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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

"Nova Paderia Nacional" em 1873

Em Outubro de 1873 surgia em Macau uma "Nova Paderia Nacional". O proprietário J. Bernardino publica este anúncio onde informa que "Sob esta denominação o abaixo assignado abre no dia 1 de novembro proximo a sua paderia, para a qual pede uma parte do patrocinio publico. O abaixo assignado, tendo no seu serviço empregados de reconhecida aptidão e experiencia, e empregando a melhor farinha americana na confeição de tudo que sae de seu novo estabelecimento, espera deixar satisfeitos aos que o queiram honrar com a sua freguezia. A Nova Paderia Nacional acha-se estabelecida nas cazas n.ºˢ 15 e 17 sitas na rua d'Albarda, a S. Lourenço."
A referida rua há muito que não existe... A Freguesia de São Lourenço, na zona sul/sudoeste da península era historicamente residencial e comercial, habitada por muitas famílias de matriz portuguesa e burguesia comercial, incluindo comerciantes estrangeiros o que justificaria a abertura de uma padaria de estilo ocidental neste perímetro.
Note-se o uso de "paderia" em vez de "padaria", uma variante comum no português oitocentista. O mesmo se aplica a palavras como "assignado", "confeição" (confecção), "sae" (sai), "cazas" (casas) e o acento agudo em "Macáo".

Anúncio publicado no jornal O Independente

domingo, 26 de julho de 2026

Uma caso de polícia em 1910

Prisão importante
Foi preso na tarde de domingo findo, em Macau, Antoine Rogazzacci, que dizem ser subdito francez, acusado de, por meio de ameaça á mão armada, ter obrigado o gerente do hotel Boa Vista, o sr. A. Vernon, a passar-lhe um vale na importancia de $10.000, pagavel á vista em Hongkong.
Sobre o caso forneceu-nos um dos empregados do hotel Boa Vista os seguintes informes:
Na noite de 18 de agosto findo, dois dias depois de se alojar no hotel, Rogazzacci, tendo entrado, de revolver em punho, no quarto do sr. Vernon, exigiu que este lhe passasse um vale na importancia de $10.000, cobravel na missão franceza de Hongkong.
Munido d’esse documento, seguiu Rogazzacci na manhã imediata para Hongkong, sem, comtudo, ter ali conseguido resultado algum, porquanto o sr. Vernon tinha telegrafado para a missão franceza, recomendando que se não efectuasse o pagamento; embarcando de tarde para aquella colonia, afim de ratificar pessoalmente o seu telegrama e narrar pormenorizadamente o sucedido.
Rogazzacci voltou no dia 19 de agosto a esta cidade, e, como não tivesse encontrado o sr. Vernon, embarcou novamente no dia imediato para Hongkong, d'onde, á mesma hora da manhã, regressava o sr. Vernon.
Irritado e contrafeito por esse desencontro, Rogazzacci escreveu ao sr. Vernon, dizendo que o seu revolver, que não tinha sido usado na noite de 18, serviria na primeira oportunidade em que elle, sr. Vernon, fosse encontrado.
Informada a policia do caso, foi por muitos dias vigiada a chegada de todos os vapores da carreira, vindo finalmente Rogazzacci a ser preso, na tarde do ultimo domingo, 4 do corrente, proximo da estação da Rua da Felicidade, a requisição do sr. Xavier, runner do referido hotel, depois de o mesmo Rogazzacci ter desembarcado do vapor Hoi-sang, da carreira de Cantão.
Ao efectuar-se a prisão, foi encontrado em poder do preso um revolver.
Rogazzacci foi remetido na terça-feira ao tribunal judicial, onde se está preparando o competente processo crime.
in jornal A Verdade 8.9.1910

terça-feira, 21 de julho de 2026

Antigo Tribunal volta a ser Tribunal

Numa altura em que foi anunciado que no final deste mês o Tribunal de Última Instância  da RAEM passará a funcionar na Avenida da Praia Grande, n.º 459, recordo alguns pormenores sobre o edifício que remonta a 1951 e onde nessa época funcionou um tribunal.
Após o final das obras em 1951

O edifício foi projectado pelo arquitecto António Lei em 1949 sendo uma obra de referência do estilo modernista clássico em Macau. As características arquitectónicas principais incluem: uma fachada simétrica de grandes dimensões e quatro colunas jónicas.
Constituído por três pisos começou por albergar as repartições de finanças, registos e administração civil. Foi ainda Tribunal Judicial da Comarca. No pós 1999 e após muitos anos de abandono sofreu obras e no piso térreo realizaram-se várias exposições.

Ca. 1955 já com a Estátua de Jorge Álvares em frente
Sensivelmente a mesma perspectiva mas no séc. 21

Excertos do jornal Notícias de Macau a 21.6.1952:
"(...) Visita ao Palácio das Repartições
Pelas 10.15 horas, o Sr. Ministro do Ultramar, acompanhado do Sr. Governador da Província, visitou o Palácio das Repartições Públicas, em cujo rés-do-chão se encontram instalados os Serviços de Fazenda e Contabilidade, no primeiro andar os Serviços de Justiça e, no segundo, os Serviços de Administração Civil, a Administração do Concelho e o Tribunal Administrativo.
Os Srs. Comandante Sarmento Rodrigues e Marques Esparteiro foram recebidos, à entrada do imponente edifício, por várias altas individualidades, civis, militares e eclesiásticas e Chefe dos Serviços ali estabelecidos, cujas dependências Suas Exas. visitaram com interesse, tendo para com todos os funcionários, indistintamente, palavras amáveis.
O ilustre Titular da Pasta do Ultramar a todos impressionou com a captivante simpatia da sua pessoa e trato lhano.
A inauguração do Tribunal Judicial da Comarca
Finda a visita ao Palácio das Repartições, o Sr. Ministro do Ultramar, acompanhado do Sr. Governador da Província e outras altas individualidades, dirigiu-se ao primeiro andar, afim de inaugurar as novas instalações do Tribunal Judicial da Comarca, onde já se encontravam outras entidades, distintas senhoras, e numeroso público. (...)"
Fachada do edifício após 1999 tendo sido retirados a inscrição em numeração romana de 1951 e o escudo de Portugal.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

"Luto na Colónia"

Na sequência da morte do governador Tamagnini Barbosa a 10 de Julho de 1940, nesse dia e no seguinte, foram proibidos "divertimentos" em hotéis, restaurantes, casas de espectáculos e outros lugares". No jornal A Pátria de 10 de Julho uma pequena notícia refere o "Luto na Colónia:
"Por virtude do luto determinado pelo Govêrno da Colónia pelo falecimento de S. Exa. o Governador, os proprietarios e gerentes de hoteis, restaurantes*, casas de espectaculos e outros lugares onde se realizam divertimentos publicos, foram avisados de que, sob pena de desobediencia aos mandados da autoridade, hoje e amanhã, 10 e 11 do corrente mês, não são permitidos quaisquer divertimentos que nêsses estabelecimentos é costume realizar. A este respeito foi publicado um Edital da Administração do Concelho."

No dia seguinte à morte o jornal A Pátria não se publicou. No dia 10, os cinemas Vitória, Capitol e Apollo, que já tinham contratos de publicidade publicando regularmente anúncios viram os anúncios dos filmes 'cortados'.

