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domingo, 17 de setembro de 2023

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Os Pang Tang

Os chamados cheques-prata ou Pang Tang eram títulos fiduciários (garantidos por depósitos de moeda de prata) emitidos por empresas e bancos privados na primeira metade do século 20. Sendo ilegais eram tolerados pelas autoridades locais.
Po Hang Bank (Rua dos Mercadores)

Estes títulos circulavam paralelamente à moeda oficial de Macau cujas primeiras notas só foram emitidas em 1905 e que nos primeiros anos não tiveram a confiança da população. A desconfiança era de tal ordem, que mesmo tendo de pagar uma taxa de câmbio, as pessoas preferiam os Pang Tang à pataca de Macau e, na verdade, em certas lojas nem sequer se aceitava a moeda pataca. Foi este o cenário durante cerca de 40 anos.
Banco Pou Seng (valor facial 50)

A partir do final da década de 1930, com a invasão da China pelo Japão e depois com o alastrar da segunda guerra mundial à Ásia, estes bancos privados começaram a não ter reservas em prata para cobrir as responsabilidades dos pang tang emitidos. A confiança nesta modalidade de dinheiro paralela foi diminuindo e acabou em desuso.
Yau Sun Bank (valor facial 50)

Mas nos tempos áureos chegaram a existir dezenas destes bancos privados: Chin Fong, Hang Heng, Hang Fat, Po Hang (um dos mais importantes), Pou Seng, Tin Lee, Yau Sun, etc...
Tin Lee Co

terça-feira, 13 de abril de 2021

Emissão de 5 patacas em 1981 - coleccionadores

Estamos perante uma edição especial preparada para coleccionadores.  A emissão foi feita, propositadamente, por ser auspicioso na cultura chinesa, a 8.8.1981
Em 1980 a responsabilidade de emitir notas passou para o Instituto Emissor de Macau (IEM) que, entretanto, autorizou o BNU a continuar a emitir patacas.
Para os coleccionadores existe a particularidade de neste nota existirem pelo menos cinco assinaturas diferentes do "conselho de gestão".
Na frente o "templo chinês da Barra"
No verso uma ilustração da Baía da Praia Grande no século XIX 
(comum ao verso da emissão de outros valores nesse ano)

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

BNU: marca histórica e económica e emissão há um século

Ligado a Macau desde 1901, o BNU ainda hoje está em actividade no território.
Artur Rocha Schiappa Monteiro de Carvalho foi o autor do projecto do edifício sede inaugurado em 1926.

 No cruzamento da Av. Almeida Ribeiro com a Av. da Praia Grande.
O edifício sofreu obras de renovação e ampliação em 1997* (foto abaixo). 
Actualmente está classificado como edifício de Interesse Arquitectónico.
Foto O.BS Arquitectos *

Since 1901 BNU is a landmark in Macau’s economy and history


 Frente e verso de uma nota de 100 patacas - emissão de 1919

Foram emitidas 48.000 notas desta emissão colocada em circulação em 1920 e retirada em 1948. Apresentam a curiosidade de na data aparecer "Julio" em vez de Julho.

sábado, 20 de julho de 2019

Praia Grande nas emissões numismáticas

As paisagens de Macau foram motivo de ilustração de diversas emissões numismáticas do BNU de Macau. Para este post escolhi dois exemplos de diferentes épocas da baía da Praia Grande.
Em cima, o verso de uma nota de 10 patacas (emissão de 1984) coma reprodução de uma ilustração de Peter Bernhard Wilhelm Heine (1827-1885) da Praia Grande ca. 1860. Em baixo a baía da Praia Grande num emissão de 2003.

domingo, 2 de junho de 2019

"Moedas Chinezas"

"Moedas Chinezas" é o título de um pequeno artigo publicado no jornal português "Archivo Pittoresco - Semanário Illustrado" em 1857 com uma ilustração das ditas moedas:

O governo na China só faz cunhar uma única espécie de moeda. É de cobre, misturado com zinco c chumbo, e tão frágil, que chega a desfazer-se com a circulação. No centro tem um buraco quadrado, como se vê na estampa, onde esta moeda está desenhada no tamanho natural. Os chins chamam-lhe tsin, mas em Macau dão-lhe o nome de sapecas. O furo no centro serve para as enfiar n'um cordel ou junco, para mais fácil transporte e contagem. Vêem-se ás vezes os chins, que andam a compras, trazerem uma longa enfiada de sapecas ao pescoço. Usam tambem ordinariamente enfial-as aos centos, e correm como entre nós os cartuchos de pequenas moedas de prata. Dez cachas, peso infimo da prata, fazem um condrim de prata; dez condrins compõem um maz, e dez mazes um tael, que é a unidade máxima do peso para regular a prata ou ouro; metaes de que não se cunha dinheiro, mas que correm como tal, em barra ou pedaços, que tem uma certa forma, e que são tomados a peso em todas as transacções. O tael representa uma onça chincza de prata fina, e vale aproximamente 1:400 réis da nossa moeda. Note-se que desde tempos immemoriaes usam os chins do systema decimal, assim nos pesos, corno nas medidas lineares, o qual apenas agora começa a generalisar-se na Europa. 
As patacas hespanholas são o dinheiro europeu que mais concorre aos portos da China, onde é livre o commercio com a Europa. São ellas recebidas como dinheiro ou prata corrente ao peso de sere mazes e dois condrins, que é o de uma boa pataca. Apenas qualquer chim recebe patacas, logo as carimba com a firma ou signal de que usa, ou o seu estabelecimento, de modo que dentro em pouco o cunho totalmente desapparece, e tornam-se n'umas informes chapas de praia, que por si mesmas se quebram, ou que se panem quando ha necessidade de dar trocos com mazes e condrins. Reduzidas a este estado, chamam-lhe prata quebrada, que é o que mais gira era Macau. 
Por isto é raro ver na China uma pataca perfeita, ou limpa, como lá dizem, isto é, sem carimbos; mas nem por isso as que ha tem mais valor que a prata quebrada, à excepção das do cunho de Carlos IV, de Hespanha, que para os chins tem mais valia, e não querem outras no mercado de Shangae. 
A relação entre a pataca e as sapecas, que são a raiz ou bilhão do systema monetário chinez, varia segundo o estado das transacções com o commercio europeu, e a maior ou menor abundância de prata na China. Actualmente abunda esta, porque muita vae da Europa, e trocam-se as patacas em Macau somente por 1:100 sapecas, correspondendo assim cada uma d'estas a oito décimos de um real; mas de ordinário ainda menos valem. Apesar de tão infimo valor, ha cousas que se compram por uma sapeca, principalmente comestíveis. Este systema de moeda permite o commercio dos infinitamente pequenos, e qualquer chim, em possuindo algumas dúzias de sapecas, improvisa-se em negociante.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Primeira emissão de notas: 1906

As notas da primeira emissão do BNU de Macau foram feitas em Londres e entraram em circulação a 19 de Janeiro de 1906, com os valores faciais de 1, 5, 10, 20, 50 e 100 patacas. Na história das emissões do banco ficou conhecida como "Emissão Antiga Simples".
Tudo começou a 30 de Novembro de 1901 data em que foi assinado um acordo entre o governo português e o Banco Nacional Ultramarino que originou a criação da filial do banco em Macau e que seria inaugurada a 8 de Agosto de 1902. O BNU foi o primeiro e durante 71 anos o único banco europeu no território.
Não obstante a presença portuguesa em Macau remontar a meados do século 16, durante mais de 300 anos o Governo de Macau nunca emitiu moeda oficial. As trocas comerciais internas e externas realizavam-se com recurso às chamadas notas Pangtans e às moedas de prata e cobre, chinesas e estrangeiras.
Assim, com o objectivo de criar uma base fiduciária sólida, através do decreto de 20.2.1902 o Governo de Macau autorizou o BNU a emitir notas de curso legal, denominadas em Patacas, designação que se terá ido buscar à Pataca Mexicana, muito popular no Extremo Oriente.
Emissão de 10 patacas: frente e verso
Os modelos de notas criados para Macau seguiram a experiência de Hong Kong, nomeadamente as notas de 1, 2 e 5 dólares de Hong Kong, emissões do Hong Kong & Shangai Banking Corporation (HSCB), aceites em todo o sul da China, incluindo Macau.
As notas da primeira emissão do BNU de Macau foram feitas na empresa impressora londrina “Barclay & Fry, Ltd”. Entraram em circulação em 19 de Janeiro de 1906 e tinham os valores de 1, 5, 10, 20, 50 e 100 patacas. Entre as características pontuavam as assinaturas impressas do Governador e Vice-Governador do BNU e manuscritas do Gerente da Filial de Macau. O papel utilizado era de fraca qualidade e só as de 100 patacas apresentavam marca de água. Feita a emissão e distribuída por Macau não seria bem aceite e seriam precisas várias décadas para que a situação se alterasse.


quarta-feira, 4 de julho de 2018

'Bancos' privados: Chan Tung Cheng, Foo Hang...


