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domingo, 26 de julho de 2026

Uma caso de polícia em 1910

Prisão importante
Foi preso na tarde de domingo findo, em Macau, Antoine Rogazzacci, que dizem ser subdito francez, acusado de, por meio de ameaça á mão armada, ter obrigado o gerente do hotel Boa Vista, o sr. A. Vernon, a passar-lhe um vale na importancia de $10.000, pagavel á vista em Hongkong.
Sobre o caso forneceu-nos um dos empregados do hotel Boa Vista os seguintes informes:
Na noite de 18 de agosto findo, dois dias depois de se alojar no hotel, Rogazzacci, tendo entrado, de revolver em punho, no quarto do sr. Vernon, exigiu que este lhe passasse um vale na importancia de $10.000, cobravel na missão franceza de Hongkong.
Munido d’esse documento, seguiu Rogazzacci na manhã imediata para Hongkong, sem, comtudo, ter ali conseguido resultado algum, porquanto o sr. Vernon tinha telegrafado para a missão franceza, recomendando que se não efectuasse o pagamento; embarcando de tarde para aquella colonia, afim de ratificar pessoalmente o seu telegrama e narrar pormenorizadamente o sucedido.
Rogazzacci voltou no dia 19 de agosto a esta cidade, e, como não tivesse encontrado o sr. Vernon, embarcou novamente no dia imediato para Hongkong, d'onde, á mesma hora da manhã, regressava o sr. Vernon.
Irritado e contrafeito por esse desencontro, Rogazzacci escreveu ao sr. Vernon, dizendo que o seu revolver, que não tinha sido usado na noite de 18, serviria na primeira oportunidade em que elle, sr. Vernon, fosse encontrado.
Informada a policia do caso, foi por muitos dias vigiada a chegada de todos os vapores da carreira, vindo finalmente Rogazzacci a ser preso, na tarde do ultimo domingo, 4 do corrente, proximo da estação da Rua da Felicidade, a requisição do sr. Xavier, runner do referido hotel, depois de o mesmo Rogazzacci ter desembarcado do vapor Hoi-sang, da carreira de Cantão.
Ao efectuar-se a prisão, foi encontrado em poder do preso um revolver.
Rogazzacci foi remetido na terça-feira ao tribunal judicial, onde se está preparando o competente processo crime.
in jornal A Verdade 8.9.1910

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

"Occorrencias policiaes" em Outubro de 1877

Policia de Macau
Relatorio das occorrencias policiaes de 19 a 25 de outubro de 1877
Foram mandados para o tribunal da procuratura os chinas abaixo mencionados.
Dia 19 - Lam-Assam (mendigo), por ser encontrado a dormir nos bambues do rio de Sa-cóng.
Dia 22 - Tai-Afú, ratoneiro e vadio de profissão, e por haver furtado quatro patos á mulher china Li-Amon.
Houve fogo defronte da Flora Macaense pela 1 1/4 hora da tarde — arderam oito barracas pequenas.
Dia 23 - Lam-Áhon, vadio e ratoneiro de profissão, por tentar roubar uma gaiola com passaros e uma colcha.
Van-Apó, por querer illudir o china de menor idade Chiu-Angui para emigrar — e por roubar um filho ao china Cheong-Peng-Chong.
Dia 24 - Li-Atang, por ter maltratado e ferido sua mulher a china Chang-Assang.
Dia 25 - Fom-Achom, por ser ratoneiro de gallinhas.
Quartel em Santo Agostinho, em Macau, 26 de outubro de 1877.
O commandante interino, Francisco Augusto Ferreira da Silva, Tenente coronel.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Quadro do pessoal da Polícia de Segurança Pública: 1937

