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domingo, 21 de junho de 2026

Bandas musicais macaenses das décadas 1960 e 1970

Na imagem Rui Espírito Santo, o baixista da célebre banda dos anos 60, os "Irmãos Espírito Santo".
Nas décadas de 1960 e 1970 ficaram ainda para a história da música em Macau grupos como os The Thunders, Telecasters, Young Ones, Heartbeats, The Myths, Flipsiders, The Lovers, Colourful Diamonds, etc... 
Nesta era de ouro dos agrupamentos musicais macaenses registaram-se concertos em locais como os hotéis Estoril, Caravela, Club de Macau, Teatro D. Pedro V, Cinema Nam Van, Teatro Cheng Peng, etc... 
The Thunders / Os Trovões

Recupero uma notícia de uma publicação de Hong Kong em 1967 relativa aos "Irmãos Espírito Santo".

Esperitosanto — Five Popular Macau Men
Here are five of the most popular young men in Macau — and they're all brothers. They're the Irmaos Espiritosanto, formed five years ago and now one of Macau's top groups.
Reading from the right, they're Rui (25), Jose (20), Reinaldo (18), Alfredo (16) and Antonio (15).
Rui, the married member of the group, is very proud of his eldest son, Panchito, who is already showing signs of following in dad's footsteps. Despite his tender years, young Panchito can already play the drums and shows ability with several instruments. Rui plays bass guitar in the group and sometimes fills in with a song. Jose, whose ambition is to become Macau's top guitarist, is the group leader and soloist. He is still at school, but hopes to make a career of music. Reinaldo, the rhythm guitarist, is a bird-lover and keen painter. He has done some fine paintings of the Macau's bullfights. Alfredo, who plays the drums, has an unusual hobby — he collects insects and butterflies. The "baby" of the family, Antonio, plays the maraccas and sometimes rhythm.
Tradução/Adaptação

Espírito Santo - Cinco Homens Populares de Macau
Aqui estão cinco dos jovens mais populares de Macau — e são todos irmãos. Eles são os Irmãos Espirito Santo, formados há cinco anos e hoje um dos principais grupos de Macau.
Lendo a partir da direita, eles são Rui (25), José (20), Reinaldo (18), Alfredo (16) e António (15). Rui, o membro casado do grupo, tem muito orgulho do seu filho mais velho, Panchito, que já mostra sinais de seguir os passos do pai. Apesar da sua tenra idade, o jovem Panchito já sabe tocar bateria e mostra habilidade com vários instrumentos. Rui toca baixo no grupo e, às vezes, complementa com uma canção. José, cuja ambição é tornar-se o melhor guitarrista de Macau, é o líder do grupo e solista. Ele ainda está na escola, mas espera fazer carreira na música. Reinaldo, o guitarrista rítmico, é um amante de aves e um pintor dedicado. Ele fez belas pinturas sobre as touradas de Macau. Alfredo, que toca bateria, tem um passatempo invulgar — coleciona insectos e borboletas. O "bebé" da família, António, toca maracas e, às vezes, ritmo.

domingo, 12 de abril de 2026

O órgão da Igreja de S. Paulo de Macau

Publicada em chinês pela primeira vez em 1751 a obra "Aomen Jilue/ Ou-Mun Kei-Leok: Monografia de Macau"* foi escrita por dois magistrados chineses do antigo distrito de Héong-Sán que visitaram por diversas vezes a cidade de Macau.
Uma parte menos abordada da obra inclui poemas de diversos autores. Casos de Ian Kuong Iam, Tcheong Ü Lam, Sêk Kâm Tchông, Chan Kong Yin, Leong Pai Lan, Fang Tchin Yuan e Tch'ak Tch'ak. Um deles, Léong Tekm escreve um poema onde descreve o órgão de tubos da Igreja de S. Paulo de Macau.
"Na igreja de S Paulo encontra-se um órgão colocado dentro de um caixão de couro no qual está alinhada mais de uma centena de tubos ligados e dispostos como um fio de seda. Na parte exterior há um fole que aspira ligeiramente o vento que uma vez entrado produz o som. Desse caixão saem os oito sons que se espalham harmonizando-se com as rezas e cânticos agradáveis de ouvir." 
O autor compara o órgão através do Sheng (ou sâng), um instrumento de sopro chinês milenar composto por tubos de bambu verticais inseridos numa base de madeira. Tal como o sheng, o órgão utiliza tubos e palhetas. A comparação com o alcião (um pássaro) refere-se à forma visual dos tubos dispostos em "V" ou em leque, lembrando as asas abertas do pássaro.

