sexta-feira, 20 de março de 2026

雅風 - Jet Wind Travel Magazine

A Jet Wind Travel Magazine (雅風) foi uma publicação emblemática da década de 1970. O título em inglês remete para o início da aviação a jacto que veio revolucionar o sector e por via disso o turismo. Hong Kong começava a afirmar-se como uma escala crucial nas viagens de turismo à escala mundial. Na capa os caracteres chineses 雅風 (Ya Feng), evocam um "estilo refinado" ou "elegante", o que reflecte a ambição da revista em ser um guia para o viajante moderno e culto da época, apresentando artigos sobre moda, gastronomia e cultura urbana.
Nas imagens a edição número 37 de Setembro de 1976 tendo na capa as Ruínas de São Paulo, em Macau. Entre as fotografias no interior uma vista panorâmica tirada do Hotel Sintra onde se pode ver o Liceu, o hotel Lisboa e a Ponte Macau-Taipa inaugurada em outubro de 1974. Nos primeiros anos teve portagem. Uma das fotografias mostra isso.
Na época o maior fluxo de visitantes/turistas em Macau era proveniente de Hong Kong.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Inauguração do Café Ruby/ 紅寶石

Café Ruby
紅寶石 
Ruby
咖啡館 
Café
本館謹訂西曆七月六日正午十二時開幕
Este estabelecimento tem a honra de fixar a sua abertura para o dia 6 de Julho do calendário ocidental, ao meio-dia em ponto.
敬請 各界中西人士駕臨參觀指導曷勝榮幸
Convidamos cordialmente as individualidades chinesas e ocidentais de todos os setores a honrarem-nos com a sua visita e orientação. Será uma grande honra.
紅寶石咖啡室敬約
Atentamente, Café Ruby.
Na base do anúncio o endereço e o telefone:
Endereço: 新馬路平安戲院隔鄰 
Avenida Almeida Ribeiro, ao lado do Teatro Apollo, que em chinês se lê Ping On e significa Grande Teatro da Paz (平安大戲院)
Telefone: 電話:三六五一  3651.
Anúncio em chinês da inauguração do Café Ruby - diz-se Hong Pou Seak - nos primeiros anos da década 1950. O estabelecimento - tinha rádio, mesas de bilhar e ar condicionado - surge referido no Anuário de Macau 1953-1955, publicado em 1956. Foi fundado por um cidadão chinês oriundo de Cantão. Ficava no nº 1-M r/c da Avenida de Almeida Ribeiro, junto ao teatro/cinema Apollo, e frente à entrada lateral do edifício dos CTT. 
Com o mesmo nome existiu também um restaurante, na mesma época e na mesma avenida, mas junto ao cinema Vitória. O Café encerrou no início da década de 1970.
Factura/Recibo do "Ruby Restaurant"

quarta-feira, 18 de março de 2026

A residência de Camilo Pessanha na Praia Grande

 

O edifício a funcionar como escola
Foi aqui que Camilo Pessanha viveu muitos anos e morreu a 1 de Março de 1926. Ficava no número 75 da Rua da Praia Grande, no troço entre a Avenida Almeida Ribeiro e a Calçada de São João (ficava mesmo na esquina desta calçada). O edifício era constituído por dois pisos sendo o acesso feito por um páteo. A fotografia exibe já uma utilização do espaço como escola chinesa.

terça-feira, 17 de março de 2026

Emissão 100 Patacas "Ruínas da Catedral de S. Paulo": 1973

Em 1973 foi emitida a nova nota de 100 patacas sendo a primeira produzida em Portugal na Casa da Moeda. Destacou-se ainda por ser a primeira sem descrição de decreto-lei. Impressa em tons de azul-escuro apresentava na frente fundo com desenhos geométricos sem moldura. À direita em medalhão circular a imagem das Ruínas da Catedral de São Paulo, uma imagem repetida na marca de água em medalhão circular à esquerda. Data e numeração a preto e restantes informações em azul. O verso com selo BNU – Lisboa 1864 ao centro e à esquerda representação de junco em medalhão. Outra novidade foi o facto de ter desaparecido do verso a imagem simbólica da navegação, habitual nas emissões do BNU nas colónias. Foram emitidas um milhão de notas. As primeiras com a data 13.12.1973. Posteriormente, em 1979 foi emitida novamente com alteração da data (8.6.1979). Foi retirada da circulação em 1981.


