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terça-feira, 28 de julho de 2026

Fotografias raras do Monumento aos Piratas em Coloane


Ainda não existia a igreja S. Francisco Xavier
Foi construída em 1928
Ao fundo era um orfanato dirigido pelas irmãs canossianas

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Conselho de Guerra no julgamento de piratas em 1910

Um monumento que existe em Coloane frente à igreja não passa despercebido mas imagino que a maioria das pessoas que por ali passa desconhece a sua origem. Remonta a 1910 quando ainda havia ataques de piratas...
O monumento da vitória sobre os piratas
fotografia da década 1950

Foto de Luís Almeida Pinto. 2025
A fundo a Igreja de S. Francisco Xavier
ainda não existia quando o monumento foi construído no final de 1910

A 5 de Maio de 1910 um grupo de piratas assaltou uma escola na aldeia de Tong-Hang, distrito de San-Neng, (perto de Macau) raptaram 17 alunos e um ajudante de cozinheiro e levaram-nos para Coloane, exigindo $35.000.00 de resgate. Perante o conhecimento dos factos - já em Julho - e apelos dos familiares dos sequestrados, o governador Eduardo Marques ordenou uma força militar atacar os piratas e libertar as crianças.
É assim que começa a operação militar na Ilha de Coloane. Após um contingente inicial ter sido repelido a tiro, foi mobilizada uma força composta por polícias europeus, tropas chinesas, indianas e paquistanesas, marinheiros e as lanchas-canhoneiras Pátria e Macau. 
Lancha canhoneira "Macau" na década 1910

Os combates tiveram início a 14 de Julho com o bombardeamento da orla de Coloane, prolongando-se por vários dias devido à dificuldade em diferenciar a população dos piratas e em localizar os reféns. A 19 de Julho, as tropas descobriram a primeira caverna, resgatando 11 crianças e detendo sete piratas. Nos dias seguintes, recorrendo ao uso de enxofre para forçar a saída dos ocupantes, foram invadidas outras cavernas, como a da praia de Hác-Sá, o que permitiu libertar mais crianças e capturar dezenas de meliantes.
No total, foram capturados cerca de 300 piratas e a maioria das crianças regressou para junto dos pais, enquanto as não reclamadas foram assistidas pela Santa Casa da Misericórdia e pelo Hospital de S. Rafael, acabando algumas por ser adoptadas na comunidade. 

jornal A Verdade 8.9.1910

O desfecho deu-se a 30 de Agosto de 1910 com o julgamento em Conselho de Guerra no Quartel de S. Francisco - processo que contou com a participação do jurista e poeta Camilo Pessanha -, culminando na condenação de oito cabecilhas a 28 anos de degredo em Moçambique. 
1910年路環島打擊海盜行動中逮捕的海盜

Esta fotografia mostra cinco dos piratas presentes ao Conselho de Guerra no que parece ser o pátio do Quartel de S. Francisco em Agosto de 1910. Têm de cada lado dois militares do exército português de serviço em Macau.

sábado, 18 de julho de 2026

Uma viagem à "esplanada" na década 1970

O temo quente convida a mais tempo em esplanadas. Estas fotografia documenta o espaço assim conhecido em português na década de 1970. Para a comunidade chinesa era a "Casa de Chá do Cavalo de Bronze". 

Localizada sob uma fileira de figueiras-de-bengala na então denominada Av. Dr. Oliveira Salazar (frente ao Liceu) o espaço tinha esta designação por ficar próximo da estátua do governador Ferreira do Amaral, designada popularmente pelos chineses como "estátua do cavalo de bronze".

銅馬茶座:位於蘇亞利斯博士大馬路一列大榕樹下的茶座,由於在銅馬像附近,故名“銅馬茶座”(1970年代)

PS: Um outro espaço muito semelhante existiu nas décadas 1950/60 mas a construção do Hotel Lisboa 'obrigou' à deslocalização.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Brasão de Armas na Porta do Cerco

Entre a ideia e a concretização do Museu Camões passaram tantas décadas que muitas peças do património arquitectónico - que pelas mais diversas razões tiveram de ser retiradas dos locais originais - foram sendo depositados em espaços como as traseiras das Ruínas de S. Paulo e a Fortaleza do Monte.
Aquando da Implantação da República em 1910 (Portugal) muitos dos símbolos monárquicos que estavam em edifícios/monumento foram retirados*. Foi o caso do escudo heráldico português que estava ao centro no topo do arco da Porta do Cerco. Tudo indica que foi removido para a Fortaleza do Monte. De uma fotografia de 1987 ali tirada identifiquei o que me parece ser o referido brasão. Tem a bordadura com os castelos e o interior preenchido com as "quinas". 
O escudo está danificado, apresentando uma fractura horizontal proeminente na rocha que pode ter ocorrido aquando da remoção e/ou transporte. A fotografia maior é do período anterior a 1910 vendo-se a bandeira da monarquia.

