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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Nas Praias de Iwo Jima / Sands of Iwo Jima / 硫磺島浴血戰

Nesta fotografia um grupo de jovens está frente a um cartaz - feito de bambú - em inglês, português e chinês - nos aterros da Praia Grande - de promoção ao filme "Nas Praias de Iwo Jima / Sands of Iwo Jima / 硫磺島浴血戰", de 1949, protagonizado por John Wayne.
Tudo indica que os edifícios ao fundo são os primeiros edifícios residenciais ali construídos, já na zona aterrada frente ao Jardim de S. Francisco. O filme teve em exibição nos cinemas Vitória, Capitol, ou Apollo.

Cartaz do filme na época

Assinalei a amarelo o que foram os primeiros edifícios residenciais ali construídos, já na zona aterrada frente ao Jardim de S. Francisco.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Nanquim: "Novo cinema sonoro"

 

Uma notícia de 10 de Julho de 1933 informava que estava para breve a inauguração de "um cinema sonoro no último andar" do mercado municipal do Tarrafeiro e que iria exibir "filmes chinêzes". Na verdade viria a ficar na Rua da Ribeira do Patane. Para além de cinema também funcionou para a realização de espectáculos de "auto-china". O nome é uma homenagem à cidade chinesa de Nanking, na altura a capital da China. 
Segundo Henrique de Senna Fernandes "o teatro Nanquim, que pretendeu, no princípio, ser um cinema de estreia, reduziu-se a cinema de bairro, com filmes em reprise." Na época existiam outros cinemas como o Vitória e o Capitol.
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Nesta fotografia pode ver-se o cinema Nam King no cruzamento da Rua da Ribeira do Patane com a Rua de Cinco de Outubro. Viria a fechar na década 1950. O edifício foi demolido na década 1990.
No letreiro superior em português "CASA TOMAR CHA TAT YENG HOU" e em chinês 一定好茶樓日夜茶市, especifica "Serviço de chá dia e noite".
Por baixo o letreiro com o nome NANKING e em chinês 南京大戲院 cuja tradução à letra é  "Grande Teatro Nanjing".

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Novo recorde mensal de visitantes

Em Novembro último - data do 17º aniversário - o blogue Macau Antigo registou num novo recorde mensal de visitantes com um total de 233.337. Dá uma média diária de quase 8 mil leitores diariamente. Ainda de acordo com os dados da plataforma onde o blogue está alojado - Blogger - em Novembro a maioria dos leitores teve origem nos EUA, Portugal, Macau, Brasil e Singapura (top 5).
Filmes em exibição no Cinematógrafo "Vitória" há 100 anos
O cinema ficava na Av. Almeida Ribeiro/San Ma Lou
referência actual: ao lado do hotel Central

domingo, 2 de novembro de 2025

Ballad of a Small Player / Balada de um pequeno jogador

Fundado no final do século 19, o antigo hotel Boa/Bela Vista - residência oficial do Cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong desde 1999 - tem sido 'protagonista' em vários filmes e séries de televisão ao longos dos tempos: Around the World in 80 Days, Return to Paradise, etc. 
O exemplo mais recente é o filme Ballad of a Small Player (2025), protagonizado por Colin Farrel, realização de Edward Berger e argumento de Rowan Joffé baseado no livro de Lawrence Osborne. 


Para além da escadaria e divisões no interior do edifício da segunda metade do século 19, destaco as cenas filmadas na varanda - três imagens acima - onde imperam arcadas estilizadas, colunas e balaustradas. A varanda oferece uma perspectiva sobre dois lados da baía: para o lado norte (onde se pode ver o Hotel Grand Lisboa) e para o Sul, a entrada para o Porto Interior.
Curiosidade: Parte do antigo hotel Boa/Bela Vista foi replicada no actual hotel Grand Lapa no espaço denominado "Café BelaVista". A varanda é copiada quase na perfeição. Os pilares, por exemplo, são diferentes...
Assinalado o pormenor na varanda do edifício original