Diário do Governo (Portugal): 9.2.1974
Torna público terem sido aprovadas as características das notas de 100 patacas a lançar em circulação na província de Macau.

Aviso
Faz-se público que, nos termos do § 2.º da cláusula 32.ª do contrato celebrado em 16 de Junho de 1953 com o Banco Nacional Ultramarino, foram aprovadas, por despacho de S. Ex.ª o Secretário de Estado do Fomento Ultramarino de 21 de Janeiro de 1974, as características das notas de 100 patacas a lançar em circulação na província de Macau, cuja descrição é a seguinte:

Dimensões e cor:
155 mm x 75 mm (azul-cinza).

Frente:
Na parte superior, o dístico «Banco Nacional Ultramarino», em letras cheias, e na linha seguinte a correspondente versão em caracteres chineses. Imediatamente abaixo, o escudo nacional com palmas e laço, vindo a seguir o valor por extenso, «cem patacas», também repetido por baixo em caracteres chineses. Todos estes elementos estão impressos a azul-forte, ocupando a região central.
Seguidamente a data, «Lisboa, 13 de Dezembro de 1973», em letras pretas tipo miúdo.
Mais abaixo, longitudinalmente, à esquerda «O Governador» e à direita «O Administrador», que encimam as assinaturas em fac-símile.
Destacadamente, na parte inferior, a palavra «Macau», em letras azuis, muito grandes, tipo cheio.
A face é dominada por uma faixa em arabescos matizados que se expande pelo interior da nota.
Ocupando o lado direito, a efígie circundada por friso em arabesco, tendo inscrita por baixo, em letras muito miúdas, a respectiva designação, «Ruínas da Catedral de S. Paulo».
No lado esquerdo a marca de água que representa a mesma imagem da efígie, em proporção reduzida e menos pormenorizada.
O canto superior esquerdo e o inferior direito comportam o valor da nota, «100», em algarismos árabes, enquanto os cantos inferior esquerdo e superior direito comportam o mesmo valor em caracteres chineses.
A numeração em cima, à direita do escudo nacional, repete-se em baixo à esquerda da palavra «Macau».

Verso:
Em cima, bem centrado, os dizeres «Banco Nacional Ultramarino», repetidos na linha seguinte em caracteres chineses. Logo abaixo a expressão «Pagável em Macau» e depois, mesmo ao centro, o emblema do Banco sobressaindo de uma rosásea multicor.
Na mesma sequência, o valor por extenso, «Cem Patacas», repetido em caracteres chineses.
No lado direito a marca de água e no lado esquerdo a imagem de um barco oriental com a respectiva designação, «junco», inscrita na base.
Nos cantos superior direito e inferior esquerdo o valor «100» em algarismos árabes, que se repetem em caracteres chineses nos cantos superior esquerdo e inferior direito.
Finalmente, além do fundo numismático comum à frente e ao verso, a nota contém uma linha descontínua vertical, visível de ambos os lados (melhor na transparência).
Este traço de protecção observado de frente situa-se no lado esquerdo.
Direcção-Geral de Economia, 25 de Janeiro de 1974. - O Director-Geral, Rui de Araújo Ribeiro

O jornal em língua chinesa Va Kio Daily News publicou uma notícia:

新百元葡幣四月間推出
(專訪) 百元面額之新葡幣已於日前運到,昨日西洋銀行發出該新紙幣之樣本,給予各中西文報章刊登,以便市民識別。這批新紙幣,總數多少未有公佈,西洋銀行祗表示這批新紙幣將於本年四月間陸續發行,但不是大量推出,發出後還會將過干殘舊之舊百元面額之紙幣回籠,以保持市面之流通額平衡。
有關新百元紙幣之特徵是:大小與舊紙幣相同,長一五五毫米,濶七十五毫米,但色素和圖案則有別,正面右邊圖案是以大三巴牌坊代替人像,背面正中圖案則以小帆船代替了關閘城樓,左邊圖案亦以較大之帆船代替了葡國國徽。同時新紙幣之發行銀行之中文名稱,亦已由「大西洋國海外滙理銀行」改爲「葡國海外銀行」。色素亦以原有之褐色改爲灰藍色,整個圖案之設計和顏色,都比舊銀紙美觀和悅目,紙質則與舊紙幣差不多,這批新銀紙,是于一九七三年印成的。

