terça-feira, 15 de setembro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Uma Aristocrata Portuguesa no Macau do Século XVII
O livro é de 2006 e 'encontrei-o' por acaso numas pesquisas na internet. Apoiado numa exaustiva investigação, esta obra de ficção histórica é um contributo singular para o conhecimento de um tema quase nunca tratado – a presença e a situação da mulher na expansão portuguesa.
Partindo de um quadro central - a vida de uma figura feminina, D. Catarina de Noronha -, a autora recria em pormenor a vida de Macau seiscentista, o relacionamento de Macau com os Mandarins e a China Imperial, a organização do comércio português no Extremo Oriente, nomeadamente nas ilhas de Timor, os hábitos alimentares, costumes, festividades e religião das populações que tinham contacto com os portugueses, enfim, é o século XVII macaense, com todas as suas envolvências que perpassa pelo nosso olhar. Um trabalho de grande fôlego, sem dúvida, com a originalidade de se debruçar sobre um tema - a mulher na expansão portuguesa - muito difícil de tratar por escassez de elementos de informação. A Autora fala, aliás, das «poucas referências a seu respeito» da figura principal da narrativa, o que levou a recorrer a uma obra de ficção para nos descrever a sua vida e o quotidiano macaense que encontrou, tendo obtido informações «por vias transversais, através de dados referentes a familiares de linha masculina, únicos dignos de menção e registo na época.»
Texto da editora Editorial Inquérito e da Fundação Jorge Álvares
Licenciada em história pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Maria Helena S. R. do Carmo, fez o Mestrado em Língua e Cultura Portuguesa - variante de História, na Universidade de Macau, com uma dissertação sobre os interesses portugueses em Macau na primeira metade do século XVIII. Foi locutora nas rádios de Goa e Angola, e professora em Moçambique, Angola, Macau e Portugal. É autora de vários trabalhos relacionados com a História de Macau, território onde viveu entre 1995 e 1999.
Texto da editora Editorial Inquérito e da Fundação Jorge Álvares
Licenciada em história pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Maria Helena S. R. do Carmo, fez o Mestrado em Língua e Cultura Portuguesa - variante de História, na Universidade de Macau, com uma dissertação sobre os interesses portugueses em Macau na primeira metade do século XVIII. Foi locutora nas rádios de Goa e Angola, e professora em Moçambique, Angola, Macau e Portugal. É autora de vários trabalhos relacionados com a História de Macau, território onde viveu entre 1995 e 1999.
sábado, 12 de setembro de 2009
Postal anos 60
A Coca Cola chegou a Macau no início da década de 1950...
Este tipo de garrafas a 3 dimensões podiam ver-se um pouco por todo o território. Ainda hoje existem alguns exemplares na Taipa e Coloane. Noutro post já contei um pouco da história desta marca em Macau... A publicidade era abundante a ponto de uma das curvas do grande prémio ganhar o nome de "curva coca-cola"... ficava junto ao reservatório.
Este tipo de garrafas a 3 dimensões podiam ver-se um pouco por todo o território. Ainda hoje existem alguns exemplares na Taipa e Coloane. Noutro post já contei um pouco da história desta marca em Macau... A publicidade era abundante a ponto de uma das curvas do grande prémio ganhar o nome de "curva coca-cola"... ficava junto ao reservatório.
O formato da garrafa, um ícone da época e um case study do design foi, curiosamente, criada por um sueco. Já a bebida foi criada em 1886 ano em que começou a ser servido o xarope concebido por John S.Pemberton, na farmácia Jacob's, de Atlanta, EUA, bebida que viria a ser conhecida por Coca Cola.
Cartaz publicitário da década de 1950

Mapas dos séculos 17, 18 e 19
1834... origem alemã
1785... origem francesa
Reprodução do códice existente na Biblioteca Nacional de Lisboa, de 1639, com nota introdutória e legendas de Pedro Dias. Inclui representação de fortalezas e cidades dominadas pelos portugueses ou suas conhecidas. Mariz Carneiro parece ter copiado estas representações do Livro das plantas de todas as Fortalezas, Cidades e Povoações do Estado da Índia Oriental de António Bocarro, 1635, com diferenças mínimas nas vistas.sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Livro de "propaganda" de 1925
Colecção de artigos de propaganda sobre o Problema Comercial e Político de Portugal no Oriente. Uma publicação da secção de propaganda do Porto de Macau editado pela Imprensa Nacional em 1925. São 52 páginas num formato quase de bolso... 11 x 24 cm. As obras do Porto (exterior) durante entre 1919 e 1925. Na época foi uma obra de grande envergadura e um primeiro passo de emancipação do território face a Hong Kong.
