sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Descoberto canhão em estaleiro de obras na Ilha Verde


Um canhão com cerca de 3 metros de comprimento e calibre interno de 210 milímetros foi ontem descoberto num estaleiro de obras no cruzamento da Estrada Marginal da Ilha Verde com a Travessa Dois do Parque Industrial. Segundo o Instituto Cultural (IC) foi enviada uma equipa ao local para inspecção, posicionamento da peça e digitalização tridimensional.
A carcaça da peça de artilharia encontrava-se intacta, apenas com resíduos na superfície. Após as averiguações na zona envolvente, os técnicos não identificaram outros vestígios arqueológicos. O organismo concluiu a recolha e transferiu o canhão para um armazém, onde o elemento fica sob protecção para posterior análise e estudo.
Notícia e fotos da TDM-Rádio Macau 9.10.2026

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Mário Alves Cardoso: 1943-2026

Morreu esta quarta-feira em Portugal o jornalista e advogado Mário Alves Cardoso. Tinha 83 anos. Mais de metade deste tempo foi vivido em Macau.
Foto publicada pelo Clube de Jornalistas

Mário Cardoso foi redactor dos jornais A Capital e Diário de Lisboa - acompanhou o 25 de Abril - e presidente da Casa da Imprensa em 1973/74. Trabalhou depois na reorganização dos serviços de Informação da RTP, em especial no lançamento da RTP/Açores, tendo sido requisitado em 1983 para Macau como redactor-chefe do Gabinete de Comunicação Social do Governo e, mais tarde, como chefe de redacção de rádio e televisão da TDM.
Mário Cardoso foi ainda aluno do primeiro curso de Direito da então Universidade da Ásia Oriental iniciado em Dezembro de 1988. Em 1993 passou a exercer advocacia e foi assessor jurídico da Direcção dos Serviços de Segurança de Macau, antes e depois da transição de soberania.
Com os jornalistas Cesário Borga e Avelino Rodrigues foi co-autor do livro "O Movimento dos Capitães e o 25 de Abril".

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Aquartelamento de Coloane

O "Aquartelamento de Coloane" foi construído no último quartel do século 19 poucos anos depois da ocupação da ilha pelos portugueses.
A 23 de Dezembro de 1864 o governador José Rodrigues Coelho de Amaral escreve ao Comandante Militar da Taipa:
"Tendo sido solicitado os habitantes de Coloane uma força militar para sua protecção e sendo de reconhecida necessidade este pedido, marchou hoje um destacamento de dez praças da polícia para aquela povoação, tendo ordem de se apresentar primeiro a V. Ex.ª, debaixo de cuja inspeção ficam".
O "Mappa das obras executadas na direcção das obras publicas de Macau nos annos economicos de 1879 a 1884") apresenta os seguintes dados sobre o "Quartel de Colovane"(sublinhado a vermelho): ano económico de 1882 a 1883: 1:161$410 (1 conto 161 mil quatrocentos e dez réis)
O quartel estava estrategicamente localizado no topo de colina como se pode verificar nesta fotografia do início do século 20.
Durante décadas acolheu militares da guarnição local. A partir de 1975, com a extinção do CTIM, passou a ser usado para dar a 'recruta' aos locais.
Em Julho de 1988 foi criada a Escola Superior das Forças de Segurança de Macau (ESFSM), instituição pública de ensino superior cuja função principal é a formação académica e profissional de oficiais e agentes para os diferentes ramos das forças e serviços de segurança de Macau. A escola foi instalado no antigo quartel situação que ainda hoje se mantém.
Ilustração criada por IA a partir de fotografia do séc. 21
Mapa da década 1930

Curiosidade:
Tal como acontece com o Quartel da Taipa, também este edifício fica na Calçada do Quartel.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Hotéis em 1966

