quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Festival/Concurso Fogo de Artifício

Por estes dias decorre em Macau a 26ª edição do Festival Internacional de Fogo de Artifício, um dos grandes cartazes turísticos do território cuja organização está a cargo da Direcção dos Serviços de Turismo.
A primeira edição deste evento, que inclui um concurso de pirotecnia, realizou-se em 1989. China, Portugal, Japão, Austrália e França são alguns dos países vencedores.



Na imagem ao lado um postal da década de 1980 com uma vista nocturna sobre a cidade durante o evento. A foto é de M. Cardoso.
Actualmente o evento decorre junto à Torre de Macau, não muito longe do local onde foi tirada - vista da Praia Grande a partir da Taipa) esta fotografia e onde se vê a ponte Nobre de Carvalho, o edifício do antigo Tribunal e os hotéis Sintra e Lisboa.

sábado, 13 de setembro de 2014

Anúncio "Malas Holandezas": 1939

O anúncio foi publicado no jornal A Voz de Macau em 1939. As "Malas Holandesas" eram os vários navios das empresas Nederland Line e Royal Dutch Mail que faziam a ligação de Hong Kong directamente para Lisboa via Singapura ou via Java, ponto central da rota. Uns navios seguiam daqui para a Europa e outros seguiam até ao Japão fazendo várias escalas, incluindo em Hong Kong.
No anúncio "em férias para a Europa em modernos e confortáveis barcos movidos a motor. O agente era Henrique -Nolasco da Silva, com escritório no nº 20 da Av. Almeida Ribeiro.
Nomes dos navios: Baloeran,  Dempo,  Indrapoera,  Sibajak,  Slamat.
Rota:  Rotterdam, Southampton, Lisbon, Tangier, Gibraltar, Marseilles, Port Said, Suez, Colombo, Sabang, Belawan, Singapore, Batavia

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Emissão filatélica: 40º aniversário da "revolução nacional"

A emissão filatélica "40º aniversário da Revolução Nacional" é de 1966. Macau está entre as então 7 províncias ultramarinas onde estes selos foram postos em circulação. O regime de então escolheu para ilustração as obras realizadas no âmbito dos chamados Planos de Fomento. No caso de Macau foram impressos 3 milhões de selos com o valor facial de 10 avos onde se mostram dois edifícios construídos no final da década de 1950: o Liceu (construído nos aterros da Praia Grande) e o Hospital S. Januário (construído de forma faseada onde existia um outro desde o final do século XIX.
No dia especial para o Estado Novo, 28 de Maio, foi ainda posto a circular um envelope comemorativo especial.
Portaria n.º 21985 de 4 de Maio de 1966
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Ultramar, que, nos termos do artigo 2.º do Decreto n.º 37050, de 8 de Setembro de 1948, sejam emitidos e postos em circulação, em todas as províncias ultramarinas, selos postais comemorativos do 40.º aniversário da Revolução Nacional, reproduzindo sete edifícios escolares, seis hospitalares e o da estação do caminho de ferro da Beira, bem como um motivo simbólico do acontecimento, com as dimensões de 25,6 mm x 40,5 mm, nas quantidades, taxas e cores seguintes. (...)

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Pedro Guevara e o comissário do Santo Ofício


