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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Placa de granito da antiga Igreja da SCM

No antigo Leal Senado - actual Instituto para os Assuntos Municipais - existem alguns 'objectos' que não fazem parte da história do edifício tendo sido recolhidos de diversos locais de Macau aos longo dos tempos e pelas mais diversas razões.
Um desses exemplos - e sobre o qual recebo por vezes questões dos leitores - é uma placa de granito que está incrustada numa parede no acesso ao jardim. Esta placa pertencia à antiga igreja da Santa Casa da Misericórdia, localizada ali bem perto e onde está actualmente a SCM, a primeira instituição de beneficência de Macau. A remoção fez-se aquando da demolição da igreja por volta de 1883. Na imagem pode ver-se a Virgem Maria com as mãos ao peito, em sinal de prece pelos pobres e aflitos. Ao lado tem os anjos que seguram o manto, símbolo da protecção aos crentes e da benevolência e compaixão de Nossa Senhora.
PS: O sino que se vê na imagem é o da capela que existia no edifício do Leal Senado.

sábado, 13 de junho de 2026

"Landing Place St Antonio Macao"

Esta ilustração é rara e tem a legenda "Landing Place St. Antonio Macao", ou seja "Cais em Santo António, Macau". 
Na imagem pode ver-se uma pequena embarcação a aproximar-se de um 'pavilhão' com arquitectura chinesa e ao fundo a igreja de Santo António. É muito provavelmente do século 18 tal como o mapa abaixo que permite perceber o quanto o Porto Interior - antes das obras de aterros - estava tão perto da igreja de Santo António que fica junto ao Jardim Luís de Camões.
Em linha recta a perspectiva mostrada corresponde 
à actual Rua do Tarrafeiro numa extensão de cerca de 500 metros.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Os "religiosos de Santo Agostinho" e os 'frescos' da Ermida da Guia

22 de Agosto de 1589
Os religiosos de Santo Agostinho tomaram n'este dia posse do convento de Nossa Senhora da Graça, em Macau, que já antes haviam fundado os padres hespanhoes da mesma ordem, os quaes o cederam por determinação d'el rei D. Fellipe I intimada pelo governador da India Manuel de Sousa Coutinho. Affirmam alguns manuscriptos que no anno de 1591 se mudou o local do convento para onde se vê ainda formoso alto da cidade de onde se descobre toda a Praia Grande e o mar. Querem outros que só fosse a mudança de algumas portas e não de todo o corpo do convento por se não encontrar noticia nem vestigios do que se pretende dar por mais antigo.
in Commemorações da historia de Macau e das relações da China com os póvos christãos
Curiosidade:
A ermida da Guia é dedicada a Nossa Sra. das Neves. Durante trabalhos de restauro em 1996 foram descobertos alguns 'frescos', incluindo o desenho de uma águia bicéfala. Ainda hoje continua por esclarecer a origem deste 'fresco'. A águia bicéfala é frequentemente associada à Igreja Ortodoxa ou a impérios do Leste Europeu. No entanto, a sua presença na Capela de Nossa Senhora da Guia pode ser explicada por três hipóteses principais que os historiadores têm debatido:
Hipótese Agostiniana: Esta é a mais provável e encontra paralelo numa pedra gravada com um símbolo semelhante e pode ser visto do antigo Leal Senado. A águia bicéfala é um símbolo da Ordem de Santo Agostinho. Embora a capela não fosse formalmente gerida pelos agostinhos, a influência visual desta ordem na Ásia era imensa no século XVII, e o símbolo representa a elevação espiritual e a visão divina.
União Ibérica (1580–1640): O período em que as pinturas foram feitas coincide com a época em que os reis de Espanha (Habsburgo) também eram reis de Portugal. A águia bicéfala era o símbolo heráldico dos Habsburgos. Apesar de Macau manter a bandeira portuguesa, a presença do símbolo imperial em edifícios daquela época era uma forma de reconhecimento da autoridade monárquica global.
Pista Arménia: C. A. Montalto de Jesus sugeriu a presença de comerciantes arménios em Macau como a causa. Para os arménios, a águia bicéfala é um símbolo nacional e religioso antigo. Provas documentais Montalto admitiu não ter encontrado.

domingo, 12 de abril de 2026

O órgão da Igreja de S. Paulo de Macau

Publicada em chinês pela primeira vez em 1751 a obra "Aomen Jilue/ Ou-Mun Kei-Leok: Monografia de Macau"* foi escrita por dois magistrados chineses do antigo distrito de Héong-Sán que visitaram por diversas vezes a cidade de Macau.
Uma parte menos abordada da obra inclui poemas de diversos autores. Casos de Ian Kuong Iam, Tcheong Ü Lam, Sêk Kâm Tchông, Chan Kong Yin, Leong Pai Lan, Fang Tchin Yuan e Tch'ak Tch'ak. Um deles, Léong Tekm escreve um poema onde descreve o órgão de tubos da Igreja de S. Paulo de Macau.
"Na igreja de S Paulo encontra-se um órgão colocado dentro de um caixão de couro no qual está alinhada mais de uma centena de tubos ligados e dispostos como um fio de seda. Na parte exterior há um fole que aspira ligeiramente o vento que uma vez entrado produz o som. Desse caixão saem os oito sons que se espalham harmonizando-se com as rezas e cânticos agradáveis de ouvir." 
O autor compara o órgão através do Sheng (ou sâng), um instrumento de sopro chinês milenar composto por tubos de bambu verticais inseridos numa base de madeira. Tal como o sheng, o órgão utiliza tubos e palhetas. A comparação com o alcião (um pássaro) refere-se à forma visual dos tubos dispostos em "V" ou em leque, lembrando as asas abertas do pássaro.

