terça-feira, 17 de julho de 2018

Morreu Altino do Tojal

O escritor e jornalista Altino do Tojal morreu no domingo à noite, aos 78 anos, em Brunhais, Póvoa de Lanhoso, distrito de Braga, disse à Lusa fonte da família, acrescentando que as cerimónias fúnebres se realizam esta quarta-feira. (...)
Altino do Tojal nasceu a 26 de julho de 1939, em Braga, onde viveu até aos 27 anos, segundo recordam vários amigos. Trabalhou em diversos jornais, nomeadamente no Jornal de Notícias, no lisboeta O Século, até ao seu encerramento, e depois no Comércio do Porto. Destacou-se na escrita de ficção e a sua obra “Os Putos” foi adaptada ao teatro, à televisão e à banda desenhada. A primeira versão deste livro surgiu ainda em 1964, com o título “Sardinhas e Lua”.
Escreveu igualmente “O Oráculo de Jamais” (1979), “Os Novos Putos” (1982), “Orvalho do Oriente” (1981) e “Viagem a Ver o Que Dá” (1983) .
Nos anos de 2005/2014, a Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM) retomou títulos do autor, como “Ruínas e Gente”, “Jogos de Luz e Outros Natais” e ainda antologias como “Noite de Consoada”, “Histórias de Macau” e “Os Putos – Contos Escolhidos”.
Encetados na década de 1960, “Os Putos” constituiram um projeto que Altino do Tojal manteve em curso, durante anos, com histórias de crianças de rua, que o escritor Urbano Tavares Rodrigues definiu como “crianças sós, iludidas, deserdadas”, vítimas da “máquina trituradora dos adultos acomodados à brutalidade, à estupidez pomposa, à intriga reles, ao senhor rei hábito”.
Numa introdução à edição mais recente da INCM, datada de 2014, Altino do Tojal escreveu: “Fez-me bem escrever este livro, conto a conto, durante meio século, porque dei por mim a sublimar dificuldades de sobrevivência e fastios existenciais que, de contrário, exigiriam um estoicismo superior àquilo de que sou capaz, para serem toleráveis”.
“Embora desejando que ‘Os Putos’ fizessem doer a consciência tão cruelmente como os vivi, quis também que arrebatassem a imaginação tão magicamente como os sonhei. O facto de continuarem a ser lidos, tanto tempo decorrido, permite concluir que, da semente dos meu propósitos, germinou boa árvore.”
in Hoje Macau, 17.7.2018

segunda-feira, 16 de julho de 2018

José Vicente Jorge: imagens

Sugestão de leitura: “A Cozinha de Macau da Casa do meu Avô”, de Graça Pacheco Jorge, neta de JVJ;  a primeira edição foi feita em Macau em 1992; reeditado em Lisboa em 2003.; a edição mais recente, de 2014, revista e ampliada, foi editada pelo Instituto Cultural (Macau) e apresenta-se em versão chinesa e em versão bilingue (português e inglês).