Tradução:

Novas notas de 100 patacas serão lançadas em abril
[Reportagem Exclusiva] As novas notas de patacas com o valor facial de 100 patacas chegaram há poucos dias. Ontem, o Banco Nacional Ultramarino (BNU) emitiu espécimes destas novas notas aos jornais chineses e de língua estrangeira para publicação, de modo a facilitar a identificação por parte do público. O montante total desta remessa não foi anunciado; o BNU indicou apenas que as notas serão lançadas gradualmente a partir de abril deste ano. O lançamento não será massivo, uma vez que o banco irá simultaneamente recolher notas antigas e danificadas de 100 patacas para manter o equilíbrio da moeda em circulação no mercado.
As características da nova nota de 100 patacas são: o tamanho é idêntico ao da nota antiga (155 mm de comprimento por 75 mm de largura), mas as cores e os desenhos são diferentes. No anverso (frente), o desenho do lado direito apresenta as Ruínas de São Paulo em substituição de um retrato*. No reverso (verso), o desenho central mostra uma pequena embarcação à vela (junco) em vez da Porta do Cerco; o desenho à esquerda também utiliza um junco maior em substituição do brasão de armas de Portugal.
Simultaneamente, o nome em chinês do banco emissor nas novas notas foi alterado para uma versão mais curta**. A cor principal também mudou do castanho original para azul-acizentado. O design e as cores de toda a nota são considerados mais estéticos e agradáveis à vista do que a nota anterior, sendo a qualidade do papel semelhante. Esta remessa de novas notas foi impressa em 1973.

* refere-se à emissão anterior (1966) que tinha o retrato de Mouzinho da Silveira.
** passou de 10 para 6 caracteres.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Emissão filatélica "Fortalezas de Macau": 2026

As "Fortalezas de Macau" são o motivo de uma emissão filatélica extraordinária pelos Correios de Macau a 8 de Abril de 2026 num total de 5 modelos: $ 2,50; $ 4,00; $ 4,50; $ 6,00; Bloco com selo de $ 14,00.
Os selos são impressos em 25 000 folhas miniatura, das quais 6 250 serão mantidas completas para fins filatélicos.

A emissão inclui apenas cinco das fortalezas existentes em Macau.

domingo, 15 de março de 2026

Mansão na Praia Grande na década 1960

Na imagem uma mansão na Rua da Praia Grande na década de 1960.
Seria demolida em 1972. Mais imagens dessa época aqui

sábado, 14 de março de 2026

Concurso "Vale a pena ler"

No site da Fundação Jorge Álvares está disponível informação sobre o concurso "Vale a Pena Ler" para o ano lectivo 2025/26 e que tem como destinatários as escolas de Portugal Continental e das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
Para esta iniciativa a FJA "convida todos os alunos e professores a mergulharem nos fascinantes conteúdos da sua Biblioteca Digital e a participarem num concurso único, onde o conhecimento, a imaginação e a criatividade se encontram para dar vida a novas ideias!"
O concurso destina-se a alunos do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário, sendo a participação individual, mas sempre no contexto escolar, com o acompanhamento de um(a) professor(a) responsável.
O período de candidaturas decorre entre 15 de Março e 23 de Abril de 2026.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Memórias de Manuel Cotovio (1970-1971)

