Mostrar mensagens com a etiqueta marinha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta marinha. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 9 de julho de 2026
domingo, 28 de junho de 2026
Carta para um guarda-marinha da Corveta D. João I no século 19
No canto superior direito (abreviatura de cortesia):
Illmº. Sr. (Ilustríssimo Senhor)
Nome do destinatário (ao centro):
Gonçalo Ayres da Costa Campos
Cargo e localização (em baixo):
Guarda Marinha embarcado
a bordo da corveta D. João em Macao
Embora não existam elementos que permitem datar esta carta, deduzo que seja de meados do século 19. Porquê?
A corveta referida é a D. João I da Marinha Portuguesa. Foi construída em Damão por Jadó Simogi, aproveitando os materiais (madeira teca) da corveta "Infante D. Miguel" (inutilizada) sendo lançada ao mar em 1828.
Com 45,54 m de comprimento de fora a fora; 10,56 m de boca; 6,27 m de pontal; 6027 m de calado a vante e 516 toneladas tinha de armamento: 2 peças de bronze de calibre 18; 1 peça de calibre 3; 16 caronadas de ferro de calibre 32; Armamento portátil: 60 espingardas de fuzil; 20 pistolas de fuzil; 4 bacamartes de canos de bronze; 45 espadas e respetivos cinturões; 60 baionetas e respetivos cinturões; 20 chuços; 90 cartucheiras de cinto.
Em 1842 a lotação era de 161 homens. Navegou até final do século 19 sendo o último registo em Angola.
No século XIX ficou célebre pelas suas missões em vários pontos do mundo: Brasil, Timor, Japão, Angola. Destaco apenas as efectuadas no Extremo Oriente. Entre 1850 e 1860, operou no delta do Rio das Pérolas e desempenhou um papel vital nas relações luso-asiáticas. Aqui ficam algumas das missões em que esteve envolvida:
- Em 1850 largou do Rio de Janeiro para Macau conduzindo o novo Governador Capitão-de-Mar-e-Guerra Pedro Alexandrino da Cunha.
- Esteve envolvida em operações de resgate após a trágica explosão da fragata D. Maria II em Macau, em 1850.
- Em Janeiro de 1851 largou de Macau para Hong-Kong, conduzindo o novo Governador, Capitão-de-Mar-e-Guerra Francisco António Gonçalves Cardoso.
- Em 1854, conduzindo o Governador da província e o ministro plenipotenciário francês, largou de Macau para Ning-Pó, fazendo escala por Hong-kong e Amoy.
- Em Julho de 1854 travou combate com os piratas chineses.
- Em 1855, transportou os restos mortais do antigo governador João Maria Ferreira do Amaral de volta para Goa.
- Ajudou no combate a incêndios devastadores na cidade de Macau em 1856.
- Transportou o Governador de Macau, Isidoro Francisco Guimarães, até ao Japão em 1860, missão que resultou no Tratado de Paz e Comércio entre Portugal e o Japão. Feliciano António Marques Pereira, Capitão de Fragata era o comandante da corveta D. João I.
- Em 1861, largou em segunda viagem ao Japão, com escala por Xangai, para se proceder ali à ractificação do tratado do comércio luso-japonês, não chegando ao destino devido ao mau tempo.
terça-feira, 21 de abril de 2026
Avenida do Aviso Gonçalves Zarco / 貢沙威塞古兵艦大馬路
Julgo ser caso único na toponímica macaense um navio ser nome de rua. Neste caso, a Avenida do Aviso Gonçalves Zarco (em chinês: 貢沙威塞古兵艦大馬路), que existiu na zona dos aterros do Porto Exterior.
Quando foi baptizada começava na então denominada Avenida do Dr. Oliveira Salazar* (frente ao Centro Náutico da Mocidade Portuguesa), e terminava na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, próximo da "Chácara Leitão". Quando a conheci nas décadas 1980/1990 começava na Avenida da Amizade*, em frente ao Hotel Mandarim Oriental e junto à Tribuna do Grande Prémio e termina vana Rua de Luís Gonzaga Gomes, frente ao antigo Complexo Escolar, actual Instituto Politécnico. Desapareceu da toponímia local entretanto..