domingo, 15 de julho de 2018

Código dos Usos e Costumes dos Chins de Macau

A 1 de Julho de 1867 foi aprovado por Carta de Lei o novo Código Civil em Portugal. A legislação tornou-se de imediato extensível às então províncias ultramarinas portuguesas, estando no entanto previsto ressalvas. 
Foi o caso de Macau com a ressalva prevista no artigo 8º, número 1, alínea b): "Em Macau os usos e costumes dos chins nas causas das competências do procurador dos negócios sínicos", no Decreto de 11 Novembro de 1869 que manda por em vigor o Código Civil no Ultramar, mas salvaguarda os usos e costumes locais. E eram muitas as diferenças. Por exemplo, as questões relacionadas com o divórcio e a bigamia, que é permitida.
Refira-se que só em 1950, o concubinato foi expressamente proibido no Continente Chinês, pelo art. 2.º da Lei do Casamento, aí promulgada em 30 de Abril de 1950.
Art. 8 do decreto.
Desde que principiar a vigorar o código civil ficará revogada toda a legislação anterior, que recair nas matérias civis, que o mesmo código abrange :
1. São ressalvados: (...) b) Em Macau os usos e costumes dos chins nas causas da competência do procurador dos negócios sínicos;
Anos mais tarde, surge o Decreto de 17 de Junho de 1909 com o «Código dos Usos e Costumes dos Chins de Macau» destinado a regular matérias como a família o casamento e a sucessão. Existe uma edição da Imprensa Nacional (de Macau) desse ano.
Codificado o direito próprio da comunidade chinesa, volta a pôr-se a questão da existência de um tribunal privativo, em cujo projecto se começa a trabalhar e nos finais de 1910 é publicado na imprensa um primeiro projecto. Mas o Tribunal Privativo dos Chinas de Macau só viria a ser criado em 29.11.1917.
No preâmbulo do decreto que aprova o seu regimento, a criação do tribunal é justificada pela existência de populações com usos e costumes próprios, cuja assimilação não era, nem possível, nem desejável. A sua jurisdição abrangia justamente as acções cíveis e comerciais (excepto falências) e as acções criminais menores, em que as partes prescindissem de recurso, desde que o réu ou réus fossem chineses (artigo 1.°). O juiz era um magistrado português do quadro colonial, nomeado pelo governo metropolitano (artigo 3.°).
Em simultâneo criou-se um tribunal de recurso, constituído pelo juiz de direito, pelo conservador do registo predial e por um «homem bom», eleito pelos quarenta maiores contribuintes de entre os cidadãos portugueses que soubessem ler e escrever português (artigo 12.º). O tribunal aplicava o direito consuetudinário recolhido no código de 1909. Mas, tal como no código, previa-se a invocação de outros usos e costumes.
O Tribunal Privativo dos Chinas duraria pouco tempo. Em 1927, uma reforma judicial do ultramar (Decreto n.° 14 453) substitui a de 1894 e extingue o tribunal, atribuindo as suas competências aos tribunais comuns.
Segundo um estudo de 1991, durante os dez anos da sua existência, o Tribunal dos Chinas julgou cerca de 3 500 causas, das quais apenas eram cíveis pouco mais de 400.
Funeral segundo os costumes chineses.

sábado, 14 de julho de 2018

sexta-feira, 13 de julho de 2018

O Canídromo e as corridas de galgos: parte I

A propósito do fim anunciado das actividades do Canídromo recordo alguns dados históricos bem como algumas imagens.
 1965

Embora popularmente mais conhecidas a partir dos primeiros anos da década de 1960, as corridas de galgos no Canídromo de Macau remontam a 1931. Inspirado pelo canídromo inaugurado em Xangai em 1928, Fan Che Pang, um empresário local, juntou um grupo de investidores norte-americanos e chineses para fundar o Macau Canine Club em 1931. A iniciativa iria durar apenas até 1938. Dois anos depois, era inaugurado o Campo 28 de Maio, com um campo de futebol relvado no interior da pista oval, onde se passaram a fazer corridas de atletismo. Em 1963 os novos concessionários remodelam o espaço tem funcionado desde então mas com cada vez menos público.
Em Dezembro de 1965 foi feita a revisão do contrato entre o Governo de Macau e a Macau Yat Yuen Canidrome Company para a exploração das corridas de galgos no Canídromo até 1967. O anterior contrato vigorava desde 1962.
Década 1950

quinta-feira, 12 de julho de 2018

3 peças no Museu do Oriente

No Museu do Oriente, em Lisboa, existem milhares de peças que ajudam a contar a história de Macau. Ficam aqui três exemplos em jeito de sugestão para uma visita ao museu.
Quadro "Panoramic of Macau" (final século 18) do escocês William Anderson
Denominadas "garrafas de peregrino" - eram utilizadas pelos viajantes para transportar líquidos - apresenta a representação de uma moeda do reinado de D. Filipe II. Terá sido encomendada por um cavaleiro da Ordem de Avis ou da Ordem de Cristo durante o domínio espanhol e é um dos primeiros exemplares de porcelana azul e branca encomendados à China pela Companhia das Índias Orientais. Foi oferecida à Fundação Oriente por Stanley Ho.
Biombo "Macau-Cantão" datado da segunda metade do século 18. Trata-se de um biombo articulado de seis folhas, lacado a negro e vermelho com decoração plana e em relevo com prata e ouro. Num dos lados, sobre fundo lacado vermelho, representa-se numa perspetiva aérea, a cidade de Macau, no reverso representa-se a cidade de Cantão.
Na representação de Macau pode ver-se:  Igreja da Madre de Deus (São Paulo),  Igreja de São Domingos, fortaleza de Santiago da Barra, ermida de Nossa Senhora da Penha, fortaleza de São Francisco, fortaleza e ermida da Guia, e o Pagode da Barra. 
Na representação de Cantão: a cidade de Cantão sendo reconhecidas três construções: o pagode Lui-rong, também conhecido por Flowery Pagoda, o antigo minarete da mesquita Mehammedan (torre com o topo arredondado) e o arco triunfal.
Pertenceu à Fundação Calouste Gulbenkian.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Arquimínio da Costa, Lancelote Rodrigues e Mário Acquistapace em chinês

