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domingo, 2 de setembro de 2018

Macau (2) vs Hong Kong (1): Taça Spalding, 1968

Torneio Interport de Hóquei Macau-Hong Kong, Taça "Spalding" em 1968, tendo a equipa de Macau ganho por 2-1.
Legenda (esq. p/ dta.) - de cócoras: José Santos Ferreira, António Zeferino Souza, Herculano Ribeiro, Manuel "Gito" Jesus e Jorge Silva.

De pé: Luís Cunha, José "Zeca" Tavares, Alberto "Manga" Ritchie, Telmo Martins, Armando "Bíchim" da Silva, Amadeu Cordeiro, Álvaro Silva, Frederico "Dico" Cordeiro, Fernando Nascimento, Armando Ritchie e Rogério Couto.
Armando Sales Ritchie, que cedeu a imagem, recorda: "Na época havia anualmente um Interport entre Selecções de Macau e HK. Disputava a Taça "Spalding". O evento acontecia em cidades alternadas, e o vencedor do ano, detinha a taça até a próxima disputa no ano seguinte. Os resultados eram marcados ao redor da base da taça. Era o maior acontecimento desportivo do ano. A Caixa Escolar ficava totalmente lotada".

sexta-feira, 14 de julho de 2017

sábado, 24 de janeiro de 2015

Equipa hóquei em campo do LNIDH: 1956

O hóquei em campo foi uma modalidade desportiva muito popular no território ao longo da primeira metade do século XX. 
Nesta fotografia (enviada pelo leitor Rui Francisco) pode ver-se a equipa de hóquei em campo do Liceu Nacional Infante D. Henrique (LNIDH) em 1956 no campo da Caixa Escolar numa altura em que o Liceu ainda funcionava no Tap Seac num edifício que ficava em frente a este campo. O edifício ainda existe (é a sede do ICM) o campo é que já não...
As várias escolas do território (portuguesas e chinesas) tinham uma participação activa ao nível do desporto praticando-se diversas modalidades  e realizando-se torneios e campeonatos entre elas.
Na imagem em pé: Banhares, Generoso Silva, Armando Almeida, João Basto Silva, Humberto Barros e Victor Serra (g.redes). À frente: Álvaro Andrade, Severino Silva, Francisco Rodrigues, Jorge Basto Silva, Olavo Brito Lima.

Criado por por portaria de 1893 o Liceu Nacional de Macau começou a funcionar a 28 de Setembro de 1894 no convento de Sto. Agostinho, antigo quartel da extinta Guarda Policial.
Quando o convento ruiu passou a funcionar num casarão entre a Praia Grande e o Leal Senado. Já nos primeiros anos do século XX passou para o hotel Boa Vista e depois para o edifício da Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida (Tap Seac) onde ficou até 1958. Nesse ano transferiu-se para a Praia Grande (frente à Escola Comercial - hoje Escola Portuguesa)  onde funcionou até 4 de Janeiro de 1986 quando foi inaugurado o Complexo Escolar na ZAPE que funcionou até 1999 quando foi criada a Escola Portuguesa de Macau. O edifício da Praia Grande seria demolido entre 1989/90.
Neste link encontram vários posts relacionados com o Liceu.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A hockey game to remember