貢沙威塞古兵艦大馬路 / KÔNG SÁ VAI SÁK KU PÊNG LÁM TÁI MÁ LOU
由友誼大馬路,東方文華酒店對面,靠近 G.P.M.看台處起,至高美士街。澳門學校綜合體對面止。這條路以前從葡萄牙青年航海中心對面,薩拉沙大馬路及賽車看台旁側起,至羅理基博士大馬路,一稱為“乳豬園”的房產附近止。
É preciso recuar quase um século para perceber as origens...
Encomendados ao abrigo do Programa Naval Português da década de 1930, os navios 'gémeos' Gonçalves Zarco e Gonçalo Velho são denominados avisos coloniais de 2ª classe e estiveram ao serviço de Marinha de Guerra Portuguesa. Construídos nos estaleiros Hawthom-Leslie (Inglaterra) em 1932 tiveram por missão reforçar e manter a capacidade de presença naval nos vários territórios do então Império Colonial Português, assegurando a soberania de Portugal.
Foram baptizados com os nomes de dois dos navegadores portugueses envolvidos na descoberta das ilhas do Atlântico: Gonçalo Velho Cabral e João Gonçalves Zarco. Depois da Segunda Guerra Mundial, em 1946, os navios foram equiparados a fragatas, recebendo o prefixo F nos seus números de amura, pintado no costado.
![]() |
| "Gonçalves Zarco" em Macau em meados da década 1950 |
O NRP Gonçalves Zarco (F476) esteve ao serviço entre 1933 e 1964 tendo efectuado três comissões de serviço em Macau, em 1935, Set. 1938 a Abril de 1939 e de 1956 a 1964, durante os quais passou 17 meses na Índia Portuguesa e 20 meses em Timor.Em Macau 'apanhou' dois violentos tufões, o «Glória», em 1957 e em 1962 quando estava em Hong Kong o «Wanda»
Estava equipado com duas peças de 120 mm (visíveis na proa e na popa) e armamento antiaéreo, essencial para o policiamento marítimo.
Possuía turbinas a vapor que lhe permitiam uma velocidade de cerca de 16,5 nós, ideal para longas travessias.
Como se pode verificar nas imagens, na proa e na popa, estavam instaladas lonas que serviam de toldo. Quando operavam em regiões tropicais ou subtropicais (como Macau) o toldo servia para manter o convés e as áreas habitáveis por baixo dele minimamente frescos. Na zona de sombra a guarnição podia descansar ou realizar tarefas ao ar livre sem estar exposta directamente ao sol forte. Normalmente estes toldos eram montados apenas quando o navio estava fundeado ou atracado, pois não aguentariam a força do vento ou do mar durante a navegação em alto mar.
![]() |
| "Gonçalves Zarco" inscrito no casco |
Aviso de 2ª classe «Gonçalves Zarco»
Deslocamento: 1 784 tons (outras fontes: 1174 tons) (1933); 1 500 tons (1959)
Comprimento: 81,5 m; Boca: 10,8 m; Calado: 3,5 m; Sensores: radar de navegação e ASDIC (1959); Propulsão: 2 turbinas a vapor de 2 000 SHP, servidas por dois eixos permitiam atingir os 16,5 nós, de velocidade máxima.
Armamento: 3 peças de 120 mm e 2 peças de 40 mm (1933); 3 peças de 120 mm, 5 peças de 40 mm, 4 morteiros lança bombas, 2 calhas lança-bombas de profundidade (1959)
Tripulação/Equipagem: 142 homens
Na década de 1950 os dois navios oram alvo de grandes modificações sendo equipados com armamento e sensores para guerra anti-submarina. A partir de 1961 deixaram de ser empregues como unidades combatentes em 1961. O Gonçalo Velho foi abatido ao serviço, mas o Gonçalves Zarco seria transformado em navio hidrográfico condição que manteve até 1964, ano em que foi transformado em batelão (desmantelado em 1994). Seria então o navio de guerra mais velho em serviço em todo o mundo. Navegou o equivalente a 17 voltas à Terra.