Viagem do "Dilly" em 1934
A "viagem aérea a Timor, Macau, Índia e regresso", protagonizada em 1934 por Humberto da Cruz (capitão-piloto) e António Gonçalves Lobato (primeiro-sargento mecânico), realizou-se num avião De Havilland D.H.85 Leopard Moth, com motor Gipsy Major de 130 cavalos, baptizado com o nome "Dilly".
A viagem teve início no dia 25 de Outubro de 1934 (partida da Amadora), chegando a Timor a 7 de Novembro. O regresso teve lugar a 13 de Novembro, terminando em Lisboa no dia 21 de Dezembro. Durante a viagem de regresso foram realizadas escalas especiais, envolvendo recepções oficiais, em Macau e Goa. No decurso da viagem foram feitas diversas pinturas na fuselagem do avião. Posteriormente à viagem o avião recebeu a matrícula civil CR-GAA.
No total foram percorreram 42670 km, voando 268h e 25m.
A viagem foi transposta para o livro A viagem do "Dilly" : Lisboa, Timor, Macau, India, Lisboa, 25 de Outubro 1934, 21 de Dezembro 1934. (ver algumas dessas páginas em baixo)
O Tenente-Aviador Humberto da Cruz dedica um capítulo à passagem por Macau que inclui fotografias aéreas. Fala da "recepção entusiástica" por parte da população e autoridades. viram um jogo de hóckey em campo "entre o team de Macau e o team de Hong Kong", visitaram 2 quartéis, "o da artelharia e o das metralhadoras". Andaram de riquexó e repararam nos "guardas de trânsito e polícias de rua que são mouros mas usam uma farda igual à da metróple mas têm um turbante com faixas verdes e encarnadas." Já nas Portas do Cerco "os soldados são landins" (negros). Asssitiram à dança do leão e passaram pela casa de Lara Reis, O Sol Poente. Destacaram ainda, incluindo os pormenores da cerimónia e a fotografia, o facto da comunidade chinesa lhes ter oferecido um repasto de chá.






Palavras de Humberto da Cruz... Este é um dos maiores feitos da aviação portuguesa e o facto de o avião ser relativamente frágil enobrece ainda mais a façanha. O voo de ida atravessou a África do Norte, com paragens em Argel, Tripoli, Bengazi e Tobruk, o Médio Oriente, com passagem por Gaza e Basra, internando-se depois pelo actual Paquistão e Índia, com as etapas a terminarem em Jask, Karachi, Allhabad, para finalmente rumar ao Sudeste Asiático e às Índias Orientais Holandesas, passando por Akyab, Banguecoque, Prachuab, Singapura, Soerabaia, Rambang e Díli, onde foram recebidos com grande entusiasmo, a 7 de Novembro de 1934: "Os indígenas de Timor são mais dóceis e subordinados do que geralmente se acredita ( ... ) Não existia já um português em Timor, há tantos anos que a nossa força naquelas ilhas é nula, pois a força que existe é tirada deles mesmos", comenta. Os aviadores saíram de Díli a 13 de Novembro e aterraram na actual cidade da Amadora (Portugal) a 21 de Dezembro, pouco antes do Natal, como desejara Humberto Cruz. Galardoado com a Torre e Espada, publicou diversas obras sobre aviação, tendo falecido a 10 de Junho de 1981. António Lobato foi escolhido como companheiro de viagem por Humberto Cruz, devido à sua competência, carácter alegre, correcção, aprumo e camaradagem. No ano seguinte ao da viagem, em 1935, morreu num desastre de avião perto de Viseu. "Morreu o Lobato!". A mensagem que ecoou, na sua simplicidade, transmitia a memória e o carinho colectivos que o País conservava de tão jovem e corajoso ás da navegação aérea."
