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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Uma mansão na Rua do Hospital

A Igreja Batista de Macau ( 澳門浸信教會), também conhecida como Primeira Igreja Batista de Macau, é a igreja batista chinesa mais antiga de Macau e está localizada na Rua de Pedro Nolasco da Silva, nº 41.
Legenda: "John and Lillian Galloway Mission House Macao (1935)"

As origens remontam a Dezembro de 1903 quando o reverendo Charlton Todd e a mulher foram enviados a Macau pela Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos para realizarem trabalho missionário. Em 1904 há registo de terem baptizado cinco pessoas e, em 1905, o número de membros tinha crescido para vinte e cinco. A igreja foi formalmente estabelecida nesse ano como "Igreja Fé e Bênção", a antecessora da atual Igreja Batista de Macau. Inicialmente, alugaram uma casa de três andares na Rua do Campo para reuniões e trabalho missionário.
Em 1908, o Rev. Charlton Todd morreu vítima de doença enquanto regressava aos Estados Unidos para um relatório missionário. No mesmo ano, a igreja americana enviou o Reverendo John Galloway para assumir o cargo que, juntamente com Lilian Lamont Reeves Todd Galloway, a viúva do Rev. Charlton Todd, desenvolveu o trabalho missionário em Macau. Mais de uma década depois os dois viriam a casar.
A Igreja Batista de Macau estabeleceu sucessivamente a "Escola Primária Pui Chi", a "Escola Secundária Pui Ching" (1908-24) e a "Escola de Orientação Espiritual para Meninas" (1913-31). Também adquiriram embarcações para ajudar os filhos dos pescadores a aprender a ler e para transportar alimentos e mantimentos para hospitais de leprosos.
Em 1927, utilizando uma doação da mãe do Reverendo Charlton Todd, a igreja adquiriu o terreno da actual 'sede' da igreja e que na época chamava-se "Todd Memorial Hall" (Salão Memorial Todd). Assim nasce a mansão no então nº 9 da Rua do Hospital (referência ao Hospital S. Rafael), o actual nº 41 da Rua Pedro Nolasco da Silva onde fica a Igreja Baptista de Macau.
A fotografia faz parte do livro "Like A Tree Planted By Streams of Water" da autoria de R. Lawrence Ballew, publicado em 2020.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Carta registada de 1904

Carta registada em Macau a 11 de Outubro de 1904. A franquia no total de 36 avos, foi feita por um selo de 18 reis sobre 80 reis D. Luis e outro selo de 18 reis sobre 200 reis, D. Luis. Seguiu pelos vapores alemães (German Mail) para Bombaim, tendo feito trânsito em Hong Kong a 11 Outubro - no mesmo dia em que saiu de Macau - e chegado à Índia a 27 de Outubro de 1904. Tem ainda a indicação do que parece ser o navio que transportou a carta de Macau para Hong Kong.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Excursion to Macao - Grand Procession / Feast of St. Anthony

"Three excursions to Macao in connection with the feast of St. Anthony are advertised for sunday next. Particulars will be found in another column."

A breve notícia acima foi publicada na edição de 10 de Junho de 1903 do jornal The Hong Kong Daily Press. Várias empresas de navegação marítima publicitam nessa edição as excursões preparadas propositadamente para o efeito. Neste caso as festividades do dia de Santo António (13 de Junho). As ligações marítimas entre Hong Kong e Macau eram asseguradas pelas embarcações Chukong, Wing Chai e Kinshan.

O preço dos bilhetes para a viagem de ida e volta varia entre uma e cinco patacas, consoante tenha mais serviços e/ou refeições associadas e dependendo da classe do assento a bordo. 
A oferta disponibilizada para este tipo de turismo com fins religiosos é bastante vasta e inclui preços especiais para refeições não só a bordo como também no "Macao Hotel" que providenciava todas as condições para quem pretendesse tomar banho nas águas da baía da Praia Grande, em frente ao hotel. Uma das embarcações, o Kinshan anunciava ainda que durante a viagem uma banda, a Sociedade Philharmonica, iria tocar algumas músicas.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

"Illuminação pública de Macau"

