domingo, 18 de outubro de 2026

"O Buddhismo e os Pagodes de Macau" por MSM (1919)

No artigo "O Buddhismo e os Pagodes de Macau" publicado no jornal O Macaense de 12 de Outubro de 1919 (Ano I, Número 23, página 1) Manuel da Silva Mendes começa por enquadrar o budismo como um cosmoteísmo em que o universo é divino e constitui uma comunhão total. Esclarece que figuras como Buddha (Sakya Muni), Amitabha ou os bodhisattvas não são deuses no sentido tradicional, mas sim seres que atingiram a perfeição e a integração na Alma Universal através da abnegação, da virtude e da aniquilação do egoísmo. Ao contrário do cristianismo, o budismo não conceptualiza o cosmos como um local de julgamento final de salvos e condenados, mas sim como um processo contínuo de aperfeiçoamento, salvação e pacificação universal.
Descreve a evolução histórica dos pagodes — originados a partir de simples capelas e relicários erguidos sob árvores sagradas em honra de Sakya Muni — e aponta que, em Macau, os pagodes seguem princípios rigorosos de simetria e simplicidade estrutural. Embora careçam de monumentalidade arquitectónica e contem geralmente com poucos pavimentos, o autor destaca que a verdadeira beleza reside na ornamentação decorativa e, sobretudo, nos telhados curvos e esmaltados, ricamente enfeitados com dragões, fénix e símbolos budistas em faiança (como os de Shek Wan)*.
Silva Mendes sublinha o bom gosto dos bonzos chineses na escolha de locais pitorescos e isolados, rodeados de natureza, para a implantação dos templos. Destaca três locais principais na região:   
Templo de A-Má (Má Kok Miu / Barra): Valorizado pelo pitoresco cenário natural onde está inserido.   
Templo de Monghá (Kuan Yin Tong): Considerado o mais artístico e rico em pormenores decorativos, destacando-se o seu amplo átrio, a fachada em granito bem lavrado e os frisos ornamentados em faiança.   
Templo de Lin Fong (Portas do Cerco): Notável pela atmosfera de isolamento e culto aos seus ídolos.   

Manuel da Silva Mendes conclui que, apesar de os tempos modernos demonstrarem alguma escassez de recursos e de fé em comparação com o esplendor passado, locais como o Templo de Monghá continuam a ser procurados por muitos romeiros e aflitos (com destaque para o culto a Kuan Yin e à divindade das águas A-Má / Tien Hao, bem como as festividades dedicadas a Ti Chong Wong em Lin Fong Miu), merecendo o devido respeito pela eficácia e alívio espiritual que proporcionam aos crentes em momentos difíceis.
* MSM fez uma colecção desta cerâmica que ainda hoje pode ser vista no Museu de Arte de Macau
Templo de A-Ma: postal raro colorido manualmente. Década 1920/30