Há 60 anos estavam registados como hotéis um total de 21 estabelecimentos com 959 quartos.* Os mais recentes eram o Matsuya e o Estoril. O primeiro tinha um terraço que proporcionava uma vista panorâmica sobre o Porto Exterior e baía da Praia Grande. O segundo era o primeiro casino da STDM construído de raiz.
Em 1966 entre os hotéis com maior capacidade contam-se o Hotel Central: 154 quartos (110 duplos + 44 singulares), o Hotel Oriental: 106 quartos (44 duplos + 62 singulares) e Hotel Kuok Chai: 97 quartos (43 duplos + 54 singulares). 
O Hotel Central (Av. de Almeida Ribeiro, 30) destaca-se como o maior estabelecimento da lista, contando com 110 quartos duplos e 44 singulares.
Os hotéis Matsuya, Estoril, Caravela e Bela Vista registam as tarifas mais elevadas, chegando às 110 patacas um quarto duplo com ar condicionado no Matsuya.
Entre as opções económicas hotéis como o Cantão e o Oi Kuan oferecem quartos singulares a partir de $2,20 e $3,00.
A Avenida de Almeida Ribeiro e a zona do Porto Interior entre os cais 12 e 16 concentravam a maior parte dos hotéis já que esta era uma das principais 'portas' de entrada no território.
Curiosidade:
O Hotel Matsuya 松屋酒店 (4 pisos) resultou de um investimento japonês registado como  Empresa Hoteleira e Turismo Matsuya Limitada. Na altura os japoneses eram os turistas estrangeiros que mais visitavam o território.
O nome Matsuya em chinês é 松屋 (Sōng Wū). Significa literalmente "Casa do Pinho" (sendo Matsu = pinho e Ya = casa). No contexto da cultura japonesa (que utiliza estes mesmos caracteres Kanji), Matsuya é um nome próprio muito comum para estabelecimentos familiares, hotéis e restaurantes, onde o pinho simboliza longevidade e resistência.
O hotel funcionou até à década de 1990. Após obras profundas passou para a posso do governo e passou a albergar serviços públicos.
* existiam muitos mais estabelecimentos do género mas classificados como hospedarias, pensões, pousadas, vilas e "casas de pernoitar".

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Aniversário da proclamação da República há 100 anos

Aniversário da República
Secretaria Geral do Govêrno
Faz-se público que, no próximo dia cinco de Outubro, décimo sexto aniversário da gloriosa data da Proclamação da República, Sua Exa. o Governador interino, receberá, no Palácio do Govêrno, às 12 horas, as corporações, os funcionários civis e militares e todos os cidadãos que quiserem saüdar a República Portuguesa.
Macau, 2 de Outubro de 1926.
O Secretário Geral do Govêrno, interino,
José Francisco de Sales da Silva
Repartição do Gabinete

Programa da solenização do 16.º aniversário da implantação da República, em 5 de Outubro
1º. Alvorada às 6 horas em frente do Palácio do Govêrno, pelos corneteiros e clarins das unidades militares;
2º. Às 12 horas, salva de 21 tiros na Fortaleza do Monte, a bordo dos navios surtos no pôrto, e em frente do Palácio;
3º. Recepção às 12 horas no Palácio do Govêrno, às corporações oficiais, funcionários e cidadãos da Colónia, que desejem associar-se à saudação às instituições;
4º. Às 17 horas, garden-party no Palácio do Govêrno;
5o. Das 20 às 24 horas, iluminação de gala.
Repartição do Gabinete em Macau, 2 de Outubro de 1926.
O Chefe da Repartição,
Rogério Ferreira
Na edição de 5.10.1926 o jornal A Pátria informava que "devido à solenidade de hoje o Grand Restaurant fornecerá ao respeitável público de Macau um menú especial por preço módico ao alcance de todas as algibeiras".
Este restaurante esteve instalado na Primeira Exposição Industrial e Feira de Macau inaugurado a 7 de Novembro de 1926 na zona de Mong Há.

