quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Viagem negócios: 1972

Em 1972 o pai de Michael Cairns (que tem o mesmo nome) trabalhava para a Intercontinental, uma empresa do ramo hoteleiro. Nesse âmbito visitaram Macau numa viagem de negócios... de prospecção para um eventual investimento no Território. É tudo quanto o filho - que me cedeu as fotos - se recorda.
Eis o seu testemunho:
"These were taken by my father and I was not on this particular trip so I don’t know too much about the history; however, I suspect that my father and his colleagues were visiting Macao to look for possible hotel sites. He worked for Intercontinental at the time and they were looking to expand into Hong Kong and Macao. That is about all I know about the pictures."
Nota: Photos taken by Michael Cairns; qualquer publicação posterior, à semelhança do que acontece com todas as imagens deste blog, no respeito pelos direitos de autor, devem mencionar o seu nome e o blog Macau Antigo como as duas fontes das imagens/textos.
Na Fortaleza do Monte
O hydrofoil "Penha"
Vista a partir da Fort. do Monte sobre o hotel Lisboa e a Ponte Nobre de Carvalho ainda em construção
Ao fundo a "Porta do Cerco"
Zona do Porto Exterior
Ruínas de S. Paulo

Comissário Francisco

"Dia de promoção do meu pai a comissário da PSP de Macau (1966); na altura era o português "mais antigo vivo em Macau" e o comissário mais condecorado (de bons serviços) na altura." As palavras são de Rui Francisco que enviou esta fotografia da qual faz também a legenda:
"O mais à frente de todos é António Francisco, comissário, ao seu lado direito, Manuel Ferreira (compadre de António Francisco) também comissário; Atrás estão (da esquerda p/ a direita) António Anok, chefe, Santos, chefe, Meira, chefe, Coelho, comissário, e Osório, chefe."
Informações adicionais sobre a vida de António Francisco neste post
AF enquanto vereador do Leal Senado num foto onde tb está Roque Choi

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Folheto Cinema "Vitória": 1939

Zaza... Filme de George Cukor de 1938. Estreou em Portugal em Junho de 1939 e em Macau cerca de um mês depois. A francesa (naturalizada americana) Claudette Colbert era a protagonista. O cinema tinha 4 sessões diárias, a primeira às 14h30. Existiam 6 tipos de preços: galeria, criança, 1ª, 2ª e 3ª classes. Os preços variavam entre os 20 e os 80 avos.
Vista parcial do "Vitória" (à dtª) na Rua dos Mercadores.
Imagem ca. 1945. Fotos de João/José Egreja

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Fotos relativas ao Liceu em 1956

