Mostrar mensagens com a etiqueta cultura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cultura. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 7 de abril de 2026

Luís Gonzaga Gomes: cinquentenário da morte

Em Março último assinalou-se o cinquentenário da morte de Luís Gonzaga Gomes (1907-1976). Nome incontornável da restrita galeria dos mais ilustres macaenses do século 20 foi escritor, sinólogo, tradutor, filólogo, historiador, musicólogo e professor.
Luís Gonzaga Gomes nasceu em Macau a 11 de Julho de 1907, filho de Joaquim Francisco Xavier Gomes e de Maria de Conceição Gonzaga Gomes. A sua formação académica e intelectual foi moldada no Liceu Nacional Infante D. Henrique, onde teve como professores figuras influentes como o historiador José Maria Braga (Jack Braga) e o prestigiado Camilo Pessanha, que marcaram profundamente o seu interesse pela história e pela cultura oriental.
Após concluir os estudos, iniciou a sua vida profissional em 1928 como tradutor-intérprete oficial. A sua capacidade de ligação entre comunidades permitiu-lhe, entre 1932 e 1934, atuar como interlocutor em questões sensíveis da administração colonial. Em 1949, fundou o Círculo Cultural de Macau, tornando-se um pilar da dinamização artística do território.
Como docente no Liceu de Macau (onde antes fora aluno), foi mestre de várias gerações que viriam a destacar-se na vida pública e cultural de Macau, incluindo o advogado e historiador Jorge Cavaleiro e o intelectual Henrique de Senna Fernandes, que frequentemente o recordava como um mentor rigoroso e apaixonado pela alma macaense.
Entre 1951 e 1954, dirigiu a Biblioteca Pública e o Arquivo Histórico. Em 1960, assumiu a direção do Museu Luís de Camões, cargo que ocupou até à sua morte.
Morreu a 20 de Março de 1976, deixando um legado inigualável como o "intérprete" por excelência da história luso-chinesa.
Condecorações e distinções:
1958: Grau de Oficial da Ordem da Instrução Pública (Portugal, 20 de janeiro).
1962: Cavaleiro da Ordem de São Silvestre Papa (Santa Sé, pela sua dedicação à comunidade católica e ensino).
1969: Oficial da Ordem do Infante D. Henrique
Cavaleiro da Ordem das Palmas Académicas.
Postumamente: Medalha de Valor de Macau, atribuída pelo Governo de Macau (Gov. Almeida e Costa) em reconhecimento ao seu serviço excecional.
Em 1977 o seu busto foi colocado numa sala do Museu Luís de Camões e em 1984, um outro busto foi colocado no Jardim de S. Francisco. Ambos da autoria do escultor italiano Oseo Leopoldo Acconci.
Dá ainda nome a uma rua e a uma escola em Macau.
Sendo um dos autores mais prolíficos do seu tempo publicou centenas de artigos na imprensa: Notícias de Macau, Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau, Mosaico (revista do Círculo Cultural de Macau), etc...
Algumas das principais obras:
1941: Vocabulário Português-Cantonense
1942: Vocabulário Cantonense-Português
1942: Os Lusíadas, contados às crianças e lembrados ao povo — Tradução para a língua cantonense da adaptação em prosa de João de Barros.
1945–1946: Ou Mun Kei-Leok (Monografia de Macau) — Tradução para português, a partir do cantonense, da obra dos mandarins Tcheng U Lám e Jan Kuong (séc. XVIII).
1950: Contos Chineses
1951: Lendas Chinesas de Macau (também referida apenas como Lendas de Macau)
1951: A Influência Portuguesa na Civilização Chinesa
1952: Chinesices
1952: Curiosidades de Macau Antiga
1953: Festividades Chinesas
1954: Arte Chinesa
1954: Efemérides da História de Macau
1957: Páginas de História de Macau (Primeiros volumes/ensaios)
1958: Noções elementares da língua chinesa
1959: Macau: Factos e Lendas
1959: A Mensagem de Fernando Pessoa — Tradução para a língua cantonense.
1964: O Estudo do Chinês em Macau
1966: Páginas de História de Macau (Edição consolidada)
1966: A Arte Musical em Macau
1967: Festas e Tradições Chinesas
1968: Notas sobre o Teatro Chinês
1969: As Religiões e os Cultos em Macau
1971: Bibliografia Macaense
1973: Demografia de Macau através dos Tempos
1973: Bibliografia Macaense (Edição/Actualização)
1975: Macau e a sua Gente

sábado, 14 de março de 2026

Concurso "Vale a pena ler"

No site da Fundação Jorge Álvares está disponível informação sobre o concurso "Vale a Pena Ler" para o ano lectivo 2025/26 e que tem como destinatários as escolas de Portugal Continental e das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
Para esta iniciativa a FJA "convida todos os alunos e professores a mergulharem nos fascinantes conteúdos da sua Biblioteca Digital e a participarem num concurso único, onde o conhecimento, a imaginação e a criatividade se encontram para dar vida a novas ideias!"
O concurso destina-se a alunos do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário, sendo a participação individual, mas sempre no contexto escolar, com o acompanhamento de um(a) professor(a) responsável.
O período de candidaturas decorre entre 15 de Março e 23 de Abril de 2026.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Postal "Esculturas Contemporâneas": década 1990

Projectado pela artista Dorita Castel Branco (1936-1996), este "conjunto escultórico" foi inaugurado em  Dezembro de 1985. Consiste num paredão, no cimo do qual está um miradouro. O monumento de 300 metros de altura é composto por 6 muralhas com 12 lajes que constituem um enorme painel onde os altos-relevos temáticos abordam diferentes aspectos da vida quotidiana e costumes locais.