Publicado no Boletim Oficial nº 29 a 17.7.1937 o diploma nº 533 estabelece no Art. 15.º O quadro do pessoal da Polícia de Segurança Pública de Macau.
O efetivo total da corporação é composto por diversas categorias distribuídas por várias secções. O Comando conta com 1 Comandante (Capitão ou tenente do exército metropolitano com curso da arma), 3 Oficiais subalternos (tenentes do exército metropolitano), 1 Amanuense chinês, 2 Chefes, 4 Sub-chefes, 71 Agentes, 3 Apalpadeiras e 1 primeiro-cabo reformado.
Na Secretaria, encontram-se 1 Escrevente, 1 Chefe e 2 Agentes. O Conselho é constituído por 2 Sargentos, 1 Chefe, 2 Sub-chefes e 2 Agentes. A maior concentração de pessoal está nas Esquadras, Central, Secção Móvel e Secção de Trânsito, que somam 4 Sargentos, 1 Chefe, 17 Sub-chefes, 378 Agentes e 10 Serventes. A Secção Fiscal dispõe de 2 Chefes, 4 Sub-chefes, 90 Agentes e 2 Apalpadeiras. Por fim, a Secção das Ilhas integra 1 Sargento, 2 Sub-chefes e 24 Agentes.
No total geral o quadro fixa-se em: 1 Comandante, 3 Oficiais subalternos, 1 Escrevente, 1 Amanuense chinês, 7 Sargentos, 7 Chefes, 29 Sub-chefes, 567 Agentes, 5 Apalpadeiras, 10 Serventes e 1 primeiro-cabo reformado.
Observações e Notas do Quadro:
O Comandante será um "Capitão ou tenente do exército metropolitano, com o curso da arma".Já os "oficiais subalternos" serão "Tenentes do exército metropolitano".
As categorias de Escrevente e Amanuense chinês serão extintas conforme as vagas ocorram. No Conselho, existe um encarregado da arrecadação entre as patentes de Chefe e Sub-chefe. Relativamente aos Agentes das Esquadras, o número inclui uma ordenança e quatro impedidos do serviço pessoal; na Secretaria e no Conselho, estão previstas, respetivamente, duas e uma ordenança.
É especificado que o pessoal assinalado no Comando (Amanuense, Chefes, Sub-chefes, Agentes, Apalpadeiras e o cabo reformado) presta serviço no Comissariado, nas Polícias Administrativa e de Investigação Criminal enquanto não houver recrutamento directo para essas unidades. Por último, nota-se que as Apalpadeiras estão incluídas no número de auxiliares de 4.ª classe.

sábado, 29 de março de 2025

"A public ball" em 1888

Na edição de 13 de Fevereiro de 1888 do jornal The London and China Telegraph surgem duas pequenas notícias - numa só - sobre Macau. A primeira dá conta de um baile em honra do governador Tomás de Sousa Rosa organizado pelo Leal Senado na Casa Garden - a 8 de Janeiro desse ano - integrada no chamado Jardim Camões, propriedade comprada anos antes, em 1885, pelo governo de Macau. A segunda informa que a polícia de Macau irá experimentar em breve a inclusão de elementos "maharattas". Alusão aos "marathas", em português arcaico, também originários da Índia, mas diferentes dos chamados "mouros". Estes últimos, originário de Goa, fizeram parte do contingente policial local deste 1873 ficando alojados no então novo Quartel dos Mouros.
"A public ball was given on Jan 8 by the Leal Senado in the spacious building in the Gruta de Camoens, Macao, in honour of his Excellency Senhor Thomaz de Souza Roza. An experiment is to be made at Macao with a number of Maharattas for the police force. The force at present in the Holy City is composed of European Portuguese men who have belonged to the garrison, Macaenses and Chinese lokangs."
Retrato de Tomás Sousa Rosa enquanto governador de Macau
Pode ser visto na Galeria dos Governadores, Museu do CCCM, Lisboa

Nesta altura o conselheiro Tomás de Sousa Rosa (1844-1918) já não era governador de Macau. Tinha sido entre 1883 e 1886, mas era agora ministro plenipotenciário de Portugal para a China, Japão e Sião (Tailândia). Nessa condição negociou e assinou a 1 de Dezembro de 1887 em Pequim - o homólogo era Sun Xuwe - o "Tratado de amizade e commercio entre Portugal e o Império da China" que no artigo 2º estipulava que "A China confirma a perpétua ocupação e Governo de Macau e suas dependências por Portugal como qualquer outra possessão portugueza". No artigo 3º - "Portugal obriga-se a nunca alienar Macau e suas dependências sem acordo com a China."
No baile referido Sousa Rosa estava pois em Macau regressado de Pequim. Para além da compra do Jardim de Camões e Casa Garden, o seu mandato como governador fica ainda marcado por ter sido adquirido o antigo Palácio do Barão do Cercal para passar a ser o Palácio do Governo (Praia Grande), plantação de milhares de árvores, saneamento e construção do Bairro de S. Lázaro, saneamento da zona da Horta da Mitra, etc...

sábado, 1 de março de 2025

"Quartel da Polícia"

