segunda-feira, 23 de maio de 2016

My Last Cruise (1857)

"My Last Cruise; or Where We Went and What We Saw: Being an account of Visits to the Malay and Loo-Choo Islands, the Coasts of China, Formosa, Japan, Kamtschatka, Siberia and the Mouth of the Amoor River".
Livro da autoria de A. W. Habersham, tenente da marinha norte-americana. Publicado em Filadéfia por  J. B.  Lippincott & Co. em 1857.
Excerto sobre Macau e Cantão:
Macao is remarkable for its pure air, cool temperature, fine summer retreats, and as the residence of Portugal's great epic poet, - the second Milton - Camoens the beautiful. We visited his cave, the birthplace of his most glorious lines, and went away with sad thoughts of his brief though brilliant advent.
So much for the first three. And now for Canton, the city of a million or more, and the grand centre of butchery, the great slaughter-house through which passes much of the surplus population of China, entering as men and cast out as headless trunks,—the victims of civil war. I again turn to my journal, the Hancock having been ordered up the river for a few days: - "We left our ship, which was anchored above the  'Factories,' and pulled toward the 'gardens' through such numbers of boats that it was almost impossible to make any headway. We were half an hour in accomplishing a distance which, had it not been for those closely-packed sampans, could have been passed over in five minutes. While thus elbowing our way through them we passed a junk, upon the bow of which several Chinamen were standing with long bamboo poles in their hands: they seemed to be bearing something clear of their cables,- something which the tide had swept afoul of them. This something proved to be the dead bodies of three Chinamen, bodies without heads, - bodies of men who had been decapitated by either the mandarins or rebels, tied together by the feet, and then cast into the river to save the trouble of burial. They were shoved clear of the cable, and then went drifting on, borne upon the changing flow of the muddy stream, to be returned again by the rising flood, like any useless barrel or water logged piece of driftwood. Such is life in China. I once heard from good authority that it was no uncommon thing for a person to take the place of the condemned unfortunate, provided said condemned would pay a stipulated amount to the friends of the self-offered victim. "Leaving this revolting scene behind us, we pulled into a basin on the river's bank, the mouth of which was guarded by a floating log, and the quiet bosom of which was covered by scores of the light egg-like boats known as sampans or Tanka-boats. These admirable little passage-boats are sculled by a single girl generally, though they are often the homes of a whole family. One would be surprised to see the great number of Chinese who live in boats. This basin was probably a hundred feet in diameter, and after crossing it we reached a flight of heavy. (...)

sexta-feira, 20 de maio de 2016

"Chapas Sínicas" são património da humanidade

Já aqui tinha dado conta da candidatura agora surgiu a decisão. Os mais de 3600 documentos que compõem as Chapas Sínicas e que falam das relações entre Portugal e Macau são agora parte do património documental da humanidade. A decisão acaba de ser aprovada pela UNESCO passando os documentos a integrar o Registo da Memória do Mundo. 
As Chapas Sínicas são compostas por mais de 3600 documentos individuais e em forma de registo, provenientes da antiga Procuratura do Leal Senado de Macau e fazem parte do acervo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. A candidatura dos documentos tinha sido feita pelo Arquivo de Macau juntamente com esta instituição. Os documentos ilustram as relações luso-chinesas desenvolvidas entre o procurador do Leal Senado e as diversas autoridades chinesas, abrangendo um período entre 1693 e 1886, sendo que os assuntos e temas referem-se a diversos aspectos das relações entre as duas autoridades.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Casas de Penhor

