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sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Incêndio no bazar em Janeiro de 1856

O incêndio foi notícia em várias partes do mundo tendo esta ilustração sido publicada em muitos jornais da época. Neste caso, a da edição de 15 de Março de 1856 do L'Illustration - Journal Universel.

A 4 de Janeiro de 1856 ocorreu um grande incêndio na zona do bazar chinês em Macau. Começou às duas da tarde desse dia e durou até às 11h do dia seguinte.
Na edição de 5 de Janeiro o Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor deu conta do sucedido.


Este foi um dos maiores incêndios do século 19 em Macau. Ocorreria outro de grandes dimensões em 1862.
Luís Gonzaga Gomes referiu-se assim à catástrofe de 1856:
"Teve princípio à 1 h 45 m, numa das boticas chinesas do Bazar. Ajudado pelo vento norte, o fogo espalhou-se com grande rapidez, mas às 5.00 horas, mudando para leste, fez avançar o incêndio sobre as boticas do Matapau. Às 6.30 horas, voltando, outra vez, para o norte, fez com que a terrível conflagração seguisse pela Travessa de S. Domingos, Rua do Quintal e Travessa do Tronco, escapando, por pouco, o antigo convento de S. Domingos [que esteve em risco]. O incêndio durou toda a noite, destruindo 420 boticas (lojas) e 400 residências de famílias chinesas, subindo a mais de meio milhão de patacas o valor de propriedades destruídas. Os cidadãos de Macau auxiliaram, por toda a forma possível, a combater o incêndio, tendo prestado valiosos socorros as guarnições das fragatas francesas Virginie e Constantine."

terça-feira, 15 de junho de 2021

Os Primitivos Bombeiros de Macau

Luís Gonzaga Gomes escreveu um texto sobre "Os Primitivos Bombeiros de Macau" de onde retirei estes excertos:
"Há umas poucas de dezenas de anos, esta cidade ainda não possuía um serviço de incêndios mantido pelo Estado e, por este motivo, os precursores dos actuais bombeiros ainda não faziam parte duma organização centenária. A maioria das ruas da cidade era constituída por estreitíssima vielas, ladeadas de velhas casa que porfiavam em sair do seu alinhamento e que decerto se desmoronariam à menor trepidação dum Thornicroft, se é que fosse possível fazer circular por entre elas um monstro desses.
Nessa época, cada rua tinha de concorrer para a manutenção dum grupo de bombeiros que guardavam em suas casas uns metrozinhos de mangueira, uma agulheta e uma bomba de incêndio, que consistia em uma caixa que se movia sobre duas rodas, tendo num dos lados um rudimentar maquinismo que servia para comprimir a água.
Quando fosse preciso fazer trabalhar esse precioso engenho ia-se buscar água, aos baldes, nos poço ou no mar e, uma vez lançada para dentro da caixa reservatório, o líquido extintor era comprimido pelo maquinismo, que era por sua vez accionado à força dos músculos de vigorosos mocetões. Ora, embora os jactos de água não atingissem mais que uns metros de altura, nem por isso esse maquinismo deixava de ser eficiente quando se dava qualquer incêndio, porquanto, nessa altura, ainda não existiam risca-céus, não sendo também, portanto, necessário o uso das complicadas escadas articuladas Magyrus.
Como nem todas as ruas podiam dar-se ao luxo de possuir uma bomba, quando ocorria um incêndio os bombeiros da rua sinistrada tinham de se entreter a atacar a conflagração com baldes de água até à chegada das bombas das outras ruas. Mesmo assim, punham às vezes tal empenho em atacar as terríveis labaredas e tal era a profusão de água que o entusiasmo dos seus esforços congregados os levavam a lançar para cima das flamejantes áscuas, que era raro o incêndio capaz de resistir à sua improvisada táctica e à sua espontânea estratégia.

Regulamento do Corpo de Bombeiros (1952)
Nesse tempo, existia uma combinação tácita entre os bombeiros e a população da cidade. E assim, logo que fosse dado o rebate saíam todos os bombeiros dos seus alojamentos e o grupo que chegasse primeiro, através do dédalo das ruelas da velha cidade, recebia como recompensa dos seus esforços um magnífico leitão assado e dois almudes da melhor aguardente chinesa, custeados entre os moradores da rua vitimada pelo sinistro.