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
A História de Macau Escondida nos Mapas Antigos
No final do séc. XV, os navegadores portugueses estabeleceram as rotas marítimas regulares entre o Atlântico e o Índico. A chegada dos portugueses ao Pacífico e ao Extremo Oriente, no séc. XVI, foi o prólogo dos contactos entre duas civilizações: a oriental e a ocidental.
“Foi um grande progresso histórico que as comunicações motivadas pelos interesses colonizadores e comerciais se estenderam ao domínio cultural. Quando Cristóvão Colombo deu o primeiro passo, ninguém conseguiu antever a trajectória da história universal daí por diante. Naquela altura, uma nova cultura marcada pelo humanismo e racionalismo crescia na Europa e acabava de entrar na era pós-medieval. Acompanhado pela expansão colonialista, o capitalismo nascente ostentava ao mundo a sua vitalidade. Entretanto, dominavam na China a cultura política e a cultura ética apregoadas pela doutrina confucionista. Aparentemente a incoerência total das duas civilizações malograria qualquer tentativa de diálogo. 

Mas, o séc. XVI anunciou com antecipação o encontro inevitável do Oriente com o Ocidente, para o qual a história se apressava a fazer os preparativos. Várias navegações marítimas, nomeadamente do chinês Zhenghe e dos europeus Cristóvão Colombo, Fernão de Magalhães e Vasco da Gama, contribuíram incontestavelmente para a diversificação dos pontos do encontro das civilizações oriental e ocidental.” 1
No decorrer do encontro do Oriente com o Ocidente, na época moderna, muitas ciências naturais desvincularam-se da filosofia natural para se afirmarem independentes. Na transição da geografia clássica para a geografia nova do Ocidente, no séc. XIX, a geografia, ciência que se debruça simultaneamente sobre as grandes áreas, humana e natural, exercia uma influência cada vez maior na evolução da civilização humana. Neste aspecto, os mapas geográficos antigos de Macau, do séc. XVIII ao séc. XX, conservados por Tam Siu Cheong, coleccionador de Hong Kong, constituem excelentes argumentos. As primeiras cartas referentes a Macau publicadas no Ocidente evidenciam o pragmatismo que norteava a produção cartográfica.
A título de exemplo, a Carta do Roteiro Marítimo da Entrada em Guangdong e Macau (Nº5), ilustração dum livro publicado na Grã-Bretanha em 1738, descreve minuciosamente a rota marítima para Guangzhou (Cantão) a partir do Mar do Sul da China, passando por Macau e Humen, e possuindo também a marcação da variação da profundidade das águas ao longo da via, o que reflecte a perfeição das técnicas topográficas e cartográficas daquela altura. `A esquerda desta grande carta encontra-se um mapa da cidade de Guangzhou onde se localiza claramente o Rio das Pérolas e a cidade em si.Uma outra carta hidrográfica relativa a Macau e constante do livro acima mencionado, Carte de L’Entrée de Macao (Nº11-3), cuja autoria se atribui aos franceses, mostra diversos caminhos marítimos. Tendo em conta que Macau era a única cidade aberta aos estrangeiros, a carta privilegia os pormenores sobre o mar. É de referir a indicação nesta carta dos graus de profundidade das águas da antiga via aquática de Shizimen (Porta da Cruz), muito mais detalhada do que a península de Macau, o qual fica ao sul, dado que era ancoradouro e passagem obrigatória dos navios comerciais ocidentais que entravam e saíam de Macau. É um mapa de interesse prático para a navegação marítima. Tal como atrás referido, as primeiras cartas geográficas de Macau publicadas no Ocidente caracterizam-se pelo valor da sua utilidade prática.
