconstrução, dando-lhe a nova denominação de Palácio de Chi Wu (Palácio da Misericórdia e Protecção). Durante o Reinado de Kin Long foram feitas novas obras e passou a ser designado por Novo Templo.
Recebeu o nome de Templo de Lin Fong em 1801, quando se realizaram novas obras de remodelação e restauro, ainda que a placa de inscrição, com denominação definitiva de Templo de Lin Fong, apenas tenha sido posta em 1876, quando se procedeu a novos trabalhos de conservação e à adição subsequente de novas construções anexas, sendo ampliado até à sua dimensão actual. Para além de lugar de culto era também ponto de encontro de comerciantes chineses, bem como local de estadia de oficiais mandarins.
Até ao período dos reinados de Ka Cheng e de Tou Kuong, serviu de alojamento a oficiais chineses quando estes se deslocavam a Macau em missão diplomáica. Foi também neste templo que, em 1839, o famoso Comissário Imperial, Lin Zexu, e o Governador das Províncias de Kuong Tong e Kuong Sai, Deng Tingzhen, receberam oficiais portugueses para negociações diplomáicas. Em 1989, por ocasião da comemoração do 150º aniversário da estada de Lin Zexu em Macau, foi colocada uma estáua sua num dos páteos exteriores. Mais recentemente, foi construída a Casa Memorial de Lin Zexu, num terreno adjacente ao Templo.

Colina e Fortaleza de Mong Ha


Na tradição popular este local é também conhecido por Colina de Hak Kuai (Diabos Negros). Com uma cota de 60,7 metros, foi, em tempos, denominada de Monte de Lin Fong (Monte Cume de Lótus) ou Colina de Lin Fa (Colina de Lótus). A Sul da Colina, fica o Bairro de Mong-Ha. Em 1849, os portugueses construíram a Fortaleza de Mong-Ha no ponto mais alto da colina. No sopé a Norte, encontra-se o Templo de Lin Fong e, a Sul, localiza-se o Templo de Kun Iam Ku Miu, ambos com uma história secular de grande valor.

A Fortaleza de Mong-Ha é também conhecida por Fortaleza do Monte de Lin Fong, ou Fortaleza do Monte de Hak Kuai. Foi construída em 1849, reconstruída em 1864 e concluída em 1866. Detinha, no contexto da estratégia militar da cidade, uma importante posição de defesa e de ataque, na parte Norte do Território. Mais tarde, serviu de quartel para as tropas portuguesas. Desde a abolição do aquartelamento do exército militar no local, o quartel ficou abandonado até à década 80, altura em que foi reconstruío, instalando-se ali o Instituto de Formação Turística. Em Junho de 1997, o Leal Senado levou a efeito um plano de requalificação dos espaços verdes adjacentes à Fortaleza.

Igreja de S. Lázaro

A Igreja de S. Lázaro está classificada como monumento. Foi fundada em 1569 pelo primeiro Bispo de Macau, D. Belchior Carneiro, e é uma das três igrejas mais antigas da cidade. A sua dimensão e aspecto actuais devem-se às obras de reconstrução efectuadas em 1886. A fachada está coberta de marmorite na sequência do restauro de 1957.
A denominação Lázaro (ou Lazarus em latim) significa lepra e deriva do facto de se ter fundado neste local a primeira leprosaria e hospital do território. Outrora, este sítio ficava fora dos limites da cidade e era muito ermo. No entanto esta zona da cidade tinha a vantagem de ser mais resguardada das brisas marítimas. Em 1568, D. Belchior Carneiro, Bispo de Macau, chegou ao território e desenvolveu vários projectos entre os quais a Igreja de S. Lázaro, a Santa Casa da Misericórdia e o Hospital de S. Rafael, no contexto de acções que tinham como objectivo melhorar as condições de saúde e bem estar da população local. A Igreja de S. Lázaro foi a primeira a receber católicos chineses e alguns historiadores consideram que foi mesmo a primeira Catedral da cidade, após a fundação da Diocese de Macau, em Janeiro de 1576. Também conhecida como Igreja de Nossa Senhora da Esperança, ocupou sempre uma posição de destaque entre a comunidade católica local. Existem registos que testemunham que alguns Bispos de Macau tomaram posse nesta igreja. No Adro existe um cruzeiro no qual se pode ler a inscrição "Crux da Esperanca Anno de 1637."
Considerada a mais antiga igreja de Macau