A 1ª foto em questão mostra o grupo representativo do Liceu no 1º Campeonato Inter-Escolar de Futebol no ano de 1956. Foi tirada após o desfile de todas as escolas representadas nesse Torneio (Fevereiro de 1956). Convém lembrar que a foto em causa tem mais de 50 anos pelo que, dos comentários que irei fazer, desejo desde já penitenciar-me sobre quaisquer erros ou omissões que possam porventura surgir.
Destacam-se do grupo o Dr. Henrique de Senna Fernandes (à esquerda com óculos), professor do Liceu (Filosofia e História) que era então o dirigente-responsável pela equipa; também presente, Gustavo de Senna Fernandes (do lado oposto, e irmão do Dr. Henrique), actualmente Presidente da Casa de Macau em Lisboa, que era o nosso treinador-seleccionador, digamos que o teórico das estratégias e tácticas da equipa!...
Do friso das colegas que vieram abrilhantar o desfile e apoiar os atletas, estão da esquerda para a direita: Gabriela de Senna Fernandes, Lígia Costa, Ana Maria Jorge, Virgínia Morais, Geraldina Robarts e Lídia Assumpção (estas duas últimas já falecidas). A Gabriela viveu sempre em Macau; a Lígia e Ana Maria estão em Portugal, a Virgínia, depois de viver vários anos em Lisboa e Lourenço Marques, regressou definitivamente a Macau. Não continuo com a identificação dos rapazes, porque o farei na foto seguinte.
Das equipas que entraram no Campeonato, 4 eram portuguesas: Liceu Nacional Infante D. Henrique, Escola Comercial "Pedro Nolasco", Colégio D. Bosco e Seminário de S. José; das chinesas, seriam duas ou três, já não me lembro.
Para as gerações mais recentes que não devem entender a razão de haver tantas escolas portuguesas, devo esclarecer que até à Revolução do 25 de Abril de 1974, o Ensino Curricular Português abrangia 3 tipos de escolas: Liceus - vocacionados para preparar alunos para as Universidades (exigia o Exame de Admissão após a Primária, 7 anos de curso e Exame de Aptidão para as Universidades), Escolas Comercais (com 5 anos de curso) e virados para o comércio e Escolas Industriais (também com 5 anos de curso) e direccionados para as diferentes indústrias. Não admira pois que o Liceu fosse então considerada a escola de elite e com uma frequência muito limitada de alunos (no meu tempo seríamos cerca de 120, uma turma para cada ano, do 1º ao 5º, e no 3º ciclo - 6º e 7º anos - não excedíamos 20 para todas as alíneas correspondentes aos diferentes cursos superiores). A Escola Comercial, vocacionada para o ramo comercial com disciplinas básicas como o Inglês (muito desenvolvido), contabilidade, dactilografia, estenografia, marqueting, etc., era bastante prestigiada porque preparava muito bem os seus alunos que facilmente conseguiam emprego nas grandes cidades em desenvolvimento (Hongkong, Shangai, Cantão, etc.), sobretudo como funcionários bancários. O Colégio D. Bosco, dirigido por padres da Ordem dos Salesianos, recebia rapazes de famílias mais carenciadas e dava-lhes instrução para cursos vocacionados para a indústria (mecânica de automóveis,etc.). O Seminário de S. José pertencia à Diocese e tinha alunos internos (seminaristas) e externos; o curso que ministrava era em tudo semelhante ao do Liceu, mas com alguma vertente dirigida à preparação de futuros sacerdotes, onde sobressaía o latim.
Nesse tempo, como seria de esperar, havia muita rivalidade entre as escolas portuguesas, sobretudo entre o Liceu e Escola Comercial, mas isso apenas se passava nos recintos desportivos, porque fora do campo, dávamo-nos todos bem.
Relativamente às 2ª e 3ª fotos que também envio agora, devo esclarecer que já as vi no blog. De facto enviei-as a um amigo para me ajudar em algumas dúvidas e ele reencaminhou as fotos para um irmão que, sendo mais novo, falhou em algumas identificações. Essa a razão pela qual repito o envio e a identificação correcta e mais pormenorizada, pois sou contemporânio dos retratados.
Assim, na 2ª foto (Maio de 1956) e abaixados, da esquerda para a direita estão: Alberto Fernandes (mais conhecido por Chíchi, Hong Kong), Miranda (Portugal), João Simões (mais conhecido por Aboy, Toronto-Canadá), Vitor Serra (Lisboa-Portugal), Jorge Silva (Macau), e Alberto Oliveira (S. Paulo-Brasil).
De pé e pela mesma ordem: João Bosco Silva (Coimbra-Portugal), Alberto Nunes (Macau), Manuel Valoma (Vancouver-Canadá), Francisco Rodrigues (mais conhecido por Chiquito, Lisboa-Portugal), Severino Silva (Macau) e Armando Almeida (Lisboa-Portugal).
Dos que ficaram em Macau, Alberto Nunes chegou a funcionário superior das Finanças e o meu irmão Jorge Silva atingiu o topo da carreira administrativa dos Serviços de Saúde, passando depois de aposentado a Solicitador; Chíchi, Aboy, Valoma, Severino e Alberto Oliveira, trabalharam em Bancos de Hongkong; o Chíchi aí continuou, Aboy e Valoma emigraram para o Canadá, Alberto Oliveira e Severino foram para o Brasil, tendo este último regressado mais tarde a Macau; dos que partiram para Portugal, o Miranda chegou a Oficial Superior da Força Aérea, Chiquito chegou a Director de uma Empresa Farmacêutica, Vitor Serra, Armando Almeida e João Bosco Silva tiraram licenciaturas no Ensino Superior.
De todos os presentes, e por uma questão de justiça, gostaria de salientar, a título de curiosidade que o meu irmão Jorge Silva foi, de todos, o mais talentoso e habilidoso em todas as modalidades desportivas que praticou; chegou a representar Macau em Futebol e Hóquei em Campo (também como treinador e selecionador) e foi convidado para ingressar no Sporting Clube de Portugal (onde estagiou durante um mês) com um contrato profissional que só não se concretizou porque ele optou por voltar ao seu emprego em Macau e também para acompanhar a nossa mãe, então já viúva.
Do campeonato em si, devo acrescentar que o Liceu ficou classificado em 2º lugar, tendo sido campeão o Colégio D. Bosco.
A 3ª foto (Junho de 1956) recorda o ambiente festivo do jantar comemorativo do resultado então alcançado pelo Liceu; aí estão todos os que participaram nos jogos, incluindo os suplentes e outros colaboradores, entre os quais menciono o Dr. Diamantino Ferreira, Dr. Francisco Dias, Dr. Ricardo Conceição (Médico nos Hospitais de Coimbra), Júlio Airosa (Presidente da Casa de Macau em S. Paulo-Brasil) e o saudoso José Assumpção (A Kuai Chai).
Contributo de João Bosco Basto da Silva
NA: estas fotografias foram colocadas ainda recentemente num outro post fruto do contributo do Rui Francisco; face a algumas discrepâncias nas 'legendas' volto a publicar as mesmas para uma melhor 'leitura' das mesmas. Ao Rui e ao João resta-me agradecer o envio das fotos e o seu esforço de memória que por certo será apreciado pelos milhares de leitores do blog.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Guerra do Pacífico: contributos para a história