Uma outra gravura (Nº11-1) do mesmo livro, Plan de La Ville de Macao, apresenta a descrição pormenorizada sobre a península de Macau nos finais do séc. XVIII: a cidade cristã, onde viviam os portugueses, estendia-se deste o portão da muralha na Rua do Campo, a norte; ao sopé da Colina da Penha, a sul. As casas distribuíam-se densamente por toda esta área, ao sul da Colina da Penha, incluindo a Colina da Barra. Subsistia a paisagem natural ao sul da Colina da Penha, em que campos e aldeias se entrelaçavam. Ao norte do portão da muralha, na Rua do Campo, ficava a área onde os chineses se aglomeravam. Campos cultivados bem ordenados ocupavam a parte central desta área fora da cidade. A Ilha Verde, que emergia do mar, parecia isolada. A antiga Porta do Cerco em Lianhuajin de Shati constituía um símbolo importante na definição do território de Macau. A descrição da carta, acima referida, coincide com os registos antigos datados aproximadamente da mesma altura, segundo os quais: “Hou Keang ou Ou San situa-se a 120 li a este e a sudeste da cidade. Macau fica a leste de Hou Keang; as águas marítimas de Shizimen circundam-no pelo sul; a oeste está Hengqin (Wang Kam) e ao norte fica a colina da Ilha Verde.”2 A península de Macau em Town and Harbour of Macao (Nº24), mapa manuscrito, elaborado pelos ingleses, em 1869, traduzem algumas mudanças sensíveis: a primeira, o desaparecimento da muralha na Rua do Campo, que foi demolida pelos portugueses; segunda, a cidade cristã administrada pelos portugueses expandiu-se para o norte, transcendendo a fronteira assinalada pela antiga muralha. Na sequência do “Caso de Ferreira do Amaral” de 1894, os portugueses não apenas recusaram o pagamento do foro do chão que o Distrito de Xiangshan (Heong San) tinha arrecadado durante mais de duzentos e setenta anos, como também destruíram a muralha e alargaram a sua cidade para o norte. Há ainda um outro mapa da península de Macau, em The Portuguese Settlement Macao (Nº27), uma gravura publicada em 1894, no qual, no cima e à esquerda apareçe a inscrição de “Fundado em 1557”. Este mapa revela-nos efectivamente que depois de se terem estabelecido na península de Macau, os portugueses ocuparam algumas aldeias, danificaram alguns campos cultivados e abriram novas estradas. Figuram neste mapa as ruas da antiga cidade, as antigas igrejas como a de S. Francisco, as Ruínas de S. Paulo, a Fortaleza antiga construída no tempo da dinastia Ming e o Palacete de Santa Sancha (residência do Governador de Macau). Encontram-se ainda marcados a Fortaleza da Colina de Mong Há, que de facto foi construída nos finais da dinastia Qing, e o Palácio da Flora. Uma leitura cuidadosa permite descobrir que a construção da Estrada de Adolfo Loureiro se encontrava concluída, e a Estrada de Coelho do Amaral, a Estrada da Bela Vista e o Istmo Ferreira do Amaral já estavam configurados e arborizados. É um mapa de grande importância que reproduz a península de Macau dos finais da dinastia Qing.
“No séc. XVI, havia ranchos de forasteiros, variáveis em número e desconhecidos dos chineses, que frequentavam o litoral do sul da China. As visitas dessa gente tendiam a intensificar-se. Eram sobretudo europeus que seguiam Marco Polo na peregrinação à China.” “A corte da dinastia Ming, da China, não sabia nada das mudanças ocorridas no longínquo Ocidente. A Renascença, a reforma religiosa e as ciências experimentais tinham dado um grande impulso para a entrada da Europa Ocidental na idade moderna. Em consequência dos descobrimentos, floresciam de repente viagens marítimas que facultavam a ligação das duas semiesferas do globo.” 3
“No séc. XVI, havia ranchos de forasteiros, variáveis em número e desconhecidos dos chineses, que frequentavam o litoral do sul da China. As visitas dessa gente tendiam a intensificar-se. Eram sobretudo europeus que seguiam Marco Polo na peregrinação à China.” “A corte da dinastia Ming, da China, não sabia nada das mudanças ocorridas no longínquo Ocidente. A Renascença, a reforma religiosa e as ciências experimentais tinham dado um grande impulso para a entrada da Europa Ocidental na idade moderna. Em consequência dos descobrimentos, floresciam de repente viagens marítimas que facultavam a ligação das duas semiesferas do globo.” 3