O título do post é também o título de um artigo da página 2 da edição de 3.8.1901 do semanário português de Hong Kong "O Porvir". De forma resumida, o jornal mostra-se contra a introdução da electricidade em Macau, preferindo o gás e o petróleo.
Aqui fica um excerto:
"(...) N'uma cidade como Macau, sujeita e exposta a frequentes tufões e em que de noite reina a pacatez quase aldeã, podendo dizer-se que o toque de silêncio para as tropas da guarnição serve também para o resto da população, a iluminação a luz eléctrica era um luxo supérfluo se não fosse também um perigo; e, sabendo-se que a Câmara não abunda em recursos para prover a outros melhoramentos inadiáveis, seriada parte dela um esbanjamento montar uma iluminação de luxo em ruas transitadas, depois das 10 ou 11 horas da noite, apenas por uns vadios ou jogadores retardatários. (...)
Melhor do que ela para Macau acharíamos por isso a iluminação a gás, mais barata e que tanto serviria para uso público como doméstico. Pronunciamo-nos, todavia, pela continuação da iluminação a petróleo não somente por ela ser mais económica, mas também por ela ser presentemente susceptível de aperfeiçoamentos que, com manifesta vantagem, a podem fazer competir com o gás e até com a electricidade.
Fabricam-se hoje, para isso, na Inglaterra, por exemplo, candeeiros com um poder iluminativo superior, sem cheiro incomodativo e sem perigo, e produzindo uma luz mais intensa e límpida.
Procurando prover-se desses candeeiros que não são caros e alimentando-lhes a luz com petróleo vindo de Timor, o governo e a Câmara de Macau terão montado um bom sistema iluminativo e prestado um bom serviço aos munícipes e ao país, ao mesmo tempo. (...)"

Nota: A sugestão não vingou. A 18 de Abril de 1903 foi publicado o anúncio da abertura de concurso “para o fornecimento de energia eléctrica aplicada à iluminação das vias públicas da cidade” e a 17 de Setembro de 1904 viria a ser assinado o contrato de fornecimento de iluminação pública de Macau por electricidade, entre o Leal Senado e o engenheiro Marius Bert, um francês de Haiphong, Indochina, que ficou com o exclusivo desse fornecimento.
Para o efeito foi criada em Macau a Societé Eléctrique d´Extrême Orient sendo director Charles Ricou. O fornecimento regular da electricidade começou em Fevereiro de 1906. Em 1909 Ricou recebeu 'trespasse' da concessão inicial, assinou um contrato com o Leal Senado (BO 13.2.1909)  e fundou a Macao Electric Lighting Company (Melco).

terça-feira, 22 de novembro de 2022

A New Hotel

Na edição de 7.12.1901 - sábado - o jornal The Hong Kong Weekly Press noticiava a abertura em Macau de um "Novo Hotel" - sem dizer o nome do mesmo - "sob gerência e propriedade do Sr. Simplício d'Almeida". A nova unidade hoteleira ficava na Rua Padre Narciso (actual Travessa do Padre Narciso), ao lado do Palácio do Governo e com entrada pela Rua da Praia Grande. De acordo com o correspondente do jornal no território o edifício de três pisos, "sem uma aparência exterior opulenta providenciava todo o tipo de conforto aos hóspedes" tendo a "sala de refeições capacidade para 40 convidados". A inauguração ocorrida no domingo anterior fora "bastante concorrida".

De acordo com a descrição e localização estamos muito provavelmente perante o antecessor do que viria a ser na década de 1940 o Hotel Carmen.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Atlas of the Chinese Empire - Kwangtung: 1908

Atlas do Império Chinês: contendo mapas separados das dezoito províncias da China propriamente dita e das quatro grandes dependências, juntamente com um índice de todos os nomes nos mapas e uma lista de todas os postos missionários protestantes, etc. Especialmente preparado pelo Sr. Edward Stanford para a Missão do Interior da China.
Londres: Morgan & Scott, 1908.
Atlas of the Chinese Empire: containing separate maps of the eighteen provinces of China proper and of the four great dependencies, together with an index to all the names on the maps and a list of all Protestant mission stations, &c. Specially prepared by Mr. Edward Stanford for the China Inland Mission.
London: Morgan & Scott, 1908.
Detalhe da localização de Macau

terça-feira, 31 de maio de 2022

Projecto de construção de um edifício para habitações particulares em Tap-Seac

"Projecto de Construcção d’um edifício para habitações particulares em Tap-Seac"
Esta planta à Escala de 1/100 foi feita para a 
Secção das Obras Municipais de Macau em Maio de 1901
Material: papel empastado em tecido - 33,5 x 50 cm.
Do projecto em 1901 à actualidade no século 21
Pese embora algumas pequenas alterações mantém-se no essencial o original.
Na década de 1950 chegou ali a funcionar a Rádio vila Verde

Obras de adaptação do edifício terminadas em 1989 para o Arquivo Histórico
Fica na Freguesia de S. Lázaro



Detalha do "Typo de Janellas"

Nota: o material faz parte do espólio do Arquivo Histórico Ultramarino

terça-feira, 19 de abril de 2022

Hotel Internacional

Inaugurado em Outubro de 1902, o Hotel Internacional estava localizado na baía da Praia Grande ao lado do "Palácio do Governo". De acordo com um anúncio da época, publicado na imprensa de Hong Kong, era o "hotel mais barato" da cidade.
"Hotel Internacional - The cheapest hotel in Macao. Beutifully situated in Praya Grande, next to Governement House"

Propriedade ou sob gestão de J. F. Silva, o hotel Internacional surge referido na edição de 1904 do "The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, Straits..." com este anúncio:
"Hotel Internacional - The most economical hotel in Macao. Beautifully situated on Praya Grande nº 15 (next to Government House). Good food, Excellent Attendance and Strictest Cleanliness. Under European Management. Telegraphic Address: "Internacional".
"O hotel mais económico de Macau. Muito bem situado no nº 15 da Praia Grande (junto ao Palácio do Governo). Boa comida, excelente atendimento e limpeza rigorosa. Sob gestão europeia. Endereço Telegráfico: "Internacional".
PS: Na época existiam mais dois hotéis do tipo ocidental, o Boa Vista e o Macao Hotel.