Aniversário da proclamação da República
Para solenizar esta data foi executado o programa que ante-ontem publicamos, decorrendo todos os actos com o costumado brilhantismo.
Na recepção do Palácio às 12 horas viu-se uma grande concorrência do elemento oficial, bem como de chineses categorizados e estrangeiros.
Ao chá que foi fornecido nos jardins do Palácio, às 17 horas, concorreu tudo quanto há de mais grado em Macau.
Fazia as honras da casa a exma. sra. D. Sara de Lacerda, dedicada espôsa do sr. Majór Victor Hugo de Lacerda e cunhada de S. Exa. o Governador.
Todos os barcos da carreira de Hongkong embandeiraram em arco, bem como os nossos barcos de guerra, que à noite iluminaram, e todos os edifícios publicos, produzindo a iluminação um bonito efeito.
in A Pátria 6.10.1926

domingo, 4 de outubro de 2026

Edifício antigo no nº 8 da Estrada Coelho do Amaral

Este antigo edifício fica no nº 8 da Estrada Coelho do Amaral, ao lado do antigo Quartel dos Bombeiros/agora Museu - e é uma relíquia da história da arquitectura da cidade.
Do pouco que consegui apurar começou por ser uma mansão, residência de um abastado cidadão chinês. Ao longo dos anos foi alvo de alguns 'acrescentos', nomeadamente no terraço original. Serviu ainda como armazém e loja. Os caracteres chineses a vermelho ainda se podem ver à entrada.

O edifício apresenta uma fachada que funde elementos ornamentais clássicos (ocidentais) com a tipologia de edifícios de uso misto populares na região. A varanda central do primeiro andar possui uma balaustrada de betão moldado com formas bulbosas ou urnas, um elemento decorativo ocidental comum. As varandas laterais têm balaustradas mais simples.
Ilustração criada por IA a partir de foto

O recuo em relação à rua, protegido por um muro e portão, sugere um uso original  como residência. O elemento mais impressionante é a galeria ou loggia no primeiro andar, definida por três grandes aberturas em arco de volta perfeita. Estas arcadas assentam em colunas cilíndricas maciças que atravessam o rés-do-chão e o primeiro andar, terminando em capitéis coríntios estilizados. O parapeito do telhado apresenta uma balaustrada de betão com aberturas retangulares mais simples.
Fachada lateral na Travessa dos Bombeiros
Ilustração criada por IA a partir de fotografia

Este edifício é um exemplar valioso da paisagem urbana. A sua arquitetura eclética combina uma estrutura clássica monumental com elementos funcionais locais, resultando num edifício único que sobreviveu à passagem do tempo. A sua preservação é crucial para a manutenção da identidade histórica de Macau.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Fachadas e janelas num troço da Rua de S. Domingos

Conhecida em chinês como Pan Cheong Tong Kai (Rua do Templo das Tábuas), devido à proximidade da igreja de São Domingos (cuja primeira edificação foi em madeira), a Rua de S. Domingos - começa no Largo de S. Domingos e termina na Rua de Pedro Nolasco da Silva - é ainda hoje uma das mais movimentadas da cidade. Esta característica tem origem no facto de ser um dos principais acessos do que m tempos idos se designava por zona do bazar, espaço ocupado maioritariamente pelo comércio chinês. Estas lojas ficam no piso térreo com as habitações nos pisos superiores. A azáfama do tráfego e a configuração arquitectónica por vezes dificulta a observação mais atenta de alguns dos edifícios históricos ao longo da rua. Aqui ficam alguns detalhes em versão fotografia e desenho gerado por IA a partir das fotos.



quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Arcos comemorativos da RPC em 1966