"O órgão português é semelhante ao sâng do alcião.
Com as suas duas asas pouco falta para se parecer com o alcião.
Os seus tubos verdes e dourados estão em lugar de pedaços de bambu.
Curtos e compridos, grandes e pequenos, alternam-se mutuamente.
A madeira substitui a cabeça e o fole é de couro.
Já levantando, já comprimindo, o vento gira sendo expelido.
Quando se produz o vento, agitam-se as palhetas, saindo os sons pelos buracos.
As teclas de marfim comprimindo o ar produzem fortes sons musicais.
Tocando a música no andar superior de S. Paulo, dentro e fora de dez lis** ouvem-se os sons.
Os sons não são semelhantes aos produzidos pelos instrumentos de cordas de seda, de madeira, mas de metal ou de pedra.
Ao entrarem são fracos mas quando saem são fortes, cheios e límpidos.
Espalham-se ouvindo-se em toda a ilha, sendo grande a sua perfeição.
É também subtil a lei que rege a construção dos órgãos. (...)"
Igreja Mater Dei representada no livro Ou Mun Kei Leok

Edificada segundo um plano rectangular, a Igreja de S. Paulo (ou de Nossa Senhora da Assunção, ou da Madre de Deus) era constituída por três naves separadas por grossas colunas de madeira, quatro de cada lado. O topo era também rectangular e o transepto estava separado da capela-mor por um arco majestoso. No primeiro andar encontrava-se o coro, com as suas três janelas abertas na fachada da Igreja e dois órgãos, o grande e o pequeno.
Na descrição que deixou do interior da igreja, o Padre Montanha escreve que o coro era "muito capaz com trez janellas rasgadas, tem dous orgaons, hum grande, e outro piqueno". Isto é, o coro alto era muito espaçoso e também muito iluminado, o suficiente para abrigar um órgão grande e um pequeno.


* Em 1751 surge a primeira edição xilográfica da Monografia de Macau (Ou-Mun Kei-Leok), por Tcheong Ú Lam e lan Kuong Iam; surgiu uma 2.ª edição em 1884. Esta obra foi traduzida e publicada em português, em 1950, por Luís Gonzaga Gomes.

** medida chinesa: cada li corresponde a 500 metros.

O órgão é um dos instrumentos musicais mais antigos da tradição musical do Ocidente, sendo considerado o primeiro instrumento de teclas. O  som é produzido pela passagem de ar comprimido através de tubos sonoros de diversos formatos, materiais e comprimentos que faz ecoar os sons. É um instrumento de sopro com a diferença de que o ar não é injectado pelo sopro humano, mas sob a forma de ar comprimido, que acumulado pelo fole, é reencaminhado para os tubos respectivos. Existem de vários tamanhos: desde uma caixa (órgão de baú) até aos que podiam ter vários andares de tamanho. Pela descrição, o da Igreja Matr Dei seria um de pequenas dimensões.

sábado, 11 de abril de 2026

Banda de Música no Passeio de S. Francisco e na Flora: 1878

 Publicado na "Parte Não Official" do Boletim Oficial de Macau na época...

Banda de musica da guarnição, destacada no 3.º batalhão do regimento de infanteria do ultramar

PROGRAMMA
Domingo, 26 de maio, das 5 ás 7 horas p.m., no passeio de S. Francisco
1º Passo dobrado;
2º Overtura Les Aveugles de Toledo;
3º Mazurka, Les belles Parisienes;
4º Selection Don Pasquale;
5º Quadrilha, das Estradas;
6º Grand Selection "Norma";
7º Polka, La Belle Colete;
8º Hymno de S. M. El-Rei o Sr. D. Luiz I.

Quinta-feira, 30 do corrente, das 5 ás 7 horas p.m., na Flora
1º Marcha;
2º Selection "Gerusalemme";
3º Cançoneta;
4º Valsa, Adagio;
5º Schottisch, La nuit de Noel;
6º 2.º Acto d'Opera burlesca "O Fausto Petiz";
7º Quadrilha;
8º Hymno da carta constitucional.

