terça-feira, 16 de março de 2010

Um clube de Karaté em 1976

Em 1976 foram publicados no Boletim Oficial os estatutos da Associação de Karate-Do Seigokan de Macau (AKSM) pelo Conselho Provincial de Educação Física presidido na época por José dos Santos Ferreira.
No artigo 1º pode ler-se "Este agrupamento, que tem a denominação de "Associação de Karate-Do Seigokan de Macau (AKSM)" com sede obrigatoriamente em Macau, é um organismo filiado na "Seigokan All Japan Karate-do Association (SAJKA)", cuja sede-geral fica em Himegi, Prefeitura de Hyogo, Japão."
Entre o símbolo original e o actual pouco mudou...

Mini-Olimpíadas de 1951 (2º post)

Organizadas pelo Bi-Semanário “O Clarim” (nessa altura) pelo seu chefe de redacção, José Inocêncio dos Santos Ferreira realizaram-se, em Novembro de 1951, as primeiras Mini-Olimpiadas de Macau no Campo de 28 de Maio, hoje o Estádio do Canídromo.
Presidiu à abertura solene dos jogos, o então Governador, almirante Joaquim Marques Esparteiro e pela Comissão Organizadora o senhor Padre José Barcelos Mendes em representação do director de O Clarim, senhor Padre Maciel que se encontrava ausente em Portugal.
A cerimónia constou do hastear do pendão olímpico, da bandeira portuguesa e da do Leal Senado, acompanhada pelo hino nacional português, executado pela banda da Polícia de Segurança Publica.
Findas as primeiras solenidades, seguiu-se a parada de atletas com os estandartes dos respectivos clubes.
Participaram nesse evento desportivo as filiais de Macau do Sport Lisboa e Benfica e do Sporting Club de Portugal, o Clube Desportivo dos Portugueses de Xangai, o Hoquei Clube de Macau, o Clube Recreativo 1 de Junho, o Ténis Civil, o Ténis Chinês, a Associação de Ténis de Mesa de Macau e a Associação de Futebol de Macau; por parte dos estudantes, participaram delegações do Liceu Infante D. Henrique, da Escola Comercial Pedro Nolasco da Silva, do Colégio Yut Wa e do Seminário de S.Jose (externato.)
Alguns dos atletas que mais se distinguiram nos eventos.
Vista Porto Interior ca 1950
Gabriela Andrade:
A vencedora da prova de ciclismo para concorrentes femininos foi Gabriela Andrade, irmã do até há pouco presidente da Casa de Macau em Portugal, Álvaro Andrade. O percurso iniciou-se no Campo da Caixa Escolar, passando pela Avenida Sidónio Pais, pela Montanha Russa, Aquartelamentos militares de Mong Há, rua da Areia Preta e terminando no Campo Desportivo de 28 de Maio.
Foi uma vitória sensacional para Gabriela Andrade que envergava a camisola do Benfica, uma vez que teve de enfrentar uma forte equipa de ciclistas da comunidade chinesa que representavam os então denominados Serviços de Fazenda, hoje Serviços de Finanças.
José Pica (militar):
-vencedor na prova de vara.
Sargento Lacher (militar):
-Vencedor nas provas de salto em altura, triplo salto e salto em comprimento.
Fernando Nascimento (Benfica):
- Terceiro classificado na corrida de 100 metros livres.
Entre os Estudantes destacaram-se:
João dos Santos Hertaland (Escola Comercial) - Vencedor dos 60 metros livres e salto em comprimento;
Aureliano Assis (Seminário de S. José) Vencedor de salto em altura e terceiro classificado no triplo salto;
Os vencedores e classificados nas restantes provas:
Futebol: Final entre a Selecção da Comunidade Portuguesa e a Selecção da Comunidade Chinesa, com vitória da equipa portuguesa;
Hóquei em Campo: Renhido torneio cuja classificação ficou ordenada da seguinte maneira: Sporting, F.C. Porto e Benfica
Ténis: Vitória da selecção da comunidade portuguesa sobre a da comunidade chinesa. Alguns componentes da comunidade portuguesa: Humberto Rodrigues, José Boyol, Alexandrino Boyol(pai), António Melo e Alberto Pacheco Jorge; alguns componentes da comunidade chinesa: Lei Pou Tim, Lok Cheung e Lam Tim Kuan.
Ténis de Mesa: Os atletas da comunidade chinesa, Vong Seac Tim e Alberto Ló, venceram, superiormente os representantes portugueses Raul Rosa Duque e Augusto Gonçalves. Saliente-se que Vong Seac Tim, mais tarde, partiu para Pequim para fazer parte da equipa de treinadores da Republica Popular da China enquanto Alberto Ló seguia para Lisboa para ser integrado na equipa do Benfica, onde teve a supremacia do ténis de mesa português durante anos.
Raul Rosa Duque e Augusto Gonçalves representaram Portugal no Torneio Internacional de Ténis de Mesa em Bombaim, India.
Bilhar: A Selecção da comunidade portuguesa, chefiada por Henrique Braga, venceu a selecção chinesa.
Estafeta: 4X100:
1º Associação dos Portugueses de Xangai.
2º Sporting, composto por atletas africanos que correram descalços.
Estas Olímpiadas de 1951 foram um enorme sucesso em Macau, sendo eleitos como os três melhores atletas: Francisco Mazo (Paco), que há poucos anos faleceu no México; Herculano Rocha (Jesico), que reside em Macau e Henrique Leach, residente na Califórnia.
Artigo de Henrique Manhão publicado no Jornal Tribuna de Macau.
NA: Existe outro post sobre este tema que inclui imagens(basta utilizar o motor de pesquisa para aceder).

segunda-feira, 15 de março de 2010

Corpo de Polícia de Segurança Pública

14 de Março de 1691 – Dia da PSP

A existência da PSP remonta-se na época da fundação da cidade. Naqueles tempos, a fiscalização da segurança interna da cidade era efectuada pelas tropas da marinha de Portugal, posteriormente, o Senado sentiu-se necessidade de nomear soldados terrestres para efectuarem o patrulhamento nocturno, pelo que, em 14 de Março de 1691 promulgou-se a respectiva ordem. E, esta data foi posteriormente adoptada como data comemorativa da fundação da PSP.

