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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Uma antiga inscrição no "Hospital da Santa Caza da Mizericordia"

ESTE HOSPITAL DA SANTA
CAZA DA MIZERICORDIA
MANDOU FAZER LUIS COE
LHO SENDO PROVEDOR
NO ANNO DE 1747.
Em português corrente, "Este hospital da Santa Casa da Misericórdia mandou fazer Luís Coelho sendo provedor no ano de 1747."
Numa leitura individual e sem contexto a inscrição em pedra induz em erro. Na verdade refere-se a uma reconstrução do referido hospital. Uma das várias reconstruções de que foi alvo o hospital fundado no século 16 (1569) por D. Belchior Carneiro como Hospital da Misericórdia, sendo o primeiro hospital de medicina ocidental da Ásia
Principais reconstruções ao longo dos tempos:
1640; 1747; 1887; 1912-1913; 1938-39; década 1980/90. 
O antigo hospital alberga desde 1999 o Consulado de Portugal.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

"A Medicina Tradicional Chinesa em Macau"

"A Medicina Tradicional Chinesa em Macau" é o título de um longo artigo publicado no Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, Série 83.ª Jan/Mar e Abr/Jun de 1965, da autoria de António Scarpa, Professor da Universidade dos Estudos de Milão.
O autor esteve em Macau onde contou com a colaboração das autoridades locais, dos padres Salesianos do Colégio Yuet Wah e do padre António Carlos Kirchner que "com o seu profundo conhecimento do idioma chinês, da história e dos costumes locais, lhe serviu de valioso e sapiente guia". Na época existiam 34 farmácias chineses na cidade.
Excerto:
Na cidade de Macau, a medicina tradicional chinesa é amplamente praticada, assim como a medicina europeia. São muito numerosas as farmácias que vendem apenas medicamentos tradicionais, entre os quais os mais importantes são o caríssimo ginseng, o chifre de veado, o chifre de rinoceronte, os ossos de tigre e os de tartaruga, etc. Também são vendidos com muita frequência medicamentos obtidos de acordo com as fórmulas da antiga farmacopeia chinesa. Os farmacêuticos chineses não frequentam nenhum curso preparatório; toda a sua aprendizagem é realizada nas farmácias, onde começam como chaiyuk e terminam como kwai min (diretor).
Os médicos tradicionais chineses, pelo contrário, são oriundos de uma família de médicos ou frequentam uma verdadeira escola com duração de 5 anos, chamada Chung i Hók Uén. O ensino baseia-se nas teorias da antiga medicina da dinastia Han. Ao final do curso, obtêm um diploma que os permite exercer a profissão. Existem 4 classes de médicos, a saber: os «herboristas», os que realizam a picada da agulha [acupuntura], os ortopedistas-massagistas e os que praticam o qigong (chih-gong), ou seja, exercícios, geralmente respiratórios, para o tratamento de doenças e para proporcionar longevidade. 
Muito importante é também a medicina popular, baseada na terapia mágico-religiosa.
Em Macau já não existe nenhum hospital verdadeiro de medicina tradicional chinesa, mas apenas departamentos ambulatórios entre os quais os mais importantes, devido à sua organização, são os da associação Tong Sin Tong. No geral, pode-se observar que, no distrito de Macau, cerca de 40% da população chinesa ainda segue a medicina de seus pais [a medicina tradicional].

domingo, 20 de abril de 2025

Uma foto rara do Hospital Militar S. Januário

Década 1920. Ao fundo a ilha da Taipa
Clicar na imagem para ver em tamanho maior
 Inaugurado em 1874 recebeu o nome do Santo Januário em homenagem ao santo padroeiro do então governador Januário Correia de Almeida. Foi demolido em 1952 sendo construído outro no mesmo local e inaugurado em 1954. Este último durante até 1987 quando também foi demolido para dar lugar ao actual.
A fotografia acima foi tirada após o tufão de Setembro de 1874; assinalei a localização do hospital no colina de S. Jerónimo. foi o primeiro hospital construído de raiz. Antes, o hospital militar (que sucedeu à enfermaria militar) esteve alojado em vários edifícios como o convento de Santo Agostinho.



quarta-feira, 26 de março de 2025

"Cirurgião estabelecido em Macao á mais de 20 annos"

in A Aurora Macaense 25 Novembro 1843
Sucessor do Farol Macaense (1840-42, o Aurora Macaense publicou-se entre Janeiro de 1843 e Fevereiro de 1844. Era impresso na Typographia Armenia (na Rua Formosa) por Félix Feliciano da Cruz. Era o redactor do jornal e proprietário da tipografia.

segunda-feira, 3 de março de 2025

Associação de Beneficência denominada Hospital Keng-Hu

No Boletim Oficial da Colónia de Macau de 21 de Setembro de 1942 são publicados os Estatutos da "Associação de Beneficência denominada Hospital Keng-Hu" aprovados pela Portaria nº 3:341. No preâmbulo dos estatutos está um resumo da história da associação e do hospital também conhecido por Kiang Wu, a designação ainda hoje utilizada.
Ao fundo o edifício do hospital; nos edifícios em frente funcionaram escolas da referida associação.

sábado, 25 de janeiro de 2025

Tratamento grátis de "todas as moléstias" em 1847

Boulle, era um cidadão francês (de Marselha), que chegou a ser gerente de uma hospedaria na Praia Grande. O anúncio do tratamento grátis de "todas as moléstias, com particularidade das chronicas" foi publicado no Boletim do Governo de Macau em 1847.