Transcrição do artigo
Os pagodes hão de ser vistos, para serem comprehendidos, á luz da fé e do sentimento buddhicos. O universo é, na doutrina buddhista, um cosmoteismo; o cosmos é divino. O todo universal constitue uma comunhão, que inclue as existencias celestes e terrestres, os seres que sentem e os seres que não sentem.
Buddha Sakya Muni, buddha Amitabha, buddha Brahma, os bodhisattvas, os Arhats não são deuses. Na religião buddhista não ha deuses nem ha deuses. Ha seres perfeitos — e esses o foram — que por suas virtudes se consubstanciaram na Alma Universal.
Os homens são concretas mefesações no seu ser material e espiritual do todo structural cosmico. O seu ultimo destino é o seio da Alma Universal; a purificação pela abnegação da personalidade até ao aniquilamento, na prática do bem, da propria vontade é o meio, é a via que conduz ao final termo, á existencia tranquila e feliz no ritmo da Alma do Cosmos.
O egoismo da personalidade traz os homens desviados do conhecimento do seu destino e da felicidade. Aquele e esta só se alcançam pelo aniquilamento do egoismo, pelo desprendimento de apetites, pela abdicação da personalidade no amor dos outros seres, pela meditação, pelas boas obras, pela insistente prática da virtude.
A actividade do universo toda se dirige no sentido do aperfeiçoamento dos seres que o constituem, no encaminhar da multidão das existencias a um ritmo sincronico. O cosmos, deus, luta por se integrar; luta pela perfeição. Muitos seres atingiram já o final termo, o nirvana, a grande paz, a absoluta tranquilidade, a existencia sem vontade, a existencia satisfeita...
Muitos outros seres existem transviados, presos na engrenagem de sucessivas existencias de vida e de morte. Mas ha no Cosmos providencia. Os bodhisattvas velam por êles e mais cedo ou mais tarde os levam á via da perfeição; e o cosmos na sua inconcontavel multidão de seres ha de por fim palpitar como uma só Alma.
Ao contrario do cristianismo que na consumação dos séculos faz da terra, dos astros e de tudo uma fogueira e recolhe todas as almas desde a de Adão até á do Anti Cristo umas ao Ceu a passar aí a eternidade com o Padre Eterno e outras ao Inferno a passá-la com o Diabo, o buddhismo não queima nada, melhora o mundo, aperfeiçoa-o, salva a humanidade e todos os seres.
Sakya Muni, seis séculos antes de Cristo, foi o fundador da religião buddhista. Pela prática sistematica da virtude, pela abnegação, pela meditação, sentiu-se iluminado; e Brahma então lhe disse: Ensina aos outros homens a Verdade, tu que agora a vês. E daí Sakya Muni, o novo buddha, o Santo, começou de prégár aos homens como a salvação pode ser alcançada. Por isso ele é, no buddhismo, o Revelador, o Salvador, o Mestre.
Com as suas maximas, com os seus preceitos, com o seu exemplo, começou então a religião buddhista de formar-se e depressa se completou com adições que os Arhats, discipulos do Mestre, lhe fizeram. Intervein tambem logo a metafisica clerical, oficial, profissional; interveiu simultaneamente a superstição; e de tudo isto se formou um vasto corpo de doutrinas religiosas, incongruente, sim, mas perfumado de poesia.
Reliquias do buddha, do santo Sakya Muni, após a sua morte, foram repartidas pelos paizes que tinham abraçado a sua doutrina, e depositadas em capelas que, para as guardar, foram erigidas á sombra de copadas arvores em memoria daquela sob a qual êle pela vez primeira se sentiu iluminado.
Destas capelas solitarias, relicarios que não templos, á forma dos actuaes pagodes a distancia; quasi nula, depressa foi transposta: em volta do sagrado vaso incisas inscrições muraes, a figura do Santo em mais relevo insculpida, depois a representação antropomorfica de buddhas, do mesmo Sakya Muni, de bodhisattvas, de Arhats, de Espiritos Protectores, de Espiritos Malignos e das demais entidades superiores e inferiores que a sempre e em toda a parte fertil imaginação de crentes rapidamente cria.
E aí temos porque, sem necessidade de mais razões dar, os pagodes ainda hoje em toda a China se vêem com a estrutura arquitetónica de capelas, uns de um só pavilhão, outros compostos de varios pavilhões ou compartimentos, separados por pateos ou estreitos corredores. Assim são tambem os pagodes de Macau.
O principio que determina nos pagodes o plano de projecção é o da simetria. Tanto o corpo principal como os corpos lateraes, os pateos, os corredores, os motivos decorativos, os detalhes são todos planeados simetricamente. Por isso no conjunto não ha variedade: ha monotonia, e tudo se resume em um grupo de capelas separadas umas das outras por alpendres, pateos ou corredores. Nos templos buddhistas não ha grandeza. Raros são aqueles que tem mais de um pavimento; e o segundo, aqueles que o têm, não é construido para efeitos arquitetónicos, senão para acomodar a desmesurada altura de alguns idolos.
A pobreza dos desenhos arquiteturaes dos pagodes é até certo ponto compensada pela profusão dos detalhes decorativos e principalmente pela forma e ornamentação da cobertura. O telhado é, com efeito, a parte verdadeiramente graciosa do edificio. Recurvos nas extremidades, revestidos de telhas esmaltadas, profusamente ornamentados de dragões, phoenix, kilins e outros grotescos animaes, prendem a atenção de quem os contempla.
No centro e no norte da China para maior efeito ornamental alguns telhados são duplos, outros triplo s sobrepostos uns aos outros. No sul, onde os vendavais são frequentes, este desdobramento seria perigoso. Um ou outro, porém, se encontra desse tipo, não em Macau, mas em diferentes pontos do interior da provincia de Kuang Tung, principalmente em megaros menos expostos á acção das intemperies.
Os bonzos chinêses tiveram sempre o bom gosto de escolher para assento de seus pagodes os mais pitorescos sitios. Onde houver espesura de arvoredo, uma pena de agua, penedia encastelada, natureza virgem, haverá um pagode: Barra, Monghá, Portas do Cerca, Gruta de Camões. O buddhismo requer isolamento; é uma religião de meditação, mais do que de palavras. Foi em retiro, sob uma bodhi, que Sakya Muni alcançou buddhaísar-se; o santo Buddhidharma deixou as suas pégadas impressas na rocha de Siu Lam Si, sobre a qual nove anos passou meditando os sutras.
Templo de Lin Fong
Ilustração criada por IA a partir de foto ca. 1900/1910

