quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Bungee Jumping: Agosto 1998

17-08-1998: O canadiano Paul Boyle, praticante de 'bungee' (salto com elástico), ao iniciar um salto de 40 metros da ponte da Amizade para as águas do rio das Pérolas, em Macau, durante a filmagem de um video destinado a promover o turismo na região. Esta foi a primeira vez que ocorreram saltos do género em Macau e os organizadores, sediados em Hong Kong, admitiram estar interessados em desenvolver aquele tipo de 'desporto radical' no território.
Foto de K. W. Tam/Lusa

Estátua da Deusa Kun Iam

16-09-1998: A 20 meter bronze statue of chinese godedd of mercy Kun Iam, under construction in Macau, is due to be inaugurated in October at a cost of 3.75 million.

Workers in a bamboo scaffolding mounted a 20 meter bronze statute of chinese godess of mercy Kun Iam.
Fotos de Lim Choi/Lusa

"Viagra" tradicional

28-09-1998: Cavalos Marinhos secos, à venda numa farmácia tradicional chinesa de Macau são um dos ingredientes de preparações às quais são atribuídas propriedades afrodisíacas e de tratamento de disfunções sexuais.
Foto de Lim Choi/Lusa

Tap: 31 Outubro 1998

31-10-1998: O Airbus A-340, Wensceslau de Moraes, da Tap Air Portugal efectuou a última viagem entre Macau e Lisboa.
Fotos de Lim Choi/Lusa
Momento em que os passageiros do último voo do Tap-Air Portugal, entre Macau e Lisboa, efectuavam o check-in .

Grande Prémio F3: 1998

Estreia de Tiago Monteiro em Macau
Carro de André Couto

22-11-1998: The portuguese drivers, Tiago Monteiro (left) and Andre Couto, moments after the end of formula 3 race on the 45th. Macau Grand Prix, stressed the wish to the 1999 edition of Macau Grand Prix .
Photo K.W.Tam/Lusa

Macau - Lisboa de veleiro: Janeiro 1999

26-01-1999: As bandeiras de Portugal e Macau assinalam a viagem entre o território e Lisboa, onde três portugueses e um alemão vão iniciar, quarta-feira, a bordo do veleiro "Vadio".
Foto de K. W. Tam para a Agência Lusa
Os quatro aventureiros (da esquerda para a direita) Luís Castelo, Carlos Soares, Brian e Hernando.

Ano novo chinês: 1999

11-02-1999: Uma lanterna chinesa gigante colocada na Praça do Leal Senado de Macau, assinala a aproximação do ano novo lunar chinês, o do coelho.
Foto de Lim Choi para a Agência Lusa.

Homenagem a Camilo Pessanha

01-03-1999: Um grupo de portugueses prestou hoje homenagem ao poeta português Camilo Pessanha, que morreu a 73 anos em Macau, e que se encontra enterrado no cemitéio de S. Miguel Arcanjo, em Macau.
Foto de Lim Choi para a Agência Lusa

Cutileiro em Macau



01-03-1999: O grupo escultórico de José Cutileiro, junto ao Centro Cultural de Macau, composto por cavaleiros e um barco que se encontra em fase final de montagem, e que deverá ser inaugurado pelo Presidente Jorge Sampaio quando visitar Macau na terceira semana de Março.
Foto de Lim Choi para a Agência Lusa

Passar de testemunho nos Bombeiros

12-03-1999: O novo comandante do Corpo de Bombeiros de Macau, Ma Io Weng (dir) recebe do seu antecessor, Samuel Mota, o estandarte da corporação.
Foto de Lim Choi para a agência Lusa © 1999

Visita do PR em Março de 1999



Com alunos da Escola Portuguesa de Macau 22-03-99

20 de Março de 1999: o Presidente da República Jorge Sampaio, fotografa os repórteres fotográficos que perpetuam a sua presença nas ruínas de S. Paulo, acompanhado do Governador Rocha Vieira e restante comitiva.
Foto de Lim Choi para a agência Lusa © 1999