1719 – Fundação das “Casas Fortes”
Fundação das “Casas Fortes” como quartéis da Polícia e a sua orgânica. As três “Casas Fortes” se encontravam instaladas nos bairros de S. Lourenço, Santo António e Sé Catedral,e a cada uma das “Casas Fortes” era distribuído um capitão com uma força composta por sete elementos (as sete praças de ordenança).Em 10 de Dezembro de 1753, a pedido do Leal Senado foi extinta a “Casa Forte” de S. Lourenço e sua guarnição (um capitão e sete praças) reformada. E, as restantes “Casas Fortes” acabaram também por serem extintas em 30 de Dezembro de 1754, por falta de verbas para a manutenção delas.

1784 – A Polícia da Índia
A guarnição e polícia de Macau foram substituídas por um batalhão de 150 praças de tropa regular que veio da Índia. Este batalhão passou a efectuar patrulhamentos e tarefas de protecção da cidade, tomando sobre si a defesa da mesma.

1810 – Batalhão Príncipe Regente
O Batalhão Príncipe Regente, formado em 13 de Maio de 1810 (alvará na mesma da data), passou a funcionar como polícia da cidade. Tendo o Vice-rei da Índia comunicado que, o Príncipe Regente tinha autorizado a criação de um batalhão para a defesa da cidade, denominado por Batalhão Príncipe Regente. Batalhão constituído por quatro companhias e um efectivo da ordem dos 400 homens, inicialmente alojado na Casa da Alfândega (2 companhias) e na Fortaleza do Monte (2 companhias).

1822 – De novo as “Casas Fortes”
Face à agitação liberal, o batalhão desarticulou-se e foram restabelecidas as “Casas Fortes”, guarnecidas com 20 homens cada. Em 4 de Setembro, o Senado nomeou José Baptista de Miranda e Lima como Intendente da Polícia, juíz dos órfãos e provedor dos defuntos e ausentes.

1841 – Regulamento Policial da Cidade e Porto de Macau
Por Portaria Régia de 3 de Março de 1841, foi aprovado o Regulamento Policial da Cidade e Porto de Macau. A partir daí, criou-se um departamento da polícia, composta por cidadãos que foram dispensados do “Batalhão Provisório”.
Zona do Bazar chinês ca. 1900

1857 – A Polícia do Bazar
O negociante chinês Aiong-Pong no intuito de proteger as suas propriedades que tinha no mercado, particularmente recrutou em 1857 europeus, formando uma pequena guarda à semelhança dos guardas dos quartos chinas-vigias nocturnos. Bernardino de Senna Fernandes e alguns chineses principais uniram-se para aumentar essa guarda, de maneira a poder vigiar e guardar também os seus bens, guarda esta, juridicamente reconhecida pelo governo daquela altura. Em 1857, a Guarda do Bazar que tinha como efectivo 50 homens, passou para 100 homens. Pela Portaria de 14 de Outubro de 1857, foi nomeado Comandante desta guarda, Bernardino de Senna Fernandes, com honras de Capitão enquanto comandar a Guarda do Bazar. E mais tarde, foi-lhe concedido honras de Major, por ministérios da Marinha e Ultramar.
Na imagem ao lado Conde Sena Fernandes

1861 – O Corpo de Polícia de Macau
Em 1861, para garantir uma certa estabilidade e uma regular organização da Guarda do Bazar, o Governador entendeu decretar através da Portaria n°. 24 de 11 de Outubro de 1861, a sua constituição. A partir daí, a Polícia de Macau passou a chamar-se por “Corpo de Polícia de Macau”. Em 1863, através da Portaria n°. 11, de 23 de Janeiro, o Governador, mandou adicionar um aditamento ao regulamento do Corpo da Polícia, parte integrante do Regulamento da Polícia, de 11 de Outubro de 1861.O aditamento era dividido em dois capítulos: Serviço Policial e, Delitos e Penas. O Comandante podia ser um oficial ou civil que merecia confiança do Governo e nomeado pelo Governador. O Corpo era constituído por 74 praças por cada divisão. Cada divisão composta por um oficial de linha, em comissão activa, um primeiro sargento, dois segundos sargentos, 6 cabos, 1 corneteiro e 74 soldados. Os oficiais da primeira linha venciam seus soldos pelo corpo donde eram destacados e a gratificação de cinco mil réis pela polícia, como comandantes de divisão. Os primeiros sargentos recebiam $15, os segundos sargentos $13, cabos $11, corneteiros e soldados $10.

1862 – O Corpo da Polícia agrega secção de Polícia do Mar
Em 1862, o Corpo da Polícia agregou uma pequena força para a Polícia do Mar, e, a Portaria n°. 56, de 18 de Novembro de 1862, deu uma organização àquela força com a denominação de Secção de Polícia do Mar, sujeita ao comandante do Corpo de Polícia de Terra, sendo a sua força composta de: um fiel dos objectos pertencentes à Polícia do Mar, com o vencimento de $20, um primeiro sargento com $15, oito patrões cristãos com $14, um número de remadores chinas com vencimento de $7, um primeiro cabeça destes com $15, um segundo com $8 e um escolhedor com $10. Foram concedidas atribuições policiais ao Corpo de Polícia, tanto na terra como no mar, até 1868, altura quando a secção de Polícia do Mar passou a denominar-se por “Polícia do Porto de Macau”.