A bordo do HMS Parret, um dos navios mais pequenos da frota britânica estacionada em Hong Kong chega a Macau em Setembro de 1945 - terminada a guerra - um grupo de antigos prisioneiros de guerra que tinha feito parte do Corpo de Voluntários de Hong Kong e com ligações familiares a Macau. Ficam cerca de uma semana na cidade - há até a curiosidade de um casamento nessa curta estadia - e no dia 27 fizeram um jogo de hóquei em campo contra o Macau Hockey Club. A maioria dos jogados de Hong Kong eram da equipa do Club de Recreio, campeão da modalidade em 1940-41.
O acontecimento foi recordado em Abril de 2010 por Stuart Braga num artigo publicado na newslewtter da Casa de Macau na Austrália. Aqui fica a reprodução.
Macau na década de 1940
The privations of prisoners of war in the Shamshuipo camp in Hong Kong are well known. Many people have seen Alexander Skvorzov’s drawings of prisoners of war, skin and bone, barely existing from day-to-day. Some did not survive. When Hong Kong fell to the Japanese on Christmas Day 1941, the victors quickly rounded up all the members of the Hong Kong Volunteer Defence Corps they could find and interned them in a military barracks built at Shamshuipo in Kowloon to accommodate far fewer men. They were there for close to four years, until September 1945. Of the seven Infantry Companies of the Hong Kong Volunteers two were Portuguese:No. 5 and No. 6 Companies, whose members were swept up too, along with British personnel.
Only a month after their liberation at the end of August 1945, a large group of Portuguese members of the Hong Kong Volunteers went over to Macau where a scratch team was formed to play a game of hockey against Macau Hockey Club. The Hong Kong Volunteers had spent several years on the verge of starvation.
They were worked as forced labour, beaten and brutally mistreated throughout their captivity.
The fact that, within a month of their release, they were able to field a team is quite amazing. The Hong Kong boys had not held a hockey stick since the last games were played on Sunday 7 December 1941. Seven of the eleven players belonged to the Club de Recreio First Division team, who had been Hong Kong Champions of 1940-1941.
The Macau boys, whose team was known as the Valentes (the Brave Ones) had also been through very hard times, but nothing to compare with the privations of the POWs. If ‘Valentes’ was the name of the Macau team, what name should we apply to the real heroes whose lives had been in great peril, first in the brief, bloody Battle of Hong Kong, and then in nearly four years of brutal captivity? It says much for their
morale that they wanted to play this remarkable game at the first possible opportunity.
In the last few months of World War II, the Macau paper Renascimento published an English edition for the several thousand English-speaking refugees in Macau. On 30 September 1945 it printed an account of this remarkable game, including the names of the players. Both teams included some of the best known names in the Portuguese community in both Macau and Hong Kong, names frequently found in the membership lists of Casas de Macau around the world today.
There is no known photograph of the game played between the Volunteers and the ‘Valentes’. However, this photograph of the Club de Recreio First Division League Champions 1940-41 includes seven of those who played for the Volunteers. It was only four years later, but so much had happened!
The newspaper report read: The Volunteers gave a very creditable performance in the exhibition hockey game on Thursday [27 September] when they met Macau
Hockey Club, Macau Champions, and lost by 4 goals to 3 after leading at one stage by 3 goals to 1. J. Gosano, at inside right, was the outstanding player in the attack and scored all three goals for his side. He was well supported by Capt. Rodrigues at centre forward and Yvanovich on the right wing. In the defence, Tony Alves was very prominent and had the better of a number of interesting tussles with L. Costa and Airosa. The Defence Corps had the assistance of Gonsalves, of the Valentes, at full-back, but were without the services of Reggie and Bobby Reed. M Gonsalves, in goal, brought off some good saves but was weak with his clearances.
Macau did not start with a full team and even after their side was complete were on the defensive for some time. Gosano opened the scoring with a good shot, but Marques equalised shortly after. J. Gosano placed his side again in the lead before the interval.
The Volunteers were playing good hockey and went further ahead when Gosano again scored from a short corner. Macau improved in the closing stages and A. Airosa (2) and Marques scored for Macau before the final whistle. The game was played in the best spirit and all the players gave of their best.
The following were the teams:
Volunteers – M. Gonsalves, J. Gonsalves and B. Alves, M. Remedios, Tony Alves, and H. Soares, P. Yvanovich, J. Gosano, Capt. A.M. Rodrigues, L.G. Gosano and F. Soares.
Macau Hockey Club – R. Leio, R. Lobo and A. Basto, J. Nolasco, Alex Airosa and A. Santos Ferreira, G. Silva, L. Costa, Alberto Airosa, L. Ritchie and F. Marques.
Legenda da foto: Club de Recreio, Hong Kong. (site Macanese Families)
First Division League Champions 1940-41
A. V. Gosano, J. A. Soares. G. N. Gosano, B. T. Gosano. Dr. H. L. Ozorio, J.C. Fonseca, M. Mendonça, P. A. Yvanovich, R. A. Marques, W. A. Reed, A. M. Alves, L. G. Gosano, Dr. A. M. Rodrigues, J. M. Gosano, H. F. Goncalves, J. B. Goncalves, Dr. E. L. Gosano.