A 'cópia' no Grand Lapa Hotel

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

"Os Pescadores de Amangau": 1958

"Os Pescadores de Amangau" é um documentário de 1958, com 15 minutos de duração, a cores, sem diálogos e sem narração. Realizado por Miguel Spiguel o documentário retrata a vida dos pescadores de Macau.
Spiguel foi um realizador turco radicado em Portugal depois da Segunda Guerra Mundial. É autor dezenas de documentários e filmes de actualidades, nomeadamente das então colónias portuguesas em África e na Ásia: Índia, Macau e Timor.
Na edição de 4.5.1958 o Notícias de Macau publica uma grande reportagem sobre a exibição do documentário no V Festival Asiático de Filmes que decorreu em Manila (Filipinas).
Notícias de Macau 4.5.1958

Em 2023 o documentário foi restaurado e digitalizado a partir de uma cópia conservada no arquivo da Cinemateca Portuguesa (Museu do Cinema).

domingo, 27 de julho de 2025

Anúncio "Lições de Pintura"

Este anúncio de "Lições de Pintura para damas e cavalheiros" foi publicado em 1919. É o ano da chegada a Macau de Manuel Antunes Amor. Um homem de muitos talentos. Foi professor - chegou a Macau nessa qualidade com a missão de reformular o sistema de ensino local - fotógrafo, pintor e cineasta. 
PS: por razões técnicas não foi possível disponibilizar este post ontem. 

domingo, 15 de junho de 2025

Smugler's Island: 1951

Na década de 1950, em Macau, um mergulhador americano (Jeff Chandler) expatriado é contratado por uma mulher misteriosa (Vivian Craig - Evelyn Keyes) para recuperar uma carga de barras de ouro afundada que acaba por atrair a atenção indesejada de um banqueiro corrupto, de autoridades corruptas e de piratas locais. É esta a sinopse do filme noir norte-americano estreado em Maio de 1951 sob o título Smugler's Island.
Jeff Chandler considerou o filme um dos seus favoritos porque "interpretei-me a mim próprio". Na época, Chandler costumava interpretar personagens de diversas nacionalidades e de diferentes períodos históricos sendo esta uma oportunidade rara para ele interpretar um americano contemporâneo. 
Conta com Edward Ludwig na realização. Também é conhecido pelos títulos Piraten von Macao, Pirate Port of the China Seas.
Curiosidade: a narração inicial refere Macau mas as imagens mostram Hong Kong.

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Foto-legenda: comemorações do 1 de Outubro

A fotografia testemunha as celebrações do 1 de Outubro (implantação da República Popular da China a 1 de Outubro de 1949) na década de 1950 junto ao Cinema Alegria (Wing Lok), na Estrada do Repouso perto do hospital Kiang Wu. 

O cinema - foto do século 21 acima - foi construído em 1952, por iniciativa conjunta dos empresários chineses estabelecidos em Macau: Ho Yin, Ma Man Kei e Chan Chek San.

segunda-feira, 15 de julho de 2024

Filmes em exibição: Julho de 1954

Há 70 anos - em Julho de 1954 - eram estes os filmes em exibição - alguns com três sessões diárias - nos cinemas Capitol, Apollo, Vitória e Império. "Legendas em português" e "tecnicolorido" eram alguns dos argumentos apresentados nos anúncios. 

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Filmes em exibição nos cinemas em 1955

Capitol (Rua S. Domingos), Vitória (Rua dos Mercadores), Apollo (Av. Almeida Ribeiro), Oriental (Calçada Tronco Velho), Império (Rua do Campo), Nanking (Rua da Ribeira do Patane),  Roxy, Nam Keng, Alegria, Cidade de Ouro, Hoi Keang eram alguns dos cinemas de Macau em meados da década de 1950. Mais de uma dezena!