O funeral realizou-se a 11 de Julho. No dia 10 o jornal A Pátria antecipava o programa das cerimónias fúnebres:
Nos actos funebres para o funeral de S. Exa. o Governador Artur Tamagnini de Sousa Barbosa, Sua Exa. o Encarregado do Governo determinou que se observe o cerimonial seguinte:
O cadáver de Sua Exa. o Governador ficará exposto no salão nobre do Leal Senado da Camara de Macau a pedido do povo desta cidade, feito ao Govêrno da Colonia por intermédio da Vereação, desde hoje, 10, até á saída do funeral, sendo o ataúde conduzido e colocado na eça pelos Vogais do Conselho do Govêrno.
O cadáver emquanto estiver em câmara ardente será velado por turnos organizados pelo Chefe da Repartição Central dos Serviços de Administração Civil e Chefe do Estado Maior, incumbidos de dirigir os funerais.
Amanhã, ás 11 horas, deverá ter lugar o funeral, que sairá do edificio do Leal Senado da Câmara de Macau para a Sé Catedral, onde o féretro ficará depositado até seguir para a Metrópole, sendo a chave da urna funerária entregue ao Sr. Encarregado do Govêrno.
Toda a fôrça armada disponivel formará em alas nas ruas por onde passar o cortejo fúnebre.
Uma bateria de artilharia achar-se-á postada nos terrenos do Pôrto Exterior a fim de dar a salva da ordenança, de 21 tiros.
Durante o dia de hoje e amanhã a Fortaleza do Monte dará um tiro de peça de meia em meia hora, desde as 8 ás 19 horas.
Durante os mesmos dias a bandeira Nacional será colocada a meia adriça, em todos os edificios públicos.
Durante 2 dias, a contar de hoje, é suspenso o serviço em todas as Repartições públicas dependentes do Govêrno, exceptuando aquelas em que o serviço pela sua natureza, não possa ser interrompido; ficam proibidos todos os espectaculos ou divertimentos públicos durante os referidos dias, ordenando as autoridades todas as demonstrações que costumam praticar-se em ocasiões semelhantes.
O funeral de S. Exa. é feito por conta do Estado."

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Companhia "Tai-Sang" dos vapores de carreira Macau-Hongkong

Anúncio de 1939 da Companhia "Tai-Sang" - 泰商 - dos vapores de carreira Macau-Hongkong.
Companhia "Tai-Sang" dos vapores de carreira Macau-Hongkong

Os vapôres "Kau-Tung" e "Macau", com explendidas acomodações, dotados com as mais aperfeiçoadas e higienicas acomodações e tendo um pessoal esmerado fazem as carreiras entre esta cidade e Hongkong, com o seguinte horario, e por preços muito convidativos:

Vapor "Macau"
De Hongkong para Macau Ás 8.15 horas
De Macau para Hongkong Ás 16 horas.

Vapor "Kau-Tung"
De Hongkong para Macau Ás 14,30 horas.
De Macau para HongkongÁs 3.30 horas da madrugada

1a. classe = $3.00; ida e volta = $5.00; 2a. classe = $2.00; 3a. classe = $1.40.
Os passageiros do deck pagam $0,70, e no porão $0,30.

As passagens de Macau para Hongkong são pagas em notas chinêzas só nas 2a., 3a. classes e no porão, e de Hongkong para Macau em notas europeias.

Quaisquer informações são prestadas pelo telefone No. 2353 a bordo dos referidos vapores,ou pelo telefone da Companhia "Tai-Sang", No. 973, Avenida Almeida Ribeiro (Hotel Central, 1.º andar)


Um dos vapores da empresa na ponte-cais nº10

Os vapores Macau (澳門) e Kau-Tung (九江) eram gémes. Foram construídos em 1903 e tinham1.665 toneladas. Transportavam carga e centenas de passageiros, incluindo no "porão", o bilhete com o preço mais baixo.
Note-se a regra de pagamento: passagens baratas podiam ser pagas em "notas chinesas" (da província de Guangdong), mas as classes altas ou viagens a partir de Hong Kong exigiam "notas europeias" (como os dólares de Hong Kong emitidos por bancos britânicos ou as patacas de Macau), reflectindo a complexidade monetária da região antes e durante a Segunda Guerra Mundial.
A empresa tinha o escritório no 1º andar do Hotel Central.

domingo, 5 de julho de 2026

"Casa e Cêrca do Sr. Lourenço Marques"

C. J. Caldeira assina um artigo sobre Macau na edição nº8 de 1864 do "Archivo Pittoresco: semanario illustrado" (Portugal). É acompanhado de uma gravura da autoria de João Pedrozo com a legenda "Casa e Cêrca do Sr. Lourenço Marques".
"A estampa representa a casa e cêrca do sr. Lourenço Marques, em Macau, na qual está a celebre gruta de Camões. O mirante que a corôa divisa-se por entre o arvoredo acima da casa que tem frontão triangular, que é a da residencia do proprietario, cercada de jardins, horta e bosque, que a tornam uma das mais pitorescas da cidade, como se póde julgar pelo desenho.
Ao lado direito se vê parte da povoação chineza de Patane, já fóra dos muros da cidade, proxima da porta de Santo Antonio e da egreja e freguezia da mesma invocação, que ficam na parte occulta á esquerda do espectador.
A casa vasta e elegante, que está á esquerda do desenho, pertence e é occupada por irmãos e outros parentes do mesmo sr. Marques, e foi habitação de seu pae. Atraz d'esta divisam-se em grupo os mastros e velas de algumas embarcações chinezas, que costumam fundear proximo á povoação de Patane, ao sopé do monticulo, e que o circunda quasi todo.
O fundo representa o porto interior de Macau, vendo-se sobre a esquerda a ilha da Lapa, antigamente denominada dos Padres, e mais ao longe as alturas da chamada ilha, ou antes peninsula Heang-shan, d'onde corre um canal ou pequeno braço do rio de Cantão, denominado Passagem de Macau, que vem desembocar no dito porto interior. (...)"
A personagem referida é Lourenço Maria Pereira Marques (1852-1911). Um dos 10 filhos do comendador Lourenço Caetano Marques (1811-1902) e Maria Ana Josefa Cortela Pereira (1825-1901) - que era prima - tendo casado a 7 de Agosto de 1838 tendo ela apenas 13 anos.
Esta era filha de Manuel Pereira, o proprietário da referida casa construída ca. de 1770. Casaram em 1838 pouco tempo depois dos ingleses da EIC terem saído de Macau e daquela propriedade que arrendaram entre 1780 e 1838.
Lourenço Pereira Marques, tal como os irmãos, nasceu na propriedade representada na ilustração. Estudou no Seminário de S. José de Macau e depois foi estudar para Lisboa. Fez a Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e depois ingressou na Universidade de Dublin graduando-se em 1877 no College of Physicians and Surgeons e em 1881 no Royal College of Physicians". Fez ainda estágios em hospitais em Londres e em Paris antes de regressar a Macau. No final do século 19 estabelece-se em Hong Kong onde chega a dar aulas a Sun Iat Sen...
Dará um contributo decisivo para o que hoje se conhece como gruta de Camões, nomeadamente mandando construir um busto do poeta.
Em 1885 o governo de Macau comprou a propriedade que pouco depois transformou em jardim público, situação que ainda hoje se mantém.
O médico macaense viria a aposentar-se em 1895 em Hong Kong e regressou a Macau passando a a dar consultas médicas gratuitas à população mais carenciada.
Dono de uma erudição invulgar, reuniu uma vasta coleção de arte chinesa. Em 1899, doou cerca de mil objectos etnográficos e históricos à Sociedade de Geografia de Lisboa. Morreu em 1911 com apenas 59 anos na sua casa sita no Largo de Camões (junto à Casa Garden, portanto). Tal como o irmão nunca chegou a casar. Na toponímia macaense existe a Rua do Dr. Lourenço Pereira Marques (比厘喇馬忌士街)  - no Porto Interior - em sua homenagem.
Dez anos passado sobre a referida ilustração, em 1874, Macau é assolado por um tufão que deixa uma rasto destruição imenso. A fotografia acima - provavelmente da autoria de Lai Afong - documenta os efeitos na igreja de Santo António e num edifício que Caldeira descreve no artigo de 1864. (assinalei a vermelho). Terá sido demolido posteriormente. Quando o governo de Macau compra a propriedade em 1885 e transforma o espaço num jardim público este edifício já não aparece. Corresponde ao actual Largo/Praça de Camões, à entrada do jardim tendo do lado direito o acesso à chamada Casa Garden.
O edifício denominado Casa Garden remonta a ca. de 1770. Em 1794 é abundantemente registado na primeira embaixada de Inglaterra à China. Por essa altura já o edifício e propriedade envolvente tinha sido arrendado à East India Company que ali colocara a morar os mais altos quadros da EIC. Os restantes viviam em também edifícios arrendados na Praia Grande.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