1869 – O Corpo de Polícia teve organização militar
Em 2 de Agosto de 1869, foi dada uma organização militar ao Corpo de Polícia. A partir desta data, os primeiros sargentos entravam na escala geral das promoções para oficiais, em concorrência com os do Batalhão de linha, em conformidade com a lei geral das promoções, que antes não tinham este direito.

1869 – Regulamento do Corpo de Polícia de Macau
No Boletim Oficial n°. 32, Vol. 15, de 9 de Agosto de 1869, publicou-se o Regulamento do Corpo de Polícia de Macau. O regulamento regulamentava: a organização, vantagens do pagamento, instrução, modo de alistar, serviço, delitos e penas, uniforme e armamento, etc., do Corpo de Polícia.

1873 – Os Mouros no Corpo de Polícia
Por iniciativa do Visconde S. Januário, o primeiro grupo de Mouros, que era composto por 41 elementos e vindo de Goa, chegaram a Macau em 27 de Junho de 1873. Em 9 de Agosto de 1874, foi inaugurado o Quartel dos Mouros, projectado pelo arquitecto Italiano Cassuso, e, destinado à secção dos Mouros do Corpo de Polícia. O Corpo de Polícia cedeu as instalações à Polícia Marítima em 1889.

1879 – Guarda Policial de Macau
A 18 de Janeiro de 1879, o Governador Carlos Eugénio Correia da Silva dissolveu o Corpo de Polícia, derrogando o regulamento de 1 de Fevereiro de 1869. Criou em seu lugar a Guarda Policial de Macau.

1893 – A Guarda Policial de Macau muda de instalação
Em 4 de Outubro de 1893, a Guarda Policial de Macau muda de instalação para o Quartel de S. Francisco.

1895 – Companhias de Guerra
Por Decreto de 16 de Agosto de 1895, foram extintas a “Companhia de Artilharia” e a “Guarda Policial”, e, organizando-se com elas duas Companhias de Guerra.

1912 – Repartição dos Serviços de Polícia
No B.O. n°. 24, de 15 de Fevereiro de 1912, aprovado pela Portaria Provincial n°. 106, de 10 de Junho de 1912,, foi publicado novo regulamento. Em cada concelho da Província de Macau havia uma repartição dos serviços de polícia dirigida pelo próprio Administrador do Concelho, com o auxílio do pessoal da Administração e constituída por agentes de polícia secreta e praças de pré, que o Governador da Província mandava para esse serviço especial, em diligência. Competia à Repartição dos Serviços de Polícia, a direcção imediata dos serviços de investigação criminal e inspecção administrativa. E, a polícia de segurança ficava, exclusivamente, a cargo das forças militares, encarregadas pelo policiamento do concelho, sob a direcção imediata dos respectivos comandantes, responsáveis por esse policiamento. Mas, as forças militares encarregadas pelo policiamento dos concelhos, desempenhavam também serviços de investigação criminal e inspecção administrativa, sempre quando assim forem solicitados pelo Administrador do Concelho, ou quando em flagrante delito.

1914 – A Polícia Civil
Em 1914, Daniel Ferreira, Administrador do Concelho, Procurador Administrativo dos Negócios Sínicos e Chefe dos Serviços de Polícia, organizou a Polícia Civil, com um efectivo de 300 homens.

1916 – Estabelecimento de Comissariado da Polícia
No B.O. n°. 14, de 1 de Abril de 1916, publica-se a Portaria n°. 52, onde autoriza a admissão dos oficiais e praças que foram recolhidas das repartições dos serviços de polícia, para, sob as ordens do Administrador do Concelho (Comissário), constituir a secção do comissariado especialmente destinada à Polícia de Segurança. Esta secção, com um efectivo de 304, representava uma despesa mensal de $7810 patacas.
1920 – Inserção da Polícia de Segurança no Comissariado de Polícia
No B.O. n°. 15, de 10 de Abril de 1920, aparece novo regulamento do Comissariado de Polícia, que insere definitivamente a Polícia de Segurança no Comissariado da Polícia, definindo as missões gerais e a estrutura de topo do Comissariado.

1937 – Polícia de Segurança Pública
Por razões de sobrecarga de trabalho do administrador e comissário da polícia, foi publicado em Boletim Oficial n.º 29 de 7 de Julho de 1937, a portaria n.º 533 que determinava sobre o cargo de Comandante da Polícia de Segurança Pública de Macau era independente e distinto do de Administrador do Concelho de Macau, e que o Comandante da Polícia seria um capitão ou tenente do exército metropolitano com o curso da arma, e dependente da Repartição Central dos Serviços de Administração Civil da Colónia; bem como também determinava sobre a constituíção do quadro de pessoal da PSP, que passou para um efectivo de 631 homens.

1951 – Criação da Banda de Música da PSP
A Banda de Música da PSP foi criada em 1 de Abril de 1951. Antes da sua criação, a Fanfarra do exército português, uma combinação simples, de meramente corneteiros e tambores, era responsável pela actuação em todas as cerimónias oficiais. Face ao desenvolvimento e às necessidades da comunidade, e com a proposta e promoção do Comandante da PSP, Luís Augusto de Matos Paletti, foi constituída uma banda oficial completa que veio evoluindo para a Banda de Música de hoje.

1961 – Estabelecimento do Centro de Recuperação Social
O Asilo para Mendigos e Vagabundos, estabelecido de acordo com a portaria n.º 4998 de 8 de Setembro de 1951, e gerido pelo administrador das Ilhas, albergava pessoas com idade superior a 16 anos, desempregados e sem residência fixa em Macau, mendigos e vagabundos. Foi o Comandante da PSP do então, Major de Infantaria, Sigismundo G. da C. Revês, o fundador deste centro, e funcionava tal como um asilo, que posteriormente passou a depender da PSP. O centro era compreendido organicamente com 5 serviços especializados: 1) Serviço de Tratamento da Toxicodependência, 2) Serviço de Recolhimento, 3) Serviço de Crianças, 4) Serviço de Psiquiatria, e 5) Serviço de Mulheres.

