sábado, 13 de novembro de 2010

"Macau, mãe das missões no extremo oriente"

Da autoria do reverendo Eusébio Arnaíz Alvarez; edição de 1957: Tradução do original espanhol pelo Pe.Artur Augusto Neves; impresso na Tiopografia Salesiana. Também é o autor de "A Princesa Mártir" de 1951, livro sobre Timor.
 Sé e Seminário S. José


A este propósito reproduzo artigo da autoria de António Vale, investigador da história de Macau.  Intitula-se "Macau: a porta da China".
Os missionários idos de Macau estiveram na origem de uma grande parte das igrejas e das cristandades do Extremo Oriente. Reza a lenda que o padre Alexandre Valignano, grande impulsionador das missões da Companhia de Jesus no Extremo Oriente, ao chegar a Macau em 1578, costumava olhar para China e bradar: «Ó rochedo, rochedo, quando acabarás por te abrir?»
Curioso este grito do jesuíta para que se abrisse uma brecha por onde os missionários pudessem aceder ao interior da China. Curioso, dizia, mas também significativo, porque os chineses de Macau dão à cidade o nome de Ou Mun, isto é, a Porta da Baía, que faz a ligação com o mar. Igualmente interessante o facto de, a partir de Macau, se aceder à China, por via terrestre, através da Porta do Cerco ou dos Limites. Meras casualidades? Não há dúvida que sim, mas a História encarregou-se de lhes dar consistência, porque esta ideia de Macau como porta por onde se entra na China, se encontra expressa com frequência na documentação oficial até ao séc. XIX, frisando-se que não se podia perder Macau, porque com isso se fecharia a porta por onde entrava o cristianismo na China. E não é, certamente, por acidente que ainda hoje se continua a falar de Macau como local privilegiado para o encontro entre o Oriente e o Ocidente. No fundo, é a ideia de porta que se mantém no nosso subconsciente.
Frases feitas e mecanicamente repetidas, não passam, muitas vezes, de mera retórica, todavia a ideia de Macau como porta das missões da China não é, historicamente, destituída de conteúdo. Foi, efectivamente, a partir de Macau que, em Dezembro de 1582, entraram na China os missionários Miguel Ruggieri e Francisco Pasio para fundarem a primeira missão. Estes e todos os outros que se lhe seguiram até 1687 se dedicaram, na cidade portuguesa, ao estudo da língua e da cultura chinesa e aqui regressavam sempre que as adversidades o exigiam.
Átrio da grande casa chinesa, Macau foi cobiçada pelos missionários espanhóis e mais tarde pelos franceses. Os portugueses defenderam ciosamente o seu monopólio, mas, em 1633, os dominicanos espanhóis, idos das Filipinas, abriram mais a norte, na província de Fujian a sua própria porta para entrar na China. Macau perdeu o exclusivo e, pela porta recém-aberta entraram logo a seguir os franciscanos e os agostinhos espanhóis, mas também os franceses das Missões Estrangeiras de Paris e os jesuítas enviados por Luís XIV para a corte de Pequim.
A existência de outras portas não retirou a Macau a primazia, porque foi por aqui que entraram na China todos aqueles que, como afirmava Mateus Ricci (missionário na China de 1583 a 1610), tinham a tarefa de devastar os bosques e de afastar as serpentes e as feras para que, mais tarde, viessem outros para semear e colher os frutos. Os macaenses acompanharam os primeiros passos desta grande empresa, partilharam com os missionários a enorme esperança depositada na florescente missão nos finais do séc. XVII e assistiram, impotentes, à sua decadência a partir de 1707.
Missão cobiçada
Ditadas pela concorrência entre as potências europeias, pela rivalidade entre as ordens religiosas e pela estreita ligação entre o nacionalismo e a missionação, as prolongadas controvérsias que se instalaram entre os missionários estiveram prestes a provocar o desaparecimento das promissoras cristandades chinesas. Minada pelas dissensões e proibida pelas leis imperiais, a missão conseguiu sobreviver graças aos missionários que se aventuraram a entrar clandestinamente na China. Apesar do enorme risco, os evangelizadores continuaram a chegar, mas alguns pagaram a ousadia com a morte e muitos outros com a prisão e a expulsão para Macau. Nestas precárias circunstâncias, a cidade portuguesa continuou, ao longo do século XVIII, a desempenhar a sua função de átrio, que tanto acolhia os que insistiam em entrar como aqueles que eram obrigados a sair.
Criada em 1576, a diocese de Macau englobava, entre os seus extensos territórios, todo o Império chinês, mas, em 1690, por insistência de D. Pedro II, a Santa Sé desanexou os territórios que constituíram as dioceses de Pequim e de Nanquim. Apesar de independentes, os novos bispados continuaram a ter em Macau o centro e a base de apoio. Era a partir daqui que os jesuítas iam, habilmente, contornando os condicionalismos impostos pelo Império do Meio à missionação, conseguindo manter-se em actividade até à sua expulsão de Macau, em 1762. Com este rude golpe, a missão portuguesa na China ficou ferida de morte e teria mesmo sucumbido se os inacianos não se tivessem mantido ao lado das suas cristandades, após a supressão da Companhia de Jesus em 1773.