Editados inicialmente em português pelo IIM, estão a partir de agora disponíveis as biografias em língua chinesa de Arquimínio da Costa, Lancelote Rodrigues e Mário Acquistapace, missionários que viveram em Macau no século XX.
Os livros fazem parte da colecção "Missionários para o século XXI" que tem um total de 10 volumes até agora.


terça-feira, 10 de julho de 2018

Macau visto das escadas da igreja Mater Dei

 
Entre estas duas imagens há uma diferença de 100 anos...
Em baixo uma perspectiva das escadas a partir da Fortaleza do Monte na década de 1960

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Vicente Nicolau de Mesquita nasceu há 200 anos

Excertos do artigo "O último herói romântico" da autoria de Inês Almeida publicado no JTM de 9.7.2018.
Vicente Nicolau de Mesquita teve uma vida como poucos macaenses na altura em que viveu, foi o único a alcançar um posto superior no exército português mas ficou com uma imagem “irremediavelmente comprometida” devido à tragédia familiar que protagonizou, consideram personalidades conhecedoras da história do território relativamente ao Coronel que nasceu há 200 anos.
Um busto no Cemitério de São Miguel Arcanjo, uma Rua com o seu nome na Península, uma das datas no Pórtico junto à fronteira com a China Continental. Precisamente dois séculos depois do seu nascimento, ainda há vestígios da passagem do Coronel Vicente Nicolau de Mesquita por Macau. A sua vida foi marcada por vários momentos determinantes, nem todos positivos. (...)
João Botas, autor do blog “Macau Antigo”, fala de uma vida “pouco reconhecida em Macau, terra onde nasceu”, havendo vários factores que contribuem para isso. Desde logo, o facto de pertencer ao século XIX e de o seu feito mais heróico ter ocorrido “num contexto muito específico”.
“Foi na época em que foi destacado para governar Macau João Maria Ferreira do Amaral, um oficial da armada, que tinha perdido o braço direito no decurso da guerra da independência do Brasil. Ferreira do Amaral tinha uma missão clara: repor e restaurar a soberania portuguesa, fazendo cessar a jurisdição chinesa”. Por isso acabou por “pagar caro”, perdendo a vida.
Ferreira do Amaral foi assassinado a 22 de Agosto de 1849 pelos chineses que no Forte do Passaleão, junto à fronteira da Porta do Cerco, juntaram um exército de cerca de 2.000 homens. “Reza a história que se preparavam para invadir Macau”. “Perante alguma hesitação do Governo, Vicente Nicolau de Mesquita, então subtenente de artilharia oferece-se como voluntário para, com um grupo escolhido por ele – mais de 30 homens – assaltar o Forte do Passaleão”. Assim se tornou num herói. “Acidental, porventura, mas não é descabido afirmar que, sem a sua acção, a história teria muito provavelmente sido outra”, destacou João Botas.
Hoje em dia, o que então era a Porta do Cerco e que ainda hoje se encontra junto ao Posto Fronteiriço, ostenta duas datas simbólicas: uma referente ao assassinato de Ferreira do Amaral – 22 de Agosto de 1849 – e outra dedicada a Vicente Nicolau de Mesquita e à Batalha do Passaleão – 25 de Agosto de 1849.
Enquanto militar em Macau, Mesquita foi comandante da Fortaleza da Taipa, do Forte de São Tiago da Barra e da Fortaleza do Monte. “Consta que começou a sofrer de depressão devido à forma lenta como decorreu a promoção nos quadros do exército. Só foi promovido a Coronel em Outubro de 1873 e reformou-se dois meses depois”.
Sem colocar em causa a tese de depressão, João Botas recorda que, ainda em vida, “o Coronel Mesquita foi condecorado com os títulos honoríficos de Cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Cavaleiro da Ordem Militar de Avis e Comendador da Ordem Militar de Avis”. “Recebeu ainda a Medalha de Prata de Valor Militar e a Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar”.
João Botas destaca ainda o facto de Vicente Nicolau de Mesquita ter tido “uma vida que poucos macaenses tiveram na época, nomeadamente ao nível da educação e da carreira que seguiu”.
Por sua vez, Aureliano Barata aponta “a imprudência” de Ferreira do Amaral ao aparecer a cavalo junto às Portas do Cerco que levou à acção de Vicente Nicolau de Mesquita, um feito “muito celebrado pelos macaenses, dado que foi, por um lado, uma retaliação pelo assassínio de Ferreira do Amaral e, por outro, a libertação de Macau do jugo da administração chinesa de Cantão”.
O investigador acredita que “não foi por acaso que, ao aproximarem-se as conversações luso-chinesas para a transferência de Macau para a China, foi retirada a estátua de Ferreira do Amaral que estava junto ao antigo Casino Lisboa, não muito longe da entrada para a Ponte Nobre de Carvalho”.
“Vicente Nicolau de Mesquita era um macaense que comandando a tropa portuguesa libertou Macau da presença chinesa. Este é o aspecto fundamental que fez com que entrasse para a História dos portugueses em Macau”. Além disso, apontou o investigador, “foi a única vez que um macaense alcançou um posto superior no Exército Português”.
"200th anniversary: Colonel whose name is everywhere is recognised by few", artigo da autoria de Daniel Beitler publicado no Macau Daily Times (9.7.2018):
Over the course of three days in the summer of 1849, Vicente Nicolau de Mesquita (1818–1880), who was born exactly 200 years ago today, earned a place for himself among the most controversial figures in Macau’s history.