Postal de 9 de Outubro de 1999

"(...) a obra foi encomendada pelo Governador Almeida e Costa à escultora Dorita Castel Branco, para representar a amizade luso-chinesa. Macau vivia então um tempo de “vacas magras” pelo que os milhões gastos na encomenda criaram grande polémica, até porque para a acomodar, foi necessário destruir parte da colina até então verdejante. A “Tribuna”, então semanário, divulgou os primeiros desenhos da escultora, e o “Jornal de Macau” chamou-lhe “os calhaus da Taipa”, nome que ficou na comunidade portuguesa e fez com que estivesse abandonado durante alguns anos. Com a chegada do Governador Rocha Vieira, o monumento passou a ter destaque, através de uma iluminação adequada." 
Texto de José Rocha Dinis, director do JTM, num editorial de 23-02-2009
Foto de Lei U Veng

"As Esculturas de Relevo de Taipa, com autoria da escultora portuguesa Dorita Castel-Branco, foram inspiradas na Grande Muralha da China. Este monumento representa a vivência da população de Macau ao longo de cerca de quatro séculos e meio e os pontos de interesse do Território. Utilizando o jogo de luzes, a autora provoca uma sensação tridimensional."
Texto do ICM
 Postal de 1994 a partir de uma fotografia de Ho Kuok Man
A escultura na colina da ilha da Taipa, no final da ponte.

Texto de um roteiro turístico da década 1980:
"(...) O monumento em ziguezague consiste em seis trabalhos de alto-relevo. O mais alto é um astrolábio. A vida quotidiana, a indústria e os costumes de Macau são os temas principais desta obra escultórica. Vêem-se ainda representados em alto relevo os pontos históricos e turístico mais famosos e do leão de Macau: as Ruínas da Igreja de S. Paulo, o Casino do Hotel Lisboa e Monte da Guia. Faz ainda alusão aos meios de transporte mais utilizados antigamente em Macau, como os triciclos, os sampan, os juncos e os barcos de formato ocidental. Os elementos decorativos do monumento representam, para além da animação das festas tradicionais coma as danças do dragão e do leão e a queima de panchões, duas meninas com trajes tradicionais a dançar em frente do Templo de A Má, mostrando aspectos culturais e as festas que animam a população de Macau. Quanto ao Miradouro, dispõe de uma escadaria para subir até ao alto, donde se podia (na altura da inauguração) desfrutar uma panorâmica da península de Macau e era o local privilegiado para ver as duas pontes (então existentes) que fazem a ligação entre Macau e Taipa."

domingo, 22 de fevereiro de 2026

"Camões no Oriente"

"Camões no Oriente" é o mais recente título da autoria de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada (ilustrações de Rui Sousa) a integrar a Biblioteca Digital da Fundação Jorge Álvares.
Da colecção "Portugueses no Oriente", vocacionada para o público juvenil, fazem ainda parte os títulos "Missão Impossível", "A Nau do Trato" e "Encontros na Cidade Proibida" – "os quais, além de animadas aventuras dos seus jovens intervenientes, contêm muita Informação histórica de fácil leitura e aprendizagem. Estas edições, não comerciais, foram especialmente encomendadas pela Fundação Jorge Álvares às autoras, tendo sido distribuídos vários exemplares pelas bibliotecas que integram a Rede de Bibliotecas Escolares nacional. A Nau do Trato foi por sua vez traduzida para chinês numa iniciativa do então Embaixador de Portugal em Pequim, José Augusto Duarte."