Em 1878 os concertos da Banda de Música "destacada no 3.º batalhão do regimento de infanteria do ultramarn" no Passeio de S. Francisco (perto do atual Clube Militar na altura denominado Grémio) e no Jardim da Flora (ou Flora Macaense como se dizia na época) eram os grandes eventos sociais onde a elite e a demais população se reuniam para ver e ser vista.
O programa revela um gosto musical muito alinhado com o que se ouvia em Paris ou Lisboa na mesma época. Incluía ópera Italiana e Francesa - referências a Don Pasquale (Donizetti), Norma (Bellini) e Les Aveugles de Tolède (Méhul) e danças de salão através das Mazurkas, Polkas, Valsas e Schottisch (Xote),reflectindo um ambiente festivo e sofisticado. O "Fausto Petiz" é uma referência a uma paródia ou versão reduzida da ópera de Gounod, muito comum no teatro de revista e operetas da época.
Ambos os concertos encerravam com hinos patrióticos: o Hymno de D. Luiz I (Hino Real) no domingo e o Hymno da Carta Constitucional na quinta-feira, que era o hino nacional do Reino de Portugal na altura. Os concertos ocorriam das 17h às 19h aproveitando o final da tarde, quando o calor em Macau começava a dar tréguas.
Uma banda desta natureza teria entre 20 a 30 elementos. Não disponho de elementos o possam comprovar mas na época eram habituais terem estes instrumentos: requinta, clarinetes, flautim, flauta, oboé, fagote, cornetins, trompetes, trompas, trombones, bombardinos, tuba, tarol, bombo e pratos.
Palacete da Flora com o coreto (assinalado) nos jardins 
Ilustração por IA a partir de foto da época

Locais:
O Jardim da Flora (macaense) ocupa uma área muito maior do que o actualmente existente, nomeadamente ao longo da Av. Sidónio Pais (que na época se denominava Alameda Vasco da Gama) e Estrada de Ferreira do Amaral. As origens remontam à década de 1850 quando o padre Victorino José de Sousa e Almeida - chegou a Macau a 2 de Janeiro de 1832 e foi pároco de S. Lourenço de 1842 a 1852 - comprou um extenso terreno e aí construiu um palacete. Documentos da época referem a "horta do padre Almeida". 
Por volta de 1870 o Governo de Macau comprou a propriedade. O palacete foi transformado em residência de Verão do governador e o restante espaço passou a funcionar como jardim e viveiro de plantas. Nos jardins anexo ao palacete havia um coreto, o local provável da actuação da Banda de Música.
Jardim S. Francisco. Fotografia ca. 1870

O "Passeio de S. Francisco" é uma referência ao jardim com o mesmo nome, criado ca. 1865, entre a Rua do Campo (frente ao antigo Convento de Santa Clara) e o Grémio Militar (de 1870). Foi o primeiro jardim público de Macau. Neste jardim também existiu um coreto localizado perto da Rua do Campo.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

IX edição da Conferência de Lisboa: Música e Instrumentos Musicais Chineses

Realiza-se entre 5 e 8 de Maio próximo, em Mafra e Lisboa, a IX edição da Conferência de Lisboa sobre Música e Instrumentos Musicais Chineses.
Organizada pelo Instituto de Etnomusicologia - Instituto de Etnomusicologia - Centro de Estudos em Música e Dança (INET-md) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, a Conferência é coordenada pelo Dr. Énio José de Souza, e conta com o patrocínio principal da Fundação Jorge Álvares.
As Conferências reúnem académicos, músicos e entusiastas da música chinesa com o objetivo de fortalecer e priorizar as seculares relações culturais entre Portugal e a China/Ásia, com especial destaque para Macau como ponte histórica e cultural entre o ocidente e o oriente, explorando o rico património cultural e as tradições em constante mudança associadas aos instrumentos musicais chineses.
PS: Portugal tem um importante acervo de instrumentos musicais chineses em colecções públicas e privadas.
Sugestão de leitura:
Instrumentos Musicais Chineses, de Veiga Jardim.
Edição (filatélica) da Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações de Macau. 1998
Edição em português, inglês e chinês.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

"Escola de Piano" em 1894

Este anúncio foi publicado na edição de 25 de Abril de 1894 do jornal Echo Macaense. O autor, Francisco Xavier dos Remédios, informa "que se promptifica a dar lições de piano" aguardando "as ordens no Hotel Boa Vista". 