"O órgão português é semelhante ao sâng do alcião.
Com as suas duas asas pouco falta para se parecer com o alcião.
Os seus tubos verdes e dourados estão em lugar de pedaços de bambu.
Curtos e compridos, grandes e pequenos, alternam-se mutuamente.
A madeira substitui a cabeça e o fole é de couro.
Já levantando, já comprimindo, o vento gira sendo expelido.
Quando se produz o vento, agitam-se as palhetas, saindo os sons pelos buracos.
As teclas de marfim comprimindo o ar produzem fortes sons musicais.
Tocando a música no andar superior de S. Paulo, dentro e fora de dez lis** ouvem-se os sons.
Os sons não são semelhantes aos produzidos pelos instrumentos de cordas de seda, de madeira, mas de metal ou de pedra.
Ao entrarem são fracos mas quando saem são fortes, cheios e límpidos.
Espalham-se ouvindo-se em toda a ilha, sendo grande a sua perfeição.
É também subtil a lei que rege a construção dos órgãos. (...)"
Igreja Mater Dei representada no livro Ou Mun Kei Leok

Edificada segundo um plano rectangular, a Igreja de S. Paulo (ou de Nossa Senhora da Assunção, ou da Madre de Deus) era constituída por três naves separadas por grossas colunas de madeira, quatro de cada lado. O topo era também rectangular e o transepto estava separado da capela-mor por um arco majestoso. No primeiro andar encontrava-se o coro, com as suas três janelas abertas na fachada da Igreja e dois órgãos, o grande e o pequeno.
Na descrição que deixou do interior da igreja, o Padre Montanha escreve que o coro era "muito capaz com trez janellas rasgadas, tem dous orgaons, hum grande, e outro piqueno". Isto é, o coro alto era muito espaçoso e também muito iluminado, o suficiente para abrigar um órgão grande e um pequeno.


* Em 1751 surge a primeira edição xilográfica da Monografia de Macau (Ou-Mun Kei-Leok), por Tcheong Ú Lam e lan Kuong Iam; surgiu uma 2.ª edição em 1884. Esta obra foi traduzida e publicada em português, em 1950, por Luís Gonzaga Gomes.

** medida chinesa: cada li corresponde a 500 metros.

O órgão é um dos instrumentos musicais mais antigos da tradição musical do Ocidente, sendo considerado o primeiro instrumento de teclas. O  som é produzido pela passagem de ar comprimido através de tubos sonoros de diversos formatos, materiais e comprimentos que faz ecoar os sons. É um instrumento de sopro com a diferença de que o ar não é injectado pelo sopro humano, mas sob a forma de ar comprimido, que acumulado pelo fole, é reencaminhado para os tubos respectivos. Existem de vários tamanhos: desde uma caixa (órgão de baú) até aos que podiam ter vários andares de tamanho. Pela descrição, o da Igreja Matr Dei seria um de pequenas dimensões.

terça-feira, 12 de agosto de 2025

"Se Cathedral, Macao"

Este postal ilustrado dos primeiros anos do século 20 - a imagem foi colorida de forma manual - tem por base uma fotografia que mostra de forma parcial a fachada da Sé catedral. Muito provavelmente impresso em Hong Kong, tem a legenda em inglês "Se Cathedral, Macao" e centra-se numa das torres laterais, a do relógio.
A Igreja da Sé é a actual - imagens abaixo - Catedral da Diocese de Macau. Nos primórdios do século XVII esta igreja católica era uma pequena ermida de madeira e só em 1623 foi elevada a Catedral. Antes de 1623, a Catedral da Diocese estava sediada na Igreja de S. Lázaro.
Localizada no Largo da Sé a igreja foi reconstruída em 1844-1850 de acordo com o projecto do arquitecto macaense Tomás D’Aquino. A versão que ainda hoje existe resulta das obras de reconstrução em 1937. Foi durante muitos anos o local onde se realizava a cerimónia religiosa da tomada de posse dos governadores de Macau. 
Na entrada principal tem a inscrição “SS. M. V. MARIAE NASCENTI”, expressão em latim que significa "Santíssima Virgem Maria do Nascimento" a quem a catedral é dedicada/consagrada: a Virgem Maria, em honra do seu nascimento.