Desfiles da guarnição do "Gonçalves Zarco" em Macau
A última missão do Gonçalves Zarco: 14 de Outubro de 1956 a 28 de Março de 1964:
14.10.1956: Vindo do estado da Índia Portuguesa chegou a Macau.
20.10.1956: A fim de receber beneficiações, partiu para Hong Kong sob comando do capitão-tenente António Garcia Braga.
8.3.1957: regresso a Macau trazendo a bordo para o Porto Interior o novo governador, Capitão-tenente Pedro Correia de Barros.
Dezembro 1959: ida a Hong Kong.
15.07.1963: Após reparações seguiu para Timor. Chegados a Timor, não havia condições de reabastecer o navio de combustível pelo que a 9 de Setembro seguiu até Darwin. Partiu de Timor a 2 de Janeiro de 1964 e chegou a Hong Kong a 12 de Janeiro de 1964 seguindo depois para Macau.
10.3.1964: Partida para Hong Kong com objectivo de efectuar uma inspecção geral, raspagem e pintura do fundo.
28.3.1964: Partida para Portugal com honras de fogo de artifício e "na véspera, em jeito de despedida, os marinheiros organizaram um cortejo em riquexós, pelas ruas da cidade, cantando e queimando panchões".
16.5.1964: Chegada a Lisboa. Segundo Eduardo Tomé num artigo publicado em Fevereiro de 1997 na Revista Macau, "a aguardar a tripulação no cais estavam apenas os familiares, nada de entidades oficiais, nem mesmo da marinha, tão pouco a imprensa. Restava-lhes a consolação do dever cumprido e o feito de terem conseguido trazer para Portugal aquela relíquia naval, que, com galhardia, desempenhou durante nove anos consecutivos a última missão de soberania de um navio da Armada Portuguesa, nas águas de Macau e Timor".
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
Macau na 2ª viagem de circum-navegação do navio-escola Sagres: 1983-84
O navio-escola Sagres esteve quatro vezes em Macau. A primeira vez aconteceu em Janeiro de 1979. Esteve depois em Dezembro de 1983 e em Agosto e Novembro de 1993. Em 2010, em mais uma viagem à volta do mundo, o Sagres tencionou atracar mais uma vez em Macau mas a China interditou a entrada, argumentando não permitir a atracagem a navios de guerra.
1 de Julho de 1983 foi o dia da Largada para a 2ª Viagem de Circum-Navegação do navio-escola Sagres, uma viagem que durou 296 dias e que tinha como objectivos a instrução de cadetes da Escola Naval e o reforço dos laços com as comunidades portuguesas e territórios sob administração portuguesa. O comandante era o capitão-de-fragata António Luciano Homem de Gouveia.
| Ilustração criada por IA a partir de fotografia |
O navio-escola Sagres esteve em Macau entre 13 e 26 de Dezembro de 1983. Esteve aberto a visitas da população e realizaram-se recepções oficias a bordo. Foi emitido um postal comemorativo pelos correios de Macau para assinalar a presença do navio-escola.
Para além de Macau, outras duas escalas tiveram grande destaque foram o Havai e o Japão.
Acácio Sousa, era na altura Cabo CM (condutor de máquinas) no navio-escola Sagres. Tinha 25 anos. Agora recordou para o blogue Macau Antigo a passagem por Macau há 43 anos...
13.12.83
A Sagres antecipou em dois dias a chegada a Macau devido a condições de navegação e ventos favoráveis que teve no decorrer deste trânsito de Shanghai até Macau, tendo a Sagres entrado no Porto Exterior de Macau a navegar em 'Árvore Seca' (todo o velame encontrava-se ferrado) e com a 'Máquina Parada'. Navegávamos a 11 nós, pelas 13h fundeou ao largo de Coloane, à entrada do Porto de Macau de onde suspendeu pelas 17h para atracar na Ponte Cais, em Macau às 18h no Porto Exterior.
À nossa chegada lá estavam os esterlotes dos panchões com as respectivas danças do dragão e do leão em ambiente de festa.