Na imagem um arco comemorativo ("pailou") instalado em Macau durante a comemoração do Dia Nacional da China (1 de Outubro) que este ano celebra o 77º aniversário. Estas estruturas efémeras eram da responsabilidade da Comissão Preparatória dos Patriotas de Macau para as Celebrações do Dia Nacional da China que tinha equipas constituídas por designers, carpinteiros, electricistas, pintores e montadores de andaimes de bambu.
Cruzamento da Rua da Praia Grande /San Ma Lou/ Av. Inf. D Henrique
Ao fundo uma grua no local da construção do Hotel Lisboa

No topo:
為祖國文化科學的偉大成就而歡呼!
Tradução: Aplaudi as grandes realizações culturais e científicas da pátria!
Ao centro (painéis de livros decorativos):
毛澤東選集
Tradução: Obras Seleccionadas de Mao Tse-Tung
Na base (faixa inferior grande):
澳門同胞慶祝中華人民共和國成立十七周年
Compatriotas de Macau celebram o 17.º aniversário da fundação da República Popular da China
A RPC foi proclamada a 1 de Outubro de 1949 pelo que esta fotografia é de 1966. Tal como as fotografias que se seguem. Estes arcos eram colocados em várias partes da cidade.
No medalhão circular topo (Central)
偉大的毛澤東思想萬歲!
Viva o grande Pensamento de Mao Tse-Tung!
Na faixa inferior (Base do arco)
澳門同胞慶祝中華人民共和國成立十七周年
Tradução: Compatriotas de Macau celebram o 17.º aniversário da fundação da República Popular da China
No topo:
為祖國工業的全面躍進而歡呼!
Aplaudi o grande avanço geral da indústria da pátria!
Na base do arco:
澳門同胞慶祝中華人民共和國成立十七周年
Compatriotas de Macau celebram o 17.º aniversário da fundação da República Popular da China.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

"Rua do Roquette" e "Travessa da Misericórdia": desde 1888

"As ruas abertas no local onde esteve o antigo edificio e egreja da Misericordia, receberam os seguintes nomes: Rua do Roquette a que começa no largo do senado e vai desembocar na rua da Sé; e Travessa da Misericordia a que fica parallela á primeira."
in O Independente 14.02.1888
Estes edifícios foram demolidos para a construção
do edifício dos CTT no início da década 1930
É curioso notar que, a estar correcta a notícia, começou por ser uma rua e mais tarde adoptou a designação Travessa do Roquete que ainda hoje mantém na fachada lateral do edifício da SCM. Com cerca de 80 metros de extensão é uma homenagem ao comerciante Francisco Xavier Roquete que fez fortuna na região entre meados do século 18 e o início do século 19 e que doou a sua herança (62 mil patacas) à Santa Casa de Misericórdia de Macau antes de morrer em 1817 em Calcutá sendo considerado o maior benfeitor de sempre da instituição. 
O seu retrato (de corpo inteiro), bem como o de Marta da Silva Merop, podem ser vistos no museu da SCM (Travessa da Misericórdia). Foram feitos "sob contorno e direcção" de José Tomás de Aquino ca. 1833 e executados pelo retratista chinês Vo Qua (ou Yo Qua).
Na fachada estão três elementos que merecem atenção.

Placa Toponímica (Azulejos):
羅 結 地 巷 - TRAVESSA DO ROQUETE

Lápide Antiga em granito:
ESTA CAZA DO RECOLHIMENTO
DAS ORFANS FOI FVNDADA EM
6 DE JANEIRO DE 1637 SENDO
PROVEDOR MIGVEL DE MACEDO

Placa Comemorativa (abaixo)
Texto Principal (Português):
ESTA LÁPIDE FOI ENCONTRADA E RECUPERADA
PELO LEAL SENADO A 20 DE MARÇO DE 1996 NAS
OBRAS DE REPAVIMENTAÇÃO, DEFRONTE DO
Nº 1 DA TRAVESSA DO ROQUETE, LOCAL DA
"CASA DE RECOLHA DE ORFÃOS", SUPOSTA
DEPENDÊNCIA DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA
DE MACAU, INSTITUIÇÃO PÚBLICA, FUNDADA
EM 1569 PELO BISPO BELCHIOR CARNEIRO.