Today Mesquita’s name can be found across the Macau Peninsula on street signs and monuments, but he is far from a household name and many local residents cannot say who he was or what he did.
The story begins with the appointment of the widely unpopular Governor João Maria Ferreira do Amaral, who was deployed to the Portuguese enclave in 1846 with a directive to overturn de jure Chinese sovereignty in Macau.
Amaral angered the Chinese inhabitants of the city when he ordered them to pay taxes to the Portuguese administration (instead of imperial mandarins as had been the case for hundreds of years) and the proposal that some of the city’s Chinese graves be relocated to make way for a road extension. By some historical accounts, it was during Amaral’s tenure that the Portuguese unlawfully occupied the then-islands of Taipa and Coloane.
His actions, poorly received in nearby Guangzhou, eventually culminated in his assassination on August 22, 1849, just a few hundred meters from the Chinese border. Some 2,000 incensed Chinese soldiers seized the opportunity and amassed along the border of Macau and the nearby Chinese fort at Baishaling and began firing on the walls of Macau.
On August 25, a junior artillery officer by the name of Mesquita volunteered to lead an assault on the fort against all odds, accompanied by just 36 soldiers and a small artillery piece. Preceded by a single artillery shell which was fortunate enough to find its target, Mesquita led a charge against the enemy position causing the garrisoned Chinese soldiers to panic and retreat.
The discord across the border simmered thereafter and the young artillery officer returned to Macau as a national hero.
“In this way, Mesquita became a hero. Accidentally, perhaps, but one of the so-called romantic heroes [nonetheless],” writes João Botas, a Portuguese journalist and the blogger behind Macau Antigo, a rich archive of the city’s history. “And people sometimes need heroes. But it is not unreasonable to say that without his action[s], the story would most probably have been different.”
But this story has a tragic end. Years of discrimination against his Macanese ethnicity are what modern historians say drove Mesquita to insanity, culminating in the murder of his family and his suicide. As a consequence, Mesquita was denied both a military funeral and a Christian burial during the 19th century.
“Like other prominent figures in the history of Macau, the life of Colonel Mesquita is little recognized in Macau, the land where he was born,” Botas told the Times in an interview.
“He was considered a hero during the 19th century and today that is something to remember. But most people [in Macau] don’t know the story – except for the Macanese community,” agreed Jorge Morbey, a historian and president of the Cultural Affairs Bureau (IC) between 1985 and 1990.
Mesquita might be glorified as a hero in the Portuguese and Macanese communities, but having assaulted a Chinese fort during the early years of the “Century of Humiliation,” he qualifies as a villain in the story of modern China.
A bronze statue of the soldier was toppled by dissidents during the 1-2-3 Incident of 1966, when months of tensions in Macau ignited riots and subsequent police repression, all with an undertone of resistance to foreign occupation.
This villainous view is unlikely to change in the near future, especially with the adoption of a standardized history textbook in Macau. Prepared in part by entities under the supervision of the mainland’s Ministry of Education, the textbook is unlikely to recount the story of Amaral and Mesquita in a balanced manner, if at all.
For Botas, that would be unacceptable. “It’s one of the most important aspects of Macau’s history,” he remarked to the Times, adding, “Of course his story should be taught in schools.”
Former IC President Morbey was behind the establishment of a committee of Portuguese and Chinese historians tasked with bridging gaps between the various accounts of the Amaral-Mesquita story in the late 1980s. The committee was later disbanded. Today Morbey shares a skeptical view of how the subject matter is likely to be covered in Macau’s schools.
“If they cover the events in schools it will be in a bad light, because the events were bad from the point of view of the Chinese,” he said.
In future, Macau students might have to look elsewhere for alternative historical narratives of the Amaral-Mesquita story. Fortunately, there are plenty of clues dotted around the city.
Two hundred years on several roads on the Peninsula still bear his name, while today the colonel’s gravestone can be found beside the entrance of San Miguel Cemetery, decorated with the title “Heroic defender of Macau.”
Yet the most well-known Mesquita tribute is the Portas do Cerco, or Border Gate monument, built by the Portuguese administration in 1849 to honor both Mesquita and the deceased Governor Amaral. The dates August 22 and August 25 are inscribed on either side of pastel yellow monument, while the somewhat ironic message, “A pátria honrai, que a pátria vos contempla” (Honor your motherland, for your motherland looks over you), is plastered across its top.
“A pátria honrai, que a pátria vos contempla” is motto used by the Portuguese Navy and inscribed on all ships of its armada. It is used on the Border Gate monument to refer to the distinguished career of Amaral who served in the Portuguese Royal Fleet.