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Clínica Lara Reis

A Clínica Lara Reis foi inaugurada a 15 de Abril de 1951, após uma subscrição entre os rotários. Foi o primeiro centro de luta anti-cancerosa no Sul da China e também o único nas províncias ultramarinas na época. O edifício foi adquirido em 1988 passando a ser a sede da Cruz Vermelha.
Fernando de Lara Reis nasceu em Leiria em 1892. Frequentou o que é hoje o colégio Militar mas que na época se denominava Escola de Guerra. Participou como tenente aviador na I Guerra Mundial onde veio a sofrer um desastre que o obrigou a reformar-se com a patente de capitão.
Chegou a Macau em 1919 como professor de Desenho, Ciências Naturais e Ginástica do Liceu. Nessa época o Liceu funcionava no Hotel da Boa Vista tendo depois passado para o Tap Seac (hoje ICM). Em 1937/38 exerceu as funções de Secretário no Liceu em acumulação com as de professor. Era reitor Ferreira de Castro.
 A ele ficaram a dever várias acções de âmbito escolar, tais como a fundação da “Associação Escolar do Liceu” e que esteve na origem da Caixa Escolar (ver edifício ao Tap Seac) no início da década de 1920 bem como do campo desportivo anexo.
Um "assalto de Carnaval" na década de 1930.
Onde assinalei o círculo pode ler-se "Sol Poente"

Dotado de um grande espírito de iniciativa, para diversão dos alunos, adquiriu mesas de “ping-pong”, uma mesa para xadrez e uma para damas, promoveu a construção de um campo de basquebol, um de voleibol e um de badminton, faziam-se exposições de trabalho escolar, festas de convívio, passeios à China (Choi Hang) utilizando transportes de Companhia de Autocarro “Kee-Kuan”, campeonatos desportivos inter-escolares. 
Lara Reis com o seu cão na moradia Sol Poente

Partiu para Portugal em 1940 e daí para o Liceu Afonso de Albuquerque, em Goa onde permaneceu 5 anos. Após a II Guerra Mundial regressou a Macau.
Sócio-fundador do “Rotay Club de Macau”, legou à Santa Casa da Misericórdia de Macau, a sua residência “Sol Poente” na Avenida da República. Mais tarde, por iniciativa dos rotários, foi aí instalada a Clínica «Lara Reis», o primeiro centro de luta anticancerosa do Sul da China .
Foi ainda fundador em Macau da secção local da “Liga dos Combatentes da Grande Guerra” tendo a sede ficado localizada na torre que ainda hoje existe no Jardim de S. Francisco. Deve-se ainda a ele a construção de um ossário–monumento dos Combatentes da Grande Guerra, que pode ser visto no Cemitério de S. Miguel.

domingo, 26 de maio de 2024

O "Dispensary" do Dr. Colledge

Canton, Aug. 25 1836
Dear Brother
Yours of March 27th per Himmaleh came safe to hand a fortnight since while I was at Macao spending a little time in recruiting my health. The magazines and tracts I thank you much for and shall try to use them as you wish. The packages for my friend Captain Gottlieb shall be forwarded soon. I rejoice most sincerely in the extension of our work among seamen in all parts of the world especially in the east. I only wish further to see the name of some dear brother who shall come out to China to devote himself to the Lord in the cause of seamen here. It seem's true that the prospect never was better than now. 
At Macao, Dr. Colledge has a dispensary where foreign seamen can receive board medicine and good attention for a reasonable compensation. Dr. C. is the surgeon of his Britannic majesty's commission in China and is a most humane man. The sentiment seems to become more urgent that a hospital is wanted at Whampoa or Kumsingmoon or both. But so much has been said about it and so little effected that I shall say no more about the plan till something efficient is done only that some ten or twelve thousand dollars are now subscribed for it.
Till a hospital is obtained I see no prospect of obtaining a permanent place of worship. Offers to provide their ships decks are kindly made to me by several commanders of vessels and I hope to continue to improve these opportunities. Here at Canton is work enough for one man who can devote all his heart and all his time to the instruction of seamen in the things concerning the salvation of the soul.
When I preached at Kumsingmoon last Sabbath nearly thirty sail were lying in that anchorage. About the same number besides are now in Whampoa reach. 
There was a very severe gale at Macao three weeks since on the 8th of August which in the China sea proved to be a real typhoon. Many vessels were on and near the coast at that time and we have already heard of many melancholy disasters with the shipping. One English vessel went on shore some forty miles south west of Macao and was totally lost ship and cargo eleven persons perished. As soon as the survivors reached the shore they were stripped of all and the vessel plundered no other ill treatment befel the shipwrecked crew who arrived at Macao in two days but not before some of the damaged cargo of the vessel was exposed for sale in the streets of Macao. The cargo of this vessel was very rich valued at eight hundred thousand dollars. Three or four other vessels are lost and missing and others suffered loss of masts and the like. It was a most destructive storm though not apparently the most violent. 
Your humble servant E. Stevens