Foi a 2ª vez que o navio-escola Sagres escalou o território de Macau onde a sua guarnição passou as festas natalícias e onde aconteceram diversas iniciativas, programadas pela comissão organizadora nomeada pelo governador do território*. A Comissão Organizadora preparou uma visita a Guangzhou na Província de Cantão, e no Hotel Casino Lisboa, fomos agraciados com uma recepção dada pelos camaradas de Marinha destacados em Macau.
Na noite de 24 para 25 de Dezembro de 1983, celebramos a bordo o nosso Natal.
![]() |
| Entrada do Hotel Lisboa |
26.12.83
Com o apoio exemplar do então Cte da Defesa Marítima de Macau, Cte Nobre de Carvalho**, pelas 23 horas demos início ao moroso processo de largada, para além de ser de noite, a Sagres teria de sair do Porto Exterior, local onde esteve atracada e teria de navegar num canal construído de propósito para a Sagres, navegando em águas rasas na Foz do Rio das Pérolas. Neste percurso foi acompanha por duas vedetas da Capitania do Porto de Macau e foi já perto de Coloane que o silêncio e a noite foram subitamente cortados, quando um rebocador dos Serviços de Marinha, agitando rastos de luz com os seus holofotes e apitando em tom festivo, começou a transmitir música portuguesa pelos seus altifalantes, desde o Fado às Marchas Populares, passando pela «Marcha dos Marinheiros» e o fado «Caravelas».
Durante meia hora o Estuário do Rio das Pérolas tornara-se praça Portuguesa, numa conquista irreprimível. Por fim e já com os últimos convidados, os Oficiais da Armada em serviço no território, entre os quais, o Cte Nobre de Carvalho, Chefe dos Serviços de Marinha e o Cte Arménio Fidalgo (da PMF) já a bordo da Vedeta da Policia Marítima Fiscal, que os levaria a Terra, a Sagres despediu-se com o som grave da sua 'sereia' enquanto se ouve um «Até à Próxima Camaradas» gritado a plenos pulmões.
A «Sagres» levava a sua guarnição reforçada, com a presença de um Jornalista da Rádio Macau e um Redactor do Gabinete de Comunicação Social, transportados para uma Experiência a Bordo da «Sagres». Eram 24 horas quando tudo terminou e iniciamos a viagem rumo a Singapura."
![]() |
| Hotel Presidente (1º plano) e Hotel Lisboa (parcialmente) ao fundo à esq. |
* Vasco de Almeida e Costa (1932-2010), também ele da Marinha (era na altura capitão-de-mar-e-guerra), foi governador entre 1981 e 1986.
** Capitão-de-Fragata, João Manuel Velhinho Pereira Nobre de Carvalho.
Nota: Fotografias do grupo existente no FB alusivo ao evento.
domingo, 12 de outubro de 2025
"Arte de Marinheiro"
Da autoria de Joaquim Marques Esparteiro o livro "Arte de marinheiro" foi publicado em 1924 pela tipografia do Orfanato dos Salesianos. Na altura Joaquim Marques Esparteiro - que viria a ser governador de Macau na década de 1950 - era 1º tenente da Marinha e estava em Macau como comandante da canhoneira Pátria (1921-1924).
A obra ensina técnicas de nós, cordas e outras habilidades marítimas, como confecção de nós e emendas, de forma ilustrada, tornando-se assim de interesse não só para marinheiros como também para os entusiastas do mar, artesãos e escuteiros.
terça-feira, 10 de junho de 2025
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
| 10 de Junho de 1982: carimbo da "1ª Exposição filatélica Macau e Portugal" |
O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é celebrado a 10 de Junho porque essa é a data da morte do poeta Luís Vaz de Camões em 1580. O feriado remonta a 1920. Durante o Estado Novo denominava-se "Dia de Camões, de Portugal e da Raça". A partir de 1978 passou a ser "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas".
Em Macau é desde 1923 assinalada, entre outros eventos, com uma romagem à Gruta de Camões.
| 1983: ano da emissão deste selo (de 1 pataca) da série Edifícios e Monumentos Postal máximo: fotografia, selo e carimbo sobre o mesmo tema |
No topo do arco da Porta do Cerco a expressão "A Pátria honrai que a Pátria vos contempla", divisa da Marinha portuguesa adoptado em 1863.