Os governantes em Lisboa só passados 20 anos sobre a expulsão dos jesuítas começaram a tomar medidas para evitar o total descalabro da tão cobiçada missão portuguesa na China. Aproveitando, em 1782, a nomeação do franciscano D. Alexandre de Gouveia para bispo de Pequim, o Governo português decidiu erigir, em Macau, o Seminário de S. José, destinado à formação de clero para as dioceses de Pequim e de Nanquim. Com o novo prelado, seguiram alguns lazaristas, que ficaram em Macau a dirigir o seminário e, a estes, juntaram-se outros que, em Pequim, tentaram substituir os jesuítas, tanto na evangelização como no serviço da corte.
As determinações, embora interessantes, não impediram o avanço do acelerado processo de decadência que afectava as missões portuguesas. Falecido em 1808, D. Alexandre de Gouveia foi o último bispo português de Pequim a residir na sua diocese. O seu sucessor, o lazarista D. Joaquim de Sousa Saraiva, sagrado em Macau, nos finais de 1805, aqui morreu, em 1818, sem que a porta da China se tivesse aberto para ele entrar.
Rampa para o Japão
Quando se iniciou a evangelização na China, já Macau participava desde a sua fundação, em 1557, no desenvolvimento da missão do Japão. Na cidade portuguesa residiu, desde 1568, D. Belchior Carneiro, que, em 1576 viria a ser nomeado bispo de Macau com jurisdição em toda a China, Japão e Coreia. Poucos anos vigorou esta situação, porque a grande pujança da cristandade japonesa determinou, em breve, o primeiro desmembramento do extenso bispado macaense, dando origem, em 1588, à diocese japonesa que teve a sua sé em Funai.
Com bispo próprio, a Igreja nipónica continuou intimamente ligada a Macau através dos jesuítas, que aqui mantiveram a sede da sua província do Japão. Pelo entreposto macaense, continuaram a passar todos os jesuítas destinados às missões japonesas e aqui se acolheram quando circunstâncias adversas ditaram a sua expulsão e o encerramento da promissora cristandade do Japão. Episódio traumatizante, que os moradores de Macau partilharam com os filhos de Santo Inácio com a mesma intensidade com que tinham participado no lançamento daquela que foi a mais auspiciosa das cristandades do Extremo Oriente.
Por solidariedade e por interesse comercial, os macaenses alimentaram com os missionários o sonho de regressar ao Japão. Irrealizável, como todas as utopias, a memória desse regresso perdurou até aos nossos dias cristalizada nas ruínas da Igreja da Madre de Deus, em cuja construção trabalharam os cristãos japoneses. Pelo seu lado, os jesuítas, com a esperança do milagroso regresso à sempre acarinhada missão nipónica, conservaram a denominação da província do Japão, cuja sede funcionou no Colégio de S. Paulo, de Macau, até à sua expulsão, em 1762.
Na realidade, na denominada província do Japão, os inacianos incluíam não só as missões do Império do Sol Nascente mas também todas as outras espalhadas por territórios que hoje pertencem à Tailândia, ao Vietname, à Coreia e à China. Expulsos do Japão, os jesuítas continuaram a dedicar-se a todas estas missões, que estiveram sob a jurisdição do bispo de Macau até aos meados do séc. XVII. Nessa altura, a Santa Sé erigiu os vicariatos apostólicos, retirando à diocese macaense muitos dos territórios que antes lhe pertenciam. Os embates com os novos missionários foram muitos e, por vezes graves. Os jesuítas, sempre que lhes foi possível, permaneceram nas suas missões sob a jurisdição dos novos prelados, mas sem romperem os laços que os prendiam a Macau.
Foi, portanto, por Macau que passaram todos os acontecimentos da missionação do Extremo Oriente até ao século XIX. Sob a jurisdição do bispo macaense estiveram todos os territórios que pertencem hoje às dioceses do Vietname, da Coreia, da China e do Japão. Foi ainda com Macau que a diocese portuguesa de Malaca teve uma privilegiada ligação, continuada com a anexação do território de Timor à diocese de Macau, que teve lugar já na segunda metade do século XIX. Antes, porém, desta decisão já os dominicanos destinados a Timor passavam por Macau e aqui mantiveram no início do séc. XIX um centro para formar missionários destinados às missões timorenses.
O padre Manuel Teixeira, sacerdote de Macau, que publicou 16 volumes sobre a história do seu bispado, gosta de salientar que a diocese de Macau foi a mãe de todas as igrejas do Extremo Oriente. Com menos ambição, podemos, no entanto, afirmar que foram os missionários idos de Macau que estiveram na origem de uma grande parte das cristandades do Extremo Oriente. Esta gesta, composta por capítulos gloriosos e por outros menos edificantes, continua em grande parte a ser ignorada, mas seria importante conhecer melhor esta faceta de Macau, porque, afinal, a cidade foi muito mais do que o local privilegiado para o jogo e os negócios fáceis.
in Revista Além Mar, Dezembro, 1999