Novembro de 1945
1944
"Cincoenta avos" de 1942
1944
Macau durante a Guerra do Pacífico viveu uma dos momentos mais dramáticos da sua história. Estou nesta altura a preparar uma trabalho mais extenso sobre este período pelo que deixo aqui o convite aos milhares de leitores do Blog que queiram participar enviando o seu contributo (testemunhos pessoais, fotos, recortes de jornais, dicas, sugestões, etc...) para o e-mail macauantigo@gmail.com
Zona das Torres de Rádio da D. Maria ca. 1938 - esta zona chegou a ser bombardeada "por engano" pela aviação norte-americana
Como forma de incentivo apresento um testemunho inédito de um antigo militar em Macau no final da década de 1940, Diamantino Correia.
"Então aqui vai uma história sobre a ocupação japonesa em Macau. Durante alguns meses fui comensal na casa de um guarda de 1ª classe da PSP, sita na Avª Coronel Mesquita. Este sr. chamava-se António Rodrigues e tinha como alcunha "O Fantasma". Julgo que foi para aquele território nos anos 30, já que à data em que o conheci tinha 7 filhos e o mais velho (António Rodrigues Jr.), já falecido, teria os seus 18 anos. Preparava-se então para prosseguir os estudos superiores em Portugal, o que aconteceu. Não sei qual a sua formatura. Pois o pai "Fantasma" foi chamado a chefiar uma equipa de agentes solicitada pelo hotel Central, uma vez que, alguns militares japoneses, já bem bebidos, se dedicavam à destruição de bens no salão de dança. Chegado lá, pediu a presença do mais graduado. Houve risos de mofa, já que a autoridade portuguesa era periodicamente posta em causa. Mas o "nosso" homem não se intimidou e através do intrépete, fez-lhe saber que o imperador Hiroito não lhes tinha mandado fazer aquilo. Ouvido que foi o nome do imperador, não só abandonaram o local bem como pagaram todos os estragos.
P.S. António Rodrigues era Alentejano (área de Portalegre) e então fazia serviço para o Dr. Pedro Lobo nas instalações da Vila Verde. Vivia, como disse na Avª Coronel Mesquita, numa excelente vivenda cedida pelo "patrão" Pedro Lobo.
Aqui ficam os meus agradecimentos ao Sr. Diamantino que tem tido a paciência de responder aos meus diversos pedidos para que vá buscar aos baú da memória as histórias por ele vividas há mais de meio século.
Vista de Macau em 1938
À chegada a Portugal o antigo governador de Macau durante a Guerra do Pacífico - Gabriel Maurício Teixeira - proferiu uma conferência no dia 3 de Setembro de 1946 na sala do Conselho do Império do Ministério das Colónias. Perante os "representantes da imprensa" resumiu os anos da sua governação. Segue-se um excerto.
(...) Macau chegou a ter entre 450 mil a 500 mil habitantes, ou seja, uma população tripla do normal. (...) Chegaram a morrer de fome 27 mil pessoas no primeiro ano de guerra. A média atingiu mesmo, em certo período, um pouco mais de 3 mil mortos por mês. (...) conseguiu-se reduzir aquele número para 600 (a partir de Outubro de 1942). (...) Quando os japoneses invadiram os terriórios vizinhos refugiaram-se em Macau mais de 26 mil crianças. A cólera provocava muitos mortos. E a fome também. A moeda de nada valia. Imperava o mercado negro e o racionamento. Para conseguir bens o Governo teve de fazer vários negócios com os japoneses. um deles foi a venda da canhoneira Macau, "ou melhor, do velho casco da canhoneira, foi uma óptima operação para a Colónia. Custou cerca de 80 mil patacas há 40 anos. Vendeu-se em troca de arroz e outros géneros indispensáveis por um milhão de patacas." (...) Fez-se a reforma tributária no sentido de libertar Macau da tirania do ópio e do jogo. Aboliu-se por completo o ópio."

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Campeonato Inter-Escolas de 1956

Tratam-se de duas fotografias relativas ao ano de 1956 da equipa do Liceu que tomou parte no campeonato inter-escolar de Macau. Naquele ano, além do Liceu Nacional Infante D. Henrique, tomaram parte ainda o Colégio D.Bosco, Escola Comercial Pedro Nolasco e Seminário de S.José (externato) que eram as escolas portuguesas e as escolas chinesas de Colégio Ut Wa, Colégio S. João e Instituto Salesiano Chi Iao. O Colégio D.Bosco foi a escola que se sagrou campeã.
Além do campeonato na época havia ainda outros torneios. Apesar de eu na altura possuír apenas a idade de 12 anos vivi freneticamente os acontecimentos e por isso conheci e consigo identificar perfeitamente os que estão nas fotografias.
Na equipa do futebol em pé estão: João Basto da Silva, Alberto Nunes, Francisco Rodrigues(Chiquito), Manuel Valoma, Armando de Almeida.
Agachados: Alberto Fernandes (Chichi), Miranda, Victor Serra,João Simões, Severino Silva, Na ou Jorge Basto Silva.
A outra fotografia foi num jantar de confaternização reconhecendo-se quase a mesma malta e mais alunos do Liceu da época. Ainda há pouco tempo (5 de Agosto último) no blog Macau Antigo (NA: é só verificar mais abaixo aqui no blog o contributo de joão Bosco Basto da Silva) também falou-se duma equipa de futebol do Liceu antigo e estas duas fotografias consegui-as graças ao meu irmão Eduardo (que está em Oeiras) e me enviou.Os meus irmãos Eduardo e António faziam parte da época de antigos alunos do Liceu antigo e posteriormente ainda mais duas irmãs minhas, mais novas que eu a Maria Fátima e a Anabela (já falecida).
Contributo de Rui Francisco - a quem fica o agradecimento - de Macau.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

"cachet" comemorativo: 1932

Envelope com "cachet" - carimbo - comemorativo do 1º aniversário do Serviço Aéreo Postal entre Macau-Portugal e Colónias via Marselha entre 12 Setembro de 1932 e 12 Setembro 1933.
Foi enviado da Vila Ângelo, na Av. Horta e Costa, em Macau, em Abril de 1939. A sigla S.I.C. quer dizer Sociedade Internacional de Coleccionadores instituição a que pertenceu o remetente, Pedro Paulo Ângelo. Foi ele quem dirigiu a publicação com carácter regular intitulada "Macau Filatélica" entre 1933 e 1938. Alguns exemplares podem ser encontrados na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Palácio da Flora: imagens do início do século XX

Imagem estereoscópica com a seguinte legenda:
"Jardim e Casa de Verão do Governador, Macao, China, 1900"
Postal do início do século XX: o palácio da Flora era residência de Verão dos governadores
Postal - frente e verso - enviado em 1905 de Macau para Portugal