Não devem em demasia á Arte os pagodes de Macau. Ha-os mais cotados na provincia de Kuang Tung. Todavia, os três, da Barra (Má Kok Miu), de Monghá (Kuan Yin Tong) e das Portas do Cerco (Lin Fong Miu), são dignos de serem visitados: o da Barra pelo pitoresco do sitio em que os bonzos o engastaram; o de Monghá pela sua arquitectura e decoração; e o das Portas do Cerco pela solidão em que bonzos e fieis ali tem seus idolos como mortos.
E' de todos, o de Monghá, da invocação de Kuan Yin, o mais artistico. Amplo o atrio; bela a fachada; o grande portal da entrada, escadas, colunas em bem lavrada cantaria de granito; sobre os tectos, kilins, phoenix, dragões e outros simbolos buddhistas em esplendida faiança de Seak Wan; um elaboratissimo friso em faiança da mesma procedencia, representando cênas religiosas, ao longo da fachada. E' belo.
Templo de Kun Iam. Ilustração criada por IA a partir de foto da década 1920

Mas os tempos que correm, são de pouca fé. Escasseia dinheiro para o luzimento do culto. Idolos que outrora, de longo, arrastavam em romaria multidões a seus pés, e de ex-votos faziam seus templos famosos, poucos restam com o pristino prestigio. Vamos que os de Macau menos do que o maior numero dos de fóra tem sofrido. Kuan Yin de Monghá ouve ainda as preces fervorosas de muitos pecadores e é so-lagio de muitos aflitos; no dia 19 da 6a. lua enegreceu beneficiente divindade, tão espessa é a nuvem de romeiros que vai ali prestar-lhe culto. Em grande prestigio tem ainda Má Kok Miu a sua Tien Hao ou Neung Má, a padroeira de quem anda sobre as aguas e das mulheres que desejam a sua prole assegurada. Fiéis sem conta no dia 23 da 3a. lua em cada ano assistem á glorificação desta mãe dos espiritos celestes e de todos os fieis buddhistas que, para esplendor do culto, lhe vão deixar seu óbulo. Em Lin Fong Miu celebra-se tambem com grande pompa anualmente no dia 3 da 7a. lua o poderoso Ti Chong Wong, o Rei das Entranhas da Terra, o Juiz Soberano do Reino dos Mortos. Em Hong Kong Miu é a Chü Soi que rendem no dia 7 da 7a. lua culto os fieis buddhistas com profusão de manifestações festivas. Não está morta, pois, a fé. E se vã quisermos que intrinsecamente seja, concedamos ao menos que é muitas vezes eficaz alivio em momentos dificeis da vida, e, por isso, quando por mais não seja, respeitemo-la. 
Silva Mendes."

sábado, 17 de outubro de 2026

O "frontão triangular" da SCM

A Santa Casa da Misericórdia (SCM) é uma instituição de caridade fundada em Lisboa em 1498 pela Rainha D. Leonor. Em Macau a SCM foi estabelecida em 1569 por D. Belchior Carneiro (1516-1583), primeiro Bispo de Macau. Foi uma das primeiras organizações de caridade ocidentais na China e pioneira no serviço de assistência social em Macau, tendo fundado o primeiro hospital de estilo ocidental da China (S. Rafael), a primeira instituição para tratamento de lepra, além de uma casa para crianças abandonadas, um lar de idosos e um orfanato.
O edifício-sede da Santa Casa da Misericórdia fica no Largo do Senado onde há muitos séculos foi erigida a Igreja da Misericórdia (pode ver-se em desenhos de G. Chinnery feitos entre 1825 e 1852). O actual edifício sofreu várias renovações ao longo dos tempos. A mais significativa resulta da reconstrução ocorrida em 1905. O edifício tem dois andares e apresenta um estilo arquitectónico neoclássico. A fachada principal é caracterizada por dois níveis de arcadas, com sete arcos separados por pilastras de desenho ecléctico. O corpo central da fachada, ligeiramente avançado, é encimado por um frontão triangular que ostenta o brasão da Santa Casa da Misericórdia de Macau. Recentemente a decoração deste frontão alterou o original e, salvo melhor opinião, inclui um erro.
Esta foto da autoria de Gloria Ma foi tirada já na década de 2020. Pode ver-se do lado esquerdo o que deveria ser a abreviatura MIZA embora surja MAAZ. Tem ainda a cruz latina que representa Cristo Redentor e o calvário, indicativo do carácter religioso e cristão das Santas Casas, servindo como o símbolo do sustento, amparo e conforto prometido aos doentes, pobres e desprotegidos. Por baixo está uma caveira com duas tíbias passadas em aspa, símbolo da morte, para a qual a Misericórdia proporciona conforto espiritual.
Do lado direito as Armas de Portugal: cinco escudetes azuis e a bordadura vermelha com os castelos de ouro), sublinhando a sua fundação de raiz e matriz portuguesas.
Em baixo a versão 'primitiva' do frontão que não só era diferente como não era colorida (não obstante a foto ser a preto e branco). No vértice mais elevado ainda pode ver-se o busto de Melchior Carneiro que entretanto foi retirado e colocado no Museu da SCM.