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Nossa Senhora da Penha de França

Imagem de Nossa Senhora da Penha de França (protectora dos marinheiros) na Ermida de Nossa Senhora da Penha. Fotografia de Mica da costa Grande para um postal ilustrado edição do ICM.
Curiosidade:  A primeira missa na primitiva ermida de Nossa Senhora da Penha de França em Macau realizou-se a 29 de Abril de 1622.

sábado, 31 de maio de 2025

O sino da igreja de Santa Clara

Recorro a um texto de Monsenhor Manuel Teixeira (A Voz das Pedras) para referir o sino do campanário da igreja de Santa Clara que, segundo monsenhor, era o mais antigo de Macau, com origens no século 17. Manuel Teixeira conta que no seu tempo o sino estava ao abandono no jardim (do antigo convento de Santa Clara) "junto a um cruzeiro centenário"...
"Pobre sino! Ele ali está há dezenas de anos, ao canto de um jardim, junto a um cruzeiro tricentenário, ao sol, à chuva e ao vento, sem que ninguém lhe deite a mão e o recolha num albergue, ou seja, num museu. Eu saúdo-o todos os dias , às 6h30, pis ali o encontro sempre no jardim de S. Clara, antes da minha missa na Igreja do Convento. Merecia melhor sorte, pois é o mais antigo sino de Macau, como se vê das inscrições que o rodeiam.
Aro pro nobis Beata Mater Clara
O chinês que alterou a primeira palavra, escrevendo aro por ora. Quer dizer:
Roga por nós Mãe S. Clara
No meio lê-se: "Ano D. 1674."
No fundo, a toda a volta: "Francisco Tavares o fes por mandado do muito R.e Pe. Consº Fr. Manoel da Madalena"
Frei Manuel da Madalena de Lampreia era natural de Macau, e descendia dos duques de Aveiro; foi várias vezes guardião ou superior do Convento de S. Francisco e em 1674 era comissário das clarissas. Quanto a Francisco Tavares, deve ser irmão de Jerónimo Tavares Bocarro, mestre de fundição de artilharia da Índia e capitão de artilharia de Goa, do Hábito de Cristo. Francisco e Jerónimo devem ser filhos do fundidor Manuel Tavares Bocarro e netos de outro fundidor, Pedro Dias Bocarro. Manuel Bocarro era natural de Goa e trabalhou em Macau como fundidor de canhões, sinos e âncoras de 1625 a 1656; de 1657 a 1664 foi capitão-geral, ou seja, governador de Macau."

A igreja de Santa Clara foi construída em 1634 (logo após a construção do mosteiro) e reconstruída em 1827 e 1936. Localizada ao lado do Colégio de Santa Rosa de Lima e no interior deste espaço afastado da rua e sem acesso público é uma igreja que pouca gente conhece. Imagens de diferentes épocas podem ser vistas aqui.
Curiosidade: É muito semelhante à Igreja de Nossa Senhora da Assunção localizada em Taiwan.

sexta-feira, 18 de abril de 2025

Igreja de Nossa Senhora das Dores (Ká-Hó)

A Igreja de Nossa Senhora das Dores foi construída em 1966, durante o bispado de D. Paulo José Tavares, para servir as necessidades religiosas de Ká-Hó, onde, naquela época, viviam as famílias de leprosos curados e alguns doentes novos. Tem um grande crucifixo de bronze sobre o frontispício. Na antiga leprosaria foi feita uma pequena capela em 1934.

Projectada pelo escultor italiano Oseo Acconci, tem uma estrutura de betão armado, nave em forma triangular e uma torre sineira no alçado norte. As duas primeiras imagens são postais ilustrados da década 1970. A fotografia abaixo é do início do século 21.

Numa visita em 2024 - há precisamente um ano - tive direito a visita guiada a este espaço que é de facto magnífico, incluindo o cenário envolvente e o silêncio que impera. A precisar de algumas obras de restauro, nomeadamente nas estátuas no exterior. É nos dias de hoje um local onde impera o silêncio



quarta-feira, 2 de abril de 2025

Roman Catholic churchs

Uma edição do Chinese Repository de 1831 refere que Macau tem 12 igrejas católicas, quatro ou cinco capelas e cerca de 35 padres europeus: 
"Macao possessed twelve Romish Churches four or five Chapels and about 35 European priests."
Penha

Sé Catedral

S. Domingos

S. Domingos

S. Domingos

Seminário s. José

"The Roman Catholic churches in this city are numerous and some are magnificent specimens of architecture; the finest edifice among them was the Jesuits church or cathedral which was destroyed by fire some few years ago. (...) Besides numerous churches there are three monasteries, a convent, a college for the instruction of the Portuguese or proselytes from the Chinese nation who profess to have embraced the Roman Catholic religion. (...)"
in "China and the Chinese", Henry Charles Sirr, 1849

"As igrejas católicas romanas nesta cidade são numerosas e algumas são magníficos exemplares de arquitectura; o melhor edifício foi a igreja ou catedral dos jesuítas, destruída por um incêndio há alguns anos. (...) Além de inúmeras igrejas, há três mosteiros, um convento, um colégio para a instrução dos portugueses ou prosélitos da nação chinesa que professam ter abraçado a religião católica romana. (...)"
S. Lourenço

As imagens são postais publicados na década 1980 pelo ICM.