Excerto:
"No ano 1562 o vice ‑rei, que era D. Francisco Coutinho, conde do Redondo, nomeou Luís de Camões Provedor dos Defuntos em Macau. Este cargo era muito apetecido por ser bem pago pela coroa portuguesa e não só. O Provedor de Defuntos tinha como missão fazer o inventário de todos os bens deixados por portugueses que morressem em Macau. Devia vendê‑los em leilão e guardar o dinheiro que obtivesse para o entregar aos herdeiros ou à coroa, mas tinha o direito de ficar com uma percentagem. Só podia exercer o cargo quem soubesse ler, escrever, interpretar leis. E, naturalmente, convinha que fosse honesto para não dar informações erradas aos herdeiros e à coroa e para não se apropriar daquilo que não lhe pertencia. Já viviam então muitos portugueses em Macau e praticamente todos se dedicavam ao comércio. A exceção era os padres. O imperador da China tinha autorizado os portugueses a instalarem ‑se em Macau para comerciarem em 1557. 
A partir de então a cidade, que fica situada na foz do rio das Pérolas começou a desenvolver‑se não só devido à presença dos portugueses mas também porque muitos chineses foram atraídos pelos negócios que ali podiam fazer. Naquele porto o movimento era cada vez mais intenso. Naus vindas de Goa transportavam produtos europeus, ouro da costa oriental da África, tecidos da Índia especiarias das ilhas Molucas e outros produtos de outras regiões da Índia e do Pacífico. Em Macau tudo isso se vendia com lucro e por lá se compravam porcelanas e sedas da China. A partir de certa altura, passou a haver também comércio com o Japão, onde as naus se dirigiam sobretudo para comprar prata. De modo que, quem fosse corajoso, hábil e tivesse sorte, conseguia enriquecer. Quanto mais trocas se fizessem, mais a coroa lucrava porque as naus tinham de pagar taxas alfandegárias em todos os portos dominados pelos portugueses. (...)
Segundo a tradição, o poeta subia com frequência a colina de Patane e sentava ‑se a escrever no interior de uma formação rochosa, que passaria à história como «penedo de Camões ou gruta de Camões». Ninguém sabe se realmente teria escrito naquele lugar ou não, mas se o fez escolheu bem porque naquele tempo, sem construções em volta, podia desfrutar de uma bela vista e porque em dias de calor e humidade desfrutaria também de sombra e frescura. Quem hoje visita Macau, se passar pela dita «gruta» ali encontrará um busto do poeta em bronze.(...)" 
Todas as obras desta colecção podem ser acedidas e descarregadas no site da FJA. 


No site está ainda disponível informação sobre o concurso "Vale a Pena Ler" para o ano lectivo 2025/26 e que tem como destinatários, nesta edição, as escolas de Portugal Continental e das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
Para esta iniciativa a Fundação Jorge Álvares "convida todos os alunos e professores a mergulharem nos fascinantes conteúdos da sua Biblioteca Digital e a participarem num concurso único, onde o conhecimento, a imaginação e a criatividade se encontram para dar vida a novas ideias!"
O concurso destina-se a alunos do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário, sendo a participação individual, mas sempre no contexto escolar, com o acompanhamento de um(a) professor(a) responsável.
O período de candidaturas decorre entre 15 de Março e 23 de Abril de 2026.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

As danças do Leão e do Dragão durante o ano novo chinês

Esta fotografia - colorida por IA - é dos primeiros anos da década de 1960. Ao fundo vista parcial do campo de jogos do Liceu e do edifício residencial Rainha D. Leonor. Do lado direito vê-se parte do Padrão Henriquino, colocado frente à entrada do Liceu (na Praia Grande) nas comemorações do Ano Henriquino em 1960. Não tenho elementos que permitem perceber o evento, mas está por certo relacionado com a Dança do Leão ou a Dança do Dragão. As duas performances fazem parte da cultura chinesa e ocorrem em diversas ocasiões, incluindo no Ano Novo Chinês.
Dança do Leão
A Dança do Leão é um dos rituais mais vibrantes do Ano Novo Lunar, funcionando como uma ferramenta espiritual para purificar o ambiente e atrair prosperidade. É também um ritual noutras festividades ao longo do ano, casamentos, inaugurações, etc... 
Ao contrário do dragão, o leão é operado por apenas dois dançarinos que, através de uma coreografia vigorosa baseada nas artes marciais, dão vida a um animal irrequieto. O ponto alto da performance é o ritual Cai Qing, onde o leão "caça" e come uma alface normalmente pendurada à porta de estabelecimentos. Escondido entre as folhas, encontra-se sempre um envelope vermelho (hongbao) com dinheiro, que serve como oferta de gratidão e pagamento simbólico. Após "comer" a alface e o envelope, o leão 'cospe' as folhas sobre o público, um gesto que simboliza a partilha da fortuna e das bênçãos para o novo ciclo. Todo o espetáculo é ritmado por tambores e gongos constantes, cujo som estridente tem a missão crucial de espantar os maus espíritos.
O Simbolismo e o Ritual
Espantar o mal: O principal objetivo da dança é afastar os maus espíritos e a má sorte acumulada no ano anterior através do som alto dos tambores e da figura imponente do animal.
O Ritual "Cai Qing" (Colher o Verde): Este é o momento mais icónico. O leão "caça" uma alface (ou outra hortaliça) pendurada na porta de lojas ou casas. Dentro da alface há um envelope vermelho (hongbao) com dinheiro. O leão "come" a alface e depois a cospe para fora, simbolizando a disseminação da fortuna e prosperidade para o dono do local.
Diferenças Visuais e Técnicas
Estrutura: Ao contrário do dragão (que precisa de muitos homens), o leão é operado por apenas dois dançarinos: um controla a cabeça (e as pálpebras/orelhas) e o outro 'faz' as costas e a cauda.
Estilos: Existem dois estilos principais: o do Norte, que é mais acrobático e o leão parece um cão peludo, e o do Sul (mais comum em Macau e Hong Kong), que foca na expressão facial e no poder das artes marciais. Tradicionalmente, são as escolas de Kung Fu que realizam as danças, pois os movimentos exigem uma base de pernas (postura de cavalo) extremamente forte e grande agilidade física.