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Militar na Gruta de Camões: 1905


"Dedico ao meu cordial amigo Amadeu Maria Henriques em testemunho da nossa boa amizade para comemorar o dia do seu aniversário" 
Armando Augusto d'Assis, Macau, 7-10-1905

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Tai Loy e Takshing - postais década 1960


Embarcação que fazia a ligação Macau-Hong Kong nas décadas de 1950 a 70:
neste postal de 1960 destaca-se o "ar condicionado"
Para além do Tai Loy que atracava na Ponte 16, outras embarcações que faziam essa carreira. Casos do Tak Shing na ponte 12 e  do Fat Shan na ponte 20. O Takshing - nas duas imagens em baixo - era utilizado para transportar os militares portugueses no transbordo para Hong Kong e Macau.

Slides: preto e branco - anos 40

 
 

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Tribuna de Macau: desde 1982


8 Novembro 1982: neste dia 'nasceu' o Tribuna de Macau... um jornal que anos mais tarde se irá fundir com o diário "Jornal de Macau".
Tanto quanto me recordo - e de acordo com os papéis guardados - apesar desta ser a data oficial, o Tribuna surgiu no final de Outubro de 1982, assim como o Jornal de Macau e, em Dezembro, o semanário "Vector", de curta duração.
Uma pequena 'revolução' no panorama da imprensa local no início do 'consulado' de Almeida e Costa (1981-1986) em Macau.
Fica na Calçada do Tronco Velho... uma rua com tradições na imprensa portuguesa de Macau.