"Viúvo macaense" procura "solteira ou viúva não menos de 25 anos"

Na edição de 1 de Novembro de 1919 do jornal O Macaense é publicado este anúncio:
VIUVO MACAENSE, empregado no commercio em Shanghai, salario $350 mensais, achando-se inabilitado de visitar Macau, deseja corresponder com uma solteira ou viuva não menos de 25 anos de idade, natural de Macau, com o fim de matrimonio. Dirigir-se inclusando fotografia a “VIUVO” c/o. British P. O. Box 162, Shanghai.
Na época o "casamento por correspondência" (antecessor dos modernos sites de encontros) era uma ferramenta legítima e comum para quem queria casar dentro do seu grupo étnico/cultural mas vivia longe da terra natal.
Em Xangai existia uma importante comunidade macaense: empregados no comércio, tradutores, escriturários, bancários, etc... O valor do salário era considerado bastante acima da média na época.

sábado, 20 de junho de 2026

"Banhos de mar" há um século

Na edição de 23 de Junho de 1926 o jornal "A Pátria" noticiava a instalação de "barracas de banho" no istmo da Ilha Verde.

Banhos de mar
Por iniciativa da Direcção do Clube de Macau, foram levantadas no istmo da Ilha Verde algumas barracas de banho de que se poderão servir os sócios que desejem exercitar-se na arte natatória. O local que nas marés cheias chega a atingir a altura de 6 metros presta-se admiravelmente para êsse fim. Ao lado das barracas foram dispostas algumas mesas e cadeiras que poderão vir a servir para jogar, tomar chá ou refrescos, etc..
O bar instalado provisoriamente na barraca terá instalações melhores se os sócios com a sua presença tornarem o local mais animado. É de esperar, pois, que os sócios e suas famílias aí acorram a passar um bocado da tarde para que se não diga que em Macau tôdas as boas iniciativas morrem.
Na época existia outra 'zona balnear' na Areia Preta. Uma notícia do mesmo jornal a 25 de Julho de 1927 refere:
Praia de banhos
Tem estado cada vez mais concorrida a praia de banhos da Areia Preta, achando-se já ali construidas várias barracas de vários clubes e de famílias particulares, vendo-se tôdas as manhãs e tardes cavalheiros e senhoras praticando o bom exercício de natação.
Informam-nos que com isto muito vêm a perder as mesas do jogo predilecto "ma-cheok".

sexta-feira, 19 de junho de 2026

"Bebida para o Verão"

No Verão de 1933 uma das cervejas que se podia beber em Macau era a Dreher Trieste. Havia ainda a Sakura, Asahi, etc...
DREHER BEER
Cerveja italiana
A melhor qualidade de bebida para verão
À venda nas lojas:«Tai Song Lee» e «Macao Store»
Unicos Agentes:The Italian Agency 
2, Connaught Road Central, HONGKONG

O rótulo da garrafa no anúncio apresenta a inscrição "Dreher Beer" e indica a sua origem em "Trieste", a cidade italiana onde a marca se estabeleceu a partir de 1869. Contudo as origens da Dreher remontam ao final do século XVIII e estão profundamente ligadas à própria evolução das cervejas modernas do tipo lager na Europa Central. Em 1796 Franz Anton Dreher - mestre cervejeiro de origem suábia - adquiriu a pequena cervejaria Klein-Schwechat, localizada perto de Viena de Áustria.
Em 1841 o seu filho, Anton Dreher, assumiu o negócio e revolucionou a indústria mundial. Após viajar e estudar técnicas em Inglaterra e na Alemanha, combinou o método britânico de maltagem com a levedura de baixa fermentação. O resultado foi a criação da Vienna Lager, a primeira cerveja lager clara e brilhante do mundo, o que lhe valeu o título de "Rei da Cerveja".
Devido ao enorme sucesso e à necessidade de expandir a produção, em 1862 Anton Dreher comprou uma cervejaria no distrito de Kőbánya, em Budapeste. A excelente qualidade da água subterrânea daquela região húngara permitiu consolidar a Dreher como uma das maiores produtoras de cerveja do Império Austro-Húngaro.
Em 1869 o filho de Anton Dreher (Anton Dreher Jr.) expandiu o império familiar em direcção ao mar Adriático, comprando uma cervejaria na cidade portuária de Trieste (a do rótulo). Trieste pertencia ao Império Austro-Húngaro na altura, mas viria a integrar o território italiano após a Primeira Guerra Mundial.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Comemorações do Dia de Portugal em 1956

O DIA DE PORTUGAL foi assinalado nesta Província com várias festividades entre as quais GRANDIOSO DESFILE MILITAR, eloquente romagem à gruta de Camões E SESSÃO CULTURAL NO TEATRO D. PEDRO V
a todas presidindo Sua Exa. o Governador da Província ALMIRANTE JOAQUIM MARQUES ESPARTEIRO

O Dia de Portugal revestiu-se, este ano, de grande esplendor. Quer no Portugal metropolitano quer no Portugal ultramarino como nos agregados portugueses no estrangeiro, o Dia de Portugal foi comemorado, por ser consagrado à lusitanidade espalhada pelo mundo e, também, em homenagem a Camões esse imortal cantor das glórias nacionais, no dia do aniversário do seu falecimento.
Prestaram, assim os portugueses, no mundo a mais eloquente e mais patriótica homenagem ao poeta máximo da Lusitanidade e, especialmente, nesta terra, onde segundo reza a tradição Camões escreveu parte do seu imortal poema — os Lusíadas.
O programa das grandiosas festividades do dia 10 foi rigorosamente cumprido, tendo presidido a todas S. Exa. o Governador da Província Almirante Joaquim Marques Esparteiro.
O dia 10 de Junho foi de sol radioso e temperatura amena, associando-se assim o tempo a tão esplendorosa homenagem, dando-lhe maior brilho.
Amanheceu e ao som dos clarins em marchas de continência ergueu-se no topo dos mastros dos quartéis e fortalezas a Bandeira Nacional. Em todos os edifícios públicos foi também hasteada a Bandeira de Portugal.