Anúncio de 1955

sábado, 4 de maio de 2024

Cinema Apollo: 1959

Esta foto de 1959 documenta a estreia do filme "Around the world in 80 days" no cinema Apollo (Av. Almeida Ribeiro junto ao Largo do Senado). Nos EUA estreou em 1956. Trata-se da adaptação cinematográfica do romance de Julio Verne sobre um inglês do século 19 que aposta ser capaz de dar a volta ao mundo em oitenta dias. 
Macau surge no capítulo 19 do livro editado em 1876:
"Hong Kong is an island which came into the possession of the English by the treaty of Nankin after the war of 1842 and the colonizing genius of the English has created upon it an important city and an excellent port. The island is situated at the mouth of the Canton River and is separated by about sixty miles from the Portuguese town of Macao on the opposite coast. Hong Kong has beaten Macao in the struggle for the Chinese trade and now the greater part of the transportation of Chinese goods finds its depôt at the former place."
Curiosidade: A mini série com o mesmo nome, da década de 1980, foi filmada em parte em Macau (Hotel Bela Vista).
Macau tinha no final da década de 1950 um total de 10 salas de cinema com capacidade para 7500 espectadores. No início da década de 1950 tinha 6 com capacidade para 4800 espectadores.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

"Novo Teatro de Macau"

Corria o ano de 1919 quando abriu portas o Novo Teatro de Macau também conhecido pelo nome New Macao Theatre. O nome pode induzir em erro mas era um cinema (animatógrafo), numa época em que esta oferta cultural tinha muita procura e sucediam-se as aberturas de salas de exibição de filmes. Já existia ano território, por exemplo, o cinematógrafo Vitória que começou por funcionar num "pavilhão", infraestrutura pouco sólida que tufão em 1909 deitou abaixo.
Anúncio de 1919

O Novo Teatro de Macau - inaugurado em Outubro de 1919 - ficava no nº 34 da Rua de S. Domingos e era uma iniciativa comercial do chinês Knam Iec Chao, na altura gerente do New Macao Hotel. Este novo espaço de cinema surgiu no mesmo edifício onde existira antes um outro animatógrafo, o Olimpia.
O Novo Teatro de Macau funcionou durante apenas um ano vindo a encerrar em Outubro de 1920 "por não poder arcar com as despesas da exploração", noticia o jornal O Macaense a 3.10.1920 adiante que por igual motivo o cinematógrafo Vitória passava a ser "explorado por uma nova empresa". Em 1922 surgiu na Rua do Hospital o Animatógrafo Macau, uma iniciativa do empresário local Filipe Hung.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

"Cinematografo President"

Este anúncio foi publicado na edição de 25 de Agosto de 1928 do jornal "A Verdade". O Cinematografo President fica no hotel com o mesmo nome inaugurado no Verão de 1928. Segundo Henrique de Senna Fernandes "o cinematógrafo "Presidente" seria de pouca dura, com filmes silenciosos e na maior parte chineses, então de qualidade inferior. O recinto do cinematógrafo seria mais tarde o conhecido "cabaret" do Central, cujos dias mais gloriosos foram os do tempo da Guerra do Pacífico". 
 
O hotel seria ampliado mudaria de nome em 1942 passando a denominar-se "Central". Viria a fechar na década de 1980 e depois de muitos anos encerrado foi alvo de obras de restauro e reabriu recentemente.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Cinema mudo com orquestra

De forma a captar a maior audiência possível e quando ainda exibia filmes sem som o Cinematógrafo Vitória  - cruzamento da Rua dos Mercadores com a Avenida de Almeida Ribeiro - recorreu a orquestras de Hong Kong, como a Coronet e a Star, para acompanharem com música as imagens em movimento que eram exibidas no écran.
O anúncio abaixo é de Dezembro de 1919. Neste caso a orquestra só actuava na 2ª sessão da noite nos dias úteis e "nas matinés aos sábados e domingos" às duas e meia da tarde.
Na matinés dos domingos exibiam-se "fitas apropriadas para crianças".

