quinta-feira, 28 de março de 2013

Estrada Governador Albano de Oliveira: Taipa, 1948

O desenvolvimento da construção desta estrada é apresentado no Relatório da Administração do Concelho das Ilhas. A estrada foi construída pelo Repartição Técnica das Obras Públicas para se ligar a fortaleza da Taipa e a Vila da Taipa. Ou seja, fez a ligação e um primeiro aterro entre as duas ilhas que formam aTaipa: a Taipa Pequena e a Taipa grande. O projecto Este começou com um aterro em 1947 e levou alguns anos para ser concluído. Tem 1240 metros de comprimento e recebeu o nome do antigo governador Albano de Oliveira. A 25 de Fevereiro de 1950 foi o próprio governador Albano de Oliveira que presidiu à cerimónia de abertura da estrada e de um novo cais perto da fortaleza da Taipa.
As imagens, do Arquivo Histórico de Macau, foram feitas para o relatório da construção em 1948.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Bilhete postal: 1898

Enviado de Macau a 5 de Março de 1898 este postal enviado por correio marítimo chegou a Hannover (capital da Baixa Saxónia, Alemanha), menos de um mês depois, a 13 de Abril. Demorou pouco mais de um mês o que, para a época, é muito rápido. Deve ter tido 'sorte' na ligação marítima a partir de Hong Kong e por certo seguiu na chamada "mala alemã". Trata-se de um bilhete postal de 20 réis impresso em Portugal para a Província de Macau e Timor e em Macau foi 'carimbado' com a quantia de 3 avos.
PS: tal como em todas as imagens, ao clicar sobre a mesma, pode ver em tamanho maior.

terça-feira, 26 de março de 2013

"Adé": 20 anos depois da morte

José dos Santos Ferreira, mais conhecido por Adé, morreu há 20 anos, mas o seu legado não. No blog, que ele chamaria de "Macau di tempo antigo", reproduz-se um dos seus poemas mais conhecidos (em patuá e em português).
Pa vôs, Macau quirido, pequinino,
Nêsga de chám pa Dios abençoado
Macau cristám, qui fórça di destino
Já botá, na caminho alumiado;
Pa vôa, iou pensá vêm co devoçam,
Rabiscá unga poéma di amôr,
Enfeitado co vôs na coraçam
Pa têm mercê di bença di Sinhôr.
Para ti, Macau querida, pequenina,
Nesga de terra por Deus abençoada,
Macau cristã, que a mão do destino
Colocou no caminho iluminado;
Para ti, pensei vir com devoção,
Compor um poema de amor,
Contigo enfeitado no coração,
E assim merecera bênção do Senhor.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Fragata João Belo: 14 a 24 Março 1970

"Há cinco anos que Macau não era visitada por vaso de guerra português. Por esse motivo a estada da fragata «João Belo» no porto exterior de Macau, tem sido muito festejada pela população que acolhe com particular simpatia os nossos marinheiros."  
Diário de Notícias - 24.03.1970
Jornal de Hong Kong "The Star" - 20.03.1970

domingo, 24 de março de 2013

Selos: impostos, taxas e outros

Início século XX
meio avo e 4 avos
Contribuição industrial: inicio séc. XX
ca. 1919
Bilhete Postal enviado de Macau para Portugal pela "mala allemã" em Maio de 1905
10 avos 'transformados' em 5 avos