sexta-feira, 21 de março de 2025

"É uma igreja toda pintada de azul e branco"

"Visitei no dia 9 a igreja de Santo Agostinho ouvindo ahi missa com o governador. É uma igreja toda pintada de azul e branco*, uma igreja muito patriota e nacional. Poucas damas ali estavam, mas todas trajando os dós pretos da China ou as saraças da India. Eram de aspecto horribile e davam áquelle ajuntamento um ar funebre, mysterioso e triste. O tecto da igreja é de madeira e tres ordens de columnas de pedra irreprehensivelmente lavadas a cal sustentam arcos que formam tres naves. Tudo tem ornatos mas do genero architectonico recócó e desenxabido do seculo passado. Dois quadros e algumas estatuas sem valor artistico compunham o peculio artistico do templo. A entrada era por um vestibulo sem portas nem para-vento para a igreja e onde se não permittia estar de chapéu na cabeça mas onde se consentia que se fumasse e conversasse em voz alta."
in "No oriente" - Vol. 2, Adolpho Loureiro. 1897

* as cores da monarquia portuguesa.
Nota: O testemunho de Adolfo Loureiro refere-se à estadia no território em 1883.

quarta-feira, 12 de março de 2025

Os sinos da igreja Mater Dei

Detalhe de uma pintura de W. Heine ca. 1853

Existiam vários sinos na fachada da igreja Mater Dei (S. Paulo) - em pinturas do século 19 surgem umas vezes três, outras vezes, dois - e mais dois na torre lateral. Os sinos foram removidos após o derradeiro incêndio de 1835 já na segunda metade da década de 1850 pois ainda surgem em pinturas feitas ca. 1850. A torre sineira lateral seria demolida após o fogo.
George Chinnery desenhou/pintou a igreja antes e depois do incêndio. No período anterior ao fogo ainda desenhou a torre sineira e no período posterior essa torre já não surge. (ver exemplo abaixo - com três sinos e sem torre sineira lateral). Chinnery morreu em 1852 pelo que depreende-se que a torre foi demolida  entre 1835 e 1852. W. Heine esteve em Macau em 1853/54, ou seja, após a morte de Chinnery, e no desneho que fez da fachada coloca apenas dois sinos.
Os dois sinos da torre sineira - em bronze - estão actualmente expostos no Museu de Macau.
O mais pequeno foi fundido em 1714, e nele consta a seguinte inscrição:
"Anto. De Seqra. De Nra. sendo Capao. Geral Desta Cide. o Mandov Fvndir Em 2 de Mayo de 1714 annos."
("António de Sequeira de Noronha, sendo Capitão Geral desta Cidade, o mandou fundir em 2 de Maio do ano de 1714." )

No sino maior está o emblema dos jesuítas, IHS, e as inscrições:
"Sonet Vox Tva In Avribvs Meis" 
("A tua voz ecoa nos nossos corações")
“Macao Collo.da Madre de Deos da Compa. de Iesus Anno de 1736"
("Macau, Colégio da Madre de Deus da Companhia de Jesus, Ano de 1736")

domingo, 26 de janeiro de 2025

sábado, 14 de dezembro de 2024

Visita ao convento/mosteiro de S. Francisco em Dezembro de 1812

Diz o ditado que quem procura sempre alcança... Nas pesquisas que faço habitualmente aqui para o blogue há muito que sabia que o britânico James Wathen tinham feito dezenas de desenhos em Macau quando por ali passou em Dezembro de 1812. Acontece que apenas 4 desenhos foram publicados no livro que escreveu sobre essa viagem. Agora descobri um desses desenhos no espólio do Ashmolean Museum (Reino Unido).

Esta é a legenda de uma aguarela (18x25cm) datada de 1812 da autoria de James Wathen: "From the Entrance of the Franciscan Monastery at Macao / Looking to the Fort, the Nunnery & St. Paul's Church", ou seja, "Olhando para o Forte, o Convento e a Igreja de São Paulo da Entrada do Mosteiro Franciscano de Macau."

O mosteiro/convento de S. Francisco foi construído em Novembro de 1579 por iniciativa do frei Pedro de Alfaro (espanhol que foi das Filipinas para Macau nesse ano) como conta o frei Jacinto de Deos no livro "Descripção do Império da China" sobre "um pequeno monte na parte do oriente em respeito da cidade no começo de uma formosa praia cujas ondas de continuo ferem os muros que a cercam ficando o convento com a vista para o mar ao leste norte e meio dia e das muitas ilhas que por essas partes lançou a natureza e tambem do principal da cidade que fica ao occidente."
A localização da cruz numa litografia feita a partir de um desenho de James Wathen

Vejamos o que o próprio James Wathen escreveu sobre este local que chegou a visitar no interior fazendo uma descrição - testemunho raro - do que viu:

"After making many drawings of the surrounding scenery, I descended into the town, and went immediately to the Franciscan monastery. Mass was now celebrating in the church; I waited until it was over. The congregation was large and respectable. Several beautiful women, in their long black cloaks and hoods, walked, piously demure, with the reverend fathers from the church, discoursing in low whispers, and, “ever and anon,” hfting up their fine eyes in a seeming rapture of devotion!
When the congregation had retired, a reverend cordelier approached me, where I was sitting, on the steps of a handsome crdss, erected in front of the monastery, with my sketch-book and pencil in my hand; and, with gentle demeanour, asked me if I wished to see the interior of the building? He spoke but little English, yet sufficient to be understood. I answered in the affirmative, and thanked him for his civility and kindness. — We proceeded to the church, which was splendidly decorated with statues and paintings; many of them well executed. — The altar was most richly adorned continued in the same state as it was on the preceding day, the great festival of Christmas. — The crucifix was set with the most brilliant precious stones; and all the sacred vessels and utensils were of solid gold and silver. I was then successively led along to the cloister, refectory, the dormitory, and the ambulatory ; and saw several of the cells of the monks, who are about forty in number. The situation of this religious house is delightful, being on a rock near the sea, and surrounded with fine pleasure-grounds planted with elegant trees and odoriferous shrubs."

Tradução/Adaptação
"Depois de fazer muitos desenhos da paisagem circundante, desci à cidade e fui imediatamente ao mosteiro franciscano. Estava ser celebra uma missa na igreja; esperei até que acabasse. A congregação era grande e respeitável. Várias mulheres bonitas, em seus longos mantos pretos e capuzes, caminhavam, piedosamente recatadas, sussurravam com os reverendos padres da igreja e, “de vez em quando”, erguendo seus lindos olhos num aparente êxtase de devoção! Quando a congregação se retirou, um padre franciscano aproximou-se de mim, onde eu estava sentado, nos degraus de uma bela cruz, erguida em frente ao mosteiro, com meu caderno e lápis na mão; e, com atitude gentil, perguntou-me se eu queria ver o interior do edifício? Ele falava pouco inglês, mas o suficiente para ser compreendido. Respondi afirmativamente e agradeci-lhe a sua civilidade e bondade. — Seguimos para a igreja, que estava esplendidamente decorada com estátuas e pinturas; muitos delas bem executados. – O altar estava ricamente decorado e continuou no mesmo estado em que estava no dia anterior, a grande festa do Natal. — O crucifixo foi cravejado com as mais brilhantes pedras preciosas; e todos os vasos e utensílios sagrados eram de ouro maciço e prata. Fui então conduzido sucessivamente ao claustro, ao refeitório, ao dormitório e ao ambulatório; e vi várias celas dos monges, que são cerca de quarenta. A localização deste edifício religioso é encantadora, estando sobre uma rocha perto do mar e rodeada de belos terrenos plantados com árvores elegantes e arbustos odoríferos."

Comerciante, viajante e desenhador, James Wathen (1751-1828) tinha 61 anos quando fez esta viagem - uma boleia pode-se dizer... tendo partido de Portsmouth a 11 de Março de 1811 - com o seu amigo dos tempos de escola, o capitão James Pendergrass, comandante do navio Hope (à vela e com 3 convés - ver imagem abaixo), construído em 1797 para a EIC, a poderosa Companhia Inglesa das Índia Orientais, empresa privada que detinha por concessão real o exclusivo do comércio de Inglaterra com a Índia e a China. O Hope (Esperança) fez nove viagens aquelas paragens - esta foi a sétima - e seria desmantelado em 1816.
Wathen explica na introdução que não viajou com o intuito de lucrar em termos comerciais e que único objectivo que tinha em mente nesta "perigosa" viagem que "abraçou avidamente" foi a oportunidade rara de conhecer novas paragens "e ampliar sua colecção de desenhos". Rara porque não era fácil viajar num navio da EIC sem ter alguma relação com a empresa. O próprio explica que oi o próprio comandante que intercedeu junto do comité que dirigia a EIC, nomeadamente William Astell, a quem agradeceu a oportunidade. Aliás, o livro é dedicado ao comité de directores da EIC como se pode verificar no início da obra com a assinatura de James Wathen em Agosto de 1814.

Nota: Por volta de 1861/64 o convento de S. Francisco foi demolido para ali se construir um quartel que ficou com o mesmo nome e que ainda hoje existe (numa versão mais moderna) funcionado ali o Museu das Forças de Segurança de Macau.

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Mosteiro/Convento S. Francisco: desenho e fotografia

Em baixo um desenho a lápis do mosteiro/convento de S. Francisco feito por George Chinnery em 1825, ou seja, no ano em que chegou a Macau.
Em baixo praticamente a mesma perspectiva do edifício numa fotografia (daguerreótipo) de 1844 da autoria de Jules Itier.
PS: o espaço corresponde ao antigo Quartel de S. Francisco e onde está actualmente instalado o Museu das Forças de Segurança de Macau.