Bela Vista: o fechar de um ciclo

A 28 de Março de 1999 o porteiro do Hotel Bela Vista, em Macau, encerra pela última vez a porta do edificio que nos últimos anos funcionou como hotel e que será, a partir de 20 de Dezembro de 1999, a residência oficial do cônsul-geral de Portugal em Macau.
Foto de Lim Choi para a agência LUSA © 1999

Moeda: Abril de 1999

13-04-1999: Notícia de que a Autoridade Monetária e Cambial de Macau vai cunhar uma moeda comemorativa da transferência da administração portuguesa do território para a China a 20 de Dezembro de 1999.
Foto de Lim Choi para a agência LUSA © 1999

O último 10 de Junho 'português' em Macau

Em cima: Almeida Santos, na qualidade de Presidente da Assembleia da República esteve em Macau no último "10 de Junho" em Macau sob administração portuguesa.
Em baixo: PSP faz guarda de honra frente ao Palácio do Governo.
10-06-1999: Macau's police makes the honour guard as the portuguese flag rizes 10 Juin, at the Governor Palace for the last time during the Portugal Day cerimonies. Next 19 December, Macau will be a chinese territory.
Créditos: Foto de Lim Choi da EPA para a agência LUSA © 1999

Raid Macau - Porto de moto em 1999

Os portuenses Tito Baião (esquerda) e João Pedro Pereira (direita), parceiros em outras grandes aventuras motociclísticas ligaram Macau ao Porto de moto em 1999. Sempre em duas rodas num total de 28.500 quilómetros, em 75 dias e através de 15 países.

The two portuguese riders, Tito Baião (Left) and José Pedro Pereira (Right) at the Largo do Leal Senado, in Macau. These two riders will cross several countries (China, Nepal, India, Pakistan, Iran, Iraq, Jordania, Egipt, Libia, Tunisia, France and Spain) as they intend to do the 22.000 km that stand between Macau and Oporto in 60 days.
Créditos: Fotografia de Lim Choi para a agência Lusa e EPA - European Pressphoto Agency © 1999