Pedro Henriques de Guevara (nascido em Torre de Moncorvo no século XVII) era filho de Luís Vaz Henriques, de alcunha o Alto, rendeiro e morador em Torre de Moncorvo, e de Isabel da Pena, ambos cristãos-novos. Teve quatro irmãos: Francisco Vaz Barbo, casado com Jerónima de Matos; Álvaro Cardoso de Oliveira, marido de Mécia de Pena; Gaspar Cardoso, casado com Josefa de Matos e que fazia viagens para Castela; e Félix Henriques, que embarcou para as Índias de Castela.
Na imagem: cópia dos papéis pertencentes a Pedro Henriques de Guevara remetidos à Inquisição de Goa pelo comissário em Macau ca. 1645
Os dados biográficos que se conhecem sobre Pedro Henriques são fruto, na sua maioria, de algumas diligências feitas pelo comissário do Santo Ofício em Macau, Manuel Fernandes, que as remeteu à mesa da Inquisição de Goa, em 1646. Nesta documentação, Pedro Henriques é apresentado como um judeu público bastante rico e que fazia muitas viagens, provavelmente por motivos comerciais, bem como para escapar à perseguição inquisitorial que lhe era movida por vários tribunais. Assim, em Setembro de 1645, Pedro Henriques teria chegado a Macau, oriundo de Manila, tendo passado, nessa viagem, pela região do Camboja. Sabendo que um comissário da Inquisição de Manila ordenara, através do vigário de Macassar, a sua prisão em Macau, Pedro fugiu para Cochim, no navio do capitão Diogo do Amaral.
Segundo uma carta do padre frei Gaspar de Carvalho, escrita em Macassar, a 13 de Maio de 1645, Pedro Henriques já teria uma ordem de prisão no México, presumindo-se que o seu primeiro destino, quando se ausentou de Portugal, tenha sido a América Espanhola e, só mais tarde, o Oriente. O arcediago e governador do bispado de Malaca, o padre Paulo da Costa, procedeu a algumas inquirições sobre Pedro Henriques, nas quais surgiu um testemunho de Gonçalo de Lima que narrou um episódio ocorrido na viagem que Pedro fez para Macau, dizendo que lhe tinha sido roubada uma escrivaninha quando se encontrava no reino do Camboja.Segundo o que o Santo Ofício averiguou, Pedro Henriques teria fugido para o reino de Portugal num navio de João da Costa. Pouco se sabe sobre o percurso deste mercador depois da sua fuga do Oriente. Em Janeiro de 1650, o Conselho Geral do Santo Ofício considerou que não existiam culpas suficientes contra ele para lhe ser instaurado um processo. No ano de 1658, uma prima sua, Catarina Henriques, referiu, na sessão de genealogia do seu processo na Inquisição de Coimbra, que o seu primo residia em Lisboa.
Texto de Fernanda Guimarães e António Júlio Andrade
Fontes: ANTT, Inquisição de Lisboa, proc. n.º 13643 (Pedro Henriques Guevara) e ANTT, Inquisição de Coimbra, proc. n.º 7575 (Catarina Henriques).

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Aluguer automóvel: 1918

Recibo de "aluguer de automóvel de sete assentos" passado ao Comissariado da Polícia a 20 de Setembro de 1918 num total de 101 patacas por dois períodos de aluguer durante dois dias. A Macao Cycle Depot (de L. A. da Silva) estava instalada nos números 97 a 99 da Praia Grande. A empresa foi criada no final do século XIX e como o próprio nome indica começou por se dedicar à importação de bicicletas. Datam desses tempos as britânicas “Raleight”.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Hovercraft

Joining the jetfoils, hydrofoils and conventional ferries on the 40-mile run between Hong Kong and Macau are Sealink's Hover Ferries from September 1983.
Equipped with the most modern navigational aids and a crew of seven, the 250-passengers vessels make six daily round trips between Kowloon and Macau.


Estes 'hovercraft' da Sealink tiveram uma curta existência. Juntaram-se à frota dos jetfoil, hydrofoil como mais uma alternativa nas ligações marítimas entre Macau e Hong Kong/Kowloon. 
Começaram a operar em Setembro de 1983. Transportavam até 250 passageiros e faziam seis viagens (ida e volta) por dia.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

José Gomes da Silva: 1853-1905

O coronel José Gomes da Silva (1853-1905) foi o primeiro Reitor do Liceu de Macau, corria o ano de 1894. Atrás de si estava uma carreira militar prestigiada, com uma comissão de serviço de uma vida no extremo oriente, repartida por Macau e por Timor, e com uma notável actividade como investigador, botânico e jornalista.