1968 – A Polícia de Segurança Pública dependente do governador de Macau
De acordo com o regulamento aprovado pela portaria n.º 8172 de 28 de Maio de 1966, a PSP era, em Maio de 1968, um organismo militarizado directamente dependente do governador de Macau e compreendia o Comando, Secretaria, Conselho Administrativo, Serviços Administrativos, Serviços Técnicos, Secção de Trânsito, Esquadras e Postos, Centro de Recuperação Social, Banda de Música e Obra Social, tendo no seu quadro de pessoal um efectivo de 796 homens.

1974 – Recrutamento de agentes femininos
Dia 7 de Outubro de 1974, foram 42 candidatas femininas (entre centenas de candidatas) aprovadas de provas físicas, de dactilografia e de cultura, passadas pela inspecção sanitária, averiguações do antecedente, entrevista, e admitidas para o Curso de Formação de Guardas, a realizar na Escola de Polícia, por volta de três meses e meio. Finalmente, 40 delas concluiram o curso com aproveitamento, e em 22 de Janeiro de 1975 tomaram posse como guardas de polícia. Históricamente, foram as primeiras guardas femininas incorporadas na Polícia, desde a fundação da cidade.

1975 – A Polícia de Segurança Pública é integrada nas Forças de Segurança de Macau
Em 1975, foram criadas as FSM e a PSP passou a fazer parte integrante das FSM. Ficou assim extinto o Comandante Territorial Independente de Macau (CTIM) e foram reestruturadas as forças militarizadas. O Decreto-Lei n.º 705/75, de 27 de Dezembro de 1975, reorganizou as forças militarizadas e outros orgãos de segurança. Mais tarde, a portaria n.º 22/77/M, de 12 de Fevereiro de 1977, aprovou a organização geral e missões das FSM.

1981 – Reestruturação da Polícia de Segurança Pública
A portaria n.º 37/81/M introduziu alterações à portaria n.º 22/77/M. Em 30 de Junho de 1981, foi aprovado novo Regulamento da Polícia de Segurança Pública, preconizando a seguinte organização: Comando, Divisão Policial de Macau, Divisão Policial das Ilhas, Unidade Táctica de Intervenção da Polícia (UTIP), Divisão de Trânsito, Serviço de Migração e Identificação, Banda de Música, Centro de Recuperação Social e Obra Social.


Julho de 1982 – Escola de Polícia
A Escola de Polícia utilizou o espaço do antigo centro de recuperação social como sede. Depois do estabelecimento da escola, começou a haver treinos mais sistemáticos para instruendos. Na altura, serviam de instrutores os capitães do exército português.

1986 – Reestruturação do Corpo de Polícia de Segurança Pública de Macau
Pelo Decreto-Lei n.º 13/86/M, de 8 de Fevereiro de 1986, foi aprovado o novo regulamento do CPSPM, preconizando a seguinte organização: Comando, Estado Maior e órgãos de Comando, Divisões Policiais e de Apoio Geral, Órgãos de Apoio de Serviços e de Instrução. O Estado Maior e os órgãos de Comando compreendiam: Chefe de Estado-Maior, Estado-Maior Coordenador, Conselho Disciplinar, Assessoria jurídica, Secção de Justiça, Gabinete de Apoio ao Comando.

1995 – Reestruturação do Corpo de Polícia de Segurança Pública de Macau
Atendendo ao desenvolvimento da sociedade, sentiu-se necessidade de dotar o CPSP de uma estrutura orgânica capaz de responder com maior eficácia à missão geral que lhe foi cometida. Assim, em 30 de Janeiro de 1995, foi publicado o Decreto-Lei n.º 3/95/M que define a organização geral da PSP:
1. Comando e Órgãos de Comando
2. Departamento de Gestão de Recursos
3. Departamento de Informações
4. Departamento de Operações
5. Serviço de Migração
6. Departamento deTrânsito
7. Departamento Policial de Macau
8. Departamento Policial das Ilhas
9. Unidade Táctica de Intervenção da Polícia
10. Formação do Comando
11. Escola de Polícia
12. Banda de Música
A partir do ano 1995, os portugueses que prestavam serviço na PSP começaram a deixar Macau, deixando vagas que foram posteriormente preenchidas por oficiais superiores formados na Escola Superior das FSM.

14 de Março de 1999 – Entrega do poder de autoridade e comando da PSP
O Comandante, Manuel António Meireles de Carvalho, Tenente-Coronel de Infantaria, fez a entrega do poder de autoridade e comando do CPSP ao novo Comandante, Superintendente-Geral José Proença Branco.
Fonte: site do CPSP

GOE - UTIP - PSP

Curso de operações especiais em meio aquático
Em 1992 foi criado o Grupo de Operações Especiais (GOE) na dependência directa da Unidade Táctica de Intervenção da Policia (UTIP - ver logo) do Corpo de Policia de Segurança Pública de Macau.
A formação destes elementos foi estruturada e apoiada pela sua congénere de Portugal (GOE/PSP) que lhes ministrou as técnicas, as tácticas e os procedimentos para combater a eventual criminalidade violenta e organizada no território, supostamente expressas em raptos de pessoas, sequestros e utilização indiscriminada de engenhos explosivos.
A expansão da frente marítima do território, associada à previsibilidade e perigosidade da criminalidade no mar, levaram a considerar-se, também, a necessidade de formação destes elementos em acções de natureza idêntica, mas agora no meio aquático. Estar pronto e preparado para intervir, caso necessário, num possível sequestro de um Jet-Foil 5 ou capacitar os seus elementos para uma aproximação por mar tendo em vista assaltar uma aeronave estacionada no taxiway do aeroporto, são desafios que este tipo de formação pretende acautelar e dar resposta.
Surgiu assim, em 1995, a primeira edição do Curso de Operações Especiais no Meio Aquático para o GOE de Macau, frequentado por 15 elementos daquela unidade e ministrado por um Oficial Fuzileiro, pertencente ao Destacamento de Acções Especiais (DAE). Ainda sob a administração portuguesa do território, e mantendo as características do anterior, o curso voltou a repetir-se em 1998, desta vez numa perspectiva de reciclagem de conhecimentos.
Fotografia final do curso com a presença dos formadores Fuzileiros e dos Ctes da UTIP e do GOE de Macau.