Caracteres na fachada (lidos da direita para a esquerda): 
仁 慈 堂 o nome oficial em chinês da SCM de Macau:
仁 (Rén): Benevolência, compaixão.
慈 (Cí): Misericórdia, caridade.
堂 (Táng): Salão, casa.
Década 1930/40

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Gary Ngai: 1932-2026

Gary Ngai Mei Cheong, antigo tradutor de Mao Mao Tsé-Tung que se tornou vice-presidente do Instituto Cultural de Macau durante a administração portuguesa, morreu aos 94 anos, noticiou a imprensa local.
Gary Ngai morreu em Macau, em 07 de outubro, e o funeral decorreu na terça-feira, na presença de familiares e amigos, avançou o canal em português da emissora pública TDM – Teledifusão de Macau, na quinta-feira.
Nascido na Indonésia em 1932, Ngai tornou-se o primeiro membro da sua família de seis gerações de chineses ultramarinos a partir para a China, onde nunca havia estado.
Foi inserido num grupo de 80 alunos de escolas chinesas da Indonésia escolhidos para prosseguir estudos na China, o primeiro grupo de estudantes estrangeiros a chegar à nova China comunista.
Gary Ngay em 2016
Foto José Carlos Matias

"Estávamos em agosto de 1950, em pleno início da República Popular da China quando cheguei a Pequim", recordou Ngai à Lusa, numa entrevista em 2016.
Depois de se graduar, em 1956, iniciou a carreira profissional no Departamento de Relações Internacionais do Partido Comunista da China.
Esteve com Mao Mao Tsé-Tung "poucas vezes, sobretudo quando líderes comunistas da Europa visitavam Pequim", mas ficava "nervoso por estar muito perto", porque "ele era, afinal, um líder".
Com Deng Xiaoping a relação foi diferente: "Traduzia para ele e para os filhos os filmes de 'cowboys' a preto e branco que adoravam". A relação era boa e a amizade continuou mesmo depois de Mao ter posto Deng de parte.
Gary Ngai começou a perceber que "algo estava a ficar errado", no início de 1959, quando lhe foi negada autorização para se juntar a uma delegação que iria partir para Suíça.
"Soube mais tarde que fui discriminado por ser um chinês ultramarino. Foi um amigo meu que trabalhava no gabinete que fazia a seleção que me disse que só foram escolhidos os que não tinham qualquer tipo de relação com o estrangeiro", recordou.
Seguiu-se uma perseguição no trabalho, buscas em casa, interrogatórios durante dias a fio pela suspeita de "conluio com estrangeiros contra a China", e violência física e psicológica por parte dos próprios colegas de trabalho.
Com a Revolução Cultural (1966-76) em marcha, Ngai foi enviado para a província de Heilongjiang, perto da fronteira com a Rússia, notória pelos invernos rigorosos, com temperaturas que atingem os 36 graus negativos, sendo transferido depois para Henan, no centro da China. No total foram aproximadamente quatro anos.
"Éramos vistos como pessoas que deixaram de ser de confiança. Os chineses ultramarinos tinham conexões com o exterior e, por isso, consideravam-nos 'espiões imperialistas'", disse Ngai.
Gary Ngai na década 1960 em Moscovo
Foto do arquivo pessoal de GN

Em 1972, com a histórica visita do Presidente dos Estados Unidos Richard Nixon à China, foi chamado a Pequim antes do previsto, por causa da falta de especialistas em línguas estrangeiras.
Em 1979, Ngai, então com 47 anos, mudou-se para Macau, onde passou o resto da vida, chegando a ser vice-presidente do Instituto Cultural antes da transição de administração da cidade de Portugal para a China, em 1999.
Artigo (texto) Agência Lusa 16.10.2026
Sugestão de leitura: 
"A Witness to History: An Overseas Chinese in Mainland China and Macau" 
Biografia da autoria de Barnabas H. M. Koo, edição Macau Society of Social Sciences, 2016.

Simpósio Internacional sobre População e Desenvolvimento em Macau
Universidade de Macau:  6 e 7 de dezembro de 1993



quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Farmácias chinesas por Ana Maria Amaro