sábado, 23 de março de 2013

O fim das negociações da Declaração Conjunta

A 23 Março de 1987 Portugal e a China chegam a acordo sobre a transferência da soberania de Macau a 20 de Dezembro de 1999, no fecho da quarta ronda de negociações.
O livro "Rumos de Macau e das Relações Portugal – China (1974-1999)” integra as intervenções de dois ex-ministros dos Negócios Estrangeiros (José Medeiros Ferreira e Pedro Pires de Miranda), quatro ex-governadores (Garcia Leandro, Pinto Machado, Carlos Melancia e Vasco Rocha Vieira), um embaixador em Pequim, que também liderou a parte portuguesa do Grupo de Ligação Conjunto Luso-Chinês (Pedro Catarino) e dois investigadores (Luís Filipe Barreto e Moisés Silva Fernandes), no âmbito de um seminário organizado pelo CCCM.
Segue-se um excerto da intervenção do Eng.º Pires de Miranda sobre o enquadramento das negociações que conduziram à assinatura da Declaração Conjunta a 23 Março 1987.
“Fizemos ver aos chineses que o acordo de Hong Kong não se podia aplicar a Macau. Era um problema diferente, porque a nossa presença não tinha resultado de ‘tratados desiguais’, guerras do ópio e de ocupações e coisas desse género. A nossa presença em Macau tinha sido consentida, havia quase 500 anos. Não era uma colónia, ao contrário de Hong Kong. Havia eleições, condicionadas é certo. E todas estas e outras especificidades tinham que ser consideradas. Aceitámos a ‘estrutura’ do acordo de Hong Kong, mas só isso. A Lei Básica da nova região seria feita pelos chineses, mas os nossos pontos de vista tinham que ser nela considerados e incluídos na Declaração Conjunta. Fizemos então um esquema das matérias e questões que nos interessava tratar e dos pontos de vista essenciais e daqueles em que poderíamos ter flexibilidade em ceder. Não nos interessavam preâmbulos de tratado que dissessem que no passado as relações eram más, com imposições coloniais, referências a tratados desiguais, etc. Teríamos apenas de dizer que queríamos resolver um problema que a História nos tinha legado. Queríamos que em Macau existisse um regime democrático, com os ingredientes conhecidos, adaptados às circunstâncias locais, devendo isto constar na lei. Queríamos que houvesse uma separação de poderes, com um ‘judicial independente’, com recurso de última instância em Macau. Queríamos que a maneira de viver se mantivesse, usando o conceito de ‘um país, dois sistemas’ e que os interesses específicos dos habitantes de Macau fossem acautelados. Nesta área de interesse específico incluíamos a liberdade religiosa e de prática de culto, o ensino livre, nomeadamente o católico, e a ligação da Igreja de Macau ao Vaticano. Acordámos os contornos essenciais da futura ‘Lei Básica’, assegurando o que nos pareceu essencial. Ficou estabelecido que a China não faria interferências em Macau, durante o período de transição até à transferência da Administração. Em anexos I e II fizeram-se os esclarecimentos sobre aspectos a constar na ‘Lei Básica’. Houve que fazer um trabalho de detalhe muito grande. Os chineses eram minuciosos e nós também. Havia que pôr certas matérias bem claras, outras menos. No caso da religião, um texto que fosse aceite e que mantivesse a liberdade de culto e a sua prática pública. E, finalmente, havia que encontrar uma solução para a questão da nacionalidade e para a data da transferência, ponto importantíssimo para os chineses, que queriam fazê-la coincidir com a de Hong Kong. Nas conversações com o Sr. Zhou Nan fiz-lhe ver que esta solução não era aceitável face às circunstâncias portuguesas, mas certamente que seríamos razoáveis. Desejávamos um período de transição, o mais longo possível, dentro do razoável. Havia uma corrente de opinião em Portugal que pretendia que a transferência se fizesse em data bem já dentro do século XXI, para que a nossa presença fosse de 500 anos. E esta ideia passou para a imprensa. Os chineses reagiram ferozmente. Mas eu expliquei à parte chinesa que o Governo não controlava os jornais e que a posição oficial portuguesa era diferente. O que se pretendia era obter uma transição que permitisse consolidar em Macau o sistema existente, modernizar e dinamizar o território de molde a assegurar um futuro próspero. Os chineses tinham pressa em acordar uma data, pois queriam no próximo Congresso do partido (que se reúne de três em três anos) tratar do assunto de Macau. Compreendi também que os chineses não aceitariam uma data muito distante da de Hong Kong. Propusemos então que deveríamos dispor de um período de 12/13 anos para a transição, para realizar nos nossos planos para Macau. Sabíamos que para lá de Dezembro de 2000 os chineses não negociariam. Essa data limite servia os nossos propósitos.
 Depois de muitas e difíceis negociações, acordou-se para a data de passagem da Administração o dia 19 de Dezembro de 1999. Foi assim possível, tendo em atenção a pressa política dos chineses e os nossos interesses, chegar a este compromisso, aceitável para as duas partes: para eles, podiam aprovar em Congresso, em Março de 1987, o acordo que passava a Administração para a China, antes do fim do século; para nós, tínhamos obtido boas condições e tempo para as implementar. Antes da rubrica do Acordo fizeram-se as reuniões que se impunham. O Sr. Presidente da República convocou o Conselho de Estado, que deu o seu acordo ao negociado. Entretanto, o Sr. Primeiro-ministro e o Ministro dos Negócios Estrangeiros tiveram reuniões com os partidos políticos, que foram informados do andamento das negociações e das principais linhas que se tinham seguido. 
Alguns dos pontos acordados não constavam da Declaração Conjunta, nem nos Anexos, mas estavam registados nos ‘procés verbais’, o que tem a validade que tem... Tratava-se da construção do Aeroporto, do caso do Banco Nacional Ultramarino, do Fundo de Pensões, etc. Mas, como quase sempre acontece em negociações (políticas ou comerciais), desta complexidade, surge no último momento uma complicação inesperada e insolúvel, que parece pôr tudo em causa. Foi o que sucedeu com o problema da nacionalidade, que só foi resolvido na véspera (durante a noite) da rubrica do Tratado. O problema foi resolvido pela introdução de declarações, anexas ao tratado, de ambas as partes, em que cada uma fez a interpretação possível, que lhe era mais conveniente, esperando que, na prática, tudo corresse com bom senso. É que nós não podíamos dizer que todos os chineses que viviam em Macau eram portugueses, nem os chineses aceitavam que todos os habitantes com passaporte português fossem portugueses. Obteve-se uma solução ambígua, com que ambas as partes se satisfizeram e que, na prática, até agora, não tem tido dificuldades em ser usada. O acordo foi rubricado em Pequim, em Março de 1987, e a cerimónia da assinatura teve lugar em 13 de Abril de 1987, também em Pequim”.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Repartição do Expediente Sínico: 1885