 

A disposição heráldica apresentada (quinas laterais na vertical e não inclinadas) foi fixada em Portugal no final do século XV (reinado de D. João II, em 1481). No entanto, o estilo da pedra, a textura e os elementos decorativos esculpidos na parte superior sugerem que se trata de uma obra produzida entre os séculos XVIII e XIX (períodos barroco e neoclássico). Ora a Porta do Cerco foi construída em 1870/71 pelo que considero a hipótese provável. Mas poderá ter tido outra origem...
* No caso da toponímia a Rua Nova Del Rei passou a denominar-se Rua Cinco de Outubro.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Antigos "Cruzeiros"

A presença de cruzeiros (grandes cruzes de pedra ou madeira) no adro ou em frente às igrejas é uma tradição profundamente enraizada na Europa e muitos países espalharam esse hábito pelos então territórios conquistados um pouco por todo o mundo. Portugal não foi excepção. Em Macau embora muitos já tenham desaparecidos, ainda existem alguns.
Entre os que desapareceram pela voragem do tempo contam-se o do Largo do Senado junto à Igreja de Misericórdia e o que ficava junto à Igreja e Convento de S. Francisco. A cruz é o elemento simbólico do cristianismo. Sendo o seu elemento mais universal assinala o sagrado sobre o profano. Para além da função religioso tinham também um função Social e de identidade, assumindo-se como "ponto de encontro" por excelência de um determinado local. Eram o centro da vida social da aldeia ou vila (em frente à igreja principal) e era ali que se discutiam negócios, que se davam novidades e se tomavam decisões comunitárias.
Entre os cruzeiros que ainda hoje se podem encontrar em Macau estão os do Largo da Sé (embora numa versão moderna pois o anterior estava danificado), junto à igreja de S. Lázaro, da igreja do Carmo (Taipa), Igreja S. Francisco Xavier (Coloane), Ermida da Penha, Igreja de Santo António, etc...
No adro da igreja de Santo António com a inscrição "1638"

O do adro da Igreja de Santo António afere que a construção da igreja na actual localização é datável de 1638, data inscrita no cruzeiro de pedra existente no adro. Embora a primitiva construção seja anterior. É mesmo a mais antiga de Macau remontando ao final do século 16.
A referida construção de pedra e cal e estilo neoclássico sofreu inúmeras remodelações, nomeadamente, em 1810 e 1876

A razão da sua construção resulta da combinação de funções religiosas, sociais e até práticas, funcionando como a sagração do espaço público. O cruzeiro funcionava como uma extensão do altar para o exterior. Marcava o limite entre o mundo profano (a rua) e o mundo sagrado (a igreja). Ao colocar uma cruz na frente do edifício, toda a praça ou adro passava a ser considerada solo sagrado, preparando o fiel espiritualmente antes de ele cruzar o umbral da porta.
Cruzeiros assinalados num 'mapa' do século 17

Muitas vezes, as igrejas eram pequenas demais para acolher multidões em festas populares. Assim os padres pregavam junto ao cruzeiro - púlpito ao ar livre - para que todos na praça pudessem ouvir. Eram também usados em procissões e vias-sacras com uma escala, uma "estação" onde se rezava e entoavam cânticos.
Cruzeiro junto à Igreja/Convento de S. Francisco: pintura 1812

Assumindo a função de protecção espiritual acreditava-se que a cruz protegia a comunidade contra pestes, tempestades e "más energias". Alguns exemplares foram erguidos enquanto "marcos de piedade", fruto de promessas de famílias ricas ou por ordens religiosas (como os Franciscanos ou a Ordem de Cristo) para incentivar a oração dos transeuntes.
Em tempos antigos, os cemitérios situavam-se junto aos adros das igrejas e aí o cruzeiro servia como um monumento central de oração pelas almas ali enterradas.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

"Primeiro navegador que aportou à China"

 

O escultor Euclides Vaz foi o autor desta estátua de Jorge Álvares inaugurada a 16 de Setembro de 1954 e que ainda hoje pode ser vista em Macau frente ao antigo Edifício das Repartições Públicas/Tribunal.
O projecto nasceu após a visita do Ministro do Ultramar, Sarmento Rodrigues, no Verão de 1952. Euclides Vaz viria a ganhar o concurso público em Setembro de 1953. Enviados para Macau no paquete "Índia" os vários elementos da estátua chegaram ao território em Maio de 1954 sendo a instalação dos mesmos ficado a cargo da empresa Va San entre Julho e Agosto desse ano.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Postal "Esculturas Contemporâneas": década 1990

Projectado pela artista Dorita Castel Branco (1936-1996), este "conjunto escultórico" foi inaugurado em  Dezembro de 1985. Consiste num paredão, no cimo do qual está um miradouro. O monumento de 300 metros de altura é composto por 6 muralhas com 12 lajes que constituem um enorme painel onde os altos-relevos temáticos abordam diferentes aspectos da vida quotidiana e costumes locais.

Postal de 9 de Outubro de 1999

"(...) a obra foi encomendada pelo Governador Almeida e Costa à escultora Dorita Castel Branco, para representar a amizade luso-chinesa. Macau vivia então um tempo de “vacas magras” pelo que os milhões gastos na encomenda criaram grande polémica, até porque para a acomodar, foi necessário destruir parte da colina até então verdejante. A “Tribuna”, então semanário, divulgou os primeiros desenhos da escultora, e o “Jornal de Macau” chamou-lhe “os calhaus da Taipa”, nome que ficou na comunidade portuguesa e fez com que estivesse abandonado durante alguns anos. Com a chegada do Governador Rocha Vieira, o monumento passou a ter destaque, através de uma iluminação adequada." 
Texto de José Rocha Dinis, director do JTM, num editorial de 23-02-2009
Foto de Lei U Veng

"As Esculturas de Relevo de Taipa, com autoria da escultora portuguesa Dorita Castel-Branco, foram inspiradas na Grande Muralha da China. Este monumento representa a vivência da população de Macau ao longo de cerca de quatro séculos e meio e os pontos de interesse do Território. Utilizando o jogo de luzes, a autora provoca uma sensação tridimensional."
Texto do ICM
 Postal de 1994 a partir de uma fotografia de Ho Kuok Man
A escultura na colina da ilha da Taipa, no final da ponte.