A parada militar
O desfile de forças militares e militarizadas, em parada, é sempre um espectáculo grandioso que faz vibrar os corações portugueses pois, isso basta para, em pensamento, evocar esses heróis que outrora em "perigos e guerras esforçados" deram novos mundos ao mundo, levando a bandeira portuguesa às mais longínquas paragens. E os soldados que vemos agora marchar são descendentes desses portugueses que Camões cantou nos poemas mais belos que, no dizer dum distinto escritor, por si só, vale uma literatura inteira.
A parada militar estava anunciada para às 10 horas. Mas, muito antes, milhares de pessoas ocupavam lugares ao longo do trajecto anunciado para o desfile.
Nas proximidades do Palácio do Governo da Praia Grande, em talhados especiais, tomaram lugar funcionários civis e militares, comerciantes, clero, escolas portuguesas e chinesas e os seus professores, colégios, praças do exército e da armada, etc..
Na varanda do rés-do-chão do Palácio assistiram ao desfile, a convite do governo, o Conselho do Governo, Corpo Consular, Chefes de Serviços, membros dos mais categorizados da comunidade chinesa e estrangeira, e oficiais do Exército e da Armada. Nas varandas superiores, a Exma. Sra. Dra. Da. Laurinda Marques Esparteiro e muitas outras senhoras portuguesas, chinesas e estrangeiras.
Em frente ao Palácio erguia-se a tribuna de honra decorada com as cores nacionais e vasos com viçosos arbustos. À esquerda da tribuna estava formada a guarda de honra que era constituída por um grupo de castelos da Mocidade Portuguesa com bandeira e banda de música, sob o comando de Franklin Barnes. Em frente da guarda de honra estava formada a guarda de honra da banda Musical da Polícia de Segurança Pública com o vistoso fardamento de gala, capacete e dólman branco e calça azul escuro.
Poucos minutos antes das 10 horas estavam formadas alas compactas de povo ao longo da Rua da Praia Grande e imediações, que a Polícia de Trânsito, superiormente dirigida pelo sr. tenente Henrique Fontes, auxiliado por chefes e subchefes, continha o povo dentro dos lugares marcados, a fim de não estorvar o desfile.
Momentos depois um breve toque de clarim e a introdução do Hino Nacional anunciaram a chegada de Sua Exa. o Governador da Província Almirante Joaquim Marques Esparteiro, que vinha acompanhado de seu ajudante de campo sr. capitão José Vaz Dias da Silva. Sua Exa. envergava o uniforme branco de almirante, ostentando a banda de seda verde, insígnia da grã-cruz de Ordem Militar de Avis.
Acompanhado agora pelo Comissário Provincial da Mocidade Portuguesa sr. Intendente José Peile da Costa Pereira, Sua Exa. o Governador passou revista à guarda de honra, dirigindo-se depois à tribuna, onde assistiu ao desfile, ladeado pelos srs. Brigadeiro João Carlos Quinhones Portugal da Silveira, Comandante Militar da Província e capitão-de-fragata José Coutinho Garrido, Capitão dos Portos. Na mesma tribuna assistiram ao desfile os srs. Dr. Edmundo de Senna Fernandes, Juiz da Comarca, substituto, e D. Policarpo da Costa Vaz, Bispo da Diocese, ajudantes e secretário.
A's 10.05 horas chegou um carro militar do qual se apeou o comandante das forças em parada, tenente-coronel Silva Carvalho, pedindo licença para se iniciar o desfile, ordem que foi imediatamente transmitida por uma estafeta-motociclista.
As forças em parada desfilaram pela seguinte ordem: Bandeira Nacional, coluna apoiada sob o comando do sr. major Marques de Carvalho, banda de corneteiros, comando da coluna apeada, batalhão de caçadores 1, a três companhias de atiradores sob o comando do sr. capitão Veiga, batalhão de caçadores 2, a quatro companhias de atiradores sob o comando do sr. capitão Cambraia Duarte, companhia independente de caçadores, uma companhia de atiradores sob o comando do sr. capitão Tamegão.
Seguiu-se a coluna motorizada sob o comando do sr. major Barata da Cruz, constituído pelo comando da coluna, 1 pelotão de canhões anti-carro e o agrupamento de baterias de artilharia; 1 bateria de artilharia ligeira 8,8 sob o comando do sr. capitão Mendes, uma bateria de artilharia anti-aérea de 4 e uma bateria de artilharia anti-aérea de 7,5.
Desfilou depois o esquadrão de cavalaria motorizado com dois pelotões de reconhecimento e um pelotão auto-transportado; uma companhia de engenharia com um pelotão de sapadores e um pelotão de transmissões, comandadas, respectivamente, pelos srs. capitães Abrantes da Silva e Mesquita Borges, fechando o desfile das forças militares com um destacamento sanitário e uma equipa de desempenagem.

As forças militarizadas desfilaram pela seguinte ordem:
Uma coluna apeada das forças da polícia marítima, a um pelotão, sob o comando do sr. chefe Luz, uma coluna apeada da polícia de segurança pública, a uma companhia a quatro pelotões, sob o comando do sr. tenente Correia Marques, uma coluna motorizada, com um pelotão de motos e viaturas especiais, sob o comando do sr. tenente Palma Viçoso.
Fechava o desfile uma coluna motorizada de viaturas especiais dos bombeiros municipais, sob o comando do sr. ajudante Assis.
Por último desfilou a guarda de honra da Mocidade Portuguesa e a banda musical da polícia de segurança pública.

A patriótica romagem à Gruta de Camões
Finda a parada, as mesmas entidades que referimos e milhares de pessoas acorreram ao velho jardim de Camões, onde se ergue a secular gruta, um altar evocativo do grande Vate, nestas longínquas paragens onde a velha lenda afirma, que Camões escreveu parte do seu poema e o formoso soneto "Alma minha gentil". Muito antes das 11 horas, já se encontravam no jardim milhares de crianças e jovens do liceu, das escolas secundárias e primárias católicas portuguesas e chinesas, com os seus estandartes e muitos jovens, de ambos os sexos, sobraçando viçosos ramos de flores naturais. Acompanhavam-nos os seus professores, padres, leigos e religiosas de vários colégios da colónia.
O jardim sempre belo, estava mais florido naquela manhã de sol.
A chegada de Sua Exa. o Governador da Província, as escolas saudaram o primeiro magistrado, que se dirigiu para a tribuna erguida em frente do busto de Camões, assistindo à cerimónia evocativa do aniversário da morte do poeta, ladeado pelos srs. José Peile da Costa Pereira, Comissário Provincial da Mocidade Portuguesa e António de Magalhães Coutinho, Presidente do Leal Senado da Câmara. Por detrás e ao lado, em lugares especiais, o Prelado da Diocese, o Juiz da comarca, Comandante Militar, a esposa de Sua Exa. o Governador, outras senhoras portuguesas e estrangeiras e chinesas, individualidades mais representativas da província, e oficiais do exército e da marinha. Flutuavam na tribuna, ao centro, a Bandeira Nacional e dos lados os pavilhões de Nuno Álvares, da Mocidade Portuguesa e do Governador da Província.
Proferiu uma alocução interessante, oportuna e repassada de patriotismo, o sr. António Augusto da Canhota, professor da escola comercial "Pedro Nolasco da Silva" alocução a que se podia chamar, com mais propriedade "conferência", pelo que a publicaremos na íntegra, oportunamente.
Portugal vive integralmente nos "Lusíadas"
— disse o orador
Seguiu-se uma palestra em língua chinesa, dirigida aos jovens das escolas chinesas, alusiva a Camões, pelo rev. Padre Lei Chông U, director da escola secundária chinesa "Mong Tak".
Findas as palestras, Sua Exa. o Governador e comitiva, dirigiu-se para o lado esquerdo da gruta, assistindo ao desfile da Mocidade Portuguesa, dos jovens estudantes de ambos os sexos, das crianças das escolas primárias portuguesas e chinesas que depunham flores junto do busto, flores naturais, viçosas e lindas, em homenagem ao grande poeta Camões — edificante exemplo de respeito e veneração pelo grande português, de portugueses e chineses, de muçulmanos e caenses, irmanados no mesmo fervor espiritual e profundo respeito por Portugal eterno.
Era meio dia quando se ouviu o primeiro tiro de canhão, da salva de 21 tiros que a fortaleza do Monte disparou assinalando nestas paragens o Dia de Portugal.