Detailed legend (send by Robert Francis Leitão on 20.1.2021)
Back: Adelino Vitus "Lino" Gosano, Jose Alexandre "Billy" Soares, Germano Nicolau "Gerry" Gosano, Belarmino Thomas "Bertie" Gosano, Dr Horacio Luis Ozorio , Joao Carlos "Johnny" Fonseca, Marciano Francisco “Mike” Mendonca. 
Middle: Philippe Antonio “Phil” Yvanovich, Roberto Antonio Marques, Wilfred Alexander "Willie" Reed, Antonio Maria "Tony" Alves, Luiz Gonzaga "Luigi"Gosano. 
Front: Sir Alberto Maria Rodrigues, Jose Maria "Zinho" Gosano, Henrique Francisco "Meme" Gonsalves, Joao Baptista “Johnny” Gonsalves, Eduardo Liberator "Eddie" Gosano

domingo, 31 de outubro de 2010

Os bons e maus momentos do hóquei em campo

A propósito do anterior post, aqui fica um artigo da autoria de Henrique Manhão publicado salvo erro em 2009 no Jornal Tribuna de Macau, "um jornal com memória". O título do post é o do artigo assim como as imagens.
 
O Hóquei em Campo foi talvez a modalidade mais favorita dos macaenses e a que mais prestigiou Macau não só em Hong Kong como em Singapura, na Malásia e no Japão.
A juventude macaense tinha certa queda e gosto pelo esse desporto, introduzido em Macau pelo tenente O’ Costa na década de 1930. Quase todos os jovens tinham um “stick”. Jogava-se o hóquei em campo num terreno baldio ou mesmo na rua, com o apoio dos agentes da policia que fechavam os olhos.
Foi durante a segunda guerra mundial que mais se praticou o hóquei em campo em Macau. Havia um campeonato anual para homens em que participavam nove equipas, das quais o habitual favorito era o Hóquei Club de Macau. Havia outro campeonato de Macau para senhoras.
Assisti a vários encontros em que jogava o Hóquei Club de Macau. Houve um desafio que terminou num empate de 0-0 e nunca vi tanta alegria e aplausos da parte da assistência para o adversário do Hóquei Club de Macau.
Era deveras impressionante ver tantos jovens a praticarem o hóquei em campo à tarde no relvado da Caixa Escolar, nos anos cinquenta e sessenta, principalmente pela malta nova dos Bairros de São Lázaro e do Tap Seac de onde, aliás, apareceram excelentes hoquistas que muito honraram a sua terra natal.
O primeiro “Interport” entre estudantes de Macau e Hong Kong realizou-se em Macau em 1953 e Macau triunfou por 2-0.
Já quanto ao hóquei em campo feminino, não havia muitos praticantes. Só muito mais tarde quando vieram os portugueses de Xangai para se fixarem em Macau é que surgiu o primeiro “encontro entre hoquistas femininas de Macau e Hong Kong. Macau perdeu por 8-0, resultado que espelha como as senhoras estavam ainda pouco aptas.
Albertino Alves de Almeida que fazia parte da equipa de honra do Hóquei Club de Macau, continuou com a tarefa de reorganizar e treinar o grupo de estudantes de Macau e a equipa feminina. Não foi um trabalho muito fácil. Tinha que estar sempre a descobrir novos talentos porque periodicamente os elementos com maior capacidade deixavam Macau.
O mesmo se passava com os rapazes, porque o hóquei em campo era um “hobby”. Quando tinham convites para melhores posições a nível profissional, naturalmente que ninguém olhava para trás e ia tentar ganhar a vida em novos horizontes.
Mesmo assim Albertino conseguiu arranjar um forte grupo novo de rapazes para continuar com o intercâmbio entre estudantes de Macau e Hong Kong e como nessa altura não havia subsídios do governo, a rapaziada quando se deslocava a Hong Kong ia jantar à casa do seu irmão Alberto Almeida.
Devidos aos esforços de Albertino Almeida, também se conseguiu formar uma equipa feminina rejuvenescida, equipa essa que alcançou alguns resultados prestigiantes para Macau frente às suas congéneres de Hong Kong.
Em 1956, foi uma grande pena que Macau não tivesse participado nos Jogos Olímpicos de Melbourne, por decisão do ministro de Educação. Houve uma subscrição pública para ajudar as despesas com a deslocação da equipa de Macau que estava a ser treinada pelo tenente Filipe O’Costa.
Macau fazia parte do grupo que integrava a Índia, njuma altura em que o Paquistão e a India eram consideradas as melhores equipas de hóquei em campo.
Dois anos depois, a famosa selecção de Moçambique de hóquei em patins representou Portugal em Montreux e a Europa pôde apreciar o talento de hoquistas como Adrião, Bouçós, etc.
Nessa altura a população portuguesa de Macau mostrou o seu desagravo através dos jornais locais porque o mesmo ministro de Educação que autorizou Moçambique a representar Portugal não dera a mesma oportunidade a Macau na modalidade mais querida dos jovens locais: o hóquei em campo.