Texto de um roteiro turístico da década 1980:
"(...) O monumento em ziguezague consiste em seis trabalhos de alto-relevo. O mais alto é um astrolábio. A vida quotidiana, a indústria e os costumes de Macau são os temas principais desta obra escultórica. Vêem-se ainda representados em alto relevo os pontos históricos e turístico mais famosos e do leão de Macau: as Ruínas da Igreja de S. Paulo, o Casino do Hotel Lisboa e Monte da Guia. Faz ainda alusão aos meios de transporte mais utilizados antigamente em Macau, como os triciclos, os sampan, os juncos e os barcos de formato ocidental. Os elementos decorativos do monumento representam, para além da animação das festas tradicionais coma as danças do dragão e do leão e a queima de panchões, duas meninas com trajes tradicionais a dançar em frente do Templo de A Má, mostrando aspectos culturais e as festas que animam a população de Macau. Quanto ao Miradouro, dispõe de uma escadaria para subir até ao alto, donde se podia (na altura da inauguração) desfrutar uma panorâmica da península de Macau e era o local privilegiado para ver as duas pontes (então existentes) que fazem a ligação entre Macau e Taipa."

terça-feira, 11 de novembro de 2025

"Para além do jogo"

Com diferentes títulos, este artigo da agência noticiosa United Press internationl (UPI) foi publicado em inúmeros jornais um pouco todo o mundo em Novembro de 1975. Foi há 50 anos, quando Macau dava os primeiros anos na indústria do jogo e do turismo. Os turistas vinham maioritariamente de Hong Kong, sendo jogo o principal motivo da visita. Do estrangeiro, eram os japoneses que dominavam e era a história dos primeiros tempos do território que os atraía... 
Turistas do Canadá e Estados Unidos também visitavam  cidade, muitas vezes, aproveitando a escala em Hong Kong.  O Centro de Informação e Turismo funcionava no piso térreo do Palácio do Governo. Para além do Porto Interior, a nova porta de entrada em Macau funcionava então nos aterros do Porto Exterior, onde atracavam os novíssimos jatoplanadores e os hidroplanadores da empresa Shun Tak. O que também era novo em 1975 era a ponte Macau-Taipa, inaugurada em Outubro do ano anterior.
Roteiro da cidade em 1975
Other Macao Than Gambling
Macao (UPI) – An undistinguished granite table with four simple stools stands among the flowers, fountains and trees of Kun Iam Tong, the Temple of the Goddess of Mercy. These days it serves as a convenient resting spot for tired tourists. But on July 3, 1843, Chinese Viceroy Yi and U.S. Ambassador Caleb Cushing used the table to sign a friendship treaty opening formal relations between China and the United States. The table, moved to the temple in this Portuguese colony from the southern Chinese treaty town of Wanghia, has stood up well to decades of exposure but the “undying friendship” pledged in the document has died.
This is the “other Macao,” a century away in time but only a short walk past the famed gambling spots that many visitors never leave. Away from the tables, a visitor looking for an inexpensive vacation can trace moments in the histories of the many nations that left permanent marks on the landscape.
And Macao's secluded sandy beaches, winding streets, pastel homes and low price accommodations and food provide other discoveries. One pretty American student said that “vacationwise, I don't think you could have a cheaper eight days.” “We don't gamble, but we picnic, stay in a small inn with only 10 rooms, walk everywhere and get kicks taking pictures of Macao’s border crossing into China with cameras under our coats” despite the signs prohibiting photographs, she said. The 20-year-old visitor from California said she came to Macao with $100 and expects to leave with $20. Her “old but really charming inn” charged $6 a day and her meals cost $37. She admitted “I did drop one dollar in a slot machine.” Another college student from New Jersey said Buddhists monks allowed her to sleep in the monastery for free as long as she attended early morning services.
The Macao government is anxious for visitors to gamble, since the tables are the city's largest source of income, but it is just as concerned that Macao represent something more than an Asian Las Vegas.
Joao Reis*, the marketing director of the colony on the South China coast, said the government plays down gambling in its tourist publications “because it is always for visitors to see the ‘whole Macao.’” He said Macao leaves promotion of the casinos, dog races and jai alai pretty much to the Chinese syndicate that controls them. “We want the foreigner to absorb at least some of the history,” Reis said.
The government spends thousands of dollars yearly to maintain the historical monuments in top condition. All of the popular attractions are free.
Accommodations range from $10 a night for a double in a small inn to $42 in the most expensive hotel, but three meals can cost as little as $12 a day per couple at many small restaurants offering a variety of international menus. Visitors can easily hire an English-speaking tour driver for $3 an hour, but energetic travelers can rent a bicycle for 50 cents. The city bus costs a flat six cents a ride, and the 10-mile-square city can easily be seen on foot.
Just as Americans are drawn to the treaty table and the vast views of China, Japanese visitors are intrigued to learn that Macao served as a vital base for the introduction of Christianity to Japan. Japanese Christian artisans fled feudal persecution in the early 18th century to help build St. Paul’s Church, Macao's most famous land-mark. Designed by an Italian Jesuit, the church in 1835 caught fire during a typhoon, leaving only the front façade and stairs standing.
Macao, officially established as a Portuguese possession in 1557, soon became headquarters for a number of trading houses that virtually monopolized the Japan-China trade and trade between between both countries and Europe. But mud from the Pearl River silted up the harbor and Macao began to lose its wealth. The trade center moved to Hong Kong 45 miles away. At Fort Monte visitors can get an overall view of Macao and China. The ancient carved stones and cannon still remain, but the government has added a weather observatory.