A Repartição do Expediente Sínico, criada pelo Decreto de 2 de Novembro de 1885, publicado no Boletim da Província de Macau e Timor, em 22 de Março de 1886 (na imagem) tinha como missão:
- Fazer a tradução para português de documentos escritos em chinês e vice-versa, quer relativos às relações com a China, quer relativos às repartições públicas de Macau;
- Fornecer ao Governador, sempre que fosse solicitado, intérpretes para traduções orais do dialecto cantonense e língua mandarina;
- Destacar intérpretes de língua chinesa para comissões de serviço, fora de Macau, sempre que o Governador o determinasse;
- Fornecer intérpretes às outras repartições públicas para o trabalho de tradução de escritos chineses;
- Enviar intérpretes para traduções orais a qualquer repartição, onde tivesse que comparecer alguma autoridade chinesa;
- Arquivar os originais dos ofícios vindos das autoridades chinesas e as cópias em língua chinesa dos que fossem enviados, bem como as versões chinesas de todos os documentos que não fossem publicados em Boletim Oficial e que não fossem arquivados noutras repartições;
- Traduzir os documentos a serem publicados em Boletim Oficial e rever as provas tipográficas dos mesmos.
Manuel Pinheiro Chagas, secretário de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar justifica esta criação desta forma: "Com o extraordinario augmento da população chineza de Macau nos ultimos annos, o expediente sínico a cargo da 1ª secção da procuratura dos negócios sínicos, tem crescido por fórma que se torna indispensavel attender ás reclamações apresentadas officialmente pelo governador da provincia de Macau e Timor, sobre a falta de pessoal que o desempenhe com a devida regularidade (...)."
De acordo com o decreto os intérpretes de 1ª classe deviam possuir o conhecimento perfeito da língua chinesa escrita; da língua mandarina; do dialecto cantonense e das línguas francesa e inglesa. Os de 2ª classe deviam possuir o conhecimento perfeito da língua chinesa escrita e do dialecto cantonense. O letrado china devia estar habilitado também a ensinar a língua mandarina, uma vez que os intérpretes de 2ª classe deviam estudá-la e fazer os respectivos exames, em cada semestre dos três primeiros anos, depois de admitidos ao quadro da Repartição. O Governo de Macau ficava autorizado a subsidiar os estudos da língua chinesa escrita a indivíduos que quisessem integrar o quadro da Repartição.
Pedro Nolasco da Silva (1842-1912) foi o primeiro chefe desta repartição (de 1885 a 1892)
A partir de 1877 fora criado em Macau um tribunal especial para resolver os diferendos apresentados pela comunidade chinesa. Colocou-se então o problema da comunicação... Era preciso que os chineses percebessem a lei portuguesa e para isso era imperioso que se desse conhecimento da mesma em língua chinesa. Anos antes, atendendo às "frequentes relações que as suas auctoridades têem com as do imperio chinez" e à "especialidade da sua população", o ministro encarregado dos negócios da marinha e ultramar, Marquês de Sá da Bandeira, decretara a criação "de um corpo de interpretes de língua sinica, apto para o exercicio das funções que lhe forem incumbidas". Este corpo era composto de um intérprete de 1.ª classe, um de 2.ª classe e "dois alumnos interpretes".

