segunda-feira, 25 de maio de 2026

"Caldeiras" no Porto Interior

O documento é de 1897 e refere-se aos "districtos policiaes". Nos pontos 7.º e 10.º refere-se a "caldeira D. Carlos" e o "Largo da Caldeira".

Artigo 1.º Os districtos policiaes são em numero de dezeseis, sendo os tres primeiros no mar e os restantes no litoral. Este numero póde ser augmentado quando as circunstancias o exigirem.
§ 1.º A ordem dos districtos é a seguinte: 1.º Bacia da Praia Grande e rada; 2.º Entrada do porto interior até ao extremo N. do banco de Ca-pan-zan; 3.º D’este ao extremo N. do porto; 4.º Da bateria Primeiro de Dezembro até ao edificio do correio; 5.º Da praça Lobo d’Avila até ao forte do Bom Parto; 6.º Praia do Tanque ao Mainato; 7.º Da caldeira D. Carlos até ao caes da Estação Naval; 8.º D’este ao pateo do Piloto; 9.º D’ahi á esquina S. da praça Ponte e Horta; 10.º Da esquina N. da praça Ponte e Horta ao largo da Caldeira; 11.º D’este á rua de Miguel Ayres; 12.º D’esta ao principio da rua da Ribeira do Patane; 13.º Na rua da Ribeira do Patane até ao canal de Sankiú; 14.º Na rua das Pontes, desde o canal de Sankiú até á travessa dos Palissados; 15.º D’esta até á estação Coelho do Amaral; 16.º Na estrada Coelho do Amaral, desde a fortaleza de Mong-ha até ao dique da Ilha Verde.
§ 2.º Nos tres primeiros districtos será a policia exercida por lanchas a vapor e escaleres convenientemente guarnecidos, e nos restantes por guardas.
§ 3.º Nos pontos do litoral, não comprehendidos nos districtos que ficam estabelecidos ou vierem a estabelecer-se, fica sendo cumulativa a jurisdicção da policia maritima e a da policia de terra.
O termo "caldeira" significava no século 19 uma "enseada ou baía pequena", ou seja, uma reentrância na costa, geralmente circular ou em forma de bacia, onde as águas eram mais calmas com as condições ideais para um porto pequeno e abrigado. Na engenharia hidráulica da época, uma caldeira era uma área de água cercada por muros ou diques usada para abrigar embarcações ou para acumular água que, ao ser libertada na maré baixa, ajudava a limpar o lodo dos canais e também a fazer trabalhos de manutenção nas embarcações.
A "Caldeira D. Carlos" ficava no início do Porto Interior, junto às Oficinas Navais, e era também designada por Doca El Rei D. Carlos I. Num dos pilares do portão de acesso à doca pode ler-se que a construção ocorreu entre 1891 e 1893. Ficaria posteriormente como "doca".
Entrada do Porto Interior (zona da barra) ca. 1900

Constituído por pequenas enseadas ao longo da sua extensão, o Porto Interior só assumiu os contornos geométricos de linha recta no final do século 19. Ainda assim, nesse final de século ainda ficou a funcionar a "Caldeira da Alfândega" junto à então "Fábrica do Ópio". Corresponde ao actual Largo/Praça de Ponte e Horta.  
Sensivelmente a meio - na zona da então Rua D'el Rey (actual Rua 5 de Outubro) - existia uma grande enseada denominada Largo da Caldeira que acabaria aterrada. Resta apenas a memória desses tempos na toponímia e em algumas pinturas de meados do século 19.

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