Inaugurado em 1974 o Jai Alai era a grande novidade em 1975

Tradução/Adaptação
Macau Para Além do Jogo
MACAO (UPI) – Uma mesa de granito desinteressante com quatro bancos simples encontra-se entre as flores, fontes e árvores de Kun Iam Tong, o Templo da Deusa da Misericórdia. Hoje em dia, serve como um local de descanso para turistas cansados. Mas a 3 de Julho de 1843, o Vice-Rei chinês Yi e o Embaixador dos EUA Caleb Cushing usaram a mesa para assinar um tratado de amizade que inaugurou as relações formais entre a China e os Estados Unidos. A mesa, transferida para o templo nesta colónia portuguesa da cidade de Wanghia, no sul da China, resistiu bem a décadas de exposição, mas a “amizade indestrutível” prometida no documento morreu. Este é o “outro Macau”, um século atrás no tempo, mas apenas a uma curta caminhada dos famosos locais de jogo que muitos visitantes nunca abandonam. 
Longe das mesas, um visitante que procure férias baratas pode traçar momentos na história das muitas nações que deixaram marcas permanentes na paisagem. E as praias isoladas de Macau, as ruas sinuosas, as casas de cores pastel e os alojamentos e comida a preços baixos proporcionam outras descobertas. Uma jovem estudante americana disse que “em termos de férias, não creio que se consiga ter oito dias mais baratos.” “Não jogamos, mas fazemos piqueniques, ficamos numa pequena estalagem com apenas 10 quartos, andamos por todo o lado e divertimo-nos a tirar fotografias da fronteira de Macau com a China com máquinas fotográficas debaixo dos casacos”, apesar dos avisos que proíbem as fotografias, disse ela. A visitante de 20 anos da Califórnia disse que veio a Macau com 100 dólares e espera sair com 20. A sua “estalagem antiga, mas realmente encantadora” custa 6 dólares por dia e as suas refeições custavam 37 dólares. Ela admitiu: “Gastei um dólar numa slot machine.” Outra estudante universitária de Nova Jérsia disse que os monges budistas a deixaram dormir no mosteiro de graça, desde que ela assistisse aos serviços matinais.
O governo de Macau está ansioso por receber visitantes para jogar, uma vez que as mesas são a maior fonte de rendimento da cidade, mas está igualmente preocupado que Macau represente algo mais do que uma Las Vegas asiática.
João Reis*, funcionário do Centro de Informação e Turismo da colónia na costa sul da China, disse que o governo minimiza o jogo nas suas publicações turísticas “porque é sempre para os visitantes verem o ‘Macau na íntegra’”. Ele disse que Macau deixa a promoção dos casinos, corridas de cães e jai alai praticamente para o sindicato chinês que os controla. “Queremos que o estrangeiro absorva pelo menos um pouco da história”, disse Reis.
O governo gasta milhares de dólares anualmente para manter os monumentos históricos em perfeitas condições. Todas as atrações populares são gratuitas. 
Os alojamentos variam entre 10 dólares por noite por um quarto duplo numa pequena estalagem e 42 dólares no hotel mais caro, mas três refeições podem custar apenas 12 dólares por dia por casal em muitos pequenos restaurantes que oferecem uma variedade de menus internacionais. Os visitantes podem contratar facilmente um motorista turístico falante de inglês por 3 dólares à hora, mas os viajantes mais aventureiros podem alugar uma bicicleta por 50 cêntimos. O autocarro urbano custa seis cêntimos por viagem, e a cidade de 10 milhas quadradas pode ser facilmente percorrida a pé.
Assim como os americanos são atraídos pela mesa do tratado e pelas vastas vistas da China, os visitantes japoneses ficam intrigados ao saber que Macau serviu como uma base vital para a introdução do Cristianismo no Japão. Artesãos cristãos japoneses fugiram da perseguição feudal no início do século XVIII para ajudar a construir a Igreja de São Paulo, o monumento mais famoso de Macau. Projetada por um Jesuíta Italiano, a igreja foi incendiada em 1835 durante um tufão, deixando apenas a fachada frontal e as escadaria de pé.
Macau, oficialmente estabelecida como uma possessão portuguesa em 1557, tornou-se rapidamente sede de várias casas comerciais que praticamente monopolizaram o comércio Japão-China e o comércio entre ambos os países e a Europa. Mas o lodo do Rio das Pérolas assoreou o porto e Macau começou a perder a sua riqueza. O centro comercial mudou-se para Hong Kong, a 45 milhas de distância.
Na Fortaleza do Monte, os visitantes podem ter uma vista geral de Macau e da China. As antigas pedras esculpidas e canhões ainda permanecem, mas o governo instalou ali um observatório meteorológico.
Emissão de 1975


Nota: Em 1975 entre os hotéis do tipo ocidental contavam-se a Pousada Macau Inn, Vila Tai Yip, Bela Vista, Estoril, Lisboa, Sintra, Matsuya, etc... Do tipo chinês destacam-se o Kuok Chai e o Central, ambos na Av. de Almeida Ribeiro. Entre os casinos contavam-se o Lisboa, o Estoril, o Macau Palace (flutuante), etc... Mas o jogo não de limitava aos casinos da STDM, a concessionária em exclusivo desde os primeiros anos da década 1960. Havia ainda as casas de fantan e as apostas nas corridas de galgos no Canídromo ou nos jogos de pelota basca, a grande novidade do Jai Alai.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Identificar/Datar uma fotografia antiga