quinta-feira, 21 de março de 2013

António Patrício: 1878-1930


António Patrício, escritor e diplomata, nasceu no Porto em Março de 1878 e morreu em Macau em Junho de 1930.
Foi estudante de matemática no Porto e frequentou a Escola Naval de Lisboa.Em 1908 conclui o curso de Medicina na Escola Médica do Porto. profissão que nunca exerce. No ano de 1911 ingressa na carreira diplomática ao ser nomeado cônsul de 2ª classe em Cantão onde esteve durante dois anos. Passa por diversos países (Reino Unido, Venezuela, Brasil, Alemanha, etc) até que regressa a Portugal em 1928. Dois anos depois, em Março de 1930, é nomeado ministro de Portugal em Pequim, cargo que não chega a ocupar, vindo a falecer à chegada a Macau a 4 de Junho de 1930.
A sua actividade literária (dramaturgo, contista, poeta) começa em 1905. Deixou uma obra marcada pelas influências de Nietzsche, Maeterlinck e D'Annunzio, bem como pelas correntes literárias do simbolismo, decadentismo e saudosismo.
Sugestão de leitura:
"António Patrício - Um Diplomata Republicano Liberal", de Jorge Carvalho Martins, INCM, 2000. O livro tem por base a dissertação de Mestrado defendida pelo autor (mestre em História Contemporânea), em 1995, na Faculdade de Letras de Lisboa.
Acaba de ser editado em Macau (COD Edições) um livro intitulado "Fragmentos Poéticos" com textos inéditos de António Patrício. Os textos compilados foram entregues a Luís Sá Cunha por José Augusto Seabra – autor do prefácio – que por sua vez os obteve da mão de António Braz Teixeira. “A obra dispersiva de António Patrício, escritor de errâncias fugidias, cuja órbita ultrapassou o fim do último século e o primeiro terço actual, entre as suas missões de diplomata discreto e as solicitações intermitentes da poesia, da ficção e do teatro, deixou como se sabe um rasto fascinante mas difuso, que se foi pouco a pouco delineando nas suas derivações. Uma delas, que não tem merecido, quanto a nós, a atenção devida, é a da escrita aforística, a qual marginou recorrentemente as vivências e as experiências estético-literárias de um autor de pendor reflexivo, em que se detectam ecos filosóficos – nietzchianos, nomeadamente, por ele próprio citacionalmente indiciados – com repercussões transtextuais nos seus discursos poético, narrativo e dramático. Da sua leitura ressaltam por vezes, com uma luminosidade ofuscante, reverberações de sentido que manifestam a intencionalidade criadora de muitos dos seus livros”, escreve José Augusto Seabra no prefácio do livro.