A recepção e cumprimentos no Palácio do Governo da Praia Grande
Foi cerca das 12,30 horas, que se aglomeraram inúmeras pessoas no átrio do Palácio, a fim de apresentar cumprimentos a Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa, na pessoa do seu legítimo representante em Macau, Sua Exa. o Governador da Província Almirante Joaquim Marques Esparteiro.
De acordo com o protocolo desta cerimónia, foi feita a chamada das entidades indicadas na Reforma de Administração Ultramarina, pelo sr. tenente Lopes da Costa, oficial às ordens de Sua Exa. o Governador. E além dessas entidades, funcionalismo, oficialidade do exército e da armada, apresentaram cumprimentos membros dos mais categorizados da comunidade chinesa, associações, comerciantes, industriais, médicos, engenheiros, advogados, e inúmeras pessoas em número muito superior a um milhar.
Sua Exa. o Governador estava ladeado pelo Juiz da Comarca, Prelado da Diocese, Comandante Militar, Vice-presidente do Conselho de Governo, ajudantes e secretário do Prelado, a todos estendendo a mão com o seu peculiar sorriso.

No Hospital de S. Rafael
Findos os cumprimentos, registou-se uma surpresa, extra-programa. Soubemos que Sua Exa. o Governador e Sua Exma. Esposa Senhora Dra. D. Laurinda Marques Esparteiro, resolveram, assinalando dia tão festivo, inaugurar, embora numa breve visita, novos e importantes melhoramentos no Hospital de S. Rafael da Santa Casa da Misericórdia. E fomos ver, também esses melhoramentos.
Na antiga dependência destinada a quarto das enfermeiras de serviço, no primeiro andar, foi instalada uma "incubadora eléctrica", aparelho gem do mais moderno fabrico americano, o qual, com acessórios, importou em cerca de cinco mil patacas. O aparelho não só regula electricamente a temperatura e grau de humidade necessários, como o fornecimento de oxigénio, numa combinação técnica admirável, e que é a última palavra no género e único em Macau. Assim um recém-nascido que careça desses cuidados, será salvo em tão útil como "humano" aparelho E, numa volta pelo primeiro andar, vimos também que quase tudo está pintado de novo, especialmente na maternidade; na sala de trabalhos substituíram as antigas "banheirinhas" por lavatórios de porcelana, com instalações apropriadas para aquecimento de água; marmorites nos pavimentos e paredes; divisórias envidraçadas, aquecimento, lavatórios de lavagem de bebés, mais crescidinhos, junto da enfermaria das parturientes e muitos outros arranjos em obediência às exigências dos mais modernos apetrechamentos tendo em vista a higiene e o conforto nos hospitais.
Notava-se em Sua Exa. o Governador e em Sua Exma. Esposa incontida satisfação por verificar o crescente progresso daquele hospital.
Os ilustres visitantes foram recebidos à entrada do Hospital e acompanhados na visita aos novos melhoramentos pelo dr. Barros Lopes, seu Director, pelo Provedor, sr. dr. Damião Rodrigues, e pelos srs. 1.º Tenente Lourenço Pereira, mordomo, e pelos mesários Mário Pereira, Joas Lopes, Alfredo Silva e pela farmacêutica do hospital sra. dra. D. Maria José da Cruz Neves, e pelos srs. drs. Edmundo e Henrique Senna Fernandes.
À já na despedida, a uma pergunta nossa, disse-nos um mesário a origem da verba despendida naqueles melhoramentos, tendo alguns beneméritos oferecido alguns materiais de construção.
E quem havia de dizer, que o produto da festa dos santos populares do mercado de S. Domingos, do ano passado, iniciativa louvável a todos os títulos da Exma. Senhora Dra. D. Laurinda Marques Esparteiro, viria a transformar-se em obra tão útil e de tão elevado alcance social, em benefício do Hospital de S. Rafael, em suma, da população de Macau-ricos, remediados e pobres.

Nos salões do Palácio do Governo da Praia Grande
Houve recepção das 18 às 20 horas, onde mais uma vez se apreciou a franca hospitalidade portuguesa. Sua Exa. o Governador e Sua Exma. Esposa foram duma extrema amabilidade para os seus convidados, portugueses, chineses e estrangeiros, numerosas senhoras que emprestaram ao ambiente a graciosidade das suas "toilettes" vaporosas e coloridas.
Foi servido um delicado "cocktail", executando a orquestra Vila Verde escolhidas músicas.
Esta recepção deixou gratas recordações a todas as pessoas que assistiram à requintada festa.
Assistiram, também, as mesmas entidades e individualidades a que já nos referimos.
No Teatro de D. Pedro V a sessão cultural dedicada ao imortal Camões
Eram 21,45 horas, quando começou. Na primeira fila tomaram lugar Sua Exa. o Governador e Exma. Esposa, o Venerando Prelado da Diocese, Juiz Substituto, Comandante Militar e noutras filas, várias pessoas e entidades portuguesas e estrangeiras.
A sessão iniciou-se com o Hino da Mocidade Portuguesa, cantado pelo orfeão da M.P., seguindo-se as canções populares portuguesas pelo mesmo orfeão "A nossa terra", "O mendigo" e "O trevo". O orfeão, com boa afinação de todos os seus naipes foi dirigido pelo assistente eclesiástico da Mocidade Portuguesa rev. Padre Barcelos Mendes, sendo muito aplaudido.
Seguiu-se uma notável conferência pelo sr. Dr. José Tertuliano Cabral, vice-reitor do Liceu Nacional Infante D. Henrique, subordinada ao título "Camões, o príncipe dos poetas portugueses", conferência em que versou os temas "A síntese da lírica medieval", "Glória da poesia renascentista" e "Fonte de inspiração para as correntes poéticas posteriores".
O seu trabalho prendeu a assistência, pelo real valor da tese que apresentou em que comprovou, demonstrando profunda análise de Camões e das suas obras, da sua época e da influência das obras de Camões até nossos dias.
Na sua conferência disse o orador, na sua modéstia tantas vezes demonstrada, como o seu valor: "um infinitamente pequeno, vai falar dum infinitamente grande".
Podemos dizer sem receio de desmentido que o conferencista estava à altura do seu trabalho, do seu profundo conhecimento da Obra de Camões e da literatura portuguesa de que é distinto professor.
Dado o tamanho da sua notável conferência não cabe nesta ligeira reportagem impressiva, pelo que oportunamente será publicada na íntegra. Os trabalhos que o fazer-se deles um resumo é quase um crime.
A sessão cultural que foi promovida, como a romagem patriótica à gruta de Camões, pelo Conselho de Instrução Pública, de Macau, terminou com o Hino Nacional, cantado pelo Orfeão da Mocidade Portuguesa, regido pelo Rev. Padre Barcelos Mendes e acompanhado ao piano pelo Rev. Padre Lancelote, ouvido no mais profundo e emocionante silêncio, de pé por toda a assistência.
Iluminações de gala
Assinalaram a noite festiva de 10 de Junho — Dia de Portugal, apresentando feérico aspecto as fachadas dos edifícios, nomeadamente o Palácio do Governo da Praia Grande, das Repartições, dos Correios, e Leal Senado, quartéis e fortalezas, esquadras da polícia, etc.
Artigo publicado nas páginas 1 e 6 do Notícias de Macau de 12.6.1956