Na falta de elementos que me permitissem identificar/datar esta fotografia procurei à lupa e cheguei à conclusão que se trata da Fonte da Vitória. Com o nº 1 assinalei D. José Manuel de Carvalho, bispo de Macau entre 1897 e 1901. Ao lado, com o nº 2, está Eduardo Galhardo, governador entre 1897 e 1901. Não tendo conseguido identificar o evento que proporcionou a fotografia de grupo, posso garantir que se trata da Fonte da Vitória, uma praça circular com 57 metros de raio inaugurada em 1871 e que fazia parte do complexo mais largado que incluía o Monumento da Vitória, inaugurado pouco tempo antes. Esta fonte foi posteriormente mudada para o Jardim da Flora.
A fotografia de grupo - onde estarão certamente membros do Leal Senado - terá de ser do período entre Março de 1898 (o bispo chegou a Macau no dia 1 desse mês) e Março de 1900 (Galhardo deixou de ser governador no dia 23 desse mês). Talvez um evento relacionado com o IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia que se celebrou em 1898.
Monumento e Fonte da Vitória: foto do início do séc. 20

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

História resumida da Estátua de Ferreira do Amaral

A leitora Rita Mega, formada na Escola de Belas Artes de Lisboa, é autora de um podcast sobre Escultura intitulado Pedra e Bronze onde, segundo ela, "já falei sobre Macau nalguns episódios". Na sequência do e-mail que recebi da Rita, deixo aqui de forma resumida a história da estátua equestre de Ferreira do Amaral.

Década 1950
Década 1960
Década 1980

Breve história do monumento

- Legislação portuguesa de 1923 (Decreto 3:367 - Diário do Governo nº 158) autoriza o Governo de Macau a "despender até à importância de 30 000 escudos" para a "erecção dum monumento aos gloriosos cidadãos João Maria Ferreira do Amaral e Vicente Nicolau de Mesquita"; no mesmo diploma fica garantida a oferta do bronze (Arsenal da Marinha) para o efeito, sendo lançado um concurso público para encontrar quem seria o escultor, sendo que só podiam participar artistas portugueses e a escolha do vencedor seria feita pelo Governo de Macau.

- Em 1926 o Boletim da Agência Geral das Colónias - site memória de África refere-se à escolha do local para a implantação da estátua (pág. 173).

- Encomendado pelo Leal Senado ao escultor português Maximiano Alves (tb fez a estátua do Coronel Mesquita) a maqueta foi concebida cerca de 1927, existindo vários registos fotográficos e pelo menos uma referência na imprensa da época em Portugal: "Notícias de Ilustrado" de 1928 com a legenda: "Maquette do monumento destinado a Macau em memória do governador Ferreira do Amaral, obra do arquitecto Carlos de Andrade e escultor Maximiano Alves".

- A estátua em bronze tem 5 metros de altura mostra o governador Ferreira do Amaral a cavalo no momento em que foi assassinado.

- O conjunto foi concebido para ser assente no sistema de pilares em pedra com 10 metros de altura que junto à base tinha em relevo os brasões de Portugal.

- Inauguração do conjunto escultórico a 24 de Junho de 1940 em Macau (e tb da Estátua de Vicente Nicolau Mesquita).

- A pedido das autoridades chinesas o monumento foi desmantelado em Outubro de 1992 e posteriormente enviado para Lisboa. Existem imagens da remoção da estátua mas desconheço o que foi feito em relação aos pilares onde a mesma assentava.

- Ficando guardada num contentor em Lisboa em 1994 a autarquia sugere um total de 14 locais para a reinstalação da estátua, sem nenhuma referência ao pedestal.

- Em Outubro de 1998 o governador Rocha Vieira faz a entrega formal da estátua à Câmara Municipal de Lisboa.

- Em 1999 a estátua é colocada na Alameda da Encarnação sem o pedestal original.

- Em 2013 o Grupo de Amigos do Museu da Marinha sugere a mudança do local para o referido museu, mas sem qualquer efeito permanecendo na zona norte da cidade de Lisboa, muito perto do aeroporto.

Curiosidades:
- Um baixo-relevo da estátua esteve exposto em 1937 na Sala Militar durante a Exposição Histórica de Ocupação e I Congresso de História de Ocupação Portuguesa no Mundo.
- Existe uma réplica da estátua de F. Amaral feita pelo escultor Augusto Gil em 2011
- Em Macau o The Bright Dawn Studio tem previsto para este ano de 2025 produzir uma miniatura da estátua: ca. 5 cm comprimento, 5 cm largura e 13,5 cm de altura.
Nota: Existem inúmeros posts sobre o tema pelo que sugiro recurso ao campo de pesquisa.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

"Ser Arquitecto em Macau"

