quinta-feira, 3 de abril de 2025

Núcleo museológico do "Posto do Guarda-Nocturno"

Fora da chamada 'cidade cristã', e em direcção à Porta do Limite, ou do Cerco, ficava uma vasta zona de várzeas e hortas e alguns povoados chineses sendo os mais importantes, as aldeias de Mong-Ha (nordeste), e a de Patane (noroeste), muito próximo da então denominada Porta de Santo António (já desactivada em 1868) - e da igreja com o mesmo nome, situada na muralha que circundava a cidade. Junto ao Porto Interior, existiam ainda San Kiu e Sa Cong. Desses tempos antigos pouco resta. Para além de um conjunto de edifícios com arcadas térreas na rua da Ribeira do Patane, pode ainda ver-se, por exemplo, o pequeno edifício que era o posto do guarda nocturno (na rua da Palmeira, junto ao Templo de Tou Tei) e que em 2015 foi transformado num pequeno museu. Em 1867 existiam 96 guardas-nocturnos que para além da manutenção da ordem pública e da ajuda no combate a incêndios, ainda informavam as horas, transportando gongos ou chocalhos de bambu que faziam soar em cada um dos cinco períodos nocturnos.
Posto do Guarda-nocturno (museu): Rua da Palmeira

Bento da França escreve descreve assim a zona em "Macau e os seus Habitantes (1897):
"As tres restantes povoações são a do Patane, a de Mong há e a de S Lazaro. A do Patane é de todas cinco a mais importante, já pela industria fabril, já pelo seu commercio, principalmente em madeiras de construcção. Fica no littoral do porto interior na especie de cotovello que a peninsula faz ao formar a enseada da ilha Verde terminando onde começa a Mong há. A povoação de Patane tem hoje tomado tão grande desenvolvimento; são tantos n'ella os estaleiros e estancias de madeira que se póde considerar dividida em tres povoações: a saber, Patane, propriamente dita, bairro hoje a bem dizer urbano, San kiu e Sa cong, povoações ruraes e piscatorias. É entre o Patane e Mong ha que predominam as hortas e as varzeas. A antiga povoação de S Lazaro, hoje encorporada na cidade, está na continuação da parte christă e é o recinto habitado pelos chins que têem abraçado a nossa religião. De todas estas povoações a mais insignificante é a do Tanque do Mainato onde pouca industria e nenhum commercio ha. Entre o Patane e Mong ha, povoações que se dilatam até ao isthmo, existem diversas hortas nas quaes se encontram algumas centenas de cabanas humildes e choças habitadas por agricultores e mendigos. Grande parte d'essas hortas pertencem a Patane e Mong ha."
Em 1869 foram baptizadas uma série de ruas tendo a lista – que se admite ser o primeiro cadastro toponímico oficial – sido publicada no Boletim Oficial de Julho e Agosto desse ano. Ao todo inventariaram-se 529 “vias públicas”, divididas pela “cidade cristã” (175), Bazar (89), Patane (83), S. Lázaro (55), Long Tin Chun (24), Barra (22), Penha e Tanque Mainato (14), Tap Seac (5), etc.

O núcleo museológico do Posto do Guarda-Nocturno/沙梨頭更館 foi criado em 2015. Segundo o ICM a "exposição abrange dois temas, nomeadamente os vários postos dos guardas-nocturnos existentes em Macau e a profissão de guarda-nocturno em si. Através de fotografias históricas, da mostra de objectos, da própria arquitectura do posto do guarda-nocturno após o restauro, assim como de ilustrações feitas por um artista, a exposição dá a conhecer o estatuto desta energética ocupação e a sua transformação e evolução."

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Roman Catholic churchs

Uma edição do Chinese Repository de 1831 refere que Macau tem 12 igrejas católicas, quatro ou cinco capelas e cerca de 35 padres europeus: 
"Macao possessed twelve Romish Churches four or five Chapels and about 35 European priests."
Penha

Sé Catedral

S. Domingos

S. Domingos

S. Domingos

Seminário s. José

"The Roman Catholic churches in this city are numerous and some are magnificent specimens of architecture; the finest edifice among them was the Jesuits church or cathedral which was destroyed by fire some few years ago. (...) Besides numerous churches there are three monasteries, a convent, a college for the instruction of the Portuguese or proselytes from the Chinese nation who profess to have embraced the Roman Catholic religion. (...)"
in "China and the Chinese", Henry Charles Sirr, 1849

"As igrejas católicas romanas nesta cidade são numerosas e algumas são magníficos exemplares de arquitectura; o melhor edifício foi a igreja ou catedral dos jesuítas, destruída por um incêndio há alguns anos. (...) Além de inúmeras igrejas, há três mosteiros, um convento, um colégio para a instrução dos portugueses ou prosélitos da nação chinesa que professam ter abraçado a religião católica romana. (...)"
S. Lourenço

As imagens são postais publicados na década 1980 pelo ICM.

terça-feira, 1 de abril de 2025

RC nº76 – Edição Internacional/International Edition

A edição nº 76 da Revista de Cultura – Edição Internacional está disponível desde Janeiro último e é dedicada ao 250.º Aniversário do Nascimento de George Chinnery. A efeméride assinalou-se o ano passado. Este ano, assinalam-se os 200 anos da chegada do pintor inglês a Macau.
Entre os vários artigos sobre o tema destaco o de Patrick Conner que aborda as obras de Chinnery expostas no Victoria & Albert Museum, em Londres, instituição com uma das maiores colecções do pintor inglês; e o de minha autoria, intitulado "Testemunhos dos seus conhecidos" - o único em português nesta edição - onde, com recurso a testemunhos de quem o conheceu, se apresenta uma retrato físico e psicológico do artista britânico, autor de algumas das mais notáveis pinturas de paisagens e retratos de habitantes da região, durante a primeira metade do século XIX.
Fundada em 1987 a Revista de Cultura é actualmente uma publicação do Instituto Cultural, editada pelo Centro de Estudos de Macau da Universidade de Macau. Destaca-se não só pela qualidade dos conteúdos como também do excelente design gráfico, marcas que mantém desde a fundação.