Registadas em tempos idos nos anuários do Governo de Macau como “Casas de empréstimos sobre penhores”, as denominadas Casas de Penhor são uma marca da identidade do território.  
Entre as mais conhecidas estão a Tak Seng On, Xin Bao, Cheong Tai. No nº 396 da Av. Almeida Ribeiro pode ser vista uma dessas casas actualmente transformada em museu (imagem abaixo) tendo anexada uma torre prestamista.
"(...) Os chineses de Macau chamam vulgarmente “t´ong-p´ou” às casas de penhor, mas, rigorosamente, esta denominação é adstrita só aos estabelecimentos de primeira categoria, sendo as de menor importância designadas por “tái-ón, siu-át” ou “lui-kòng-kuâng”.
Não existe, presentemente, nesta cidade, nenhum “tóng-p´ou” propriamente dito. A esta categoria pertenciam a “Mán-Fông-Tóng” na Travessa de Caldeira, a “Iân-Uó-Tóng” na Rua dos Ervanários e a “Sân-Uó-Tóng” na Rua Dr. Soares. As que funcionam, actualmente, pertencem às três últimas classes. O prazo do resgate dos artigos nas casas de maior categoria é, geralmente, de dois anos, a juros de 30% ao mês. Nos de categoria seguintes, o prazo é o mesmo, mas os juros são de 20%, ao mês, até ao 10.º mês lunar, mês este em que passa a vencer só 10%, mesmo que o objecto seja empenhado, no último dia da 9.ª lua. Nas casas de última categoria, isto é, nas “lui-kóng-kuàng” (fulminadas pelo raio) – bem expressiva denominação causada por um mar de ódio que resolve os corações de quantos não conseguem deixar de recorrer à sua excessiva usura, – o prazo de resgate é só de três meses, a juros variáveis, e um mês de demora, sendo a sua clientela geralmente constituída por vadios, batoteiros, fumadores de ópio, ladrões e gatunos.
Nos recibos ou antes cautelas, nunca figuram a verdadeira descrição dos objectos penhorados. Assim, por exemplo, um relógio de oiro, por mais perfeito que seja o seu estado de conservação e por melhor garantia que ofereça o seu contraste ou toque, é sempre inscrito na cautela como ”iât-kó lán tch´ông-tông-piu”, isto é, um avariado relógio de cobre ordinário. Da mesma forma um fato feito com a melhor seda que seja, figura sempre como “iât-kin lán-sám”, isto é, um fato rasgado.
Dizem que a razão desta prática foi motivada pela necessidade que os donos das casas de penhor se viram obrigados a ter, para se defenderem d prepotência, de certos clientes, senhores poderosos, a quem nada se podia recusar, e que exigiam, no acto do resgate, um objecto melhor do que aquele que em verdade empenhara, ou então para sofisticar a cupidez de certas autoridades que não perdiam nunca a oportunidade de sobrecarregar essas casas com taxas adicionais para todos os objectos de luxo.
Para melhor disfarce, além desta fraseologia privativa, os objectos empenhados eram e ainda são descritos na cautela em caracteres estenografados, sendo as quantias figuradas em cifra e por meio de um complicado sistema de ideogramas, de forma a torna-las absolutamente ilegíveis para os não iniciados. (...)
 
Excerto do texto "Casas de Penhor" da autoria de Luis Gonzaga Gomes publicado em "Chinesices". O livro é composto por vários textos que foram publicados pela primeira vez em 1944 na revista Renascimento. Em 1952 surgiram em livro numa edição do Notícias de Macau. Já em 1986 e 1994 o ICM disponibilizou mais duas edições.

domingo, 15 de maio de 2016

Benfica campeão europeu... em 1961 e 1962


Na edição de 3 de Maio de 1962 (quinta-feira) o Notícias de Macau tinha chamada de capa: "O Benfica é Campeão".
No dia anterior, a 2 de Maio, o Benfica vencia o Real Madrid e sagrava-se bicampeão europeu, com Eusébio a jogar a sua primeira final. Foi a última conquista europeia dos 'encarnados' que foram várias vezes a Macau.
A Taça dos Campeões Europeus 1961–62 foi a sétima edição do torneio. Na edição anterior o SLB vencera o trfoéu derrotando o Barcelona por 3-2.

The 1962 European Cup Final was a football match held at the Olympisch Stadion, Amsterdam, on 2 May 1962, that saw Benfica play against Real Madrid. Benfica defeated their opponents 5–3, to win the European Cup for the second successive season. This was the first final played by youngster Eusébio.

A 15 de Maio de 2016 o Sport Lisboa e Benfica ganhou o 35º título nacional. Há 39 anos que os "encarnados" não conseguiam ganhar três campeonatos consecutivos.

sábado, 14 de maio de 2016

Mais património protegido

Ao mesmo tempo que o governo da RAEM tem permitido a demolição de alguns edifícios com inegável valor histórico e cultural e e a construção em altura em zonas consideradas sensíveis, o Conselho do Património Cultural de Macau aprovou recentemente, sob proposta do Instituto Cultural, a inclusão de nove edifícios extra UNESCO na lista do património classificado.

A saber: os Templos Foc Tac Chi, na Rua do Patane do Bairro da Horta da Mitra, da Rua do Teatro, da Rua do Patane) e da Rua do Almirante Sérgio; as Antigas Muralhas da Cidade (troço próximo da Estrada de S. Francisco, da Estrada do Visconde de S. Januário e da Igreja da Penha), a antiga Farmácia Chong Sai, fundada por Sun Yat Sen, a antiga residência do General Ye Ting, o antigo Estábulo Municipal de Gado Bovino e Canil Municipal de Macau e a Casa Azul da Estrada do Cemitério, sede do Instituto de Acção Social (imagem abaixo).
Acesso ao altar principal do templo Foc Tai Chi, construído no final do século 19 conforme placa bilingue existente no local
PS: recentemente o Governo da RAEM decidiu avançar com a candidatura da Procissão dos Passos a património intangível de Macau.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

