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domingo, 25 de fevereiro de 2024

Porcelana Chinesa de Exportação - Antiga Colecção Cunha Alves

Em exibição do Museu do Oriente (Lisboa) 
No período que abrange esta colecção - séc. 17 a 19 - Macau não só foi ponto de passagem de peças de porcelana chinesa de exportação como também, em muitos casos, eram executadas no território as fases finais do processo de produção, nomeadamente a pintura.
Texto (abaixo) e fotos do Museu do Oriente
A chegada de Vasco da Gama à India em 1498 e a conquista de Malaca em 1511 marcam o início das encomendas de porcelana chinesa para o mercado ocidental, onde Portugal desempenhou um papel pioneiro como encomendador.
Adquirida pela Fundação Oriente em 2018, a Antiga Colecção Cunha Alves reúne 209 peças de porcelana chinesa de exportação para o mercado ocidental decoradas com cenas ao gosto europeu. Esta é a primeira apresentação da colecção no seu conjunto, integrada na exposição permanente Presença Portuguesa na Ásia.
Coleccionada ao longo de 25 anos pelo diplomata Paulo Cunha Alves, é composta por peças datadas dos séculos XVII a XIX, adquiridas em leilões, antiquários, feiras internacionais e directamente a particulares, em inúmeros países.
O conjunto está agrupado segundo temáticas diversas: a aventura marítima, a expansão da fé cristã, os deuses do Olimpo, os prazeres da vida ao ar livre, a música, dança e poesia, temas satíricos, anedóticos, históricos, eróticos, galanteios e vaidades, entre outras. A decoração inspira-se em fontes iconográficas europeias, tais como desenhos, gravuras e pequenas pinturas a óleo. Estes modelos em prata, faiança, porcelana, estanho e madeira eram enviados para a China para serem copiados pelos artesãos locais. Os resultados são coloridas representações a azul e branco sob o vidrado, e a esmaltes da “família rosa”, grisaille, preto e sépia, bianco sopra bianco, rosa carmim e dourado, sobre o vidrado.
A aquisição da Antiga Colecção Cunha Alves insere-se na aposta estratégica da Fundação Oriente de consolidar o seu acervo de porcelana, posicionando o Museu do Oriente como uma referência no panorama das artes decorativas, em geral, e da porcelana, em particular.

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Exposição "Na Senda dos Leques Orientais"

Até 10 de Setembro está patente no Museu do Oriente (Lisboa) a exposição Na Senda dos Leques Orientais. Segundo o museu "a exposição apresenta a história, características e usos do leque chinês na Europa a partir do século XVI, em 180 peças, entre obras do acervo do Museu do Oriente e empréstimos de 23 instituições - Museus Nacionais, Fundações, coleccionadores particulares, entre outras entidades."
 Leque Plissado. China, dinastia Qing, c. 1860. Espólio Museu do Oriente

Texto de Paulo de Assunção, comissário da exposição:
Entre os séculos XVI e XIX, o comércio de leques chineses conquistou os mercados europeu e americano. Feitas de diferentes materiais, estas peças tornaram-se um adereço indispensável para os chineses durante as dinastias Ming e Qing. Cantão e Macau viriam a destacar-se como importantes centros de comércio e fabrico de leques.
O leque podia ser entendido como um instrumento cerimonial ou apenas com função utilitária. A intensificação da circulação de pessoas e produtos fez com que estes objectos rapidamente se transformassem num adereço requintado nas principais cortes europeias. A partir do XVIII, intensifica-se a comercialização e uso do leque, que passa a fazer parte dos hábitos das mulheres de todas as classes sociais. Era prática corrente que quem viajava para terras asiáticas trouxesse, no regresso, presentes para os seus entes queridos, sendo comum oferecer às mulheres este tipo de objecto.
Ao analisar-se atentamente cada leque, é possível verificar que são obras de arte trabalhadas com requinte, em materiais nobres como o marfim, a carapaça de tartaruga e a seda. Havia também leques fabricados em papel, que se destacaram pela delicadeza das representações que ostentavam. A técnica de execução dos leques evoluiu, permitindo assim uma melhor eficiência e facilidade no seu uso como adereço.
A exposição Na Senda dos Leques Orientais oferece um panorama histórico sobre o aparecimento dos leques, os diferentes tipos de exemplares, o seu processo de fabrico, bem como o seu uso na cultura oriental e na sociedade europeia, desde o século XVI. Entre exemplares raros, obras de pintura, escultura e artes decorativas, as cerca de 200 peças em exposição revelam como este acessório, em diferentes momentos, se transformou num instrumento de comunicação social.
Representação da baía da Praia Grande num leque de meados do século 19