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Marques Pereira: 1839-1881

António Feliciano Marques Pereira nasceu em Lisboa, em 1839, e faleceu em Macau, em 1881. Jornalista profissional, publicou vários romances em folhetins, além de traduções. Em 1859 partiu para Macau, onde se fixou. Aí exerceu o cargo de superintendente da emigração chinesa e de procurador dos negócios sínicos. Em 1862, foi nomeado secretário da missão diplomática portuguesa às cortes de Pequim, Sião e Japão. Escreveu livros de natureza histórica sobre Macau e a presença de Portugal no Oriente.
Fundou e dirigiu um dos mais importantes semanários macaenses, o Ta-ssi-yang-kuo, de 1863 a 1866. Entre as suas obras dedicadas ao Oriente contam-se um Relatório da Emigração Chinesa em Macau, tema de que, nesta colectânea, se dá larga notícia com textos de Andrade Corvo e Eça de Queirós, Alfândegas Chinesas de Macau, de que se publicam alguns excertos, e Efemérides Comemorativas da História de Macau e das Relações da China com os Povos Cristãos, editado em 1868, que viria a ser, daí em diante, peça importante na bibliografia de Macau, fonte de muitos outros trabalhos de investigação. Deste livro, organizado segundo a ordem dos meses do ano, extraímos os textos relativos aos meses de Abril e Maio.
António Feliciano Marques Pereira casou em Macau com Belermina Inocência de Miranda, baptizada na Sé, a 5 de Junho de 1839, filha de António José de Miranda e de Ana Joaquina de Miranda; neta de paterna de Agostinho José Miranda e de Mariana Marques de MIranda e materna de Januário Agostinho da Silva e de Maria Ana Francisca Pereira da Silva. Agostinho de Miranda era filho de José Miranda e Sousa e de Maria Rosa Correia de Liger; sua mulher, Mariana Marques, era filha de Gabriel Marques e de Clara Maria Rosa Vieira, neta paterna de Domingos Marques e de Maria Francisca dos Anjos Ribeiro Guimarães e materna de Raimundo Vieira e de Maria Francisca de Miranda.
António Feliciano Marques Pereira e seu filho João Feliciano foram dos maiores historiadores de Macau, publicando várias obras e inúmeros artigos sobre esta terra. O pai foi cônsul de Portugal em Banguecoque durante 6 anos, desde Janeiro de 1875 a 1 de Abril de 1881. Falando de seu pai, escreve João Feliciano Marques Pereira:
«No meio dele (povo siamês), passou meu chorado Pai alguns dos melhores anos da sua vida (de 1875 a 1881), conseguindo a muito custo restabelecer o antigo prestígio tão abalado por muitos desleixos e vergonhas que constituem o costumado fim de muitas glórias portuguesas...
Mas nesse patriótico empenho arruinou a sua saúde num clima inhóspito para europeus.
Tendo saído de Bangkok, em Abril de 1881, veio morrer em Setembro desse ano em Bombaim, como cônsul-geral na Índia inglesa, cargo para que tinha sido promovido como prémio dos seus longos serviços na Ásia, conforme diz o respectivo decreto.
O primeiro testemunho português do Japão abrindo-se ao mundo é-nos dado por Feliciano Marques Pereira, que em 1860 foi enviado a Edo no desempenho de uma missão diplomática destinada à obtenção de um acordo comercial entre a coroa portuguesa e o Império do Sol Nascente. Marques Pereira ainda conheceu o Japão Tokugawa, uma sociedade regida pelos preceitos do mais estrito confucionismo, importado da China. Dividida em castas e mantida em severo controlo pelos daimios e pelos quase dois milhões de samurais, esta sociedade de obrigações, obediência e cortante apego ao grupo, inspirou-lhe algum incómodo.
Chegado a Macau em 1859, Marques Pereira, desenvolveu, a par de funções administrativas sempre marcadas pelo seu marcante espírito de iniciativa, importante actividade cultural, sendo fundador do jornal Ta-Ssi-Yang-Kuo (1863-66), que seria de novo publicado pelo seu filho - João Feliciano Marques Pereira - entre 1899 e 1903. Ocupou sucessivamente postos consulares em Hong Kong, Sião (1875), Singapura e Malaca, antes de transitar para Bombaim, onde faleceria precocemente.
No livro "Viagem da corveta Dom João I à capital do Japão no anno de 1860". Lisboa : Impr. Nacional, 1863... evoca a missão diplomática enviada ao Japão em 1860 para negociar um tratado de paz e comércio. Visita decepcionante à perigosa Yedo (Tóquio), considerada insignificante como capital, e passagem por Kanagawa e Yokohama. Um país ainda imerso no feudalismo, habitado por um povo sóbrio, orgulhoso e “impúdico”, governado por uma casta de guerreiros. Impressões sobre a literatura, a música e a arquitectura nipónicas - A segunda parte da obra contém uma antologia de textos de viagens sobre o Japão (Fernão Mendes Pinto, Diogo do Couto, Crasset e Hawks), um apêndice contendo o relatório de Marques Pereira ao ministro da Marinha e Ultramar, bem como uma carta geográfica do Império Japonês, vazada de um mapa norte-americano.
PS: O espólio de Marques Pereira tem milhares de documentos e está depositado na Sociedade de Geografia de Lisboa.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Fotos de antigos alunos do Liceu (anos 60 e 70)











Fotografias enviadas pelo José Estorninho: "aqui vão algumas fotos dos antigos alunos do Liceu, sendo como por exemplo: Carlos Marreiros, Armando Santos, Humberto Nantes, Fernando César, Manuel Nolasco, Virgilio Pedruco, (Dado) Cunha, e outros mais que já não me lembro dos nomes".