Manuel Cotovio prestou serviço militar em Macau entre Fevereiro de 1970 e Dezembro de 1971 pertencendo ao esquadrão de cavalaria nº 4 criado em 1967 e extinto por volta de 1974 quando foi adstrito ao PPM8275.
À semelhança de outros ex-militares, desafiei-o a recordar Macau do início da década de 1970 e o que se segue é o relato na primeira pessoa após várias trocas de emails. Algumas das imagens são de MC outras são da época e pretendem ilustrar a Macau que Manuel Cotovio conheceu. Depois de o ter feito pessoalmente, deixo aqui publicamente o meu agradecimento - e as desculpas pela publicação tardia - por mais este testemunho inédito e exclusivo do blogue Macau Antigo.
Quando fui mobilizado dissera-me que ia para Angola e só quando cheguei aos adidos é que soube que ia para Macau. A viagem começou com o embarque em Lisboa no dia 26/12/1969 no navio Timor. Como era soldado e não havia camarotes era passageiro de 3ª no porão. Eramos quase 200, uns iam para Macau outros para Timor. Fizemos escala em Lobito, Luanda e Beira Lourenço Marques. Mas desembarquei em Hong Kong, apanhei o barco para Macau onde cheguei às 22 horas de 12 de Fevereiro de 1970.
Fui colocado no EC4 (Esquadrão de Cavalaria) que ficava junto ao Jardim da Flora e do Quartel da Policia. O comandante nessa altura era o capitão Casquilho, e o Governador de Macau o Nobre de Carvalho. No inicio fez-me muita confusão quando ia fardado na rua ver as pessoas a desviarem-se e algumas até punham o lenço a tapar a cara, nos autocarros não  se sentavam ao nosso lado, e no cinema com certeza que tinham um código porque os lugares eram marcados quando adquirimos o bilhete e lá dentro nunca tínhamos vizinhos. Mais tarde depois soube que eram restos da rebelião de 1966. Felizmente que isso foi quase logo ultrapassado.
A inauguração do Hotel Lisboa foi nessa altura. Ia lá todos os dias beber um cafezinho no coffee shop e ainda lá ouvi uns faditos. Também gostava do Estoril que ficava perto do quartel. Ao Macau Palace (casino flutuante no Porto Interior) também fui algumas vezes. Havia música. Tenho saudades do Restaurante Belo na Av. Almeida Ribeiro, faziam uns cachorros que era de comer e chorar por mais. Havia ainda o Ruby e o Safari.
À praia a Coloane só fui dois fins-de-semana. Foi também num fim de semana que fui à Taipa. Não havia ponte e a viagem era de barco. Ao Canídromo é que fui mais vezes. Gostava muito do espectáculo e das peripécias que envolviam as corridas de galgos mas era raro jogar. O dinheiro não era muito e tinha de dar para os cigarros.  Um maço custava 20 avos com oferta da caixa de fósforos. Por vezes ia ao cinema. Lembro-me do Apollo onde vi o filme Woodstock e já aqui no blog veio-me à memória o Nam Van. Outra coisa que já não me lembrava mas ao ver as fotos recordei muito bem era aquela técnica de pesca com redes e bambús. O quanto eu fiquei admirado com aquilo...

O EC4 estava aquartelado num edifício tipo pré-fabricado revestido a chapa ondulada de alumínio parecido com os que os americanos usavam no Vietname. As traseiras estavam mesmo junto ao jardim da flora. Do lado esquerdo, num nível inferior, era  uma escola.
Um soldado recebia de pré 100 patacas ora não me dava para grandes aventuras por isso hotéis só ia a esses três que anteriormente referi, e muitas vezes era para ver jogar bowling e nas máquinas que estavam cá fora porque não tínhamos autorização para entrar no salão nobre dos casinos.
Quanto aos soldados éramos 13 mas só me lembro de um nome, foram outros para o Quartel General; não sei se chegamos aos 50. Tinha uma agenda com alguns apontamentos onde tinha nomes e endereços de todos do EC4 e de outros que vieram no barco só que quando chegamos a Lisboa desembarcamos quase madrugada e no quartel dos 'adidos' com a confusão de entregar o espólio perdi uma malita com algumas coisas sem valor material mas com interesse sentimental.
Ir ao SPM (Serviço Postal Militar) era uma das minhas funções: buscar e levar correio. Tinha um cartão de livre trânsito para andar na rua, mas a maior parte das vezes apesar de não ser muito longe ia no jipe com o condutor de dia.
Entrada para o antigo paiol (fotos séc. 21)
Nos primeiros seis meses cheguei a prestar serviço ao paiol da estrada de Cacilhas. Fiz umas guardas nessa guarita frente ao paiol. Nesse espaço, a casa da guarda, dormíamos e tomávamos as refeições. Numa outra guarita fazíamos reforços à noite. Havia aí um túnel que diziam atravessar o monte da guia e ligar à parte sobranceira ao nosso quartel. Não sei se tinha fundamento mas as entradas ou saídas estavam lá.
Uma vez na parte de Cacilhas tentei entrar lá com um cão que era o nosso companheiro nas noites de reforço, mas só andamos uns metros pois o cão começou a ganir e ladrar e a recuar. Eu também tive medo e voltei para traz já que a visibilidade também era pouca."