Excerto de uma carta do missionário dos EUA Edwin Stevens (1802-1837) escrita em Cantão em 1836 e dirigida ao irmão. No final desse ano Edwin partiu de Macau em direcção ao Bornéo mas viria a morrer de febre durante a viagem numa escala em Singapura. A carta foi publicada numa edição de 1837 da publicação The Sailor's Magazine, and Naval Journal.

Gguache da Baía da Praia Grande em meados do séc. 19

Tradução/Adaptação

Cantão, 25 de Agosto de 1836
Querido irmão
O tua carta de 27 de Março vinda no navio Himmaleh chegou em segurança quando estive em Macau, passando algum tempo a tratar da minha saúde. Agradeço muito as revistas e folhetos. Os pacotes para meu amigo Capitão Gottlieb serão encaminhados em breve. Regozijo-me sinceramente com a extensão do nosso trabalho entre os marinheiros de todas as partes do mundo, especialmente no Leste. Desejo apenas ver o nome de algum querido irmão que virá à China para se dedicar ao Senhor na causa dos marinheiros aqui. Parece verdade que a perspectiva nunca foi melhor do que agora.
Em Macau, o Dr. Colledge tem um dispensário onde os marinheiros estrangeiros podem receber medicamentos e bons cuidados por uma compensação razoável. O Dr. C. é o cirurgião da comissão de Sua Majestade Britânica na China e é um homem muito humano. Parece tornar-se mais urgente a necessidade de um hospital em Whampoa ou Kumsingmoon ou em ambos. Mas tanto foi dito sobre isso e tão pouco realizado que não direi mais nada sobre o plano até que algo de facto seja feito, sendo que até agora cerca de dez ou doze mil dólares estejam angariados para a construção.
Até que um hospital seja construído, não vejo perspectiva de obter um local de culto permanente. Ofertas para fornecer os meus serviços a navios são gentilmente feitas por vários comandantes e espero continuar a melhorar essas oportunidades. Aqui em Cantão há trabalho suficiente para um homem que pode dedicar todo o seu coração e todo o seu tempo à instrução dos marinheiros nas coisas relativas à salvação da alma.
Quando preguei em Kumsingmoon no sábado passado, quase trinta navios estavam naquele ancoradouro. Aproximadamente o mesmo número está agora ao alcance de Whampoa. 
Houve um vendaval muito forte em Macau há três semanas, desde o dia 8 de Agosto, que no mar da China se revelou um verdadeiro tufão. Muitos navios estavam na costa e perto dela naquela época e já ouvimos falar de muitos desastres com o transporte marítimo. Um navio inglês desembarcou cerca de sessenta quilómetros a sudoeste de Macau e perdeu-se totalmente, tendo a carga desaparecido e morrido onze pessoas. Assim que os sobreviventes chegaram à costa, foram despojados de tudo e o navio foi saqueado. Parte da carga danificada do navio foi colocada à venda nas ruas de Macau. A carga era riquíssima, avaliada em oitocentos mil dólares. Três ou quatro outras embarcações estão perdidas e desaparecidas e outras sofreram perda de mastros e similares. Foi uma tempestade muito destrutiva, embora aparentemente não a mais violenta. 
Seu humilde servo E. Stevens"