domingo, 8 de julho de 2018

A "Ruínas de S. Paulo" por George Chinnery

Ainda antes do aparecimento da fotografia, era a pintura e os desenhos que captavam a realidade para memória futura. George Chinnery (Londres, 1774 - Macau, 1852) foi um dos artistas que vivendo em Macau entre 1824 e 1852 fez registos únicos de como era o território. Em cima, uma representação da Igreja e Convento de S. Paulo, em 1834, anterior ao incêndio do ano seguinte (26 Janeiro 1835) noticiado no jornal The Canton Register (imagem abaixo),edição de 3 Fevereiro 1835.
Fire at Macao. Destruction of St. Paul's Church.
On Monday night the 26th instant this ancient and superb edifice was totally destroyed by fire. From conspicuous situation, standing on almost the highest ground within the walls of Macao, the grand and awful sight of the blazing pile was visible to the whole city. The fire originated in the guard-house, which was a part of the building, and occupied by soldiers The church was built the jesuits in 1602. We hope to see a full account of melancholy event in the next Chronica de Macao.
Estes dois desenhos foram feitos depois de 1835 quando igreja e convento já estavam destruídos restando apenas a fachada.


sábado, 7 de julho de 2018

Kou Ho Neng: o "rei" das Casas de Penhor

Kou Ho Neng (1878-1955) começou a gerir casas de fantan e ganhou o monopólio do comércio do ópio em Macau em 1911. Alguns anos depois, fundou a Companhia de Navegação a Vapor Tong On, a Casa de Penhores Tak Seng On e ainda a Casa de Câmbio Fu Hang. Em 1916, adquiriu uma mansão na Rua do Campo.
Foi condecorado pelo presidente da República de Portugal, Craveiro Lopes (1951-1958) e receberia a condecoração a 28 de Junho de 1952, aquando da visita do Ministro do Ultramar a Macau. Tem uma rua - na zona da Penha - com o seu nome em Macau.