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Teddy Yip: 1907- 2003

Teddy Yip que faleceu a 11 de Julho de 2003 com 96 anos. Teddy Yip que criou a sua equipa Theodore Racing Team alcançou resultados extraordinários, entre eles, a vitória de 1978 em Silverstone com o Formula 1, modelo Theodore-Cosworth TR1, conduzido por Keke Rosberg. Também pelas mãos de Teddy Yip, Ayrton Senna veio a Macau vencer em 1983 a primeira edição do Campeonato Intercontinental de Fórmula 3. Teddy Yip, conhecido por Mr. Grand Prix, desempenhou um papel crucial na internacionalização do Grande Prémio de Macau.

Teddy Yip, a Dutch national, was a Formula 1 team owner in the 1970s. He was born Medan, in the then Dutch colony of Sumatra island in Indonesia in 1907. Yip was sent to Holland to study and later went into business. He moved to Hong Kong in the 1940s and began to build up his business empire which included travel agencies, hotels, casinos and trading companies. Yip spoke many languages including six Chinese variants, Dutch, English, French, German, Malay and Thai, which helped him expand his businesses into property and finance.
Yip started racing for fun in the 1950s at the wheel of a Jaguar XK120. In 1962 he and several partners (one of them was his own brother-in-law, Stanley Ho) formed the Sociedade de Turismo e Diversoes de Macau with a monopoly to run all casino operations and many other leisure activities in Macau, including the local lotteries, ferries and hotels. Teddy Yip along with Stanley Ho (the brother of his wife Susie Ho) and their two other partners (Yip Hon and Henry Fok), then established the Casino Lisboa. Sociedade de Turismo e Diversoes de Macau turned Macau into a major tourist center. Yip was the force behind the Macau Grand Prix which is today one of the biggest motor racing events in the world outside Formula 1. In the early 1970s Yip met Dubliner Sid Taylor and agreed to sponsor Vern Schuppan in Formula 5000. This led to Yip backing Schuppan in Formula 1 with Team Ensign in 1974. There followed further involvement in America with Schuppan and then support of Alan Jones in the US Formula 5000 series in 1976. That year he established Theodore Racing. It was run by Taylor and entered an Ensign for Patrick Tambay in F1. After a difficult year in 1977, Yip commissioned Ron Tauranac to build him a Formula 1 car. The car was difficult and Eddie Cheever failed to qualify in both Brazil and Argentina but then Keke Rosberg took over and won the International Trophy at Silverstone in the wet, although he qualified for only one GP in South Africa. The car was abandoned in the mid-season. In America, Yip supported Dan Gurney's Eagle team.
In 1979, Yip helped to fund Ensign but the car was not a success. The car was driven by Derek Daly, Patrick Gaillard, and Marc Surer but there were no points scored. At the end of 1978 and through 1979 Teddy also funded a British F1 programme with Wolfs WR3, WR4 and WR6 for David Kennedy who finished runner up in the series. His British F1 programme also ran Desiré Wilson in Wolf WR4 to a famous win at Brands Hatch in 1980. Kennedy moved to Shadow in 1980 with, initially, Stefan Johansson and later Geoff Lees as team mate but the team was chronically underfunded and using a very poorly engineered DN11 chassis. After a few races Yip took over ownership from founder Don Nicholls and introduced a DN12 chassis which also proved a failure. In June after a brace of non-qualifications at the French Grand Prix in Paul Ricard Yip closed down the Shadow team. Yip rethought his involvement in racing and ended most of his other activities in order to concentrate on F1.
With Sid Taylor and Julian Randles he established Theodore Racing Ltd. and recruited Tony Southgate and team manager Jo Ramirez. The new car was dubbed the TY01 and was driven by Tambay at the start of 1981. In the mid-season Tambay was lured away by Ligier and Yip gave the drive Marc Surer. The same car was developed in 1982 and it became obvious that small teams could not easily survive in the turbo era. Yip merged Theodore with Ensign and used the Nigel Bennett-designed Ensign N183 design as a Theodore. The team hired Johnny Cecotto and Roberto Guerrero but at the end of that season the team shut down and Mo Nunn moved to America, where he enjoyed great success as a race engineer through the 1980s and into the 1990s and eventually set up a successful team of his own in CART.
Yip had long run a team each year at the Macau GP and in 1983 was behind the switch from Formula Atlantic rules to Formula 3. The result was a huge success and Theodore Racing has won the event many times, notably with Ayrton Senna.
Yip faded into retirement as a car enthusiast in the late 1980s and finally sold his share of his company in Macau to his brother-in-law.
In 2003, Teddy Yip died at the age of 96.

