Há 70 anos tinha início a construção do "edifício novo do Liceu Nacional Infante D. Henrique". Era uma aspiração muito antiga da instituição fundada em 1894. Depois de andar instalada em vários edifícios finalmente iria ter instalações próprias.
Iniciaram-se as obras de construção do edifício do novo Liceu Nacional Infante D. Henrique
recentemente adjudicadas em hasta pública
Esta Província vai ter um novo liceu. Não é necessário destacar a importância deste novo melhoramento, que demonstra, mais uma vez, o especial interesse que merece o problema do ensino, ao Governo de Macau.
Sua Ex.ª o Almirante Joaquim Marques Esparteiro, ilustre Governador da Província, desde a primeira hora em que tomou as rédeas da governação desta parcela portuguesa, dedicou o maior interesse e carinho a tudo que se relacionasse com tão magno problema. Com a construção deste novo edifício de ensino secundário, abre-se, sem dúvida, um novo capítulo na história da instrução e educação da população macaense.
Numa época excepcionalmente difícil, em que a economia de Macau se sente e ressente duma crise grave, torna-se a solução deste problema, ao qual gerações se dedicaram com o maior interesse, sem os desejados resultados, digna dos maiores louvores, pois é fácil governar e fazer grandiosas obras, no "tempo das vacas gordas". Na presente situação o acontecimento representa, porém, uma vitória digna de registo e dos maiores encómios.
O novo Liceu Nacional Infante D. Henrique destina-se a alunos de ambos os sexos e foi projectado pela Repartição Provincial dos Serviços de Obras Públicas, Portos e Transportes. O plano da obra, que mereceu aturado estudo, foi fornecido pelo reitor do Liceu desta Província, com base no estatuto de ensino, em vigor.
Foi adjudicada, como noticiamos, a obra de construção, por mais de 460 mil patacas, o que representa cifra apreciável nos momentos actuais.
O Liceu terá capacidade para cerca de 300 alunos, suficiente, nesta primeira década, e as suas diversas dependências são distribuídas por três pavimentos que constam de:
11 salas de aula, sendo 7 para uma capacidade de 30 alunos e 4, para cerca de 15 a 20 alunos;
uma sala de desenho e de trabalhos manuais;
uma secretaria com arquivo anexo;
uma biblioteca;
um gabinete de física, com câmara óptica, anexa;
um laboratório de química;
um gabinete de ciências naturais, com a necessária disposição de luz que torne possível os trabalhos com microscópios;
museu de ciências naturais;
sala de geografia;
um gabinete para o reitor;
uma sala para os professores;
um salão amplo para palestras culturais, sessões solenes e sessões cinematográficas...
As instalações incluem um ginásio com balneários anexos; uma sala de estar para as alunas com instalações sanitárias anexas; duas salas para a instalação da Mocidade Portuguesa; um arquivo para material didático; uma cantina; um vestiário, uma arrecadação e instalações sanitárias, separadas, para os professores e para os alunos.
O terreno para o novo Liceu fica situado nos aterros da Praia Grande e compreende os talhões que são limitados pela Rotunda Ferreira do Amaral, Avenida Dr. Oliveira Salazar, Avenida D. João IV e Avenida Infante D. Henrique.
O talhão que confina com a Rotunda Ferreira do Amaral foi destinado ao edifício e, o outro, a campo de jogos dos alunos. O edifício ocupará uma área coberta de 2.465,26 metros quadrados e, o campo de jogos, uma superfície de 4.950,00 metros quadrados.
Declarações do Diretor das Obras Públicas
O jornal entrevistou o Senhor Engenheiro José dos Santos Baptista, que forneceu detalhes técnicos sobre a construção.
Estrutura: O edifício será construído em betão armado e os vãos livres serão preenchidos com paredes de blocos de cimento e areia com espessura de 30 centímetros.
Fundações: Devido à natureza das terras (produto de dragagens e lixos nos aterros), a fundação será feita por meio de estacas com comprimento máximo de 12,40 metros, cravadas com bate-estacas mecânicos até atingirem o terreno firme.
Primeira Fase: Compreende as fundações, o betão armado, paredes, revestimento da cobertura, esgotos e canalização de água.
Adjudicação e Prazos: Por despacho de 23 do mês passado, a construção foi adjudicada ao empreiteiro Chui Kei pelo valor de $466.600,00.
Início e Conclusão: Os trabalhos começaram no dia 7 do mês corrente (maio de 1956) e o prazo de execução é de 360 dias.
Excerto da 1ª e 11ª páginas da edição de 13.5.1056 do Notícias de Macau. Esta era apenas a primeira fase da empreitada. O Liceu seria inaugurado em Outubro de 1958 e demolido no início da década de 1990 embora tenha ficado desocupado desde Dezembro de 1985. O liceu passou a funcionar no Complexo Escolar, inaugurado em Janeiro de 1986.



