Dança do Dragão
A Dança do Dragão é outro dos espetáculos bastante aguardados nas celebrações do Ano Novo Lunar Chinês, simbolizando poder, sorte e prosperidade. Longe de ser apenas uma performance, é um ritual que visa afastar os maus espíritos e trazer boa fortuna para o ano que se inicia.
Os dragões, figuras lendárias e benevolentes na cultura chinesa, são representados por longas estruturas flexíveis, manobradas por uma equipa de dançarinos. Cada parte do corpo do dragão – da cabeça maciça e expressiva à cauda ondulante – exige coordenação perfeita e força física. Guiados por um "Portador da Pérola" que simula o objecto da sabedoria e do poder, o dragão serpenteia entre as multidões, realizando movimentos que imitam o seu voo e a sua busca por harmonia.
Durante os festejos do Ano Novo, a Dança do Dragão "desperta" a energia da comunidade. Ao som ensurdecedor de tambores, gongos e pratos – que não só animam o ritmo, mas também espantam o azar – o dragão ganha vida, movendo-se com agilidade e majestade. A dança, muitas vezes realizada em procissões vibrantes pelas ruas, atrai multidões, que acreditam que tocar no corpo do dragão traz sorte.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

"Vestígios Sagrados de Macau" por Gao Jianfu

Esta pintura das Ruínas de S. Paulo (aguarela e tinta da china - 43.5 x 46.5 cm) é uma das últimas obras da autoria do conceituado pintor Gao Jianfu (1879-1951), nome maior da pintura chinesa moderna com fortes ligações a Macau. 
Produzida ca. 1950 inclui elementos das pinturas ocidental e chinesa evidenciando-se o domínio da técnica de caligrafia chinesa e da pintura de paisagem, incluindo árvores, animais e figuras humanas.
A fachada da igreja Mater Dei é apresentada numa perspectiva pouco habitual sendo vista a partir da Calçada de S. Paulo, aparesentando-se à direita o templo de Na Tcha.
No topo os caracteres na horizontal 馬交聖蹟 significam "Vestígios Sagrados de Macau". Em baixo para além da assinatura do pintor está um poema.
O texto começa com a identificação do local: 三巴門外 que significa "Fora da Porta de São Paulo". Segue-se uma descrição da atmosfera do local evocando a passagem do tempo e a decadência da antiga glória do Colégio e Igreja de São Paulo, mencionando o contraste entre as pedras sobreviventes e a vida humilde que se instalou ao seu redor. Referem-se ainda "vendedores" e "trabalhadores" (como os carregadores que vê na pintura) que circulavam naquelas ruas estreitas em meados do século 20.

Detalhe da 'assinatura' da pintura no canto inferior esquerdo: 
Caracteres pretos na vertical 劍父 (Jiànfù) e carimbo vermelho em estilo de sinete.

Nascido em Panyu (Cantão), Gao Jianfu (em chinês: 高劍父/ "Gou Gim Fu" é reconhecido por liderar o esforço da Escola Lingnan para modernizar a pintura tradicional chinesa como uma "nova arte nacional".
Aos treze anos ingressou no atelier do artista chinês Ju Lian, em Lishan, onde serviu como seu aprendiz durante os sete anos seguintes. Durante este período, Gao Jianfu pintou num estilo semelhante ao do mestre: vibrante, colorido e realista. Os temas das suas pinturas eram sobretudo pássaros, flores e paisagens[3]. No estúdio de Ju Lian, Gao Jianfu tornou-se amigo próximo de Chen Shuren, também ele artista.
Em 1903, Gao Jianfu começou a trabalhar com o pintor e colecionador Wu Deyi tendo os primeiros contactos com a pintura tradicional chinesa.
Estudou no Canton Christian College, hoje conhecido como Universidade de Lingnan. Dois dos seus professores mais influentes foram "um professor francês de pintura conhecido apenas pelo seu nome chinês, Mai La," e Yamamoto Baigai, um dos muitos professores japoneses que então viviam na China. Profundamente inspirado pelos seus professores, Jianfu viria a viajar para Tóquio no inverno de 1906 mas seria uma curta estadia. Devido à falta de recursos regressou a Cantão para passar o verão. Em 1907 regressou a Tóquio com o seu irmão de dezanove anos, Gao Qifeng, tendo convivido com o amigo Chen Shuren.
Durante a sua estadia no Japão, os três homens foram expostos aos debates nacionalistas "que então ocorriam no mundo da arte japonesa sobre o impacto modernizador da arte ocidental nas tradições artísticas locais do Japão". Jianfu interessou-se pelas sínteses das abordagens ocidentais e tradicionais, que eram paralelas ao trabalho no mundo da arte contemporânea japonesa. Jianfu, juntamente com os seus pares da Escola Lingnan, viu esta mistura de estilos como um modelo para a arte nacional moderna. Muitos dos estudantes da Lingnan juntaram-se ao movimento anti-Manchu de Sun Yat-sen, um movimento nacionalista revolucionário. Mais tarde, Gao juntou-se ao Corpo de Assassinos Chinês, um grupo anarquista chinês.
Em 1912, após a queda dos manchus, Gao Jianfu e o seu irmão mudaram-se para Xangai. Começaram a publicar um jornal intitulado Zhen xiang huabao (O Registo Verdadeiro). A publicação apresentava artigos sobre arte e política, bem como ensaios que promoviam uma nova arte nacional modernizada na China. Embora tenha durado apenas um ano, o jornal foi um dos primeiros a levar a arte ao grande público. Os irmãos defendiam o apoio governamental às artes e abriram a primeira galeria pública do país para a exposição e venda de obras de arte, a Livraria Estética. Em 1918 saíram de Xangai e foram para Cantão onde em 1923 fundaram a Academia de Arte do Despertar da Primavera em Cantão.
Em 1929 Jianfu foi acusado de sentimentos xenófobos durante o seu período como principal organizador da primeira Exposição Nacional de Arte do governo, realizada em Nanquim. Devido à grande importância da Escola Lingnan, houve uma reação hostil à inclusão de tendências artísticas não chinesas.
Em 1936, Jianfu começou a lecionar na Universidade Sun Yat-sen. Continuou a publicar artigos, nos quais defendia o seu conceito de nova arte nacional. Sugeriu que a pintura nacional abandonasse o "elitismo" da arte tradicional e se envolvesse mais directamente com o público chinês. Com a invasão da China pelo Japão em 1937 Gao Jianfu deixou Cantão e foi para Macau em 1938 onde viveu até 1945. Regressaria a Cantão onde viveu até 1949. Com a chegado ao poder de Tsé-Tung em 1949 fugiu novamente para Macau onde fundou uma escola e viria a morrer a 22 de Maio de 1951. Gao Jianfu legou a Macau um grande número de obras que constituem um verdadeiro tesouro artístico do território e tem sido exibidas em várias exposições.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Círculo Cultural de Macau: fundação e estatutos