Na capa da edição de 12.6.1956 do "Notícias de Macau"


"Como nos anos anteriores foi o DIA DE PORTUGAL aqui festejado com brilho e acentuado espírito patriótico no dia 10 do corrente, dia consagrado ao imortal Poeta Luís de Camões. Nesta cidade revestem-se essas comemorações de especial significado por, segundo a tradição, ter o Poeta escrito em Macau parte do seu imorredoiro Poema. Para festeja esta grande Festa Nacional foi elaborado o seguinte programa que se cumpriu integralmente:
1- Às 8.00 horas – Hastear da Bandeira Nacional nos edifícios das Repartições Públicas, Quartéis e Fortalezas.
2- Às 10.00 horas – Parada militar com desfile das forças diante da tribuna colocada em frente ao Palácio da Praia Grande, no qual tomarão parte contingentes da força do Exército da Polícia de Segurança Pública, da Polícia Marítima e do Corpo de Bombeiros Municipais, sendo a guarda de honra a Sua Exa. o Governador prestada pela Milícia da Mocidade Portuguesa.
3- Às 11.00 horas – Cerimónia pública no Jardim da Gruta de Camões em que farão alocuções os Srs. António da Canhota, professor da Escola Comercial “Pedro Nolasco” e Lei Chêng U, director da escola chinesa “Meng Tak”, depois do que desfilarão os alunos das escolas e da Mocidade Portuguesa, perante o busto do poeta.
4- Às 12.00 horas – Salva de 21 tiros na Fortaleza do Monte.
5- Às 12.30 horas – Recepção na Residência do Governo às corporações oficiais, funcionários e cidadãos desta província que desejem apresentar cumprimentos.
6- Das 18.00 às 20.00 horas – Recepção no Palácio do Governo da Praia Grande.
7- Às 21.45 horas – Sessão cultural no Teatro “D. Pedro V”, promovido pelo Conselho de Instrução Pública, ao qual o vice-reitor do Liceu Nacional Infante D. Henrique, Dr. José Tertuliano Cabral, proferirá uma conferência subordinada ao título: “Camões, o príncipe dos poetas portugueses”. Cooperará no sarau o Orfeão da Mocidade Portuguesa.
8- Das 21.00 às 24.00 horas – Iluminação de gala nos edifícios públicos e quartéis que o possam fazer."
Artigo “Comemorações do Dia de Portugal.” 
publicado no Boletim Informativo da Repartição Provincial dos Serviços de Economia e Estatística Geral – Secção de Propaganda e Turismo. Ano III, nº 60, 15.6.1956

quinta-feira, 28 de maio de 2026

"Revolução em Portugal": Maio de 1926

Há 100 anos um golpe militar derrubava a 1.ª República em Portugal seguindo-se a instauração da ditadura militar e abrindo caminho ao Estado Novo. O principal líder dos revoltosos, foi Manuel Gomes da Costa (1863-1929).
Em Macau o jornal A Pátria dá conta dos eventos na edição de 31 de Maio de 1926 numa breve citando um telex de Lisboa com a data de 28 de Maio:
"À última hora
LISBOA, 28 — As comunicações com o interior estão cortadas.
O general comandante dos revoltosos em que estão incluídos a 8.ª divisão, a divisão do Porto e outras unidades declarou numa proclamação que vai marchar sôbre Lisboa."
Na edição de de Junho o jornal publica na primeira página uma série de artigos sobre os acontecimentos em Portugal: 
A revolução em Portugal
Cai o ministério
Lisboa, 29. — Os chefes da revolução foram ter com o sr. Presidente da República a quem pediram que formasse um Govêrno extra-parlamentar e citasse os leaders dos partidos políticos. Num comunicado, o Govêrno declara que reina absoluto sossêgo em todo o país. Os elementos revoltosos compõem-se apenas de uma divisão aquartelada em Braga e comandada nessa cidade pelo General Gomes da Costa e no Porto pelo General Peres.

Ainda na primeira página do jornal pode ler-se:
Ditadura militar em Portugal
Um govêrno sem políticos
LONDRES, 31 — O Correspondente do Daily News em Lisboa diz que o movimento revolucionário se estendeu por todo o país e que o Presidente da República conferenciou com os delegados revolucionários, consentindo em que êles governem o país.
LISBOA, 31 — A revolução acabou pelo estabelecimento de uma ditadura militar, a quinta na Europa, existindo as outras na Itália, Espanha, Grécia e Polónia. A revolução fez-se quási sem disparar um tiro. Num comunicado de sábado o Govêrno dizia que estava senhor da situação mas afinal os revolucionários marcharam sôbre Lisboa, não podendo o Govêrno opor-se-lhes por não poder dispor de transportes que lhe foram negados pelas companhias do caminho de ferro. Numa proclamação ao povo português, o General Gomes da Costa diz que o movimento revolucionário teve por fim salvar o país da ruína a que o levavam os políticos. 
Mais tarde — A revolução triunfou e o Presidente da República encarregou o chefe das fôrças revolucionárias, Comandante Mendes Cabeçadas, de formar govêrno. O comandante Cabeçadas aceitou e tomou conta de tôdas as pastas provisoriamente. Entrevistado, o sr. Cabeçadas declarou que o novo Govêrno seria composto de militares e civis sem partidos e de perfeito acôrdo com os delegados das divisões militares.
Manuel Firmino de Almeida Maia Magalhães era então o Governador (até 1 de Agosto de 1926). Seguiu-se Hugo de Carvalho de Lacerda Castelo Branco que assumiu interinamente o cargo entre 1 de Agosto e 8 de Dezembro de 1926. Antes, em Julho, já tinha sido nomeado Artur Tamagnini de Sousa Barbosa, que assumiu o cargo efectivo a 8 de Dezembro de 1926.