quarta-feira, 20 de março de 2013

The Chater Collection


The Chater Collection: Pictures relating to China, Hong Kong, Macao 1655-1860 with historical and descriptive letterpress by James Orange. Neste livro editado em Londres em 1924 (apenas 750 exemplares) reúnem-se cerca de 30 imagens de Macau desde o século 17 ao final do século 19.
A sua origem remonta a Sir Catchick Paul Chater (1846-1926) nascido em Calcutá mas que em meados do século XIX se tornou um homem de negócios bem sucedido em Hong Kong, onde foi um político de destaque desde 1896 até à sua morte em 1926. 
Ao longo da vida reunião centenas de ilustrações, quadros, cerâmicas e demais objectos de arte chinesa que resolveu doar a Hong Kong.
O curador deste espólio foi James Orange a quem se deve a edição deste livro. Macau ocupa o capítulo VII. Os textos e as imagens vão da pág. 271 à 317.
Catchick Paul Chater was a prominent british businessman of armenian descent in Hong Kong. Chater amassed a large collection of historical pictures and engravings relating to China which he gifted to the colony. 
The Chater Collection was subject to a work by its curator, James Orange, in 1924, at which time the collection stood at 430 items. Its backbone was the collection of Wyndham Law of the Chinese Maritime Customs Service, and included oil paintings, watercolours, sketches, prints and photographs, most of which are based on landscape scenes of the South China trading ports in the 18th and 19th centuries, and of British activities in China. 
The Chater Collection was dispersed and largely destroyed during the japanese occupation, and only 94 pieces (now an important part of the collection of the Hong Kong Museum of Art) are known to have survived.
Ilustração de Macau no século 17  e Paul Chatter em 1924
Ilustração do século 17 
Vista do Porto Interior ca. 1780 (zona templo A-Ma) 
Praya Grande por Chinnery ca. 1830
 Desenho da entrada do Palácio do Governo em 1845
 Desenho de uma "casa europeia" por Chinnery  em 1844
 Praya Grande 1847
Vista da Praya Grande em 1845
Mapa de 1840

terça-feira, 19 de março de 2013

Fundação Oriente comemora 25 anos

A Fundação Oriente (FO) foi constituída a 18 de Março de 1988 pela Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), como uma das contrapartidas impostas pela Administração de Macau à concessão em regime de exclusivo da exploração do jogo naquele território até 31 de Dezembro de 2001. É uma pessoa colectiva de direito privado dotada de personalidade jurídica e sem fins lucrativos. A utilidade pública foi reconhecida em Portugal no Suplemento do Diário da República nº 54, II Série, de 6 de Março de 1989, e em Macau no Decreto-Lei nº 16/89/M, de 8 de Março, publicado no Boletim Oficial de Macau nº 10.
Em 20 de Junho de 1997, após consultas de ambas as partes, e com a anuência da FO, foi entendido pelo Grupo de Ligação Luso-Chinês, tutelado pelos Ministérios dos Negócios Estrangeiros de Portugal e da República Popular da China, que, com efeitos a partir de Janeiro de 1996, os rendimentos regulares previstos no contrato para a concessão do exclusivo da exploração do jogo no Território de Macau deixavam de ser atribuídos à FO e passariam a ser entregues a uma nova fundação, a constituir em Macau. Quebrou-se deste modo o elo que, desde 1988, unia a FO ao contrato do jogo em Macau.
Actualmente a Fundação Oriente Integra o grupo das 20 maiores fundações europeias e é membro fundador do European Foundation Centre. Tem sede em Lisboa e delegações na Região Administrativa Especial de Macau, na Índia e em Timor-Leste.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da FO, Carlos Monjardino fez um balanço dos 25 anos: "Foram várias fases, umas melhores do que outras, mas o balanço é claramente positivo, sobretudo no que toca à cooperação entre a China e Portugal e a especial atenção dada a Macau". O 25º aniversário vai ser assinalado com um conjunto de iniciativas no Museu do Oriente em Lisboa.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Return to Paradise: 1998