Na edição de 1 de Julho de 1881 a revista Occidente publica uma gravura - imagem acima - e um pequeno texto sobre o "Quartel da Polícia em Macau":
"O governo do sr visconde de S Januario na India foi assignalado por muitos feitos importantes quer como militar e diplomata, subjugando as revoltas e pacificando o estado de excitação em que se achava a provincia quando para alli foi em 1870, quer como administrador da fazenda publica que organisou e gerio acertadamente. Ao seu governo da India seguiu-se o governo de Macau e aqui continuou a sua magnifica administração. As obras publicas mereceram-lhe especial attenção e entre os edificios importantes com que dotou Macau conta-se o quartel da policia que a nossa gravura representa. É uma magnifica construcção no estylo oriental que se impõe agradavelmente pela sua grandeza e architectura. Ao aspecto exterior corresponde a boa disposição interior podendo accommodar um batalhão regular com as commodidades precisas. Está construido em ponto elevado dominando a cidade e avistando-se de muitos pontos."
Para a conclusão do projecto - inauguração em 1874 - foram necessárias obras suplementares relacionadas com os enormes volumes de terra que resultaram do aterro de parte da colina incluindo a construção de um muro de suporte.  O "orçamento supplementar" foi aprovado a 27 de Dezembro de 1873. (imagem acima)

O que viria a ficar conhecido como Quartel dos Mouros, uma vez que os primeiros a ocupar o edifício inaugurado em 1874 foram polícias mouros (designada Companhia dos Mouros) oriundos de Goa, foi o segundo edifício construído de raiz para albergar forças de segurança na cidade. O primeiro foi o Quartel de S. Francisco, construído em 1865 no local onde existiu o convento com o mesmo nome e que foi demolido passando a albergar o Batalhão de Linha, ou seja, uma força militar. Nesta época também ajudava nas acções de policiamento.
O Corpo de Polícia foi organizado em 1858 pelo macaense Bernardino de Sena Fernandes sendo o comandante até meados de 1863.
Entre os primeiros edifícios que albergaram o corpo de polícia - e também as forças militares  - contam-se residências particulares e antigos conventos, para além das fortalezas existentes que manifestamente não tinham nem espaço nem condições para acolher o cada vez maior número de efectivos necessários para garantir a segurança do território, ao nível marítimo e terrestre. 
A secção "Polícia do Mar" foi organizada em 1862 e em 1868 passou a designar-se "Polícia do Porto", ficando desligada da polícia da cidade. O quartel desta 'nova' polícia "continua sendo a bordo da lorcha Amazona* que servirá de pontão de registro e ao mesmo tempo de deposito das praças de marinhagem da estação naval que sahirem do hospital não estando no porto os navios a que pertençam", pode ler-se no ponto 6 do despacho do governador António Sérgio de Sousa a 3 de Setembro de 1868. 
* A Amazona era uma lorcha de guerra.
Em 1869 o Corpo da Polícia era constituído por 306 homens e 25 cavalos. Destes, 190 homens estavam distribuídos por 15 estações (Santo António, Mongha, Flora, Porta do Cerco, Taipa, coloane, Patane, Lilau, S. Lázaro, Tarrafeiro, etc...)
Entre as diversas forças estavam os "loucanes" (36) que eram os "soldados chineses da polícia". Do uniforme faziam parte umas longas meias brancas por fora das calças e pequenos chapéus feitos de filamento de bambu. Em 1889 a Capitania do Porto de Macau tinha 59 loucanes ao serviço.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Despedida do Comissário de Polícia

12 de Junho de 1946. Festa de despedida do capitão de cavalaria Eduardo de Madureira Proença. Chefiou o Comissariado de Polícia de Macau (designação criada em 1916) entre Agosto de 1939 e Março de 1941 e foi comandante do Corpo da PSP entre Abril e Junho 1946.
Eduardo Proença foi ainda presidente da Comissão de Censura em 1945 - cargo que dependia directamente do Governador - e Administrador do Concelho de Macau (havia ainda o das ilhas), o equivalente ao cargo de presidente da câmara (Leal Senado).
Na imagem obtida a 12 de Junho de 1946 o grupo do pessoal da Administração do Concelho e Comissariado da Polícia frente à esquadra (nº4) de Santo António (Rua Coelho do Amaral/Rua Tomás Vieira). PTC significa Posto.... A sede do Comissariado (a partir da década 1940 passou a designar-se PSP) ficava na Rua Central no edifício onde a partir de 1968 foi instalada a Polícia Judiciária. 

