António Feliciano Marques Pereira nasceu em Lisboa, em 1839, e faleceu em Macau, em 1881. Jornalista profissional, publicou vários romances em folhetins, além de traduções. Em 1859 partiu para Macau, onde se fixou. Aí exerceu o cargo de superintendente da emigração chinesa e de procurador dos negócios sínicos. Em 1862, foi nomeado secretário da missão diplomática portuguesa às cortes de Pequim, Sião e Japão. Escreveu livros de natureza histórica sobre Macau e a presença de Portugal no Oriente.
Fundou e dirigiu um dos mais importantes semanários macaenses, o Ta-ssi-yang-kuo, de 1863 a 1866. Entre as suas obras dedicadas ao Oriente contam-se um Relatório da Emigração Chinesa em Macau, tema de que, nesta colectânea, se dá larga notícia com textos de Andrade Corvo e Eça de Queirós, Alfândegas Chinesas de Macau, de que se publicam alguns excertos, e Efemérides Comemorativas da História de Macau e das Relações da China com os Povos Cristãos, editado em 1868, que viria a ser, daí em diante, peça importante na bibliografia de Macau, fonte de muitos outros trabalhos de investigação. Deste livro, organizado segundo a ordem dos meses do ano, extraímos os textos relativos aos meses de Abril e Maio.
António Feliciano Marques Pereira casou em Macau com Belermina Inocência de Miranda, baptizada na Sé, a 5 de Junho de 1839, filha de António José de Miranda e de Ana Joaquina de Miranda; neta de paterna de Agostinho José Miranda e de Mariana Marques de MIranda e materna de Januário Agostinho da Silva e de Maria Ana Francisca Pereira da Silva. Agostinho de Miranda era filho de José Miranda e Sousa e de Maria Rosa Correia de Liger; sua mulher, Mariana Marques, era filha de Gabriel Marques e de Clara Maria Rosa Vieira, neta paterna de Domingos Marques e de Maria Francisca dos Anjos Ribeiro Guimarães e materna de Raimundo Vieira e de Maria Francisca de Miranda.
António Feliciano Marques Pereira e seu filho João Feliciano foram dos maiores historiadores de Macau, publicando várias obras e inúmeros artigos sobre esta terra. O pai foi cônsul de Portugal em Banguecoque durante 6 anos, desde Janeiro de 1875 a 1 de Abril de 1881. Falando de seu pai, escreve João Feliciano Marques Pereira:
«No meio dele (povo siamês), passou meu chor
ado Pai alguns dos melhores anos da sua vida (de 1875 a 1881), conseguindo a muito custo restabelecer o antigo prestígio tão abalado por muitos desleixos e vergonhas que constituem o costumado fim de muitas glórias portuguesas...
Mas nesse patriótico empenho arruinou a sua saúde num clima inhóspito para europeus.
Tendo saído de Bangkok, em Abril de 1881, veio morrer em Setembro desse ano em Bombaim, como cônsul-geral na Índia inglesa, cargo para que tinha sido promovido como prémio dos seus longos serviços na Ásia, conforme diz o respectivo decreto.
O primeiro testemunho português do Japão abrindo-se ao mundo é-nos dado por Feliciano Marques Pereira, que em 1860 foi enviado a Edo no desempenho de uma missão diplomática destinada à obtenção de um acordo comercial entre a coroa portuguesa e o Império do Sol Nascente. Marques Pereira ainda conheceu o Japão Tokugawa, uma sociedade regida pelos preceitos do mais estrito confucionismo, importado da China. Dividida em castas e mantida em severo controlo pelos daimios e pelos quase dois milhões de samurais, esta sociedade de obrigações, obediência e cortante apego ao grupo, inspirou-lhe algum incómodo.
Chegado a Macau em 1859, Marques Pereira, desenvolveu, a par de funções administrativas sempre marcadas pelo seu marcante espírito de iniciativa, importante actividade cultural, sendo fundador do jornal Ta-Ssi-Yang-Kuo (1863-66), que seria de novo publicado pelo seu filho - João Feliciano Marques Pereira - entre 1899 e 1903. Ocupou sucessivamente postos consulares em Hong Kong, Sião (1875), Singapura e Malaca, antes de transitar para Bombaim, onde faleceria precocemente.
No livro "Viagem da corveta Dom João I à capital do Japão no anno de 1860". Lisboa : Impr. Nacional, 1863... evoca a missão diplomática enviada ao Japão em 1860 para negociar um tratado de paz e comércio. Visita decepcionante à perigosa Yedo (Tóquio), considerada insignificante como capital, e passagem por Kanagawa e Yokohama. Um país ainda imerso no feudalismo, habitado por um povo sóbrio, orgulhoso e “impúdico”, governado por uma casta de guerreiros. Impressões sobre a literatura, a música e a arquitectura nipónicas - A segunda parte da obra contém uma antologia de textos de viagens sobre o Japão (Fernão Mendes Pinto, Diogo do Couto, Crasset e Hawks), um apêndice contendo o relatório de Marques Pereira ao ministro da Marinha e Ultramar, bem como uma carta geográfica do Império Japonês, vazada de um mapa norte-americano.
PS: O espólio de Marques Pereira tem milhares de documentos e está depositado na Sociedade de Geografia de Lisboa.