Bairro de S. Lázaro

O Bairro de S. Lázaro está designado como Sítio Classificado. Em tempos esta zona da cidade era conhecida como "bairro dos convertidos" uma vez que nela habitavam os primeiros católicos chineses, que praticavam culto na Igreja de S. Lázaro.O Bairro inclui a Rua do Volong, Rua Nova de S. Lázaro, Rua de S. Roque, Rua de S. Miguel, Calçada da Igreja de S. Lázaro, Rua de Eduardo Marques, Adro de S. Lázaro, Beco de S. Lázaro, Pátio de S. Lázaro, entre outras. Em finais do século XIX, dadas as graves condições de sanidade imprórias em que viviam os seus habitantes, entre os quais muitos leprosos, vários terrenos foram expropriados para demolição dos imóveis neles existentes. Em 1900, o Governo levou a efeito o planeamento urbano da zona. Deambular pelas suas ruas e calçadas permite-nos, ainda hoje, partilhar o que terá sido a sua ambiência mas, acima de tudo, compreender o esforço então desenvolvido na que foi a primeira experiência de planificação urbana ao nível de bairro.
Texto elaborado a partir de um post do Blog Caderno do Oriente de MJ

Paço Episcopal

O edifício do Paço Episcopal situa-se à esquerda da Igreja da Sé. Segundo registos históricos, foi edificado antes de 1835. O actual edifício foi reconstruído entre 1987 e 1991. Nos arquivos da Diocese de Macau encontram-se conservados muitos documentos de carácter patrimonial, cultural, histórico e religioso. Além das funções religiosas junto das paróquias de Macau e das Ilhas que são desenvolvidas no contexto das competências do Paço Episcopal, destaca-se ainda as acções que esta instituição promove nas regiões do Sudeste Asiático, organizando deslocações e peregrinações a locais sagrados e dinamizando actividades religiosas ligadas à difusão da fé cristã.

Grupo de Danças e Cantares de Macau

O Grupo de Danças e Cantares de Macau, foi constituído a 26 de Abril de 2003 e publicado na Segunda Série do Boletim Oficial da Região Administrativa e Especial de Macau, N° 19 de 7 de Maio de 2003 e registado com o nº 2225 como Associação na Direcção dos Serviços de Identificação e dispôs-se a aceitar e a ser o beneficiário histórico e cultural do Grupo de Danças e Cantares do Clube de Macau que foi fundado em Abril de 1991, por um grupo de pessoas da Comunidade Portuguesa de Macau, tendo como grande objectivo a divulgação do Folclore Tradicional Português no Oriente, através das Tradições, Músicas, Danças e Cantares Portugueses, não esquecendo Macau.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Revisitar Macau 20 anos depois


Este Verão, quase 20 anos depois de ter deixado Macau, local onde vivi durante 8 anos da minha juventude, regressei ao território... Precisamente no ano em que se assinala o 10º aniversário da transferência de soberania. Em duas semanas revi lugares e pessoas e apresentei publicamente o livro que escrevi sobre uma instituição centenária e fulcral na história do território, o “Liceu de Macau: 1893-1999”.
Deixei Macau no início da década de 1990 com pouco mais de 3 casinos, perto de 400 mil habitantes (20 mil oriundos de Portugal) e 2 milhões de turistas por ano...Duas décadas depois tudo mudou. E nem tudo foi para melhor, mas ainda consegui ‘reviver’ partes da Macau que eu conheci. A qualidade de vida de quem ali mora é que sofreu com o crescimento desmesurado do betão. A baía da Praia Grande, o verdadeiro ‘postal’ de Macau eclipsou-se, a meu ver, sem que nada o justificasse. Nas ruínas da Igreja da Madre de Deus (S. Paulo) destaque para o pequeno mas importante museu, já o Farol da Guia, o primeiro a ser construído no Oriente, mal se vislumbra por entre os néons dos arranha-céus. De visita obrigatória é o Museu de Macau na antiga Fortaleza do Monte. Casinos e hotéis são cerca de 30 (incluindo o maior do mundo, além dos que estão projectados), a população residente ronda as 600 mil pessoas (os portugueses oriundos de Portugal contam-se pelos dedos (cerca de mil...) e o número de turistas que todos os anos visita Macau utrapassa os 30 milhões.
Em 2005, o Centro Histórico de Macau foi inscrito na Lista do Património Mundial da Humanidade da UNESCO. Um trabalho iniciado ainda no tempo dos portugueses e finalizado já sob administração chinesa. A lista é extensa e, de uma forma geral, em bom estado de conservação. O que assinalo como negativo foi o facto de, salvo um ou outra excepção, na maioria dos casos, o turista mais incauto não perceber patavina do que está a ver. Ficar-se-á pela fotografia para mais tarde recordar e, se pretender saber que igreja ou fortaleza é aquela que está à sua frente, terá de o deixar para mais tarde, porventura numa pesquisa pela internet. É certo que existem brochuras para turistas e quiosques multimédia, mas parece-me a mim que os turistas deveriam ter informação sobre o que estão a ver no próprio local. Nada do outro mundo, uma pequena inscrição, em inglês, português e mandarim... um pequeno parágrafo que fosse.
E não é só naquilo que é considerado Património Mundial que esta situação acontece. Se depressa alteraram as placas toponímicas trocando a ordem de entrada em cena da língua, primeiro o mandarim e só depois o português, certamente não será difícil melhorar o que pode e deve ser feito em prol do vasto património edificado ao longo dos quase 5 séculos de história de Macau. Para o futuro é o património que vai ficar da história de Macau pois as suas gentes, os filhos da terra, aos poucos, pelas mais diversas razões, vão acabar por saír. E é essa memória vivida de “Macau di tempo antigo” (no patuá...) que é importante preservar. O meu contributo está no blog intitulado precisamente Macau Antigo. Porque, tal como diz um provérbio chinês só “preservando o passado, compreendemos o presente e conhecemos o futuro”.
Um velho amigo que reencontrei (e foram muitos felizmente...) perguntou-me o que eu achava do Macau.. 20 anos depois. “Macau não se explica... sente-se, vive-se!” respondi. Macau é hoje uma cidade quase sem alma fruto de uma táctica que, se serviu para os primeiros 10 anos pós transferência de soberania, não será suficiente a longo prazo, onde mais do que táctica é preciso estratégia.Macau continua a ser uma terra de contrastes, mas hoje sobressai com espaço de contradições. O grande desafio que se coloca ao território é estar na vanguarda da modernidade (e tem exclentes condições para isso, a começar pelas imensas receitas estatais proveniente da indústria do jogo) sem perder a áurea do passado, aquela que se entranha na alma de quem visita Macau.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Anúncios de imprensa início séc. 20