Por decreto de 29 de Agosto de 1901 foi concedido ao BNU o privilégio da emissão de notas em Macau (até então havia apenas moedas), tendo desta forma tentado por-se cobro à proliferação de várias moedas que circulavam no território.
Apesar da criação desta 'nova' moeda continuaram a existir em Macau moedas dos territórios vizinhos, designadamente ‘tai youngs’, ‘dólares de Hong Kong’, divisionárias de prata chinesa e até ‘
certificados de prata’ (pang tang), que circulavam livremente, emitidos por bancos privados e eram aceites pela generalidade do comércio e até de particulares para satisfação dos pagamentos. É o caso destas imagens de 1934 do 'banco' Chan Tung Cheng'.
A circulação deste ‘certificados de prata’, ou ‘pang tang’ só seria abolida em Macau com a proibição da circulação de outras moedas através do diploma legislativo n.º 840, de 26 de Fevereiro de
1944. A partir desta altura a moeda com curso legal no território passou a ser efectivamente a pataca.
Em baixo uma emissão no valor monetário de 10 emitida pelo Foo Hang Bank em 1937.





sexta-feira, 25 de maio de 2018

"Banco de Macau e China": 1867

Publicado no Boletim do Governo
A 21 de janeiro de 1867 o governador faz publicar um "annuncio" no Boletim do Governo - imagem acima - onde convoca todos os cidadãos portugueses e chinas que queriam fazer parte da assembleia constitutiva "do futuro banco de Macau com o fim de se discutirem os estatutos". Esses mesmo estatutos seriam publicados a 28 de Janeiro de 1867 - imagem abaixo - sob o nome de Banco de Macau e China.
Recorde-se que o Banco Nacional Ultramarino tinha sido criado em Portugal, poucos anos antes, em 1864. Segundo a Carta de Lei de 1864 o BNU estava obrigado ao estabelecimento de sucursais e agências nas principais praças em Portugal e no ultramar,  com excepção de Macau. No seguimento de novo contrato assinado entre o BNU e o Estado português, na revisão que foi a Lei de 26 de Janeiro de 1876, o BNU chegaria a Macau em 1902.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Emissão de Notas “Belchior Carneiro”

Em 1963 - decreto-lei n.º 39 221 - foi autorizada a emissão de novas notas de 10 e 500 Patacas com a efígie do Bispo D. Belchior Carneiro (1516-1583) considerado o primeiro bispo da China e Japão.
A efígie foi colocado em medalhão oval à direita e em marca de água à esquerda; as armas nacionais ao centro e em baixo.  No verso a figuração simbólica da época dos Descobrimentos em posição central e o selo BNU.
As notas tinham diferentes dimensões e cores: a nota de 10 patacas tinha o azul como predomínio e a de 500 patacas foi impressa em tons verde escuro.
A emissão das notas de 10 Patacas foi reforçada com novas emissões semelhantes em 1967, 1969, 1972, 1975 e 1977.
As notas de 500 patacas tiveram reforço de emissão em 1973 e 1979 por razões de segurança: para evitar falsificações foi introduzido um filete de segurança.
A efígie do bispo D. Belchior Carneiro na emissão de notas com o valor de 5 patacas foi colocada em circulação a partir de 1972. Curiosamente já antes tinha sido autorizada a emissão de moedas de prata com esse valor, mas não foram bem aceites pela população dado o seu peso. Em 1971 seria feita nova emissão de moedas de 5 patacas de peso menor e acabaram por circular em simultâneo com a nota de mesmo valor facial.