PS: Em breve publicarei mais detalhes sobre estes leques.

quinta-feira, 10 de março de 2022

Exposição "Beber da Água do Lilau"

O espólio de Nuno Barreto, doado à Fundação do Oriente em 2019, pode ser visto até 26 de Junho próximo, no Museu do Oriente em Lisboa, numa mostra intitulada "beber da Água do Lilau - Retrospectiva de Nuno Barreto.
Na newsletter do Museu pode ler-se: Acrílicos, guaches, cadernos de desenhos, esboços, apontamentos, revistas, livros, catálogos e fotografias, transportam-nos para a sua vivência e transformação desde a pintura abstracta à pintura figurativa, à medida que foi entendendo o seu propósito de captar o espírito de um lugar assim como as gentes que povoam a cidade de Macau, a terra que, segundo o próprio, “lhe entrou no sangue para nunca mais sair”.

Nuno Barreto fez a formação académica na Escola Superior de Belas Artes do Porto em 1966 seguindo-se uma pós-graduação na Saint Martin´s School of Art, em Londres. Foi professor auxiliar na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e posteriormente convidado pelo governo de Macau a preparar o projecto da Academia de Artes Visuais do Instituto Cultural de Macau, que dirigiu desde a sua fundação, em 1988, sendo posteriormente director da Escola de Artes Visuais do Instituto politécnico de Macau de 1993 a 1997.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Escrivaninha "Praia Grande"

Escrivaninha de estilo europeu (séc. 18) decorada com uma ilustração em lacado da baía da Praia Grande, o passeio marítimo de Macau. É uma das muitas peças alusivas a Macau que fazem parte do espólio do Museu do Oriente (Lisboa).
European style bureau or writing desk (18th century) decorated with a black and gold lacquer illustration of Praia Grande bay, Macau’s seafront promenade. It can be seen at Museu do Oriente/ Orient Museum (Lisboa).
A ilustração que serviu de inspiração...

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

"A Ópera Chinesa": exposição no Museu do Oriente

Um total de 280 peças entre trajes ricamente decorados, perucas, toucados, modelos de maquilhagem, marionetas, gravuras, pinturas e instrumentos musicais, bem como fotografias e vídeos, dedicados à Ópera Chinesa, constituem a nova exposição permanente do Museu do Oriente .
A ópera chinesa está ligada, desde as origens, à religião, cumprindo funções rituais como o exorcismo de demónios e espíritos malignos. Alguns destes ritos podem ainda hoje ser observados, em comunidades rurais do sul da China. Os principais teatros exorcistas, Nuoxi e Dixit, estão representados nesta mostra através de máscaras, trajes e palanquins utilizados nas cerimónias.
Considerada um dos tesouros culturais da China, a ópera tradicional surgiu em finais do século XI, agregando elementos de formas artísticas bastante mais antigas. É uma síntese de várias artes, que engloba canto, música, fala, mímica, dança, técnicas de maquilhagem, acrobacia e artes marciais com manipulação de adereços como armas, barbas e leques
Emissão Filatélica "Máscaras da Ópera Chinesa": 1998
A Ópera Cantonense, um subgénero da ópera chinesa, tornou-se predominante na província de Guangdong, sendo também bastante apreciada em Hong Kong e Macau. As diversas associações de ópera chinesa existentes em Macau têm vindo a divulgar esta arte nomeadamente com representações de ópera chinesa junto aos templos onde, para o efeito, são montadas estruturas de bambu.
Emissão Filatélica "Usos e Costumes - Ópera Chinesa": 1991
Artigo sobre "um teatro chinês em Macau" publicado em 1866 no “The Illustrated London News” com duas ilustrações (pinturas) da autoria de Eduard Hildebrandt (1818-1868) feitas ca. 1862.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Biombo "Macau e Cantão"