Texto em Chinês:
此石碑於一九九六年三月二十日,市政廳於羅結地巷一號前
進行鋪設地面工程時被發現。此處曾為"孤兒院"之原址
屬一五六九年由賈尼路主教 (Bispo Belchior Carneiro) 創
辦之澳門仁慈堂附屬機構之古蹟。

Texto de Inauguração (Português):
A CERIMÓNIA DE RECOLOCAÇÃO FEITA A
6 DE JANEIRO DE 1997, FOI PRESIDIDA PELO
EXMO. O PRESIDENTE DO LEAL SENADO DE
MACAU, DR. JOSÉ SALES MARQUES E PELO
PROVEDOR DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA
DE MACAU, ARQ. CARLOS MARREIROS.

Texto de Inauguração (Chinês):
此石碑重新安放儀式於一九九七年一月六日舉行,
由市政廳主席麥健智先生及仁慈堂堂長馬若龍建築師主持。

Largo do Senado visto da Travessa do Roquete no séc. 21
Ilustração gerada por Ia a partir de fotografia
Travessa da Misericórdia no séc. 21

A Travessa do Roquete (em cima) e a Travessa da Misericórdia (em baixo) contornam o edifício da SCM. Ilustrações criadas por IA a partir de fotografias do século 21.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Templo Pou Tai Un (菩提禪院) na Taipa

Este postal ilustrado da década 1980 mostra o Templo Pou Tai Un (菩提禪院) na ilha da Taipa.
Década 1980

Do final da década de 1980 recupero este texto inserido numa brochura em português e chinês sobre os templos da Taipa:
"Se quiser passar um dia agradável, venha à Taipa pela ponte velha e antes de chegar ao hotel Hyatt, vire à direita e no fim desta estrada, Lou Lim Ieok, está o templo. Construído em 1925, é um mosteiro budista com um templo dedicado aos Três Budas Preciosos e a Kun Iam. De visita obrigatória, nele se encontram Jardins com estátuas, viveiros de carpas e um conjunto de santuários ou lugares de oração onde se confraternizam os deuses do panteão indu, taoista e budista chinês. Neste lugar, com mesas e bancos espalhados pelos jardins, fazem-se belos piqueniques e  come-se boa comida vegetariana dos monges que ainda aí vivem num andar destinado a mosteiro, no pavilhão central. Neste pavilhão, de varandas e beirados ricamente trabalhados encontra-se no andar superior uma estátua, diga de ser vista, de mais de 9 metros de altura, do fundador do budismo, Saquiamuni, o Buda Iluminado que pode ver e compreender todo o universo."
菩提園   
如果你想愉快地過一天,請由舊澳氹大橋到氹仔來菩提園吧!當到達凱悅酒店前應往右轉,再走進盧廉若馬路的盡頭就可以見到菩提園。它建於一九二五年,內有供奉三尊珍貴佛像和觀音像的殿堂,是遊人必到的一座佛教禪院。院內設有一些鑲有石像、養有鯉魚的池塘的庭園,並有一列供參拜中國佛教、道教和印度教等諸神用或唸經用的空間。這裡的庭園均備有枱、櫈,可讓遊人在此野餐,又或品嚐僧侶所做的美味素菜,他們都住在中央寺院的禪房內。在這座經精工修建並附有陽台和屋檐的中央寺院的最高一層內,有一尊高九米、十分值得參觀的佛教始祖釋迦牟尼像,他是一位能看透及洞悉整個宇宙的智者。
Na década 1990

Lá dentro está uma estátua dedicada ao Buda Saquiamuni. Feita de bronze tem a altura de 5,4 metros e um peso de 6.5 toneladas
Altar a estátua de Buda no Templo de Pou Tai Un
氹仔菩提園大佛像