Natural da cidade do Porto , formou-se na Escola Médico-Cirúrgica do Porto , enveredando depois pela carreira militar. Em 1881 é colocado como Facultativo de 2ª classe do Quadro dos Serviços de Saúde de Macau e Timor.
Nesse ano e meio que estancia em Timor, faz este registo: “A vida social em Dili, tão semelhante à das pequenas terras do continente é um dos elementos mais favoráveis ao descrédito do clima. Nem uma biblioteca, nem um grémio, nem um teatro, nem um centro de reunião, nem um bilhar, nem uma orquestra, nem um meio qualquer de distracção do espírito”. Convenhamos que a vida não estaria fácil para um português que o Império obrigou a ser cosmopolita.
Em 1884, por incumbência do Governador de Macau, Tomás Sousa Rosa, preside à Comissão Administrativa que gere a Câmara Municipal de Dili. Publica dois estudos muito interessantes, “Breve Notícia sobre as Caldas de Bemanas em Viqueque”(1889) e o “Catálogo das Plantas de Macau e Timor”(1887), tendo remetido um Herbário ao Jardim Botânico da Universidade de Coimbra e outro à Sociedade Broteriana da mesma cidade. Sobre a realidade timorense, há a destacar o “Relatório sobre os Serviços de Saúde de Macau e Timor”(1887), um “Relatório sobre as Necessidades do Serviço de Saúde em Timor”(1889) , e “Em Timor”(1892). Em 1888 secretariou a Missão Diplomática ao Sião (Tailândia), e daí ter surgido, em 1889, o livro “Viagem a Siam”. Vamos encontrá-lo, em 1892, na Comissão Organizadora da Exposição Colonial que se realizou no Palácio de Cristal, no Porto, presidindo à secção histórico-cultural de Macau e de Timor.
Uma sentida reivindicação dos portugueses de Macau era a criação de um Liceu Nacional. Uma notícia inserta no jornal “O Oriente Portuguez”, de 5 de Setembro de 1893, é bem eloquente : “ a criação do Liceu de Macau veio ao encontro da maior aspiração dos chefes de família e dos jovens que residem em Macau”.
O Governador de Macau, José Horta e Costa, nomeou o Dr. José Gomes da Silva para exercer a função de Reitor do Liceu de Macau, em 24 de Março de 1894, em virtude do seu prestígio intelectual e , ainda, porque nessa fase delicada de instalação e organização era necessário uma pessoa empreendedora e dinâmica para liderar o processo. Recorde-se que o Dr. José Gomes da Silva era o Chefe dos Serviços de Saúde, sendo, posteriormente, também Professor de Física , de Química e de História Natural no Liceu. Os Professores percebiam o vencimento de 800$000 reis, tendo o Reitor uma gratificação de 60$000 reis.
Encontrado o edifício para o Liceu, o velho e desactivado Convento de Santo Agostinho (que acabou por ruir, sem causar danos pessoais), havia que prover o corpo docente, um concurso documental a cargo da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar. Os nomes mais sonantes dos Professores que iam abrir o ano lectivo eram, sem dúvida, o de Camilo Pessanha (Filosofia) e o de Wenceslau de Moraes (Matemática), muito embora outros como Mateus Lima, Abreu Nunes, Ribeiro Cabral, Pereira Vasco ou Baltasar Faleiro se tenham revelado mestres competentes e dedicados. Em 16 de Agosto é publicado o Regulamento do Liceu, sendo os exames de admissão efectuados a 10 e 11 de Setembro. A 28 de Setembro faz-se a inauguração, em sessão solene com alguma descrição, devido ao luto da Família Real.
O ano lectivo arranca com 57 alunos e, como muito bem se calcula, não foram bem pequenos os trabalhos do Dr. José Gomes da Silva, quer em termos organizacionais, quer na gestão de uma boa vontade política patrocinadora da continuidade e estabilidade do estabelecimento de ensino. Bem vistas as coisas, não terá sido por acaso que o Dr. José Gomes da Silva tenha exercido o cargo de Reitor por três vezes (1894-1898, 1898-1899, 1900-1903).
Continua a publicar estudos científicos [“Relatório da Epidemia da Cólera-Morbus a bordo do Transporte Índia e nos Lazaretos de Macau”(1888); “Rapport sur les essais du sérum Versin dans le traitement de la peste bubonique”(1897); “Rapport sur la peste bubonique a Macao et Lapa”(1897)], de sociologia dos costumes [“A República de Macau: história amena, redigida por um dos fundadores com a colaboração de muitos efectivos e adidos”(1896) – obra foi reeditada em 1994], de índole pedagógica [“Noções de Higiene e Medicina Prática para uso dos Alunos do Seminário Diocesano de Macau”(1899) ], para além da colaboração que generosamente espalhava na imprensa. Alguns estudos publicados no “Boletim Oficial” bem mereciam ser resgatados do esquecimento, porque são fontes importantes para a História de Macau e para a História de Timor.
Integrou a Comissão Executiva da Celebração em Macau do IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo da Índia, em 1898, a Comissão de Macau para a Exposição Universal de Paris, em 1900. No Hospital Militar criou um Museu de História Natural, que seria transferido em 1906 para as instalações do Liceu. Polemizou rijamente com o médico Ricardo Jorge por causa das medidas profilácticas para erradicar a peste.
Biblioteca do Leal Senado
Entre as suas condecorações destacam-se a Medalha de Ouro de Serviços no Ultramar, a Ordem de S.Tiago de Espada, a Ordem Militar da Torre e Espada, a Ordem Militar de S.Bento de Aviz e numerosíssimos louvores.
Sendo um homem do Norte, não dispensava o vinho tinto que fazia importar directamente da sua propriedade no Baixo-Douro para Macau. Faleceu em Macau, no dia 1 de Novembro de 1905, com a patente de coronel-médico, na sua residência “Vila Branca”.
O Conselho Escolar do Liceu de Macau, aquando do seu falecimento, presidido pelo Dr. Manuel da Silva Mendes, exarou em Acta o notabilíssimo contributo do primeiro Reitor para a consolidação e prestígio do Liceu, ao qual também legou a sua biblioteca particular, onde predominavam obras de medicina e de botânica. O fundo antigo da biblioteca histórica do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (Leal Senado) era a Biblioteca do Liceu de Macau e a maioria das obras de medicina aí depositadas pertenceram ao Dr. José Gomes da Silva.
Numa das suas “Cartas do Japão”, escreveu Wenceslau de Moraes, também ele antigo Professor no Liceu : “Por último, uma palavra de saudade pelo Dr. José Gomes da Silva, meu confrade neste Extremo-Oriente, como correspondente que era do ‘Comércio do Porto’, e cuja morte me acabam de anunciar em cartas. Todo nervos, todo sentimentalidades e irritabilidades, o Dr. Gomes da Silva, que fez toda a sua carreira em Macau, não escapou, claro está, à crítica azeda da colónia, que é forte neste género de energias negativas. Hoje, porém, que uma campa pousa sobre o seu corpo inerte, a colónia inteira e todos os que conheceram este grande lutador, devem sentir verdadeira mágoa pela perda do delicado intelectual, do brilhante escritor, do incansável e obsequioso funcionário, que era a chefe dos serviços de saúde de Macau, e, certamente, um dos seus mais distintos residentes europeus, durante estes últimos vinte anos”. Em 1917 o Governo de Macau adquiriu a vivenda “Vila Branca” , transformando-a no “Pavilhão Dr. Gomes da Silva” , destinado ao isolamento de doentes com varíola.
O seu nome está na toponímia local e durante muitos anos foi o Patrono da Escola Preparatória, entretanto extinta.
Artigo da autoria de António Aresta publicado no JTM