quinta-feira, 12 de março de 2026

Retrato a óleo de Camilo Pessanha por Pedro Barreiros

Retrato a óleo da autoria de Pedro Barreiros, 1976
No canto superior direito o "ex-libris" do poeta
 
A obra serviu como ilustração da capa do livro "Homenagem a Camilo Pessanha", editado pelo Instituto Português do Oriente - Instituto Cultural de Macau, com "Organização, prefácio e notas de Daniel Pires".

quarta-feira, 11 de março de 2026

Dois professores do Lyceu de Macau

Fotografia impressa pelos estúdios "Man-Fook Photographer", localizado no nº 1 e 2 "near the Steam Wharf", ou seja, junto ao Cais dos Vapores no Porto Interior, no Largo da Caldeira.
No cartão fotográfico o texto no topo está escrito da direita para a esquerda, como era tradicional na época.
Chinês: 萬福影相 Transcrição (Pinyin): Wàn fú yǐng xiàng
Tradução: Fotografia Man-Fook (ou "Mil Felicidades")
Na parte inferior 舖在澳門火船頭門牌第二號
Tradução: Loja situada no número 2 do Cais dos Vapores de Macau. (não refere o nº1)

Na fotografia tirada ca. 1899 estão Camilo Pessanha e João Pereira Vasco, na época dois professores do Lyceu de Macau. Tudo indica que se trata do pátio da residência de Pessanha na Praia Grande, junto à Calçada de S. João. Pessanha tem ao seu lado o cão Arminho.

Os dois fizeram parte do primeiro corpo docente do Liceu de Macau inaugurado em 1894 juntamente com Horácio Poiares, Mateus de Lima, Wenceslau de Moraes, entre outros. Em cima, a lista do pessoal docente do Lyceu em 1896.
Pereira Vasco, chegou a partilhar casa com Pessanha, era professor de Geografia e História, a 7ª cadeira do curso do Liceu. Desembarcou em Macau a 12 de Maio de 1894, tendo com ele viajado dois residentes de Macau que regressavam de Lisboa: João Nolasco da Silva, filho de Pedro Nolasco da Silva e Carlos Cabral, filho de João Albino Ribeiro Cabral.
Há outro registo fotográfico dos dois no mesmo local (parte dessa fotografia acima), sabendo-se que chegaram a viver na mesma residência. Pereira Vasco teve um papel muito activo no jornal O Lusitano. Na época existiam outros jornais como o Echo Macaense e A Voz do Crente.

terça-feira, 10 de março de 2026

O "escritor de cartas"

Esta fotografia é um registo de meados do século 20. Numa rua de Macau um "escritor de cartas" protegido do sol por um chapéu de chuva atende uma cliente. No cartaz está escrito em chinês tradicional 寫信. Significa "Escreve-se cartas".
Exemplo de uma antiga profissão que era habitual ver-se na cidade pelo menos até à década de 1980 como pude testemunhar. Fruto dos baixos índices de alfabetização, nomeadamente dos mais velhos, estes profissionais montavam bancas na rua e em troca de algumas patacas redigiam correspondências, preenchiam formulários oficiais ou liam cartas recebidas.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Companhia de Caçadores 2761

Um leitor de Hong Kong enviou-me este fim de semana esta foto - tirada há poucos dias - intrigado sobre o que queria dizer a inscrição em cimento "C.CAÇ 2761". Trata-se de uma 'marca' deixada pela Companhia de Caçadores 2761 (Exército) à entrada da Fortaleza de Mong-Ha onde os militares desta companhia foram colocados no início da década de 1970.