A propósito do post de ontem...
Propriedade da Fundação Oriente - pode ser visto no Museu do Oriente em Lisboa - este biombo de seis folhas é de autoria chinesa e datado da segunda metade do século XVIII. Tem pouco mais de dois metros de altura e 3 metros de comprimento.
O biombo de madeira é lacado a negro e vermelho com decoração plana e em relevo com prata e ouro. Num dos lados, sobre fundo lacado vermelho, é representada a cidade de Macau, e no reverso a cidade de Cantão (Guangzhou).
Na representação artística de Macau - nem todos os locais são apresentados no local exacto - destacam-se a Igreja da Madre de Deus (também designada por São Paulo) e a Igreja de São Domingos. É possível também reconhecer a fortaleza de Santiago da Barra, a ermida de Nossa Senhora da Penha, a fortaleza de São Francisco, a fortaleza e ermida da Guia ou o Pagode da Barra. Nesta mesma folha, uma nau ostenta o pavilhão com as armas de Portugal. Na face oposta, está representada a cidade de Cantão podendo ver-se o pagode Lui-rong, também designado por Flowery Pagoda, o antigo minarete da mesquita Mehammedan (torre com o topo arredondado) e o arco triunfal.
Estamos perante um objecto raro, quiçá único... 
Um biombo decorado em duas faces e com a mesma temática. Tal singularidade pode apontar a sua origem para uma encomenda de um particular.
A partir do século XVI, a expansão comercial portuguesa na Ásia fez com que chegassem cada vez mais à Europa produtos orientais. A curiosidade pelo “desconhecido” e o fascínio pelas suas manifestações artísticas estimularam a procura de produtos chineses e japoneses, sobretudo. Muitos desses biombos orientais eram exportadas a partir de Macau para Portugal (através da Índia), para as Filipinas e para a América.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Museu do Oriente: "Presença Portuguesa na Ásia"

Uma das exposições permanentes do Museu do Oriente em Lisboa (Av. Brasília) intitula-se "Presença Portuguesa na Ásia" e vale bem a visita. Fica no piso 1, onde numa área de cerca de 1500m² encontramos uma colecção dominantemente artística dedicada à presença portuguesa na Ásia e ao coleccionismo de arte do Extremo Oriente.
Só para se ficar com uma ideia do que há para ver e 'sentir' destaco algumas das peças:
- biombo de seis folhas com uma representação da cidade de Macau da segunda metade do século XVIII de um dos lados, e no outro, uma representação da cidade de Cantão; é feito em madeira lacada, prata, ouro e papel;
- pinturas da autoria de George Chinnery;
- peças de mobiliário chinês;
- pinturas do período "china trade", quadros assinados e de autores anónimos, como era habitual na denominada "escola chinesa";
- terracotas;
- cómoda papeleira da segunda metade do século XIX, com a representação da Baía da Praia Grande em Macau (fez parte do recheio do Palácio das Necessidades)
- um palanquim do século 19;
- bordado com caracteres chineses que foi oferecido ao Visconde de Paço d’Arcos

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Pinturas "China Trade": espólios em Portugal

Museu de Marinha (onde existe a Sala do Oriente), Museu do Oriente, Museu do Centro Científico e Cultural de Macau, Museu Etnográfico da Sociedade de Geografia de Lisboa e Arquivo Histórico Ultramarino são as instituições em Portugal que possuem nos espólios exemplares de pinturas do período denominado "China Trade", entre os séculos 18 e 19.
Macau surge em muitas dessas pinturas, mas não só. Existem reproduções de várias cidades chinesas e das múltiplas embarcações da Marinha que serviram em Macau. 
Para este post seleccionei alguns dos quadros que representam Macau. Neste caso, óleos sobre tela.
"Praya Pequena", leia-se Porto Interior ca. 1830
"Praya Grande" ca. 1870
Porto Interior
Praia Grande
Praia Grande

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

William Anderson (1757-1837)


William Anderson nasceu na Escócia em 1757. Começou por ser aprendiz de carpinteiro, mas aos 30 anos era já um talentoso pintor estabelecido em Londres. Anderson expôs pela primeira vez na Royal Academy em 1787. Em 1797, viu chumbada a sua candidatura a membro da Royal Academy onde continuou a expor de forma regular  até 1811, e depois de forma intermitente até a sua última em 1834.
O auge da sua carreira é entre 1790-1810, quando a procura de pinturas com motivos marítimos, durante as Guerras Napoleónicas, estava em alta . Anderson pintou muitas das batalhas navais do período, muitas vezes encomendadas por oficiais de serviço. O seu trabalho mostra uma atenção meticulosa aos detalhes náuticos, aliada a um desenho preciso e uma coloração viva. É considerado um dos mais conceituados pintores de cenas marítimas da sua geração.
Este quadro - óleo sobre tela - faz parte do espólio do Museu do Oriente, em Lisboa, e a autoria é atribuída a William Anderson de que não há registo que tenha estado em Macau, sendo que essa não era uma condição necessária para executar a pintura. Bastava ter copiado ou ter-se inspirado noutra...
clicar na imagem para ver em tamanho maior
William Anderson was born in Scotland in 1757. He trained initially as a shipwright, but by the age of 30 was an accomplished and skilled marine painter and had settled in London.
Anderson first exhibited at the Royal Academy in 1787. In 1797 he was an unsuccessful candidate for Associate Membership of the Royal Academy.
His regular Royal Academy exhibitions continued annually until 1811, and then intermittently until his last in 1834. His best work was executed in the years 1790-1810, when the demand for marine paintings, during the Napoleonic Wars, was at an all-time high.
Anderson painted many of the naval battles of the period, often commissioned by serving officers, and his work shows a meticulous attention to nautical detail allied to an accurate draughtsmanship and lively coloration. At this period, he may be considered one of the leading marine artists of his generation.
This painting - oil on canvas - is part of Museu do Oriente collection (at Lisbon), and the authorship is attributed to William Anderson. That there is no record that he haver been in Macao, although that was not a necessary condition to perform the painting. It was enough to have copied or inspired others...
Detalhe do Colégio de S. Paulo e Fort. do Monte
Detalhe da Baía da Praia Grande
Detalhe do Porto Interior e ilha Verde