Portaria de 20.3.1863:
«Manda Sua Majestade El-Rei declarar ao conselheiro inspector do arsenal da marinha, que sendo muito conveniente estimular por todos os modos os brios patrioticos e os nobres sentimentos, ha por bem ordenar que immediatamente faça apromtar e assentar nos navios que tenham tombadilho no vau d’este, e nos outros no ponto mais visível da tolda, a seguinte inscripção em letras de metal bem visíveis A PATRIA HONRAE QUE A PATRIA VOS CONTEMPLA».
PS: só o navio escola Sagres ainda cumpre esta portaria.
domingo, 18 de maio de 2025
'Leitura' de uma pintura da segunda metade do século 19
Nesta pintura da segunda metade do século 19 que mostra a baía da Praia Grande - pertencente à 'escola chinesa e de autor anónimo - destaquei e identifiquei alguns dos elementos representados com fotografias e gravuras. Da esquerda para a direita temos um vapor a pás que fazia a ligação marítima entre as cidades vizinhas de Macau , nomeadamente Hong Kong e Cantão. Ao centro o Palácio das Repartições. Segue-se o que parece ser a canhoneira Camões e do lado direito o edifício do Grémio Militar, inaugurado em 1870 (Clube Militar a partir da década 1940).
Nota: Na época Macau tinha duas embarcações de guerra deste tipo. A Camões tinha uma tripulação de 36 homens enquanto na Príncipe D. Carlos eram 57.
Tendo sido presente a Sua Magestade El Rei o officio no 57 de 23 de abril do corrente anno no qual o governador de Macau participa ter estabelecido a lotação das duas canhoneiras de vapor Camões e Príncipe D. Carlos e providenciado para que se as respectivas guarnições ha por bem o mesmo augusto Senhor approvar a portaria de 21 do referido mez de abril pela qual o dito governador fixou o quadro das guarnições duas canhoneiras do serviço de Macau o que se communica pela secretaria d'estado negocios da marinha e ultramar ao mencionado governador para seu conhecimento.
Paço em 3 de Julho de 1866. Visconde da Praia Grande
A Portaria
O governador de Macau determina o seguinte: Sendo necessario fixar os quadros das guarnições das duas canhoneiras a vapor do serviço d'esta provincia, a primeira das quaes Camões foi já recebida, e a segunda Principe D Carlos está quasi concluida, hei conveniente determinar que esses quadros sejam os seguintes: (...)
quinta-feira, 17 de abril de 2025
"Portos do Mar da China"
Colecção de 6 postais editados pelo Museu Marítimo de Macau na década 1990
Os postais ilustrados reproduzem pinturas da segunda metade do século 19 - propriedade da Marinha Portuguesa - de Macau (2), Hong Kong (1), Cantão (1), Boca Tigre (1) e Xangai (1).
segunda-feira, 28 de outubro de 2024
"Oficinas Navais de Macau: cem anos de construção e reparação naval"
A presença da Marinha portuguesa em Macau e o seu permanente envolvimento económico e administrativo na vida do Território sempre exigiu estruturas de terra capazes de apoiar a atividade no domínio marítimo. Assim, daquela necessidade, nasceram no final do século XIX as Oficinas navais de Macau, estruturas de apoio à pequena frota de embarcações da Capitania dos Portos e os navios da Marinha de Guerra em Comissão no Extremo Oriente.
"A partir da recolha de documentação dos arquivos da Capitania dos Portos e das Oficinas Navais de Macau, o autor traça a história de «Cem anos de construção e reparação naval», que se cruza com a história da Marinha e da presença portuguesa no Território, através de uma perspectiva metodológica que as ilumina mutuamente".
