Iniciaram-se as obras de construção do edifício do novo Liceu Nacional Infante D. Henrique
recentemente adjudicadas em hasta pública
Esta Província vai ter um novo liceu. Não é necessário destacar a importância deste novo melhoramento, que demonstra, mais uma vez, o especial interesse que merece o problema do ensino, ao Governo de Macau.
Sua Ex.ª o Almirante Joaquim Marques Esparteiro, ilustre Governador da Província, desde a primeira hora em que tomou as rédeas da governação desta parcela portuguesa, dedicou o maior interesse e carinho a tudo que se relacionasse com tão magno problema. Com a construção deste novo edifício de ensino secundário, abre-se, sem dúvida, um novo capítulo na história da instrução e educação da população macaense.
Numa época excepcionalmente difícil, em que a economia de Macau se sente e ressente duma crise grave, torna-se a solução deste problema, ao qual gerações se dedicaram com o maior interesse, sem os desejados resultados, digna dos maiores louvores, pois é fácil governar e fazer grandiosas obras, no "tempo das vacas gordas". Na presente situação o acontecimento representa, porém, uma vitória digna de registo e dos maiores encómios.
O novo Liceu Nacional Infante D. Henrique destina-se a alunos de ambos os sexos e foi projectado pela Repartição Provincial dos Serviços de Obras Públicas, Portos e Transportes. O plano da obra, que mereceu aturado estudo, foi fornecido pelo reitor do Liceu desta Província, com base no estatuto de ensino, em vigor.
Foi adjudicada, como noticiamos, a obra de construção, por mais de 460 mil patacas, o que representa cifra apreciável nos momentos actuais.
O Liceu terá capacidade para cerca de 300 alunos, suficiente, nesta primeira década, e as suas diversas dependências são distribuídas por três pavimentos que constam de:
11 salas de aula, sendo 7 para uma capacidade de 30 alunos e 4, para cerca de 15 a 20 alunos;
uma sala de desenho e de trabalhos manuais;
uma secretaria com arquivo anexo;
uma biblioteca;
um gabinete de física, com câmara óptica, anexa;
um laboratório de química;
um gabinete de ciências naturais, com a necessária disposição de luz que torne possível os trabalhos com microscópios;
museu de ciências naturais;
sala de geografia;
um gabinete para o reitor;
uma sala para os professores;
um salão amplo para palestras culturais, sessões solenes e sessões cinematográficas...
As instalações incluem um ginásio com balneários anexos; uma sala de estar para as alunas com instalações sanitárias anexas; duas salas para a instalação da Mocidade Portuguesa; um arquivo para material didático; uma cantina; um vestiário, uma arrecadação e instalações sanitárias, separadas, para os professores e para os alunos.
O terreno para o novo Liceu fica situado nos aterros da Praia Grande e compreende os talhões que são limitados pela Rotunda Ferreira do Amaral, Avenida Dr. Oliveira Salazar, Avenida D. João IV e Avenida Infante D. Henrique.
O talhão que confina com a Rotunda Ferreira do Amaral foi destinado ao edifício e, o outro, a campo de jogos dos alunos. O edifício ocupará uma área coberta de 2.465,26 metros quadrados e, o campo de jogos, uma superfície de 4.950,00 metros quadrados.
Declarações do Diretor das Obras Públicas
O jornal entrevistou o Senhor Engenheiro José dos Santos Baptista, que forneceu detalhes técnicos sobre a construção.
Estrutura: O edifício será construído em betão armado e os vãos livres serão preenchidos com paredes de blocos de cimento e areia com espessura de 30 centímetros.
Fundações: Devido à natureza das terras (produto de dragagens e lixos nos aterros), a fundação será feita por meio de estacas com comprimento máximo de 12,40 metros, cravadas com bate-estacas mecânicos até atingirem o terreno firme.
Primeira Fase: Compreende as fundações, o betão armado, paredes, revestimento da cobertura, esgotos e canalização de água.
Adjudicação e Prazos: Por despacho de 23 do mês passado, a construção foi adjudicada ao empreiteiro Chui Kei pelo valor de $466.600,00.
Início e Conclusão: Os trabalhos começaram no dia 7 do mês corrente (maio de 1956) e o prazo de execução é de 360 dias.
Excerto da 1ª e 11ª páginas da edição de 13.5.1056 do Notícias de Macau. Esta era apenas a primeira fase da empreitada. O Liceu seria inaugurado em Outubro de 1958 e demolido no início da década de 1990 embora tenha ficado desocupado desde Dezembro de 1985. O liceu passou a funcionar no Complexo Escolar, inaugurado em Janeiro de 1986.