sábado, 13 de janeiro de 2024

"Districtos Policiaes" da Polícia Marítima: 1897

Áreas de intervenção da Capitania do Porto e Polícia Marítima: 1897
Total de 16 "districtos policiaes"
PS: documento valioso para o estudo da toponímia local.

domingo, 29 de outubro de 2023

Polícias Mouros da Índia para Macau: 1872

Secretaria do Governo Geral
Por ordem de sua exa o sr governador geral se publica o seguinte:
O governo de Macáu propõe o engajamento de 60 mouros para o serviço de policia daquella cidade nas condições abaixo mencionadas:
1º O mouro que se engajar por para o dito serviço deverá ter servido no exercito de Goa ou no da India Ingleza com boa nota; 
2º Deverá ser robusto e estar em condições de continuar o serviço segundo o parecer da junta de saúde de Goa; 
3º Engajar-se-ha para servir por tres annos a contar do seu desembarque em Macau;
4º Ficará sujeito aos regulamentos militares desde que assentar praça no corpo policia que será no dia immediato à sua chegada a Macau; 
5º Se findos os tres annos do serviço quizer continuar terá direito ao augmento de 1 pataca no seu vencimento mensal alias dar-se-lhe ha logo passagem para o seu regresso a Goa; 
6º Terá o vencimento mensal de 7 patacas correspondente, segundo o cambio actual, a 44 pardaos cobre approximadamente; 
7º O serviço em Macau será semelhante ao que tinha o corpo de policia em Goa; 
8º A importancia dos uniformes ser-lhe-ha descontada por modica deducção em seus vencimentos; 
9º São preferidos os mouros que serviram no corpo de policia de Goa; 
10º As praças que se engajarem receberão uma semana antes de embarcarem e sob fiança uma ajuda de custo de 10 patacas ou 62 pardaos cobre aproximadamente sem sujeição a desconto; 
11º A bordo terão rações sufficientes fornecidas em Goa segundo os habitos e religião d'estas praças; 
12º Em Macau viverão em commum no quartel fazendo parte da mesma companhia e tendo as commodidades e arranjos proprios da sua seita; 
13º Dar-se-lhes ha terreno para a edificação de uma mesquita se isso lhes convier.
NB: Não terá lugar o engajamento não excedendo o numero a 40
Os que pretenderem entrar neste serviço compareçam com os seus competentes documentos na repartição militar até ao ultimo do corrente mez de novembro. Secretaria do governo geral, 11 de novembro de 1872.
in Boletim do Governo do Estado da Índia, 12 Novembro 1872

terça-feira, 24 de outubro de 2023

Mulheres chefiam esquadras da PSP: 1983

Em Fevereiro de 1983 eram empossadas as primeiras mulheres chefes de esquadra da PSP. A cerimónia decorreu no Comando da Polícia de Segurança Pública de que era comandante o tenente-coronel Moniz Barreto.
"As três sub-chefes, promovidas ao fim de quase 10 anos de serviço, são Lurdes Maria Lau de Morais, Teresinha Dias Pedro e Maria José Remédios Lameiras. (...) A criação dos postos de guardas femininas na PSP data de 1973, com a publicação de um decreto provincial que estabelece a criação de um quadro de 40 agentes femininos de 2ª classe." 
As condições de recrutamento foram reguladas um ano depois em Abril de 1974. Em Outubro desse ano entrava na PSP o primeiro grupo de 42 elementos femininos.
Em 1983 existiam na PSP de Macau três chefes, seis subchefes, 27 guardas de primeira classe e 91 de segunda classe.
Informação e imagem: Jornal do Ano 1983, GCS, Macau.

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Motos da Polícia de Macau: década 1940

 

Nesta foto publicada na revista nº 9 da PSP em Portugal podem ver-se dois agentes da polícia em Macau na década de 1940.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

"Aviso à última hora"

 

In Boletim do Governo do Estado da India, 27 Dezembro 1872

Numa primeira fase o salário mensal oferecido aos mouros que se alistassem na Polícia de Macau era de 7 patacas/mês, mas o valor viria a aumentar para 8 patacas, segundo uma decisão do governador de Macau em Abril de 1873. O primeiro grupo chegou a Macau no final de Junho desse ano.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Foto-legenda: PM de guarda ao Palácio do Governo

Na imagem um excerto de "A Polícia de Macau" da autoria do padre Manuel Teixeira. 
Elementos da Polícia Militar de guarda ao Palácio do Governo. Foto da década 1960
 