"(...) Contrariamente aos ervanários, as farmácias chinesas, conhecidas por iéok chói pou [yao cai pu 藥材 鋪], eram amplas e bem iluminadas, embora também sem janelas laterais, mas abertas para a rua em toda a extensão da sua fachada. Dentro dos grandes balcões envidraçados encontravam-se os simples mais preciosos, encerrados, muitas vezes, em verdadeiros estojos, cheios de algodão, ou forrados de seda: chifres de veado e de rinoceronte, mandrágoras e ginseng, patas de urso e hipocampos ressequidos (mas perfeitamente conservados) e certas pedras-bezoares. Em prateleiras, geralmente dispostas ao longo da parede fronteira ao balcão, sucediam-se grandes boiões de vidro, ou porcelana cara, com tisanas já preparadas. Nas paredes ou nos lintéis das portas estavam gravados ou pintados o nome ou o reclame da firma, enquadrados em molduras, geralmente de talha, a par de grandes espelhos, tradição antiga para afastar más infl uências e espíritos malfazejos, que podiam entrar com os doentes. Guarnecendo as paredes, sucediam-se fi las de gavetinhas em madeira preciosa, muitas vezes em pau-rosa ou teca, para melhor conservar as numerosas ervas secas, geralmente importadas. Estas gavetas distinguiam-se imediatamente das que se encontravam nas lojas dos ervanários pelos seus mais ou menos vistosos lavores, muitas vezes em preciosa obra de talha. Por toda a vasta sala, além dos espelhos decorativos, com inscrições e, por vezes, desenhos gravados dispunham-se pinturas, baixos-relevos ou caquemonos, primorosamente bordados a matiz, representando os patronos da medicina chinesa, antigos médicos ou imortais tauistas, alguns semilendários, com fama de milagrosos e, ainda, fi guras alegóricas ou emblemáticas de saúde e longevidade, como pêssegos, cabaças, cidras, gatos e borboletas, garças sobre pinheiros, densos maciços da bambu, a deusa Má Ku [Magu 麻姑] ou Sau Seng Kong [Shou Xing Gong 壽星公], bem como, em diferentes estilizações, o carácter sau [shou 壽], ideograma que significa “longa vida”. (...)
A mais antiga farmácia chinesa de Macau era na altura o Pavilhão da Longa Primavera (Chéong Chön Tong) [Chang Chun Gong 長春宮]. Fundada em meados do século XIX anos, na sequência da morte do seu proprietário vem a perder na década de 80 do século XX toda a sua riquíssima decoração em talha dourada, vendida, ao que se disse então, a um comprador de Hong Kong. Situada perto do Largo de S. Domingos, o seu nome estava perfeitamente da acordo com a sua actividade, já que Longa Primavera corresponde, metaforicamente, a longa juventude e, portanto, a longa vida, conceito básico da medicina tauista, e que leva a pensar nas vantagens dos bons remédios, quando bem escolhidos e bem preparados. (...)
Excerto de "Farmácias e Ervanários Tradicionais Chineses em Macau", de Ana Maria Amaro publicado na Revista de Cultura, nº 26, 2008.
"Pock Vo Tong Pharmacia China"  
Fotografias de Neves Catela ca. 1930
não incluídas no artigo referido
A indicação "#P" significa Poço (em chinês e em português); informava que dentro da propriedade existia um poço sendo útil aos bombeiros.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Do Jardim de S. Francisco via-se a baía da Praia Grande

No início do século 20 o Jardim de S. Francisco tinha um pequeno muro em redor.
Década 1920: baía da Praia Grande e colina da Penha vistas do Jardim de S. Francisco

Jardim à esquerda visto da Rua do Campo

Estes dois registos fotográficos são da década de 1920, pouco antes das transformações profundas devidas aos aterros de parte da baía da Praia Grande. Até então o jardim tinha do lado da baía apenas uma estrada estreita antes da água. Depois passou a ter uma vasta área aterrada. 
Para se ter um ponto de referência com a actualidade é só colocar-se frente ao Clube Militar (na altura denominava-se Grémio) e imaginar que em frente havia apenas uma estrada com cerca de 3 metros de largura. A ilustração acima foi criada por IA a partir de uma fotografia da década 1910/20.

No próprio jardim também houve mudanças significativas. Em meados da década de 1930 perdeu parte da área para ser construída a Rua de Santa Clara.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

"Golden Spur - Anchored Off Macao"

O Golden Spur foi um famoso navio clipper de três mastros construído em 1864 no estaleiro de Peter Ogier, em St. Sampson, na ilha de Guernsey (Canal da Mancha). Com mais de 60 metros de comprimento e 656 toneladas, a embarcação entrou para a história como o maior navio à vela e a última grande embarcação mercante de madeira fabricada naquela localidade. O navio foi projectado especificamente para o altamente lucrativo e competitivo comércio de chá com a China, uma rota comercial da época onde a impressionante velocidade dos clippers era crucial para garantir os melhores preços nos mercados ocidentais. Durante os seus anos em actividade, o navio navegou pelas movimentadas rotas do Oriente, ligando a Europa a importantes portos comerciais asiáticos, incluindo Macau. Naufragou em 1879. 
Postal ilustrado - reproduz uma antiga pintura - com a legenda "Golden Spur - Anchored Off Macao". Ou seja, o Golden Spur ancorado na baía da Praia Grande; do lado direito ao fundo, a colina da Guia com a fortaleza e ermida no topo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Boa Vista: "hotel de primeira classe" há 100 anos