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

"The city of hills"

"(...) The following morning we chartered a small schooner for Macao, my intended residence while in China as ladies were then prohibited from going to Canton. A passing notice is due the captain and crew of our little schooner. They were Lascars three in number than whom a more grim visaged trio is seldom seen. Nearly of African hue with high cheek bones and piercing eyes to which their huge mustaches and long peaked beards gave only an appearance the more ferocious. Their dress was exceedingly picturesque. That of the captain wide trowsers of red silk over this a tunic of white muslin reaching just below the knee then another of blue silk some inches shorter and again a close fitting jacket of dark brown velvet richly embroi dered and confined at the waist with a scarf of crimson silk around his neck was suspended a large silver chain and a turban of divers gay colors adorned his head. The tout ensemble was quite imposing.
When we stepped on board the schooner there was every reason to hope that we should reach Macao by twelve o clock, a distance of thirty miles. We were doomed however to disappointment while yet in sight of our ship the wind fell suddenly away and for several hours we lay gently rocking on the ocean. In vain did the captain and crew whistle for the breeze now coaxingly then with angry gesticulations it came not at their bidding.
Even the beautiful scenery by which we were surrounded proved inefficacious to restrain our impatience. At last a slight ripple agitated the calm surface a gentle breeze sprang from the land the sails of our little schooner gradually filled and on we bounded. The breeze soon increased to a gale all sail was taken in and like some frightened bird our schooner was scudding rapidly before the wind every sea washing over our deck.
About eight o clock in the evening we drew near our place of destination which presented a very beautiful appearance, rising like an amphitheatre from the sea its numerous fortified hills the lights gleaming from their summits and from the dwellings on the Praya Granda and over all the moon shining so brightly down rendered the first impressions of Macao, those of a pleasing nature.
Owing to the shallowness of the water no vessels of any size can approach within some hundred yards of the shore, but to remedy this evil there are numerous little boats seemingly no bigger than egg shells, guided entirely by women who make it their business to steer directly for the larger craft as they enter the harbor and convey their passengers etcetera to land.
Two of these little sanpans, as they are called, were soon along side of us but most unfortunately for our haste they no sooner descried a barbarian woman about to spring into their boat than with a shrill cry of mandarin mandarin away they paddled to the shore unheed ing the shouts of tanka tanka boat boat from the captain. They answered only by yells and for nearly an hour we were left pitching and tossing on the still raging sea. At the end of that time,  which seemed interminable, they again ap proached us and we were now suffered to leave the schooner and in a few moments the little sanpan had landed us safely on the Praya Granda, amid a throng of Chinese and Portuguese seems these boat women did not dare to land a barbarian of their own sex until they had first informed the mandarin. It Procuring a guide we proceeded to the residence of an esteemed friend with whom I had been kindly invited to make my sojourn at Macao.
The sun arose the following morning in unclouded splendor and the hour spent in the verandah before breakfast was one of novel interest. The house was situated on the Praya Granda, which forms a semi circle fronting the harbor where the long unbroken seas come rolling in and dash upon the beach only a few yards from the dwellings.
It was a lovely scene the sun shining bright and beautiful upon the waters of the bay just tinging the summits of the rocky isles around and throwing its brilliant rays far over the ocean. Several large ships and brigs were at anchor while others might be seen under full sail standing in and out among the different islands. Chinese junks and fast boats were floating idly near the shore a Canton packet was just rounding a point of land toward which many of the little san pans were rapidly sculling. The beating of gongs and firing of crackers from the numerous Chinese craft near the shore mingled with the merry songs of the sailors the ringing of bells from the different churches - the various groups constantly passing and repassing the Praya, parties of Portuguese hurrying to mass priests in flowing robes, mandarins borne in their palan keens, Chinese compradores and coolies beggars, troops of noisy children added to the lugubrious cries of the venders of live fowls fish & c which they chorus by beating small gongs varied occasionally by an air from the band of the corps stationed at St Peter's Fort, directly fronting the residence of his excellency the governor all combined to render the scene for a time at least very amusing.
Baía da Praia Grande em meados do século 19.
Colina e ermida da Penha à esquerda

My friend proposed taking me first to the Penha, as commanding the most extended view.  Macao is situated on a peninsula connected by a narrow neck of land with the island of Hean shan, across the centre of which runs the boundary wall beyond which no barbarian must dare to pass. The Penha is a high hill at the western extremity of the town on the summit of which stands the ancient hermitage Penha de Franca erected in 1622.
Having completed the ascent by a rocky and uneven path the eye is arrested by one extensive range of the most beautiful scenery. Macao might truly be called the city of hills for they rise in every direction presenting a wild and picturesque appearance heightened by the numerous forts and convents capping their summits.
To the east you have the lofty Mont Charil on which stands Fort Guia directly at its base a rocky point extends into the sea on which is erected Fort St Francis, with the church bearing the same name.
At a little distance from a grove of banians peep forth the white walls of the convent Santa Clara. On another elevation nearly in the centre of the town stands the Monte Fort, fronting the residence of the governor.
On the Praya Granda is St Peter's Fort and on other points are the Bar and Bombarto Forts. Scattered among these lofty hills are the dwellings of the Portuguese English and American residents and separated from near communion with barbarians may here and there be seen the closely packed huts of a Chinese village.
The hermitage Penha de Franca is very much dilapidated and will soon be but a ruin. A part has been lately repaired and rendered tenantable for a few old friars. It is surrounded by a high wall and on one part of this is erected a rude stone cross which Portuguese ships passing the Penha are in the habit of saluting.
Excerto do artigo Recollections of China da autoria de C. H. Butler publicado em 1844 na The Columbian Magazine.
Trata-se de Caroline Hyde Butler Laing (1804-1892) que partiu com o marido Edward (comerciante) de Nova Iorque rumo à China em Outubro de 1836 a bordo do navio Roman tendo regressado aos EUA no início de 1837. A imagem não faz parte da obra referida. O testemunho da Caroline foi feito pela própria num diário. O registo feminino raro na época.