O Círculo Cultural de Macau foi fundado a 5 de Agosto de 1950 - Portaria  nº 4808 Boletim Oficial da Colónia de Macau - por um grupo de 20 cidadãs e cidadãos a residir no território: Pedro Lobo, Luís Gonzaga Gomes, Fernando Maciel, José Silveira Machado, Maria Roque Casimiro, Cândido Vaz, António B. Gonçalves, Manuel Bastos, José Neves Catela, Hernâni Anjos, Jacqueline Bonet Marques, António Marques, Afonso Correia, José Cândido Soveral, Carlos Silva, Alberto Garcia da Silva, Manuel de Seixas, David Rodrigues Barrote, Sebastião Pinto e Álvaro Borges Leitão.
Objectivos segundo os estatutos publicados no boletim acima referido:

Artigo 2: "A finalidade do Círculo Cultural de Macau é promover a divulgação da cultura artístico-literária, especialmente a portuguesa, no meio onde é criado, e tornar Macau, sob todos os seus múltiplos aspectos, melhor e mais perfeitamente conhecida na Metrópole, nas restantes colónias portuguesas e em todos os pontos do mundo onde se fale a língua-pátria. Por intermédio do seu órgão de expansão trilingue, de que se ocupa o nº 1 do artigo 3º (publicação regular de uma revista trilingue - português, inglês e chinês), pretende ainda o CCM contribuir, o mais intensamente possível, para granjear para Macau uma posição internacional cada vez mais dignificante em todos os países estrangeiros onde lhe seja dado tornar-se conhecido".
O CCM comprometia-se ainda a organizar "conferências e palestras em vários idiomas; emissões radiofónicas; recitais e saraus artísticos e sessões culturais; exposições de arte; representações cénicas; concursos de carácter literário e artístico".
Primeiros corpos gerentes - tomaram posse a 1 de Setembro de 1950 no Gabinete do Palácio do Governo: 
Presidente honorário, governador Albano Rodrigues de Oliveira; Assembleia Geral (presidente), Fernando Maciel; presidente substituto, Alberto Garcia da Silva; secretário, José Silveira Machado; Direcção (presidente), Pedro José Lobo; vice-presidente, Manuel Pimentel Bastos; secretário-geral, Hernâni Anjos; tesoureiro, José Neves Catela; vogal, Sebastião Pinto.
A revista "Mosaico" - trilingue - é a face mais visível de uma importante associação cultural de Macau na década de 1950. O primeiro número foi publicado em Setembro de 1950 e o último (o nº 88) em Dezembro de 1957. Neste "órgão" oficial do CCM colaboraram nomes como Jack Braga, Charles Boxer, Afonso Correia, Luís Gonzaga Gomes, Pedro José Lobo, José Silveira Machado, Graciete Batalha, Fernando Maciel, Hernâni Anjos, Henrique de Senna Fernandes, José Tertuliano Cabral, Manuel Seixas, Joaquim Angélico Guerra, Jaime do Inso, Carlos Estorninho, entre outros.
Na primeira edição da "Mosaico" Hernâni Anjos explica no artigo "O que é o Círculo Cultural de Macau" que  "(...) instituído em Macau, por Macau e para Macau, principalmente, o C.C.M. é um organismo que se destina, como é natural, aos macaenses, e, a par deles, a todos os portugueses, oriundos de qualquer parte do Império que, em Macau, com carácter definitivo ou temporário, fixem a sua residência. Há nesse organismo, também, idêntico lugar para indivíduos estrangeiros, ingleses e chineses, de preferência, o que não implica a não-admissão de cidadãos de qualquer nacionalidade, tudo única e exclusivamente no sentido de servir os fins para que o C. C. M. foi criado (...)".
PS: Depois de alguns alguns inactivo o CCM 'renasceria' num novo formato, o "Instituto Luís de Camões" fundado em Macau a 22 de Junho de 1963.