sábado, 13 de março de 2010

Macau na Escola Naval

Macau e a Escola Naval do Alfeite têm algo em comum: os oficiais da armada portuguesa que, com maior ou menor impacte, de alguma maneira contribuíram para a sobrevivência da identidade do território. Em sua homenagem, a escola decidiu criar a Sala de Macau a 14 de Dezembro de 1993 (na sala dos Professores).
A Sala Macau fica no piso superior do edifício principal da escola do Alfeite e inclui um vasto espólio de peças artístico-documentais. Entre estas peças destacam-se o bariciclinómetro, que serve para prever e analisar a evolução dos tufões; uma réplica de um junco de pesca com cerca de um metro da proa à ré; entre outros.
No Alfeite formaram-se sucessivas gerações de oficias, muitos deles com carreira ligada a Macau. Basta ver a toponímia do Território para verificar isso mesmo ou então consultar o livro do Monsenhor Manuel Teixeira "Marinheiros Ilustres Relacionados com Macau". Nesta obra há referência a 66 marinheiros que pela sua acção se destacaram. Destes, oito ex-alunos foram governadores: Martinho Queirós Montenegro, Álvaro de Melo Machado, José Carlos da Maia, Gabriel Maurício Teixeira, Albano Rodrigues de Oliveira, Joaquim Marques Esparteiro, Pedro Correia de Barros e Vasco de Almeida e Costa.
NA: Texto elaborado a partir de um artigo da autoria de Eduardo Tomé publicado na Revista Macau em 1995.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Em redor do Leal Senado: década 1950

O troço da Av. Almeida Ribeiro (San Ma Lou) junto ao Largo do Leal Senado foi nas décadas de 50 e 60 muito concorrido devido ao facto de ali se situarem diversos estabelecimentos comerciais: Café Ruby, Tabacaria Filipina, Camisaria Central, Café Belo... No início/fim da San Ma Lou pontuava o Hotel Riviera (na imagem).

Memórias de Charlie Santos

Charlie Santos é o português nascido Carlos Alberto da silva Santos, e Canicha para família e amigos
Nascido em Lisboa e residindo no Brasil, a nacionalidade mais marcante é a macaense. Seu pai, o lisboeta Arnaldo da Silva Santos* conheceu a sua mãe, a macaense Maria Quevedo da Silva** , quando prestava serviço militar em Macau, no final dos anos 30.
Casaram-se em 1943, tiveram a primeira filha Deolinda em Macau, e decidiram tentar uma vida melhor em Lisboa logo após o término da II Grande Guerra. Não tendo conseguido um padrão de vida decente em Lisboa, e com o pai de Dna Maria Quevedo, o Sr. Alexandre Quevedo da Silva, gravemente enfermo em Macau, decidiram retornar em meados do ano de 1953. Naquele momento, além da Deolinda (Linda), já tinham mais dois filhos nascidos em Lisboa, o José Manuel (Santé) e o Carlos Alberto (Canicha).
Em Macau, após 1953, tiveram mais três filhos: Delfina Quevedo (Fina)*** , Catarina Quevedo e Alexandre Rui (ambos, atualmente, residentes no Brasil).
A adaptação não foi simples; nos primeiros anos, seus pais decidiram colocar os dois irmãos mais velhos (Linda e Zé), em internatos. Sozinho em casa, e com dificuldades de comunicação em chinês com os colegas de escola infantil, vivia solitariamente. Sua maior alegria era quando a sua mãe ia dar uma mãozinha à avó e aos tios no Café/Restaurante Cecília. Ali no Café podia brincar à vontade e falar português com os Militares Metropolitanos que lá freqüentavam. Foi também no Café Cecília que começou a curtir o gosto pelo “rock & roll”. Lá era música o dia inteiro: Elvis, Pat Boone, Paul Anka, Connie Francis, os Platters, e outros mais.
A adolescência já foi mais alegre. No início dos anos 60, junto com todos os irmãos, foi morar num prédio novo na Estrada do Cemitério. Curtiu bem a revolução cultural dos anos 60, estudando na Escola Comercial Pedro Nolasco de 1961 a 1966 e tendo como hobbies preferidos a música pop e a prática esportiva de Hockey em Campo (foi campeão estudantil em 1965 jogando pela equipe da Escola Comercial). De novembro de 1966 a novembro de 1967 teve seu primeiro emprego como recepcionista/ telefonista no então chique Hotel/ Casino Estoril e, exatamente no dia 23.12.67, emigrou para o Brasil a bordo do velho navio holandês MSV Tjitjalenka.
Chegou a São Paulo no dia 12 de fevereiro de 1968, e, nos primeiros anos ainda conseguiu manter a prática do seu esporte preferido, o Hockey. Jogando em uma equipe formada por vários macaenses e comandada por um dos maiores hoquistas macaenses do Século passado, João Bosco da Silva, foi bi-campeão paulista.
Depois, até meados dos anos 90, a clássica luta por um futuro melhor ocupou a maior parte do seu tempo. Foi aeroviário de 1973 a 1985 (Pan American); e, no próximo dia 02 de maio completará 25 anos no cargo de Diretor Financeiro de uma das maiores empresas de turismo do Brasil. É casado desde 1974 com Dna. Maria Ercilda, com quem teve dois filhos: Carlos Jr (25.07.75) e Renata Moreira (24.03.79).
Em 1992, o seu tio Gilberto Quevedo da Silva (o Chito), primeiro presidente da Associação da Casa de Macau de São Paulo e conhecedor do hobby de compositor pop do sobrinho, pediu ao mesmo que compusesse um Hino para a Associação. Nascia então a “Casa de Macau”, uma canção muito apreciada pelos macaenses espalhados pelo mundo.
Nos últimos dez anos, conseguiu dedicar-se novamente a seus hobbies. Já tem 20 composições gravadas em CD’s e, nos seus dois últimos trabalhos, decidiu contar a história do pop/rock gravando 40 grandes sucessos dos anos 50/60. Um de seus grandes prazeres no momento é localizar velhos amigos de infância e adolescência. Contate o Charlie Santos (Canicha), acessando o site www.charliesantos.com.br
* de out 1916 – dez 2000
* * de ago 1923 – nov 2009
*** de fev 1954 – jul 2003