sábado, 6 de setembro de 2014

Lanternas de Macau em Cascais e no Seixal

Inserido no âmbito das comemorações dos 650 anos da Vila de Cascais, a 3ª edição do Lumina, que decorrerá de 12 a 14 de Setembro, conta com 26 obras oriundas de diversos países e que estarão expostas em 26 diferentes locais da vila, constituindo um percurso que irá proporcionar momentos de descoberta, magia e grande emoção junto do público.
O Turismo de Macau marca presença no evento com centenas de Lanternas Chinesas vindas directamente de Macau para encaminhar o público ao longo de duas zonas do Percurso de Luz (Avenida Valbom e Rua Francisco Arouca), celebrando assim a ligação entre Macau e Cascais e vinculando ainda uma parte da História de Portugal em que o mar fazia a união com o Oriente.
Para além das lanternas Chinesas, um Vídeo Mapping 3D apresentado sobre a fachada do Museu do Mar, servirá para realçar a ligação entre Portugal e Macau através do mar. 
A arte do fabrico de lanternas, está profundamente enraizada na cultura chinesa e pode ser apreciada em duas festividades. Primeiro no Festival das Lanternas (Yuan Xiao) que ocorre no final das celebrações do ano novo lunar (entre Janeiro e Fevereiro no Ocidente) e que anuncia a chegada da Primavera, e depois no Festival da Lua que acontece no 15º dia do 8º mês lunar do calendário chinês (normalmente em meados de Setembro no calendário gregoriano), que coincide com o equinócio de Outono do calendário solar. 
Por estes dias as pessoas reúnem-se nos núcleos de amigos e familiares, trocando ofertas entre si, comem os chamados bolos lunares (ut peang), fazem passeios com lanternas iluminadas, brincam com fogos de artifício e divertem-se a ver a lua cheia. Segundo a tradição o facto da lua estar cheia por esta altura é revelador do seu maior esplendor e o momento ideal para comemorar as colheitas do Verão.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Correios: história resumida