Informações adicionais neste post:

domingo, 8 de agosto de 2010

Matteo Ricci em Macau

A primeira grande exposição organizada na China sobre a vida de um missionário católico ocidental, o jesuíta italiano Matteo Ricci, abriu hoje em Macau, quando se assinalam os 428 anos da sua chegada à região.
A exposição, intitulada “Matteo Ricci: O Mestre do Ocidente”, reúne mais de 180 peças de instituições de Itália, China continental, Taiwan e Macau, e chega ao Museu de Arte de Macau, onde ficará patente até 31 de outubro, depois de ter passado por Pequim, Xangai e Nanjing no âmbito das comemorações dos 400 anos da morte do missionário.
“Macau desempenhou um papel muito importante no intercâmbio cultural entre o Ocidente e o Oriente, o que coincidiu com a chegada de Ricci (a 07 de agosto de 1582) à região, onde iniciou a sua missão de disseminação da religião católica, ao mesmo tempo que promoveu o entusiasmo pelos conhecimentos ocidentais na China e vice-versa”, justificou o diretor do museu, Chan Hou Seng.
Como porta de entrada para a China, Macau “serviu de laboratório para os europeus aprenderem a dialogar com outras culturas e religiões”, observou o presidente do Instituto Ricci de Macau, Artur Wardega, em declarações à Agência Lusa ao salientar que era na região que muitos missionários aprendiam chinês e plantaram as raízes da cultura europeia, da religião, às artes e ciências.
O mapa do mundo desenhado por Ricci e que coloca a China no centro do globo “para não ofender o imperador chinês” é talvez a principal peça da mostra em Macau, explicou em declarações à Agência Lusa o curador da exposição, Filippo Mignini.
“Como a terra é redonda, Ricci apercebeu-se de que poderia trocar a ordem dos continentes e colocou a China no meio com receio de que se colocasse a Europa no centro, como apresentavam os mapas ocidentais, ofendesse o imperador chinês”, disse ao salientar que o imperador da China expôs o mapa no palácio de Pequim, em 1608.
Instrumentos musicais, modelos de edifícios europeus, textos escritos em chinês e uma réplica do primeiro dicionário português-chinês, que inclui a primeira tentativa de romanização dos caracteres chineses, são outras das atrações da exposição e que relatam o primeiro grande intercâmbio intercultural entre a Europa e o Império do Meio liderado por Matteo Ricci.
Ricci foi o primeiro missionário europeu autorizado a estabelecer-se em Pequim, em 1601, e é, com Marco Pólo, o italiano mais conhecido na China.
Enquanto plataforma de ligação entre o Ocidente e o Oriente, reconhecida pela China, Macau quis não só homenagear mas eternizar, com uma estátua, a figura do missionário jesuíta cujo exemplo continua a estimular o diálogo cultural entre as duas civilizações.
A estátua de bronze, em tamanho real, da autoria do escultor Wong Ka Long, foi hoje erigida junto às ruínas do antigo Colégio de São Paulo - a primeira universidade de tipo ocidental no Oriente, fundada no século XVI - no mesmo dia do mês em que Ricci chegou a Macau a bordo de uma das caravelas dos portugueses que partia de Lisboa em direção ao Oriente.
Artigo da autoria de PNE da agência Lusa em Macau a 7 Agosto 2010.
Mapa de 1602 feito por Ricci a pedido do Imperador da China
De família nobre, o P.e Matteo Ricci nasceu a 6 de Outubro de 1552 em Macerata, na Itália, sendo o primeiro de 13 filhos. Desde pequeno revela uma inteligência apurada e dotes para a matemática. Depois de ter frequentado o colégio dos jesuítas na cidade natal, o seu pai convence-o a cursar Direito, em Roma. Interrompe o curso para ingressar na Companhia de Jesus e logo após um ano emite os primeiros votos. Estuda no Colégio Romano Teologia e Filosofia, a par de Ciências Naturais, Astronomia, Cartografia e Matemática, sob a tutela do padre Cristoforo Clavio, que incute no jovem religioso a apetência pela ciência.
Passagem por Coimbra
Entretanto, vai nascendo no seu coração a vontade de partir para terras longínquas como missionário. O superior-geral da Ordem acede ao seu pedido enviando-o para o Oriente. Mas primeiro passa por Coimbra, onde cursa Teologia na universidade, e parte de Lisboa juntamente com 13 colegas jesuítas em direcção a Goa, onde chega depois de seis meses de navegação a 13 de Setembro de 1578. Aqui lecciona nos colégios jesuítas línguas clássicas e conclui os seus estudos. É ordenado sacerdote em 1580. O P.e Alexandre Valignano, visitador da Companhia nas missões da Índia e Japão, pede-lhe que parta para a China. É assim que chega a Macau para aprender a língua chinesa e preparar-se para mais tarde atingir a China.
Numa época em que os estrangeiros eram olhados com suspeição e tidos como intrusos perigosos, o P.e Ricci, juntamente com o P.e Miguel Ruggieri, entra na China em 1583. Depois de receber autorização para permanecer, inaugura um ano mais tarde a primeira residência missionária em Zhaoqing. Aqui são bem recebidos pelo governador da cidade, que admira a sabedoria e santidade dos dois jesuítas. Põem-se imediatamente a trabalhar, fazem o primeiro esboço do catecismo chinês, Matteo Ricci traduziu em língua chinesa o mapa-mundo, que viria a ter três edições, e introduziu o relógio mecânico, coisa nunca antes vista pelos Chineses.
Por ordem do novo vice-governador, os missionários têm de deixar Zhaoqing e transferem-se para Shaozhou, onde Ricci fundou a segunda residência em 1589. Facto significativo nesta altura é a decisão de o missionário começar a vestir-se à maneira chinesa, segundo a indumentária dos eruditos que vestiam hábitos de seda.
Sonha com a China
Convicto de que para transmitir a fé cristã ao povo chinês seria necessário, em primeiro lugar, converter as classes dirigentes e as elites, o jesuíta alimenta o sonho de chegar à capital para encontrar-se com as autoridades do império. A estratégia desenvolver-se-á por etapas. Começa por deixar Shaozhou com destino a Nanchang, onde chega em 1595. Aqui abre a terceira residência missionária e publica a sua primeira obra em chinês, «Tratado da Amizade».
Concretiza a sua primeira tentativa de chegada a Pequim em 1598, mas tem de deixar a cidade por causa da guerra na Coreia. Estabelece-se em Nanquim, onde funda a quarta residência missionária. Em 1600, realiza nova tentativa para chegar a Pequim, mas no caminho é preso e permanece em prisão até Janeiro de 1601. A terceira tentativa teve êxito: a 24 de Janeiro de 1601 recebe autorização do imperador Wan-Li e entra em Pequim, na Cidade Proibida, onde passa a residir definitivamente. O imperador recebe no seu palácio o missionário, que o presenteia com um mapa-mundo, dois relógios, moedas de prata, e outros objectos de valor. O imperador fica extremamente agradado, retribuindo-lhe com a oferta de alojamento no palácio e custeando a sua permanência em Pequim. O jesuíta Giuliano Raffo escreveu que com Matteo Ricci «pela primeira vez o Cristianismo obtém cidadania na China».
Conversão das elites
Graças a Ricci, o Evangelho chegou às classes dirigentes e penetrou na família imperial, com a conversão de vários familiares do imperador. Em 1601, baptizou o jovem erudito Li com o nome de Paulo, depois converte o celebre doutor Paulo Siu, futuro chanceler do império. À sua chegada os católicos eram cerca de 20, aquando da morte chegavam aos 2500 e em por volta de 1666 já se contavam 250 000 cristãos. Devido ao prestígio do jesuíta missionário, o catolicismo na China desenvolvia-se livremente. No seu tempo, construíram-se mais de 60 igrejas e havia 200 missionários.
A 11 de Maio de 1610, Ricci morre aos 57 anos em Pequim, depois de uma breve doença. O imperador concede-lhe o privilégio de ser sepultado na capital, o que acontece pela primeira vez na história da China. O seu túmulo encontra-se no cemitério de Zhalan, perto do Colégio Administrativo de Pequim, nas imediações do Templo dos Cinco Pagodes. Em 2001, no 4.º centenário da chegada de Ricci a Pequim, João Paulo II afirmou: «O túmulo do padre Matteo Ricci em Pequim lembra-nos o grão de trigo que é lançado à terra para produzir fruto abundante. Isto constitui um apelo eloquente, seja a Roma seja a Pequim, a retomar o diálogo iniciado há 400 anos com tanto amor e acontecimento.»
Texto de António Carlos Simões, Missionário Comboniano