domingo, 27 de julho de 2025

Anúncio "Lições de Pintura"

Este anúncio de "Lições de Pintura para damas e cavalheiros" foi publicado em 1919. É o ano da chegada a Macau de Manuel Antunes Amor. Um homem de muitos talentos. Foi professor - chegou a Macau nessa qualidade com a missão de reformular o sistema de ensino local - fotógrafo, pintor e cineasta. 
PS: por razões técnicas não foi possível disponibilizar este post ontem. 

terça-feira, 8 de julho de 2025

Intercâmbio de Belas-Artes nas décadas 1950-60

Largo do Senado: 1957

A actual Associação dos Artistas de Belas-Artes de Macau foi fundada em Abril de 1956 sob a designação Associação de Estudos de Artes de Macau - 澳門藝術研究學會. Em 2026 celebra 70 anos de actividade.Dos membros fundadores faziam parte Tam Chi Sang, Lok Cheong, Ng 
Hei U, Chio Vai Fu e Guan Wanli. Em 1962, Frederick Joss, Tam Chi Sang e Herculano Estorninho criaram o Grupo de Arte Arco-Íris para incrementar o intercâmbio entre artistas locais. Deste último grupo viriam também a fazer parte nomes como Adolfo C. Demée, Oseo Acconci e Walter Ding.

Entre os artistas chineses de renome que fizeram parte da colectividade no século 20 contam-se nomes como Chio Vai Fu, Tam Chi Sang, Kuan Meng, Tam Man Lei, Chio Vai Zhe, Chen Shan Fu, Lok Long e Choi Cheong.

terça-feira, 24 de junho de 2025

Desenhos a Tinta de Caneta de Chan Hin Chi (陳軒志)

Até ao próximo dia 5 de Julho está patente na Fundação Rui Cunha (Av. da Praia Grande, Macau) uma exposição de Desenhos a Tinta de Caneta “O Universo em Milímetros”, de Chan Hin Chi (陳軒志).
A mostra reúne trabalhos do artista "inspirados nas paisagens e lugares visitados e eternizados entre 2017 e 2025" e inclui naturalmente Macau. Ao todo estão expostas "245 peças, com 56 desenhos de tamanho médio e 189 pequenos esboços nas dimensões de um postal de viagem". Entre as obras estão espaços icónicos de Macau como a Capela de S. Francisco Xavier, o Clube Militar e a Fortaleza do Monte.
Capela de S. Francisco Xavier (Coloane)

Segundo o organizador "apesar de a maioria representar imagens de ruas, edificações, cantos, detalhes e memórias da antiga e moderna Macau, os trabalhos revelam ainda vistas de outras cidades na China – Chengdu, Foshan, Doumen, Harbin e Pequim –, Taiwan, Japão, Alemanha, Suíça, França, Espanha e Portugal.
Clube Militar

Chan Hin Chi é «natural de um país estrangeiro, mudou com a sua família para Macau quando era pequeno, a fim de fixar residência, na década de 60 do século anterior. É jurista e domina as línguas chinesa (mandarim e cantonês), portuguesa e inglesa, enquanto se dedica ao estudo das línguas e culturas luso-chinesas, bem como à pesquisa e docência jurídica. Adora a prática de desenho como artista amador, e tem-se interessado desde a infância pelo desenho a tinta de caneta. Com o decurso do tempo, foi aperfeiçoando a sua arte com a delicadeza e paciência necessárias à sua formação nos estudos de Direito e Linguística».

Fortaleza do Monte

Para o autor, «desenhar é ter a confiança subjectiva para esboçar o mundo ou representar um cenário específico», que depende de muitos factores externos incontroláveis. Por isso, «cada desenho é um auto-desafio» em busca do equilíbrio, e «cada desafio pode ser uma meditação sobre a vida! 

quarta-feira, 11 de junho de 2025

O 10 de Junho e os cartazes de Vitor Marreiros

O designer gráfico macaense Victor Hugo Marreiros (n. 1960) é o autor dos cartazes alusivos ao dia de Portugal em Macau desde 1990. Os trabalhos tem como características comuns a inclusão de símbolos nacionais, portugalidade, de Macau e aspectos alusivos ao ano em curso.
2004
2025

2017

Vitor Marreiros em entrevista ao Hoje Macau em 2017:
"Faço os cartazes do 10 de Junho desde 1990. Fiz primeiro para o Governo de Macau, quando ainda estava no Instituto Cultural (IC), e depois para a comissão organizadora das comemorações do 10 de Junho. Depois, ao fim de uns anos, voltou para o IC e passou a ser feito pelo IPOR. Ao fim de um ano, pelo facto de o IPOR ter decidido fazer um concurso, em vez de me pedir cartazes, deixei de fazer. Mas ainda assim decidi fazer sem encomenda, em 2006, quando fiz um galo de Barcelos para oferecer à comunidade portuguesa. Estava habituado. A Casa de Portugal em Macau soube da história e decidiu apadrinhar o cartaz. Até hoje."
1990
2024