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

"Macao, a Mediterranean Town in China": 1900

"Macao, which, as it's name implies, is a Portuguese settlement, derives interest just now from the fact it is one of the principal homes of the reformer element in China. The town itself is stuated on a peninsula on the island of the same name at the mouth of the Canton River, and is in the province of Kwantung. As far back as the latter half of the sistennth century Macao was granted to the Portuguese by a Chinese emperor in return for assistance against pirates, and at the present day the town is divided into two distinct sections, the Chinese and the Portuguese. (...) The most important section of this trade consists in smuggling of rice, tea, silk, sugar and indigo. In fact, Macao without smuggling would wither up as a tree shorn of its roots."

Jornal Baltimore American: 20 Agosto 1900

domingo, 16 de maio de 2021

"Germans at Macao": 1900

Em 1899 britânicos e alemães entram em disputa sobre as Ilhas Samoa. Londres faz letra morta da convenção sobre a partilha das colónias nacionais e volta a aproximar-se de Portugal, assinando, sob a forma de declaração secreta, o Tratado de Windsor a 14 de Outubro desse ano. Segundo o tratado Portugal compromete-se a proibir a importação de material de guerra para o Transval via Lourenço Marques (Moçambique) no caso de uma guerra anglo-bóer (que eclodiria nesse mês) e autorizava o abastecimento dos navios britânicos nos portos da colónia. Como compensação Londres voltava a assumir os termos do tratado de 1661 cujo artigo final obrigava a Inglaterra a “defender as colónias portuguesas contra todos os seus inimigos presentes e futuros”.
É neste contexto que em Janeiro de 1900 circula na imprensa internacional, incluindo na Alemanha, que o país pretende 'comprar' Macau. Um mês depois a permanência em Macau de um navio de guerra durante cinco dias no Porto Interior a "fazer sondagens" provocaria inúmeros comentários, como se pode ler nesta breve notícia de 13 de Fevereiro de 1900. 
O Iltis construído em 1897 esteve ao serviço na China onde a Alemanha tinha uma 'colónia'.
Em Tsingtao, no ano de 1914, para evitar a captura, a tripulação fez explodir o navio.

sábado, 6 de março de 2021

General view of Macao and harbor seen from the Lighthouse Hill

 Fotografia feita a partir do Farol da Guia. Ao fundo a Fortaleza do Monte e o Porto Interior.

General view of Macao and harbor seen from the Lighthouse Hill, China
Edition de luxe, 1903
H. G. White Co., Chicago, New York, London
stereo nº 4141 - The Perfect Stereograph
Sensivelmente da mesma época pode ver aqui um stereoview da Baía da Praia Grande

domingo, 18 de outubro de 2020

"Changes in Macao": 1902

A 10 de Outubro de 1902 um jornal de Hong Kong publicava uma pequena notícia com o título "Changes in Macao" / "Mudanças em Macau". Que mudanças eram essas?
A primeira dizia respeito a um abastado cidadão de Hong Kong, Ho Tung (que viria a ser Sir Robert Ho Tung). Informava-se que Ho Tung acabara de comprar um terreno na pacata zona da Estrada da "Bella Vista", nas "traseiras da Flora", onde já estava a ser construído "um sólido muro de granito ao longo da estrada". O jornalista avançava com a ideia de que a "enorme casa" iria ter "campo de ténis" e "jardim".
A segunda mudança era a inauguração do hotel Internacional, no edifício antes ocupado pelo hotel "Almeida". Não se refere mas o hotel ficava na Praia Grande, não muito longe da Sé. "uma benção para para os muitos visitantes de fim de semana" no território, pode ler-se.
A terceira mudança, não o era de facto, mas a informação - tendo por base rumores - que a tão falada ligação de comboio entre Macau e Cantão não iria avançar (e nunca foi feita). Tal como também tinha sido cancelado o "bazaar" programado para o sábado seguinte.
Sobre Ho Tung diga-se que esta foi a estreia daquela personalidade na ligação a Macau, uma relação profícua que iria durar décadas.
 

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

"Portugal: diccionario historico, chorographico, heraldico, biographico, bibliographico, numismatico e artistico": 1ª parte

Na obra "Portugal: diccionario historico, chorographico, heraldico, biographico, bibliographico, numismatico e artistico", de Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues, publicada em sete volumes entre 1904 e 1907, a 'entrada' "Macau" aborda uma descrição histórica sumária, bem como breves indicações geográficas e estatísticas e ainda uma lista dos jornais publicados na época: entre o final do século XIX e o início do século XX.