Anúncio de 1926

Hotel Boa Vista
Hotel de primeira classe para turistas e residentes nesta cidade em geral. Excelente local com vista para o mar gozando sempre duma brisa agradável. Quartos muito arejados mobilados artisticamente, cosinha excelente, e todos os confortos modernos.
PREÇOS
Para uma pessoa - Cama e mesa desde $150.00 - Cama e criados desde $90.00
Para duas pessoas - Cama e mesa $250.00 - Cama e criados $130.00
Reduções especiais para famílias
Fornece-se comida pelos seguintes preços:
Almoço, tiffin e jantar — $90.00 por pessoa
Almoço e jantar — $75.00 por pessoa
Para recepções; jantares e chás, preços convencionais.
Na imagem acima - postal ilustrado - pode ver-se um candeeiro de iluminação pública na Av. da República. A qualidade da imagem não permite afirmar com total rigor o que está escrito. Mas tudo indica tratar-se da indicação de que o poste (terá o número) pertence à rede de iluminação pública concessionada pelo Leal Senado à The Macao Electric Company Limited (Melco).
A designação Boa Vista durou desde a inauguração em 1890 até 1936 quando o hotel passou a chamar-se Bela Vista. Esta fotografia é dessa época. Na entrada do hotel os caracteres chineses 峰景酒店 significam literalmente "Hotel da Paisagem do Pico", ou seja, "Hotel Bela Vista".

O hotel ficava no número 10 da Rua do Tanque do Mainato. A partir da década de 1950 passou a denominar-se Rua do Comendador Kou Hó Neng. 
Atualmente, o edifício está classificado como património de interesse arquitectónico e serve de residência oficial do Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong desde 1999.

sábado, 10 de outubro de 2026

Bandeira da China nacionalista (KMT)

A bandeira dos nacionalistas (partido fundado por Sun Yat-sen em 1908) da China - é a de Taiwan actualmente - foi uma constante em Macau até ser proibida pelo governo de Macau na sequência dos eventos do 1,2,3 do final de 1966.
As origens da bandeira remontam a 1895 mas nesta versão começou a ser usada nos primeiros anos da República - proclamada a 10 de Outubro de 1911 (actual dia nacional de Taiwan) terminou mais de 2 mil anos do sistema imperial - (a partir de 1928) como a bandeira da China até à derrota do Kuomintang (KMT) em 1949 após vários anos de guerra civil com as forças comunistas lideradas por Mao Tsé-tung, quando o partido comunista chegou ao poder e foi fundada a República Popular da China tendo os nacionalistas fugido para a ilha de Taiwan.
A bandeira ainda hoje pode ser vista no Mausoléu de Sun Yat Sen, em Nanjing (primeira capital provisória da República) na China. 
Na imagem acima Yuan Shikai (esquerda) e Sun Yat-sen (direita) e as duas primeiras bandeiras da República na China usadas entre 1912 e 1928. As cinco listas representam as cinco principais etnias da China
Yuan Shikai tornou-se o primeiro Presidente da República da China em 1912, depois de negociar com Sun Yat-sen. Viria a impôr um governo autoritário até 1915 ano em que se proclamou imperador pretendo restabelecer o sistema político anterior. Com a morte em 1916 o país ficou num vazio de poder e começou a chamada era dos "senhores da guerra", com a China em confilto interno e dividida em várias regiões militares. A (re)união da China aconteceria somente em 1928 e de forma ténue.
A expressão "Chinese Republic forever" / "República chinesa para sempre" é uma tradução dos carateres em chinês que na verdade querem dizer "Long Live the Republic" / "Longa vida à República".

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Descoberto canhão em estaleiro de obras na Ilha Verde


Um canhão com cerca de 3 metros de comprimento e calibre interno de 210 milímetros foi ontem descoberto num estaleiro de obras no cruzamento da Estrada Marginal da Ilha Verde com a Travessa Dois do Parque Industrial. Segundo o Instituto Cultural (IC) foi enviada uma equipa ao local para inspecção, posicionamento da peça e digitalização tridimensional.
A carcaça da peça de artilharia encontrava-se intacta, apenas com resíduos na superfície. Após as averiguações na zona envolvente, os técnicos não identificaram outros vestígios arqueológicos. O organismo concluiu a recolha e transferiu o canhão para um armazém, onde o elemento fica sob protecção para posterior análise e estudo.
Notícia e fotos da TDM-Rádio Macau 9.10.2026

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Mário Alves Cardoso: 1943-2026

Morreu esta quarta-feira em Portugal o jornalista e advogado Mário Alves Cardoso. Tinha 83 anos. Mais de metade deste tempo foi vivido em Macau.
Foto publicada pelo Clube de Jornalistas

Mário Cardoso foi redactor dos jornais A Capital e Diário de Lisboa - acompanhou o 25 de Abril - e presidente da Casa da Imprensa em 1973/74. Trabalhou depois na reorganização dos serviços de Informação da RTP, em especial no lançamento da RTP/Açores, tendo sido requisitado em 1983 para Macau como redactor-chefe do Gabinete de Comunicação Social do Governo e, mais tarde, como chefe de redacção de rádio e televisão da TDM.
Mário Cardoso foi ainda aluno do primeiro curso de Direito da então Universidade da Ásia Oriental iniciado em Dezembro de 1988. Em 1993 passou a exercer advocacia e foi assessor jurídico da Direcção dos Serviços de Segurança de Macau, antes e depois da transição de soberania.
Com os jornalistas Cesário Borga e Avelino Rodrigues foi co-autor do livro "O Movimento dos Capitães e o 25 de Abril".