O hotel começou a funcionar quatro anos antes, em Julho de 1890, tendo sido adquirido por um capitão inglês da marinha mercante à família Remédios, que ali continuou a viver. William E. Clarke comandava o navio Heungshan que fazia a carreira entre Macau e Hong Kong. Francisco (1867-1932) era um dos 10 filhos do casal Maximiano António dos Remédios (1808-1875) e Maria Bernardina dos Remédios (1829-1903), proprietários do edifício construído ca. de 1870 para fins residenciais. Apesar da venda ao inglês a família continuou ali a viver.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

"Exhibição d'um apparelho phonographico"

Echo Macaense: 12 Setembro 1893

O professor Sers.
Este cavalheiro fez na noite de domingo último, a exhibição d'um apparelho phonographico no theatro D. Pedro V, offerecendo ao publico de Macau occasião de ver e apreciar de perto uma das mais importantes invenções de Edison.
O professor Sers foi convidado para casa da sra. Condessa de Senna Fernandes, aonde levou o phonographo.
Pretende exhibir o apparelho no Club china, se lhe pagarem o que exige.
Acha-se hospedado no hotel do Hengkee, e dizem que parte amanhã para Hongkong.

Inventado em 1877 por Thomas Edison, o fonógrafo/gramofone teve na década de 1890 uma produção mais consistente e melhorias técnicas. Curiosamente foi também em 1893 que a invenção chegou a Portugal registando-se com a abertura do "Salão do Phonógrapho" em Lisboa (Av. da Liberdade) em Novembro desse ano. Por 200 réis podia ouvir-se música durante 25 minutos.

Notas:
A condessa era D. Ana Teresa Vieira Ribeiro de Senna Fernandes: Nascida em Macau em 17 de Junho de 1846, casou-se em 1862 com Bernardino de Senna Fernandes e tornou-se Condessa, falecendo em Macau a 4 de Fevereiro de 1929. Vivia no nº 73 da Rua da Praia Grande.
Também na Rua da Praia Grande, e perto da residência referida (nº 65 na década de 1890 e posterior nos números 101 e 103), ficava o Hotel Hengkee / Hing Kee, propriedade de Peter (Pedro) Hing Kee.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

"Anniversario Natalício do Sr. D. Fernando"

No "Boletim Official do Governo de Macao" de 31 de Outubro de 1838 pode ler-se na "Parte Official" a circular do governador sobre a celebração do "Anniversario Natalício do Sr. D. Fernando" bem como uma 'notícia' sobre as referidas celebrações.
CIRCULAR
Sendo o dia 29 do corrente o Anniversario Natalicio de SUA MAGESTADE o Senhor D. FERNANDO, AUGUSTO Espozo de Nossa Adornada RAINHA, determina o Illmo. Senhor Governador que seja solemnizado nesta Cidade da maneira Seguinte.
O toque d' Alvorada será feito segundo o costume pela Musica do Batalhão PRINCIPE REGENTE, assim mesmo o de recolher. Todas as Fortalesas desta Cidade conservarão as suas Bandeiras içadas desde o nascer do Sol ate o seu occaso, e no meio dia os de S. Paulo do Monte, S. Francisco, e Forte de S. Pedro darão huma Salva de 21 tiros. — O Serviço será feito de grande uniforme.
Nam podendo a Curvetta d' Guerra Infanta Regente surta dentro do Porto faser neste dia a Salva do costume em consequencia de achar-se ainda em fabrico, o Sr. Commandante d'esta Curvetta afarà embandeirar do modo possivel, e ordenará outras demonstrações que forem compativeis com o estado de trabalho em que está a sua Guarnicam.
Quartel do Governo em Macáo 27 de Outubro de 1838.
João Rodrigues da Costa Caminha.
1º. Tenente Ajudante das Ordens Interino.
Assinada pelo "redactor" do Boletim foi esta a descrição dos eventos:
A madrogada de Segunda feira 29 do corrente foi nos annunciada por hum continuo rasgão de Alvorada, tocado pela Musica do Batalhão PRINCIPE REGENTE, que transitou o caminho da Praia Grande, sobre hum e outro lado, da residencia do Governo, e foi terminar no Quartel de Santo Agostinho. Quando o Sol vinha nascendo e a penas dourando os picos das montanhas, appareceram estantaneamente todas as Fortalesas com suas bandeiras içadas, e no mesmo momento a Curvetta de Guerra Infanta Regente gostosamente embandeirada tem-se destinado a sua Lancha armada á Escuna, e corrida de Bacamartes e huma peça de rodizio á Proa, da mesma maneira embandeirada: Tambem embanderou o Navio Angelica, e Tranquillidade, e todos os mais, bem como as outras embarcaçoens que se acham surtos neste Porto. Nacionaes e Estrangeiros, içaram suas bandeiras; e outro Britannico embandeirou. Ao 1º. signal do meio dia começou a salvar o Forte de Sam Pedro, Fortalesa do Monte e a de Sam Francisco, e a supra mencionada Lancha; a Curvetta de Guerra Ingleza que se achava no Largo da Barra fora de alcance tambem embandeirou e pela huma hora da tarde salvou com 21 Tiros, ao que deu lugar o Anniversario Natalicio de SUA MAGESTADE o Senhor D. FERNANDO, como logo constou pela noticia da Circular abaixo transcripta, e desta maneira por tam plausivel motivo, tiveram os moderados e fiéis habitantes desta Cidade hum completo dia de jubilo."