![]() |
Oficinas Navais de Macau: cem anos de construção e reparação naval Fernando David e Silva. Museu Marítimo de Macau, 1993 |
Fernando Alberto Carvalho David e Silva (n.1947) ingressou na Marinha em 1965 como Cadete da Escola Naval. Prestou serviço embarcado (1969-1976), no Corpo de Fuzileiros, Direcção do Serviço de Manutenção, Arsenal do Alfeite, Escola Naval, Oficinas Navais de Macau e de novo na Escola Naval. Promovido a contra-almirante em 2000, foi nomeado Director de Navios, cargo que exerceu até 2004. Entre 2004 e 2011, quando passou à situação de reforma, serviu na Superintendência do Serviço do Material, no Conselho Superior de Disciplina da Armada e como juiz-militar no Tribunal da Relação do Porto. É licenciado em História, mestre em História Marítima e doutor em História Contemporânea, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Curiosidade: a denominação original é oficina de máquinas da Doca D. Carlos I
![]() |
| Década 1960 |
![]() |
| Década 1950 |
sábado, 19 de outubro de 2024
Criação do Centro de Aviação Marítima
O Centro de Aviação Marítima foi criado para a Marinha Privativa de Macau através do Diploma Legislativo nº 22 (14.6.1928) publicado no Boletim Oficial a 14 Junho de 1928. Era governador Artur Tamagnini Barbosa. Este CAM seria extinto a 11 de Abril de 1933.
Nas imagens o diploma legislativo da criação do CAM e a localização do hangar na Baía de Nossa Senhora da Esperança - primeira imagem - na ilha da Taipa, em 1935 num levantamento feito pelas Obras Públicas e numa carta do Comando Militar datada de 1955.
quinta-feira, 17 de outubro de 2024
José Matias Cortes: 1944-2024
No mês em que nos deixou o capitão-de-mar-e-guerra José Matias Cortes (Escola Naval - Marinha de Guerra - classe de engenheiros maquinistas navais) aqui fica uma homenagem.
A primeira fotografia é das Oficinas Navais (das quais foi director) na entrada do Porto Interior. A segunda fotografia é da lorcha Macau a quem dedicou grande parte do seu tempo enquanto esteve ao serviço da Marinha portuguesa em Macau entre Agosto de 1984 e Agosto de 1989.
As fotografias abaixo foram gentilmente cedidas por Pedro Cortes, filho de José Matias Cortes
![]() |
| Com o governador Carlos Melancia |
![]() |
| Com Stanley Ho nas Oficinas Navais: A STDM (de Stanley Ho) e a Fund. Oriente pagaram a construção da lorcha |
![]() |
| No lançamento à água da barcaça Pontão em 1985 (então Capitão-Tenente) |
![]() |
| No lançamento da lancha Capitania |
![]() |
| No lançamento da Lorcha Macau ao fundo pode ver-se, entre outros, Monsenhor Manuel Teixeira |
Excertos de uma entrevista dada em 2010 ao blogue do Curso Miguel Corte Real, da Marinha de guerra Portuguesa, que José Matias Cortes frequentou. O tema da conversa foi a construção da lorcha Macau.
" (...) em Janeiro de 1987 começou-se a falar em Macau no âmbito dos Serviços de Marinha e da Direcção dos Serviços de Turismo em construir um navio que à semelhança duma réplica de uma caravela que por iniciativa dos emigrantes portugueses radicados na África do Sul de destinaria a comemorar o V Centenário da Passagem do Cabo da Boa Esperança que se comemoraria em 1988 a partir de Fevereiro na África do Sul, assinalasse a presença de Portugal em Macau e traduzisse de algum modo o panorama naval chinês que havia em Macau. (...)
A ideia era então construir uma embarcação que navegando a partir de Macau se juntasse à caravela (Bartolomeu Dias) na África do Sul. Essa ideia não foi considerada politicamente correcta mas pretendia-se construir uma embarcação que pudesse representar Macau no exterior e levasse uma imagem de marca de Portugal - uma embaixadora de Macau sobretudo na Ásia. O junco que com abundância navegava e navega nas águas do Sul da China não tinha nada de Portugal e por isso não foi considerado. Por outro lado as lorchas embora já em desuso nas águas do Sul da China tinham tido uma presença assinalável nos séculos anteriores e eram navios que tinham cascos baseados nas caravelas portuguesas e um aparelho vélico chinês. Havia assim uma mistura que juntava Portugal e a China. (...)