Kou Ho Neng e personalidades macaenses na década 1930
Kou Ho Neng, natural da cidade de Panyu, na província de Guangdong, foi um empresário chinês muito conhecido em Macau e Hong Kong que ficou famoso como “Rei das casas de penhores” devido aos muitos estabelecimentos do género que abriu e geriu nas duas cidades. Além desta actividade, também se dedicou ao jogo com várias casas de fan-tan, ao comércio do ópio, então legal, e abriu também uma companhia de navegação. Em 1911 ganhou o concurso aberto pelo governo português de Macau para a licença de operação das casas de fan-tan e abriu uma na Rua da Caldeira, registada em nome da Companhia Tak Seng. Em 1914, juntou-se a alguns amigos e lançou-se numa joint-venture, a Sup Yau Tong (Salão dos Dez Amigos) para gerir o comércio do ópio em Macau. Mais tarde fundou ainda a Companhia de Navegação a Vapor Tong On, que efectuava carreiras entre Macau e Hong Kong e entre a China continental e Macau.
Kou Ho Neng ficou bem conhecido entre a comunidade chinesa quando, em 1937, adiantou o capital para constituir, com Fu Lo Yung (tb conhecido por Fu Tak Iam), a Companhia Tai Heng, com a qual ganharam o concurso de concessão exclusiva dos jogos de fortuna e azar em Macau por 1,8 milhões de patacas durante 20 anos.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Santo António: o soldo e o 'capitão' da cidade

Após o tufão de 1874

No seu livro Em ”A Última Nau – Estudos de Macau” (2000), António Rodrigues Baptista escreve:
“Frisemos que Santo António em Macau, como noutras partes da diáspora lusitana, tem sido considerado o “capitão” da cidade tendo-lhe por isso, até sido atribuído um soldo anual conforme nos dão conta diversos documentos. Desta feita, pelo que a Macau concerne, consta que o Nosso Santo foi alistado como soldado em 1623, ano em que veio de Goa para Macau o primeiro presídio militar, com o primeiro Governador, D. Francisco de Mascarenhas. Em 1780, ter-lhe-á sido suspenso tal soldo; mas, três anos depois, ou seja, em 17 de Setembro de 1783, o Senado mandou-lhe pagar os atrasados, promovendo-o nessa altura a “Capitão”. 
Eis o registo da cerimónia ocorrida em 1784:
“Pelas oito horas da manhã do dia doze de Junho, véspera da festa de Santo António, saíram da casa da Câmara do Senado o Vereador mais velho Joaquim Carneiro Machado, o Escrivão da Câmara Jacinto da Fonseca e Silva, e o Tesoureiro Manuel Pereira da Fonseca todos em cadeiras, levando o Tesoureiro uma bolsa de cetim carmesim com suas borlas e cordões dourados. A bolsa com os seguintes dizeres: Soldo de Capitão da Cidade que tem vencido até ao dia treze deste mês o Glorioso S. Santo António e que lhe remete o Nobre Senado. Chegados à porta da igreja encontrava-se já o Porteiro do Senado com uma salva de prata na mão onde o Tesoureiro colocou a bolsa com o soldo, para que aquele a conduzisse ao Cruzeiro da Igreja onde se encontrava a imagem do Santo, numa credencia com oito velas acesas. Ali o Tesoureiro tirou a bolsa da salva e colocou-a aos pés do Santo, tendo durante algum tempo repicado os sinos. O Vereador, o Escrivão e o Tesoureiro fizeram orações ao Santo, receberam o recibo e retiraram-se sempre na companhia do Vigário da Igreja.”
O montante do soldo foi variando com os anos. Em 1975, o Leal Senado pagou 6 mil patacas de soldo anual; em 1995, o Presidente do Leal Senado entregou 40 mil patacas ao “Santo Capitão” do Município de Macau. O último pagamento ocorreu em 1999.
Foto do século XXI e imagem do século XIX
A história militar do Santo inicia-se em Portugal na Guerra da Restauração (1640-1668) quando os soldados começaram a atribuir-lhe os sucessos militares, o que levou o Regente do reino, D. Pedro II, a determinar em 1668 que assentasse praça, como soldado no Regimento de Infantaria de Lagos “por tão patriótico serviço”, sendo mais tarde promovido a capitão, e a major em 1780. 
Embora sem o soldo de outros tempos a procissão de Santo António continuou a assinalar -se depois de 1999, sempre no dia 13 de Junho.
Curiosidade: O Pão dos Pobres foi instituído em 1903, por diligências do pároco António José Gomes. Os benfeitores contavam-se tanto em Macau como em Hong Kong, Xangai e Cantão, principalmente. Em 1931 matava a fome a 200 famílias com a distribuição mensal de 22 picos de arroz, cerca de 1300 quilos de arroz por mês.
Estátua do Santo António com o Menino Jesus ao colo na nave principal da igreja, construída no local da primeira, erguida por volta de 1565, pelos jesuítas. Conhecida como a Igreja dos portugueses - 聖安多尼教堂(花王堂 - faz parte da Lista do Património Mundial da Humanidade.