Curiosidade:
A propósito de Victor Marreiros e portugalidade... No hotel MGM em Macau a "Grande Praça", com calçada à portuguesa, é uma réplica de vários edifícios da baixa lisboeta, sendo o edifício a norte, inspirado na fachada da Estação Rossio. Ainda no hotel podem ser vistas diversas obras da autoria do artista macaense, incluindo nos restaurantes de comida chinesa "North" e "South".

domingo, 13 de abril de 2025

Jean François Régis Gervaix (1873-1940): missionário

Há 100 anos partia de Macau para Pequim, onde foi leccionar francês e literatura francesa na universidade local, o padre Jean François Régis Gervaix (1873-1940) missionário francês da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris ordenado em 1898. Nesse ano ano partiu para a China sendo colocado em Cantão de onde partiu em 1916 para Macau como membro do Padroado Português. Esteve ao serviço da Diocese de Macau até 1925, sendo professor de francês no Seminário de S. José. 
Muito activo na vida cultural da cidade é da sua autoria o "Resumo da história de Macau" publicado em 1927 sob o pseudónimo Eudore de Colomban em "colaboração com o capitão de artilharia Jacinto José do Nascimento Moura", que também foi o editor da obra.

Trata-se de uma síntese da História de Macau que resulta de um concurso promovido em Abril de 1923, pelo então governador Rodrigo José Rodrigues (1879-1963) empossado nesse ano. O objectivo era a elaboração de um manual de história para ser ministrado nas escolas do território. O concurso teve a duração de quatro meses e apenas um trabalho foi apresentado.
Na portaria nº 67, publicada no Boletim Oficial do Governo da Província de Macau a 21 de Abril de 1923 pode ler-se:
"Tendo reconhecido quanto, entre a mocidade das escolas oficiais da Província é quase completo o desconhecimento da história da colónia, notável precisamente pelos feitos que aqui ocorreram e a enobrecem. Considerando o valor deste conhecimento na educação e formação da consciência cívica da juventude, o Governador da Província de Macau determina o seguinte: Está aberto o concurso, perante o Inspector da Instrução Pública, pelo prazo de 120 dias, a contar da data desta portaria, para uma história de Macau destinada ao ensino nas escolas; obra vazada nos moldes das histórias de Portugal adoptadas nas escolas da metrópole, nomeadamente as de J. Seguier, Fortunato de Almeida e outras. A obra deve ligar e relacionar continuamente a história de Macau com a história pátria, deve ter em atenção os leitores a que se destina, a sua idade, o seu vocabulário e não empregar palavras ou forma de linguagem que estejam fora da sua compreensão. Deve ser sucinta, clara e grandemente ilustrada com fotogravuras e imagens educativas, evitando-se composições fantasiosas".
Anúncio - jornal A Pátria 1928

Colomban/Gervaix escreve no livro: "Bem merece Macau recolher os frutos que semeou com tanto trabalho, e compete a todos os portugueses, metropolitanos e macaenses, unirem-se e redobrar de esforços e iniciativas, para que o nome português seja hoje, como foi outrora, no País dos Amarelos, sinónimo de diplomacia e iniciativa nos seus governadores, de bravura nos seus soldados, de fé nos seus missionários, de patriotismo, trabalho, honestidade e altruísmo em todos os seus habitantes."
Amigo do padre, seria o capitão Jacinto Moura a empenhar-se na publicação da obra - o governador voltara logo em 1924 para Portugal - quatro  anos depois de ficar pronta: 
"Como português e amigo de Colomban, não podia conformar-me com a perda do seu pequeno trabalho, que, se não era perfeito, representava, além do seu valor intrínseco, um alto exemplo de apreço por assuntos, que a nós, portugueses, mais que a ele, deviam interessar. Solicitei-lhe, portanto, insistentemente a publicação do seu trabalho. Colomban acedeu, por fim, sendo-me, porém impostas as condições de o aperfeiçoar e de lhe dar o meu nome, sem fazer a mais leve referência ao seu. Se a primeira delas era quase insuportável, a segunda era-me absolutamente impossível aceitar. Colomban, vencido pela amizade, consentiu por fim, que o seu nome ocupasse o devido lugar, cabendo-me a mim não só refundir e aumentar o seu trabalho como todos os encargos e direitos... Assim, e apenas com os obséquios e conselhos de alguns amigos, a quem fico muito reconhecido, surgiu o presente livro."
O padre Gervaix foi um dos fundadores do "Instituto de Macau" em Junho 1920. Numa conhecida foto de grupo - imagem acima - numa homenagem a Camões na gruta com o mesmo nome, podem ver-se da esquerda para a direita: Eng. Eugénio Dias de Amorim, Camilo Pessanha, D. José da Costa Nunes, Com. Correia da Silva (Paço d'Arcos), Humberto S. de Avelar,, Alm. Hugo de Lacerda Castelo Branco, Dr. José António F. de Morais Palha, Padre Régis Gervais (é o quinto da direita para a esquerda), José Vicente Jorge, Dr. Manuel da Silva Mendes, Dr. Telo de Azevedo Gomes e Ten. Francisco Peixoto Chedas.