Dutch Hockey Club: testemunho de um jogo a 8 de Maio de 1950

Há algum tempo que estava para corrigir uma informação colocada num dos primeiros post's aqui do blog... Várias pessoas já me tinham solicitado a correcção e, em boa hora, o Sr. Albertino Almeida enviou-me mais alguns detalhes que agradeço e partilho agora com todos os leitores do blog. Este é o post a que me refiro: onde se lê selecção holandesa deve ler-se Dutch Hockey Club.
http://macauantigo.blogspot.com/2009/09/holanda-vs-macau-hoquei-em-campo-1950.html
Segundo Albertino Almeida, o Dutch Hockey Club de Hongkong era "um grupo constituido por cidadãos holandeses residentes na então colónia britânica. Esses homens eram quási todos funcionários superiores da «Royal Inter-Oceans Line» uma prestigiosa companhia de navegação holandesa operando em Hong Kong. Macau venceu o encontro por sete bolas a uma mas nada de mérito a registar.O «Dutch Hockey Club» de Hongkong, umas das mais simpáticas equipas que anualmente nos visitavam, brilhava mais no consumo do nosso bom e barato vinho tinto e da nossa apetitosa gastronomia do que no manejo do «stick de hóquei» Assim, no dia do encontro, uma grande parte dos jogadores ainda não estavam completamentamente restabelecidos da «torcida» do dia anterior."
Mais informações em vários posts utilizando a palavra "rogge" no campo de pesquisa... como neste:

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A propósito de uma fotografia de uma equipa de Hóquei em Campo: década 1940

Este post é mais um exemplo do quanto o blog Macau Antigo tem sido uma mais valia no partilhar de memórias individuais e colectivas. Sem mais delongas... vamos ao que interessa. Recebi um e-mail do Reinaldo Amarante pedindo ajuda na identificação de uma foto de uma equipa de hóquei em campo tirada em Macau (ainda fez outra pergunta que espero conseguir obter resposta em breve.. talvez até com a publicação deste post). Fiz de intermediário na obtenção da resposta e eis o resultado tal qual tudo se passou no espaço de poucos dias graças à generosidade de João Bosco Basto da Silva. Obrigado aos dois!
e-mail do Reinaldo Amarante:
Caro Amigo João,