domingo, 7 de julho de 2024

"Tony Arevalo and his Orchestra"

Músico, compositor e arranjador Antonio (Tony) Arevalo nasceu em 1912 em Manila (Filipinas). Foi autor de várias músicas para filmes e um dos mais conceituados na Ásia numa época em que as orquestras faziam furor.
O anúncio de 1950 dá conta de presença de Tony e respectiva orquestra no Salão de Dança Central, no hotel com o mesmo nome na Av. de Almeida Ribeiro. O hotel Riviera também proporcionava espectáculos musicais semelhantes
Em Hong Kong este e outros músicos actuavam também em hotéis e em casas de espectáculos como a Champagne, Paramount e Princess Garden, entre outras.
Curiosidade: No ano de 1950 nasceu o filho de Tony que adoptou o nome do pai e seguiu também uma carreira musical vivendo actualmente em Hong Kong.

quinta-feira, 18 de abril de 2024

Rigoberto Rogério do Rosário Júnior: 1949-2024

Rigoberto Rogério do Rosário Júnior, mais conhecido por Api ou Rigo, morreu na passada segunda-feira em São Paulo, Brasil, país onde o músico macaense estava radicado desde os anos 70 do século 20. 
Nascido em Macau a 11 de Agosto de 1949, Rigoberto é o autor da conhecida canção “Macau (terra minha)” e fez parte da banda The Thunders.
Toda a história da banda pode ser consultada aqui no blog (utilizar o campo de pesquisa) 
O tema "Macau (Terra Minha)" é um hino para os macaenses criado (música e letra) por Api tendo feito muito sucesso pelos The Thunders a partir da década de 1970.
Os Thunders estiveram activos entre 1966 e 1971 
Thunders com gov. Nobre de Carvalho
 O EP gravado pela editora EMI

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Pequenos Cantores de D. Bosco: 1962

 

Audição de Música pelos Pequenos Cantores (Grupo Coral do Colégio D. Bosco) no ginásio do Liceu em Maio de 1962. Era regente o padre César Brianza.

quarta-feira, 7 de junho de 2023

"Cadeiras" no Campo de S. Francisco

Notícia publicada na edição de 15.10.1863 do jornal "Ta-Ssi-Yang-Kuo: semanario macaense d'interesses publicos locaes, litterario e noticioso" sobre a colocação de "cadeiras no campo de S. Francisco em todas as tardes de música".
O campo de S. Francisco era uma vasta área plana onde viria a surgir o Jardim de S. Francisco - o primeiro jardim público do território - e o coreto onde as bandas militares tocavam. Mas antes disso acontecer, esses espectáculos ocorriam a céu aberto num terreno descampado, daí a necessidade de criar condições para ali serem colocadas "cadeiras" nos dias de concertos. 
Nests pintura do início do séc. 19 assinalei o Campo de S. Francisco

O programa acima referido é do Verão de 1863 - publicado no Boletim Oficial - e diz respeito à "Banda de Música do Batalhão de Macao".