Arnaldo (o primeiro à esquerda), pai do Canicha, com militares portugueses, no Café Cecília (1955 ou 56)
 Confraternização de servidores do Leal Senado
(Arnaldo, o pai do Canicha, é o terceiro sentado a partir da direita) (1963 ou 64)
Sala de aulas na Escola Comercial ca. 1962

Escola Comercial em 1966

terça-feira, 9 de março de 2010

Início da década de 60 por Michael Rogge

Michael Rogge  reminiscences in Amsterdam about his visit to Macau in January 1961. By courtesy of History Channel.
Reprodução de algumas imagens do documentário do History Channel que inclui ainda uma entrevista a Michael Rogge que visitou e filmou Macau no início da década de 1960.
NA: a ligação de M. Rogge a Macau pode ser consultada noutros post's do blog. Os meus agradecimentos ao Zito Estorninho pelos scan's enviados.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Memórias de Manuel Tito de Jesus

Quero felicitar e agradecer ao Sr. João Botas pelo seu blog 'Macau Antigo'. Nasci em Macau em 1941, filho de mãe chinesa e de pai português. Após a reforma do meu pai, que era sub-chefe da Polícia de Pública em Macau, vim para Portugal em 1951, nunca tendo voltado a Macau por razões financeiras e de saúde. Através de 'Macau Antigo' tenho revivido as minhas memórias de infância. Desde o Bairro Tamagnini Barbosa, onde morei, até à Escola Primária Oficial, onde estudei. Para que conste e para quem possa interessar, o meu nome é Manuel Tito de Jesus e o meu pai chamava-se Isaac de Jesus.
Em Macau fui amigo íntimo de José Maria Basílio, que morava no mesmo bairro e de quem nunca tive notícias. Na Escola Primária Oficial, tive como professora a D. Elfrida Rodrigues, que também era a minha madrinha de crisma. O meu pai era padrinho de casamento de um antigo motorista do Governador de Macau, de apelido "Amândio", natural de Carvalhal Formoso, Belmonte, Beira Baixa.
A foto é de um antigo militar português em Macau, Luís Marrucho, e mostra o edifício dos CTT cerca de 1950, tinha o Manuel Tito de Jesus 9 anos.
Depois de receber um e-mail, pedi ao Sr. Manuel (com 69 anos reside actualmente na Covilhã) que me enviasse algumas fotografias ao que ele me respondeu "Infelizmente não tenho fotografias de Macau. A única que me restou da época, tirada em 1951 já em Hong Kong a caminho de Portugal, ilustrava a nossa família: o meu pai, a minha mãe, a minha irmã (actualmente emigrada na Alemanha) e eu e uma amiga de Hong Kong da minha mãe. Mas perdi-a." (...)

"A única recordação física de Macau e mesmo assim tenho de procurar muito para a encontrar, é um missal escrito em chinês (do tamanho de um larousse de poche) que pertenceu à minha mãe, que, embora chinesa, era católica. Sou do tempo do cinema 'Apolo', junto ao Leal Senado, e dos cinemas 'Vitória', 'Capitol' e 'Roxy'. Ainda não havia o Hotel Lisboa. Esse local era um descampado, onde se instalava o circo." (...)
"Apesar da minha tenra idade, recordo-me do edifício dos Correios, no Largo do Leal Senado, à esquerda da Av. Almirante Ribeiro, no sentido este. Seguir-se-ia o Banco Nacional Ultramarino e lá ao fundo, virando à esquerda, havia uma grande residência com armazém comercial, da família de Pedro Nolasco da Silva. À direita dos Correios, havia um edifício com arcadas, debaixo das quais trabalhavam artífices chineses que, de formão em punho, talhavam artisticamente as célebres malas de cânfora. Na época, ainda se encontrava no Largo do Leal Senado a estátua do Coronel Mesquita desembainhando a espada. No mesmo Largo do Leal Senado, lembro-me de comer castanhas, não assadas como nós em Portugal num fogareiro a carvão, mas 'fritas' numa enorme sertã."
Obrigado pelo seu testemunho Sr. Manuel. Aqui fica uma imagem de Macau da sua infância...

domingo, 7 de março de 2010

Mais de 100 mil visitantes

Este mês o blog Macau Antigo completa um ano de existência. Até agora já recebeu a visita de mais de 100 mil cibernautas (uma média de 8 mil visitantes/mês), tem quase 50 'seguidores' regulares... e foram divulgadas mais de cinco mil imagens - com centenas de documentos inéditos - que retratam a história da presença portuguesa em Macau.
Polícia na no início da década de 1930
fotografado para a revista National Geographic
por W. Robert Moore

Um blog sobre Macau Antigo! A blog about Old Macau ! 美麗的舊澳門不能不看
... o maior acervo documental sobre a História de Macau disponível de forma gratuita na internet.
 