sábado, 7 de agosto de 2010

Boa Vista Hotel, Macao

Postal do final do século XIX / início séc. XX:
pintado à mão e a preto e branco

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Equipa futebol Liceu ca. 1956

"Apenas uma pequena recordação dos tempos antigos do Liceu de Macau, desta vez do meu tempo em que o edifício do Liceu funcionava na Tap Seac. Trata-se da equipe de futebol do Liceu, presente no Campeonato de Futebol das Escolas de Macau, julgo que no ano de 1956. João Bosco Basto da Silva"
Na resposta a este testemunho desafiei o meu amigo macaense, JBBS, a fazer uma legenda para a fotografia. Eis a resposta... pelo menos uma parte, pois gostaria de contar com mais!
Olá João Botas,
Em resposta ao teu mail, segue um pequeno testemunho meu sobre o Liceu de Macau.
A foto em causa mostra a equipa de futebol do Liceu nos Campeonatos Escolares de 1956. Dos presentes, duas colegas estão falecidas (Geraldina Robarts e Lídia Assumpção), os restantes encontram-se ausentes de Macau com excepção do Dr. Henrique de Senna Fernandes e 3 colegas. Eis aqui, embora em pequena escala, o fenómeno da Diáspora Macaense; à falta de emprego para os jovens, a maior parte deles tiveram que emigrar. Hoje, o grupo de colegas dessa foto encontra-se espalhado por Portugal, Hong Kong, Austrália, Brasil, Canadá e Estados Unidos da América. Espero e desejo profundamente encontrar alguns deles no Encontro das Comunidades Macaenses em Novembro próximo.
P.S. Muito mais haveria a dizer sobre essa foto; se alguém estiver interessado, estarei disponível para o efeito.
João Bosco Basto da Silva - Agosto 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Alberto Ló (última parte)