terça-feira, 13 de novembro de 2018

"Três embaixadas europeias à China" no Museu do Oriente

Uma exposição sobre o percurso de três portugueses que, entre o século XIII e XVIII, fizeram os primeiros contactos diplomáticos entre a Europa e a China está patente no Museu do Oriente, em Lisboa, até 21 de Abril do próximo ano.
Grande Rolo Amarelo: espólio da Biblioteca Nacional

"Três embaixadas europeias à China" é o título desta iniciativa dividida em três núcleos dedicados aos representantes do Estado Português Tomé Pires e Francisco Pacheco de Sampaio, e o do Papado, o franciscano Lourenço de Portugal. 
A exposição engloba 70 peças oriundas de colecções privadas, de instituições como o Arquivo Secreto do Vaticano, a Torre do Tombo, a Biblioteca Nacional e o Museu da Farmácia, entre outras, e do próprio espólio da Fundação Oriente.
Podem ver-se, por exemplo, a bula papal de 1245 - documento original proveniente da Torre do Tombo - com a nomeação de Frei Lourenço de Portugal como embaixador ao Império Mongol, pelo Papa Inocêncio IV; a carta do Imperador Qianlong ao rei D. José I, de 1753, com quatro metros de comprimento e escrita em três línguas: manchu, português e chinês (ver imagem).
O primeiro núcleo dedicado a Frei Lourenço de Portugal, nomeado embaixador ao Império Mongol pelo Papa Inocêncio IV, em 1245. O segundo núcleo da mostra é dedicado a Tomé Pires e à sua embaixada à China, em 1517 - a primeira missão diplomática oficial de uma nação europeia à dinastia Ming . Tomé Pires foi boticário, farmacêutico e autor da "Suma Oriental", a primeira e mais completa descrição europeia quinhentista da Ásia, cujo manuscrito pode ser visto na exposição. O terceiro núcleo centra-se na embaixada de Francisco Pacheco de Sampaio ao Imperador Qianlong, da dinastia Qing, em 1752, numa altura considerada delicada para os interesses portugueses em Macau e na China. 

Na exposição podem ainda ver-se peças de arte chinesa do século XVIII, nomeadamente uma poncheira com imagens das feitorias de Cantão.


quinta-feira, 12 de julho de 2018

3 peças no Museu do Oriente

No Museu do Oriente, em Lisboa, existem milhares de peças que ajudam a contar a história de Macau. Ficam aqui três exemplos em jeito de sugestão para uma visita ao museu.
Quadro "Panoramic of Macau" (final século 18) do escocês William Anderson
Denominadas "garrafas de peregrino" - eram utilizadas pelos viajantes para transportar líquidos - apresenta a representação de uma moeda do reinado de D. Filipe II. Terá sido encomendada por um cavaleiro da Ordem de Avis ou da Ordem de Cristo durante o domínio espanhol e é um dos primeiros exemplares de porcelana azul e branca encomendados à China pela Companhia das Índias Orientais. Foi oferecida à Fundação Oriente por Stanley Ho.
Biombo "Macau-Cantão" datado da segunda metade do século 18. Trata-se de um biombo articulado de seis folhas, lacado a negro e vermelho com decoração plana e em relevo com prata e ouro. Num dos lados, sobre fundo lacado vermelho, representa-se numa perspetiva aérea, a cidade de Macau, no reverso representa-se a cidade de Cantão.
Na representação de Macau pode ver-se:  Igreja da Madre de Deus (São Paulo),  Igreja de São Domingos, fortaleza de Santiago da Barra, ermida de Nossa Senhora da Penha, fortaleza de São Francisco, fortaleza e ermida da Guia, e o Pagode da Barra. 
Na representação de Cantão: a cidade de Cantão sendo reconhecidas três construções: o pagode Lui-rong, também conhecido por Flowery Pagoda, o antigo minarete da mesquita Mehammedan (torre com o topo arredondado) e o arco triunfal.
Pertenceu à Fundação Calouste Gulbenkian.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Fundação Oriente faz 30 anos e Museu do Oriente 10