Faça parte deste projecto enviando o seu testemunho (texto e/ou imagens) para o e-mail macauantigo@gmail.com

sexta-feira, 5 de março de 2010

Coloane, 1910

Símbolo da Cruz e Espada em Coloane. Homenageados na Igreja e no Monumento Militar. Obelisco comemorando as operações da polícia militar contra os piratas. Imagem de 1910.
                           

Duas instituições macaenses

"Duas Instituições Macaenses", livro da autoria de João Guedes e José Silveira Machado, edição de 1998 que conta a história da APIM- Asociação Promotora da Instrução dos Macaenses e da Escola Comercial Pedro Nolasco. Esta escola funcionou em dois edifícios (na imagem vê-se o primeiro) e ambos ainda existem. O mais recente é de 1966 e ali funciona desde 1998 a Escola Portuguesa de Macau.
Escola ca. 1900

Na segunda metade do século XIX, a promoção do ensino em Macau era praticamente realizada pela Igreja. Apesar de ter havido algumas boas iniciativas de criação de instituições de educação, como o caso de James Matheson, que instituiu a Escola Principal de Instrução Pública, e de António Alexandrino de Melo, Visconde do Cercal, que fundou a Nova Escola Macaense, ambas tiveram curta vida por não terem conseguido atrair o interesse de mais ninguém.
O único estabelecimento de ensino que funcionava com regularidade e eficiência era o Seminário de S. José, onde se distinguia um brilhante corpo docente formado pelos padres da Companhia de Jesus, que eram maioritariamente estrangeiros.
Em 1870, no âmbito de uma reestruturação nacional do ensino religioso, de Lisboa veio uma ordem taxativa de expulsão de todos os professores estrangeiros das escolas de Macau.
Esta ordem caiu como uma bomba na cidade, pois a sua execução traria efeitos calamitosos no futuro da educação em Macau.
Não obstante os protestos da população e das petições dirigidas ao governo de Lisboa, nada conseguiu impedir que a lei de expulsão fosse aqui aplicada.
A preocupação de instituir um estabelecimento de ensino moldado para a área do comércio, que permitisse à maior parte da juventude se habilitar condignamente para poder aspirar a uma melhor colocação nos quadros do funcionalismo público ou das empresas de Hong Kong e Xangai, vinha já de longa data. No momento conturbado que se seguiu ao polémico decreto, aquela ideia ganhou forma.
Assim, em 17 de Setembro de 1871, um grupo de 19 mais preocupados e também mais ricos e influentes cidadãos de Macau reuniu-se em casa de Maximiano António dos Remédios e decidiu formalizar, por escritura pública, uma sociedade por quotas exclusivamente vocacionada para o desenvolvimento da educação, nascendo, deste modo, a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM).
Desde a criação da APIM até ser fundada a almejada escola comercial passaram-se várias vicissitudes. A colaboração abnegada do colectivo de sócios e dos professores voluntários, em particular, o esforço empenhado de Pedro Nolasco da Silva, fez com que a escola pudesse abrir as suas portas no dia 8 de Janeiro de 1878.
O seu esforço mereceu o reconhecimento da comunidade que decidiu por unanimidade consagrá-lo, dando à Escola Comercial o nome de Pedro Nolasco da Silva.
Durante os cerca de 120 anos da sua existência, a Escola Comercial esteve sempre sob inteira responsabilidade da APIM que, apesar de ter em períodos diferentes lutado com imensas dificuldades financeiras, sempre a colocou como um desígnio primado.
NA: Excerto do livro já referido de onde as imagens foram retiradas.
Equipa de futebol dos anos 60 e direcção da Escola na mesma época já no novo edifício
Henrique de Senna Fernandes, Director da Escola (4º a contar da esquerda), com professores e contínuos, da esquerda para a direita, António Augusto Basaloco, João Conçalves Lucas (contínuo), João José Giga (contínuo), Cândida de Sousa Vieira, José Silveira Machado, António Pereira de Faria, Manuel Maria Sapage e António Maria da Conceição.

Serviço Postal Militar: Macau

Década 1970: militares em Macau a receber o correio
Eis, em resumo, a história do Serviço Postar Militar em Macau...
A 14 de Janeiro de 1950 é publicada em Macau uma portaria que torna extensiva ao Território a isenção do pagamento de franquia postal pelas cartas e BP não registados expedidos para o continente e ilhas pelas forças militares expedicionárias às colónias de África.
Em Janeiro de1963 chega a Macau vindo do CTI Timor, um militar que vai proceder à montagem do Serviço Postal Militar. A 2 de Fevereiro desse ano é criada a EPM 3 - Estação Postal Militar de 3ª classe destinada ao serviço militar que começa a funcionar a 28 desse mês "no pavilhão sito no Jardim de S. Francisco". A EPM3 é extinta em Outubro de 1974.
Texto elaborado a partir do livro "Unidades Militares em Macau" de Armando Cação

Fotografia dos anos 60 onde se vê a EPM3...
em cima é o Hospital
Com a deslocação para África de grandes efectivos militares a partir de 1961, as Forças Armadas Portuguesas foram confrontadas com a necessidade de fazer chegar "o correio" a todos os locais onde estivessem estacionadas unidades militares. O Exército tinha a experiência vivida na Flandres durante a 1ª Grande Guerra, quando foi criado o "Regulamento do Serviço Postal do Corpo Expedicionário Português - CEP" que serviu as tropas portuguesas em França em 1917 e 1918. Foi assim que no final da década de 1950 nasceu o Serviço Postal Militar (SPM). A definição dos códigos de endereços foi uma das primeiras missões. Esses códigos eram constituídos por 4 dígitos, dos quais os primeiros 3 definiam a unidade militar, e o último a província ultramarina. Assim, inicialmente o digito 1 correspondia à Índia, o 2 a S Tomé, o 3 a Macau, o 4 a Moçambique, o 5 a Timor, o 6 a Angola, o 7 a Cabo Verde, o 8 à Guiné, e o 9 à Metrópole.