domingo, 22 de novembro de 2009

Culinária Macaense: 100 especialidades

Na opinião do autor, estava em risco a continuidade da tradição culinária macaense, que combina elementos do Oriente e Ocidente, numa fusão que afirma ser “única”. Por isso, decidiu dedicar-se a seu estudo, do qual resulta a obra apresentada na passada sexta-feira.
O livro “Culinária Macaense – 100 Especialidades” foi lançado na sexta-feira em Macau, durante um jantar dedicado à culinária macaense. Com edição trilingue – em chinês, português e inglês -, o livro reúne uma centena de receitas locais, a maioria caseiras e pouco conhecidas, seleccionadas a partir de um vasto espólio que João António Ferreira Lamas recolheu para ajudar a manter viva a velha “cozinhaçã macaísta”.
O livro partiu de um convite da Direcção dos Serviços de Turismo, que convidou o nonagenário para fazer uma espécie de antologia do seu livro de receitas “A Culinária dos Macaenses”, que teve duas edições em Portugal em 1995 (esgotada) e em 1997. Ali estão recolhidas cerca de 600 receitas, das quais Lamas escolheu agora as que lhe pareceram ser “as receitas mais características de Macau”, dado que muitas daquelas patentes na anterior antologia são “muito próximas das chinesas ou portuguesas”.
Engenheiro de formação, João António Ferreira Lamas interessou-se pela Ásia por influência do seu trisavó paterno, comerciante de Lisboa com negócios no Extremo Oriente. Apesar de nunca ter residido em Macau, o seu interesse aumentou por via do casamento com Ercília Nolasco da Silva, uma macaense radicada em Lisboa. Na capital portuguesa, frequentou casas de famílias macaenses e começou a “adorar a comida que degustava em casa da família da mulher”.
Aquando da sua primeira visita ao território, em 1971, o autor apercebeu-se que praticamente já não se fazia comida macaense, “a não ser a dos chás-gordos [misto de chá e de jantar, servido de pé em dias festivos, com iguarias salgadas e doces, frias e quentes] no Palácio do Governo e no Leal Senado, devido à saída continuada de famílias tradicionais macaenses do território a partir da II Guerra Mundial”. “Não havia um único restaurante que a confeccionasse a cozinha local típica e, mesmo nas casas macaenses, isso tinha sido quase esquecido”, declarou.
Com a aproximação da transição de poderes, Ferreira Lamas começou a antever que a comida macaense “poderia deixar de ser conhecida” e achou que era “uma pena” perde-se o registo de tal tradição. Dedicou-se então ao estudo das suas origens e da sua evolução ao longo dos tempos, e, como membro da direcção da Casa de Macau em Lisboa, fez um pedido para que os sócios lhe dessem receitas macaenses. Conseguiu recolher 800, das quais publicou 600 no já referido “A Culinária dos Macaenses”.
Para este apaixonado pela comida da Macau, o facto de “uma minoria étnico-cultural de um pequeno enclave localizado num gigantesco território ter criado uma culinária própria” consubstancia “um caso único no mundo”. O seu livro pretendeu desmentir uma ideia feita segundo a qual a comida macaense era igual à comida chinesa. “Tem muitas influências chinesas, mas também de outros lados. A comida macaense é das mais heterogéneas que conheço. Uma das razões que a fazem muito diferente da chinesa é porque os portugueses que aqui se fixaram não gostavam da comida chinesa. Fernão Mendes Pinto, por exemplo, dizia que a comida chinesa era pestilenta. Faziam comidas com base na portuguesa. Ora, como os portugueses andaram por todo o mundo e os navegadores que aportavam a Macau já tinham passado pela Índia e pela Malásia, houve uma mistura de condimentos e modos de cozinhar”, contou ao PONTO FINAL o autor.
Na lista de iguarias incluídas em “Culinária Macaense – 100 Especialidades” encontram-se várias formas de cozinhar o “adem” (expressão antiga para designar o pato), o “cozido macaense”, o diabo (que mistura de carnes de porco, vaca e carneiro), ou a sopa de lacassá (uma sopa de aletria de arroz, com balichão, tempero originário da Malásia, que é feito à base de camarão minúsculo e leva folhas de louro, sal, cravinho, pimenta preta em grão e vinho). No domínio dos doces, onde culinária macaense é riquíssima, estão incluídos o alua (massa fina frita recheada com coco ralado, jagra, amêndoa moída, pinhões cortados e manteiga) e o farte (massa fina frita recheada com coco ralado, pinhões, amêndoa, biscoitos moídos, cravinho em pó e manteiga).
Artigo da autoria de Paulo Barbosa publicado a 16-11-2009 no jornal Ponto Final