Capa da revista "Colecção Ídolos do Desporto" de 24 Junho 1960
“Sinto-me muito honrado em poder dizer algo sobre o que penso do pingue-pongue metropolitano, desde que me encontro no Benfica. Por motivo deste livro vir a ser publicado dentro de pouco tempo, é possível que na sua confecção se encontrem alguns erros, por lapsos de memória. Agradeço, por isso, que me perdoem. Ao jornalista e técnico da modalidade Ernesto Silva, assim como a tantos outros, presto a minha homenagem pela valiosa colaboração que sempre me têm dispensado desde que me encontro na metrópole.Alberto Ló (na imagem acima à chegada a Lisboa). Macau. 1925 -1975. Ténis de Mesa.
Esta publicação satisfez-me plenamente, porque mercê dela, o pingue-pongue passará ainda a ser mais falado nas tertúlias desportivas. Isso contenta-me.
Quanto a outros assuntos que o mesmo insere, devo dizer que embora todos me considerem o melhor, gostaria que todos os técnicos jamais deixassem de me corrigir os defeitos, de modo a que a minha colaboração ao pingue-pongue português seja, se possível, mais valiosa. Finalmente, cabe-me saudar todos os que se interessarem pela leitura da modesta história da minha carreira de desportista. A todos, muito obrigado”
Ló com a mulher e os dois filhos
Aconteceu em 1932, quando Alberto Ló ainda frequentava a escola de instrução primária. Com oito anos apenas, experimentou as suas “habilidades” no desporto da bola de celulóide.
E, tão bem se houve que, um dos seus professores o aconselhou a continuar e a aperfeiçoar-se, augurando-lhe desde logo um futuro muito promissor.
Estimulado pelo que fora dito, por quem já não se recorda, Alberto Ló tomou a sério a sugestão e procurou como é lógico, corresponder, treinando-se assiduamente, com o objectivo de conquistar a auréola que, mais tarde viria a alcançar a ser o melhor jogador português de todos os tempos.
Para que tal viesse a acontecer teve que no entanto “trabalhar” muito, quase sem parar e durante longo período de tempo. Pouco depois, Alberto Ló passou a ser um autêntico ídolo do desporto macaense. Era, assim, pode dizer-se o “Homem de quem mais se falava”. Os seus frequentes êxitos e a rapidez com que ascendeu ao mais alto nível do desporto da raqueta, fez dele um atleta à beira da celebridade... Até pelas simpatias que desfrutava, dada a sua modéstia.
Era já então, como agora, um rapaz difícil de se deslumbar com as contumélias de que era alvo frequentemente. Mas nada disse o perturbou como oriental que é. Continuou a fazer a sua vida normal, alheio a todas as lisonja que lhe dispensavam por onde quer que passasse. A sua única ideia era a de continuar a cumprir profissionalmente e de, nas horas vagas, só nessas, jogar pingue-pongue, longe de tudo e de todos, a fim de se aperfeiçoar. Já não seria muito jovem para iniciar uma carreira que lhe proporcionasse triunfos de grande projecção, dir-se-ia. Mas Alberto Ló cônscio das suas possibilidades, que eram muitas, jamais, desistiu de tentar aquilo que muitos ambicionaram e não conseguiram – triunfar. Passou a ser um jogador em evidência no pingue-pongue oriental. Sensacional, porque de um momento para o outro, passou a jogar tanto como os melhores de então.
Mercê do contacto a que foi submetido e às reais qualidades que evidenciava, a sua ascensão foi rápida. Dentro de breve espaço de tempo, passou a dominar tudo e todos, tornando-se então um autêntico ídolo.
Apesar de tudo, jamais deixou de ser um rapaz pacato, pouco dado a “farras” ou coisas semelhantes, só se preocupando com a vida profissional, a de professor de instrução primária, e a de ensinar os seus pupilos a praticar o desporto em que ele tanto se evidenciara.
Em Sevilha onde venceu o Troféu Internacional de 1958
Nos campeonatos nacionais disputados, há dias na Figueira da Foz, Alberto Ló, o “mago” do pingue-pongue português, conquistou mais três títulos de campeão nacional, proeza digna do maior realce, não porque surpreenda, atendendo ao seu valor, mas porque constitui uma “performance” de que só os atletas de eleição podem orgulhar-se.
Alberto Ló interveio em quatro competições e ganhou três. Só nos pares-mistos cedeu. Mas a ausência de Ana Maria, talvez explique o insucesso, se assim o possamos considerar.
Alberto Ló continua, pois, a ser o grande artífice da maioria dos triunfos alcançados pela Benfica. Só por si vale meia equipa... (sem desprimor para os briosos atletas que com ele colaboram). Até quando as coisas continuarão a decorrer--lhe tão favorávelmente? Ninguém poderá dizê-lo...
Tão rápida foi a sua evolução que, meses depois, Alberto Ló foi chamado a representar Macau, de parçeria com Rosa Duque, para alguns encontros em Singapura, Hong Kong e Japão tendo perdido em Hong Kong com Johnny Leach, (na altura detentor do título mundial individual), pela contagem tangencial de 2-3, e de nesse mesmo certame ter saído airosamente do confronto com René Roothooft, um dos mais famosos jogadores franceses.
Normalmente, a esposa que chegou a ser campeã de Macau, jamais deixava de o acompanhar onde quer que ele se exibisse. E isso era para Alberto Ló um estímulo precioso, tantos foram os triunfos que ela lhe proporcionou, mercê não só da sua presença, como até de alguns “conselhos”, embora muito disfarçados que lhe deu. E com resultados práticos...
Em 1952, quando da realização dos campeonatos mundiais disputados em Bombaim, em que Rosa Duque ficou classificado em oitavo lugar, encontrava-se em Hong Kong. E, segundo sua opinião, só por esse motivo não interveio na competição, visto encontrar-se na melhor forma de sempre. “Tive muita pena. Nesse ano podia, de facto, competir com alguns dos considerados “muito bons” que lá apareceram, para “discutir” a questão... asseverou-nos o campeão nacional quando com ele trocámos breves impressões. Estava então na sua melhor condição física e técnica. E além disso, tinha menos oito anos, o que é importante para o rendimento de um atleta”.
Contratado em Tóquio, talvez não. Mas “conversado” sim. Quando da deslocação à capital do Japão, o ex-presidente da Federação convidou-o a vir para a Metrópole. Alberto Ló recusou alegando várias razões. Mais tarde, o mesmo dirigente escreveu para Rosa Duque no sentido de resolver a questão, mas Alberto Ló voltou a recusar o convite, alegando o mesmo motivo, isto é, a separação da família, que era tudo para si.