Li em tempos um post no "Macau Antigo", onde João Bosco falava de Hóquei em Campo em Macau. Aliás, tive o ensejo de deixar um pequeno comentário sobre o Hoquei feminino. Envio-lhe em anexo uma fotografia não datada de uma equipa masculina onde não aparece nenhum familiar meu. Tenho uma certa curiosidade em saber porque razão ela surge no espólio fotográfico de minha Mãe. Talvez João Bosco consiga identificar os elementos da equipa e por aí eu me esclareça.
Outra questão que lhe queria colocar, a propósito dos posts que colocou sobre o falecimento de Henrique Senna-Fernandes. O meu irmão Mário, é afilhado de Baptismo de uma "Luísa Senna-Fernandes". Será possível saber qual o grau de parentesco dela com HSF, sabendo que deverá ter nascido por volta de 1925 (era amiga de minha Mãe e tinham mais ou menos a mesma idade)?
Muito obrigado. Um abraço. Reinaldo Amarante
e-mail do João Bosco Basto da Silva:
Olá J. Botas

Já estou em condições de identificar a foto sobre a equipa de hóquei de Macau:
de pé, da esquerda para a direita - Reinaldo Angelo, Lourenço Ritchi, Herculano Rocha, Vítor Rosário, Eng. Humberto Rodrigues e Frederico Nolasco;
agachados, da esquerda para a direita - Augusto Jorge, José Santos Ferreira, Eurico Rosário, Armando Basto e Albertino Almeida.
Dessa foto, apenas 4 deles continuam vivos: Vítor Rosário, Augusto Jorge, Eurico Rosário (emigrado na Austrália) e Albertino Almeida. Também estou em condições de informar que essa equipa não era a mais forte e que deve ser dos finais dos anos 40, pouco depois da 2ª guerra. Um abraço. João Bosco
e-mail do Reinaldo Amarante (depois de lhe ter reenviado a resposta do João Bosco)
Caro Amigo, Antes de mais o meu muito obrigado pela identificação da foto. A maior parte dos nomes é-me familiar, quanto mais não seja no apelido. A pessoa que terá feito a minha Mãe guardar a foto é José Santos Ferreira (Adé) que ela dizia ter sido seu treinador em Atletismo, algo que nunca consegui confirmar. Já pensei e tentei adquirir o Vol. Desporto de José Santos Ferreira, Obras Completas de Adé, mas ia adiantar-me pouco, porque, pelos vistos está escrito em Patuá. Eventualmente, poderá ser também Reinaldo Ângelo, porque disse-me uma vez que o meu nome (pouco frequente) era de um amigo. Pode utilizar a fotografia no Macau Antigo.
Relativamente Luísa Senna-Fernandes, já pedi ao meu irmão para ver na sua certidão de baptismo o nome completo da madrinha. Logo que o tiver comunico.
Muito obrigado pelas informações. Um grande abraço. Reinaldo Amarante

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Hóquei em Campo (década 1950): testemunho de João Bosco Basto da Silva