Os ocidentais aplicavam as ciências e as técnicas modernas por eles trazidas para registar e estudar o Oriente. “Entre as ciências da idade moderna, a geografia cultiva uma área de estudo muito abrangente. A geografia moderna nascida no séc. XIX afastou-se passo a passo da posição semi-científica e semi-literária da geografia arcaica, ao absorver frutos das outras ciências modernas para afirmar o seu próprio modelo e metodologia.” 4 É de referir que nesta mostra de mapas antigos estão ainda patentes Chinesische Küste de 1834 (Nº17), Karte des Hafens von Canton mit Macao de 1804 (Nº18) e Carte de la Riviere de Canton de 1844 (Nº22) desenhados pelos alemães, Sketch of the Taypa and Macau de 1780 (Nº10), Canton River and Adjacent Islands from the Latest Surveys de 1844 (Nº21) e Canton and Its Approaches, Macau and Hong Kong de 1880 (Nº25) desenhados pelos ingleses, e Carte de L’Entrée de La Riviere de Canton de 1760 (Nº8) dos franceses e a Planta da Península de Macau, de 1760, publicada pelo Governo de Macau, entre outros. Todos estes mapas antigos, quer sejam de transporte, quer sejam militares, quer sejam turísticos, reflectem o nível de conhecimentos e de estudo profundo dos cartógrafos ocidentais em relação à fisionomia da natureza geográfica do Oriente, que se traduzem na descrição e explicação das aparências dos objectos observados. Na exposição encontram-se também mapas antigos publicados na China, sendo de salientar os Altas de Guangdong, publicados no quinto ano do reinado do imperador Tongzhi (1866) da dinastia Qing, que tocam em regiões como Xiangshan, Xinmi, Xinhui, Shunde, Heshan e outras regiões. Aparece no volume XI dos altas o Mapa de Xiangshan, em que Macau está representado com a marcação de determinados sítios como Porta do Cerco, Ilha Verde, Jitou, Taipa, Jiu’ao, Guoluli e Shizimen. Apesar da longa história da produção cartográfica chinesa e da longa tradição dos estudos geográficos chineses, a localização geográfica, relativamente fechada, do país, afectou os chineses em termos da concepção geográfica. A China situa-se no extremo oriente do continente asiático, contígua ao Pacífico no leste, com terras estéreis no noroeste e florestas e vales no sudoeste: “Entre o céu em cima e a terra por baixo, fica o Império do Meio (China), ocupando o centro e rodeado pelos territórios estrangeiros.”5
Enquanto a geografia ocidental conhecia o rápido desenvolvimento na idade moderna, a geografia chinesa permanecia estagnada. Com a chegada do jesuíta Matteo Ricci no final da dinastia Ming e posteriormente de Julius Aleni, Nicolaus Longobardi, Didacus de Pantoja e Ferdinand Verbiest, foram introduzidos na China novos conhecimentos geográficos ocidentais. Apesar disso, conceitos como “céu redondo e terra quadrada” e “céu redondo e terra plana” continuavam enraizados nos pensamentos dos chineses. A evolução das concepções dos chineses sobre o espaço geográfico arrastava-se de forma significativa, facto esse bem provado nos Altas de Guangdong. Segundo Tan Qixiang, geógrafo conceituado contemporâneo, “Os estudos geográficos na dinastia Qing são o resumo das experiências antigas e o início dum novo capítulo.” 6Macau traçou uma trajectória singular na sua história. Nesta cidade em que coexistem as duas civilizações oriental e ocidental, a civilização moderna ocidental encontrou a plataforma de entrada no Oriente e provocou impacto profundo. Através da produção cartográfica podemos avaliar não só a superioridade ou inferioridade em termos técnicos, como também o nível da exploração das regras do ambiente geográfico e sua evolução nos seres humanos e mesmo o nível de conhecimentos destes sobre a natureza e sobre si próprios. Os mapas mostrados nesta exposição, antigos ou modernos, chineses ou estrangeiros, proporcionam-nos certamente uma nova oportunidade de estudar e conhecer a história de Macau.