Macau (Província de). 
Peninsula asiatica situada 110 extremo SE do império chinez, fazendo parte da ilha chineza de Hiang-Chau, na entrada do grande rio Cantão. Estende-se num comprimento máximo de 4:100 metros e n’uma lar- gura de 1680 metros. A superfície d’esta possessão póde avaliar se em 10 kilometros quadrados, occupando propriamente a cidade 3,23 kilom. quadrados. 
O nome de Macau foi dado pelos portuguezes a esta pequena peninsula onde se estabeleceram em 1557. O nome de Macau ou Amacau, na sua forma primitiva, proviria de duas palavras chinezas Ama e Cau, designando a primeira o idolo de um pagode que ali havia desde tempos remotos, e significando a segunda porto. Começando os portuguezes a chamar ao sitio Amacau, déram depois á cidade o mesmo nome, com pequena differença. 
A provincia de Macau, tendi por capital a cidade, comprehende as ilhas de lliang-Chan (onde se acha situada a cidade, Coloane. Taipa, D. João, Lapa, Montanha ou Tai vang-cam, c os subúrbios de Patane, Sau-kiu, Sakom, Mong-ha, Lontim-chine. 
A população da província é de 78:805 habitantes, sendo portuguezes 4:079, chinezes e estrangeiros, 74:726. Macau (Santo Nome de Deus de). Cidade, ca- pital da provinda de Macau. E’ sede do governo, do bispado e da comarca. Está situada na peninsula ligada á ilha chineza de Hiang-Chan, á entrada do rio Cantão na costa da China. 
Em fins de 1556 infestava estas paragens um famigerado pirata, Chan-si-lau, que levava o terror e a devastação aos povos do littoral. Os portuguezes com repetidos ataques conseguiram exterminar-lhe as forças. Em paga d’este relevante serviço o imperador da China concedeu a Portugal a pos- se de Macau, onde era 1557 se erigiu a povoação que os portuguezes denominaram do Santo Nome de Deus. Em 1573 os chins vedaram nos a entrada da ilha Hiang- Chan, construindo uma muralha no isthmo que separa a cidade d’aquella ilha. Na muralha havia uma porta que só devia abrir-se uma vez por semana, mas que se foi abrindo mais e mais, repetidamente, até que chegou a abrir-se todas as manhãs. Esta porta ficou-se chamando Porta do Cerco. Com o desenvolvimento da povoação, creou-se em 23 de janeiro de 1567 o bispado do Japão e China, sendo nomeado bispo D. Belchior Carneiro, que governou a diocese de Macau até 1569. Em 1581 foi estabelecido o governo municipal e em 10 de abril de 1586 foi-lhe comnunicado que á cidade tinham sido concedidos os privilégios da de Evora. Em 1590 introduziram os jesuitas a imprensa em Macau. No anno anterior tinham chegado aqui os religiosos de Santo Agostinho, que fundaram o convento do mesmo nome. O primeiro convento de Macau foi o de S. Francisco, que já existia em 1584. Durante o dominio fillppino Macau não arriou a bandeira portugueza, e soffreu um violento ataque dos hollandezes em 23 de junho de 1622, que fôram repellidos. 
Em commemoração d’esta grande victoria se fez um voto, promettendo ir os moradores da cidade todos os annos, com o corpo do senado, render graças a Deus á sé catbedral A procissão'ainda se realisa. D. João IV confirmou a Macau todos os privilégios de que já gozava. Os chins procuraram algumas vezes expulsar os portuguezes por inveja do seu commercio com o Japão. Intervindo na administração da cidade os mandarins tornaram-se déspotas, prohibindo até o commercio com Cantão. Estabeleceram então a sua alfandega, no sitio da Praia Pequena seguindo-se um período de irritantes exigências. Em 13 de maio de 1809 uma carta regia conferiu ao senado de Macau o titulo de Leal. As insolências dos chins duraram até meados do século xix, época em que a guerra com a Inglaterra lhes desviou as attençòes. O commercio de Macau foi muito prejudicado com a abertura do porto de Hong Kong. A 20 de novembro de 1845 promulgou-se um decreto declarando franco ao commercio de todas as nações o porto de Macau, mas esta medida foi muito tardia. A 21 de abril de 1846 tomou posse do governo de Macau João Maria Ferreira do Amaral, que ia resolvido a estabelecer a absoluta independencia da colonia e a levantar o nome portuguez na China. Pagou com a morte o seu arrojo, sendo assassinado à traição em 1819 próximo da Porta do Cêrco. Conseguira entretanto grandes melhoramentos materiaes e implantar reformas salutares, no prosseguimento do seu plano patriótico. Supprimiu também a alfandega chineza, que mais tarde, segundo a convenção de 1886, foi restabelecida com a clausula da sua extinção logo que o fosse em Hong Kong. 
Os géneros sobre que incide o principal movimento commercial de Macau, de importação e exportaçâo, são: arroz, azeite, chá, fio de algodão, opio, peixe salgado e seda. 
Os tufões do mar da China affectam muito a possessão portugueza. Um dos mais violentos foi o de 1874 que destruiu muitos edifícios, sobretudo ao longo da Praia Grande. O ultimo que assolou esta nossa possessão foi em 29 de setembro de 1906, causando prejuizos importantes. 
Macau tem por brazão as armas reaes em escudo de prata e em volta Cidade do nome de Deus, não ha outra mais leal. 
Continua

segunda-feira, 18 de maio de 2020

"Chinese the greatest gamblers of the world"