Por mais estranho que pareça, a modalidade desportiva mais popular entre os macaenses era o hóquei em Campo. Não admira pois que a comunidade macaense praticasse este desporto com tanta dedicação e destreza que fazia frente a qualquer das muitas equipas de Hongkong, inclusivé a sua própria selecção.
Devo acrescentar que nesse tempo, refiro-me à década de 50, os chineses de Macau não praticavam o hóquei, pelo que, reduzido a macaenses, havia apenas duas equipas, a principal e a dos suplentes; e era assim que os praticantes se treinavam, uns com os outros, e daí saía a formação principal que estava sempre pronta para defrontar as equipas de Hongkong. De referir também que na vizinha colónia, havia dezenas de equipas de hóquei devido às inúmeras comunidades de estrangeiros que ali viviam: indianos, paquistaneses, portugueses, holandeses, para não falar dos ingleses que eram os que tinham mais equipas e das mais fortes; desde a Army (equipa representativa do exército inglês estacionado em Hongkong considerada a equipa, na altura, mais forte), a Royal Navy (Marinha), a Royal Airforce (Força Aérea), várias equipas de civis (constituídas por funcionários públicos e privados ingleses a trabalhar na colónia, tanto em Hongkong como em Kowloon), a equipa do Clube de Recreio (formada por portugueses radicados em Hongkong, também considerada uma das melhores equipas e sempre candidata ao título), as equipas indianas e paquistanesas (onde existia, já nesse tempo, uma grande rivalidade entre essas comunidades, ambas também muito fortes), a Ducth H.C. (equipa holandesa formada por comerciantes e funcionários de empresas holandesas, talvez considerada a mais fraca), e outras.
Como em Macau não havia Campeonato, porque só existiam duas equipas, era frequente, e eu diria até que em quase todos os domingos, haver uma partida de hóquei entre a equipa de Hóquei Clube de Macau e uma qualquer de Hong Kong que nos vinha visitar. Os jogos eram no Campo de Tap Seac e não me lembro de ver alguma vez Macau perder com as equipas de Hong Kong; normalmente as que davam mais luta (Army e Recreio) perdiam por pouco, mas com as outras equipas eram sempre cabazadas! Naturalmente que a nossa equipa também visitava frequentemente Hong Kong para jogos de retribuição e convívios sempre muito animados. As únicas vezes que havia mesmo jogos muito renhidos era por ocasião dos Interports entre as selecções das duas cidades e, aí sim, a vitória tanto pendia para um lado como para o outro.
É evidente que, sendo a modalidade tão popular entre os macaenses, a própria juventude escolar também a praticava com a mesma intensidade e dedicação. Foi assim que surgiu, no ano de 1957, o 1º Campeonato Inter-Escolar de Hóquei em Campo com a participação de 3 Escolas Portuguesas: o Liceu (com duas equipas), a Escola Comercial “Pedro Nolasco” e o Seminário de S. José.
Liceu: a equipa vencedora do compeonato inter-escolar de 1957
agachados e da esquerda para a direita: Carlos Alberto Jorge (falecido em Portugal), Severino Silva (Macau), Francisco Rodrigues (Portugal), Jorge Basto da Silva (Macau) e Olavo Bilac (Portugal);
de pé e pela mesma ordem: Bañares (falecido nos Estados Unidos), Generoso Silva (Brasil),
Armando Almeida (Portugal), João Basto da Silva (Portugal), Humberto Barros (Estados Unidos) e Vítor Serra (Portugal).
No seguimento do Campeonato e à semelhança do que acontecia com os seniores, os mais jovens também tinham, como de costume, de enfrentar a Selecção de Estudantes de Hong Kong.

Selecção de Estudantes de Macau
agachados e da esquerda para a direita: Francisco Rodrigues (Liceu – Portugal), Armando Almeida (Liceu – Portugal), José Capitulé (Seminário S.José – Estados Unidos), Sá e Silva (Escola Comercial – Estados Unidos? ) e Jorge Basto da Silva (Liceu – Macau).
De pé e pela mesma ordem: Alberto Valoma (Liceu – Canadá), Rui Aires da Silva (Escola
Comercial – falecido nos Estados Unidos), António Capitulé (Seminário S.José – Estados Unidos), Vitor Serra (Liceu – Portugal), Frederico Cordeiro (Escola Comercial – Macau), João Basto da Silva (Liceu – Portugal) e o Treinador-Seleccionador Dr. João dos Santos Ferreira (já falecido).