terça-feira, 14 de maio de 2024

O chá do Dr. Pitter

No interior da igreja do Seminário de S. José existem várias lápides. Uma delas é de Hermelinda Joaquina Leiria Salatwichy Pitter falecida em 1855 com apenas 25 anos. Trata-se do nome de casada de Hermelinda Joaquina Cortela Leiria (1830-1855).
Vicente de Paulo Salatwichy Pitter nasceu em Macau a 10 de Janeiro de 1813 e morreu a 9 de Julho de 1882. Era filho (um de um total de sete) de Pedro Alexandre Salatwichy e Josefa Antónia Favacho, naturais de Macau. Casou em S. Lourenço a 6 de Novembro de 1849 com Hermelinda Joaquina Cortela Leiria com quem teve quatro filhos. Tendo a mulher morrido voltou a casar a 16 de Fevereiro de 1858 com a sua cunhada Eugénia Norberta Cortela Leiria (1831-1902), um casamento do qual resultaram três filhos.
Vicente de Paulo era formado em medicina pela Escola Médica de Goa tendo exercido na Ala de Medicina do Hospital Real a partir de 1839. Regressado a Macau foi nomeado cirurgião ajudante interino do Batalhão de linha do qual seria exonerado em 1865 conservando as honras de cirurgião ajudante honorário do referido batalhão. Em Macau foi ainda facultativo da superintendência da emigração chinesa, redactor do jornal o Imparcial (fundado em 1873), membro da Santa Casa da Misericórdia, representante consular de França, vereador do Senado e membro do Conselho do Governo.
No Boletim da Província de Macau e Timor de 17 de Junho de 1867 pode ler-se que "o aterro da Ponte da Rede, pertencente ao sr. Dr. Pitter, tem sido feito sob as vistas deste cavalheiro com tanta expedição como acerto". Refere-se ao Porto Interior, uma zona próxima da actual Rua da Praia do Manduco onde o Dr. Pitter possuía vários "godões" (grandes armazéns).
Na edição de 13 de julho de 1882 o jornal "O Macaense" informa que "Pelos serviços que prestou gratuitamente às guarnições de vários navios de guerra franceses durante a epidemia de cólera-morbus, que assolou a cidade, foi condecorado com o hábito da Legião de Honra. Mais tarde o governo português agraciou-o com os de Cavaleiros da Legião d´Honra de Cristo e da Conceição e depois de Torre e Espada".
Na edição de 15 de Julho de 1882 (sábado) o Boletim da Província de Macau e Timor dá conta da morte do ilustre médico macaense:

A fama do Dr. Pitter não tem origem nos seus actos médicos mas sim num chá. Luís Gonzaga Gomes refere-o nas Curiosidades da História de Macau (1954) tal como um artigo publicado em 1988 a professora Ana Maria Amaro (que na década de 1970 ainda conheceu a neta do Dr. Pitter - Maria Teresa Pitter que em Dezembro de 1999 ainda estava viva com 91 anos - explica que o referido preparado medicinal por ele descoberto e manipulado, tinha por designação "Sin Cap Dr. Pitter" ou "Chá do Dr. Pitter" estando muito em voga em Macau ainda na década 1970 quando "era vendido (em farmácias chinesas) em embrulhinhos de papel de seda cor-de-rosa e apresentava-se sob o aspecto de um pó muito fino". Tratava-se de uma infusão de oito espécies de plantas que tratavam doenças do sistema digestivo. Usada na medicina tradicional chinesa a infusão era "considerada um bom estomáquico e eupéptico, usava-se como profiláctico, após um chá gordo ou lauto banquete, e era também muito estimada em Macau contra afecções gastro-intestinais de diferentes etiologias."
Detalhe do Porto Interior (Ilha da Lapa ao fundo) numa foto ca 1870 de William Prior Floyd

O médico José Caetano Soares num livro publicado em 1850 - Macau e a Assistência - refere que Pitter era de "origem estrangeira mas nascido e velho residente em Macau". Monsenhor Manuel Teixeira dá a explicação afirmando que "aparentemente o apelido Piter parece ser uma corruptela do nome próprio do pai – Pedro ou seja, Pietro em italiano. Assim, Piter terá funcionado como um autêntico patronímico, logo assumido como apelido em detrimento do próprio apelido original da família."
Voltando à lápide que referi no início deste post, a mesma foi mandada fazer na Europa pelo marido de Hermelinda em 1860. A mulher começou por ser sepultada no jazigo de família no Cemitério de S. Miguel e mais tarde o bispo de Macau autorizou a transladação para a igreja do Seminário de S. José.
Como costumo dizer em Macau há história ao virar de cada esquina. Basta olhar como olhos de ver. E por isso sabe tão bem voltar (a casa) como aconteceu no passado mês de Abril onde a igreja do Seminário de S. José foi uma das paragens obrigatórias.

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

O primeiro Observatório Meteorológico

Data de 1861 a criação do primeiro Observatório Meteorológico de Macau. Ficava junto ao então designado Hospital Militar, que juntamente como Hospital da Misericórdia (S. Rafael), eram os dois hospitais do tipo ocidental em Macau. O denominado S. Januário só seria inaugurado em 1874.
"Observações meteorológicas feitas no Hospital Militar de Macau": Agosto 1863

Foi o então cirurgião-mor do território, Dr. Lúcio Augusto da Silva, o responsável máximo pela saúde pública no território, o autor das primeiras observações meteorológicas, como se pode aferir num relatório por ele escrito e publicado em 1866 no Boletim do Governo (de Macau) e na Gazeta Médica de Lisboa. 