Na última página uma notícia informa que a informação oficial chegou ao governador de Macau no dia 31 de Maio:
Revolução em Portugal
Telegrama recebido pelo Governo de Macau, ontem de manhã
LISBOA 31-5-1926
Governador Macau
800 Circular virtude movimento militar Ministério demitiu-se ponto. Está sendo organizado novo Ministério que, comunicarei ponto. Sossêgo em todo País.
Parte da infância de Gomes da Costa e das suas irmãs, Lucrécia (1869 - ?) e Maria Amália (1871-1953), foi passada em Macau, onde o pai, recentemente promovido a tenente, se encontrava destacado.
A carreira militar de Gomes da Costa progrediu de forma fulgurante: tenente (novembro de 1889); capitão para o Ultramar (julho de 1893); capitão (janeiro de 1898); major (fevereiro de 1908); tenente-coronel (junho de 1912); coronel (junho de 1914); general graduado (maio de 1917) e marechal (setembro de 1926).
De 1893 a 1916, viveu quase ininterruptamente na Índia e em África, ao serviço do então Exército Colonial. Esteve em praticamente todas as colónias, em missões de combate, reconhecimento, inspeção e administração.
Em 1922 foi nomeado inspector Extraordinário às Colónias do Oriente e nessa qualidade esteve em Macau e no Estado da Índia. Chegou a Macau a 8 de Outubro de 1922 acompanhado do filho Carlos Nunes Gomes da Costa, como Secretário, e do Tenente Salgueiro Rego, ajudante de campo, para inspeccionar os serviços militares locais.
O jornal O Liberal informa na edição desse dia:
"É esperado hoje em Hongkong o sr. general Gomes da Costa, tendo ido áquela colonia esperalo o sr. capitão Serrão dos Reis."
Na edição de 12 de Outubro de 1922 o mesmo jornal cita o jornal O Mundo:
"O sr. general Gomes da Costa — escreve O Mundo —, cuja larga folha de serviços lhe grangeou dentro e fóra do exercito uma situação de alto prestigio, é uma das mais distintas figuras militares do nosso pais. Cooperador de Mousinho, em Moçambique, onde a sua bravura tantas vezes teve ocasião de se assinalar, o sr. Gomes da Costa tinha já um honroso e brilhante passado militar quando, com a nossa entrada na Grande Guerra, mereceu ao governo, que então geria os negocios publicos, o encargo de comandar na frente da batalha da Flandres, no sector português, o comando de uma divisão. A maneira como se houve nesse posto de enormes responsabilidades, sabem-no toda a gente e, em especial, os heroicos soldados que por ele tinham, a par de uma funda admiração, uma grande estima. Nas vesperas de uma hora, simultaneamente tragica e sublime, do 9 de Abril, o sr. general Gomes da Costa foi ainda o patriota veemente que, em tão sucessivos quanto baldados apelos, soube frizar ao governo de Sidonio Pais a critica situação das forças sob o seu comando, procurando chamar aos seus postos todos aqueles que deviam estar na linha de combate e, todavia, não estavam. A este respeito, o seu livro A Batalha do Lys, lançado á publicidade com invulgar desassombro, constitue um eloquente depoimento do seu caracter, do seu zelo militar e do seu ardente patriotismo. A missão que lhe foi recentemente cometida e que hoje o leva para longe de Portugal é mais uma distinção — e uma distinção merecida. Saudamo-lo, por isso, na certeza de que, fazendo-o, saudamos numa das suas mais brilhantes figuras o heroico exercito que se bateu na Africa e na Flandres."
Depois de um largo período de tempo em Macau - recheado de peripécias - Gomes da Costa regressaria a Lisboa em 1924.
Ficou historicamente conhecido por liderar a Revolução de 28 de Maio de 1926 e por exercer o cargo de 10.º Presidente da República Portuguesa por um curto período de tempo.

sábado, 23 de maio de 2026

Início da construção do novo Liceu na Praia Grande: Maio de 1956

Há 70 anos tinha início a construção do "edifício novo do Liceu Nacional Infante D. Henrique". Era uma aspiração muito antiga da instituição fundada em 1894. Depois de andar instalada em vários edifícios finalmente iria ter instalações próprias.
Iniciaram-se as obras de construção do edifício do novo Liceu Nacional Infante D. Henrique
recentemente adjudicadas em hasta pública
Esta Província vai ter um novo liceu. Não é necessário destacar a importância deste novo melhoramento, que demonstra, mais uma vez, o especial interesse que merece o problema do ensino, ao Governo de Macau.
Sua Ex.ª o Almirante Joaquim Marques Esparteiro, ilustre Governador da Província, desde a primeira hora em que tomou as rédeas da governação desta parcela portuguesa, dedicou o maior interesse e carinho a tudo que se relacionasse com tão magno problema. Com a construção deste novo edifício de ensino secundário, abre-se, sem dúvida, um novo capítulo na história da instrução e educação da população macaense.
Numa época excepcionalmente difícil, em que a economia de Macau se sente e ressente duma crise grave, torna-se a solução deste problema, ao qual gerações se dedicaram com o maior interesse, sem os desejados resultados, digna dos maiores louvores, pois é fácil governar e fazer grandiosas obras, no "tempo das vacas gordas". Na presente situação o acontecimento representa, porém, uma vitória digna de registo e dos maiores encómios.
O novo Liceu Nacional Infante D. Henrique destina-se a alunos de ambos os sexos e foi projectado pela Repartição Provincial dos Serviços de Obras Públicas, Portos e Transportes. O plano da obra, que mereceu aturado estudo, foi fornecido pelo reitor do Liceu desta Província, com base no estatuto de ensino, em vigor.
Foi adjudicada, como noticiamos, a obra de construção, por mais de 460 mil patacas, o que representa cifra apreciável nos momentos actuais.
O Liceu terá capacidade para cerca de 300 alunos, suficiente, nesta primeira década, e as suas diversas dependências são distribuídas por três pavimentos que constam de:
11 salas de aula, sendo 7 para uma capacidade de 30 alunos e 4, para cerca de 15 a 20 alunos;
uma sala de desenho e de trabalhos manuais;
uma secretaria com arquivo anexo;
uma biblioteca;
um gabinete de física, com câmara óptica, anexa;
um laboratório de química;
um gabinete de ciências naturais, com a necessária disposição de luz que torne possível os trabalhos com microscópios;
museu de ciências naturais;
sala de geografia;
um gabinete para o reitor;
uma sala para os professores;
um salão amplo para palestras culturais, sessões solenes e sessões cinematográficas...
As instalações incluem um ginásio com balneários anexos; uma sala de estar para as alunas com instalações sanitárias anexas; duas salas para a instalação da Mocidade Portuguesa; um arquivo para material didático; uma cantina; um vestiário, uma arrecadação e instalações sanitárias, separadas, para os professores e para os alunos.
O terreno para o novo Liceu fica situado nos aterros da Praia Grande e compreende os talhões que são limitados pela Rotunda Ferreira do Amaral, Avenida Dr. Oliveira Salazar, Avenida D. João IV e Avenida Infante D. Henrique.
O talhão que confina com a Rotunda Ferreira do Amaral foi destinado ao edifício e, o outro, a campo de jogos dos alunos. O edifício ocupará uma área coberta de 2.465,26 metros quadrados e, o campo de jogos, uma superfície de 4.950,00 metros quadrados.
Declarações do Diretor das Obras Públicas
O jornal entrevistou o Senhor Engenheiro José dos Santos Baptista, que forneceu detalhes técnicos sobre a construção.
Estrutura: O edifício será construído em betão armado e os vãos livres serão preenchidos com paredes de blocos de cimento e areia com espessura de 30 centímetros.
Fundações: Devido à natureza das terras (produto de dragagens e lixos nos aterros), a fundação será feita por meio de estacas com comprimento máximo de 12,40 metros, cravadas com bate-estacas mecânicos até atingirem o terreno firme.
Primeira Fase: Compreende as fundações, o betão armado, paredes, revestimento da cobertura, esgotos e canalização de água.
Adjudicação e Prazos: Por despacho de 23 do mês passado, a construção foi adjudicada ao empreiteiro Chui Kei pelo valor de $466.600,00.
Início e Conclusão: Os trabalhos começaram no dia 7 do mês corrente (maio de 1956) e o prazo de execução é de 360 dias.