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Igreja do Convento dos Dominicanos de Nossa Senhora do Rosário

Nesta foto da primeira década do século 20 pode ver-se ao fundo o Convento de S. Domingos. Na época estava ali instalada a Inspecção de Incêndios (vulgo bombeiros). A igreja - ao lado, não se vê na imagem - e o convento remontam ao final do século 16.
Depois da expulsão das ordens religiosas o convento teve várias utilizações e por volta de 1887 foi alvo de "melhoramentos".
Outro dado curioso que a fotografia revela é a calçada à portuguesa em forma de ondas, uma praça dentro do largo que hoje em dia, sensivelmente no mesmo espaço, tem umrepuxo com uma esfera armilar.

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Igreja do Seminário de S. José: curiosidades

Entrada para o Seminário e Igreja de S. José: 
em cima desenho de G. Chinnery 1830's
em baixo uma foto do início do séc. 21
1758 (before) The Royal College of St Joseph (Collegis de S José) with church attached was built by the Nankin Jesuits. Though the exact date of that building is unknown yet it existed in 1758. At the expulsion of the Jesuits by the Portuguese in 1762 its activity ceased though it was resumed after 20 years and in 1784 it was transferred to the Congregation of Portuguese Missions in China. Its principal aim is to provide China with evangelical teachers. Founded by the Nankin Jesuits it is called by the Chinese (...) in contradistinction to St Paul's which is called (...) as founded by the Peking Jesuits It has an old Japanese bell dated 1719. Its fine chime bears date Lisbon 1806. There is said to be a R. C. Church at Peking whose front is a facsimile of that of St Joseph's College chapel here*.
Excerto de uma edição de 1887 do Chinese Recorder and Missionary Journal
* referência às semelhanças arquitectónicas entre a igreja do Seminário de S. José e a Catedral da Imaculada Conceição, em Pequim, a mais antiga igreja católica na China, cuja construção remonta ao início do século 17 e que ainda existe.
Igreja Seminário S. José, Macau
Catedral da Imaculada Conceição, Pequim.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Vue de Macao en Chine / View of Macao in China: 1ª parte

Esta é muito provavelmente a mais icónica representação de Macau no século 18: a baía da Praia Grande vista do terreiro/miradouro do convento de S. Francisco.
O desenho e a litografia da versão original (francesa)

Na imagem podem ver-se em 1º plano frades franciscanos; três parecem estar a falar  com uma mulher com uma saraça que lhe cobre a cabeça; um outro frade está junto a um  chinês que a julgar pelo que veste deveria ser abastado. Sentado podem ver-se duas freiras ou noviças tendo em frente, no chão, lajes de túmulos. Na escadaria do convento de S. Francisco estão representado dois chineses e mais à frente no areal outras figuras humanas. à direita pode ver-se o muro que cercava o convento de Santa Clara.
Do lado esquerdo é possível ver-se canhões. Pertenciam à fortaleza de S. Francisco, contígua ao convento (que também tinha uma igreja).
O panorama é dominado pela baía da Praia Grande - tendo ao centro o Fortim de S. Pedro -  tendo atrás várias colinas que, dada a dimensão exagerada, minimizam o edificado. Podem ainda ver-se a Fortaleza do Monte, o topo da fachada da igreja MaterDei/Madre de Deus, a igreja de São Domingos, a igreja de Santo Agostinho e no lado esquerdo, a colina da Penha e a ermida/capela com o mesmo nome.
O "Vue de Macao en China" foi publicado pela primeira vez no livro "Atlas du Voyage de la Perouse" editado em 1797. O desenho é da autoria de Gaspard Duche de Vancy. 
A tradução para inglês foi publicada em Londres em 1798 com o título "A voyage round the world performed in the years 1785, 1786, 1787 and 1788". Inclui uma ilustração muito parecida cuja autoria é atribuída a Sparrow. 
"View of Macao in China"  - é da autoria de Sparrow e foi incluída na versão inglesa do livro

Jean François de Galaup (1741-1788), conde de La Pérouse, fazia por ordem de Luís XVI uma viagem de exploração científica à volta do mundo, com as fragatas La Boussole e L' Astrolabe. Chegou a Macau a 3 de Janeiro de 1787 (há 237 anos), tendo ali permanecido até 5 de Fevereiro. Nesse período instalaram um ponto de observação no convento de Santo Agostinho tendo registado as marés. Toda a tripulação desapareceu, provavelmente num naufrágio em Vanikoro, em 1788. Anos depois uma outra expedição francesa teve como objectivo, entre outros, tentar encontrar os dois navios. Reza a lenda que pouco antes de morrer em 1793, o rei Luis XIV terá perguntado se havia notícias de La Pérouse...