"O estudo de todos os phenomenos meteorologicos que tão poderosa influencia exercem nos seres organisados demanda tanta dedicação e trabalho que difficilmente póde ser emprehendido por um só individuo e de modo algum por aquelle que se vê sobrecarregado de outros encargos. Não havendo um observatorio em Macau tive de observar e registar os principaes phenomenos meteorologicos como a temperatura a humidade a pressão atmospherica a chuva e o estado do tempo. Estas observações poderam ser feitas apenas duas vezes no dia. Os instrumentos aferidos pelos padrões do observatorio meteorologico da escola polytechnica de Lisboa, cujas instrucções segui, foram colocados no melhor local de que pude dispor, no hospital militar a poucos metros de altura acima do nivel do mar. Remetti a V. Exa. os mappas meteorologicos mensaes bem como o quadro geral de cada um dos tres ultimos annos. Não são observações completas por faltarem muitos outros dados importantes mas apresentam aquelles a que mais geralmente se attende e a que eu pude dedicar-me.
Antes de apresentar o resumo de todos esses dados e fazer sobre elles algumas considerações direi o que me parece ácerca das quatro estações do anno n'esta localidade. Dependendo as estações da temperatura e esta da circumstancia geometrica que acompanha o movimento da terra em torno do sol é claro que ellas variam em numero e duração em diferentes regiões do globo. As quatro estações como se acham estabelecidas nas latitudes que se comprehendem na zona temperada não duram o mesmo tempo nos paizes proximos dos tropicos e reduzem-se mesmo a duas nos que ficam ao equador e aos polos.
Na pequena peninsula de Macau situada a 22 12 44 de latitude norte, isto é, quasi no tropico de cancer, na zona torrida dá-se a primeira d'estas circumstancias. Os solsticios e equinoxios são para os astronomos os factos que marcam os limites entre as quatro estações do anno. Os meteorologistas porém, tendo em attenção sómente a marcha da temperatura e deixando de parte esta precisão dos dias em que o sol no seu movimento apparente se approxima dos dois limites ao norte e ao sul e passa por duas vezes sobre o equador, comprehendem na primavera março abril e maio, no estio junho julho e agosto, no outono setembro outubro e novembro e no inverno dezembro janeiro e fevereiro.
Fundando-me nos dados meteorologicos obtidos nos tres ultimos annos podia, se me fosse permittido, estabelecer a duração das estações em Macau do modo seguinte: primavera abril e maio, estio junho julho agosto e setembro, outono outubro e novembro, inverno dezembro janeiro fevereiro e março. Parece me isto mais rasoavel sobretudo quando se trata de estudar as doenças, comtudo meteorologistas de primeira plana reprovam como introduzindo confusão na sciencia o crear estações particulares para diferentes regiões do globo. (...)
Temperaturas médias entre 1862 e 1864

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Consultas grátis do cirurgião-mor em 1853

"A. L. P. Crespo, Cirugião-Mor da Província previne a todas as Pessoas, que se queirão utilizar do seu prestimo Medico Cirurgico, que fixou a sua residencia na Praia Grande, Casa nº 45, aonde se promptefica a tratar gratuitamente todos os individuos, que se não achem em circumstancias de lhe pagar, das oito às dez horas da manhã. Macao 20 de Julho de 1853"

in Boletim da Província de Macao, Timor e Solor - 28.7.1853

António Luiz Pereira Crespo (da Marinha) esteve muitos anos em Macau sendo um dos responsáveis pela iniciativa de criar em Macau um teatro - o Teatro D. Pedro V. Em 1857 por sua iniciativa o antigo Convento de Santo Agostinho foi convertido em Hospital Militar. Sucedeu-lhe no cargo Lúcio Augusto da Silva

terça-feira, 14 de março de 2023

Trespasse da "Pharmacia Popular": 1910

 
"Pharmacia Popular
Quem quizer tomar de trespasse a Pharmacia Popular com todos os medicamentos, utensílios e mobília, dirija-se ao abaixo assinado (...) Todas e quaesquer informações poderão ser obtidas na referida pharmacia em todos os dias úteis, das 10 horas ao meio dia. Macau, 25 de janeiro de 1910. O Director, Henrique Nolasco da Silva." Anúncio da década de 1910.