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Aquartelamento de Coloane

O "Aquartelamento de Coloane" foi construído no último quartel do século 19 poucos anos depois da ocupação da ilha pelos portugueses.
A 23 de Dezembro de 1864 o governador José Rodrigues Coelho de Amaral escreve ao Comandante Militar da Taipa:
"Tendo sido solicitado os habitantes de Coloane uma força militar para sua protecção e sendo de reconhecida necessidade este pedido, marchou hoje um destacamento de dez praças da polícia para aquela povoação, tendo ordem de se apresentar primeiro a V. Ex.ª, debaixo de cuja inspeção ficam".
O "Mappa das obras executadas na direcção das obras publicas de Macau nos annos economicos de 1879 a 1884") apresenta os seguintes dados sobre o "Quartel de Colovane"(sublinhado a vermelho): ano económico de 1882 a 1883: 1:161$410 (1 conto 161 mil quatrocentos e dez réis)
O quartel estava estrategicamente localizado no topo de colina como se pode verificar nesta fotografia do início do século 20.
Durante décadas acolheu militares da guarnição local. A partir de 1975, com a extinção do CTIM, passou a ser usado para dar a 'recruta' aos locais.
Em Julho de 1988 foi criada a Escola Superior das Forças de Segurança de Macau (ESFSM), instituição pública de ensino superior cuja função principal é a formação académica e profissional de oficiais e agentes para os diferentes ramos das forças e serviços de segurança de Macau. A escola foi instalado no antigo quartel situação que ainda hoje se mantém.
Ilustração criada por IA a partir de fotografia do séc. 21
Mapa da década 1930

Curiosidade:
Tal como acontece com o Quartel da Taipa, também este edifício fica na Calçada do Quartel.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Hotéis em 1966

Há 60 anos estavam registados como hotéis um total de 21 estabelecimentos com 959 quartos.* Os mais recentes eram o Matsuya e o Estoril. O primeiro tinha um terraço que proporcionava uma vista panorâmica sobre o Porto Exterior e baía da Praia Grande. O segundo era o primeiro casino da STDM construído de raiz.
Em 1966 entre os hotéis com maior capacidade contam-se o Hotel Central: 154 quartos (110 duplos + 44 singulares), o Hotel Oriental: 106 quartos (44 duplos + 62 singulares) e Hotel Kuok Chai: 97 quartos (43 duplos + 54 singulares). 
O Hotel Central (Av. de Almeida Ribeiro, 30) destaca-se como o maior estabelecimento da lista, contando com 110 quartos duplos e 44 singulares.
Os hotéis Matsuya, Estoril, Caravela e Bela Vista registam as tarifas mais elevadas, chegando às 110 patacas um quarto duplo com ar condicionado no Matsuya.
Entre as opções económicas hotéis como o Cantão e o Oi Kuan oferecem quartos singulares a partir de $2,20 e $3,00.
A Avenida de Almeida Ribeiro e a zona do Porto Interior entre os cais 12 e 16 concentravam a maior parte dos hotéis já que esta era uma das principais 'portas' de entrada no território.
Curiosidade:
O Hotel Matsuya 松屋酒店 (4 pisos) resultou de um investimento japonês registado como  Empresa Hoteleira e Turismo Matsuya Limitada. Na altura os japoneses eram os turistas estrangeiros que mais visitavam o território.
O nome Matsuya em chinês é 松屋 (Sōng Wū). Significa literalmente "Casa do Pinho" (sendo Matsu = pinho e Ya = casa). No contexto da cultura japonesa (que utiliza estes mesmos caracteres Kanji), Matsuya é um nome próprio muito comum para estabelecimentos familiares, hotéis e restaurantes, onde o pinho simboliza longevidade e resistência.
O hotel funcionou até à década de 1990. Após obras profundas passou para a posso do governo e passou a albergar serviços públicos.
* existiam muitos mais estabelecimentos do género mas classificados como hospedarias, pensões, pousadas, vilas e "casas de pernoitar".