Nota: A edição da obra referida - três volumes com 67 gravuras de página inteira, 31 mapas, 29 desenhos e 7 esboços de espécies de fauna - só foi possível porque ao longo da expedição La Pérouse ia enviando para França o material produzido. Caso contrário, ter-se-ia perdido tudo no naufrágio...

Excerto sobre Macau (versão inglesa):
The weather, which was very cloudy, had prevented us from perceiving the town; at noon it cleared up, and we made it from the west a degree south about three leagues. I sent a boat on shore, commanded by M. Boutin, to advertise the governor of our arrival, and to acquaint him, that we intended to make some stay in the road, for the purpose of resting and refreshing our ships companies. M. Bernardo Alexis de Lemos, governor of Macao, received this officer in the most obliging manner; he made us an offer of every assistance in his power, and immediately sent a Malay pilot on board, to conduct us to the anchorage of Typa; at day break the next day we got under way, and at eight o'clock in the morning we brought up in three fathoms and a half, muddy ground, the town of Macao bearing north-west five miles.
We came to an anchor alongside of a French flute, commanded by M. de Richery, ensign in the navy; she came from Manilla, destined, by Messrs. d'Entrecasteaux and Cossigny, to cruize on the eastern coasts, and there to protect our commerce. We had then at length, at the end of eighteen months, the pleasure of meeting not only with our countrymen, but even comrades and acquaintances. M. de Richery had the night before accompanied the Malay pilot, and had brought us a very considerable quantity of fruits, pulse, fresh meat, and in general every thing which he could imagine might be agreeable to navigators after a long voyage. Our apparent good state of health seemed to surprise him. He informed us of the political state of Europe, the situation of which was exactly the same as at our departure from France; but all his researches at Macao to find out some one who had been charged with our packets were in vain; it was more than probable, that no letter addressed to us had arrived in China, and we experienced the melancholy idea of having been forgotten by our friends and families. Sorrowful situations make men unjust; these letters, which we so forcibly regretted, might have been entrusted to the company's ship which had lost its passage; her consort alone had arrived this year, and information was received from the captain, that the greater part of the money; and all the letters, had been sent by the other ship. We were perhaps more afflicted than the merchants by the unfavourable weather which had prevented the arrival of this ship, and it was impossible for us not to remark, that out of twenty-nine English ships, five Dutch, two Danes, one Swede, two Americans, and two French, the only one which had lost its passage was of our nation. 
As the English never trust the command of their ships except to thorough-bred seamen, a similar event is what rarely happens to them; and when, arriving too late in the Chinese Seas, they find the north-east monsoon set in, they struggle with obstinacy against this impediment; they frequently penetrate to the eastward of the Philippines, and standing to the northward in this sea, much more extensive and less exposed to currents, they re-enter by the south of the Bashee Islands, make the land of Piedra Blanca, and, as we did, pass to the northward of the Great Lamma. We were witnesses of the arrival of an English vessel, which, after having followed this track, anchored in Macao Road ten days after us, and immediately afterwards went up to Canton.
My first care, after the ship's being moored, was to go on shore with M. de Langle, in order to thank the governor for the obliging reception he had given to M. Boutin, and to ask his permission to have an establishment on shore, for the purpose of erecting an observatory, and giving rest to M. Dagelet, who was very much fatigued with our voyage, as well as M. Rollin, our surgeon major, who after having, by his care and advice, warded off the scurvy and all other diseases from us, would himself have been obliged to yield to the fatigues of our long voyage, had our arrival been retarded a week longer.
M. de Lemos received us as countrymen; every favour we had asked was granted, with a politeness to which no language can do justice. He made us an offer of his house, and, as he did not speak French, his wife, a young Portuguese from Lisbon, officiated as his interpreter. To the answers of her husband she added amiableness and grace peculiar to herself, and such as travellers can rarely flatter themselves with meeting in the first cities of Europe.
Dona Maria de Saldagna had twelve years ago married M. de Lemos at Goa, and very soon after the marriage I happened to be in that city, commander of the flute la Seine; she was so kind as to remind me of this event, which was very strongly impressed on my memory, and obligingly to add, that I was an old acquaintance; after which, calling all her children, she told me that she always thus presented herself to her friends; that their education was the object of all her cares; that she was proud of being their mother, which pride we must have the goodness to pardon, as she was determined to introduce herself to our acquaintance with all her faults. (...)
Detalhe da litografia 'francesa': destaque para o areal plano na ponta de S. Francisco da baía da Praia Grande; à direita Convento Santa Clara (em baixo) e no topo a Fortaleza do Monte com a igreja Mter Dei ao lado.

Detalhe da litografia 'francesa': colina da Penha e ermida do lado esquerdo em cima; em baixo a Fortaleza do bom Parto; ao longo da Praia Grande entre os edifícios representados destaco as igrejas
continua...

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023