Ora o grupo mais afamado era o da fábrica de tabacos “Tchü-Tc`heong-Kei”, que mantinha um grupo privativo com o seu respectivo equipamento, o mais completo possível, pois necessitava de se prevenir contra qualquer incêndio dentro da fábrica cujo negócio era enorme.
Além do grupo de bombeiros, a fábrica obrigava todos os empregados a exercitar-se, constantemente, em destreza e acrobacia, de forma a que todos pudessem acudir pronta e eficientemente em qualquer caso de fatalidade. Estimulados com um bom salário, era nesse grupo que estavam reunidos os melhores bombeiros da cidade.
Assim que fosse dado o sinal de alarme, quer de noite ou de dia, esses valorosos mocetões saltavam imediatamente das suas camas e, num abrir e fechar de olhos, fazendo repercutir com estrépito nas pedras das vielas os seus sapatorros, chegavam ao local do desastre, no meio dum ensurdecedor estrupido de rodados e de brutais imprecações, pondo toda a rua alvoroçada numa convulsão de actividade e, em alguns minutos, dominavam com uma presteza sem igual qualquer abrasamento por mais violento que fosse.
Desfile na Av. Almeida Ribeiro: década 1930/40

Por este motivo, quando acontecia uma calamidade desta natureza, os ânimos pusilânimes dos moradores da rua onde se manifestava o sinistro só se asserenavam com a chegada do grupo da fábrica “Tchü-Tc`heong-Kei”. Então, alijados do receio de o fogo se alastrar, devastando as suas casas, exclamavam jubilosos: - Já não há receio! Já chegou o grupo de “Tchü-Tc`heong-Kei”! E assim não consta que nesse tempo algum outro grupo tivesse conseguido conquistar mais porcos assados e almudes de aguardente chinesa do que esse famigerado punhado de bravos cujo componentes caprichavam em se excederem uns aos outros em denodadas dedicações e nobres lances.
Houve um ano em que se deu um violento incêndio numas casas da Rua da Parede de Pedra, em Sân-K`iu. Logo que correu a notícia do sinistro, imediatamente acorreram a prestar os primeiros socorros as três bombas de incêndio que havia na cidade e os tíbios moradores desse bairro ficaram varados de angústia quando não viram chegar o grupo campeão, que estava aquartelado onde é hoje a Rua do Almirante Sérgio. Deste sítio até ao local de incêndio dista pelo menos uns bons vinte minutos e as eversoras chamas, desenvolvendo-se com toda a violência, pareciam querer lamber todo o quarteirão.
Já toda a gente se encontrava descoroçoada por julgar que o grupo da “Tchü-Tc`heong-Kei” não compareceria desta vez, por qualquer extraordinário impedimento, pois todos os grupos, de há muito que se encontravam afadigados em extinguir o pavoroso incêndio.
Nisto, toda a rua aglomerada de povo estrugiu num grito uníssono de exultação. Com uma velocidade louca acabavam de chegar, correndo ovantes, os bombeiros do grupo da “Tchü-Tc`heong-Kei” carreando consigo a pesadona carripana portadora da bomba de incêndio. Trabalhando afanosamente e atirando-se com denodo às chamas, aqueles esforçados bravos dominaram completamente o terrível incêndio dentro de brevíssimo espaço de tempo, salvando não poucas vidas.

Do Regulamento de 1952
Ora o principal segredo dos bombeiros da “Tchü-Tc`heong-Kei” de serem quase sempre os primeiros a abalar para qualquer incêndio residia no facto de viverem sob a mais rígida disciplina, numa espécie de quartel, onde eram obrigados a dormir todos juntos, não sucedendo o mesmo com os dos outros grupos que dormiam cada um em sua casa, sendo necessário estar-se à espera de uns pelos outros para poderem fazer sair a sua carripana.
Desta vez não conseguiram ser os primeiros a chegar, em virtude da enorme distância que separava o seu quartel do local do incêndio, mas, embora não tivessem ganho o porco assado e os dois almudes de aguardente china, nem por isso deixaram de com-participar na patuscada do costume, pois que foram para isso especialmente convidados por terem sido os que mais eficientemente trabalharam na extinção daquele horrível incêndio."

