sábado, 6 de julho de 2019

Histórias Coloniais

"Histórias Coloniais", da Esfera dos Livros, foi lançado no final de 2016 a título póstumo, e é da autoria de Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus.
Os autores recorrem a documentos oficiais para relatar oito episódios de violência e repressão ocorridos nas então colónias portuguesas (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé, Goa, Macau e Timor-Leste) entre as décadas de 1920 e 1960.
No caso de Macau, a escolha recaiu sobre os eventos de 1966 (Macau: o motim 1,2,3)tendo os autores recorrido ao Arquivo Histórico-Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros (“Incidentes em Macau, 1966-1967”) e Arquivos da Pide (“Macau-Motim 1-2-3, Serviços de Escuta”). Ao longo de 20 páginas são expostos os principais factos dos incidentes com recurso a inúmeros documentos e algumas imagens do AHD, bem como relatos da imprensa.
Tendo por base a informação disponibilizada os autores concluem:
“(...) As responsabilidades por este incidente são, pois evidentes. Autoridades coloniais e forças repressivas atuaram em Macau como o faziam em Angola, na Guiné ou em Moçambique, isto é, com extrema brutalidade e em absoluto desprezo pelas populações. E na ausência do governador, o encarregado de governo terá, então, sido o primeiro responsável, ao mostrar-se intransigente e ao manifestar uma completa falta de tato e sensibilidade para com as especificidades socioculturais do território. Este encarregado de governo era o coronel Carlos Mota Cerveira, «militarão, centralizador, sem sensibilidade política». O próprio ministro do Ultramar, Silva Cunha, terá reconhecido que «não esteve à altura das circunstâncias, dando prova de falta de tato e de não possuir senso político. (...)
No capítulo dos Anexos estão as “Cláusulas do acordo secreto celebrado com as autoridades chinesas”, assinadas pelo governador de Macau, José Nobre de Carvalho, a 29 de Janeiro de 1967, (Fonte: Arquivos da Pide pastas “Macau: Motim 1-2-3) e a “Resposta do Governo de Macau ao protesto que lhe foi apresentado pelos representantes dos habitantes chineses de Macau“, assinada pelo mesmo governador na mesma data.
De acordo com a sinopse da editora "Estes acontecimentos retratam a violência e a brutalidade de uma dominação colonial insensível aos problemas das populações e mostram, ainda, a forma como contribuíram para a formação da consciência nacionalista e como acabaram por acelerar o caminho para a independência dos territórios (ou para a sua integração nos países a que pertenciam). (...) Algumas histórias são praticamente desconhecidas; outras, graças ao acesso a novas fontes encontradas pelos autores, têm aqui versões mais completas do que aquelas que até agora eram do conhecimento público. (...)"

1 comentário:

  1. Eu se fosse o encarregado do governo, ainda teria menos sensibilidade do que o coronel Carlos Mota. Primeiro com a colaboração da ONU punha a salvo a população portuguesa, o que não era difícil por ser apenas meia dúzia de gatos pingados. A seguir mandava incendiar ou destruir o que de melhor móvel ou imóvel houvesse no território, e ordenava dinamitar os paióis. Por fim mandava os peseudo revolucionários chineses e as autoridades de Pequim meter Macau no sítio onde nunca vê a luz do sol.
    Nota: Eu não sou anticomunista, antes pelo contrário.

    Porque é que não publicam a minha opinião? já os pides também censuravam os comentários que não fossem politicamente correctos.

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