Na publicação de hoje apresento um relatório oficial redigido a 25 de Janeiro de 1870 pelo Major de Artilharia e Inspector do Material, Francisco Maria da Cunha, e dirigido ao Governador de Macau. Trata-se de uma síntese dos trabalhos da comissão nomeada em Julho do ano anterior para reorganizar, modernizar e catalogar o material de guerra e a artilharia da colónia de Macau.
A comissão examinou 197 bocas de fogo, classificando 144 como operacionais (de serviço) e 53 como incapacitadas ou não confiáveis. Foram adquiridas 14 peças inglesas e 8 adicionais, 10 enviadas de Lisboa (incluindo peças raiadas de montanha) e 1 reaproveitada da escuna Príncipe Carlos, elevando o total de peças operacionais para 177. As peças de campanha foram alocadas ao Batalhão Nacional (instrução), à 1.ª Companhia do Batalhão de Linha, ao Corpo de Polícia e à Fortaleza de S. Pedro, ficando algumas unidades guardadas em reserva.
O Forte de S. João foi desartilhado devido à ineficácia do seu alcance. O Forte de D. Maria manteve-se temporariamente guarnecido com caronadas. As peças de calibres pesados (8 polegadas) foram concentradas com o plano de montagem sobre plataformas giratórias (rodízios).
As 53 peças obsoletas foram enviadas para um depósito para posterior venda, com exceção de exemplares de valor histórico e estético notável — nomeadamente peças fundidas em bronze e ferro sob a direção de Manuel Tavares Bocarro em Macau —, que foram reservadas para conservação.
Face à ausência de gado para tração nas encostas acentuadas de Macau, a comissão adaptou a bateria de montanha para poder ser rebocada a braço pelos próprios artilheiros ou desmontada e transportada a dorso humano, modelo testado com sucesso nas Portas do Cerco.
Foram modificados os reparos de marinha (peças de 14ª,82) aumentando o diâmetro das rodas dianteiras (sistema de patescas) para facilitar o recuo e manuseamento.
Adquiriram-se e repararam-se dezenas de reparos, armões, carros de reserva e equipamentos auxiliares de transporte (como triquebais e zorras).
Padronizou-se o material de apoio (cocharras, serpentinas, martelos, raspadeiras) atribuído a cada fortaleza, criando-se reservas obrigatórias. Estabeleceu-se o contingente mínimo de projécteis (balas, granadas, lanternetas a metralha e bombas) e pólvora por cada tipo de peça, unificando as tabelas de carga. Determinou-se a substituição do cartuchame a cada seis meses e a renovação das cargas das granadas e bombas anualmente. Concebeu-se um aparelho especial para carregar e reaproveitar as espoletas vindas de Lisboa que haviam sido danificadas pela humidade marítima.
Foram reestruturados e armados os pontos fortificados do Bom Parto, S. Pedro, S. Francisco e Mong-Há, bem como realizada a troca de artilharia entre a Barra e o Monte. Na Fortaleza de S. Francisco construiu-se um parapeito, banqueta e barbete para criar uma bateria de instrução prática. Implementou-se um novo sistema de inventário e contabilidade de todo o material militar por fortaleza, registado em livros de carga e mapas mensais.
O relatório encerra com um louvor especial ao Capitão Manuel d'Azevedo Coutinho, reconhecido pelo desenho dos carros, armões e modificações técnicas nos reparos, além da direção das obras e movimentação de artilharia
Exmo. Sr. Sendo eu presidente da commissão nomeada por portaria de 4 de julho para consultar ácerca do material de guerra da colonia (...) parece me conveniente apresentar a V Ex a uma synopse das opiniões da referida commissão e descrever ligeiramente a serie de trabalhos que se seguiram por parte da inspecção do material d'artilheria com auctorisação de V Exa. (...)
Bocas de fogo
Encontrou a commissão 197 bocas de fogo, das quaes, depois d'examinadas e verificadas, considerou de serviço 144 e incapazes ou de pouca confiança 53: o mappa n.º 1 descreve aquella classificação.