30 de Julho de 1942, in  “Curiosidades de Macau Antiga”

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Repartição dos Incêndios: Janeiro 1868

Repartição dos Incêndios

No sabbado, 4 do corrente, pouco antes de 8 horas de noite, declarou-se incendio n'uma palhoça de ola, sita atraz do cemitério, o qual extinguiu-se logo, ardendo apenas a dita palhoça.
No domingo, 5 do corrente, às 7 1/2 horas de noite, declarou-se incendio n'uma loja de chá, n.º 77, sita na rua das Estalagens e tendo empregado todos os meios que julguei mais acertados em tal cazo, consegui extinguir o incendio prontamente e sem novidade, ardendo somente o andar superior e o tecto d'essa loja, e ficando destelhadas uma loja contígua e um telheiro do Pagode por parte detraz, tendo lançado mão d'essa operação para evitar que 
se contaminasse o mesmo incendio.
O incendio teve lugar acidentalmente, pois tenho
informações fidedignas, que estando se a torrar chá no andar superior da loja em questão, os criados a quem estava incumbido esse serviço, se retiraram d'ali e é durante a auzencia dos mesmos que teve logar o sinistro.
A 1.ª bomba que chegou com mais ardor e utilidade do serviço durante o incendio, foram os voluntarios Fermino Machado, António Rontero e Manuel Martins do Rego, tendo este ultimo corrido grave risco de vida pelo abatimento d'um muro; e por isso os recommendo à favoravel consideração do Exmo. Conselho do Governo.

Quartel da Repartição dos incendios,
Macau 7 de janeiro de 1868
B. S. Fernandes
Major e inspector dos incendios



O "Major e inspector dos incêndios" - a título gratuito - referido no excerto acima (do Boletim do Governo de 1868) era Bernardino da Senna Fernandes (1815-1893): Barão a 25 de Outubro de 1888, Visconde a 17.04.1890 e Conde a 31.03.1893 (após a morte). 
A patente de major está relacionada como facto de Senna Fernandes ter criado em 1857 um corpo de polícia privado, conhecida como a "Polícia do Bazar" e que era custeada por comerciantes chineses. Este corpo de polícia viria a estender-se a toda a cidade e Senna Fernandes foi nomeado pelo governo Comandante da Guarda da Polícia a 14 de Outubro de 1857, cargo que exerceu até 18 de Julho de 1861. Primeiro foi capitão, depois major de segunda linha sendo-lhe concedidas as honras de major já depois de deixar o cargo. 
Foi também ele que viria a criar nesta época a "Polícia do Mar", muito útil nos dias de tufão e no combate à pirataria.
Comerciante rico e ilustre macaense foi também uma figura polémica. 
Foi ainda Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, Comendador da Ordem de Cristo, Comendador da Ordem do Elefante de Sião, Cavaleiro de Torre e Espada, Condecorado com a Medalha de Prata de Mérito e Filantropia, Cônsul do Sião (Tailândia), Perú (honorário) e da Itália em Macau, diplomata, Comandante da Guarda da Polícia, criador da Polícia do Mar, Superintendente da Emigração Chinesa (leia-se cules), Inspector dos Incêndios, Presidente da Comissão Administrativa da Santa Casa da Misericórdia e sócio fundador da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses) (APIM). 
Casou a 30 de Setembro de 1840 com Antónia Maria de Carvalho de quem ficou viúvo tendo voltado a casar em 1862 com D. Ana Teresa Vieira Ribeiro com quem teve 9 filhos.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Centenário do Corpo de Bombeiros de Macau: 1919-2019

O primeiro Regulamento dos Serviços de Incêndio de Macau foi publicado a 2 de Maio de 1883 mas já antes existiam serviços de incêndios. No texto "Os Primitivos Bombeiros de Macau" Luís Gonzaga Gomes explica: 
"Nessa época, cada rua tinha de concorrer para a manutenção dum grupo de bombeiros, que aguardavam em suas casas uns metrozinhos de mangueira, uma agulheta e uma bomba de incêndio, que consistia em uma caixa que se deslocava sobre duas rodas, tendo, num dos lados, um rudimentar maquinismo que servia para comprimir a água. Quando fosse preciso fazer trabalhar esse precioso engenho ia-se buscar água, aos baldes, nos poços ou no mar e, uma vez lançado para dentro da caixa-reservatório, o líquido extintor era comprimido pelo maquinismo, que era, por sua vez, accionado à força dos músculos de vigorosos mocetões.
Nesse tempo, existia uma combinação táctica entre os bombeiros e a população da cidade. E assim, logo que fosse dado o rebate, saíam todos os bombeiros dos seus alojamentos e o grupo que chegasse primeiro, através do dédalo das ruelas da velha cidade, recebia, como recompensa dos seus esforços, um magnífico leitão assado e dois almudes da melhor aguardente chinesa, custeados entre os moradores da rua vitimada pelo sinistro."