quarta-feira, 19 de julho de 2023

O mercado do cinema na década 1930

Macao 
By American Consul Frederick W Hinke, Canton - China
Macao is a Portuguese colony situated mainly on an island west of the mouth of the Sikiang or West River and consisting of the territories of Macao, Taipa and Coloane about 40 miles southwest from the British Crown Colony of Hong Kong and 70 miles south east from the great Chinese metropolis of Canton.
This city is the oldest European settlement in the Far East having been under Portuguese administration since 1557 a period of 374 years. In the past 10 years reclamation of waste land has increased the area of the territory from about 1,250 acres to more than 1,750. The colony at one time was the only entrepôt into China but in recent years the commerce of south China has been diverted to the neighboring British colony of Hong Kong while a number of ports have been opened up along the China coast to care for the needs of central and north China.
Some revival of commercial activity is slowly becoming apparent as native industries the fire cracker and blackwood trades in particular have been forced to seek refuge on foreign soil from the heavy burdens of taxation and civil strife in south China. For these reasons also there has been a marked growth in the population of this city which is now estimated at about 175,000. Of this number more than 80 per cent are of the Chinese race. 
The Portuguese have been able however to give the city a European aspect and western ideas of amusement are prevalent. According to a report received from the inspectorate of economic services of the colony there are two motion picture theaters in Macao housed in buildings of European type.
Details regarding these two establishments are as follows:
Cinema Victoria capacity 600 American equipment used two performances every evening and three matinees weekly.
Cinema President capacity 350 uses American equipment two performances every evening and three matinees weekly.
Anúncio de 1932 (imagem não incluída na obra referida)

Although no information was furnished by the Macao authorities regarding the nationality of pictures exhibited it is presumed that American films represent a fair proportion of the total followed by Chinese and European productions.
As in Canton comedies and farces are particularly popular dramas only slightly less so. Films depicting western cowboy life are said to be resented especially when oriental characters are depicted in an unfavorable light or are made to appear ridiculous In general public taste in pictures is very similar to that prevailing in Canton.
The consent of the police commissioner must be obtained before films are exhibited in Macao. It is understood that films regarded as immoral or dealing with subversive activities are either prohibited altogether or are cut. Distributors of motion pictures to the Orient should be careful in the selection of films to avoid those in which oriental people are represented in a manner that might be regarded as derogatory or which contain themes of a subversive or immoral nature. 
Furthermore the Portuguese authorities may be reluctant to pass films dealing with high life which shows occidentals as dissolute or vicious since such films would tend to lower their own prestige among the natives of the colony.
No sound motion picture equipment has yet been installed in Macao but the success of talking films in the neighboring cities of Hong Kong and Canton has aroused interest in the Portuguese colony as well.
The following suggestions for stimulating the demand for American films were made in a memorandum prepared by the inspectorate of economic services transmitted to this office by the Portuguese consul general at Canton in a letter dated November 4, 1930:
'It would be helpful to the development of the American motion picture trade in Macao if direct arrangements for the distribution of films could be made between American producers and the two motion picture houses now operating in Macao and it is furthermore suggested that American motion picture producers enter into an agreement with exhibition in Macao provided necessary guaranties can be arranged for a division of the net proceeds of performances given in Macao on a 50 50 basis.'
Although the distribution of American films in Canton is on a far larger scale than in Macao, representatives of American pro ducers in the Far East may find it advantageous to call upon the proprietors of existing establishments in Macao when visiting Can
ton and Hong Kong as it appears that there are possibilities for an expansion of the demand for American productions in the Portuguese colony.
Publicado em 1931 no Trade Information Bulletin, uma publicação do governo dos EUA. O artigo é da autoria do cónsul dos EUa em Cantão na época.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

No tempo do cinema "mudo"