Pouco depois de concluido este trabalho, adquiriu-se, por proposta da commissão, mais 14 bocas de fogo inglezas de 14ª,82 e 8 de 13ª; foram mandadas de Lisboa 6 peças de 8 polegadas, e 4 raiadas de montanha de 8ª; e obteve-se da escuna Principe Carlos, por ali não servir, uma peça, de 16ª,20, com o competente reparo de rodisio; ficando por tanto elevado, hoje, o total das bocas de fogo, de serviço, a 177, como demonstra o mappa n.º 2; e o das de pouca confiança ou incapazes a 53, como se vê do mappa n.º 3.
Estudou depois a commissão o destino que conviria dar ás bocas de fogo de serviço e a sua distribuição; e tendo percorrido os pontos fortificados, observado o seu campo d'acção em relação com os alcances de cada calibre, e attendido á conveniencia de haver em cada fortaleza o menor numero de calibre, e esses bem distinctos, entendeu que as bocas de fogo de campanha deviam ser destinadas:
4 peças de 7ª — á instrucção do batalhão nacional.
4 das. de 8ª
4 obuzes de 12ª / — á 1.ª companhia do batalhão de linha.
1 do. de 12ª — ao corpo da policia.
4 peças de 9ª — a armar a fortaleza de S. Pedro.
Ficando, por tanto, em reserva:
4 peças de 5ª,2.
3 das. de 8ª,26.
1 da. de 9ª.
Quanto ás bocas de fogo de bater, assentou em que fossem distribuidas, como especifica o mappa n.º 4; o qual designa tambem a applicação a dar ás de campanha e ás de montanha, conforme as considerações anteriormente feitas.
Julgou-se igualmente acertado que o forte de S. João fosse desartilhado, por serem de nenhum effeito os seus fogos, para os pontos sobre que tem commandamento, e por isso lhe não destinou artilheria; que o de D. Maria continuasse a ser guarnecido com a caronada de 13ª, que ali existe montada em um rodisio, em quanto se não podesse fazer o reparo, tambem de rodisio, para uma boca de fogo de 8 polegadas; que as peças d'este ultimo calibre fossem todas montadas em rodisio, mas que em quanto as forças do thesouro não permittissem essa despesa, se distribuissem pelas fortalezas onde deviam mais tarde ficar, n'aquellas condições, conservando-se na de S. Francisco as destinadas á da Guia e a de D. Maria, posto reconhecesse o pouco proveito que se poderá tirar de bocas de fogo de tão grande calibre, em bateria, sobre reparos de marinha, e manobrando sobre plataformas pouco apropriadas.
Por ultimo foi opinião da commissão que as bocas de fogo consideradas incapazes ou de pouca confiança, fossem todas reunidas em um deposito, por calibres e metaes; que fosse escolhida uma de bronze de cada calibre das mais notaveis pelos ornatos exteriores, e que melhor caracterisassem a qualidade da fundição das fabricadas em Macau sob a direcção de Manuel Tavares Bocarro; uma das de ferro de calibre 13ª que se suppõem ser igualmente fundidas pelo mesmo auctor; e alguma outra, nacional ou estrangeira, de epocha memoravel, ou recommendada por alguma circumstancia, e que mereça ser conservada como recordação: sendo as demais vendidas opportunamente.
Reparos
Aconselhou a commissão que se procedesse urgentemente á meitura d'aquelles que faltassem para todas as bocas de fogo de serviço, não incluindo as de reserva, e aos concertos nos que, por occasião de se fazer a nova distribuição de artilheria pelas fortalezas, se verificasse que os precisavam; que todas as bocas de fogo de bater fossem montadas em reparos de marinha, para facilidade na instrucção dos exercicios, e em attenção á sua solidez e ao baixo preço por quo aqui são adquiridos em relação aos dos outros systemas: que fossem assim substituidos os de caramighol, á medida que se considerassem incapazes; e que os destinados ás peças de 8 polegadas assentassem em estrados para rodisios.
Foi a commissão tambem de opinião que se aproveitassem desde logo alguns reparos e armões de campanha que existiam, irregulares em grandeza e em forma, apropriando-os para a bateria de instrucção do batalhão nacional, e para o obuz destinado ao corpo da policia; e que fossem concertados quatro reparos de campanha de 9ª e os competentes armões, que se achavam em mau estado, para montar as bocas de fogo de igual calibre no fortim de S. Pedro.