José Celestino da Silva Maneiras nasce em Macau, em 1935, numa família macaense enraizada na sociedade local. Permanece nove anos em Portugal, onde chega em 1953, em pleno pós-guerra, e quando o regime do Estado Novo admite aberturas pontuais ao contexto internacional, como prova a realização, em Lisboa, do III congresso da União Internacional de Arquitectos (UIA). Dois anos depois, ingressa no Curso de Arquitectura da Escola Superior de Belas Artes do Porto, diplomando-se em 1962. Nesse mesmo ano retorna ao território chinês então sob administração portuguesa. A cidade possui uma elite fechada, provinciana e colonial, pouco receptiva a novidades exteriores e também à arquitectura internacional. Não há grande actividade construtiva e a edificação corrente não excede os três pisos, devendo-se essencialmente ao trabalho de engenheiros radicados no território ou a desenhadores chineses que reproduzem mecanicamente projectos de arquitectos e de outros profissionais. No arranque dos anos de 1960, o objectivo de promotores e empreiteiros é já ganhar dinheiro rapidamente.
O regresso de José Maneiras faz parte de um breve movimento migratório que leva um conjunto de jovens arquitectos portugueses a Macau, casos de Manuel Vicente, Natália Gomes, Ramires Fernandes ou Jorge Silva. Integram então os quadros técnicos do governo local, desenvolvendo planos urbanos para a cidade. A equipa, coordenada por Manuel Vicente, opta por propor planos parcelares, contendo directrizes orientadoras para alinhamentos e cérceas. As propostas são mal recebidas pela população, maioritariamente chinesa, criando alguma inércia à sua aplicação com a conivência da administração colonial pressionada pela condição política da República Popular da China, com quem Portugal não mantém relações diplomáticas.
Desse grupo inicial de arquitectos, a partir de 1966 apenas Maneiras permanece em Macau. Uma possível mobilização militar para a guerra colonial, em curso nos então territórios portugueses em África, obriga-o a ficar. Sucede a Manuel Vicente no acompanhamento à obra do Liceu Pedro Nolasco de Raul Chorão Ramalho – um dos edifícios modernos mais significativos da presença portuguesa – batendo-se mais tarde contra a sua demolição. Os acontecimentos de 3 de Dezembro de 1966 no território (o amotinamento popular, que ficou conhecido por “1-2-3”, muito influenciado pelo clima vivido durante a Revolução Cultural chinesa), que coloca em causa o governo colonial, e o afastamento geográfico face à Metrópole, provocam um período de baixo investimento que se reflecte na quase inexistência de encomenda pública e privada.
A partir de 1967, José Maneiras lança-se na actividade privada, mantendo um atelier de produção “artesanal”, com a colaboração de um ou dois desenhadores, e seleccionando as encomendas, o que lhe permite sobreviver aos tempos de menor solicitação de projectos. Da sua obra construída durante esta fase, e localizada essencialmente em Macau, torna-se tarefa difícil encontrar exemplares intactos. Muitos edifícios foram demolidos, intervencionados ou estão em risco de desaparecer. A falta de hábito de registo, por parte dos profissionais da sua geração, também não ajuda ao levantamento sistemático deste património quase desconhecido. Mas nestes anos de 1960, o arquitecto desenha e concretiza um conjunto de edifícios residenciais de inclinação brutalista, no quadro das exigências das regiões tropicais, que constitui, provavelmente, a sua fase criativa mais importante. Deste elenco, destacam-se os conjuntos habitacionais na Rua da Praia Grande (Conjunto São Francisco, 1964), na Estrada do Visconde de São Januário (duas residências, 1965), Belle Court na Penha (casa e bloco de apartamentos, 1968) ou o programa residencial para invisuais, a pedido da Santa Casa da Misericórdia (1970), na Rua Sete do Bairro da Areia Preta.
Entre a construção cerrada de Macau, as variações de escala destes programas residenciais produzem ambientes contrastantes, onde uma urbanidade, colossal e compacta, dá muitas vezes lugar a espaços de maior domesticidade. Na obra de José Maneiras, a torre da Rua Ferreira do Amaral, implantada sobre uma plataforma de serviços, e o bloco de três pisos, para invisuais, funcionam como pólos opostos da mesma realidade urbana. No momento em que é concretizado este último conjunto, o terreno encontra-se ainda vazio de construções. O projecto é executado com custos muito controlados e áreas que rentabilizam a dimensão do lote.
O arquitecto elabora ainda fábricas verticais – também um programa especifico de territórios com elevada densidade construtiva e pouca área disponível (a maioria destes imóveis encontra-se actualmente desactivada, uma vez que a produção industrial migrou entretanto para a China, tendo-se Macau especializado no jogo). A apropriação dos edifícios faz-se à mesma velocidade da sua ocupação, alterando algumas das soluções arquitectónicas originais, designadamente aquelas mais ligadas ao controle climatérico. Conforme testemunha, a qualidade construtiva também não é, ao tempo, elevada, facto que contribui para a rápida deterioração e consequente substituição do edificado. A maioria dos materiais empregues é já originária da China. Esta rápida deterioração é igualmente facilitada pela legislação que na época privilegia a propriedade horizontal, ilibando governo e privados da reabilitação dos edifícios. O 25 de Abril de 1974 vai acelerar o desenvolvimento do território, assistindo-se à chegada de um novo surto de profissionais portugueses durante a década seguinte. Alguns vêm dos antigos territórios coloniais. O arquitecto mantém a mesma postura independente, que caracteriza a sua personalidade profissional antes da Revolução. É o tempo dos grandes equipamentos públicos, desenhados dentro de filiações linguísticas mais corporativas (Interiores e ampliação do Banco Nacional Ultramarino, 1975; Hotel Ramada, não construído, 1980; piscina do Complexo Desportivo, 1984; Centro de Desportos Náuticos na albufeira da barragem de Hac Sa, 1995, p.e.). Em 1987, participa no grupo que funda a Associação de Arquitectos de Macau (AAM). Eleito no ano seguinte para o cargo de presidente, cumpre dois mandatos. Reflexo da dinâmica que imprime à organização, a AAM integra a UIA no XVI congresso realizado em Montreal, em 1990.
O governo democrático traz novas oportunidades e José Maneiras torna-se igualmente vereador (1972-1989) e, mais tarde, Presidente do Leal Senado (1989-1993), fazendo a ponte entre as culturas chinesa e portuguesa, como é tradição entre a comunidade macaeense. A prática da arquitectura fica, então, em segundo plano. Afasta-se da actividade política no período de Vasco Rocha Vieira, que governa o território na última década da presença portuguesa, entre 1991 e 1999.
Monumento de Homenagem à Diáspora Macaense junto à Fortaleza de S. Tiago da Barra