Seis meses depois, o mesmo dirigente, que era e é adepto do Benfica, voltou a escrever a Rosa Duque, com quem mantinha amistosas relações. Foi então quando as coisas tomaram outro rumo, ou por outra, feição diferente.
Alberto Ló pensou bem na questão...
Os seus êxitos com os três jogadores da Índia e do Vietnam, tiveram influência no seu espírito, tanto mais que o seu vencimento não era famoso para um chefe de família. Decidiu-se então a tentar a sua “chance” num meio mais propício a alcançar o que desejava. A família ficava, mas viria depois se, porventura as coisas lhe corressem de feição.
E... em 5 de Janeiro de 1958 estava em Lisboa, pronto a ganhar campeonatos e a corresponder ao valor que se lhe atribuía e que de facto demonstrou possuir. Desde logo, foi unânimemente considerado, não só uma excelente aquisição para o Benfica, como também para o pingue-pongue metropolitano, do qual passou a ser, e por mérito absoluto, a figura mais destacada, até por ser o único considerado elemento “fora de série”.
O seu triunfo foi total.
Superou tudo e todos. E, fazendo alarde de uma “classe”excepcional, que levou muitos aficionados da modalidade a retornar aos recintos de onde se haviam ausentado pelos maus espectáculos que lhes proporcionaram.
O Benfica considerou-se de parabéns. E, justificadamente.
Ló num caricatura e olhando para os troféus conquistados em Portugal
Chegou, viu e ... venceu
Em face da sua real categoria, não se tornou difícil a Alberto Ló, marcar, desde logo, posição absolutamente àparte, entre os jogadores que com ele contactaram. É o que se chama “chegar, ver e vencer”.
O seu nome popularizou-se, como o de poucos praticantes dos chamados desportos pobres. E, justificadamente, porque Alberto Ló, não só por ser macaense, era, como é, um caso àparte no pingue-pongue português.
Quando chegou à Metrópole não sabia se vingava. Aqui tudo era diferente. E isso podia naturalmente influir no seu rendimento, tanto mais que estava ausente da família, a quem tanto quer. Mas não. A excelente capacidade demonstrada era suficientemente pronunciada para que isto ou aquilo, pudesse transformar o que estava à vista de tudo e de todos – uma superioridade incontestavelmente esmagadora.
A sua vinda para a metrópole foi, portanto, benéfica sob todos os aspectos, pela agitação que provocou nos meios afectos à modalidade, como ainda e, principalmente, pelo muito que contribuiu para a sua valorização.
Dentre as muitas “vedetas” do pingue-pongue mundial que Alberto Ló viu, foi o húngaro Ferenc Sido, sem dúvida, o que melhor o impressionou. Considera-o cem por cento perfeito em todos os pormenores, talvez um tanto ajudado pela sua extraordinária envergadura. Assim, embora menos rápido de reflexos e de movimentos do que os jogadores do Oriente, como quase todos os europeus, considera-o cem por cento mais perfeito do que aquele, conseguindo por isso impor a sua vontade e dominar os seus mais perigosos opositores. Um jogador excepcional na opinião de Alberto Ló.
Entre os portugueses distingue sobremaneira a boa categoria evidenciada por Rosa Duque, Oliveira Ramos e António Osório.
Rosa Duque é o 2º a contar da direita
“Se tivesse vindo mais cedo...”
Alberto Ló apesar dos seus sucessivos êxitos, desde que chegou ao continente, não se cansa de dizê-lo que se tivesse chegado mais cedo, as coisas tornar-se-lhe-iam mais fáceis. “Há seis ou sete anos atrás valeria o dobro. E, portanto o Benfica contaria comigo...” - disse-nos.
Agora já não espera valer mais do que valeu. Procurará manter a boa forma e corresponder às responsabilidades que adquiriu, para com o clube que o traz no coração.
“Procurarei continuar a conquistar títulos regionais e nacionais e, quando chamado a representar o meu País, não deixá-lo ficar mal nos confrontos a que for submetido” - assegurou.
Espera jogar até aos 40 anos. E, depois, ensinar os muitos jovens que por aí pululam, sem terem quem os conduza. “Farei tudo o que puder para valorizar o pingue-pongue português. Dentro de dois anos, se verá” - Augurou Alberto Ló.
Como se sabe o pingue-pongue macaense sempre esteve muito em contacto com o chinês. Os confrontos são mesmo muito frequentes.
Assim, como é óbvio, Alberto Ló várias vezes teve ensejo de defrontar os melhores jogadores de Hong Kong e de Singapura, triunfando amiudadas vezes, sendo até o actual campeão do mundo Jung Kuotan, que há três anos se encontra na China comunista, uma das suas maiores vítimas...
FICHA BIOGRÁFICA
Nome: Alberto Ló, em português, e Ló Kam Sun, em chinês.
Data de Nascimento: 7 de Julho de 1924, em Macau.
Filiação: Ló Chin Choi e de Ló Ao Si, ambos chineses.
Estado: casado em 1954 com Vong Git U. Tem dois filhos: Antônio Ló, de 4 anos e meio de idade, e Maria Ló, com dois anos.
Profissão: Professor de instrução primária (diplomado), da língua chinesa.
Outras modalidades que praticou: Basquetebol e voleibol, nas quais chegou a marcar posição de relevo.
Internacionalizações: 19 Vietnam, Coreia, China, Estados Unidos, Checoslováquia, Egipto, Austrália, Irlanda, Jamaica, Alemanha, Espanha (2), Suécia, Bélgica, índia, Suíça, Brasil, Japão e Marrocos.
Clubes que representou: Sport Lisboa e Benfica.
NA: O que atrás ficou escrito é uma reprodução na íntegra do texto publicado na edição de 24 de Junho de 1960 da Colecção Ídolos do Desporto.
Ficou célebre uma final do campeonato regional de Lisboa, contra o Sporting. O Benfica perdia por 4-2 e cabia a Alberto Ló defrontar o melhor jogador sportinguista, António Osório. Ló ganhou facilmente o primeiro set, mas, durante o segundo, ressentiu-se de uma lesão antiga. Mesmo assim, aguentou as dores até ao final do jogo e o Benfica acabou por ganhar o título. É mais um exemplo para se comprender que, na época, Ló se tornou um ídolo benfiquista e quase uma lenda do clube.
Épocas no Benfica: 5 (58/63). Títulos: 4 (Campeonato Individual de Lisboa), 4 (Campeonato Individual Nacional) e 5 (Campeonato Nacional de Equipas).
A colecção "Ídolos do Desporto" foi uma das melhores revistas desportivas, dentro do género biográfico, editadas em Portugal. Tratava-se de uma revista que, tal como o próprio nome da colecção sugere, se debruçava sobre a vida e a carreira de grandes desportistas portugueses e não só, com especial relevo e destaque para os jogadores de futebol. Existiu entre 1956 e 1972. Era semanal e custava 1 escudo e 50 centavos.
Trio Majestoso: Ramos, Carvalho e Ló. Taça de Portugal 1960/1961