Por estes dias e até final de Maio celebram-se os 30 anos da Fundação Oriente e os 10 anos do Museu do Oriente que já recebeu cerca de 450 mil visitantes. São dois nomes intrinsecamente ligados a Macau e à sua história e um dos vários exemplos do que há para ver sobre Macau em Lisboa.
O museu foi inaugurado em Maio de 2008. Está localizado em Alcântara e conta com um património museológico com mais de 15.000 peças, muitas delas sobre a presença portuguesa na Ásia, que vão desde as máscaras ao mobiliário, passando por armaduras, mapas, têxteis, biombos, porcelanas, terracotas, desenhos e pinturas. Destaque ainda para o centro de documentação.
Até 27 de Maio, o espaço vai ser palco de várias iniciativas que visam assinalar as duas efemérides: exposições, concertos, palestras e ‘workshops’ que incluem entrada gratuita ao domingo.
Ainda no âmbito do programa de celebrações, até 3 de Junho, o museu tem patente a exposição “Um Museu do Outro Mundo”, com cerca de uma centena de peças, num diálogo de obras do acervo, com novas obras do artista José de Guimarães.
PS: alguns dos próximos posts serão dedicados a obras relacionados com Macau e que estão patentes no Museu do Oriente.

sábado, 30 de maio de 2015

Macau em Portugal... por estes dias

Por estes dias existem muitos e bons motivos para 'rever' Macau em Lisboa. Na Feira do Livro sugere-se uma visita ao pavilhão C19 da Livraria do Turismo de Macau em Portugal. Para além de livros pode ainda participar nas sessões de autógrafos agendadas: este sábado, 30 de Maio, às 16h Maria Helena do Carmo, às 18h Isabel Pinto, às 19h António Graça de Abreu e às 21h João Botas.
No dia 31 (domingo) às 17h Beatriz Basto do Silva, às 18h Jorge Arrimar e às 19h Ernesto Matos. A 3 de Junho, às 18h Graça Pacheco Jorge e Pedro Barreiros.
Na noite de 12 para 13 de Junho Macau volta às Marchas Populares na Avenida da Liberdade através do grupo artístico “Shun Tak China Travel”, grupo artístico vencedor da “Parada de Celebração do Ano da Cabra “ em Macau, mostrando através de animados quadros marcados pela música e dança a animação e vida através dos tempos que acontece à volta dos ferries que ligam Macau a Hong Kong.
Em Junho e Julho a Casa de Macau em Portugal (CM) oferece um vasto leque de actividades. Primeiro com os almoços de gastronomia macaense às quartas-feiras (excepto dia 10 de Junho) e depois com dois workshop de gastronomia nos dias 26 de Junho e 24 de Julho. A 20 de Junho a CM celebra o 49º aniversário com o tradicional chá gordo um evento para o qual são aceites inscrições - casademacau@mail.telepac.pt - até ao próximo dia 15.
A 24 de Junho assinala-se o Dia de Macau e o blogue Macau Antigo sugere uma visita ao núcleo de Macau da exposição Presença Portuguesa na Ásia, no piso 1 do Museu do Oriente.
Na Casa de Goa (Lisboa) está patente até 7 de Junho uma exposição de fotografias da autoria de Margarida Fernandes intitulada “Olhar Macau”.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Os pescadores e o culto de Chui Tai Sin

Exposição patente no Museu do Oriente, em Lisboa, até 19 de Abril
Pescadores de Macau e o culto de Chu Tai Sin
A pesca e os pescadores são parte intrínseca da história de Macau. Esta comunidade que, no princípio do século XX, constituía cerca de um terço da população, tinha a particularidade de ser flutuante no sentido literal do termo: os pescadores nasciam, viviam e morriam a bordo das embarcações. Confrontados diariamente com a precariedade da vida, atribuíam à actividade religiosa um papel crucial. Chu Tai Sin, divindade taoísta patrono dos pescadores, é um dos deuses a que recorrem em situação de aflição. Anualmente os crentes congregam-se num barco transformado em templo para participar na festividade Da Jiu realizada em sua honra. Esta tradição faz parte do património intangível de Macau embora, actualmente esteja ameaçada.
Esta exposição pretende dar a conhecer a origem e natureza do culto de Chu Tai Sin em Macau bem como a arte popular de escultura de ídolos sagrados. Esta arte foi desenvolvida face às solicitações dos pescadores e encontra-se inscrita na lista do património cultural imaterial da China.
Ao percorrer a exposição o visitante terá a oportunidade de ver objectos rituais e fotografias das diferentes cerimónias que integram a festividade Da Jiu. Parte do espaço expositivo evoca a organização do espaço ritual no templo flutuante. 
A mostra está ainda enriquecida com documentários permitindo ao visitante ter uma melhor percepção da vivência desta celebração, uma manifestação cultural popular em vias de extinção e elemento singular do do património intangível de Macau.
A exposição conta com a co-organização do Museu Marítimo de Macau.