Macao, Nov. 21, 1900. (Special Correspondent of The Bee.) I writte this in the Monte Carlo of Asia in tho greatest gambling hell or Macao, where fantan runs riot. Day and night, sundays and week days, year in and year out, this gambling houses are open. This is the center of the lottery system of west Asia. The Manila company has moved here and the fortunes which went to tho Philippines now come to Macao. Tho chief gambling is in fantan, In which thousands of dollars are lost and won every night by betting on the number of copper cash under the bowls. I am sitting in a gambling hell as I write the notes. (...)
Excerto de artigo de Frank G. Carpenter, publicado no The illustrated Bee, edição de 30 de Dezembro de 1900.






sábado, 28 de dezembro de 2019

"China, Its Marvel and Mystery" (1909)

T. Hodgson Liddell (1860-1925), pintor britânico (essencialmente de paisagens), é o autor deste "China, Its Marvel and Mystery" publicado pela primeira vez em 1909. Para além de texto com as impressões pessoais do viajante, inclui também 40 pinturas do autor, num total de 384 páginas.
"A street in Macao" é legenda original para a pintura que Liddell fez do território. Consultei a edição norte-americana de 1910. (ver imagem abaixo)
Macau é um das várias cidades (inclui Hong Kong, Cantão, Pequim, etc...) que Thomas Hodgson Liddell visitou e pintou. Foi um pintor e este é o único livro que se conhece ter sido da sua autoria. Destaco o facto de para além da assinatura dos quadros com o seu nome incluir ainda um carimbo com o nome em chinês.
Excerto da Introdução:
I undertook this journey to China solely to paint pictures of a country I had during all my life heard a great deal of, and, in my book, I try to convey my impressions as an artist. I had occasionally heard of and seen sketches made by residents in and visitors to China, but I am not aware that a concerted attempt has ever before been made to produce and show to those at home a series of pictures which might illustrate, at any rate, some parts of China known, or of interest, to Europeans. If to a certain extent I restricted myself to illustrating these better-known parts, it was because I felt that the less-known places, though equally picturesque, would not, as yet, appeal to the public; and also I knew well beforehand that the difficulties I should have to face, to work even where I did, would be very great.
And, indeed, I found I had not underestimated these difficulties. The Chinese are, naturally, very artistic; but, in most places where I worked, they have never before seen any one attempting to paint outside from nature.
One has only to think of how the crowd would gather if a China-man, in national costume, were to set up an easel and begin to paint in one of our own streets, to realise a little of what I had to put up with. I had great crowds of curious natives to manage and to humour, and in other cases I had to persuade the officials to allow me to sketch. 
Their whole idea, it seemed to me, was that a foreigner sketching meant making maps and plans for some ulterior purpose. The difficulty I experienced, and the long, patient, persistent efforts I had to make, before I could persuade those most highly educated and placed officials immediately in touch with the Throne even to petition the Empress Dowager to grant me that permission which I ultimately obtained - to work at the Summer Palace - was only one, though the most determined, effort to keep me outside. But once I had obtained that, and become known (and, I flatter myself, rather liked), and consequently favoured by those officials, my difficulties were smoothed over as far as possible. Then I had to contend with the climate, a very serious matter; to work in extreme heat and extreme cold; at times in very moist heat, and again in great dryness; the mere keeping of my paper and materials in fit condition was quite a serious matter. 
Of the places I visited and illustrated the chief were, in the order of my journey: Hong Kong, Canton, Macao, and the neighbourhood of these places, in the south. Shanghai was another centre, and from there I visited and worked in the Soochow and Tahu or Great Lake district, and at Bing-oo, Kashing, and Hangchow, with its famous West Lake. In the north I visited Pei-tai-ho, Shan-hai-kwan, Tientsin, and finally Peking, with its world-famous palaces and temples. (...)
"A street in Macao" - legenda original do livro
Capítulo 3 - Macao
The Old Portuguese Settlement and sometime Home of Camoens. 
"Gem of the Orient, Earth and open Sea - Macao: that in thy lap and on thy breast Hast gathered beauties all the loveliest O'er which the sun smiles in his majesty." - Bowring. 
The visitor to Hong Kong should not, if time allows, fail to visit Macao. The delightful trip on one of the well-equipped boats of the Canton and Macao Steamboat Company is well worth doing ; and Macao, with its history going back to 1557, when the Portuguese first founded their settlement (I think it is the earliest European settlement in China), is most interesting. The Portuguese were allowed at that time to build factories, and the Chinese built a wall to exclude the barbarians. The settlement is on a peninsula on the western side of the Canton River, and the city, with its flat-roofed houses of southern European character, is very pic- turesquely situated. It lies on the level piece of land forming the Peninsula, between bold and rocky hills at either end rising some 300 feet. 