Durante um Verão passado na Malásia três norte-americanos - Lewis (Joaquin Phoenix), Sherife (Vince Vaughn) e Tony (David Conrad) - desfrutam dos prazeres da vida: mulheres, álcool e drogas.  Como o fim das férias, Tony e Sherife voltam para Nova York, mas Lewis decide ir para o Bornéu salvar os orangotangos. Nesse dia Lewis é preso, pois Tony e Sherife antes de partirem deixaram com ele 140 gramas de haxixe e, segundo as leis locais, a partir de 100 gramas o portador é considerado traficante e a pena é a morte por enforcamento. Dois anos depois, em Nova York, Sherife é condutor de limusines e Tony é um arquitecto que está noivo. É então que surge Beth (Anne Heche), uma advogada que conversa com os dois e lhes conta que há um acordo verbal que diz que se um deles voltar para cumprir a pena terá de ficar seis anos preso, se os dois voltarem, três anos de prisão para cada um e se nenhum voltar Lewis será enforcado em oito dias...
Acho que a sinopse é suficiente para vos aguçar o apetite e verem ou reverem este filme rodado em 1997/98 na Tailândia, EUA, Hong Kong e Macau. Entre as cenas filmadas no território temos o hotel Bela Vista (interiores - quartos e escadaria do lobby - e exteriores), o istmo Taipa-Coloane, o aeroporto e um avião da Air Macau, este último foi a única referência que encontrei nos créditos do filme.
Existem dezenas de filmes rodados em Macau como poderão verificar neste post

sábado, 16 de março de 2013

Liceu: o Infante, o padrão e as viagens de finalistas

Março é o mês do Infante D. Henrique, patrono do Liceu. Março é também o mês em que tradicionalmente se efectuavam as viagens de finalistas (à China, Tailândia, Filipinas, etc...).

Nas imagens a preto e branco - da empresa Foto Lens sita na av. almeida Ribeiro, 1Q e tel. 2872: anos 50/60 - a fase final de construção do edifício do Liceu na Praia Grande (o primeiro construído de raiz para albergar o Liceu que foi criado em 1893) e o padrão dos descobrimentos colocado frente ao edifício nas comemorações henriquinas de 1960 (V centenário da morte). Na época denominava-se Av. Salazar e mais tarde passou a chamar-se Av. Dr. Mário Soares. No final da década de 1980, com a demolição do edifício do Liceu o padrão foi removido e transferido para junto da estátua de Jorge Álvares, frente ao antigo tribunal. Inclui um excerto d'Os Lusíadas. "... e se mais mundo houvera lá chegara".
 Duas memórias fotográficas do 'meu' grupo de finalistas em 1989

sexta-feira, 15 de março de 2013

Memórias de António Cambeta

10 de Junho de 1964
1965: no riquexó (cima) e frente à Messe dos Sargentos (baixo)
Quem viveu em Macau nos anos 60 recorda com saudade a Avenida da Praia Grande, onde as suas frondosas árvores no abrigavam do calor, a sua baía tinha uma vista maravilhosa, pena era por vezes, quando a maré vazava o mau cheior que lá vinha, mas compensava com a tranquilidade do local. Por essa altura era, embora o quartel onde me encontrava alojado ser na Ilha Verde, à Praia Grande me deslocava para tomar as refeições na messe dos Sargentos e dar à noite os meus passeios "higiénicos" por toda a marginal. Nessa bela avenida desfilei no dia 10 de Junho de 1964, defronte do Palácio do Governo (1º imagem). Nos anos de 65 a 69 estudei no Liceu Nacional D. Henrique que ficava defronte da baía da Praia Grande, hoje Avenida Dr. Mário Soares.
No ano de 1997, quis o destino que fosse morar para a Praça de Lobo de Ávila, que fica na Praia Grande, disfrutando de minha varanda, sita num décimo andar, uma vista espectacular. Como ex-marinheiro continuo a ter o mar ao pé de mim. Não é bem o mar, é mais um lago chamado Nam Van com uma fonte cibernética linda, o mar esse fica um pouco mais lá ao longe. Recordar é viver!..

Testemunho de António Cambeta, antigo militar em Macau (e com longa vida no território) e leitor desde a primeira hora do blog Macau Antigo. Nesta última imagem António Cambeta foi fotografado na Penha tendo como fundo a baía da Praia Grande em 1964.
PS: faça como o António e partilha as suas memórias de Macau enviando um e-mail com um texto e imagens para macauantigo@gmail.com.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Capitão Fernando Lara Reis: 1892-1950