Estudantes de Macau e de Hong Kong
A 3ª foto mostra as duas equipas, com a particularidade de Hong Kong ser representada por um grupo de jovens estudantes de várias etnias e nacionalidades, desde ingleses, indianos,
paquistaneses e portugueses a chineses. Gostaria de, a título de curiosidade, lembrar os 2
portugueses que faziam parte da equipa de Hongkong: de pé, à direita do Dr. Santos Ferreira,
António Jorge da Silva (mais conhecido por Toneco, por sinal meu primo e a viver nos Estados Unidos, como arquitecto), e o outro, também de pé, à direita do Alberto Valoma, Alberto Rodrigues (mais conhecido por Tito, julgo que foi médico em Hong Kong e tem casa em Almancil-Algarve); dos restantes está um indiano típico (com um carrapito na cabeça), muito conhecido na altura, Kuldip Sing, e ainda os ingleses Michel Mottu (de pé), Ted Belote e John Bechtel (ambos agachados); dos outros jogadores de Hong Kong, obviamente, já não me recordo.
O resultado desse Interport foi de 4-0 a favor de Macau com golos marcados por Sá e Silva (2), Jorge Silva (1) e Francisco Rodrigues (1).

“Macaenses” de Hong Kong, numa partida realizada em Fevereiro de 1958, que passo a identificar:
agachados e da esquerda para a direita: Kennet Barnes, Luís Cunha, Arnaldo Ribas, Alberto Colaço, Zoé Siqueira, Armando Jorge, Ludgero Siqueira, João Basto da Silva, Arnaldo Couto e Eng. Humberto Rodrigues;
de pé e pela mesma ordem: Josico Rocha, Fernando Nascimento (árbitro), Alexandre Airosa,
Armando Almeida, Ismael Silva, Amadeu Cordeiro, António Capitulé, Lourenço Ritchie, Alberto Valoma, Fernando Marques, Vasco Silva, Rui Aires da Silva, José Capitulé, Lisbelo Luz, Dr. António Rodrigues da Silva e Frederico Nolasco ( árbitro).
A grande curiosidade desta foto é que a maioria dos jogadores que tinham jogado nos campeonatos escolares, estavam agora a jogar já nas equipas seniores: Armando Almeida, Rui Aires da Silva e João Basto da Silva na equipa de Macau; e na equipa dos “Macaenses”, praticamente a totalidade deles, com excepção de Arnaldo Couto.
Mas o facto mais marcante é que, de um ano para outro, houve uma avalanche de emigração de jovens macaenses para o mercado de trabalho de Hongkong – a tal Diáspora Macaense que, infelizmente, foi uma realidade, comprovada aqui pelas duas últimas fotos. De resto, tenho ideia de que esta situação se manteve em força durante toda a década de 50. De Hong ong (onde a maioria deles se empregaram no Banco HKSBC) e passados alguns anos, muitos desses jovens tiveram ainda que se sujeitar a uma segunda emigração para países ainda mais distantes como Austrália, Brasil, Estados Unidos e Canadá.
O resultado deste jogo, que não foi mais do que um salutar convívio entre os próprios macaenses, foi de 5-0 favorável a Macau; nada de extraordinário, atendendo a que a equipa do Clube “Macaenses” tinha acabado de ser constituída e era, como tal, estreante e ainda pouco entrosada na modalidade. Devo acrescentar, contudo, que com o passar dos anos (bem poucos), essa mesma equipa, que passou a participar nos Campeonatos de Hóquei de Hong Kong, chegou a Campeã e ainda se deu ao luxo de fornecer vários dos seus jogadores para representar a vizinha colónia, em variados jogos e torneios internacionais.
Esta sequência que envio agora é verdadeiramente um documento histórico que fala das
dificuldades cíclicas que se viveram em Macau, ao longo dos séculos, por esta razão ou aquela. À fragilidade económica do Território, no entanto, souberam sempre os seus naturais responder com coragem, determinação e espírito positivo. Têm deixado em todos os países que os acolhem o melhor de si e o bom nome da sua terra – Macau.
João Bosco Basto da Silva - Coimbra, Agosto 2010
NA: É mais uma contributo valioso do amigo João Bosco a quem agradeço e um conjunto de documentos inéditos mais uma vez proporcinados pelo blog Macau Antigo.
É favor 'clicar' sobre as fotos para ver em tamanho maior.