Foi-me então pedido que desenvolvesse os estudos necessários para construir nas Oficinas Navais de Macau uma lorcha que reunisse os requisitos que se pretendiam. É aqui que começa a minha intervenção. As dificuldades surgidas foram grandes porque quer em Macau, Hong-Kong ou no Sul da China (Cantão) não encontrei elementos desenhados construtivos, dado que os chineses que construíam estas embarcações (lorchas e juncos) não ficavam com grande parte dos desenhos de construção necessários e transmitiam os seus conhecimentos de pais para filhos cada um à sua maneira. Foi à custa de várias visitas a estaleiros tradicionais chineses que se foram colhendo os elementos construtivos necessários. (...)
Nas Oficinas tinha um desenhador projectista que com a ajuda dos mestres das minhas oficinas, sobretudo de carpintaria e caldeiraria naval desenhou os planos necessários à construção. A responsabilidade da coordenação de todos os elementos e a sua execução quer de modelos quer de peças montadas foi por mim assumida. Em Macau não havia engenheiros construtores navais. (...)
(A construção) Iniciou-se em 15 de Abril de 1987 a construção da lorcha. O casco foi construído num estaleiro de Coloane e o aprestamento e a fase final de construção foi feito nas Oficinas Navais de Macau. O navio foi lançado à água em 7 de Novembro de 1987 e concluído em 28 de Junho de 1988 (fez agora 22 anos).
(...) A réplica da lorcha seguiu na medida do possível os requisitos tradicionais mas teve que se adaptar às exigências de segurança e de conforto da época. Daí que dispusesse de equipamentos de navegação e comunicações modernos para a época e que por via das missões que lhe propunham atribuir foi motorizada com 2 motores de 300 HP cada. Não tinha assim a motor propulsão auxiliar, mas sim principal."
sábado, 6 de julho de 2024
Centenário do Clube Militar Naval
carimbo de "primeiro dia de circulação" - Honrai a Pátria
CTT Macau - 31.1.1967
terça-feira, 30 de abril de 2024
Corveta Estefânea
Este guache sobre papel é assinado por A. J. Pinto Basto e tem como legenda "Estefânea - Corveta saindo de Macau, 1885".
Trata-se do Capitão de fragata António Aluísio Jervis de Atouguia Ferreira Pinto Basto (1862- 1946), oficial da armada, amigo de infância do rei D. Carlos I (aprendeu a pintar com o mesmo mestre, o pintor aguarelista espanhol Enrique Casanova), de quem ajudante de campo e do seu sucessor, D. Manuel I.
Terceiro visconde de Atouguia era também monárquico e quando se deu a implantação da República em Outubro de 1910, comandava o cruzador S. Gabriel numa viagem de circum-navegação. Ao chegar a Portugal pediu a demissão da marinha e foi para a Empresa Nacional da Navegação onde esteve até à reforma.
sexta-feira, 12 de abril de 2024
"Portugal Buys British Planes"
A 16 de Dezembro de 1937 o jornal The Straits Times (Singapura) informava que Portugal comprara aviões ingleses* para uma "nova base naval em Macau".
"Portugal Buys British Planes - Arming New Air Base At Macao.
Lisbon, Dec. 15
Wing-Comdr Jose Cabral** left for London by air today to take delivery of a number of seaplanes bought by the Portuguese Government from Great Britain. They will be sent to the new Portuguese air base at Macao. Reuter"
* Referência aos Hawker Osprey (na imagem)
** José Cabral foi comandante da Aviação Naval de Macau cujo centro foi inaugurado em 1927 (na Taipa), era na altura 1º tenente-aviador. O CAN seria desactivado em 1933 e reactivado em 1937/38. Esta reactivação deveu-se à invasão da China pelo Japão. Ao todo foram adquiridos a Inglaterra seis aviões que seriam transportados para Macau pelos navios da marinha portuguesa, Afonso de Albuquerque e Bartolomeu Dias.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


