As cartas e aerogramas partiam e chegavam da família e dos amigos, mas as mais esperadas eram as das madrinhas de guerra.
Os aerogramas estavam isentos de franquia, e enquanto no ultramar eram oferecidos aos militares, em Portugal eram vendidos a 20 centavos.
Muitos dos aerogramas partiam «à boleia», isto é, ao cuidado do carteiro de uma terra qualquer, que naquela altura conhecia toda a gente, com o pedido de que a entregasse a uma menina bonita que encontrasse. Claro que havia sempre aqueles que tinham mais sorte na terra escolhida, e de tantas madrinhas que tinham até dispensavam aos amigos. Para receber as cartas havia formatura ou simples ajuntamento.

O SPM foi criado para as Companhias em serviço militar no Ultramar a 3 de Junho de 1961, embora tenha sido oficializado em 1966, através do decreto-lei n.º 46826, de 4 de Janeiro chegou ao terreno em Agosto de 1961 a circulação de aerogramas militares com isenção de franquia.


O SPM foi instalado em Luanda e começou a funcionar em Julho de 61, com a abertura do primeiro órgão executivo EPM 6 (Estação Postal Militar 6), que funcionou até Novembro de 1975.

O SPM nas outras ex-colónias foi instalado em S.Tomé e Príncipe, em Setembro de 62 (EMP 2), em Macau iniciou-se em Fevereiro de 63 (EPM 3), em Moçambique o EPM 4 foi instalado em Outubro de 62; o EPM 5 em Timor iniciou-se em Janeiro de 63, em Dili, em Cabo Verde em Novembro de 61 (EPM 7) e por último na Guiné (EPM8), onde foi instalado em Outubro de 61.

Paralelamente ao SPM foi criado o Movimento Nacional Feminino. Uma das modalidades então conseguidas do Governo foi a isenção do porte de franquia para a correspondência dos expedicionários. (ver imagens) As fórmulas postais a usar deveriam apresentar no canto superior direito, os dizeres “Correio Aéreo – Isento de porte e sobretaxa – Portaria nº 18545 de 23 de Junho de 1961 e a sua edição estaria a cargo do MNF.
Origens do SPM 
Naturalmente, a grande maioria das forças do exército encontrava-se dispersa no mato em grandes áreas, onde não havia estações dos correios normais, muitas vezes em locais isolados e inóspitos, alguns de muito difícil acesso.
Do antecedente o Exército Português tinha a experiência vivida na Flandres durante a 1ª Grande Guerra, quando foi criado, aprovado, e posto em execução o "Regulamento do Serviço Postal do Corpo Expedicionário Português - CEP" que serviu as tropas portuguesas em França em 1917 e 1918.
No final dos anos 50 início da década de 60, houve necessidade de tornar operacional a Chefia do Serviço Postal da Divisão quando o Exército constituiu e tornou operacional a divisão "Nuno Álvares" integrada no SHAPE. O activar deste serviço nas grandes manobras que então ocorriam durante todo o mês de Setembro em Santa Margarida, e que envolviam cerca de 10,000 militares, aconteceu nas manobras de 1960. Para exercer as funções de chefia desse serviço postal, o Estado Maior do Exército requisitou aos serviços dos Correios um seu funcionário qualificado que graduou em Capitão, e que desempenhou com toda a eficiência a sua missão. Terminadas as manobras este quadro dos CTT regressou à sua anterior situação.
Quando em 23Jun61 foi decidido criar um serviço de correios militar, o general Câmara Pina, Chefe do Estado Maior do Exército, requisitou de novo aos CTT o mesmo funcionário a quem, depois de graduar de novo em capitão, encarregou expressamente de organizar e pôr em funcionamento um Serviço Postal Militar no Ultramar.
Nasceu assim o Serviço Postal Militar (SPM). A definição dos códigos de endereços foi a tarefa imediata a que a Chefia do SPM. Esses códigos eram constituídos por 4 dígitos, dos quais os primeiros 3 definiam a unidade militar, e o ultimo a província ultramarina. Assim, inicialmente o digito 1 correspondia à Índia, o 2 a S Tomé, o 3 a Macau, o 4 a Moçambique, o 5 a Timor, o 6 a Angola, o 7 a Cabo Verde, o 8 à Guiné, e o 9 à Metrópole.
O SPM foi um serviço totalmente constituído por milicianos, nele tendo servido 202 oficiais e 504 sargentos. O SPM foi extinto em 10 de Julho de 1981, cessando toda a sua actividade em 31 de Dezembro de 1981. O SPM tinha como divisa do seu guião "A vida por uma mensagem".

Aerograma
Entretanto em Agosto de 1961, depois de difíceis e complicadas reuniões entre o Secretariado Geral da Defesa Nacional , a Administração Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones (CTT) e os Correios Telégrafos e Telefones do Ultramar (CTTU), foi aprovado o celebre "aerograma", considerado um impresso-carta, isento de porte e de sobretaxa aérea, e que era constituído por 1 folha de papel com o peso máximo de 3 gramas, dobrável em 2 ou 4 partes, mas de forma que as suas dimensões depois da dobragem não excedessem os limites máximos de 150x105 mms, e mínimos de 100x70 mms.
As regras estabelecidas para o endereço a colocar em toda a correspondência a enviar para as unidades expedicionárias obrigavam a que dele apenas constasse o nome, posto, e numero e o indicativo de SPM atribuído.
NA: Excertos dos livros "História do Serviço Postal Militar" de Eduardo Barreiros e Luís Barreiros, editado em 2005