A propósito do post sobre o Cinematógrafo Victoria, vários leitores contactaram-me solicitando mais informações sobre o cinema em Macau nos primeiros anos do século 20. Recorro a algumas imagens e a um excerto de um texto da autoria de Henrique de Senna Fernandes para satisfazer a curiosidade.
"Em 1919, o «Vitória» achava-se sob a gerência de Filipe Hung, figura popular e simpática de empresário que deu grande dinamismo ao cinematógrafo. Empenhava-se em satisfazer a sua freguesia, auscultava o gosto da cidade, escolhia os melhores filmes e ia a Hong Kong discutir com as companhias distribuidoras para trazer magníficas produções que, por vezes, eram exibidas antes mesmo que na colónia vizinha. Generoso e profundamente católico, dedicava com frequência o produto das sessões cinematográficas dum dia para beneficência ou para ajudar irmandades ou agremiações desportivas.
Deste espírito de empresário, que já não vemos hoje, faz-se eco «O Macaense» de 5 de Outubro de 1919: «Animatógrafo Vitória» «Fomos informados de que o rendimento líquido dos espectáculos cinematográficos, realizados na noite de 1 do corrente, foi de $ 240 (importância algo vultuosa para a época), quantia que, por gentileza da nova empresa exploradora do Animatógrafo Victoria, vai ser entregue à Mesa da Confraria de Nossa Senhora do Rosário para as despesas das obras a realizarem-se na igreja de S. Domingos. «Houve duas sessões cinematográficas e à segunda, a que assistimos, esteve o salão literalmente cheio de espectadores. Tocou a Banda Municipal que, pela execução precisa sob a magistral direcção do sr. Alessio Benis, mereceu dos espectadores calorosos aplausos». Filipe Hung, de quem nos lembramos ainda passeando pela cidade no seu conhecido «side-car», desligou-se do «Vitória», em fins de 1921, abrindo, em 3 de Fevereiro do ano seguinte, o «Animatógrafo Macau», no mesmo edifício em que anos atrás estivera o«New Macao Theatre». E anunciava o facto no jornais, da seguinte maneira: «Após as obras a que se se procedeu, ficou sendo este Animatógrafo a melhor casa de espectáculos da Colónia. «Sempre em exibição as melhores e modernas fitas das afamadas casas Universal, Paramount, etc... «Mudança de programa quatro vezes por se-mana, às 2as., 4as., 6as. e Sábados. «Vinde ao mais popular Animatógrafo de Macau». Com a saída de Filipe Hung, não fechou, porém, o «Vitória». 
Em 3 de Março de 1922, uma nova empresa inaugura a sua exploração com um programa especial de vaudeville, pantomima, danças e canções, terminando com uma exibição cinematográfica."


jornal A Colónia 4 Maio 1918

Fachada da Av. Almeida Ribeiro/ San Ma Lou

Anúncio de 1921


No Anuário de Macau relativo a 1922 Filipe Hung surge como gerente do Animatógrafo Macau localizado na Avenida do Coronel Mesquita. Esta indicação já estava desactualizada na época. O troço de estrada entre a Praia Grande e o Largo do Senado já foram completado, dando por finalizada a ligação entre o Porto Interior e a baía da Praia Grande sendo que a avenida passou a chamar-se Almeida Ribeiro.
Refira-se que o cinema foi muito bem acolhido pela população. Na Feira Industrial de 1926 teve mesmo direito a um pavilhão autónomo - Pavilhão do Cinematógrafo - explorado pela Empresa Cinematográfica Macaense de Mário Borges & Ca.
Esta companhia fez vários filmes/documentários em Macau na década de 1920. Onde estarão?

domingo, 18 de dezembro de 2022

Cinematografo Victoria

Um notícia publicada no jornal A Verdade a 13 de Janeiro de 1910: "Inaugurou-se, na noite de domingo (8 de Janeiro), o novo teatro de cinematógrafo 'Vitória', construído sobre o terreno onde existia o edifício da Cadeia Pública. Agradecemos o convite que gentilmente nos foi feito para assistirmos à inauguração."
O referido cinematógrafo funcionou antes, em instalações provisórias num "barracão" na então denominada Rua da Cadeia, junto ao Largo do Senado.