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Os médicos Vandermonde

Jacques-François Vandermonde, natural de Landrecies, na Flandres francesa, formou-se como médico na Faculdade de Medicina de Reims. Em 1720 partiu para o Extremo Oriente ao serviço da Companhia Francesa das Índias Orientais. Serviu primeiro na ilha Poulo Condor (actual Vietname), depois em Cantão e finalmente em Macau onde trabalhou como médico a partir de 1723 onde era conhecido como Jacob Francisco Van der Monde.  Foi no território que nasceu o filho Charles-Augustin Vandermonde, em 1727. 
Após a morte da mãe, Doria Espérance Cacilla (segundo alguns documentos) - na verdade a macaense Esperança Cecília - (casaram me Macau), Charles-Augustin e o pai regressaram a França (Paris) em 1732, onde o pai morreu em 1746. Charles-Augustin Vandermonde também se formou em medicina na Faculdade de Medicina de Paris em 1750. 
Em 1756 publicou o Essai sur la manière de perfectner l'espèce humaine, no qual argumentava que os humanos podem ser melhorados aplicando-lhes os princípios da criação de animais. Editou ainda um dos primeiros jornais dedicados à medicina, o Recueil périodique d'observations de médecine, chirurgie, pharmacie (mais tarde Journal de médecine, chirurgie, pharmacie). Em 1759 publicou anonimamente um popular dicionário médico, o Dictionnaire portatif de santé. Morreu em 1762 aos 34 anos.
Charles Boxer descobriu um documento em 1973 sobre os Vandermonde, nomeadamente sobre o pai que foi "Físico e Cirurgião do partido desta cidade" desde Março de 1723. 
Segundo Boxer, no artigo A Sino-French Medical Manuscript of 1730, o pai Vandermonde foi médico em Macau durante seis anos e receia uma salário anual de 500 patacas. Chegou a receber nacionalidade portuguesa.
Sugestão de leitura: "Os Médicos em Macau", do padre Manuel Teixeira, editado em 1967.

quarta-feira, 23 de março de 2022

Dispensários e água gaseificada no século 19

Em meados do século 19 existiam na Praia Grande o "Lisbon Dispensary and Soda Water Manufactory", no nº 35 - era também a Pharmacia Lisbonense" - e o "National Dispensary" que ficava no nº 81.
A água carbonatada/gaseificada - soda water - era algo muito em voga na época visto ter alguns benefícios para a saúde. Existia na natureza mas só seria criada artificialmente graças aos estudos do inglês Joseph Priestley e do francês Antoine Lavoisier, entre 1772 e 1773. Baseado nesses estudos, o farmacêutico Thomas Henry tornou-se o primeiro a produzir esta bebida industrialmente em 1782. Vendidas como produtos medicinais, estas águas com gás dióxido de carbono sob pressão existiam com vários sabores (refrigerantes). Estava dado o primeiro passo para que anos mais tarde surgisse a Coca-Cola.
Anúncios de 1866 e 1867 in "O Boletim do Governo de Macau"
Um "dispensario" era um estabelecimento de beneficência, público ou privado, que prestava gratuitamente assistência médica, cuidados e medicamentos a doentes socialmente necessitados.

José Severo da Silva Telles surge como dono ou gerente em 1870 enquanto A. de Barros era o proprietário em 1874. O Lisbon Dispensary pertencia a J. Neves de Souza.
Os anúncios abaixo, publicados em jornais de Macau em 1888 e 1889, são da "Pharmacia Lisbonense" e atestam o tipo de produtos comercializados: desde medicamentos a artigos para toilette passando por conservas e vinho.


sexta-feira, 11 de março de 2022

Regulamento do Hospital Militar: 1838

Em baixo apresento um excerto do "Regulamento para o Hospital Militar" datado de 1838.
O hospital funcionava anexado ao então denominado Hospital da Misericórdia (mais tarde redenominado S. Rafael). Por volta de 1856 passou a funcionar no Convento de Santo Agostinho.
O Batalhão do Príncipe Regente foi formado a 13 de Maio de 1810 com cerca de 400 soldados oriundos de Goa, mais os oficiais já estacionados em Macau vindos de Portugal. Para além de ter de a responsabilidade da defesa da cidade de eventuais agressores externos funcionou também como polícia da cidade quando ainda não existia esta força policial. Era constituído por quatro companhias tendo inicialmente ficado alojadas na Casa da Alfândega duas companhias e outras duas na Fortaleza do Monte. O Batalhão seria extinto em 1845 e substituído pelo Batalhão de Artilharia de Primeira Linha.

domingo, 30 de janeiro de 2022

"Aviso de Interesse Público": 1855

"O Cirurgião-Mor da Província previne às pessoas que tenhão crianças por vacinar, que continua no Hospital da Mizericórdia todas as Segundas-feiras das 10 horas às 11 da manhã à vacinação. Macao, 29 de Dezembro de 1855"


 

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Edifício do Convento de Santo Agostinho