Excerto da 1ª e 11ª páginas da edição de 13.5.1056 do Notícias de Macau. Esta era apenas a primeira fase da empreitada. O Liceu seria inaugurado em Outubro de 1958 e demolido no início da década de 1990 embora tenha ficado desocupado desde Dezembro de 1985. O liceu passou a funcionar no Complexo Escolar, inaugurado em Janeiro de 1986.

domingo, 17 de maio de 2026

1954 澳門名勝 / Locais Turísticos de Macau em 1954

Em Outubro de 1954 a popular revista "Hong Kong East Pictorial" (東風畫報) dá grande destaque a Macau com uma chamada de capa para uma reportagem de duas páginas profusamente ilustradas sobre o turismo no território.
Nos locais turísticos de Macau (澳門名勝) mencionados contam-se o Largo do Senado, as Ruínas de S. Paulo, as piscinas municipais, o templo de A-Ma, a Casa Memorial de Sun Iat Sen, etc... Macau era na época a cidade refúgio de fim de semana para os residentes de Hong Kong que vinham sobretudo pelo jogo (proibido na então colónia britânica).
港澳同是一家
香港、澳門、廣州,這三個地方,從前是三位一體的。除了「香港澳」三字常常齊列入相關記錄之外,例如最重要的治安問題,三地的當局更有聯繫。
遊客為什麼裹足不前
從香港到澳門,只有三小時中的水路行程,但是在這一段路上的行車稅段經常變動的階段。過去有一個時期,他們為了吸引遊客,實行大減價,最近的票價只收一元,當然這只是大倉,較好的位子,票價仍要維持十元八塊之數。
請作澳門之遊
幾個月來,澳門的當局和業者曾為了繁榮澳門市面而費盡苦心,他們曾想出許多新奇節目,以吸引遊客。但因船費太貴了,許多本想作澳門之遊的香港人,裹足不前了。
Tradução/Adaptação

Hong Kong e Macau são uma só família
Antigamente, Hong Kong, Macau e Cantão (Guangzhou) eram vistos como uma trindade. Além de os nomes "Hong Kong e Macau" aparecerem frequentemente juntos em registos, as autoridades das três regiões mantinham contactos estreitos, especialmente em questões cruciais como a segurança pública.
Por que é que os turistas hesitam em avançar?
A viagem de Hong Kong a Macau leva apenas três horas por via marítima. No entanto, as taxas de transporte nesta rota sofrem alterações frequentes. Houve um período em que, para atrair turistas, foram implementadas grandes reduções de preço, com bilhetes a custar apenas um dólar. Claro que isto era para a classe económica (dormitório comum); os lugares melhores continuavam a custar entre oito a dez dólares.
Convite para visitar Macau
Nos últimos meses, as autoridades e os comerciantes de Macau têm-se esforçado arduamente para revitalizar o mercado local, idealizando programas inovadores para atrair visitantes. No entanto, devido ao elevado custo das passagens de barco, muitos residentes de Hong Kong que planeavam visitar Macau acabaram por desistir.
Tem ainda um coluna escrita em inglês:
Macao
Just 42 miles northwest of Hong Kong and snuggling dangerously close to communist-held Kwang-tung, berths Macao, a typically Portuguese colony, with multi-hued houses, ancient Catholic churches, and free mixing of Peoples — Chinese, Portuguese, Africans, and handfuls of other Europeans. This little gem of a peninsular tip was the earliest of the Chinese territories ceded to a foreign power. For more than four centuries Macao has been developed from an uninhabited area to the scenic spot to which ferry-loads of week-end vacationers flock from Hong Kong. Macao has become, in fact, part of Hong Kong's tourist attractions.

Tradução/Adaptação:
Macau
A apenas 42 milhas a noroeste de Hong Kong e aconchegando-se perigosamente perto de Kwang-tung [Cantão], controlada pelos comunistas, situa-se Macau, uma colónia tipicamente portuguesa, com casas de múltiplas cores, igrejas católicas antigas e uma mistura livre de povos — chineses, portugueses, africanos e um punhado de outros europeus. Esta pequena jóia na ponta de uma península foi o primeiro dos territórios chineses cedidos a uma potência estrangeira. Durante mais de quatro séculos, Macau desenvolveu-se de uma área desabitada para o local pitoresco ao qual chegam, vindos de Hong Kong, navios repletos de veraneantes de fim de semana. Macau tornou-se, de facto, parte das atrações turísticas de Hong Kong.
Uma fotografia de um ferry que fazia a ligação Macau-Hong Kong é acompanhada da legenda: 正是暮煙起,輪船離開澳門港口,向香港進發。再會吧,澳門!
O equivalente a: 
"É exatamente quando as cores do entardecer surgem que o navio deixa o porto de Macau e parte em direcção a Hong Kong. Até à vista, Macau!"

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Um "comício" em 1909

Resultado do Comício
Hontem, cerca das 4 horas e um quarto, nos Paços do Concelho d'esta cidade, realisou-se o anunciado comicio publico para versar questões momentosas relativas á salvação de Macau e para se pedirem urgentes providencias ao governo da metropole.
Por proposta do sr. Fernando de Menezes, foi eleito por acclamação o sr. dr. Luiz Nolasco para presidente, o qual escolheu o sr. Francisco da Silva para secretario.
Constituida a meza, o sr. dr. Luiz Nolasco expoz, em rapidas palavras, o fim da reunião e convidou os presentes a usarem da palavra.
O primeiro a inscrever-se foi o sr. Pedro Nolasco da Silva, que se demorou cêrca de meia hora a explanar as suas ideias em defeza da seguinte moção:
Encarregar o presidente do comicio de mandar um telegramma ao ministro do ultramar pedindo o seguinte:
A vinda urgente do commissario da delimitação.
Conceder ao governador plenos poderes para remodelar a administração local com execução immediata.
Ultimar as negociações do caminho de ferro de Macau a Cantão.
Ratificar o tratado luzo-chinez de 1904.
Dar começo immediato ás obras do porto.
Findo o que, recebeu uma salva de palmas.
Seguiu-se-lhe o sr. dr. Manuel da Silva Mendes, que empolgou o auditorio com a sua voz sonora e argumentação cerrada, concluindo por secundar as ideias e a moção do sr. Pedro Nolasco.
Falou depois o sr. Sio-tang, um dos maiores capitalistas chinas de Macau, o qual teceu largas considerações sobre a decadencia de Macau e terminou por secundar a ideia do sr. Pedro Nolasco de se pedir ao governo da metropole para conceder ao governador da provincia amplos poderes para reformar os serviços publicos d'esta colonia.
O discurso d'este orador foi em seguida habilmente traduzido pelo sr. Carlos d'Assumpção.
in Jornal Vida Nova 2.5.1909
Largo do Senado e Leal Senado ca. 1900


quarta-feira, 13 de maio de 2026

Procissões N. Sra. de Fátima: 12 e 13 de Maio de 1956

 

Edição de 20 de Maio de 1956 do jornal Notícias de Macau
Nota: Este ano, mais uma vez, realizou-se a procissão nas ruas de Macau.