Jornal A Verdade: 13.1.1910

A 20 de Junho de 1910 há registo do "trespasse do terreno onde se acha instalado o cinematógrafo Vitória, feito em nome de Bartolomeu Barreto a Ramon Ramos".
Ramon Ramos foi também o fundador de um cinematógrafo em Hong Kong, primeiros em instalações provisórias e depois, em 1910, num edifício com o nome Victoria Theatre.
Nos primeiros anos eram projectados filmes mudos de curta duração. Veja-se por exemplo o programa dos dias 5 e 6 de Fevereiro de 1911 num total de 8 pequeno filmes, divididos por duas sessões com um intervalo de 10 minutos entre cada sessão: 
1ª sessão - Nick Carter e os ladrões; A loucura da Cristalina; Casaco animado; O amor mágico em jogo. 10 minutos de intervalo. 2ª sessão - As abelhas; A Rosa de Ouro; Os pacientes do Dr. Pudiente; O empregado perigoso.
Em 1915 a Illustração Portuguesa na edição de 20 de Dezembro publica uma fotografia do cinema - imagem acima - com a seguinte legenda: "O novo cinematografo 'Vitoria' na Avenida Almeida Ribeiro. Tem lugares para 1:200 espetadores". 
O edifício ficava numa esquina: A Avenida Almeida Ribeiro fica do lado esquerdo e do lado direito a Rua dos Mercadores. Em 1915 a referida avenida ainda não ligava totalmente o Porto interior à Praia Grande, havendo um troço do Largo Senado à Praia Grande que se denominava Av. do Coronel Mesquita.
Anúncio de 1921

Em cima um anúncio de 1921 publicado num jornal de Macau: "Cinematografo Victoria. A melhor casa de espectaculos do genero, em Macau. Mudança de programa quatro vezes por semana. Sempre em exibição as ultimas novidades sensacionais em filmes das melhores casas mundiais." 

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Documentário "Macau, Jóia do Oriente": 1956

Miguel Farini Spiguel (1921-1975), um turco radicado em Portugal desde 1944, foi o cineasta que mais filmou o “Oriente português” (Macau, Goa e Timor) tendo 'acrescentado à propaganda política do Estado Novo um pendor de promoção turística dos então territórios portugueses. Contava habitualmente com o apoio de instituições como a Agência Geral do Ultramar mas chegou a fazer pedidos de apoio de forma directa.
A 27 de Dezembro de 1959 enviou uma carta ao governador de Macau, Jaime Silvério Marques: 
"(...) Embora pudesse seguir directamente para Timor, preferi fazer um desvio para Macau, terra da minha preferência, embora esse facto me onerasse de muito as minhas disponibilidades, o meu capital e crédito empenhados neste empreendimento ultrapassa de muito os 500 contos e para os amortizar conto com a boa qualidade e da possível venda dos mesmos às várias entidades oficiais, tais como a Agência Geral do Ultramar, Secretariado Nacional da Informação e Ministério da Educação Nacional. De todos estes documentários o de Macau tem menos defesa, porque já existem quatro feitos por mim e Vossa Excelência sabe tão bem como eu que em matéria de propaganda as atenções do Governo Central dirigem-se de preferência para as nossas províncias de Angola e Moçambique, deixando o resto à iniciativa particular como a minha ou ao critério e julgamento do Governador respectivo. (...)"
"Macau, Jóia do Oriente" - título inspirado em Jaime do Inso - é um documentário (15 minutos) apresentado publicamente em 1956. Face aos anteriores que tinham versado o território, tinha a grande novidade de ser feito a cores. 
Em Macau Spiguel foi quase sempre acompanhado por Aquilino Mendes e pela sua câmara.  Podem ver-se os dois na foto abaixo durante a rodagem do documentário "Macau" de 1960.
Neste, como noutros registos que se seguiram, Spiguel contou com a colaboração musical de Pedro Lobo
Entrevistado para a revista "Filme" (n° 14, Maio de 1960) Spiguel afirmou acerca de Macau: 
"Quis mostrar como a obra civilizadora dos portugueses tem um sentido particular, cristão, tolerante. Notou nas imagens do arrear da bandeira como é composta a escola? Notou a profusão de raças entre a juventude escolar? Notou essa mesma tolerância na multidão que povoa as ruas? Depois quis captar uma cidade com imagens de uma cor intensa. Macau a preto e branco não se justifica. O enterro chinês, os barcos à vela, a profusão dos cartazes coloridos, tudo isso pede cor. Devo dizer que a câmara do Aquilino foi particularmente feliz."