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Comissariado de Polícia

Em 1914, Daniel Ferreira, Administrador do Concelho, Procurador Administrativo dos Negócios Sínicos e Chefe dos Serviços de Polícia, organizou a Polícia Civil de Macau, com um efectivo de 300 homens.
Em 1916 foi criado o Comissariado da Polícia substituindo a Repartição dos Serviços de Polícia do Concelho de Macau. Esta força policial era constituída maioritariamente por militares que, no contexto da primeira guerra mundial, eram convocados para "recolher aos quartéis". No Boletim Oficial nº 14, de 1 de Abril de 1916, publica-se a Portaria nº 52 que autoriza a admissão dos oficiais para, sob as ordens do Administrador do Concelho (era também o Comissário), constituir a secção do comissariado especialmente destinada à Polícia de Segurança comum efectivos de 304 elementos.
Em 1920 a Polícia de Segurança é integrada no Comissariado de Polícia; no B.O. nº 15, de 10 de Abril desse ano é publicado o regulamento desse comissariado definindo as missões gerais e a estrutura. Em 1923 é criado um Posto de Identificação e Investigação Scientífica.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Troço da Avenida Almeida Ribeiro: 1962

Nesta fotografia de um troço da Avenida Almeida Ribeiro/San Ma Lou em 1962 pode ver-se um polícia a proteger-se do sol, transeuntes de bicicleta e transportando carga com o sistema pinga, passageiros a entrar para o autocarro nº 5, peões sob as arcadas e, do lado direito, na fachada de um teatro/cinema - o Vitória - estão anunciados os filmes em exibição em quatro salas do território: Vitória, Capitol, Cheng Peng e Apollo.
Carlos da Maia morreu a 19 de Outubro de 1921(há 100 anos...) 
durante os eventos da denominada "noite sangrenta".
Curiosidades:
A construção desta avenida foi iniciada durante o mandato (1914 a 1916) do governador Carlos da Maia (1878-1921) - 105º governador de Macau - tendo ficado concluída em 1918. A nova artéria não só ligou os portos interior e exterior, como atravessou o coração da cidade, dando um passo decisivo para uma maior aproximação entre as comunidades portuguesa e chinesa, já que atravessou o chamado bairro chinês (bazar) ligando-o à chamada parte da cidade cristã, onde viviam os portugueses.
Na toponímia macaense existe a Rotunda Carlos da Maia, construída em 1919, é vulgarmente conhecida como Largo dos Três Candeeiros, devido ao candeeiro de três lâmpadas ali colocado; e a Avenida Carlos da Maia, na Taipa, que dá acesso por exemplo à Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

sábado, 4 de setembro de 2021

Venda de "todas as propriedades de cazas": 1861

O anúncio foi publicado no Boletim do Governo de Macau em Junho de 1861. Bernardino Senna Fernandes (1815-1893) desejava "vender todas as propriedades de cazas" que possuía no território. Este macaense foi, entre outras actividades que desempenhou, o criador do Corpo de Polícia de Macau - primeiro apenas do bazar e depois de toda a cidade - em 1857, sendo dele comandante até 1863. A aprovação pelo governo desta força policial foi feita pelo governador Isidoro Francisco Guimarães através da portaria n.º 41, de 29 de Setembro de 1857 e publicada no Boletim do Governo n.º 50, de 3 de Outubro desse mesmo ano.

Homem rico de negócios, em 1847 fez parte, como primeiro-sargento, da 1ª Companhia do Batalhão Provincial de Macau, foi ainda Major honorário (1861), Fidalgo Cavaleiro da Casa Real (1871), Comendador da Ordem de Cristo (1865), Comendador da Ordem do Elefante de Sião (1867), Cavaleiro de Torre e Espada, (1869), Condecorado com a Medalha de Prata de Mérito e Filantropia (1871), diplomata (Cônsul de Sião - 1863 - e da Itália - 1886 - em Macau), comandante da Guarda da Polícia, organizador da Polícia do Mar, superintendente da Emigração Chinesa inspector dos Incêndios, presidente da Comissão Administrativa da Santa Casa da Misericórdia e sócio fundador da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses.
Estátua de Bernardino Senna Fernandes 
existente no jardim da Casa Garden.