O Capitão Fernando Lara Reis (1892-1950) foi uma das figuras marcantes dessa larga elite do professorado que serviu no Liceu de Macau ao longo dos decénios. Foi um activo precursor da escola igualitária, democrática e inclusiva, com uma genuína preocupação com a formação integral do alunos.
Lara Reis (1º a contar da dta): júri de um exposição de Arte no Leal Senado em 1924. Destaque ainda para nomes como Camilo Pessanha (1ª da esq) e Manuel da Silva Mendes (2º a contar da dta sentado).
Natural de Leiria, a sua formação fez-se no Colégio Militar e na Escola de Guerra, designada posteriormente como Academia Militar. Em 1915, como oficial de infantaria, faz uma comissão de serviço em Angola. Em 1917, já tenente e adido à recém formada estrutura da aviação militar, parte para França, integrando o Corpo Expedicionário Português, para combater na primeira grande guerra. Sofre um acidente com o avião militar e é internado no Hospital Militar de Paris. As lesões sofridas incapacitam-no para o serviço activo. É promovido a Capitão e passa à reserva em 1918.
É nomeado Professor Efectivo do 9º Grupo (Desenho e Trabalhos Manuais) no Liceu de Macau, em 1919, que será a escola de toda a sua vida, com a ressalva dos anos da Segunda Guerra Mundial em que leccionará em Goa, no Liceu Afonso de Albuquerque. Não fica, nesse ano, seguramente, indiferente à capitulação da Alemanha pelo Tratado de Versalhes, que coloca um ponto final na primeira Grande Guerra.
O Liceu de Macau tinha então 37 alunos e quando se apresenta, o Reitor era Humberto Severino de Aguiar, recém-empossado após o mandato de Mateus António de Lima. Em 1919 Macau e as Ilhas perfaziam 12 km2, um pequeno cosmos, como bem se percebe. O Bispo era D. José da Costa Nunes e o Governador, Henrique Correia da Silva. No Liceu, já lá estavam Camilo Pessanha, Manuel da Silva Mendes, Carlos Borges Delgado ou José Ferreira de Castro.
Monsenhor Manuel Teixeira, na importante monografia que dedicou ao Liceu de Macau, refere: “nós, que vimos acompanhando a vida do Liceu desde há cerca de 50 anos e que vasculhamos todo o seu arquivo, não encontramos ainda um professor que tenha servido a sua escola com tanta dedicação como Lara Reis. É que ele não se limitava às suas funções de professor competentíssimo de desenho (…) A sua dedicação levava-o a tomar muitas outras iniciativas, sempre a bem dos alunos: exposições escolares anuais, em que ele sabia despertar o estímulo dos alunos e o interesse do público; festas e récitas frequentes, excursões culturais a Hong Kong, ‘picnics’ às ilhas, etc.”.

Esta dedicação exclusiva, uma doação permanente à causa da educação e da formação extra-curricular é apreciada pela comunidade e pelos seus pares e reconhecida pelos seus alunos. Da sua formação militar traz a disciplina, a ordem, a objectividade e o método que aliará à cultura da razão prática e ao saber profissional, guindando, desse modo a cadeira que lecciona de uma zona secundária e residual para um nível de plena paridade com as demais áreas do saber.Os programas e as respectivas instruções pedagógicas, que então leccionará, poderemos vê-los no decreto-lei nº 6132 de 23 de Dezembro de 1919, que a Imprensa Nacional de Macau só publicará em 1922. Curiosamente, um sinal da grande instabilidade política então vivida, está no facto de a primeira parte desse decreto ter sido assinada em 26 de Setembro de 1919 pelo Presidente João do Canto e Castro, e a segunda parte, assinada em 30 de Dezembro de 1919, pelo Presidente António José de Almeida…
San Ma Lou: década 1920
Esta capacidade pedagógica inovadora, que a documentação guardada no seu arquivo pessoal poderá certamente documentar, tornou-o popular entre os alunos que o reconheciam como um Mestre exigente. Este pormenor não escapou a um antigo aluno, Hugo do Rosário, que diz,“recordo-me de um grande professor que nós tivemos, o Dr. Lara Reis, Professor de Desenho e de Trabalhos Manuais. No fundo da sala de aulas havia um dístico, no alto, que dizia ‘Quem Não Entende a Arte, Não a Estima’. Aprendemos a técnica do desenho sob várias perspectivas. Ele tinha um sistema pedagógico fantástico. E era um homem de muitos talentos”. Alberto Maria da Conceição escreveu em 1944 sobre a Associação Escolar do Liceu, estas palavras comovidamente luzidias: “quem poderá jamais olvidar as festas de Natal, em que se distribuíam ricos brinquedos aos caloiros, do carnaval, em que se observava uma miscelânia de pitorescos fatos carnavalescos, e do ‘fim do ano’ em que se apresentava o Orfeão, se representavam peças e se liam trabalhos feitos pelos próprios alunos e finalmente se distribuíam prémios aos vencedores dos torneios realizados durante o ano escolar?”. A alma de tudo isto era Lara Reis, concluiu, e bem, Monsenhor Teixeira.
Rua Cons. Ferreira de Almeida: década 1920
Lara Reis integra-se em todas as colectividades e agremiações que então existiam em Macau, numa fraternidade socializadora e com contornos cívicos e humanistas. Estava em todas porque todas representavam Macau, todas eram Macau. Fundou a Liga dos Combatentes da Grande Guerra e providenciou a construção de um Ossário-Monumento dos Combatentes no Cemitério de S. Miguel. Viajante cosmopolita, chegou a conversar com Mahatma Gandhi em Nova Deli, conseguia trazer essa mundivivência para dentro da sala de aula, enriquecendo sobremaneira a transmissão dos conhecimentos. José Maneiras, antigo aluno, lembra-se bem: “mas distingo o Professor Lara Reis por ter sido um professor excepcional, um homem eclético, mal humorado, mas com um grande coração. Era um solteirão muito viajado e muito organizado. Preparava as suas viagens ao longo do ano e durante as férias desaparecia por três meses. Nas aulas era um espanto ouvi-lo falar sobre o que ele conhecia acerca do mundo”.Joaquim Morais Alves reteve a sua rigidez militar e a alcunha de “chega-me isso”, dada pelos alunos.