The Chinese have always (notably in 1862) disputed the ownership of this piece of territory, but their authority has gradually diminished, and now the place has been for some time regarded as a colonial possession by the Portuguese. It was early occupied by the Jesuit mis- sionaries, who established the grand old cathedral, beautiful even in its ruin, but still towering up into the sky, and sharing with the old castle the domination of the town. Macao was the centre of a disgraceful and cruel trade in coolies, a slave trade of the worst character, from the middle of last century till it was abolished in 1874. 
More recently the colonial revenue has been largely gained from a tax on the notorious Fan-Tan gambling- dens, which in 1872-73 yielded as much as 380,000 dollars (Mexican), or close on £'35,ooo sterling. These and still worse places are largely patronised by the Chinese and Macoese (among whom half-breeds largely predominate), and one is lost in amazement at the action of a European nation in upholding such things and pandering to the worst side of the Chinese character. But, for all this, Macao is a fair place to look at and dream over; and it is a more pleasant task to let one's thoughts go back to days when, in 1568, Louis de Camoens, prince of poets of his time, was exiled here as Portuguese Governor of the Fort, for writing a satire on the Portuguese officials at Goa, exposing their corruption. 
His memory is kept green by the grotto which still bears his name, and here he is said to have composed at least part of his " Lusiad " (the national epic of Portugal), and probably in this peaceful retreat he passed the happiest time of his adventurous life. " There never fails, intent on treacherous ends, Some lurking foe to those whom Heaven befriends." ^ Nearly all the outer end of the Peninsula and close to the river rises a small and rocky tree-covered hill, and on this is situated the very beautiful Fisherman's Temple, as dainty and picturesque a group of buildings, small though they are, as I saw anywhere in the East. 
My guide induced me to visit the Fan-Tan gambling-houses, the outsides of which are ornamental in a tawdry way; the insides did not appeal to me, being rather dull and dirty. We were taken upstairs, where, round a railed opening in the floor, one looked down on the gaming-table; but the game did not appear to me to have any charm. We also looked in at a Chinese theatre, where one of their everlasting plays was in progress. I cannot say that there was any resemblance to Drury Lane. 
There was no scenery; the actors (there are no actresses, though the men make up very well as women) wear cheap but very gaudy costumes, and change their dresses on the stage ; all the hangers on, such as we might term scene- shifters, and the like, stood about the stage and watched » "The Lusiad." the performance, which was so weird I cannot find words to describe it. It largely consisted of the performers yelling at each other in very high-pitched falsetto voices (caterwauling is the only noise I can liken it to), waving their arms and walking up and down - the so-called band adding to the din, cymbals, drums, and sort of coach -horn, &, making every few minutes a great banging - then a sudden hush, after which off they would start again. The men who take women's parts are raised on false wooden feet, made quite small to give the appearance of the small, bound feet of the women; their baggy trousers are tied in at the ankle. The audience, although watching intently, seem moved very little, and only signify their approval slightly. There is no enthusiastic applause as with us, though there is occasionally slight laughter. 
While here I visited a charming Chinese residence. The owner was from home, but I was most courteously shown over it by his servants. The gardens were very pretty - approached through quaintly shaped doorways in the walls, and intersected by pathways lined by ornamental stone-work and plants and flowers - sheets of water, with the usual bridges leading to pavilions on islands, making the whole very attractive. The residential part of the house was very well furnished with fine Cantonese black wood and many pieces of beautiful porcelain. The No. I Boy brought out as a great treasure for my inspection a book of photographs of London, asking me if I knew these places; and on my saying so, I was asked by my interpreter if I would explain them. This I did, to their great delight. They were greatly struck by St. Paul's, which I described to them as our Chief Joss-House, and with the idea of the railways which went under the houses and streets. 

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

"A Pictorial Handbook to Canton" (1905)