sábado, 18 de maio de 2013

Dia Internacional dos Museus

Macau não se resume a hotéis e casinos. Para além de dezenas de templos e igrejas e de um património arquitectónico único no mundo, o território tem nada mais, nada menos, que 20 museus. Desde o Museu de Macau ao Museu do Grande Prémio, passando pelo das Comunicações, Marítimo, Penhores, Vinho, Bombeiros, Arte Sacra, Sun  Iat Sen, Taipa e Coloane... e o das Forças de Segurança. Opções não faltam. E neste Dia Internacional dos Museus (criado em 1977) a entrada até costuma ser grátis.

Se está por Portugal pode sempre visitar espaços como o Museu do Oriente e o Museu do CCCM, ambos em Lisboa.

terça-feira, 19 de março de 2013

Fundação Oriente comemora 25 anos

A Fundação Oriente (FO) foi constituída a 18 de Março de 1988 pela Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), como uma das contrapartidas impostas pela Administração de Macau à concessão em regime de exclusivo da exploração do jogo naquele território até 31 de Dezembro de 2001. É uma pessoa colectiva de direito privado dotada de personalidade jurídica e sem fins lucrativos. A utilidade pública foi reconhecida em Portugal no Suplemento do Diário da República nº 54, II Série, de 6 de Março de 1989, e em Macau no Decreto-Lei nº 16/89/M, de 8 de Março, publicado no Boletim Oficial de Macau nº 10.
Em 20 de Junho de 1997, após consultas de ambas as partes, e com a anuência da FO, foi entendido pelo Grupo de Ligação Luso-Chinês, tutelado pelos Ministérios dos Negócios Estrangeiros de Portugal e da República Popular da China, que, com efeitos a partir de Janeiro de 1996, os rendimentos regulares previstos no contrato para a concessão do exclusivo da exploração do jogo no Território de Macau deixavam de ser atribuídos à FO e passariam a ser entregues a uma nova fundação, a constituir em Macau. Quebrou-se deste modo o elo que, desde 1988, unia a FO ao contrato do jogo em Macau.
Actualmente a Fundação Oriente Integra o grupo das 20 maiores fundações europeias e é membro fundador do European Foundation Centre. Tem sede em Lisboa e delegações na Região Administrativa Especial de Macau, na Índia e em Timor-Leste.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da FO, Carlos Monjardino fez um balanço dos 25 anos: "Foram várias fases, umas melhores do que outras, mas o balanço é claramente positivo, sobretudo no que toca à cooperação entre a China e Portugal e a especial atenção dada a Macau". O 25º aniversário vai ser assinalado com um conjunto de iniciativas no Museu do Oriente em Lisboa.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Instantâneos... por Luiza Rolim

Em 1999 a fotógrafa brasileira Luiza Rolim (a trabalhar em Portugal) visitou Macau.
O objectivo inicial não era o que se veio a revelar. Esteve durante seis meses no território (pouco antes da transferência de soberania) e 'inspirada' por uma amiga macaense (Maria Augusta Vidal) acabou por modificar o seu projecto inicial.
O trabalho, denominado "Instantâneos" deu lugar a uma exposição e respectivo catálogo (50 pp. / edição de autor) em 2000.
Em cerca de uma centena de imagens aborda-se sobretudo o lado humano do território... imagens do quotidiano. Gestos e hábitos do quotidiano que mais dia menos dia para sempre se vão perder.
O trabalho deu lugar a uma exposição que esteve patente em 25 estações do Metro de Lisboa de 2 a 29 de Agosto de 2000.
Macau instantâneos: 100 fotos diferentes instaladas no circuito Mupi do Metro e distribuidas por 25 estações / Luiza Rolim - Metropolitano de Lisboa, 2000.
Se não viu na altura pode (re)ver agora no Museu do Oriente em Lisboa (junto ao Centro de Documentação).