Os Correios em Macau começaram por funcionar numa residência particular desde 1869. Ricardo de Souza foi o primeiro director dos Correios criado a 1 de Março de 1884 tendo ainda ao serviço três carteiros. Foi há 130 anos. Antes, existiu o Correio Marítimo, criado em 1798. Atente-se no que é publicado no Boletim do Governo nº 17 para se perceber um pouco de como o serviço funcionava. O ofício n.º 14 de 22 de Fevereiro de 1878 manda que o serviço de distribuição do correio de Macau "continue a ser desempenhado pelos seus funcionários gratuitamente”.
Foram postos em circulação nessa data (1-03-1884), os primeiros selos (que se encontravam no território desde 1878):  9 selos com taxas de 5 a 300 réis, feitos na Casa da Moeda de Lisboa e que passaram a ser obliterados pelo carimbo-adesivo.
Cansado de esperar por uma autorização para que o serviço de correio fosse criado, o governador Tomás de Barbosa enviou um ofício para a Casa da Moeda em Portugal a 5 de Fevereiro de 1884
Tenho a honra de comunicar a V. Ex.ª que entendo que é urgente a necessidade de estabelecer um regular serviço do correio n’esta província e não podendo ser posto em execução em todas as suas partes o regulamento que por este governo se mandou proceder por conter várias disposições que dependem da aprovação de V.Exª e de prévio acordo com administrações postais de diversos países, determinei pela minha P.P Nº11, tendo sido ouvido o Conselho do Governo e a Junta da Fazenda de que, a contar do 1º de Março p.f. se poem em circulação os selos de franquia portugueses que por esse Ministério foram enviados a esta província e de que o serviço do Correio se regule provisoriamente pela instruções anexas á referida P.P, que numa próxima mala enviarei a V.Exª.
O estado actual do serviço do correio não podia por forma alguma continuar. Macau, como colónia portuguesa paz parte da «União Postal Universal» e o governo de Sua Magestade mandou já há alguns anos os selos de franquia necessários para que o correio desta cidade começasse a funcionar, e apesar de tudo isso são passados 5 anos depois da Convenção de Paris, e já quase outro tanto que os selos existem na Junta da Fazenda e o serviço postal continua a ser feito por uma succursal do correio de Hong Kong e a correspondência a ser franqueada com estampilhas inglesas acrecendo o vexame de terem os expedidores de pagar uma % de 8 avos por carta ao indivíduo encarregado de receber e expedir a correspondência. Nestas circunstâncias espero que V.Exª aprovará as medidas provisórias que tomei para regularisar d’alguma forma este serviço até que seja criada a repartição competente e devidamente aprovado o regulamento que muito em breve enviarei a V. Exª.
Concluindo cumpre-me dizer a V.Exª. que não existindo na Junta da Fazenda selos de valor de 80 réis e sendo justo e conveniente que o porte de uma carta que d’aqui for expedida seja igual ao que vem da metrópole, resolvi também aproveitar as estampilhas de 100 réis, habilitando-as para 80 réis por meio de um carimbo aplicado no Thesouro da Junta.
Logo no primeiro mês de funcionamento efectivo, em 1884, foram também estabelecidas as regras de funcionamento do serviço de correio entre Macau e as ilhas da Taipa e Coloane. A correspondência seria transportada diariamente excepto em dias santificados, na lancha da carreira, numa caixa com duas chaves, uma na mão do Director dos Correios de Macau, outra na do Administrador da Taipa. O serviço dos Correios na Taipa ficava no edifício inicialmente destinado a Hospital, que servia de Quartel na Taipa.
Depois os Correios passaram para o Palácio das Repartições onde funcionavam grande parte dos organismos públicos do governo e chegou a estar instalado o BNU, na Praia Grande. Ainda em meados do século XIX ganharam um edifício próprio, também na Praia Grande, ao lado do então Macao Hotel. Este espaço, antiga casa da guarda, foi demolido por volta de 1915.
No início do século XX já estava a funcionar no edifício do Senado. Em imagens da época pode ver-se que na fachada do edifício, para além da porta principal, existiam mais duas com acesso directo para o exterior. Numa delas, a da direita, funcionavam os correios.
Há ainda registo de que na década de 1920 o serviço postal chegou a funcionar na antiga residência do Padre Almeidinha, à Praia Grande , junto do Palácio do Governo.
Em 1891 começou a funcionar o Serviço de Vales de Correio, em 1905 entrou em vigor o Serviço de Caixas de Apartado Postal e os primeiros Marcos Postais foram colocados em 1910 em várias artérias da cidade. A Caixa Económica e Postal surgiu em 1917. Os serviços telefónicos passaram para o controlo da Repartição Técnica dos Correios e Telégrafos no dia 1 de Julho de 1927.
O grande salto qualitativo no serviço prestado ocorre no início da década de 1930 quando foi construído um edifício de raíz no Largo do Senado.
Revolucionou por completo a zona tendo para o efeito sido demolidos um conjunto de edifícios que ficavam ao lado do edifício da Santa Casa da Misericórdia. Segundo Henrique de Senna Fernandes, num testemunho dado em 1994, "Estava na forja a construção doutro edifício considerado imponente: o dos Correios e Telégrafos no Largo do Senado, considerado na altura majestoso e pleno de modernidade. Ninguém apontou, então, que o seu perfil pesado, sem estilo arquitectónico definido, iria contrastar com a fachada do Leal Senado, nem com outros edifícios do largo, todos cheios de arcadas e varandas, duma airosidade que só agora se reconhece".
O edifício é um projecto (arquitectura neoclássica) da autoria do arquitecto Chan Kun Pui que trabalhava na Repartição das Obras Públicas. Foi construído entre 1928 e 1931 ano em que foi inaugurado (8 de Dezembro). A inscrição romana na fachada assim o indica. Está classificado como "edifício de interesse arquitectónico".
De acordo com a arquitecta "A estrutura em betão justifica a grande escala do edifício, que se desenvolve com três pisos de escala colossal e uma cave. A situação de gaveto é enfatizada com o desenvolvimento em planta de um desenho curvo, que é acentuado no frontão curvo de remate à sequência de loggias desenvolvida ao longo dos três pisos, terminada com uma varanda em serliana. Este corpo de gaveto é ladeado por um conjunto duplo de colunas, assente num embasamento colossal de pedra e acentuado verticalmente com uma torre de relógio monumental, localizada a eixo do conjunto. Em 1989, sofreu profunda intervenção interior, com manutenção da leitura da fachada intacta."
Ali funcionou a primeira estação de rádio local logo em 1933. O que poucos saberão é que no edifício dos Correios existiu (existe?) uma capela. A 12 de Agosto de 1958, "foi benzida esta capela no edifício dos Correios, Telégrafos e Telefones, colocando-se o retábulo de S. Gabriel no mistério da Anunciação por sobre o altar do Senhor."
As telecomunicações deixaram de estar afectas aos Serviços de Correios a partir de 1 de Outubro de 1981, tendo sido concessionadas a uma companhia privada.
Este envelope de 1934 é uma emissão comemorativa do serviço postal oficial (50 anos) tem ainda a particularidade de indicar o nome do primeiro director dos Correios (funcionavam em sua casa) e o primeiro edifício oficial dos Correios de Macau, na Praia Grande, perto do Palácio do Governo.
Artigo da autoria de João Botas publicado no JTM de 26.6.2014