No ano em que chegou a Macau Gervaix publicou no jornal O Progresso (16.7.1916) um poema em francês de homenagem a Camilo Pessanha:
"Je ne sais que ton nom, j’ignore ton visage,
Qu’on dit celui d’un sage,
D’un poete, sacré par le choix merité
De la posterité…
Car ton nom passera lumineaux d’âge en âge,
Comme un feu qui surnage
A l ‘horizon qui fuit sur l’abîme agité
De l’immortalité…"

Em 1936 Gervaix parte de Macau para Hong Kong onde fica até 1938. Regressa então a França onde morre a 4 de Novembro de 1940, com 67 anos. O padre/monsenhor Manuel Teixeira, seu aluno, considerou-o "o grande historiador francês de Macau" 
Na edição da RC nº 19 (português e inglês) Abril/Junho 1994, monsenhor Manuel Teixeira escreve que "O seu mau génio acompanhou-o sempre e quando embirrava com um aluno, este era reprovado no fim do ano. - 'Messieur Sousá apanhará uma raposá; Messieur Pirés apanhará uma raposá", dizia ele. E assim sucedeu: tanto o Sousa como o Pires, meus companheiros, apanharam raposa no fim do ano. Como dedicava todo o seu tempo à história, não dava temas ou exercícios nem os corrigia. Fazia o ditado da sua cabeça sobre qualquer acontecimento local. No fim, um de nós ia ao quadro e escrevia o seu ditado; havendo qualquer erro, ele corrigia-o e os outros corrigiam os seus ditados pelo quadro preto."
Deixou inúmeros artigos sobre a história da presença portuguesa e da Igreja no Oriente.  Uma fonte também importante são as dezenas de cartas que enviou da China e foram publicadas na revista Missions Catholiques (Paris). Foi membro de várias instituições internacionais, v. g. a Associação Internacional dos Historiadores da Ásia. Grande Colar e Sócio da Academia Portuguesa de História.

Curiosidades:
- Em 1925 publicou no Boletim Eclesiástico da Diocese "Histoire populaire de Macao".
- Assinou ainda textos na imprensa macaense sob o pseudónimo Gervásio.
- Em 1928 Colomban viria a editar o seu texto, mas em francês, na cidade de Pequim sob o título "Histoire Abregee de Macau" em dois volumes. 
- Em 1980 a obra (em português) foi reeditada. 

sexta-feira, 4 de abril de 2025

Nascimento de "hum formozo e vigorozo príncipe"

Na edição de 5 de Fevereiro de 1838 o jornal "O Macaista Imparcial" informa sobre o nascimento de "hum formozo e vigorozo príncipe". Trata-se de um anúncio do então governador de Macau, Adrião Acácio da Silveira Pinto, tendo por base uma notícia publicada no "jornal inglez" Atlas, a de 1 Outubro de 1837.
O Príncipe Pedro de Alcântara, que mais tarde (1853) se tornou Rei de Portugal e Algarves (Pedro V), nascera a 16 de Setembro de 1837 no Palácio das Necessidades em Lisboa. Era o filho mais velho de Maria II e Fernando II. Tornado rei depois da morte da mãe, em 1853, ficaria para a história com os cognomes de "Esperançoso" e "Muito Amado". Morreu em 1861. Em Macau deu nome ao primeiro teatro do tipo ocidental na Ásia, inaugurado em 1860.

terça-feira, 1 de abril de 2025

RC nº76 – Edição Internacional/International Edition

A edição nº 76 da Revista de Cultura – Edição Internacional está disponível desde Janeiro último e é dedicada ao 250.º Aniversário do Nascimento de George Chinnery. A efeméride assinalou-se o ano passado. Este ano, assinalam-se os 200 anos da chegada do pintor inglês a Macau.
Entre os vários artigos sobre o tema destaco o de Patrick Conner que aborda as obras de Chinnery expostas no Victoria & Albert Museum, em Londres, instituição com uma das maiores colecções do pintor inglês; e o de minha autoria, intitulado "Testemunhos dos seus conhecidos" - o único em português nesta edição - onde, com recurso a testemunhos de quem o conheceu, se apresenta uma retrato físico e psicológico do artista britânico, autor de algumas das mais notáveis pinturas de paisagens e retratos de habitantes da região, durante a primeira metade do século XIX.
Fundada em 1987 a Revista de Cultura é actualmente uma publicação do Instituto Cultural, editada pelo Centro de Estudos de Macau da Universidade de Macau. Destaca-se não só pela qualidade dos conteúdos como também do excelente design gráfico, marcas que mantém desde a fundação.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

"Reppresentações theatraes" em 1851

Num Edital de 2 de Maio de 1851 "O Procurador por Ordem do (...) Leal Senado da Câmara, faz saber ao público que qualquer Barraca que se construa desta datta em diante para reppresentações theatraes terá de pagar 10 patacas à mesma Câmara, obtendo-se licença do Procurador da Cidade."
in Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor, 10.5.1851

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Exposição "Património Arquitectónico"

Cartaz da exposição de 1983 "Património Arquitectónico", desenho de Carlos Marreiros.
O arquitecto Francisco Figueira foi o responsável pela edição (ICM) do livro - 253 pág. - que 'acompanhou' a exposição. 



A mostra esteve também patente na Galeria Almada Negreiros em Lisboa entre 15 de Dezembro de 1983 e Janeiro de 1984.