Estátua de Lagoa Henriques

A estátua do artista português Lagoa Henriques (falecido em 2009 e muito conhecido pela estátua de Pessoa na baixa lisboeta) com o título de “Rapariga pequena como cão”, colocada junto no sopé da escadaria que dá acesso às Ruínas de S. Paulo em 1994 nunca foi consensual nas comunidades portuguesa e chinesa de Macau, em especial esta última. Do mesmo conjunto faz parte uma outra peça - que não originou polémica - onde uma chinesa oferece uma flor a um português (ver imagem abaixo).
Vem isto a propósito do anúncio oficial por do Governo da RAEM de que a peça escultórica - representa uma mulher chinesa sentada de forma descontraída com um vestido subido até à cintura - será removida e colocada noutro local ainda por anunciar. Esta peça é apenas uma entre muitas que no final de década de 1990 (e até 1999) as autoridades portuguesas quiseram deixaram como mais uma marca da presença lusa naquelas paragens. Umas terão feito sentido, outras nem por isso... E isso será sempre algo de muito subjectivo.
Entre esse frenesim de peças de arte urbana, estou a recordar-me das Portas do Entendimento, da monumento à diáspora macaense, das 'árvores metálicas' de José de Guimarães... mas há mais, muito mais. E, ainda assim, ficaram a faltar sentidas homenagens a quem tb merecia. E não me refiro às várias centenas de louvores e similares (talvez milhares) publicadas em Boletim Oficial... Mas isso fico para futuros post's.
Encontro entre o Ocidente e o Oriente, escultura realizada por Lagoa Henriques (1923-2009). Foto (da construção da estátua) de Maria Morais.


Foto publicada no JTM

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O homem que sonhou ser Governador de Macau

Morreu Mário Bettencourt Resendes. Actualmente desempenhava a função de Provedor do Leitor do jornal “Diário de Notícias”. Apesar de ter sido, nos últimos anos, um dos comentadores políticos mais presentes na televisão (SIC) e na rádio (TSF), Mário Resendes tornou-se conhecido por ser director do "Diário de Notícias", cargo que ocupou no início da década de 90 e de onde saiu em 2003.
Nasceu em 1952 em Ponta Delgada e começou a sua carreira no jornalismo em 1975, depois de ter sido “apanhado” pelo 25 de Abril quando estava no quinto ano do curso de Gestão de Empresas e Economia.
Com as aulas paradas e a sociedade em convulsão, Mário Resendes resolveu ir tirar um curso de jornalismo a Paris. Nunca mais voltou à economia.
Em 1975 foi estagiar como jornalista do "Diário de Notícias" e, no final do estágio, entrou para a equipa fundadora do "Jornal Novo", um diário de combate ao gonçalvismo. Ainda passou por uma revista semanal chamada "Opção" mas pouco mais de um ano depois, em Novembro de 1976, voltou ao DN, onde ingressou nos quadros.
No DN foi, sucessivamente, redactor de Política Nacional, editor do suplemento “Análise DN”, coordenador das secções de Política Nacional, Economia e Trabalho, e director adjunto.
Tornou-se director a partir de 1992 e cumpriu o seu papel quando o jornal já tinha passado para as mãos da Lusomundo (PT). Já não era, porém, director do matutino quando a Controlinveste entrou no jornal.
Depois de sair da direcção do DN, tornou-se, em 2007, provedor dos leitores daquele título, cargo cuja criação aconteceu por sua iniciativa.
Apesar do interesse no jornalismo ter perdurado mesmo depois de sair da direcção do DN, deixou para trás um sonho que considerou inconcretizável: ser governador de Macau. “Tenho um grande fascínio pelo oriente e deve ter sido extremamente interessante o exercício daquelas funções e a relação com a República Popular da China”, disse numa entrevista.
Além de jornalista, Mário Resendes foi professor de Comunicação Social no Instituto Superior de Comunicação Social, moderador de mesas-redondas, analista político e responsável por programas na RTP e na Rádio Comercial e comentador político na TSF.
Assumiu ainda a vice-presidência da comissão directiva europeia da Associação de Jornalistas Europeus, a presidência da assembleia geral da secção portuguesa e em 1994 foi nomeado, pela Comissão Europeia, para fazer parte do Conselho Consultivo dos Utilizadores (Bruxelas). Membro do conselho director do Centro Europeu de Jornalismo, foi galardoado com o Prémio Europeu de Jornalismo, atribuído pela Associação de Jornalistas Europeus, em 1993. Foi ainda porta-voz do Movimento Informação e Liberdade, criado em 2008.

Gov. Lopes dos Santos.. mais uns registos

Visita à Escola Mong Tak
Tomada de posse do Comandante da PSP a 18 de Fevereiro de 1963

domingo, 1 de agosto de 2010

Gov. Lopes dos Santos em 1963

Gov. Lopes dos Santos na escola de Ka Ho em 1963 (28 de Maio, uma data muito importante par o regime de então) e na inauguração de um centro para refugiados de Shangai.