quinta-feira, 5 de julho de 2018

Demolição do cais do antigo casino Macau Palace

Lido na imprensa de Macau deste 5 de Julho que "estão a decorrer trabalhos de demolição do cais de atracagem do antigo casino Macau Palace, junto ao Porto Exterior, ficando o terreno em condições de passar para a tutela do Governo".O casino “Macau Palace” foi inaugurado a 26 de Maio de 1962, explorado pela Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM), tendo passado por diversas localizações. Ficou inactivo desde 2007 e rebocado para o Fai Chi Kei a pedido do Governo em 2015.
A operadora de jogo fundada por Stanley Ho chegou a anunciar em 2012 um projecto de transformação do casino flutuante num museu sobre o jogo, mas a proposta nunca se chegou a concretizar.
 Década 1960
Século XXI. Foto JTM

quarta-feira, 4 de julho de 2018

'Bancos' privados: Chan Tung Cheng, Foo Hang...


Por decreto de 29 de Agosto de 1901 foi concedido ao BNU o privilégio da emissão de notas em Macau (até então havia apenas moedas), tendo desta forma tentado por-se cobro à proliferação de várias moedas que circulavam no território.
Apesar da criação desta 'nova' moeda continuaram a existir em Macau moedas dos territórios vizinhos, designadamente ‘tai youngs’, ‘dólares de Hong Kong’, divisionárias de prata chinesa e até ‘
certificados de prata’ (pang tang), que circulavam livremente, emitidos por bancos privados e eram aceites pela generalidade do comércio e até de particulares para satisfação dos pagamentos. É o caso destas imagens de 1934 do 'banco' Chan Tung Cheng'.
A circulação deste ‘certificados de prata’, ou ‘pang tang’ só seria abolida em Macau com a proibição da circulação de outras moedas através do diploma legislativo n.º 840, de 26 de Fevereiro de
1944. A partir desta altura a moeda com curso legal no território passou a ser efectivamente a pataca.
Em baixo uma emissão no valor monetário de 10 emitida pelo Foo Hang Bank em 1937.





terça-feira, 3 de julho de 2018

1ª ligação marítima comercial: 1853

A 1ª  ligação marítima comercial entre Lisboa e Macau, teve lugar em 25 de Novembro de 1853 e terminada em 29 de Maio de 1854 efectuada pelo brigue "Mondego", embarcação à vela com 2 ou 3 mastros com mastaréus de gávea e velas quadrangulares.
No final do século XIX e início do século XX eram os “vapores” franceses da "carreira do oriente" que serviam os passageiros que de Lisboa queriam ir para Macau. Rumavam até à Europa, muitas vezes até França e aí entravam a bordo dos 'vapores' da "Messageries Maritimes". 
A inauguração da carreira marítima portuguesa para o Oriente aconteceu em Abril de 1952 com o paquete “Índia” que transportou o Ministro do Ultramar, Comandante Sarmento Rodrigues, em visita aos territórios portugueses da Índia, Macau e Timor. Sobre este tema existem diversos post's aqui no blog. Basta utilizar o motor de pesquisa.