quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Representações de Macau no Diário de Viagem de Adolfo Loureiro

No próximo dia 6 de Janeiro, pelas 18 horas, na Universidade Nova de Lisboa, FCSH (av. de Berna, Lisboa) terá lugar mais um SPEM - Seminário Permanente de Estudos sobre Macau, desta feita sobre o diário de viagem Adolfo Loureiro (1883), a cargo da Mestre Anabela Leandro Santos, doutoranda em Estudos de Cultura (China), Universidade Católica, Investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura.
Adolfo Loureiro (1836-1911), engenheiro e militar de carreira, foi vice-presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa e autor de vários estudos sobre portos de Portugal, ilhas atlânticas e Macau. No Oriente, de Nápoles à China: diário de viagem (2 volumes, publicados pela Imprensa Nacional, 1896-1897 faz um relato da viagem que fez ao Oriente tendo passado por Singapura, Hong-Kong, Macau, Cantão e Batávia em 1883. Em Macau tem uma estrada com o seu nome. Fica entre a av. Sidónio Pais e a estrada Coelho do Amaral.
Na entrada relativa a 16 de Setembro de 1883, a propósito de uma visita ao bazar (na imagem cerca de 1900) em Macau:
"(...) entrámos no chamado "bazar chinês", bairro em parte modernamente construído, já com certa regularidade e asseio, e onde há um movimento e animação extraordinários. São ali as lojas dos objectos de proveniência da China, desde os bens sortidos armazéns e estâncias de fruta e de comestíveis até os panos, seda e ourivesaria. As ruas são limpas e alinhadas, mas estreitas. As casas, todas da mesma construção e feitio, com as lojas decoradas com grandes tabuletas douradas, onde se lêem sentenças e máximas chinas, e ornamentadas com flores e lanternas. O bulício e o burburinho são grandes e enorme a concorrência de homens e mulheres chinesas, vendo-se entre estas algumas de pés microscópios, andando dificilmente e abordoadas a um guarda-sol, conservando um difícil equilíbrio sobre aqueles pequenos pés calçados com sapatinhos de bonecas.
Havia por ali numerosas casa de jogo do fantan, que se distinguiam pela sua pintura verde e por grandes lanternas, tendo à entrada nichos e altares onde ardiam pivetes e velas, alumiando feios ídolos pintados com cores muito vivas em posições arrogantes e com dragões e feras impossíveis. As casas da lotaria de vae-seng, do pacapio e de outros jogos eram também muito frequentadas e distinguiam-se igualmente pelas grandes lanternas, tabuletas, flores e pinturas em quadros muito alongados e estreitos. É que o jogo de azar é o vício dominante do chinês e que da exploração desse vício tirámos nós o principal rendimento da colónia, arrematando o exclusivo de tais jogos. É este o caso do fim não justificar os meios..."
Nota: o espólio documental do Eng. Adolfo Loureiro (1836-1911) está na Biblioteca e Arquivo Histórico do MOPTC. É constituído por mais 500 espécies bibliográficas, cobrindo as áreas da engenharia civil e engenharia hidráulica, que para além das obras deste autor e 170 monografias de outros autores, inclui publicações periódicas onde se divulgavam as investigações em curso em áreas técnicas e científicas.

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