A Companhia de Caçadores - formada por cerca de uma centena de militares do Regimento de Infantaria 1 (Amadora) e 8 (Braga) - desembarcou em Macau a 12 de Dezembro de 1970* - no navio Timor - sob o comando do capitão de infantaria António Ribeiro Laia. A companhia regressou a Lisboa em Janeiro de 1973.
* nesse dia chegou também a Companhia de Caçadores 2760 que ficou aquartelada na Ilha Verde.

domingo, 8 de março de 2026

sábado, 7 de março de 2026

Dois documentos com a assinatura de Camilo Pessanha

Requerimento de 1903
(na qualidade de professor)
 

Requerimento de 1903
(na qualidade de Conservador do Registo Predial)

sexta-feira, 6 de março de 2026

O jerinxá/riquexó de Camilo Pessanha

No mês em que se assinala o centenário da morte de Camilo Pessanha aqui fica mais post alusivo ao poeta.
Desaconheço o actual paradeiro do jerinxá/riquexó de Camilo Pessanha, meio de transporte utilizado pelo poeta na sua vida, incluindo segundo consta, nas deslocações até ao Liceu juntamente com o pequeno cão Arminho - no Largo de Santo Agostinho, no antigo Hotel Boa Vista ou no Tap Seac - onde foi professor durante muitos anos e por norma chegava atrasado às aulas. Ensino história e geografia, por exemplo. Terá também sido um riquexó como este usado pelo poeta à chegada a Macau, transportando-o do cais dos vapores Porto Interior, até ao hotel Hing Kee, na Praia Grande, a sua primeira morada no território.

O mesmo riquexó, página de um artigo da revista Macau em 1988.

Após a morte do poeta em 1926, o riquexó viria a fazer parte do espólio do Museu Luís de Camões. Em 1979 o riquexó foi exibido em Lisboa, no âmbito na iniciativa Quinzena de Macau, organizada pelo Fundação Calouste Gulbenkian.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Fotografias de Georg Oddner em 1956

Georg Oddner (1923-2007) foi um dos mais reconhecidos fotógrafos suecos do século 20. Começou por ser músico de jazz e estudante de publicidade na década de 1940 quando teve seu primeiro contacto com a fotografia através de John Melin, director de arte da Svenska Telegrambyrån em Malmö, a maior agência de publicidade da Escandinávia. A partir daí, Oddner começou a trabalhar em diversas áreas da publicidade, incluindo indústria, arquitectura e vestuário, além de trabalhar para a companhia aérea SAS. 
Em meados da década de 1950, Oddner viajou pela Califórnia, América do Sul, União Soviética e Extremo Oriente. Passou por Macau em Abril de 1956 onde fotografou a preto e branco. Recorrendo às máquinas favoritas da Hasselblad e Leica obteve dezenas de registos onde capta essencialmente cenas da vida do quotidiano. Mais do que a paisagem ou os edifícios nota-se a preferência pelo elemento humano. O jornal Notícias de Macau assinalou a chegada dos "jornalistas suecos Georg Mirskij Oddner e Hok Wickman Marianne*, do jornal suéco Vecko Jouralen."
* Marianne Höök Bergström (1918-1970)
Notícias de Macau: 4.4.1956

Oddner fez parte do grupo "Tio Fotografer" ('Dez fotógrafos'), formado em 1958, e da conceituada agência fotográfica Tiofoto. Muitas das suas fotografias fazem parte do espólio do Malmo Museer.
Edifício Skyline e Praça Ferreira do Amaral com a Penha ao fundo

Fotos tiradas da Fortaleza do Monte

Escadaria das ruínas de S. Paulo e Hotel Central

No Porto Interior

Ruas e comércio

quarta-feira, 4 de março de 2026

Postal "Esculturas Contemporâneas": década 1990

Projectado pela artista Dorita Castel Branco (1936-1996), este "conjunto escultórico" foi inaugurado em  Dezembro de 1985. Consiste num paredão, no cimo do qual está um miradouro. O monumento de 300 metros de altura é composto por 6 muralhas com 12 lajes que constituem um enorme painel onde os altos-relevos temáticos abordam diferentes aspectos da vida quotidiana e costumes locais.