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Pedro José Lobo: o músico

Pedro José Lobo (1892-1965) foi empresário, político, filantropo, funcionário público, dirigente associativo, dinamizador cultural e músico...
Dirigiu operetas e escreveu várias obras musicais tendo algumas ficado para a posteridade em vários álbuns editados em Hong Kong e Reino Unido. Uma das suas composições mais importantes foi uma opereta em três actos, denominada de "Cruel Separação", que foi apresentada pela primeira vez ao público em 1950/1951.
Pedro Lobo (de costas) no teatro Cheng Peng em Macau

Nessa década foi um dos fundadores do Círculo cultural de Macau e da rádio Vila Verde (tinha ainda uma orquestra com este nome). Gravou ainda a obra Gems of the Orient.


Um dos milhares de objectos da minha colecção de memorabilia de Macau


Pedro Lobo a dirigir a Orquestra Vila Verde na década 1950

terça-feira, 18 de abril de 2023

Recital "Porto Interior": 22 Abril - Palácio Nacional de Mafra

No âmbito do encerramento da exposição "Instrumentos Musicais Chineses", irá realizar-se o "Recital Porto Interior", com a participação dos músicos Rão Kyao e Lu Yanan, no próximo dia 22 de abril de 2023, pelas 21:30, no Torreão Sul do Palácio Nacional de Mafra.
Esta iniciativa é uma organização da Câmara Municipal de Mafra com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares.
O "Recital Porto Interior" consiste num encontro musical que celebra a amizade secular luso-chinesa, inspirado por Macau com temas originais e repertórios do folclore clássico português e chinês, com uma incursão na improvisação, que serão interpretados por Rão Kyao (flautas de bambu) e a instrumentista e cantora chinesa Lu Yanan (guzheng), que atuou, como solista, da Orquestra Filarmónica de Pequim, tendo a Fundação Jorge Álvares proporcionado o encontro entre estes dois músicos - "Porto Interior" - em 2006.
A exposição "Instrumentos Musicais Chineses", patente até ao dia 30 de abril, no referido Torreão, integra o acervo museológico do Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, na qual se encontram representadas peças originais utilizadas pela Orquestra Chinesa de Macau nas suas diversas atuações na Europa ao longo das décadas de 80 e 90 do século XX.
Esta mostra foi inaugurada no âmbito do 3.º aniversário da inscrição do Real Edifício de Mafra na Lista do Património Mundial da UNESCO, sendo uma organização da Câmara Municipal de Mafra, com o apoio da Fundação Jorge Álvares e do Centro Científico e Cultural de Macau.
O projeto tem o contributo científico de Enio de Souza, representante do Instituto de Etnomusicologia, Centro de Estudos em Música e Dança da Universidade Nova de Lisboa, que assume as funções de Comissário Científico da exposição, bem como de Frank Kouwenhoven, Diretor da European Foundation for Chinese Music Research (CHIME).
No mesmo dia 22 de abril, antes do recital, serão realizadas duas visitas guiadas à exposição "Instrumentos Musicais Chineses" pelo respetivo comissário, as quais ocorrerão pelas 18:30 e 20:30, respetivamente.
A entrada é gratuita, mediante levantamento de ingressos nos Postos de Turismo de Mafra e Ericeira.

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Exposição "Instrumentos Musicais Chineses" em Mafra

Está patente no Real Edifício de Mafra a exposição Instrumentos Musicais Chineses, uma organização da Câmara Municipal de Mafra, Centro Científico e Cultural de Macau e da Fundação Jorge Álvares.
A coleção patente na Galeria Torreão Sul integra o acervo museológico do CCCM, representando 167 peças originais utilizadas pela Orquestra Chinesa de Macau nas suas diversas atuações na Europa ao longo das décadas de 80 e 90 do século XX. Entre os instrumentos expostos incluem-se: aerofones, cordofones friccionados, dedilhados e percutidos, bem como instrumentos de percussão em metal, em madeira e em pele.
A exposição conta com o comissariado de Enio de Souza, do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança da Universidade Nova de Lisboa, e com a colaboração de Frank Kouwenhoven, Diretor da European Foundation for Chinese Music Research (CHIME).
A mostra está patente até 30 de Abril de 2023 e pode ser vista entre as 10h e as 18h, todos os dias, excepto 25 de Dezembro, 1 de Janeiro, Domingo de Páscoa, 1 de Maio e Quinta-feira da Ascenção.