Editado em 1905 em Inglaterra este "A Pictorial Handbook to Canton" é escrito em jeito de guia turístico para os que pretendem visitar Cantão durante um ou dois dias. O autor não é identificado embora arrisque que muito provavelmente seja J. Arnold já que a maioria das 50 páginas incluem fotografias da sua autoria.
No prefácio pode ler-se:
"A Pictorial Handbook to Canton is intended to supply a short description of the most interesting places which a traveller, with one or two days at his disposal, can see in this oldtime city of South China. It is not in any way published as a brief history of the place, but with a view to furnish those desiring to make this enjoyable and interesting trip with information concerning sailings of steamers, guides, hotels, etc."
Na introdução destacam-se os motivos de atracção da cidade do Sul da China:
"The traveller visiting this part of the World and finding himself in this most interesting corner of the Rich Orient should have the special and particular object strongly fixed upon his mind, of visiting the City of Canton, where he should spend at least a couple of days. Canton is the great emporium for old curios, old embroideries, ivories, jadestone treasures, silks in every variety and the like, such as are not to be found in the same gorgeous display and at the same very moderate outlay in any other part of the World. Those who miss seeing Canton leave out the most important item in their Far Eastern programme; one that can never be substituted or replaced by seeing any other of the many Cities in the Empire."
Embora seja sobretudo sobre Cantão, o livro inclui abundante informação sobre Macau, descrito como "The Gem of the Orient Earth" (...), "historique and picturesque Portuguese settlement" (...) full of interest to the tourist".
Eis um excerto:
"Macao The Gem of the orient Earth. Macao is situated 40 miles due west of Hong-Kong, and two steamers daily to and from that port and one steamer nightly to and from Canton give easy communication with both these centres. Travellers to the Far East should most certainly not leave Hong-Kong without paying a visit to this historic and picturesque Portuguese Settlement was founded in 1567, and will be found full of interest to the Tourist.
The approach to Macao is exceedingly beautiful and has often been spoken of as a modest replica of the Bay of Naples. Among the vanous places to be visited, are the Praia Grande, a beautiful semi-circular promenade on the sea front, with Fort San Francisco aud Public Gardens at the Eastern end and the ancient Fort Bomparto at the west end, and in the centre the "Macao Hotel" from whence the visitor is strongly advised, to obtain gtlides and rickshas to the various places of interest, mentioned below, and which should be taken in the order mentioned:
- The San Francisco Gardens.
- The Military Club.
- The Remains of the Old Wall originally surrounding Macao. 
- The Avenida Vasco da Gama.
- The Roman Catholic Cemetary.
- The Guia Fort and Lighthouse. The first Lighthouse built in China. Permission to view this Fort and Lighthouse must however be previously obtaineed from the Colonial Secretary, so visitors are advised to write in advance to the Manager of the ''Macao Hotel" who will obtain the necessary permit for them.
- Lu Kau 's Gardens. Beautifully laid out and typically Chinese.
- The Flora Gardens.
- The Governor's Summer Palace.
- The Firecracker Factory
- The Montanha Russa Gardens.
- The Areia Preta Bathing Beach.
- The Porta do Cerco. An archway defining the boundary between Portuguese and Chinese territory.
- The Silk Spinning Factory. Where drawn-thread work and silk embroideries can be purchased.
- The Italian Convent
- The Old Protestant Church and Cemetary. Many prominent personages are buried in this Cemetary amongst others, D. Morrison, the first Protestant Missionary to China (...)
- The Grotto and Gardens of Camões. Where Luiz de Camoes, the epic Portuguese poet, was supposed to have written his celebrated poem "Os Lusiadas."
- The Facade of St. Paulo. This ancient church was built by the Jesuit Fathers assisted by Japanese Roman Catholic converts in l594-1602. It was burnt down in 1835 and only the imposing facade now remains. It is supposed to be connected by subterranean passages with the Guia Fort, the Monte Fort, the Bishop's residence at Green Island and with the sea. The outlet of a tunnel can still be seen on the sea road under the lighthouse.*
- The Cathedral of Se. Mass daily at 11 a.m.
- The Santa Casa da Misericordia. Where the Macao lottery is drawn every month.
- The Leal Senado (or Municipal Chambers).
- St. Domingos Church
- The Tobacco Factory.
- The Brass Factory. Beautiful specimens of beaten brass can be purchased here at moderate price.
- The Opium Farm. Where the raw opium is boiled refined and prepared especially for the American and Australian markets.
- St. Josephs College. One of the principal educational establishments in the Far East.
- The FanTan Gambling Saloons.
And numerous others places of interest of which full information can be obtained from the Manager of the ''Macao Hotel.'' Two or three days can well be spent in exploring the many interesting and picturesque spots in Historic Macao."

* é curiosa a indicação de túneis subterrâneos que ligariam as ruínas de S. Paulo ao monte da Guia, fortaleza do monte, residência do bispo na ilha Verde e o rio. Tanto quanto sei, os túneis existiram, mas apenas com ligações a zonas do Porto Interior.