Principais datas da história dos bombeiros até 1976:
1851: existe a figura de inspector de fogos/incêndios; bomba no quartel do Batalhão de Artilharia de S. Francisco; estão estabelecidos os sinais de aviso de incêndio: dois tiros de canhão na Fortaleza do Monte.
1874: a bomba é transferida para o Convento de S. Domingos (imagem abaixo), edifício onde se instalou a Inspecção de Incêndios em 1883 (ao lado da igreja com o mesmo nome).
O Regulamento dos Serviços de Incêndio (publicado a 10 de Agosto de 1883) deu início à criação de um serviço organizado. Instalado no Convento de S. Domingos e constituído por um corpo activo de 60 pessoas, os serviços de incêndio possuíam quatro bombas, duas em Macau, uma na Taipa e a outra em Coloane.
1909: existem postos de incêndios junto das estações da Polícia, nomeadamente, na Rua da Caldeira, em Santo António e em Mong Há.
1914: publicação do Regulamento Orgânico da Direcção das Obras Públicas, cujo director exercia também, desde 1901, o cargo de Inspector de Incêndios.
1915: os serviços de incêndios são desvinculados das Obras Públicas e a sua reorganização fica a cabo do Major de Infantaria João Carlos Craveiro Lopes, sendo os elementos do Corpo dos Bombeiros recrutados entre os voluntários para a Polícia.
1916: Macau tem três estações - Estação nº 1 (Central) em S. Domingos, e as outras duas na Avenida do Almirante Sérgio (Estação nº 2) e Avenida Horta e Costa (Estação nº3); Taipa e Coloane também têm Postos de Incêndio.
1919: É extinta a Inspecção de Incêndios; publicação da Portaria nº 80 com o Regulamento orgânico que cria o Corpo dos Bombeiros a 26 de Abril de 1919 sendo objectivos da corporação: prevenção e socorro de incêndios, desastres e calamidades; lavagens sanitárias e regas da cidade; execução de serviços em que fosse necessária a utilização do material da corporação.
1920: aprovado o projecto para a construção de novas instalações na Estrada Coelho do Amaral, cujo quartel será inaugurado a 3 de Outubro de 1923. (imagem abaixo)
1923: Nova denominação como Corpo de Salvação Pública, saindo da dependência do Leal Senado (os serviços da cidade de Macau) e da Câmara Municipal das Ilhas (serviços da Taipa e Coloane) para regressar à dependência do Governo.
1939: o Corpo de Salvação Pública passa a ser uma corporação militarizada, transitando novamente, em 1946, para a tutela do Leal Senado (sem a brigada sanitária) e designando-se Corpo de Bombeiros Municipais.
1976: são criadas as Forças de Segurança de Macau que passaram a incluir o Corpo dos Bombeiros.

sábado, 7 de maio de 2016

Convento e quartel de bombeiros

Junto à igreja de S. Domingos (ao fundo na imagem) ficava o convento com o mesmo nome. Entre as várias utilizações que teve destaque para os anos em que serviu de quartel dos bombeiros de Macau.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Bombeiros: mais elementos para a história

A propósito de um post anterior partilho os documentos enviados por um leitor (prefere ficar no anonimato) do blog...
Formatura geral, muito provavelmente a primeira do Corpo de Bombeiros, em Abril 1919, pois foram criados no fim de Abril e, em 11 de Julho do mesmo ano foi aprovado o orçamento para a demolição do edifício onde estava a Estação Central, isto é, o Convento de S. Domingos (na foto - lado direito da igreja que ainda hoje existe).
Num edital de 15 de Março de 1875, determinava-se a implementação de várias medidas, entre elas a identificação das casas que possuíssem poço, através da colocação de uma tabuleta com a palavra poço em chinês, a seguir a um P.
 Quartel em 1987. Foto de Wolfgang Lente

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Museu dos Bombeiros

Em 1955
 Emissão filatélica: 1883-2013
Embora já existentes desde meados do Século XIX, os Serviços de Incêndio de Macau foram reorganizados, de forma significativa, em 1883, ano em que foi criado o primeiro Regulamento dos Serviços de Incêndio de Macau.
Em 1851, já existia a figura de inspector de incêndios que dirigia as operações de combate aos incêndios; existia, também, uma bomba no quartel do Batalhão de Artilharia de S. Francisco e encontravam-se já estabelecidos os sinais de aviso de incêndio, dado por dois tiros de canhão, na Fortaleza do Monte. A bomba seria transferida, em 1874, para o Convento de S. Domingos em cujo edifício se instalou a Inspecção de Incêndios em 1883.
O Regulamento dos Serviços de Incêndio (publicado a 10 de Agosto de 1883) deu início à criação de um serviço organizado. Instalado no Convento de S. Domingos (tema a abordar num futuro post) e constituído por um corpo activo de 60 pessoas, os serviços de incêndio possuíam quatro bombas, duas em Macau, uma na Taipa e a outra em Coloane. Num edital de 15 de Março de 1875, determinava-se a implementação de várias medidas, entre elas a identificação das casas que possuíssem poço, através da colocação de uma tabuleta com a palavra poço em chinês, a seguir a um P.
Amarante