O que proponho para este post é um excerto de um relatório de 1866 do cirurgião-mor do território, Lúcio Augusto da Silva, de 1866 e que apresentada uma descrição muito detalhada de como era o edifício do Convento de Santo Agostinho*.
"O hospital militar acha se estabelecido no convento que pertenceu aos frades da ordem de Santo Agostinho. Depois da extincção dos frades serviu este edificio de quartel ao batalhão de primeira linha e mais tarde de habitação ás recolhidas que occupam actualmente o convento de Santa Clara.
A portaria do governo da colonia de 21 de novembro de 1855, extinguindo a antiga enfermaria militar que occupava então parte do edificio do hospital da misericordia, creou o hospital militar que, como a referida enfermaria, continuou a occupar a mesma casa. Só em 6 de junho de 1857 é que os doentes militares foram transferidos para o edificio que presentemente occupam. A creação d'este estabelecimento deveu-se ás instancias do meu antecessor, o cirurgião-mór, Antonio Luiz Pereira Crespo. 
O edificio está situado sobre uma collina na distancia de duzentos metros, pouco mais ou menos, do mar, no centro das ruas mais habitadas pelos portuguezes e sobranceiro a quasi todos os outros edificios proximos, dos quaes está convenientemente afastado.
Avista-se d'elle o mar e uma grande parte da cidade do lado do norte do nascente e do sul. As condições de exposição pois são boas e seriam excellentes se do lado do oeste não ficasse elle unido á igreja.
Compõe-se o edificio de quatro corpos de construcção dispostos de modo a formarem um quadrado deixando um pateo interior. Cada um d'estes corpos olha para um dos quatro pontos cardeaes da terra. O corpo do sul onde fica a fachada do edificio contém no pavimento superior o seguinte: sala das sessões e archivo da repartição de saude, casa para recepção dos doentes, quarto do enfermeiro-mór, casa de deposito dos appositos e instrumentos cirurgicos, dois quartos para os officiaes, um com quatro e outro com duas camas, e em frente d'estes quartos, um corredor com uma janella no fundo, aberta para leste. No pavimento inferior ha a casa da guarda e dois calabouços soalhados, um com capacidade para oito e outro para duas camas. O corpo de leste comprehende no pavimento superior duas enfermarias separadas por uma pequena casa onde estão os instrumentos meteorologicos, uma das quaes tem treze e a outra quatorze camas, podendo cada uma d'ellas conter, em caso de necessidade, mais duas.
Parallelo a estas duas enfermarias ha um corredor com janellas para o pateo interior. No pavimento terreo fica a casa das autopses e uma grande enfermaria soalhada que só uma vez em occasião de pinturas no edificio foi occupada por doentes. Esta enfermaria tem espaço para dezoito camas. O corpo do norte compõe-se de um extenso corredor ao norte do qual, e parallelos, ficam o quarto dos ajudantes de enfermeiro, duas enfermarias cada uma com sete camas, o quarto do segundo enfermeiro, a casa de deposito das roupas e, na extremidade de leste, a latrina. No lado opposto do corredor ha tres quartos para os officiaes inferiores com janellas para o pateo interior e contendo duas camas cada um. No pavimento inferior fica a casa dos banhos e a de deposito dos utensilios.
O corpo do oeste é apenas um corredor com janellas para o pateo central ficando de outro lado unido á igreja e por conseguinte privado d'esse lado da necessaria ventilação. Contém treze camas. O corredor do pavimento inferior serve de passagem para a sacristia da igreja. O hospital tem tres quintaes, em um dos quaes appenso ao corpo do norte fica a cozinha, a casa dos serventes chins e um poço de abundante e boa agua; e em outro ligado ao corpo de leste plantaram-se ha pouco tempo algumas arvores com o fim de se fazer um pequeno passeio para os convalescentes.
O edificio está velho. Nas occasiões das grandes chuvas e vento o tecto exige sempre consertos que nunca o põem de modo que não careça d'elles n'essas occasiões. Só despendiosas obras dariam a este edificio todas as condições que requer um bom hospital.
Entretanto sem grande despendio se podem melhorar muito as condições hygienicas das enfermarias abrindo algumas janellas e dando ás que existem a fórma propria para a ventilação de differentes modos. S. exa. governador está disposto a mandar fazer algumas n'este sentido. O edificio porém está a todos os respeitos mui conveniente estado de aceio.
No hospital militar não faltam roupas e utensilios necessarios para o seu serviço. Quando cheguei a esta cidade fiz extensa requisição que foi satisfeita e que veiu supprir faltas. Requisitei tambem (...) caixas de instrumentos cirurgicos, machina electro magnetica de modo que o hospital não carece dos principaes para satisfazer ás necessidades actuaes d'esta colonia.
Tem elle sessenta e oito leitos de ferro e como somente em circumstancias anormaes pode haver maior numero de doentes, ha leitos d'estes para todos sendo os dos quartos dos officiaes mais commodos que os outros.
O hospital militar não tem outros rendimentos que não sejam os descontos feitos aos doentes que n'elle são tratados. Estas quantias ficam na fazenda publica para onde se remettem as importancias que pagam outros doentes que não têem vencimento pelo estado. A fazenda publica como é claro paga todas as despezas. A receita do hospital em consequencia do pequeno movimento clinico não chega para as despezas. O deficit porém, se assim se pode chamar, é em alguns mezes insignificante.
O movimento annual do estabelecimento tirada a media dos ultimos tres annos, de 1862 a 1864, é de 746 doentes. Todo o serviço do hospital é feito em conformidade do regulamento que apresentei e foi approvado pelas auctoridades superiores e de que já remetti a v. exa. um exemplar. A este regulamento estão appensos os modelos dos differentes mappas, tabellas, papeletas e altas dos doentes. A relação dos empregados do estabelecimento vae junta a este relatorio. N'elle V. exa. encontrará a minha informação sobre as habilitações, moralidade e serviços d estes funccionarios."
* A construção da Igreja de Santo Agostinho e o Convento foi iniciada em 1586 por frades agostinianos, mas só foi concluída em 1591. O primeiro convento de Macau foi o de S. Francisco e data de 1584.
Vejamos o que escreveu António Marques Pereira nas "Ephemerides commemorativas da historia de Macau" publicado em 1868:
"22 de Agosto de 1589: Os religiosos de Santo Agostinho tomaram neste dia posse do convento de Nossa Senhora da Graça em Macau que já antes haviam fundado os padres hespanhes da mesma ordem os quaes o cederam por determinação de el rei D Felippe I intimada pelo governador da India Manuel de Sousa Coutinho. Affirmam alguns manuscriptos que no ánno de 1591 se mudou o local do convento para onde se vê ainda formoso alto da cidade de onde se descobre toda a Praia Grande e o mar. Querem outros que só fosse a mudança de algumas portas e não de todo o corpo do convento por se não encontrar noticia nem vestigios do que se pretende dar por mais antigo." 
Em 1894 o convento albergou o Liceu de Macau que nesse ano foi inaugurado.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