No "Roteiro das Ilhas – Ilha da Taipa. Câmara Municipal das Ilhas", de 1996, pode ler-se:
"O templo chamava-se originalmente mansão (ou jardim) Pou Tai e foi construído pela família Lo em 1927.Um dos seus membros chamava-se Lo Pou San, e era então um dos pintores mais famosos da província de Guangdong, da Escola de Pintura de Lignan, morando na mansão com a sua mãe. O espaço total da mansão foi registado oficialmente em 1933 com uma área tão espaçosa que incluía ainda uma parte da terra onde ficava a Fábrica de Panchões “Him Son” e a terra onde ficava o edifício contíguo da “Wa Seng”. Depois da morte de Lo Pou San, seu filho Lo Vai Chong mudou de residência para Hong Kong e vendeu os terrenos da mansão Pou Tai, que foram comprados por cinco entidades. No dia 16 de Julho de 1964, uma destas entidades, Mestre-Monge Sik Chi Un, comprou a parte principal da mansão, que incluía um pequeno templo que se chamava Palácio Lok Chou, e a maior parte do jardim com a área de 3330 m2.
O mestre Sik Chi Un introduziu o ramo do budismo Cheng Tou (Terra Limpa/Pura) em Macau. Nasceu na província de Zhejiang na China. Tornou-se monge no templo Chiu Heng na cidade de Hangzhou em 1928, e começou a difundir a doutrina budista, pregando no distrito de Zhongshan na província de Guangdong durante alguns anos. No período da guerra entre o Japão e a China, mudou-se para Macau e estabeleceu o ramo Budista Chi Sam. No mosteiro Pou Tai encontram-se actualmente deuses do Budismo e do taoísmo."

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Oculista no hotel Hing Kee em 1888

Na edição de 31 de Julho de 1888 do jornal O Independente é publicado um anúncio e uma 'notícia' sobre a presença em Macau de um oculista.
O anúncio em inglês sob o título "Notice", dirige-se a todos os que valorizam a sua visão ("To All Who Value Their Sight") e confirma os detalhes divulgados na notícia do jornal em português. Através dele, informa-se que o Sr. Laurence, representante da conceituada firma de óticos Laurence & Mayo - com presença em Londres, Calcutá e Bombaim, visitará Macau na segunda-feira, dia 6 de agosto de 1888. Durante a sua breve passagem de apenas dois ou três dias, dará consultas no Hotel Hing-Kee Hotel* (referido na notícia em português como Heng-kee).
Graficamente, a publicação destaca-se por uma ilustração central de uns óculos com olhos desenhados nas lentes, uma técnica de design tipográfico bastante comum no final do século XIX para atrair o olhar do leitor. Como estratégia de promoção e garantia de credibilidade, a peça inclui ainda uma declaração de apoio assinada por A. G. Romano, Cônsul-Geral de Portugal e do Brasil em Hong Kong. Datada de 25 de Julho de 1888, a nota consular atesta a elevada qualidade dos óculos do especialista, sublinhando que estes permitiam ler durante várias horas seguidas sem cansar a vista.
Notícia do jornal:

Oculista - Na secção competente publicamos um annuncio enviado pelo sr. F. Laurence, da acreditada firma de Laurence & Mayo de Londres, Calcutta e Bombaim, oculista de grande reputação. O sr. Laurence deve chegar a esta cidade no dia 6 do proximo agosto e demorar-se-á no hotel de Heng-kee dois ou tres dias, onde dará consultas ás pessoas que queiram aproveitar seu valioso serviço. O attestado do sr. A. G. Romano consul geral de Portugal e Brazil em Hongkong, que vem publicado em seguida ao annuncio do sr. Laurence, é um documento que torna recommendavel o serviço do insigne oculista.
O Hotel Hing Kee no final do século 19. Ficava na Praia Grande, onde está actualmente o Hotel Metrópole



sábado, 26 de setembro de 2026

Leong Veng Heng (梁永馨香莊): Incenso e óleos medicinais

Fundada em 1875* pelo comerciante Leong Sau Ting, natural de Xinhui, a Leong Veng Heng (梁永馨香莊) foi uma das mais importantes fábricas de pivetes/incenso (神香) do território. 
Nesse ano a empresa estabeleceu-se junto ao Porto Interior na Rua do Pagode do Bazar 康公廟大街 - e mais tarde no Pátio das Palmas, na Calçada de S. Francisco Xavier, muito perto das Ruínas de São Paulo e do Templo de Na Tcha.