Em 1909, já existiam postos de incêndios junto das estações da Polícia, nomeadamente, na Rua da Caldeira, em Santo António e em Mong Há. Em 1914, é publicado o Regulamento Orgânico da Direcção das Obras Públicas, cujo director exercia também, desde 1901, o cargo de Inspector de Incêndios. Contudo, em 1915, os serviços de incêndios são desvinculados das Obras Públicas e a sua reorganização fica a cabo do Major de Infantaria João Carlos Craveiro Lopes, sendo os elementos do Corpo dos Bombeiros recrutados entre os voluntários para a Polícia.
Em 1916, existiam em Macau três estações, estando a Estação nº 1 (Central) localizada em S. Domingos, e as outras duas na Avenida do Almirante Sérgio (Estação nº2) e Avenida Horta e Costa (Estação nº3). A Taipa e Coloane possuíam os seus Postos de Incêndio.
O Regulamento Orgânico do Corpo dos Bombeiros é aprovado em Abril de 1919 e definidos os objectivos da corporação: prevenção e socorro de incêndios, desastres e calamidades; lavagens sanitárias e regas da cidade; execução de serviços em que fosse necessária a utilização do material da corporação.
Em 1920 é aprovado o projecto para a construção de novas instalações na Estrada Coelho do Amaral, cujo quartel seria inaugurado oficialmente a 3 de Outubro de 1923. Nesse ano de 1923 passou a designar-se por Corpo de Salvação Pública, saindo da dependência do Leal Senado (os serviços da cidade de Macau) e da Câmara Municipal das Ilhas (serviços da Taipa e Coloane) para regressar à dependência do Governo da Província.
12 Março 1999: passagem de testemunho
Em 1939, o Corpo de Salvação Pública passa a ser uma corporação militarizada, transitando novamente, em 1946, para a tutela do Leal Senado (sem a brigada sanitária) e designando-se Corpo de Bombeiros Municipais. Em de Janeiro de 1976 são criadas as Forças de Segurança de Macau que passaram a incluir o Corpo dos Bombeiros.
11 Dez. 1999: inauguração do museu
Ao longo de mais de um século de desenvolvimento sofreram várias reestruturações, dando hoje origem a uma corporação militarizada com 7 postos operacionais e mais que oitocentos bombeiros. Os trabalhos de salvamento do Corpo de Bombeiros desempenham um papel crucial na segurança da vida e dos haveres da população, pelo que, os bombeiros também granjeam a fama de “Soldados da Paz”. As acções operacionais e as actividades diárias de treino são de grande interesse para os cidadãos, razão pela qual, as instalações do Corpo de Bombeiros tem sido palco de visitas frequentes das escolas e organizações cívicas, tendo a Corporação, por sua vez, aproveitado estas visitas para sensibilizar a população para a prevenção contra incêndios. Nestas circunstâncias, o Corpo de Bombeiros decidiu reservar um espaço próprio para exibir os equipamentos de combate a incêndios e de salvamento utilizados nos tempos passados, bem como , os actuais. Após anos de esforço laborioso foi inaugurado em 11 de Dezembro de 1999, o Museu do Corpo de Bombeiros.
O Museu dos Bombeiros fica no cruzamento da Estrada de Coelho do Amaral com a Estrada do Repouso. O edifício foi construído em 1920 e inaugurado em 3 de Outubro de 1923. Na década de 1990, o edifício do Corpo dos Bombeiros foi remodelado para nele se instalar o espaço museológico dedicado aos Bombeiros de Macau. Ocupa uma área de 350 m2, repartido por duas salas. Possui duas bombas manuais de fabrico chinês - de 1884 e 1908 -, uma bomba de fabrico inglês de 1877, duas viaturas de fabrico inglês, dos anos 50 (na imagem acima), bem como diversos objectos de grande interesse, para além fotografias, logótipos e bandeiras da Corporação, maquetes e manequins. O edifício é considerado pelo Governo de Macau nos termos do Decreto-Lei no 83/92/M, de 31 de Dezembro, como edifício de interesse arquitectónico classificado.
É nos bombeiros que está a origem do clube de futebol Negro Rubro?
Em 1925