Um dos anúncios publicados relativos a Macau... o "Macao Hotel": em cima explica-se como dizer ao condutor do "ricksha" o nome do hotel mencionando-se o nome que teve primeiro, Hing Kee.
No anúncio (ao lado), o novo proprietário, W. Farmer, apresenta uma descrição minuciosa do espaço, destacando a localização, a esplanada com vista privilegiada sobre a baía da Praia Grande, o conforto, os preços acessíveis, a gastronomia e os vinhos do que é apelidado como "o melhor hotel do extremo-oriente".
"Is beautifully situated in the centre of the Praia Grande, overlooking the sea, and from its verandahs may be seen a vista of ever-changing panoramic views, not to be excelled - in any part of the world. The hotel is entirely under European management and control and so conducted as to afford a maximum of comfort for a minimum of expense to visitors, and is within easy excess of all places of interested.
Electrically lighted throughout; Most comfortable accommodation for tourists; A most pleasant retreat for those desirous of a few days rest and quiet; Spacious Pavilion over the sea in front of the Hotel; Excellent Cuisine and the Best of Wines; All the Comforts of a Home. (...)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Problemas urbanísticos na transição do século 19 para o século 20

Em 1841 Macau tinha 25.000 habitantes, 20.000 dos quais eram chineses, e em 1867 esse número subiu para mais de 56.000.
Em 1869 exis­tiam cadastradas 175 vias públicas na cidade cristã, 89 no Bazar, 83 em Patane, 48 em Mong­Ha, 24 em Long Tin Chun, 5 em Tap Séak, 1 em Séak Lo Tau, 1 em Long Wan Chun, 55 em São Lázaro, 14 na Penha e em Tanque do Mainato e 22 na Barra, num total de 529. Comparando estes números com os de 1905, nota­-se, como mais significativo, o aumento do Bairro do Bazar e da zona do que foi outrora o campo, com mais 20 ruas.
O aumento populacional levou a um crescimento desordenado das edificações na cidade que até mais ou menos esta altura se situavam predominantemente dentro do perímetro da cidade, ou seja, entre as muralhas.
Na edição de 1 de Novembro de 1890 do jornal O Macaense pode ler-se:
“Quem desembarca do vapor de Hong Kong, no porto interior, e quer vir à Praia Grande, tem de atravessar um dédalo de ruas estreitas e imundas, orladas por casas de paredes escuras e tristes. Há principalmente uma travessa muito estreita, junto à Rua de Felicidade por onde têm de passar todos os que quiserem transitar em jenrickshas. É tão estreita que um homem de braços abertos não pode passar por ela. É ela a Travessa do Tintureiro (Tai Pang Hong), ou Travessa do Falcão, com menos de cem metros que, começando no Largo do Senado, termina na Rua dos Mercadores.
Houve em tempos um projecto bastante grande de fazer uma larga avenida, que partindo do Largo de Caldeira no porto interior, viesse acabar na Praia Grande, passando pela frente do edifício do Leal Senado. Para esse fim seria preciso expropriar um bom número de casas chinesas, e uma parte da casa que é actualmente o Hotel Hing-kee, e calculava-se que seriam necessários $30 000. Não pedimos agora tão grandiosa obra. Por enquanto talvez bastaria modificar a Rua de Felicidade, alterando-a gradualmente desde o seu começo na Rua Marginal, para torná-la transitável para jinrickshas, que agora não podem subir a ladeira que a vem ligar com a Rua dos Cules. Os prédios da Rua de Felicidade pertencem a uma sociedade de negociantes abastados, que são bastante condescendentes. Não será difícil persuadi-los a converter, as que hoje servem de lupanares, em lojas mais asseadas e com frontarias mais alegres, com o que eles virão finalmente a lucrar. Essa transformação não poderá deixar de ser lentamente feita, mas se o governo melhorar aquela rua de modo que a torne mais frequentada, os proprietários por seu próprio interesse irão transformando os prédios, enxotando dai os lupanares.”
Augusto Abreu Nunes, director das Obras Públicas, descreve assim a chamada zona do Bazar, em Macau, a 11 de Fevereiro de 1903:
“As ruas mais importantes que cortam o Bazar e estabelecem a ligação entre ele, a rua Marginal e o centro da cidade, na direcção Leste/Oeste são: a Rua da Felicidade e a Rua das Estalagens, duas ruas estreitas, tortuosas, tendo em alguns pontos a máxima largura de 6,5 metros! Estas ruas são ligadas transversalmente por outras, em piores condições ainda: a Rua dos Mercadores, a do Mastro, a do Aterro Novo, etc., chegando nestas travessas a haver largura de 3 metros e não sendo a maior nunca superior a 7 metros. Resulta deste estado do Bazar, uma aglomeração enorme de casas de negócio, e portanto de gente e carros pelas ruas, que se atropelam constantemente, dificultando o trânsito e o comércio. A estes inconvenientes acresce, como consequência, que as condições higiénicas daquele recanto são deploráveis, isto é: uma falta de ar e luz em todas as habitações, becos e ruas, e um fétido insuportável por toda a parte”.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

A Expo de 1900




Na imagem, a capa do "Almanach Illustrado do Occidente" edição de 1901. Era editado pela Empresa do Occidente, Largo do Poço Novo, Lisboa.

Na capa surge uma ilustração do "Pavilhão Colonies Portvgaises (das Colónias), o nº 32A da Exposição Internacional de Paris 1900, da autoria do arquitecto Ventura Terra.

Para este certame foi criada em 1898 a Comissão de Macau para a Exposição Universal de Paris, de que fizeram parte, entre outros, o médico Gomes da Silva.