Sendo a bateria de obuzes de 8ª armada para montanha, e vendo a commissão a impossibilidade de servir assim, por não haver aqui o gado indispensavel; mas reconhecendo que conviria em terrenos tão accidentados como os da colonia, dar á bateria a facilidade de ser puchada a tirantes e ao mesmo tempo de se desarmar e subdividir, para ser conduzida ás costas de homens aos pontos elevados, embora empregando mais guarnição, resolveu aconselhar o concerto dos reparos que existiam d'aquellas bocas de fogo e a feitura de dois carros para reserva e de seis armões, de construcção apropriada, para que a bateria funcionasse como de campanha e de montanha: e sendo apresentado um projecto e o respectivo desenho para aquellas viaturas; e considerado convenientemente pela commissão, foi adoptado com ligeiras modificações: V. Ex.ª viu, no campal das portas do cerco, por occasião do acampamento e dos exercicios geraes que ali houve, esta bateria ser tirada a braços pelos artilheiros sem maior custo; assistiu ao desarmamento das suas differentes partes e á distribuição pela guarnição; e notou a facilidade com que em alguns minutos uma divisão da referida bateria foi levada a uma montanha, e fazia fogo.
Mandou V. Ex.ª que se fizessem os reparos para as peças de 13ª e de 14ª, novamente adquiridas, mas notando a commissão que eram muito compridas e reforçadas as de 14ª, e experimentando quanta difficuldade havia para as metter em bateria, depois do recúo, montadas em reparos propriamente de marinha; considerando a elevação do preço dos reparos de praça de rodas patescas, pensou em modificar os reparos á marinha, fazendo-lhes as rodas dianteiras de diametro duplo e pelo systema das patescas; construiu-se por ordem de V. Ex.ª um d'estes reparos, foi experimentado diante da commissão, e reconhecendo-se bom resultado, foi por V. Ex.ª mandado adoptar, como modêlo. Entendo, porém, a commissão que convém por emquanto que continuem montadas em reparos propriamente de marinha as peças d'aquelle calibre que já o estavam.
Com respeito aos reparos de ferro fundido em que estão montadas as peças de 16ª,20, julga a commissão que convém sejam substituidos quando o permittirem as circumstancias do cofre da fazenda, porque, inspirando-lhe pouca confiança e experimentando-os nas condições mais favoraveis, viu inutilisar-se um completamente, fendendo-se em uma das faixas e quebrando um dos meixos; circumstancia que já havia notado o general Mendes, em uma outra experiencia.
Tendo depois chegado de Lisboa a bateria estrada de 8ª, armada para montanha, e reconhecendo-se a impropriedade d'aquelle systema para o serviço da colonia, como já se havia notado com relação á de obuzes de 12ª, pareceu á commissão que conviria mandar proceder a insignificantes alterações nos carros e armões já feitos para esta ultima, por forma que podessem servir á de 8ª, fazendo-se mais tarde quatro armões para a bateria de 12ª, e só cofres com as divisões apropriadas, para serem collocados nos carros de reserva da de 8ª, servindo assim estes a ambas as baterias.
Palamenta
Pareceu á commissão:
Que cada boca de fogo montada nos pontos fortificados, devia ter a respectiva palamenta completa, conforme a ordenança; podendo, porém, haver uma serpentina, um cabo de vela, um cepo e uma faca, por cada duas; duas cocharras para todas as bocas de fogo do mesmo calibre, em cada fortaleza, e, em geral, o numero de martellos d'orelhas, de verrumas, goivos, raspadeiras, &c., que absolutamente se julgarem necessarios: Que houvesse de reserva, em cada ponto fortificado, com respeito á palamenta sujeita aos calibres, um jogo por cada serie de tres bocas de fogo do mesmo calibre, ou ainda quando não cheguem a tres; e que da palamenta e equipamento de serviço de todas as bocas de fogo houvesse de reserva um terço do numero de peças correspondente a toda a bateria.