Texto de Chan Vai Hang, Presidente do Instituto de História de Macau Imagens: Mapas dos séculos XVIII e XIX
Texto de Chan Vai Hang, Presidente do Instituto de História de Macau Imagens: Mapas dos séculos XVIII e XIX
Notas: 1. Chen Lemin, Cronologia dos Contactos Luso-Chineses no Séc. XVI, Editora de Educação de Liaoning, 2000, p.34. 2. Reinado de Qianlong, Registos Gerais do Distrito de Xiangshan Vol. I, Águas e Montanhas. 3. Chen Lemin, Cronologia dos Contactos Luso-Chineses no Séc. XVI, Editora de Educação de Liaoning, 2000, p.1. 4. Zou Zhenhuan, Geografia Ocidental na China nos Finais da Dinastia Qing, Editora de Publicações Antigas de Shanghai, 2000, p.34. 5. Shi Jie, Sobre a China, in Antologia do Sr. Shi, edição de Chen Zhi’e, Livraria da China, 1984, p.116. Citando Geografia Ocidental na China nos Finais da Dinastia Qing, p.40. 6. Tan Qixiang, Colecção de Trabalhos da Dinastia Qing sobre a Geografia, Tomo I, Editora Popular de Zhejiang, p.2. Citando Geografia Ocidental na China nos Finais da Dinastia Qing, p.309.
Cronologia da História de Macau
Arquivos de Macau
«Arquivos de Macau» -A I Série (1929-1931) desta publicação foi iniciada em Dezembro de 1929, resultado da Portaria n.º 268, de 27 de Abril desse ano, tendo por finalidade «dar a conhecer todos os documentos de interesse histórico que forem encontrados nos arquivos do território de Macau». Foi, sem dúvida, uma obra que prestou relevantes serviços à investigação sobre a história das regiões banhadas pelo Indico e Pacífico, na altura em que ainda não existia o Arquivo Histórico de Macau como instituição vocacionada para recolher, guardar e conservar os documentos da Administração Pública do território.
Uma enorme quantidade de documentos foram então publicados, arrancados das arrecadações onde jaziam sem as mínimas condições de conservação, de segurança e sem qualquer tratamento arquivístico. Muitos milhares de documentos conheceram então a luz do dia.
Dez anos de paragem separam esta fase da seguinte; os tempos eram difíceis, estava-se em plena Segunda Guerra Mundial. Depois deste interregno, a nova série, que então surge, teve apenas um ano de vida (II Série, 1941).
Em Fevereiro de 1964, aparece a terceira série que continua fiel aos objectivos inicialmente traçados. Nesta altura, destacou-se Luís Gonzaga Gomes como responsável da Biblioteca Nacional de Macau e principal impulsionador dos Arquivos de Macau (III Série, vols. I a XXXII, 1964 a 1979). A publicação foi retomada de 1981 a 1988 (IV Série).
Hoje em dia cabe ao Arquivo Histórico de Macau a preservação e divulgação dos documentos históricos, que é feita através do seu Boletim.
Estes Arquivos são relevantes para o estudo e compreensão da realidade macaense nos seus múltiplos aspectos e imprescindíveis para um trabalho sério sobre a história de Macau. Durante muitos anos não estiveram acessíveis comercialmente mas no final da década de 90 foram reeditados.
Antiga entrada do Hospital de S. Rafael
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| 1968 |
A denominação é elucidativa. Tratava-se de encontrar um meio eficaz de recuperar os documentos, existentes no Território, sobre a história de Macau e de muitos países desta região do globo, com os quais a «Cidade do Nome de Deus» se relacionou, desde o primeiro quartel do século XVI, documentos esses em péssimas condições de conservação e de segurança devido à incúria dos homens e à voracidade do clima.
O seu aparecimento tinha por finalidade, nos termos da Portaria n.º 268, de 27 de Abril de 1929 «dar a conhecer todos os documentos de interesse histórico que forem encontrados nos arquivos do território de Macau». Foi, sem dúvida, um projecto que prestou relevantes serviços ao estudo da história desta zona do mundo.
Uma enorme quantidade de documentos foi, então, publicada, depois de arrancada das várias arrecadações, onde jazia em precárias condições de segurança, sem qualquer organização e, consequentemente, sem qualquer utilidade para o investigador.
A primeira fase desta revista foi curta. Resistiu, apenas, três anos; mas cumpriu, dentro dos condicionalismos existentes, a sua missão; com efeito, milhares de documentos conheceram, a luz do dia, nesse espaço de tempo.
Dez longos anos de paragem separam esta primeira fase da seguinte.
Depois desta forçada paragem, houve que arregimentar energias e desenvolver esforços, para se retomar com determinação este projecto, mas debalde. Os tempos eram difíceis. A guerra de 1939-1945, que mergulhou o mundo no caos, foi responsável pela vida efêmera da segunda série desta revista. Teve somente um ano de vida — 1941.