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Memórias a tinta da china no Museu do Oriente

Macau: Memórias a tinta-da-china é o título da exposição que reúne obras de Charles Chauderlot e que vai poder ser vista no lounge do Museu do Oriente de 1 de Fevereiro a 30 de Junho próximo. De acordo com o Museu a mostra reúne trabalhos que "tentam memorizar, através dos seus pincéis, o glorioso passado marítimo de Macau, neste ano em que se comemoram 500 anos de relações luso-chinesas, reproduzindo, em pintura, os edifícios que recordam que a cidade foi, em tempos, um próspero entreposto comercial para Portugueses e Chineses."
Ainda há muito pouco tempo falei de Charles Chauderlot a propósito de uma outra exposição em Macau. Depois disso contactei-o e fiz uma pequena entrevista. Aqui está o resultado...

How a student of law and political science at university went on to become a manager at an insurance company and than a painter?
My family told me that a full carrier as painter was not the best life now days. And after to study with a Fine Art 's teacher I did not have more choice than to enter in the University. After the University I worked in a notary office, then in builder's Companies as law advise and at least in an Insurance company specialized in constructions' risk and risk manager in an important group. After a traffic accident I felt in coma and and quietly after, I decided to return to my first wish: to be an artist.
When dit you get to Macau? Why Macau?
Since 2005 I was living in Beijing.In 2005, during the exhibition of my Forbidden City's 61 ink paintings, organized in the Bank of China Tower in Hong Kong, I have been invited to stay in Macao during two weeks. I already begin to paint some works and meet important people. Then, I have been invited to paint during three months, from September 2005 till November in Macao and show my work in an exhibition sponsorized by Alliance France, the Macao Art Museum and Macao Foundation.
Capturing the Forbidden City was...
One of my strongest and fabulous experience in my life. My best memory in China.

What inspires you in Macau?
After these three months I decided to move from Beijing to Macao. Here I discover another China. A Chinese city full of temples and rituals and in the same time a strong reminiscence of the Historical Portuguese administration : churches, colonial architecture, but also food and way of life.
Do you only do ink (and brush) paintings?
I discovered and learned the use of the Chinese brushes when I was studying Chinese in Beijing University. I realized that it was very difficult to depict the light and colors in black and white. So, as a challenge, I decided to stop to paint with european brushes, oil painting and watercolors.
Is the world heritage patrimonium in Macau well preserved?
Some people try to preserve the World Heritage in Macau, but the new economy totally based on the casino business is not always the best environment for a good preservation... I prefer don't express exactly my tough.
There are a few painters known for his Macau's works such as George Chinnery, Fausto Sampaio, George Smirnoff, etc... Are they an inspiration for your work? Who do you like most?
George Chinnery spent many years in Macao and I realized that he sketched less than Auguste Borget during some months. The watercolors of George Smirnoff depict a sleeping Macao, with urban landscapes during the second World War today demolishe...I know their works. All painted or sketched their contemporary Macao urban landscape.
My approach is a little different, I try to paint the actual urban landscape of Macao but looking for the reminiscences of his Past, that is on the way to disappear with the contemporary modernisation of the city.
Auguste Borget is probably my favorite predecessor with his numerous life full sketches of the people eating, gambling, etc.... in the streets, as today. The clothes have changed but not the attitudes.
Your favourite spots in Macau are...
The Porto Interior from A'Ma to the Pier No.30, Rua Cinco de Outubro, the small lanes around the ruins of São Paulo and the Church of Mater Dei.
You only paint what you see? Or we can paint, for instance, based on a old photo from the 40's or 50's?
I paint always on the spot and not based on old photos. I like to fell the actual life around the buildings. I like to situate the old buildings in the actual moment and environment. Painting on the spot is also catching the shadows designed by the sun, that are different in the morning and in the afternoon . For this reason I need to return on the same spot several days to finish my ink paintings.
What kind of work are you doing now? Next exhibition?
Now I paint the last buildings built on the XIX and beginning of the XX century. The next exhibition is not yet exactly fixed in my schedule but the theme is already fixed and most of the paintings selected.
Charles Chauderlot

Born in Madrid (Spain) on 1952 from a French-Spanish Family with several generations of renowned sculptors, painters, architect, C. Chauderlot began to study paintings in Bordeaux (France) at the age of 11 with a Fine Art Academy teacher. But later, his family inscribed him to the University of Bordeaux (France). He is graduated in Law and Politics Sciences.