Com a criação da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), em 1999, o território conhece a actual fase de desenvolvimento urbano tornando-se apelativo a profissionais de outras esferas geográficas. É o tempo das grandes corporações de arquitectos de Hong Kong ou dos EUA cuja experiência na produção de uma arquitectura comercial e de inspiração “tecnológica” serve os novos objectivos da cidade. Macau deseja superar Las Vegas, em volume de negócios do jogo, em construção, e em imaginário. Os pequenos ateliers têm maior dificuldade em sobreviver . O conjunto banda e torre da Praia Grande – tropical, complexo e brutalista – surge agora na sombra do “enorme, dourado, reluzente” (e anónimo) novo Casino Lisboa. José Maneiras alia-se a outros arquitectos com obra no território e dá continuidade a uma fase mais direccionada para o acompanhamento de grandes programas urbanos. Projectos como a requalificação da Praça do Tap Seac (2003-2006), com Carlos Marreiros e José Chui Sai Peng, ou a coordenação da equipa projectista do reordenamento viário da Rotunda Dr. Carlos de Assumpção (2006), assinalam este período do seu percurso profissional.
O crescimento recente da cidade, porém, estigmatiza os edifícios “modernos”. O edifício comercial Si Toi – Hong Kong Bank (actual HSBC – Hong Kong and Shangai Bank Corporation, 1982), também da sua autoria, é um caso exemplar deste fenómeno. Localizado no centro é a primeira obra em Macau a recorrer a um sistema curtain wall. O sistema é adoptado, já em construção, por decisão do promotor que assim procura alinhar-se com as tendências praticadas em Hong Kong, contrariando a opinião do arquitecto que duvida da sua eficácia em climas tropicais. Todavia, José Maneiras adapta o projecto e o edifício constrói-se com dignidade. O programa admite na época, um centro de convenções e escritórios. Hoje está ocupado com clubes privados e salões de bilhar. A pala da cobertura foi entretanto fechada. Um dos actuais proprietários chegou mesmo a romper uma laje para ligar dois pisos. O arquitecto confirma que o edifício original “nem se vê”.
Cartaz de uma palestra realizada em Macau em 2023

José Maneiras prossegue entretanto com a sua actividade, privilegiando projectos de pequena escala, como renovações de edifícios de valor patrimonial, e continuando “velhas” práticas, como o acompanhamento da obra ou a elaboração de pormenorizados desenhos. O Monumento à Diáspora Macaense, na Rua São Tiago da Barra, inaugurado em 2001, insere-se nestas preocupações. Torna-se também consultor na companhia Nam Van, para o Plano da Baía da Praia Grande, e presidente da Assembleia Geral do Laboratório de Engenharia Civil de Macau. Em 2006, é nomeado membro honorário da Ordem dos Arquitectos por indicação do então vice-presidente da instituição portuguesa e seu velho companheiro em Macau, Manuel Vicente. O seu trabalho em defesa da dignidade da prática arquitectónica, num contexto de elevada competição profissional, é considerado um exemplo ético para as novas gerações. O reconhecimento público chega assim entre pares.
Texto de de Ana Vaz Milheiro (com Hugo Coelho, em Macau) publicado no nº 243 do Jornal de Arquitectura, 2011.

terça-feira, 24 de junho de 2025

Desenhos a Tinta de Caneta de Chan Hin Chi (陳軒志)

Até ao próximo dia 5 de Julho está patente na Fundação Rui Cunha (Av. da Praia Grande, Macau) uma exposição de Desenhos a Tinta de Caneta “O Universo em Milímetros”, de Chan Hin Chi (陳軒志).
A mostra reúne trabalhos do artista "inspirados nas paisagens e lugares visitados e eternizados entre 2017 e 2025" e inclui naturalmente Macau. Ao todo estão expostas "245 peças, com 56 desenhos de tamanho médio e 189 pequenos esboços nas dimensões de um postal de viagem". Entre as obras estão espaços icónicos de Macau como a Capela de S. Francisco Xavier, o Clube Militar e a Fortaleza do Monte.
Capela de S. Francisco Xavier (Coloane)

Segundo o organizador "apesar de a maioria representar imagens de ruas, edificações, cantos, detalhes e memórias da antiga e moderna Macau, os trabalhos revelam ainda vistas de outras cidades na China – Chengdu, Foshan, Doumen, Harbin e Pequim –, Taiwan, Japão, Alemanha, Suíça, França, Espanha e Portugal.
Clube Militar

Chan Hin Chi é «natural de um país estrangeiro, mudou com a sua família para Macau quando era pequeno, a fim de fixar residência, na década de 60 do século anterior. É jurista e domina as línguas chinesa (mandarim e cantonês), portuguesa e inglesa, enquanto se dedica ao estudo das línguas e culturas luso-chinesas, bem como à pesquisa e docência jurídica. Adora a prática de desenho como artista amador, e tem-se interessado desde a infância pelo desenho a tinta de caneta. Com o decurso do tempo, foi aperfeiçoando a sua arte com a delicadeza e paciência necessárias à sua formação nos estudos de Direito e Linguística».