"Laminas de vaccina": 1855

No ano de 1855 o cirurgião-mor de Macau (e também de Timor e Solor), António Luís Pereira Crespo*, pediu ao governador para solicitar a Lisboa o envio de "lâminas de vaccinas" (contra a varíola) para "prevenir o contágio das bexigas,, uma das epidemias que mais vítimas tem feito naquela cidade". 
De Lisboa seguem em Maio desse ano seis pares de lâminas, daí o "avizo de interesse público" dirigido aos "cheffes de família" referir "pequenas quantidades". 
Sabe-se hoje que de facto não resultariam já que as vacinas não eram  transportadas hermeticamente fechadas sendo sujeitas durante o período da viagem a elevadas temperaturas.
Nesse ano tinha sido criado o hospital militar - funcionava até então no antigo convento de Santo Agostinho - mas as vacinas eram administradas no Hospital da Misericórdia (mais tarde denominado S. Rafael).
Natural da Marinha Grande, casou em Macau em Janeiro de 1854 com Bárbara Joaquina da Silva. Em 1858, por motivos de doença, teve seis meses de licença para tratamentos  em Portugal.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

"Medicamentos Novos": 1866

Anúncio várias vezes publicado no "Boletim do Governo de Macau" ao longo do ano de 1866 sob o título "Medicamentos Novos".

Os seguintes medicamentos encontram-se em Macau, na pharmacia de Leopoldino de Figueredo, e em Hong-kong, na pharmacia franceza." 
Um deles era o Xarope de Hipophosphito de Cal (hipofosfito de cal), "recommendado para doenças de peito" curando "tosse", "suores nocturnos" e os "catarros ordinários".
Já as "Grageas de Cubebina" - substância extraída da semente seca da pimenta asiática - eram aconselhadas para os casos de "hemorragias ureticas ou gonorrehas" sendo "muito faceis de tomar".
Para a anemia anunciava-se o "precioso medicamento" denominado "Hypo-Phosphato de Ferro".

Leopoldino Augusto da Cunha Figueiredo era na época o "pharmacêutico civil" da repartição de Saúde Pública. 

Existiam na época outras "pharmacias".

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Farmácia Moderna

Estes dois anúncios da "Farmácia Moderna" foram publicados no Directório de Macau na década de 1930. A "Moderna" ficava nos números 43, 45 e 47 da Av. Almeida Ribeiro. Era propriedade de A. P. Jorge estando a direcção técnica a cargo de Sara Pacheco Jorge. A empresa estava registada como "Jorge & Ca. Lda".
Graça Pacheco Jorge, familiar, que nunca tinha visto estes anúncios, recordou ao blogue Macau Antigo os tempos da Farmácia Moderna:
"A Farmácia pertencia ao avô Jorge que a comprou para a filha Sara, que era licenciada em Farmácia. A outra, Maria Edith Corrêa Nunes, era cunhada do filho mais velho do avô Jorge, Américo Pacheco Jorge, o gerente, que se tinha formado em Direito em Coimbra, e casou com uma colega que foi com ele para Macau, levando a família toda, e como a irmã era farmacêutica o bom do avô deu-lhe emprego na Farmácia."
The Directory and Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, (...) - 1938
A Moderna, tal como a Popular (fundada em 1895), eram farmácias do tipo ocidental, e não eram as únicas em Macau (o anúncio acima é da década 1920 da Farmácia Universal; havia ainda na década de 1930 a Lusitânia), mas também existiam farmácias do tipo oriental.