Segundo anúncios do início do século 20 a empresa também desenvolveu as suas próprias fórmulas de unguentos e óleos medicinais, como o famoso óleo Wui Chun, que era vendido na drogaria com o mesmo nome.
Gravura em cobre para publicidade da loja de incensos Leong Veng Heng
Rua do Pagode do Bazar /zona do Porto Interior
Museu de Macau

A par dos panchões (fogo-de-artifício) e dos fósforos, o fabrico de incenso foi uma das três grandes indústrias artesanais que sustentaram a economia de Macau entre o final do século 19 e meados do século 20 chegando a existir no tempo áureo da produção cerca de 40 unidades de fabrico. Entre as mais importante estava não só esta como também a Chan Luen Heng e a Leong Dai Heng.
Algumas das fábricas chegaram a instalar a produção também na vizinha província de Cantão e até em Hong Kong. Foi o caso da Leong Veng Heng cuja marca ainda hoje existe e tem fábrica na China continental.
No livro de 1929 "Macau: a mais antiga colónia europeia no Extremo-Oriente", Jaime do Inso refere que "Há em Macau 20 firmas de pivetes das quais a mais importante é a Leong-Veng-Heng , fundada em 1815*, que dispõe de duas fabricas com cerca de 800 operários de ambos os sexos , sendo o valor da sua produção anual superior a $120.000 patacas".
Nessa época - primeiro quartel do século 20 - José Neves Catela fotografou a loja que tinha ao centro da fachada os caracteres 梁 永 馨 . 
Lê-se da direita para a esquerda: Liáng Yǒngxīn - Leung Wing Hing em cantonense): 梁 (Leung / Liang): apelido da família fundadora; 永 (Wing / Yong): Eterno / Perpétuo; 馨 (Hing / Xin): Fragrância distante / Perfume suave, referência direta ao fabrico de incenso. 
Numa placa suspensa no lado direito está a inscrição 專辦各國金銀香燭 que significa "Especialistas na venda de incenso, velas, papéis de ouro e prata", utilizados em rituais/oferendas tradicionais.
Do mesmo lado uma pequena placa tem escrito em português "LeongueVeng Heng Drogaria Chinesa" seguida dos caracteres chineses 梁永馨老丹膏散 que significa "Antigos remédios, elixires, unguentos e pós de Leung Wing Hing".

Dessa fábrica que funcionou durante cerca de três décadas (até 1908) junto à antiga muralha que circundava a denominada "cidade cristã" resta hoje o portão de entrada onde estão inscritos os caracteres chineses que correspondem ao nome Leong Veng Heng.
Páteo das Palmas
A estrutura apresenta sinais de degradação e o governo vai avançar com obras de restauro. Num muro lateral (um pouco mais acima do lado direito da fotografia) estão grandes caracteres chineses 梁 (Liáng) 永 (Yǒng) 馨 (Xīn) 香 (Xiāng) 莊 (Zhuāng).
梁永馨 (Leung Wing Hing) é o nome da família e do estabelecimento. O apelido é "梁" (Leung) e o nome comercial "永馨" (Wing Hing) significa "Fragrância Eterna". Já 香莊 (Heung Chong) significa "Fábrica de Incenso".
* 1875 é o ano indicado pelo Instituto Cultural enquanto a data 1815 é a referida por Jaime do Inso.

Sequência de fotografias tiradas em 2024 por Chi Fai Lei