domingo, 7 de novembro de 2010

Jardim Camões/Casa Garden/Palacete Flora: post corrigido

Recebi de Armando Cação um e-mail em que me alertou para o facto de ter colocado num post http://macauantigo.blogspot.com/2009/04/jardim-camoes-e-casa-garden.html uma imagem que não correspondia ao texto.
E assim foi. Fica feita a correcção e o agradecimento a A.C. pela chamada de atenção e pelo envio de imagens.
"A imagem daquele post retrata o Palacete da Flora e não o Jardim Camões. O edifício tem cúpula cónica e a varanda tem dois corpos avançados. No meio do jardim vêem-se umas colunas, tipo coreto, como consta na planta (ver imagem). Logo a seguir ao edifício há casas que parecem ser da antiga aldeia de Long Tin Chin, a seguir as várzeas de Mong Há, tendo à direita a antiga aldeia de Mong Há e ao fundo a fortaleza ou forte do mesmo nome, antes de parte da montanha ter sido escavada par retirar pedra para os taludes das obras de aterro do patane."
Sobre o Palacete/Palácio da Flora - que explodiu a 11 Agosto de 1931 (e não em 1928 com tinha mencionado) - consultar os seguintes posts:
A explosão no Paiol Novo da Flora provocou 24 mortos e 50 feridos tem o edifício ficado completamente destruído. Num raio de 500 metros registaram-se também danos em edifícios. O autor do projecto foi Tomás de Aquino- o mesmo do Palácio da Praia Grande. O palacete fora propriedade do padre Victorino José de Sousa Almeida, missionário lazarista. O governo concedeu na altura 350 mil patacas para fazer face aos prejuízos.


Nas imediações ficavam a Fonte da Flora e a Fonte da Inveja (canto superior direito da imagem de cima); o quartel de artilharia (estrada da Vitória), mais tarde enfermaria, comando da PSP e comando da Brigada de Trânsito. Na imagem, uma planta de 1925 menciona o aproveitamento de águas subterrâneas.
Para mais detalhes sobre as origens do Jardim Camões consultar, entre outros, este post:

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Retrato inédito de Smirnoff

Um retrato inédito feito em Macau há 66 anos por George Smirnoff (1903-1947), o pintor russo que esteve abrigado no território durante alguns anos da II Guerra Mundial, vai entrar agora para o espólio do Museu de Artes, pelas mãos do Instituto Internacional de Macau (IIM).
O instituto soube da vontade da proprietária de um retrato feito por Smirnoff de “o doar para um museu de arte que tenha a maior colecção das suas obras”, como apontou ontem em comunicado. Exílios diferentes provocaram o encontro entre o artista russo e Cecilia Maria Yvanovich, em 1945, em Macau. Desse acaso, e das mãos do pintor, saiu um dos poucos retratos produzidos por ele, mais conhecido pelas aguarelas de cenas e paisagens do território. É este retrato que a jovem modelo oferece, 66 anos depois, através do IIM, a Macau, para que ele possa juntar-se às outras obras do mestre, no Museu de Artes.
A invasão de Hong Kong, durante a II Grande Guerra, tinha trazido Cecilia, seus pais e irmãos ao território, em 1942. Os Yvanovich pertencem a uma das famílias macaenses que com o seu suor, sangue e lágrimas ajudaram também a escrever a história de Hong Kong. De Macau, Cecilia Yvanovich guarda ainda gratas recordações daqueles três anos, principalmente da casa onde viveu na Estrada da Vitória e das pessoas com quem conviveu em festas, chás dançantes e outras ocasiões, apesar dos tempos difíceis.
Este retrato, feito por Smirnoff em aguarela, que se pode considerar uma peça única do património artístico e cultural de Macau, será presenteado ao Museu de Artes pessoalmente por Cecilia no dia 28 de Novembro, quando a “modelo” se deslocará a RAEM com a sua filha e netas, para participarem no próximo Encontro das Comunidades Macaenses.
Notícia e imagem publicadas no jornal Hoje Macau de 5-11-2010