Macau, 1996

Governador Lopes dos Santos

Faleceu Lopes dos Santos
Era o último governador de Macau antes do 25 de Abril ainda vivo

O último governador português de Cabo Verde e ex-governador de Macau, general António Adriano Lopes dos Santos, faleceu sábado (15 de Agosto) aos 92 anos. Lopes dos Santos era o último governador de Macau antes do 25 de Abril que ainda estava vivo. António Lopes dos Santos nasceu em Bragança, a 28 de Dezembro de 1919. Fez a escola primária na Figueira da Foz e o liceu em Bragança. Foi um general oriundo da arma de Engenharia que tanto agradou ao regime de Salazar e Caetano, como ao regime democrático surgido no 25 de Abril. Antes e depois da Revolução de 1974 ocupou altos postos militares que implicavam também a confiança política dos sucessivos governos.
Governador de distrito em Moçambique de 1959 a 1962, já tinha desempenhado a primeira missão oficial em Macau, como Chefe do Estado-Maior da Guarnição Militar, entre 1956 e 1958. Depois de deixar Moçambique rumou novamente a Macau, onde foi governador entre 1962 e 1966. Lopes dos Santos chegou ao território em Fevereiro de 1962 para substituir o tenente-coronel Jaime Silvério Marques, exonerado do cargo. Foi enquanto governador de Macau que foram divulgados pormenores do Plano Intercalar de Fomento de Macau para os anos de 1962 a 1965. O projecto previa mais aterros, a criação de novas zonas residenciais em aterros, a urbanização do Porto Exterior, a construção de um aeroporto na Ponta da Cabrita, na parte este da ilha da Taipa, de três hotéis modernos, um casino, e centros comerciais, cívicos, turísticos, de saúde e de recreio e lazer. Foi durante a era de Lopes dos Santos que foi assinada a primeira concessão de jogo do território.
Quatro anos depois, José Manuel Nobre de Carvalho substituiu Lopes dos Santos no cargo de governador de Macau. Depois de Macau, António Lopes dos Santos foi segundo comandante militar e comandante operacional adjunto do comando-chefe da Guiné, entre 1968 e 1970. Entre 1970 e as vésperas do 25 de Abril de 1974, esteve em Cabo Verde, como o último governador colonial.A seguir à Revolução do 25 de Abril, António Lopes dos Santos foi promovido a general e nomeado vice-chefe do Estado-Maior do Exército. Presidiu ao Conselho Superior de Disciplina do Exército e dirigiu o Centro de Estudos Militares. O seu último cargo público foi o de director do Instituto de Defesa Nacional, tendo depois presidido à assembleia geral da Associação da Secular Amizade Portugal-China. Isto apesar da sua ligação a Macau ter terminado no ano em que partiu do território. Ainda assim, em 2000, substituiu o general Rocha Vieira na presidência da Fundação Jorge Álvares (FJA). Tinha então 83 anos. O Conselho de Administração da FJA passou então a ser presidido pelo General Lopes dos Santos, integrando mais dois ex-governadores de Macau, Melo Egídio e Carlos Melancia, e ainda o editor Guilherme Valente e o advogado Manuel Coelho da Silva.
Na suas memórias, intituladas “Da varanda de Santa Sancha: memórias do ex-governador António Adriano Faria Lopes dos Santos”, o ex-governador afirmaria anos mais tarde: “durante o meu governo as soluções tinham que ser pensadas e repensadas, sobretudo quando os problemas eram de natureza política em relação à RPC, ou afectos a organizações ou a pessoas a ela ligadas. Para isso contribuía a não existência de relações diplomáticas com a RPC…”. Um testamento político.
Artigo do Jornal Hoje Macau - Agosto de 2009