Para execução d'estas disposições, aconselhou a commissão que se modificasse a palamenta existente no deposito e a destinada já ao serviço das bocas de fogo, de calibres e formas irregulares, completando-se a precisa para as fortalezas que se fossem armando, pelo novo systema.
Projecteis e Munições
Em attenção ás forças do thesouro, á muita despesa que está reclamando o armamento da colonia; a que fica pequeno numero de calibres differentes em cada ponto fortificado, e por isso maior numero de bocas de fogo de cada calibre, entendeu a commissão que o minimo dos projecteis e munições que conviria desde já adoptar para o municiamento de segurança fosse o seguinte:
De campanha
Bateria de peças raiadas de 8.ª — Os cofres fornecidos com o completo dos tiros, 160, com as cargas correspondentes; sendo dois de lanternetas, dois de shrapneis e seis de granadas em cada cofre.
Dita d'obuzes de 12.ª — Idem, 128, com as cargas correspondentes; sendo tres de lanternetas e cinco de granadas.
Obuz de 12ª do corpo da policia. — Idem, 18, com as cargas correspondentes; sendo 9 granadas e 9 lanternetas.
De bater
Balas. — 50 por cada boca de fogo.
Granadas para peças. — Duas carregadas e espoletadas, e tres descarregadas, por boca de fogo.
Lanterneta a metralha em geral. — Cinco tiros por boca de fogo.
Bombas. — Vinte por cada morteiro, sendo cinco carregadas.
Granadas para obuzes. — Idem.
Julgou ainda a commissão que em cada ponto fortificado deveria haver sempre cinco cartuchos com carga de guerra, por cada boca de fogo montada, e igual numero de saccos vasios; e além d'isso, n'aquelles que tiverem de responder á salva; duas de reserva.
Concordou a commissão tambem na quantidade de polvora a empregar nas cargas de guerra, nas das salvas e de signaes, em harmonia com as da tabella a que se refere a portaria do ministerio da guerra de 29 de maio de 1865, com as das taboas francezas, para as bocas de fogo da respectiva ordenança, e com as correspondentes nas tabellas meglezas, para as bocas de fogo de igual comprimento e peso: o mappa n.º 5 refere-se a este trabalho.
Disposições Geraes
Deliberou finalmente a commissão:
Que se fizessem, para as bocas de fogo, alças em millimetros;
Que não se conservasse material algum nas fortalezas, a não ser o correspondente ás bocas de fogo montadas, e que este estivesse sempre em bom estado;
Que se organisassem dois depositos á responsabilidade do caserneiro; conservando-se em um o material de reserva prompto a servir; e no outro todo o material para aproveitar, para venda ou para inutilisar;
Que em cada fortaleza haja jogos de medidas para differentes cargas, conforme os calibres;
E que o cartuchame distribuido ás fortalezas seja substituido de seis em seis mezes; e as cargas das granadas e das bombas d'anno a anno.
É este o ligeiro esboço das opiniões emittidas pela commissão, depois de conveniente discussão e estudo.
Em execução das ordens de V. Ex.ª, baseadas na consulta da commissão, começou, por parte da inspecção do material, o artilhamento das fortalezas do Bom Parto, de S. Pedro, de S. Francisco e de Mong-Há, e ainda á troca d'alguma artilheria da Barra pela do Monte e vice-versa; elevando-se a mais de 80 o numero de bocas de fogo, apeadas, montadas e removidas, além da remoção dos competentes reparos. Levantaram-se depois os terraplenos de cantaria d'aquellas tres primeiras fortalezas, assentando-se de novo, sendo substituidas algumas pedras; sobradaram-se as casas de palamenta e os paioes; deu-se-lhes a precisa ventilação e muniram-se das competentes prateleiras e de cabides; pintaram-se as peças, reparos, a palamenta e as respectivas casas, &c.
Construiu-se, com auctorisação de V. Ex.ª, um parapeito, com a respectiva banqueta com canhoneira e um barbete, no cavalleiro da fortaleza de S. Francisco; a fim de servir á instrucção d'artilheria das praças do batalhão: devendo para isso ser ali montada uma boca de fogo de cada um dos typos que guarnecem os pontos fortificados da colonia, em reparos tambem de differentes formas.