Estas notas foram impressas na empresa britânica Thomas de La Rue & Co Ltd. A nota impressa em tons de castanho, apresenta na frente a efígie de belchior Carneiro oval, colocada à direita e selo "BNU –Lisboa 1864" à esquerda em moldura elíptica a substituir a marca de água. O verso apresentava o valor da nota em algarismos em ornatos concêntricos lateralmente (à direita e esquerda).
  Em cima imagens da "prova" e do resultado final da emissão de notas de 5 patacas
 Em cima imagens da "prova" e do resultado final da emissão de notas de 500 patacas
Retrato do Bispo D. Belchior Carneiro dentro de moldura oval, à direita. Marca de água do Bispo dentro dum círculo, à direita. Escudo de armas português, em baixo ao centro. Filamento de metal perpendicular, à direita do centro. Duas assinaturas impressas. Côr verde.120 mil notas emitidas a 8-4-1963 e impressas pela Bradbury, Wilkinson & Co., Ltd.

D. Belchior Carneiro Leitão, também conhecido como Melchior Carneiro, foi um bispo jesuíta português que se destacou pela sua acção missionária, caritativa e de beneficência em Macau.
De nacionalidade portuguesa (nasceu em Coimbra em 1516). Professou votos como Jesuíta em 14 de Março de 1453 e foi ordenado padre em 25 de Abril. Foi o primeiro reitor do Colégio dos jesuítas de Évora (que deu origem à Universidade de Évora).
Em 1555, foi nomeado bispo-titular de Niceia e bispo coadjutor do Patriarca da Etiópia pelo Papa Júlio II. Foi consagrado Bispo a 4 de Maio de 1555 pelo bispo D. Gaspar Jorge de Leão Pereira em Goa. Em Setembro de 1565, a pedido do Papa, viaja para Macau onde exerceu o seu ministério episcopal em prol das missões católicas na China e no Japão. Durante a viagem, esteve em Malaca durante o ano de 1567 onde contactou o bispo local (D. Jorge de Santa Luzia) que lhe entregou a jurisdição eclesiástica sobre Macau.
Chegou a Macau em 1568. Em 1569 fundou o Hospital dos Pobres (posteriormente o Hospital de São Rafael), que acolhia doentes cristãos e pagãos, e a Santa Casa da Misericórdia (primeira instituição europeia caritativa e de beneficência de Macau) com o objectivo de atender às necessidades dos pobres da Cidade. Fundaria ainda a leprosaria junto à Igreja de São Lázaro.
Embora tivesse o título de administrador apostólico para a China e Japão até 1576 (ano da criação da Diocese de Macau) é considerado o primeiro bispo destes territórios. Manteve-se no território como Governador da Diocese até 1581 quando chegou ao território o primeiro bispo de Macau (D. Leonardo de Sá). Em 1577 foi nomeado Patriarca da Etiópia após a morte de Andrés de Oviedo, no entanto, nunca chegou a visitar este território.
Após a chegada de D. Leonardo de Sá, D. Belchior Carneiro retirou-se para a Residência da Companhia de Jesus fundada em 1565 pelos jesuítas Francisco Peres, Manuel Teixeira e André Pinto, localizada ao lado da Igreja de Santo António. Nesta residência, veio a falecer na sequência de uma agudização de asma em 19 de Agosto de 1583 aos 67 anos de idade. Foi sepultado junto ao altar-mor da Igreja da Madre de Deus em Macau.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Moeda: 1 pataca de 1968

Para o post de hoje escolhi uma moeda de uma pataca relativa a uma emissão de 1968. Há 50 anos...
Recordo que só em 1952 foram introduzidas as moedas em Macau, nos valores de 5 e 10 avos de bronze, 50 avos de cuproníquel e as moedas de 1 e 5 patacas de prata de 720 milésimos. O latão de níquel substituiu o bronze em 1967, incluindo a última emissão de 5 avos. Em 1968, o níquel substituiu a prata em 1 pataca. Em 1971, foi produzida a emissão final da moeda de 5 patacas de prata de 650 milésimos.

Peso:10,3 gramas - Diâmetro:28,5 mm
Frente: Brasão de Armas (escudo da colónia em globo metálico coroado)
legenda: (topo, o nome de colónia entre espaçadores/estrelas de 5 pontas) * MACAU *
(esquerda/direita) Caracteres chineses (nome e valor); (baixo, valor entre 2 espaçadores/5 pontas estrelas) * 1 PATACA *
Verso: Escudo Português sobre globo metálico numa Cruz das Descobertas
legenda: (acima, o nome titular) REPÚBLICA • PORTUGUESA (fundo, ano entre pequenos espaçadores)