A estátua remonta a 1871 quando foi colocada junto ao Monumento da Vitória no jardim com o mesmo nome. Dali seria removida para o jardim da vivenda Caravela, na Avenida da República, propriedade da família Senna Fernandes. Quando este edifício passou a funcionar como hotel (seria demolido no início da década 1970) passaria para o recinto do então Museu Luís de Camões que é actualmente a chamada Casa Garden, propriedade da Fundação Oriente.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Centro de Recuperação Social da Ilha da Taipa

Num outro post abordei  o tema. Agora recordo esta edição: O centro de recuperação social da ilha da Taipa em Macau, da autoria de Sigismundo Revés e Alberto Cotta Guerra, editado pela Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1962.
O primeiro era o comandante da PSP e um dos grandes impulsionadores da criação deste centro, o segundo o responsável pelos serviços de neuropsiquiatria dos serviços de saúde de Macau e que estavam encarregues dar acompanhamento médico aos que frequentavam o CRS, cujas instalações ficam no quartel militar. 
O médico visitava regularmente o centro e estavam nas instalações em permanência um enfermeiro e um auxiliar. Caso mais graves eram tratados nos hospitais em Macau sendo os pacientes transporte numa vedeta da marinha. Recorde-se que nesta altura não havia ainda uma ponte a ligar a Taipa a Macau. Só seria inaugurada em 1974. Assegurava ligação fluvial em termos de transportes públicos umas embarcações que demoravam cerca de 30 minutos a percorrer a distância e cujos horários estavam dependentes das marés tal era o nível de assoreamento do delta do rio.
Quando o CRS foi criado em  Maio de 1961 'absorveu' o Abrigo de Mendigos e Vadios que já existia e que era da responsabilidade da Administração do Concelho das Ilhas.
 As oficinas do CRS da Taipa
 
Registos fotográficos das várias actividades em que os pacientes internados estavam envolvidos: desde agricultura, ferreiros, costura, fabrico de vassouras e sapatos, etc... Em muitos casos vendiam os seus produtos e as receitas ficavam em pare para eles e noutra parte para o próprio CRS. Também faziam parte do processo de recuperação a prática de desporto.
Recorde-se que a assistência aos toxicómanos em Macau só foi regulamentada em 1946. Até essa data os casos eram tratados de forma avulsa nos hospitais. Com esta legislação foram criados dois centros de tratamento: um no hospital S. Januário e outro na cadeia pública.
Jornal Lodi News-Sentinel: 19.9.1962

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Postais: "Soldados da Polícia Moura" e "Soldados Chinezes da Polícia"

O postal ilustrado abaixo foi feito tendo por base uma fotografia de estúdio com dois polícias mouros. Faz parte da colecção "Colónias Portuguesas" publicada em Portugal ca. 1900/1910.
Este corpo de polícia foi criado em 1873 tendo sido construído um quartel de propósito, o denominado Quartel dos Mouros (que ainda existe). Por volta de 1880 estavam em Macau 150 soldados indianos, vindos de Goa/Índia Portuguesa, para serviços de patrulha da cidade. Até pelo menos à década de 1940 continuaram a ser recrutados.

Da mesma colecção faz ainda parte este postal (acima) intitulado "Soldados Chinezes da Polícia". O 'cliché' é da A. de Magalhães e foi também feito em estúdio (o cenário é o mesmo).

domingo, 6 de outubro de 2019

Campanha "Obedeça às Regras de Trânsito"


  1. No início da década de 1960 o aumento do número de automóveis a circular obrigou a PSP a lançar uma campanha de sensibilização junto dos condutores e peões para respeitar as regras de trânsito. Para além de uma campanha publicitária até as cartas que os moradores de Macau recebiam serviram para fazer passar a mensagem como se pode verificar nesta carta enviada da então Checoslováquia em 1963.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

"A Primeira Polícia de Macau"

Uma edição de 1962 - separata da revista "Religião e Pátria" - da autoria de Benjamim Videira Pires. O exemplar que possuo inclui uma dedicatória manuscrita pelo punho do autor e é dedicado a "S. Exa. O Governador da Província", 16 de Março de 1963.
Aborda a implementação da polícia em Macau, no período compreendido entre 1712 (primeiras referências) e 1788, e os esforços desenvolvidos pelas várias forças institucionais presentes no território para exercerem o controlo da dita. Na conclusão, o autor faz "uma derradeira observação: só cerca de 100 anos depois de Macau é que o Portugal Europeu, por meio do Intendente D. I. de Pina Manique, estabelecia um Corpo de Polícia Regular."(...)
No Canídromo: anos 50/60

Década 1980