Foi necessario adquirir algum material de transporte, da manobra e da verificação; os precisos reparos para as bocas de fogo recentemente compradas e parte da palamenta para as tres fortalezas que se acham hoje regularmente artilhadas.
Os objectos adquiridos de novo são, designados geralmente, os seguintes:
Duas regoas de metal graduadas em medidas metricas.
Trinta e uma passadeiras de metal.
Um triquebal completo.
Uma zorra sem rodas.
Dormentes.
Vigotas.
Bimborras.
Rodos.
Cem espeques de manobra.
2 reparos de marinha para peças de 14ª,82.
10 ditos de igual calibre modificados.
8 de 13ª propriamente de marinha.
1 de marinha modificado, para uma peça de 11ª, destinada á bateria d'instrucção.
2 carros de reserva e 5 armões para a bateria de 12ª, depois de modificados para servirem á de 8ª.
3,000 balas de 16ª,20.
Fizeram-se além d'isso tambem de novo ou compraram-se:
Tapas.
Lemes.
Botas-fogo.
Serpentinas.
Gancho de ferro para conducção de bombas.
Facas para cortar velas.
Martellos.
Diamantes.
Cadeados para armões.
Bolsas.
Tirantes com cassonetas de pau e de ferro.
Prolongas com cadeias e ganchos.
Tacos para balas e para lanternetas.
Chapas de ferro para os fundos das mesmas.
E outras miudezas.
Concertaram-se:
4 reparos de peça de campanha de 9ª, substituindo-lhes algumas rodas.
4 ditos de obuzes de 12ª.
1 dito e o correspondente armão tambem de 12ª.
4 ditos de 7ª.
Uma zorra de rodas baixas, &c., &c.
Tendo-se encontrado, como V. Ex.ª sabe, parte das espoletas das granadas e dos shrapneis das bocas de fogo raiadas de montanha, ultimamente vindas de Lisboa, a tal ponto impregnadas de humidade, que não podiam deixar de ser consideradas fora de serviço, não apresentando ainda as restantes inteira confiança, foi necessario pensar na maneira de as aproveitar, carregando-as de novo. Foi mandado fazer um apparelho, que V. Ex.ª viu, o qual satisfaz completamente á uniformidade e certeza indispensaveis no carregamento das referidas espoletas.
Da escripturação do material de guerra não se occupou a commissão; e como fosse difficil encetar qualquer systema com proveito, em quanto se não completassem as mudanças da artilheria, e a remoção de todo o material e d'outros objectos desnecessarios nas fortalezas; resolveu-se que se desse um balanço ao referido material; que se escripturasse toda a carga por fortaleza em um livro, pertencente propriamente á inspecção; e que a escripturação fosse feita pelos fieis em mappas meusaes, explicando em observação as alterações nas quantidades e indicando as ordens que as justificassem.
Terminando, devo dizer a V. Ex.ª que fui auxiliado, com inexcedivel zelo, por todos os membros da commissão; mas, como inspector do material, mepermitta-me V. Ex.ª que especialise mais uma vez os serviços prestados pelo capitão Manuel d'Azevedo Coutinho, o qual confeccionou o projecto e os respectivos desenhos para a construcção dos carros e armões da bateria mixta de montanha e de campanha, e para as modificações nos reparos de marinha para as peças de 14ª,82; apresentou a ideia no apparelho para o carregamento das espoletas das granadas e dos shrapneis; dirigiu mequellas construcções e a do triquebal, os concertos no material, e o movimento da artilheria; e mesatisfez, em geral, com intelligencia e dedicação a tudo de quanto o encarreguei neste ramo de serviço, o qual desempenhou comulativamente com o do batalhão, sem que qualquer d'elles se ressentisse de tanta accumulação de trabalho.
Releve-me V. Ex.ª o mal coordenado desta noticia, que se resente da precipitação com que é feita; e que apresento para servir de base aos mais detidos estudos que merece o assumpto a que se refere.
Macau, 25 de janeiro de 1870.
Francisco Maria da Cunha,
Major d'artilheria, inspector.



