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Roteiro do Ultramar: 1958

Da autoria de Manuel Henriques Gonçalves este livro deverá ter sido editado pelos serviços de propaganda do Estado Novo, muito provavelmente a Agência Geral do Ultramar.
Inclui as então províncias ultramarinas portuguesas, mais os Açores e a Madeira num total de 131 páginas. A Macau são dedicadas 10 páginas profusamente ilustradas e inclui-se ainda um mapa, uma história breve do território e informações de âmbito geográfico e de carácter utilitário.
“Vias de comunicação exterior:ligações marítimas diárias com Hong Kong; ligações com Lisboa; ligações terrestres com a China através da Porta do Cerco.
Elementos económicos: Como grande porto franco e província constituída por áreas urbanas Macau é um grande entreposto de trânsito e importação. No entanto, exportou em 1956: arroz (518 tons); artefactos de malha (22 tons); artigos de bambu (352 tons); artigos de couro (10 tons); artigos de toilette (1.000 tons).
Divisão administrativa: Concelhos de Macau e Ilhas.
Hotéis europeus e chineses: A Chao, Bela Vista, Cam Va, Cantão, Central, Homo, Ian Ian, Kam Lang, Kuoc Chai, Macau, Riviera, San Hou, San Ka Pau, Hap Kei, Tai Peng, San San, Siong Hoi Seng Kai, Tong Fong, Ung Chao, Va Ton, Veng Va, Vo Cheong.
Informações económicas e turísticas: Repartição Técnica de Estatística – Macau
Informações gerais: Agência Geral do Ultramar – Rua S. Pedro de Alcântara, 81 – Lisboa.”