Para saber mais sobre a vida e a obra de Smirnoff consultar este post:

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Conferência sobre Mateus Ricci - 12 Nov. - Museu do Oriente

"Mateus Ricci - Introdutor do cristianismo na China" é o título da conferência que o Padre Joião Caniço profere no dia 12 de Novembro pelas 18 horas no Museu do Oriente (piso 4). Entrada livre.
Mateus Ricci foi um sacerdote jesuíta, filósofo, cartógrafo, astrónomo e matemático. Conhecido pelo nome chinês “Lì Mǎdòu, sobressaiu pela sua actividade missionária, fundada no diálogo, na China da dinastia Ming. É considerado o introdutor do cristianismo na China. Mateus Ricci nasceu em Macerata, Itália, a 6 de Outubro de 1552 e morreu em Pequim, China, a 11 de Maio de 1610.
Museu do Oriente - Avenida Brasília, Doca de Alcântara (Norte)
Terça-feira a domingo: 10.00 - 18.00 Sexta-feira: 10.00 - 22.00  Encerrado: Segunda-feira, 1 de Janeiro e 25 de Dezembro.
A Entrada do Museu situa-se na fachada virada para a Av.24 de Julho.
Autocarros: 12 - 28 - 714 - 738 – 742
Eléctricos: 15E - 18E
Comboios: Linha de Cascais (Estação de Alcântara) / Linha da Azambuja (Alcântara-Terra)
* Na estação da CP de Alcântara há passagem subterrânea para peões com saída junto ao Museu.
De carro:
- Pela Av. Infante Santo: ao fundo da Av., subir o viaduto sobre a Av. 24 de Julho e sair em frente ao Museu.
A partir da Av. 24 de Julho ou da Av. de Ceuta: subir o viaduto em direcção às Docas, contornar a rotunda e nos primeiros semáforos virar à direita e seguir as placas com indicação do Museu.
- A partir da Linha do Estoril: em Pedrouços, virar à direita para o viaduto, segue para a Av. Brasília.
GPS: X 38º 42' 09N / Y 9º 10' 20W
Estacionamento: parque público junto ao Museu.

III Festa do Livro no Museu do Oriente

De 19 Novembro a 5 Dezembro decorre a 3ª edição da Festa do Livro no Museu do Oriente.
Esta é uma oportunidade para adquirir, a preços inferiores aos habitualmente praticados, os títulos que constam do  catálogo publicado pela Fundação Oriente ao longo de duas décadas de edições dedicadas ao estudo da presença da língua, cultura e história dos portugueses na Ásia.
Horário: domingo a 5ª:10.00-18.00; sexta-feira: 10.00-22.00 - encerra à segunda-feira.