"Fátima" em Macau


Igreja de Nossa Senhora das Dores em Ka-Hó (final década 1960)
O crucifixo de bronze sobre a porta é do escultor italiano Francisco Messima. Oseo Acconci, outro escultor italiano, foi o autor do projecto desta igreja inaugurada em 1966.
Estátua de N. Sra. de Fátima no antigo destacamento militar de Mong Ha
“Desde o dia 13 de Novembro está exposta à adoração dos fiéis, no Aquartelamento de Mong Há, uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, que foi confiada pelo Bispo de Leiria ao Destacamento Expedicionário quando da partida da Força Expedicionária para Macau. Cavada na rocha, uma gruta de aspecto propositadamente rude, concebida pelo talento artístico de Osseo Acconci, serve como de engaste para um pequeno retábulo, donde emerge a Imagem na sua esplêndida beleza. Uma pequena grade de bronze, a meia altura, e alguns lavrados junto ao tecto, onde se distingue o emblema da Artilharia, dão com a sua singeleza um timbre branco de boas-vindas a quem se aproxima. Num dístico à porta lê-se: "Portugal, terra de Fé" e, à esquerda, um lampadário sempre acesso que foi oferecido pelo Bispo de Macau, D. João de Deus Ramalho, simboliza a crença viva de quantos militares vivem naquele quartel, onde se encontram quatro unidades expedicionárias de Artilharia e Infantaria. A inauguração da gruta que se deu a 13 de Novembro, teve a assistência de Governo, das restantes autoridades e de todas as pessoas qualificadas da Colónia além de muito povo.
in revista Mosaico em 1950
Nota: a imagem foi coroada a 14 de Agosto de 1951, pelo Bispo de Macau, D. João de Deus Ramalho.
Num território com profundas raízes católicas, são muitas as marcas de Fátima em Macau. Uma das 7 freguesias, simples divisão administrativa denomina-se Nossa Senhora de Fátima e fica no extremo-norte da Península. Dá também o nome a uma das 6 paróquias do território. A igreja com o mesmo nome fica no Bairro Tamagnini Barbosa. Foi primeiro construída em 1929 (com o bairro) e reconstruída em 1967
A procissão a 13 de Maio é também uma das tradições mais enraízadas na comunidade católica de Macau.
A procissão N.Senhora de Fátima (imagem ao lado em 1955) percorre as ruas de Macau, desde a Igreja de S. Domingos até à Igreja da Penha.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Correio aéreo 1937: marcas postais

Por estes dias, há 79 anos, Macau ficava mais perto do mundo, com a inauguração do Correio Aéreo. O marco histórico foi assinalado no mundo filatélico com múltiplas emissões especiais de que aqui ficam alguns exemplos. 
1.º Voo pelo Clipper da PAA Macau - USA. Sobrescrito circulado de Macau (28.04.37) para S. Francisco (04.05.1937), com selos tipo Padrões com sobrecarga Avião
Numa pesquisa por correio aéreo aqui no blogue existem mais exemplos das chamadas 'marcas postais'. PAA significa Pan American Airways, a empresa que assegurava este serviço com recurso a vários aparelhos: Yankke Clipper, China Clipper, etc...
 
As "marcas postais" assinalam as várias escalas dos aviões: S. Francisco, Honolulu, Guam, Manila, Hong Kong e Macau.

 A 28 de Abril de 1937 o correio aéreo inicia a rota no sentido inverso rumo ao ocidente

terça-feira, 10 de maio de 2016

Fontes... para o século XVII

Fontes Para a História de Macau no séc. XVII - ed. Elsa Penalva e Miguel Lourenço, Lisboa, CCCM/FCT, 2009.
Com este conjunto de fontes para a história de Macau na década de 20 de Seiscentos, privilegiam-se dois núcleos documentais, que pela sua natureza, se encontram relacionados no curto, mas riquíssimo espaço de tempo considerado. 
É o caso dos documentos seleccionados, quer da colecção “Jesuítas na Ásia” da Biblioteca da Ajuda, inequívoco fio de prumo para o estudo da missionação portuguesa na Ásia e da história de Macau, quer dos “Papeis de D. Francisco Mascarenhas” da Biblioteca e Arquivo Distrital de Évora, relativos ao mandato daquele que foi o seu primeiro Capitão Geral. Um conjunto de documentos, fundamentais para a compreensão da história de Macau entre 1621 e 1627