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

1972: 1º concurso Miss Macau

O concurso Miss Macau realizou-se pela primeira vez em 1972 e foi patrocinado pela Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM).

A vencedora da edição do Miss Macau 1972 foi Anabela de Oliveira Costa foi a vencedora em Macau e representou a então província no concurso em Portugal onde ganhou o título de  Miss Simpatia (imagem a preto e branco).

O postal é do blog Caderno do Oriente. A sua autora - MJ - encontrou o postal numa loja de 'souvenirs' na Taipa.
Entre 1985 e 1998 o Concurso Miss Macau foi organizado pela TDM - Teledifusão de Macau.

Legenda no verso do postal: "Picture shows the candidates of the first Miss Macau Beauty Contest roving around Praia do Bom Parto"

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Corpo de Polícia composto por civis: 1849


Na sequência do assassinato do gov. Ferreira do Amaral, a 22 de Agosto de 1849, passado pouco tempo, o Conselho do Governo (iria comandar os destinos de Macau até 30 de Maio de 1850) convoca a 1 de Setembro de 1849 todos os cidadãos que, "ou por cauza da idade, molestia, ou qualquer outro motivo estejam dispensados do Batalhão Provisório"; e determina que os "referidos cidadãos se appresentem amanhã ao meio dia aos Srs. Commandantes da Polícia."
 A ilustração do assassinato no jornal Illustrated London News de 1849
 O combate de Passaleão foi a resposta ao assassinato do gov. Ferreira do Amaral.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Museu Luís de Camões por L. Gonzaga Gomes

“O Museu Luís de Camões é assim denominado por se encontrar situado no Jardim da Gruta de Camões, decerto um dos mais aprazíveis locais de Macau. Está instalado em vetusto palacete, um dos raros exemplos de construção arquitectural dos meados do século XVIII, que sobrevive ao camartelo inexorável do incessante progresso.
Foi dono, tanto deste edifício como do amplo parque que o rodeia, o abastado negociante, Manuel Pereira, Fidalgo Cavaleiro da Casa Real do Conselho de Sua Majestade, Conselheiro da Fazenda, Comendador das Ordens de Cristo e da Senhora da Conceição de Vila Viçosa, um dos fundadores da Casa de Seguros de Macau e seus Vice-presidente e Tesoureiro. Tendo-se radicado nesta cidade, aqui constituiu família, casando três vezes e aqui faleceu em 10 de Março de 1826, tendo sido sepultado na igreja do extinto Convento, hoje Quartel de S. Francisco.
Entretanto, como os chineses não consentiam a estadia permanente dos comerciantes estrangeiros, nem dos seus barcos, em Cantão, foi-lhes permitido, finda a época das transacções comerciais nesse porto, isto é, de Outubro a Março, domiciliarem-se em Macau, em moradias que os portugueses lhes alugavam, não obstante a terminante proibição em contrário do Vice-rei da Índia.
Tinha, assim, Manuel Pereira o seu palacete alugado à Companhia das Índias, inglesa, quando, em 1792, chegou a Macau Lorde George Macartney, primeiro embaixador enviado pelo Rei da Inglaterra à corte do Imperador K’in-Long (1736-1795 AD).
Servia o palacete de Manuel Pereira de residência ao Superintendente da Comissão Selecta da referida Companhia das Índias e, nas suas amplas salas luxuosamente mobiladas e com fina e requintada elegância, se aposentou o ilustre enviado de S. M. B. Jorge III, quando, em 1794, regressara, exausto e acrimonioso da corte do Filho do Céu, pelo acabrunhante desaire da sua gorada missão.
Lorde Amberts consumiu, também, merencoriamente, nas salas desse palacete, amargas horas de decepção, pois, infrutuosa foi, igualmente, a missão de que fora incumbido, em 1816, pelo mesmo Jorge III, junto de Ká-Heng (1796-1821). Ora, já em 1883, se aventara a ideia de se adquirir esse palacete para ali se instalar um museu colonial.
Em 1885, propuseram-se os jesuítas franceses comprar o palacete e o parque, para instalarem ali um sanatório. Embora o Comendador Lourenço Marques, que era, nessa ocasião, seu proprietário, por ser matrimoniado com a filha do Conselheiro Manuel Pereira, pudesse ter vendido o imóvel por belo preço, preferiu cedê-lo ao Estado, apenas por $30 000 patacas, ou seja metade da oferta proposta pelos jesuítas franceses. A transacção foi efectuada, no governo de Tomás da Rosa, e sancionada pelo, então, Ministro da Marinha e Ultramar, o escritor Manuel Pinheiro Chagas, evitando-se destarte a consumação de um sacrilégio que a História não teria perdoado, porquanto, foi na chamada “gruta”, que encabeça um morrozito, transformado em edénico jardim pelos ingleses, seus arrendatários, que, segundo a tradição, Luís Vaz de Camões, o poeta máximo da Lusitanidade, se acolhia, fugido da materialidade mundanal e da afanosa veniaga que ia pelo incipiente burgo para, solitário e meditabundo, se entregar à evocação das esplendorosas gestas nacionais, fixando-as em imperecíveis e rutilantes estrofes que vieram a constituir “Os Lusíadas”, a Bíblia sagrada da Pátria Portuguesa.
O palacete em questão sofreu, no seu interior, profundas modificações, devido às obras que houveram de se fazer, no decurso do tempo, para o adaptar às necessidades de diversos serviços que foram ali, subsequentemente, instalados: Depósito de Material de Guerra, Repartição das Obras Públicas, Repartição das Obras dos Portos, Imprensa Nacional, e, finalmente, após apropriados restauros, aberto ao público, em 25 de Setembro de 1960, em cerimónia integrada nas Comemorações Henriquinas. Tal como se encontra, presentemente, o Museu Luís de Camões compõe-se de um vestíbulo e onze salas”.
Luís Gonzaga Gomes, in "Boletim do Instituo Luís de Camões", Vol. VII, nº 3, Outono de 1973

