Ieng Weng Fat, historiador de Macau, lançou no sábado a sua obra mais recente sobre a investigação histórica da proeminente família Chio, que chegou a Macau entre o final da dinastia Ming e o início da dinastia Qing, ou seja, no século XVII.
Intitulado "A Study on the Zhao Clan - the Most Prominent Family in Macau, and Reconstruction of their Mong-Há Ancestral Shrine", o livro apresenta uma análise sistemática da evolução da família Chio (ou “Zhao”, em mandarim), desde a sua mudança para a antiga aldeia de Mong Há, em Macau, envolvendo dez gerações e mais de três séculos e meio de história familiar.
De acordo com Ieng Weng Fat, o intuito da publicação é de enriquecer o estudo histórico em Macau sobre a família Chio, através de traçar, de forma abrangente e completa, as figuras proeminentes desta família, bem como o percurso do seu desenvolvimento em Macau. A obra
procura “reconstruir a memória histórica da família Chio há muito esquecida”, segundo apresentou o autor.
“No passado, as investigações sobre a família Chio limitavam-se, na sua maioria, a um estudo focado nas conquistas académicas deles.
Neste livro pretendo delinear a história do desenvolvimento desta família, sobre a sua origem e a passagem ao longo dos séculos”, frisou o autor, no lançamento de livro que decorreu no sábado na livraria Fangsuo, no Grand Lisboa Palace.
O conteúdo do livro estende-se ainda a outras famílias chinesas centenárias em Macau que passaram também a se instalar na aldeia de Mong Há. “Espero que a minha investigação possa fornecer uma base de referência para a indústria cultural de Macau, nomeadamente para os criadores de histórias nas áreas do cinema, da televisão e da literatura”, disse o também membro do Conselho Consultivo de Desenvolvimento Cultural.
A investigação de Ieng Weng Fat para esta obra levou mais de três anos, mas a sua ligação à família Chio remonta a mais de vinte anos, quando conheceu um descendente de família e fez uma visita à Mansão da Família Chio, a segunda residência da família em Macau e agora bem imóvel classificado da RAEM.
Ieng Weng Fat detalha no livro as raízes profundas da família Chio através de uma abordagem que combina a história da arquitectura com a filologia, incluindo um registo genealógico que consta num poema de nomes de geração de 42 versos, transmitido desde a dinastia Song (960–1127).
Segundo registos históricos, a família Chio descende da família Imperial Zhao da dinastia Song, cuja 12.ª geração mudou-se para o condado de Xiangshan para seguir a carreira de alto funcionário. Entre o final da dinastia Ming e o início da dinastia Qing, a 22.ª geração da família mudou-se de Xiangshan para a aldeia de Mong-Há, em Macau.
Depois, em meados do século XIX, a 28.ª geração da família Chio mudou-se de Mong-Há para a Travessa da Porta, onde está a Mansão da Família Chio.
A família Chio é conhecida de ser um clã de eruditos. Após a chegada a Macau, gerações de descendentes da família Chio estudaram com afinco e alcançaram excelentes resultados nos exames imperiais. Entre eles, as gerações 25.ª e 26.ª, da dinastia Qing, foram os mais respeitados porque o pai e o filho alcançaram a posição de ‘Juren’, ranking de pessoas que passaram o exame provincial, segundo ranking mais alto dos exames imperiais. Aqueles que detinham a posição de ‘Juren’ passavam a gozar do estatuto de nobreza e, consequentemente, de privilégios sociais, políticos e económicos.
A conquista académica do pai e filho de Chio contribuiu para uma história muito badalada em Macau na altura e a casa ostentava em tempos uma placa que celebrava as suas realizações.
“Isto marcou uma importante transição de Chio de uma família influente no plano económico para uma família influente no plano cultural”, salientou o autor.
A família Chio também operava uma escola privada numa sala lateral do templo da sua família, em Mong Há, que agora já não existe. Nessa escola ensinavam confucionismo e formaram mais académicos e artistas nessa altura. "(...)
Excerto de notícia da autoria de Catarina Chan publicada no jornal Ponto Final 8.6.2026
| Casa da família Chio nos números 24 e 26 da Travessa da Porta Foto IC |
Curiosidade:
Apesar do nome em português ser Travessa da Porta, em chinês denomina-se 趙家巷 que significa Rua da Família Zhao (Chio). Fica na zona do antigo bazar chinês, perto da Rua dos Mercadores.
Sugestão de leitura adicional:
"Edifícios Tradicionais Chineses em Macau" de Chan Su Weng e Wong Ieng Kuan, Editora Sinofare Lda., 2002.
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