Fortaleza do Monte

Para o autor, «desenhar é ter a confiança subjectiva para esboçar o mundo ou representar um cenário específico», que depende de muitos factores externos incontroláveis. Por isso, «cada desenho é um auto-desafio» em busca do equilíbrio, e «cada desafio pode ser uma meditação sobre a vida! 

terça-feira, 10 de junho de 2025

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

10 de Junho de 1982: carimbo da "1ª Exposição filatélica Macau e Portugal"

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é celebrado a 10 de Junho porque essa é a data da morte do poeta Luís Vaz de Camões em 1580. O feriado remonta a 1920. Durante o Estado Novo denominava-se "Dia de Camões, de Portugal e da Raça". A partir de 1978 passou a ser "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas".
Em Macau é desde 1923 assinalada, entre outros eventos, com uma romagem à Gruta de Camões.
1983: ano da emissão deste selo (de 1 pataca) da série Edifícios e Monumentos
Postal máximo: fotografia, selo e carimbo sobre o mesmo tema


No topo do arco da Porta do Cerco a expressão "A Pátria honrai que a Pátria vos contempla", divisa da Marinha portuguesa adoptado em 1863. 

Aspecto actual

Portaria de 20.3.1863:
«Manda Sua Majestade El-Rei declarar ao conselheiro inspector do arsenal da marinha, que sendo muito conveniente estimular por todos os modos os brios patrioticos e os nobres sentimentos, ha por bem ordenar que immediatamente faça apromtar e assentar nos navios que tenham tombadilho no vau d’este, e nos outros no ponto mais visível da tolda, a seguinte inscripção em letras de metal bem visíveis A PATRIA HONRAE QUE A PATRIA VOS CONTEMPLA».
PS: só o navio escola Sagres ainda cumpre esta portaria. 

terça-feira, 18 de junho de 2024

Praça da Vitória

Praça da Vitória era o nome pelo qual começou por ser conhecido o que actualmente corresponde ao Jardim da Vitória. Na época, final do século19, situava-se no prolongamento da Avenida Vasco da Gama. Inaugurada em 1898 a longa avenida ia desde a Calçada do Gaio até à Rua da Fonte da Inveja. Ou seja, ficava entre a Estrada da Flora (actual Avenida Sidónio Pais) e a Estrada da Vitória.
 A fonte ou chafariz e o monumento da Vitória
Excerto de Jornadas pelo Mundo, conde de Arnoso, 1895
"(...) eleva-se resguardado por uma grade de ferro um simples monumento de granito encimado pelo escudo das armas reaes portuguezas sobrepostas a uma cruz de Christo em volta da qual se lê
Da cidade do Santo Nome de Deus. N'uma das faces do monumento está esculpida esta inscripção:
Para perpetuar na memoria dos vindouros a victoria que os portuguezes de Macau por intervenção do bem aventurado S João Baptista e que tomaram por padroeiro alcançaram sobre 800 hollandezes armados que de 13 naus de guerra capitaneadas pelo almirante Rogers desembarcaram na praia de Cacilhas para tomarem esta cidade do Santo Nome de Deus de Macau em 24 de junho de 1622.
E na outra:
No mesmo logar onde uma pequena cruz de pedra commemorava a acção gloriosa dos portuguezes mandou o Leal Senado levantar este monumento no anno de 1864." 

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Dia Mundial da Língua Portuguesa

Expoente máximo da língua portuguesa, recordo Luís de Camões, neste 5 de Maio, declarado pela Unesco em 2029 como Dia Mundial da Língua Portuguesa. É considerado o quinto idioma mais falado do mundo com cerca de 300 milhões de falantes.

Os Lusíadas, canto7- 14 
盧濟塔尼人之歌 (葡國魂) 吟詠七--第十四首

Mas, entanto que cegos e sedentos
andais de vosso sangue, ó gente insana,
não faltarão cristãos atrevimentos
nesta pequena Casa Lusitana:
de África tem marítimos assentos;
é na Ásia mais que todas soberana;
na quarta parte nova os campos ara;
E se mais Mundo houvera, lá chegara.

但您們這些缺乏理智的人,
正當您們在盲目地自相殘殺,
在這個渺小的盧濟塔尼亞家族,
卻從不缺乏英勇的基督的信徒.
亞非利加有他們的航海據點,
在亞細亞他們成為最高君主.
在亞美利加他們把新土地耕耘,
世界更加廣闊, 他們也能到達.
Luís Vaz de Camões.
黔枚 (賈梅士).

Uma parte deste 'canto' pode ser vista no padrão henriquino que começou por estar frente ao Liceu na Praia Grande (desde 1960) e que actualmente está junto ao jardim de Jorge Álvares.

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Estátua de Jorge Álvares em Freixo de Espada a Cinta

Enquanto o monumento a Jorge Álvares existente em Macau foi inaugurado em 1954 e diz respeito a um navegador, um outro com o mesmo nome foi inaugurado em 1956 em Freixo de Espada a Cinta - também da autoria do escultor Euclides Vaz - mas diz respeito a um rico mercador português que, em 1544, foi ao Japão com Fernão Mendes Pinto e que escreveu "Informação do Japão", a pedido de São Francisco Xavier.
A história destas duas estátuas começa em 1952 aquando da visita do ministro do Ultramar, Sarmento Rodrigues, a Macau. Na altura Sarmento foi agraciado com um automóvel pela Comunidade Chinesa mas o ministro decidiu que se leiloasse o dito automóvel, revertendo o montante auferido para erigir em Macau um monumento ao navegador Jorge Álvares, primeiro europeu a chegar à China.
Segundo consta terá sobrado dinheiro pelo que o governo de Macau contribuiu com um "subsídio monetário" para o monumento de Jorge Álvares, o cronista em Portugal. Esse facto foi lembrado pelo governador Marques Esparteiro, presente na inauguração. Aqui fica um excerto do longo artigo que o Boletim Geral do Ultramar dedicou ao assunto em 1956.