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Instrumentos Musicais Chineses: emissões filatélicas e livro

Em cima a capa de um livro editado em 1998 pelos CTT de Macau. Com textos do maestro brasileiro Oswaldo da Veiga Jardim (chegou a Macau no final da década 1980), tem 92 páginas e inclui 6 selos da emissão filatélica Instrumentos Musicais Regionais (1986) e outros 6 selos da emissão filatélica Festival Internacional de Música (1995). 
Ao todo são 12 selos de Instrumentos Musicais Chineses onde se incluem: Suo Na, Sheng, Er Hu, Ruan, Cheng, Pipa, Gongo, Tambor e Xiao.
Emissão de 22 Maio 1986: 1º Dia de Circulação

Em cima um envelope máximo do 1º dia de circulação da Emissão Instrumentos Musicais Regionais: 0,20 patacas Suo Na; 0,50 patacas Sheng; 0,60 patacas Er-Hu; 0,70 patacas Ruan; 5.00 patacas Heng; 8.00 patacas Pipa.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Documentário "Macau, Jóia do Oriente": 1956

Miguel Farini Spiguel (1921-1975), um turco radicado em Portugal desde 1944, foi o cineasta que mais filmou o “Oriente português” (Macau, Goa e Timor) tendo 'acrescentado à propaganda política do Estado Novo um pendor de promoção turística dos então territórios portugueses. Contava habitualmente com o apoio de instituições como a Agência Geral do Ultramar mas chegou a fazer pedidos de apoio de forma directa.
A 27 de Dezembro de 1959 enviou uma carta ao governador de Macau, Jaime Silvério Marques: 
"(...) Embora pudesse seguir directamente para Timor, preferi fazer um desvio para Macau, terra da minha preferência, embora esse facto me onerasse de muito as minhas disponibilidades, o meu capital e crédito empenhados neste empreendimento ultrapassa de muito os 500 contos e para os amortizar conto com a boa qualidade e da possível venda dos mesmos às várias entidades oficiais, tais como a Agência Geral do Ultramar, Secretariado Nacional da Informação e Ministério da Educação Nacional. De todos estes documentários o de Macau tem menos defesa, porque já existem quatro feitos por mim e Vossa Excelência sabe tão bem como eu que em matéria de propaganda as atenções do Governo Central dirigem-se de preferência para as nossas províncias de Angola e Moçambique, deixando o resto à iniciativa particular como a minha ou ao critério e julgamento do Governador respectivo. (...)"
"Macau, Jóia do Oriente" - título inspirado em Jaime do Inso - é um documentário (15 minutos) apresentado publicamente em 1956. Face aos anteriores que tinham versado o território, tinha a grande novidade de ser feito a cores. 
Em Macau Spiguel foi quase sempre acompanhado por Aquilino Mendes e pela sua câmara.  Podem ver-se os dois na foto abaixo durante a rodagem do documentário "Macau" de 1960.
Neste, como noutros registos que se seguiram, Spiguel contou com a colaboração musical de Pedro Lobo
Entrevistado para a revista "Filme" (n° 14, Maio de 1960) Spiguel afirmou acerca de Macau: 
"Quis mostrar como a obra civilizadora dos portugueses tem um sentido particular, cristão, tolerante. Notou nas imagens do arrear da bandeira como é composta a escola? Notou a profusão de raças entre a juventude escolar? Notou essa mesma tolerância na multidão que povoa as ruas? Depois quis captar uma cidade com imagens de uma cor intensa. Macau a preto e branco não se justifica. O enterro chinês, os barcos à vela, a profusão dos cartazes coloridos, tudo isso pede cor. Devo dizer que a câmara do Aquilino foi particularmente feliz."

Outros registos de Sipguel sobre Macau:
Macau, Jóia do Oriente (1956), 
Pescadores de Amagau (1958), 
Macau (1960) Duração: 60 minutos 
Reportagem - Oriente (1958), 
Operação Estupefacientes (1967), reportagem em 3 episódios sobre a luta da Polícia Judiciária de Macau contra os traficantes de droga no território.
Macau de Hoje (1971), 
Macau Industrial (1974), 
Uma Pérola Chamada Macau (1974) 
Macau (1977), já apresentado depois da morte do realizador.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

"Pedras preciosas do Oriente"

"Gems of the Orient" / "Pedras preciosas do Oriente" foi o título de uma série de discos LP de 78 rpm gravados na Europa - Áustria e Londres - por Pedro José Lobo (1892-1965) na década de 1950. Eram três discos por caixa.
Em cima um dos exemplares que faz parte da minha colecção.






Nota: Em 1992 foi feito em Macau um registo em CD destes discos.