Outros registos de Sipguel sobre Macau:
Macau, Jóia do Oriente (1956), 
Pescadores de Amagau (1958), 
Macau (1960) Duração: 60 minutos 
Reportagem - Oriente (1958), 
Operação Estupefacientes (1967), reportagem em 3 episódios sobre a luta da Polícia Judiciária de Macau contra os traficantes de droga no território.
Macau de Hoje (1971), 
Macau Industrial (1974), 
Uma Pérola Chamada Macau (1974) 
Macau (1977), já apresentado depois da morte do realizador.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Documentário "Macau, Cidade do Nome de Deus"

"Macau, Cidade do Nome de Deus", de 1952, realizado por Ricardo Malheiro*, é um documentário, a preto e branco, com locução de Fernando Pessa. Trata-se de um registo na linha da política de propaganda do Estado Novo, com cerca de 10 minutos de duração e faz parte do espólio da Cinemateca Portuguesa.
O território é apresentado como um paragem exótica onde as comunidades portuguesa e chinesa convivem de forma exemplar. O principal destaque vai para os monumentos, igrejas, templos, hotéis e edifícios públicos. Não há qualquer referência ao jogo nem às zonas onde parte da população vivia em condições de pobreza.
"Na placidez das águas dos mares do sul da China, animadas pelo exotismo dos seus barcos e rodeadas pelo encanto das suas ilhas e costas verdejantes e coloridas, ergue-se uma velha e maravilhosa cidade portuguesa, rica de colorido e ineditismo, e diferente, muito diferente de todas as outras cidades portuguesas. Essa cidade é Macau, terra de colinas e outeiros, de jardins de sonho e frondoso arvoredo com um governo português que conta quatrocentos anos."
Excerto de texto da autoria de José de Freitas
Zona das piscinas municipais inauguradas em 1952

* Nesse ano Ricardo Malheiro (1909-1977) foi o cineasta oficial da visita do então Ministro do Ultramar ao Oriente, incluindo Macau. As imagens deste documentário foram feitas durante essa visita no Verão de 1952. No ano seguinte foi estreado o documentário dessa visita: "A viagem de Sua Excelência o Ministro do Ultramar ao Oriente".
Clube Náutico no Porto Exterior: molhe, juncos e ilha da Taipa ao fundo

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Troço da Avenida Almeida Ribeiro: 1962

Nesta fotografia de um troço da Avenida Almeida Ribeiro/San Ma Lou em 1962 pode ver-se um polícia a proteger-se do sol, transeuntes de bicicleta e transportando carga com o sistema pinga, passageiros a entrar para o autocarro nº 5, peões sob as arcadas e, do lado direito, na fachada de um teatro/cinema - o Vitória - estão anunciados os filmes em exibição em quatro salas do território: Vitória, Capitol, Cheng Peng e Apollo.
Carlos da Maia morreu a 19 de Outubro de 1921(há 100 anos...) 
durante os eventos da denominada "noite sangrenta".
Curiosidades:
A construção desta avenida foi iniciada durante o mandato (1914 a 1916) do governador Carlos da Maia (1878-1921) - 105º governador de Macau - tendo ficado concluída em 1918. A nova artéria não só ligou os portos interior e exterior, como atravessou o coração da cidade, dando um passo decisivo para uma maior aproximação entre as comunidades portuguesa e chinesa, já que atravessou o chamado bairro chinês (bazar) ligando-o à chamada parte da cidade cristã, onde viviam os portugueses.
Na toponímia macaense existe a Rotunda Carlos da Maia, construída em 1919, é vulgarmente conhecida como Largo dos Três Candeeiros, devido ao candeeiro de três lâmpadas ali colocado; e a Avenida Carlos da Maia, na Taipa, que dá acesso por exemplo à Igreja de Nossa Senhora do Carmo.