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Cheng Yu-Tung: o 'rei' do ouro

Começou sua carreira como joalheiro e é hoje um dos homens mais ricos da Ásia, com uma fortuna avaliada em 16 mil milhões de dólares americanos, feita à base de dois dos bens mais valorizados da China: ouro e imóveis. Aos 86 anos, Cheng Yu-Tung é o patriarca de uma família de Hong Kong que detém uma panóplia de negócios, desde o Hotel Carlyle de Nova Iorque até à cadeia de concessionárias da Ferrari na China. O magnata controla também a rede de lojas Chow Tai Fook (existem várias destes estabelecimentos em Macau), considerada a maior rede de ourivesarias do mundo. Só a abertura de capitais desta rede, em meados de Dezembro, resultou num encaixe financeiro de dois mil milhões de dólares americanos. (…)
Cheng Yu-Tung começou a carreira profissional em 1940, aos 15 anos, quando fugiu do Sul da China, então ocupada pelos japoneses, para Macau. Segundo uma biografia de 2003, a viagem de Cantão para Macau, que se manteve neutral ao longo da II Guerra Mundial, foi cheia de peripécias. Cheng terá escapado de um ataque de bandidos antes de ver a sua bicicleta roubada por soldados japoneses. A chegada a Zhuhai foi feita a pé. Na fronteira com Macau, o jovem teve que se espremer num barco lotado, sendo depois acolhido por Chow Chi-Yuen, um amigo da família, que era dono de uma loja de artigos de ouro chamada Chow Tai Fook (expressão que pode ser traduzida como “boa sorte” em cantonês). Cheng casou-se com a filha de Chow em 1942 e mudou-se em 1946 para Hong Kong. (…) O ouro desempenha um papel importante na cultura chinesa. Para além de ser visto como presente tradicional, é mais valorizado do que o dinheiro.
Excerto de um artigo publicado no JTM de 1 Janeiro de 2012

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Fauna

Manual de identificação de aves (residentes e migradoras) de Macau. De Leonel Barros que tb fez o Guia ilustrado de cobras venenosas de Macau e das Ilhas de Taipa e Coloane em 1978 (edição CIT).