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

De antigo porto de abrigo a capital mundial do jogo

No dia 19 de Dezembro de 2009 assinalam-se os 10 anos da transferência da Administração portuguesa de Macau para a China, pondo fim a mais de 450 anos de presença de Portugal no território.
Ruínas de S. Paulo em 1967 (cima) - Rua do Campo (baixo)
De porto de abrigo a capital mundial do jogo, Macau transformou-se num destino asiático que, dez anos após a transferência da administração, conjuga a singularidade da história portuguesa e a modernidade dos espaços que transformaram a região.
Longe vão os tempos em que a cidade serviu de abrigo aos navegadores portugueses no Oriente e longe vai também a época em que Macau era pouco mais do que um destino de jogo para alguns estrangeiros e muito uma "aldeia" de fim-de-semana para divertimento dos turistas de Hong Kong. A China mudou e Macau, tal como Hong Kong, regressou à "mãe-pátria". A explosão económica do continente, uma maior abertura ao exterior e a atracção pelo jogo trouxe à realidade o mito da "árvore das patacas", muitas vezes utilizado pelos portugueses para exemplificar as melhores condições de vida oferecidas no então território sob administração portuguesa.
Meio adormecida após a transição em 1999, a Região Administrativa Especial de Macau acordou com o lançamento do concurso para as licenças de jogo e modernizou edifícios, hotéis e casinos.
Com o passar dos meses as ruas encheram-se de gente e a cidade foi "dominada" por turistas atraídos pelos casinos. O jogo chamou mais de 20 companhias internacionais a uma licença de operação e os visitantes de Hong Kong foram substituídos em importância pelos do continente. Nas lojas, falar inglês já não é essencial porque o mandarim ou o cantonense dominam as conversas de negócios. Entre o abrir e fechar da torneira do turismo chinês para Macau, criaram-se também novas oportunidades do outro lado da fronteira com acordos económicos.
A cidade manteve a sua autonomia mas integra agora uma lógica regional de desenvolvimento, potenciando capacidades da triangulação com Hong Kong e com as províncias do continente.
Veio também a directriz de Pequim nomeando a cidade como o elo de ligação da China aos países de língua portuguesa com vista ao crescimento do comércio bilateral. A Igreja Católica em Macau serve de ponte entre a Santa Sé e a igreja oficial chinesa. As pedras da calçada à portuguesa ocupam agora mais espaço do que antes de 1999, os candeeiros de estilo antigo, mas "made in China", misturam-se nos monumentos que são património da Humanidade reconhecido pela UNESCO.
Entre a correria da nova era de desenvolvimento, Macau continua a ser um ponto de encontro e na rua, nas escolas e nos cafés cruzam-se várias nacionalidades, culturas e sabores.
Ser português ou chinês é uma vantagem para efeitos de fixação de residência e muito do desenvolvimento que hoje se vive fica a dever-se às bases deixadas por Portugal como o sistema jurídico e a educação gratuita reforçada pela administração chinesa até ao final do liceu.
Texto de José Costa Santos e Patrícia Neves, da Agência Lusa a 20-11-2009