Relações anglo-portuguesas: 1635-1793

No dia 5 de Novembro é apresentado em Portugal - Delegação Económica e Comercial de Macau - o livro “A Presença Inglesa e as relações Anglo-Portuguesas em Macau (1635-1793)” ed. CCCM / CHAM, 2009, que pode ser descrito como a primeira história da presença inglesa em Macau.
O livro já antes foi dado a conhecer em Macau, onde o autor viveu até há cerca de um ano. Rogério Miguel Puga é doutorado em Estudos Anglo-Portugueses, investigador auxiliar do Centre for English, Translation and Anglo-Portuguese Studies (Universidade Nova de Lisboa, Universidade do Porto), e colaborador do Centro de História de Além-Mar (FCSH, Universidade Nova) e do Centro de Estudos Comparatistas (Universidade de Lisboa). Foi professor auxiliar do Departamento de História da Universidade de Macau (2007-2009), onde é investigador convidado. É também um dos dinamizadores do blogue Macaulogia: Fórum de Estudos sobre Macau.
Após a fundação da Companhia das Índias, em 1600, a Inglaterra inicia o longo processo de expansão comercial e colonial na Ásia, entrando os objectivos comerciais dos mercadores norte-europeus em confronto com os interesses portugueses no Oceano Índico e no Extremo-Oriente, nomeadamente na China e no Japão. A edilidade local de Macau, sobretudo a partir do fim do comércio com Nagasáqui, tenta, a todo o custo, defender o seu monopólio comercial no Império do Meio.
A partir de 1700 a presença inglesa torna-se permanente no eixo Macau-Cantão, forçando as adminstrações lusas e chinesas a adptarem-se a essa nova realidade, enquanto a economia de Macau se torna gradualmente dependente da presença (indesejada) dos sobrecargas e agentes comerciais ingleses, cujo volume de comércio rapidamente ultrapassa o do trato português. As relações anglo-portuguesas na China Meridional acabam por influenciar a interacção do Senado e do governador de Macau com o mandarinato e forçam os primeiros a defender quer os seus interesses, quer a sobrevivência da cidade em quatro frentes: Goa, Cantão/Pequim, Lisboa e Londres. O presente estudo consiste num historial da presença inglesa inicialmente no Oceano Índico, na senda dos portugueses, e posteriormente no Extremo Oriente, mais especificamente em Macau, entre 1635 e 1793, e ainda no Japão, entre 1613-1623, de onde os ingleses tentam estabelecer, em vão, comércio directo com a China.
Do cruzamento de um amplo conjunto de fontes inglesas, portuguesas e chinesas surge uma imagem multidimensional da presença britânica no enclave luso-chinês durante os séculos XVII e XVIII, cuja marca é ainda hoje visível na paisagem humana da cidade, nomeadamente na Casa Garden, no cemitério e na capela protestante. Os materiais de arquivo estudados permitem, assim, reconstruir quer os primeiros frutos do China trade, as tentativas de estabelecimento da Companhia das Índias na China, em busca de uma “Macau of its own”, e o consequente aumento da influência inglesa em Macau, quer as relações dos sobrecargas da Companhia com as autoridades portuguesas e chinesas sobretudo na segunda metade do século XVIII, até à data da primeira embaixada inglesa a Pequim, que contribui para a mudança da imagem da China na Europa e da estratégia inglesa no delta do rio das Pérolas.

domingo, 31 de outubro de 2010

Os bons e maus momentos do hóquei em campo

A propósito do anterior post, aqui fica um artigo da autoria de Henrique Manhão publicado salvo erro em 2009 no Jornal Tribuna de Macau, "um jornal com memória". O título do post é o do artigo assim como as imagens.
 