Postal de 9 de Outubro de 1999

"(...) a obra foi encomendada pelo Governador Almeida e Costa à escultora Dorita Castel Branco, para representar a amizade luso-chinesa. Macau vivia então um tempo de “vacas magras” pelo que os milhões gastos na encomenda criaram grande polémica, até porque para a acomodar, foi necessário destruir parte da colina até então verdejante. A “Tribuna”, então semanário, divulgou os primeiros desenhos da escultora, e o “Jornal de Macau” chamou-lhe “os calhaus da Taipa”, nome que ficou na comunidade portuguesa e fez com que estivesse abandonado durante alguns anos. Com a chegada do Governador Rocha Vieira, o monumento passou a ter destaque, através de uma iluminação adequada." 
Texto de José Rocha Dinis, director do JTM, num editorial de 23-02-2009
Foto de Lei U Veng

"As Esculturas de Relevo de Taipa, com autoria da escultora portuguesa Dorita Castel-Branco, foram inspiradas na Grande Muralha da China. Este monumento representa a vivência da população de Macau ao longo de cerca de quatro séculos e meio e os pontos de interesse do Território. Utilizando o jogo de luzes, a autora provoca uma sensação tridimensional."
Texto do ICM
 Postal de 1994 a partir de uma fotografia de Ho Kuok Man
A escultura na colina da ilha da Taipa, no final da ponte.

Texto de um roteiro turístico da década 1980:
"(...) O monumento em ziguezague consiste em seis trabalhos de alto-relevo. O mais alto é um astrolábio. A vida quotidiana, a indústria e os costumes de Macau são os temas principais desta obra escultórica. Vêem-se ainda representados em alto relevo os pontos históricos e turístico mais famosos e do leão de Macau: as Ruínas da Igreja de S. Paulo, o Casino do Hotel Lisboa e Monte da Guia. Faz ainda alusão aos meios de transporte mais utilizados antigamente em Macau, como os triciclos, os sampan, os juncos e os barcos de formato ocidental. Os elementos decorativos do monumento representam, para além da animação das festas tradicionais coma as danças do dragão e do leão e a queima de panchões, duas meninas com trajes tradicionais a dançar em frente do Templo de A Má, mostrando aspectos culturais e as festas que animam a população de Macau. Quanto ao Miradouro, dispõe de uma escadaria para subir até ao alto, donde se podia (na altura da inauguração) desfrutar uma panorâmica da península de Macau e era o local privilegiado para ver as duas pontes (então existentes) que fazem a ligação entre Macau e Taipa."

terça-feira, 3 de março de 2026

Instalações da Estação Radiotelegráfica de Dona Maria II

A Estação Radiotelegráfica de Dona Maria II representa o início da era das telecomunicações modernas em Macau. Inaugurada formalmente a 12 de Junho de 1924, a estação foi instalada no topo da colina de Dona Maria II - junto ao forte com o mesmo nome - para garantir uma melhor propagação das ondas de rádio. 

Inicialmente operada pela Radio Communication Co. do Oriente, a sua entrada em funcionamento permitiu a desactivação da antiga estação de São Francisco, centralizando as comunicações sem fios do território num equipamento mais avançado para a época.
Um dos momentos mais emblemáticos da sua história ocorreu precisamente no dia da inauguração, quando o Governador de Macau, Rodrigo Rodrigues, utilizou as instalações para comunicar com os aviadores portugueses Brito Paes e Sarmento de Beires. Os pilotos encontravam-se então em Kowloon (Hong Kong), na fase final da histórica travessia aérea entre Lisboa e Macau, e a ligação rádio serviu para coordenar a recepção triunfal dos aviadores no território. 
 Torres de Transmissão da Estação Radiotelegráfica Dona Maria. 
Fotógrafo Mei Iun 

Pouco tempo depois, em Fevereiro de 1926, o Governo de Macau adquiriu formalmente todos os equipamentos e antenas da empresa privada, transformando a estação num serviço público essencial.

Ao longo dos anos 30, a estação foi o pilar da radiodifusão local, servindo de base para o que viria a ser o Rádio Clube de Macau. O local não era apenas um centro técnico, mas também um ponto de importância estratégica e militar. A infraestrutura sofreu danos severos durante a Segunda Guerra Mundial, quando a fortaleza foi bombardeada pela aviação norte-americana em Janeiro de 1945, num ataque que visava alvos estratégicos na região. Actualmente a fortaleza é um monumento preservado e um ponto turístico.