A terceira, a mais longa das quatro séries, vai de 1964 a 1979. Publica, nada mais, nada menos, que trinta e dois volumes, superando, em muito, as duas séries anteriores. Ultrapassou as dificuldades então surgidas e prosseguiu o seu destino, consciente da sua histórica missão.
A quarta série teve que esperar pelo ano de 1979, para que o Decreto-Lei n.º 27/79/M, de 28 de Setembro, que reestruturou os Serviços de Educação, recriasse, no seu artigo décimo nono, o Arquivo Geral de Macau, a seguir baptizado com o nome de Arquivo Histórico de Macau. Na verdade, o atrás citado Diploma Legislativo Ministerial tinha sido uma tentativa falhada. Não passou do plano das intenções.
Esta série estendeu-se até 1988, tendo dado à estampa onze volumes, já com o título mais desenvolvido «Arquivos de Macau — Boletim do Arquivo Histórico de Macau».Sem perder de vista a sua pureza primitiva, procura, então, dar mais um passo em frente, colocando à disposição dos investigadores inventários e catálogos do seu acervo documental.
De 1988 até 1990, há uma nova paragem. Em 1991, esta publicação reaparece com o título «Boletim do Arquivo Histórico de Macau» e abandona a denominação «série».
Um projecto desta envergadura terá que ter, necessariamente, a sustentá-lo uma forte, competente e dedicada componente humana, sem a qual não teria passado de letra morta. Este não poderia, obviamente, fugir à regra. E quem é ou são as personalidades que se envolveram neste projecto desde a sua criação até hoje?
Quanto à primeira pessoa é o artigo n.º 2 da Portaria do governador interno, João Pereira de Magalhães, que instituiu este projecto, que esclarece: «Da direcção dessa publicação fica encarregado, em comissão gratuita, o professor do Liceu de Macau, dr. Telo de Azevedo Gomes».
Decorridos alguns anos, a direcção da revista é assumida, em 1941, pelo cónego Morais Sarmento que publica seis números da segunda série.Passados vinte e três anos de hibernação, explicada, em grande parte, pela Segunda Guerra Mundial e suas sequelas, tornava-se urgente encontrar uma pessoa cujo perfil se adaptasse aos objectivos prosseguidos pelos «Arquivos de Macau».
A personalidade quem em boa hora, então surgiu, foi o ilustre historiador e sinólogo Luís Gonzaga Gomes. Iniciava-se a publicação da terceira série desta revista, a mais produtiva de todas. Publicou trinta e dois volumes, com 191 números.
Com a morte de Luís Gonzaga Gomes, é o iminente historiador Monsenhor Manuel Teixeira que, com o entusiasmo e a competência que lhe são reconhecidos, retoma a publicação dos «Arquivos de Macau» até ao momento em que, com a criação do Arquivo Histórico de Macau pelo Prof. Doutor Silva Rego, se dá início, em 1981, à publicação da 4.ª e última série dos «Arquivos» que se estendeu até 1988.
A partir desta data, há um novo intervalo que vai até 1991, altura em que se entra na última fase desta publicação, com o título «Boletim do Arquivo Histórico de Macau», agora da responsabilidade do Instituto Cultural de Macau/Arquivo Histórico.
Esta é a galeria dos homens ilustres, responsáveis pelo êxito deste projecto que, em boa verdade, representou um marco assinalável no panorama do estudo da grande história deste pequeno território.Palavras de Isaú Santos, Vice-Presidente do Instituto Cultural de Macau em Maio de 1998.
Missionação na História de Macau
Editado em 2005 pela Universidade de Macau este livro "é um instrumento de trabalho indispensável para estudiosos e interessados na História de Macau e da missionação da China, pois faculta-lhes o conhecimento de biografias e temas nem sempre acessíveis e actualizados".Para esta obra contribuiram 21 historiadores, sob a direcção de Maria Antónia Espadinha, coordenação de António Rodrigues Baptista (1998 a 2000) e de Leonor Dias de Seabra (2000 a 2004). Apresenta-se sob a forma de dicionário e tem uma introdução de Ivo Carneiro de Sousa.
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