O Hóquei em Campo foi talvez a modalidade mais favorita dos macaenses e a que mais prestigiou Macau não só em Hong Kong como em Singapura, na Malásia e no Japão.
A juventude macaense tinha certa queda e gosto pelo esse desporto, introduzido em Macau pelo tenente O’ Costa na década de 1930. Quase todos os jovens tinham um “stick”. Jogava-se o hóquei em campo num terreno baldio ou mesmo na rua, com o apoio dos agentes da policia que fechavam os olhos.
Foi durante a segunda guerra mundial que mais se praticou o hóquei em campo em Macau. Havia um campeonato anual para homens em que participavam nove equipas, das quais o habitual favorito era o Hóquei Club de Macau. Havia outro campeonato de Macau para senhoras.
Assisti a vários encontros em que jogava o Hóquei Club de Macau. Houve um desafio que terminou num empate de 0-0 e nunca vi tanta alegria e aplausos da parte da assistência para o adversário do Hóquei Club de Macau.
Era deveras impressionante ver tantos jovens a praticarem o hóquei em campo à tarde no relvado da Caixa Escolar, nos anos cinquenta e sessenta, principalmente pela malta nova dos Bairros de São Lázaro e do Tap Seac de onde, aliás, apareceram excelentes hoquistas que muito honraram a sua terra natal.
O primeiro “Interport” entre estudantes de Macau e Hong Kong realizou-se em Macau em 1953 e Macau triunfou por 2-0.
Já quanto ao hóquei em campo feminino, não havia muitos praticantes. Só muito mais tarde quando vieram os portugueses de Xangai para se fixarem em Macau é que surgiu o primeiro “encontro entre hoquistas femininas de Macau e Hong Kong. Macau perdeu por 8-0, resultado que espelha como as senhoras estavam ainda pouco aptas.
Albertino Alves de Almeida que fazia parte da equipa de honra do Hóquei Club de Macau, continuou com a tarefa de reorganizar e treinar o grupo de estudantes de Macau e a equipa feminina. Não foi um trabalho muito fácil. Tinha que estar sempre a descobrir novos talentos porque periodicamente os elementos com maior capacidade deixavam Macau.
O mesmo se passava com os rapazes, porque o hóquei em campo era um “hobby”. Quando tinham convites para melhores posições a nível profissional, naturalmente que ninguém olhava para trás e ia tentar ganhar a vida em novos horizontes.
Mesmo assim Albertino conseguiu arranjar um forte grupo novo de rapazes para continuar com o intercâmbio entre estudantes de Macau e Hong Kong e como nessa altura não havia subsídios do governo, a rapaziada quando se deslocava a Hong Kong ia jantar à casa do seu irmão Alberto Almeida.
Devidos aos esforços de Albertino Almeida, também se conseguiu formar uma equipa feminina rejuvenescida, equipa essa que alcançou alguns resultados prestigiantes para Macau frente às suas congéneres de Hong Kong.
Em 1956, foi uma grande pena que Macau não tivesse participado nos Jogos Olímpicos de Melbourne, por decisão do ministro de Educação. Houve uma subscrição pública para ajudar as despesas com a deslocação da equipa de Macau que estava a ser treinada pelo tenente Filipe O’Costa.
Macau fazia parte do grupo que integrava a Índia, njuma altura em que o Paquistão e a India eram consideradas as melhores equipas de hóquei em campo.
Dois anos depois, a famosa selecção de Moçambique de hóquei em patins representou Portugal em Montreux e a Europa pôde apreciar o talento de hoquistas como Adrião, Bouçós, etc.
Nessa altura a população portuguesa de Macau mostrou o seu desagravo através dos jornais locais porque o mesmo ministro de Educação que autorizou Moçambique a representar Portugal não dera a mesma oportunidade a Macau na modalidade mais querida dos jovens locais: o hóquei em campo.

Dutch Hockey Club: testemunho de um jogo a 8 de Maio de 1950

Há algum tempo que estava para corrigir uma informação colocada num dos primeiros post's aqui do blog... Várias pessoas já me tinham solicitado a correcção e, em boa hora, o Sr. Albertino Almeida enviou-me mais alguns detalhes que agradeço e partilho agora com todos os leitores do blog. Este é o post a que me refiro: onde se lê selecção holandesa deve ler-se Dutch Hockey Club.
http://macauantigo.blogspot.com/2009/09/holanda-vs-macau-hoquei-em-campo-1950.html
Segundo Albertino Almeida, o Dutch Hockey Club de Hongkong era "um grupo constituido por cidadãos holandeses residentes na então colónia britânica. Esses homens eram quási todos funcionários superiores da «Royal Inter-Oceans Line» uma prestigiosa companhia de navegação holandesa operando em Hong Kong. Macau venceu o encontro por sete bolas a uma mas nada de mérito a registar.O «Dutch Hockey Club» de Hongkong, umas das mais simpáticas equipas que anualmente nos visitavam, brilhava mais no consumo do nosso bom e barato vinho tinto e da nossa apetitosa gastronomia do que no manejo do «stick de hóquei» Assim, no dia do encontro, uma grande parte dos jogadores ainda não estavam completamentamente restabelecidos da «torcida» do dia anterior."
Mais informações em vários posts utilizando a palavra "rogge" no campo de pesquisa... como neste:

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

"Historic Macao" em leilão por 4 mil dólares

Esta edição de "Historic Macao" de Montalto de Jesus está à venda num leilão da internet por 4 mil dólares... Para mais informações sobre a obra e o autor consultar este post, por exemplo, existem outros...
http://macauantigo.blogspot.com/2009/10/historic-macao-de-montalto-de-jesus.html
Quem colocou o livro à venda descreve-o assim..


This is something that you will probably never see again on eBay or anywhere else: a 2nd edition copy of "Historic Macao - International Traits in China Old and New" with hand-written corrections for the 3rd edition in the margins and throughout the book by the author himself! C. A. Montalto de Jesus took a paperback 1926 printing of his literary classis, Historic Macao, and made all of the corrections that he intended for the 3rd edition, which never came about because of his passing.
The book is approximately 510 pages with extra pages of corrections inserted throughout the book. There are hand-written everywhere: in the margins; at the tops and the bottoms; in between words and in sentences; everywhere! But it is in very poor condition: the binding is coming apart in most places to the point where you can see the threads; many of the pages are loose and bent at the corners (but not really dog-earred); there are some tears and rips, but surprisingly few considering its age. I have enclosed some pictures so that are representative of what the rest of the book looks like.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

"Liceu de Macau"... foi há 3 anos

Há 3 anos - 27/10/2007 - aconteceu a apresentação pública da minha estreia nas lides da escrita de carácter histórico com o livro "Liceu de Macau 1893-1999" na Casa de Macau em Lisboa. Podem ver as fotos aqui http://www.casademacau.pt/eventos/eventos-passados/2007
A edição de 1000 exemplares - quase esgotada - está à venda nos seguintes locais.
Internet (portes grátis) http://liceumacau.googlepages.com/, Portugal: Casa de Macau (av. Almirante Gago Coutinho), Delegação do Turismo (av. 5 de Outubro); Livraria do Museu do Oriente (Alcântara); Macau: Livraria Portuguesa.
Década de 1960 
1977 - foto de José Basto da Silva
Algum tempo depois da edição do livro, criei um blog - aberto à participação de todos os antigos alunos, professores e funcionários do Liceu de Macau - para que os conteúdos estejam em constante revisão e actualização.
Neste endereço http://liceudemacau.blogspot.com/ podem acompanhar esse processo e, caso pretendam, enviar os v. contributos para o e-mail liceumacau@gmail.com
As vossas histórias e imagens merecem ser contadas e partilhadas. Acreditem!
A equipa de futebol do Liceu fotografada no Campo do Tap Seac em 1956
Em pé da esq./direita: Gustavo de Senna Fernandes (dirigente), Eduardo Francisco (treinador), Alberto Noronha (jogador), Alberto Nunes (jog), João Basto e Silva (jog.  e capitão de equipa), Mário Assumpção (jog.), Manuel Valoma (jog), Francisco Rodrigues (g.redes), Severino Silva (jog.), Henrique de Senna Fernandes (dirigente).
Agachados: Alexandrino Boyol, (g.redes suplente), Alberto Oliveira (jog.), João Simões (jog.), Sérgio Luz (jog.), Victor Serra (jog.), Jorge Basto Silva (jog.), Miranda (jog.), Alberto Fernandes (jog.).
Foto enviada por Rui Francisco (Macau)
Aos patrocinadores, leitores e todos os que me fazem chegar imagens e documentos (no caso o Rui Francisco e o José Basto da Silva) aqui fica mais uma vez o meu agradecimento público.