Já Leonel Barros enfatiza outra vertente: “havia um professor de desenho, muito metódico, chamado Lara Reis, a quem recordo como amigo e não como professor. Quando pintávamos, dizia-nos que o pincel só se podia limpar com a língua e tentava convencer-nos que aquilo não matava ninguém. Não nos deixava lavar o pincel sem ser com a língua.(…) Quando eu estou a desenhar, limpo sempre o pincel com a língua. A culpa de proceder desta forma foi de Lara Reis. (…) Eu aprendi muita coisa com ele, no que diz respeito também ao desenho gráfico”.
O trabalho que realizou, que coordenou ou que os alunos executaram sob a sua orientação está completamente perdido. Monsenhor Manuel Teixeira explica-nos porquê: “No antigo liceu, na Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida, ostentavam-se vários quadros da sua lavra e dos seus alunos, que eram dignos de apreço. Também havia projecções de pontos, segmentos e polígonos nos vários quadrantes, feitos por ele com madeira, alfinetes, arames e linhas, que muito auxiliavam os alunos nos seus estudos. Infelizmente, quando em 1958, o Liceu passou para o Porto Exterior, tudo isso foi atirado para o lixo. Todas ou quase todas as exposições de artistas tanto portugueses como estrangeiros, realizadas em Macau, no seu tempo, foram da sua iniciativa ou patrocinadas por ele”.
Lara Reis foi benemérito e filantropo até ao fim. O Arquivo Distrital de Leiria acolheu os manuscritos, mais de 32 volumes dos “Diários de Viagem” e “A Minha Vida”, um rico espólio que tem sido minuciosamente estudado por Acácio de Sousa e por Orlando Cardoso. A casa de seus Pais, em Redinha, foi doada em 1941 e reconvertida em Escola Primária. A sua casa em Macau foi doada à Santa Casa da Misericórdia, tendo o Rotary Clube de Macau nela instalado a “Clínica Anticancerosa Lara Reis” (imagem acima).
Texto de António Aresta, docente e investigador, publicado no JTM de 27-01-2011

quarta-feira, 13 de março de 2013

Postal: carimbo 31 Julho 1911

Com o carimbo dos correios de 31 de Julho de 1911 este postal com uma mensagem muito sui generis para a época tem ainda a particularidade de ter um selo de 'contribuição industrial' com chancela antiga de 5 reis transformada em 1 avo. 
Nada se perdia tudo se transformava naqueles tempos...