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Aniversário da proclamação da República há 100 anos

Aniversário da República
Secretaria Geral do Govêrno
Faz-se público que, no próximo dia cinco de Outubro, décimo sexto aniversário da gloriosa data da Proclamação da República, Sua Exa. o Governador interino, receberá, no Palácio do Govêrno, às 12 horas, as corporações, os funcionários civis e militares e todos os cidadãos que quiserem saüdar a República Portuguesa.
Macau, 2 de Outubro de 1926.
O Secretário Geral do Govêrno, interino,
José Francisco de Sales da Silva
Repartição do Gabinete

Programa da solenização do 16.º aniversário da implantação da República, em 5 de Outubro
1º. Alvorada às 6 horas em frente do Palácio do Govêrno, pelos corneteiros e clarins das unidades militares;
2º. Às 12 horas, salva de 21 tiros na Fortaleza do Monte, a bordo dos navios surtos no pôrto, e em frente do Palácio;
3º. Recepção às 12 horas no Palácio do Govêrno, às corporações oficiais, funcionários e cidadãos da Colónia, que desejem associar-se à saudação às instituições;
4º. Às 17 horas, garden-party no Palácio do Govêrno;
5o. Das 20 às 24 horas, iluminação de gala.
Repartição do Gabinete em Macau, 2 de Outubro de 1926.
O Chefe da Repartição,
Rogério Ferreira
Na edição de 5.10.1926 o jornal A Pátria informava que "devido à solenidade de hoje o Grand Restaurant fornecerá ao respeitável público de Macau um menú especial por preço módico ao alcance de todas as algibeiras".
Este restaurante esteve instalado na Primeira Exposição Industrial e Feira de Macau inaugurado a 7 de Novembro de 1926 na zona de Mong Há.

Aniversário da proclamação da República
Para solenizar esta data foi executado o programa que ante-ontem publicamos, decorrendo todos os actos com o costumado brilhantismo.
Na recepção do Palácio às 12 horas viu-se uma grande concorrência do elemento oficial, bem como de chineses categorizados e estrangeiros.
Ao chá que foi fornecido nos jardins do Palácio, às 17 horas, concorreu tudo quanto há de mais grado em Macau.
Fazia as honras da casa a exma. sra. D. Sara de Lacerda, dedicada espôsa do sr. Majór Victor Hugo de Lacerda e cunhada de S. Exa. o Governador.
Todos os barcos da carreira de Hongkong embandeiraram em arco, bem como os nossos barcos de guerra, que à noite iluminaram, e todos os edifícios publicos, produzindo a iluminação um bonito efeito.
in A Pátria 6.10.1926

domingo, 4 de outubro de 2026

Edifício antigo no nº 8 da Estrada Coelho do Amaral

Este antigo edifício fica no nº 8 da Estrada Coelho do Amaral, ao lado do antigo Quartel dos Bombeiros/agora Museu - e é uma relíquia da história da arquitectura da cidade.
Do pouco que consegui apurar começou por ser uma mansão, residência de um abastado cidadão chinês. Ao longo dos anos foi alvo de alguns 'acrescentos', nomeadamente no terraço original. Serviu ainda como armazém e loja. Os caracteres chineses a vermelho ainda se podem ver à entrada.

O edifício apresenta uma fachada que funde elementos ornamentais clássicos (ocidentais) com a tipologia de edifícios de uso misto populares na região. A varanda central do primeiro andar possui uma balaustrada de betão moldado com formas bulbosas ou urnas, um elemento decorativo ocidental comum. As varandas laterais têm balaustradas mais simples.
Ilustração criada por IA a partir de foto

O recuo em relação à rua, protegido por um muro e portão, sugere um uso original  como residência. O elemento mais impressionante é a galeria ou loggia no primeiro andar, definida por três grandes aberturas em arco de volta perfeita. Estas arcadas assentam em colunas cilíndricas maciças que atravessam o rés-do-chão e o primeiro andar, terminando em capitéis coríntios estilizados. O parapeito do telhado apresenta uma balaustrada de betão com aberturas retangulares mais simples.
Fachada lateral na Travessa dos Bombeiros
Ilustração criada por IA a partir de fotografia

Este edifício é um exemplar valioso da paisagem urbana. A sua arquitetura eclética combina uma estrutura clássica monumental com elementos funcionais locais, resultando num edifício único que sobreviveu à passagem do tempo. A sua preservação é crucial para a manutenção da identidade histórica de Macau.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Fachadas e janelas num troço da Rua de S. Domingos

Conhecida em chinês como Pan Cheong Tong Kai (Rua do Templo das Tábuas), devido à proximidade da igreja de São Domingos (cuja primeira edificação foi em madeira), a Rua de S. Domingos - começa no Largo de S. Domingos e termina na Rua de Pedro Nolasco da Silva - é ainda hoje uma das mais movimentadas da cidade. Esta característica tem origem no facto de ser um dos principais acessos do que m tempos idos se designava por zona do bazar, espaço ocupado maioritariamente pelo comércio chinês. Estas lojas ficam no piso térreo com as habitações nos pisos superiores. A azáfama do tráfego e a configuração arquitectónica por vezes dificulta a observação mais atenta de alguns dos edifícios históricos ao longo da rua. Aqui ficam alguns detalhes em versão fotografia e desenho gerado por IA a partir das fotos.