From 1987 to 1996 in France
During this period, C. Chauderlot held 10 solo exhibitions and participated in more 50 national and international shows, receiving many prizes and awards :
12 first prizes, the golden medal in the 38th International Art Fair of Beziers, a special nomination in the 81st « Salon d'Hiver » in Paris, the distinctive silver medal "Arts, Sciences et Lettres" , etc…On 1990, he made the decision to dedicate himself exclusively to his art, thus becoming a full time artist.


On 1996 he stay in China for the first time and, on 1997, he moved to Beijing. Here, he started to use the Chinese ink and brush technique to create black and white paintings, especially the "Leaving empty space" which leaves imagination to the audience.

Between October 2002 and November 2004, he was able to paint inside the restricted areas of the Forbidden City at the first and unique exceptional invitation of the Chinese authorities.

His special work painted in The Forbidden City has been published in France, China, and showed in HK China Bank tower on 2005 during an exhibition honored by the Cultural Committee of the "French exchange cultural year in China". Then, the entire collection has been showed in Malacca and Macao. From 1998 'till 2006 he had eight solo exhibitions in Beijing, Shanghai, Macao, and he participated twice at the Shanghai International Art fair and once in Hong Kong. In November 2005 - Six ink-paintings entered in the official collections of the Art Museum of Macao after a successful exhibition display in the Millennium Gallery, and C. Chauderlot moved to Macao in 2006. At the Beijing International Art Fair, on 2006, he received the award of "The ten best artists of China"

Since, he continues to paint in Macao. The authorities have organized a special two month exhibition, on 2011, at the Leal Senado Gallery and published an important catalogue.
He is invited also in Thailand, at the International Art Festival, and paint in South-East of Asia (Laos, Thailand, Malaysia, Indonesia). He had three exhibitions in Malaysia, two hosted by the National Art Museum of Malacca, and one in Penang.

His paintings are collected by Museums and Foundations: Art and History Museum of Poissy; Several Municipalities collections in France; He Yang-Wu Xi Museum in Beijing; Macao Art Museum; Macao Foundation; Malacca National Museum Gallery; Fundação Rui Cunha.

Bibliography:
- Mémoires d'Encres - published in Beijing by Rhône-Poulenc Agro (1999)
- Pékin.ultimes regards sur la vieille cité - Ed. du Rouergue (2003) France
- La Cité Interdite.Le Dedans dévoilé - Ed. du Rouergue (2004) France
- BEIJING.Memories in ink- China Intercontinental Press (2005) Beijing
- Pékin. les derniers jours. 1996-2006 - Ed. du Rouergue (2006) France
- La Cité Interdite - China Intercontinental Press (2006) Beijing
- Pechino. Ultimi sguardi sulla citta antica (2007) Fbe edizioni. Italy
- Mosaique Chinoise- China Intercontinental Press (2007) Beijing
- Monde chinois No.22 (in contribution) -Ed. Choiseul (2010) France
- Memories and reminiscences of Macao - IACM (2011) Macau
- Gods, Deities and Rituals of Macao-Fundacao Rui Cunha(2012) Macau (2012/12)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Monsenhor Manuel Teixeira: evocação de uma vida

... título de uma conferência a cargo de Beatriz Basto da Silva agendada para o próximo dia 23 de Maio no Museu do Oriente, em Lisboa. Sala Beijing, às 18 horas. Entrada livre.

Curiosidade:
Em 1992, para comemorar o 80º aniversário do Padre Manuel Teixeira, a Biblioteca Central de Macau (BCM) publicou um boletim bibliográfico intitulado “O Homem e a Obra”, onde é possível encontrar fotografias e a referência de todas as publicações de sua autoria então existentes na Biblioteca Central de Macau.
Em 2001, antes do regresso a Portugal, Monsenhor Manuel Teixeira foi convidado pela BCM a assinar as suas obras que pertencem à Biblioteca. O seu espólio, conservado na Sala de Macau da BCM, inclui: 130 títulos, editados entre 1937 e 1999, 305 analíticos, referentes a diversas publicações periódicas e uma bibliografia passiva com 27 títulos.
Até 4 de Maio na Casa de Portugal em Macau está patente esta mostra colectiva

domingo, 11 de setembro de 2011

Macau em Boticas


Até ao dia 30 de Setembro vai esta patente ao público no átrio dos Paços do Concelho de Boticas (entre Montalegre e Chaves - distrito de Vila Real de Trás-os-Montes) a exposição "Macau Antigo".
A mostra é organizada pela autarquia em colaboração com a Fundação Oriente. 
Trata-se de uma exposição que através de um conjunto de fotografias e livros retrata a grande metrópole que é a cidade de Macau em meados do século XX.
Na imagem de cima: a colina da Penha e a Praia Grande (direita) no final da década de 1960.