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Recordando Ana Maria Amaro

 Edição do jornal Hoje Macau: 15 de Maio de 2015
 Há um ano morreu Ana Maria Amaro, "A investigadora com Macau no Coração"

sábado, 7 de maio de 2016

Convento e quartel de bombeiros

Junto à igreja de S. Domingos (ao fundo na imagem) ficava o convento com o mesmo nome. Entre as várias utilizações que teve destaque para os anos em que serviu de quartel dos bombeiros de Macau.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Fishing fleet at inner harbour

Postal a preto e branco do início da década de 1950 com o título Fishing fleet at inner harbour Macao/ Frota de pesca no porto interiorA indústria da pesca foi durante décadas a segunda maior actividade económica do território logo a seguir aos panchões.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Rua Coelho do Amaral

É o próprio Jon Doo, leitor do blogue Macau Antigo e que cedeu esta fotografia de um troço da Rua Coelho do Amaral, na década de 1950, que escreve a legenda: "À esquerda da casa com três janelas é a Rua da Erva e à direita, onde se vêm as árvores, está o Hospital Kiang Wu."
A rua, larga e com calçada à portuguesa no pavimento, fica na freguesia de Santo António (nas traseiras das ruínas de S. Paulo) e evoca o antigo governador de Macau, José Rodrigues Coelho do Amaral.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Correio Marítimo: 1861

Carta enviada por correio marítimo de Lisboa para Macau em Dezembro de 1861. Dirigida a Gonçalo Ayres da Costa Campos, "guarda marinha embarcado a bordo da Corveta D. João I ou na Lorcha em Macao".

segunda-feira, 2 de maio de 2016

"75 minutes by hydrofoil from Hong Kong"

"75 minutes by hydrofoil from Hong Kong" é o mote deste cartaz do turismo de Macau em meados da década de 1960. A partir de 1964 os "hydrofoil" passam a concorrer com os 'velhinhos' ferries que faziam a travessia em cerca de 4 horas e atracavam no Porto Interior, ao passo que estes atracavam na ponte-cais do Porto Exterior, construída de propósito para esse fim. Em 1966 uma passagem custava 9 patacas.
Cais da Hong Kong Macao hydrofil Co. Ltd na então colónia britânica

sábado, 30 de abril de 2016

Jaguar Lives!

Jaguar Lives! é o título de um filme estreado em 1979. Joe Lewis (falecido em 2012) estreava-se como protagonista de uma história - realização de Ernest Pintoff - que gira em torno do combate - com muito kung fu pelo meio - a uma rede internacional de tráfico de droga. 
Do elenco fazem ainda parte Christoper Lee e Barbara Bach, um actor e uma actriz que antes tinham participado em filmes da saga do agente secreto James Bond. E não foram os únicos repetentes...
Mais do que a história e a forma como é contada destaco os registos cénicos do território em meados da da década de 1970 em zonas como a Penha e o Porto Interior. Os edifícios do Grand Hotel Kuok Chai e da  fábrica de panchões Kwong Hing Tai foram os únicos 'sobreviventes'...
Chegada do protagonista ao Porto Interior
Crianças numa sampana acenam a Joe Lewis
 Aspecto da marginal do Porto Interior junto ao cais
Cena de artes marciais no terraço frente à ermida da Penha

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Instituto Salesiano: desde 1906


Numa altura em que se equaciona a demolição do edifício mais antigo do Instituto Salesiano - albergava o dormitório e a cantina - recordo a história resumida desta escola católica para rapazes cujo lema em latim é Puri et fortes. Domingos Lam, primeiro bispo chinês de Macau, foi aluno do IS.
Os primeiros padres salesianos chegaram a Macau, em 13 de Fevereiro de 1906, devido aos esforços do Bispo João Paulino de Azevedo e Castro. Foram eles, os padres Luís Versiglia, Ludovice Olive e João Fergnani, acompanhados dos mestres de oficinas Feliz Borsio, Luís Carmagnala e Gaudencio Rota. Fundaram o Orfanato da Imaculada Conceição, para as crianças chinesas. 
O primeiro prédio do Instituto Salesiano da Imaculada Conceição - 澳門慈幼中學 - foi aberto a 1 de Abril de 1906, no n.º 3 da Rua da Prata. Foi depois transferido para o edifício da Rua de S. Lourenço. Em 1923 foi inaugurado um novo edifício na Calçada da Paz que tinha a separá-lo do edifício da Rua de S. Lourenço, um jardim onde se encontra o monumento à Nossa Senhora Auxiliadora (inaugurado em 1 de Abril de 1934). 

Quem conhece o espaço actual vai reconhecer esta 'abertura'...

Já na década de 1990 uma parte do edifício actual na rua de S. Lourenço foi demolida (a parte da escola secundária).

 Em 1956 (em cima) e actualmente (em baixo) na Rua do Padre António