"Há umas poucas dezenas de anos, esta cidade ainda não possuía um serviço de incêndios mantido pelo Estado e, por esse motivo, os predecessores dos actuais bombeiros não faziam parte duma organização centralizada.(...)Nessa época, cada rua tinha de concorrer para a manutenção dum grupo de bombeiros, que aguardavam em suas casas uns metrozinhos de mangueira, uma agulheta e uma bomba de incêndio, que consistia em uma caixa que se deslocava sobre duas rodas, tendo, num dos lados, um rudimentar maquinismo que servia para comprimir a água.
Ca. 1925
Quando fosse preciso fazer trabalhar esse precioso engenho ia-se buscar água, aos baldes, nos poços ou no mar e, uma vez lançado para dentro da caixa-reservatório, o líquido extintor era comprimido pelo maquinismo, que era, por sua vez, accionado à força dos músculos de vigorosos mocetões. (...) Nesse tempo, existia uma combinação táctica entre os bombeiros e a população da cidade. E assim, logo que fosse dado o rebate, saíam todos os bombeiros dos seus alojamentos e o grupo que chegasse primeiro, através do dédalo das ruelas da velha cidade, recebia, como recompensa dos seus esforços, um magnífico leitão assado e dois almudes da melhor aguardente chinesa, custeados entre os moradores da rua vitimada pelo sinistro. Ora, o grupo mais afamado era o da fábrica de tabaco Tchu Tch'éong Kei, que mantinha um grupo privativo com o seu respectivo equipamento, o mais completo possível, pois necessitava de se prevenir contra qualquer incêndio dentro da fábrica, cujo negócio era enorme. 
(...) Assim que fosse dado o sinal de alarme, quer de noite ou de dia, esses valorosos mocetões saltavam imediatamente das suas camas e, num abrir e fechar de olhos, fazendo repercutir com estrépito nas pedras das vielas os seus sapatorros, chegavam ao local do desastre, no meio dum ensurdecedor estrupido de rodados e de brutais imprecações, pondo toda a rua alvoraçada numa convulsão de actividade e, em alguns minutos, dominavam, com presteza sem igual, qualquer abrasamento por mais violento que fosse.
Por esse motivo, quando acontecia uma calamidade desta natureza, os ânimos pusilânimes dos moradores da rua, onde se manifestava o sinistro, só se asserenavam com a chegada do grupo da fábrica Tchu Tch'éong Kei. Então, alijados do receio de o fogo se alastrar, devastando as suas casas, exclamavam jubilosos: - "Já não há receio! Já chegou o grupo de Tchu Tch'éong Kei!". E assim, não consta que nesse tempo algum outro grupo tivesse conseguido conquistar mais porcos assados e almudes de aguardente chinesa do que esse famigerado punhado de bravos, cujos componentes caprichavam em se excederem uns aos outros, em denodadas dedicações e nobres lances.(...)".
 "Os Primitivos Bombeiros de Macau" in "Macau, Factos e Lendas" de Luís Gonzaga Gomes. Instituto Cultural de Macau, 1994.
Na Taipa... 1956

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Passar de testemunho nos Bombeiros

12-03-1999: O novo comandante do Corpo de Bombeiros de Macau, Ma Io Weng (dir) recebe do seu antecessor, Samuel Mota, o estandarte da corporação.
Foto de Lim Choi para a agência Lusa © 1999

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Corpo de Bombeiros

Num anterior post já resumi a história do Corpo de Bombeiros de Macau... Aqui ficam mais umas imagens.
Total do efectivo do Corpo de Bombeiros, junto às ruínas de S. Paulo, no final dos anos 90 do século XX

domingo, 5 de abril de 2009

Bombeiros

O serviço de "inspecção de incêndios e telephones"
no quartel do convento de S. Domingos (ca. 1910-20)
Antigo quartel inaugurado em 1920
na Estrada Coelho do Amaral - hoje museu dos bombeiros

Em 1851 os serviços de incêndio foram atribuídos às forças militares portuguesas. Na altura existia uma bomba no quartel S.Francisco pertença do Batalhão de Artilharia. Foram ainda estabelecidos os sinais de aviso de incêndio, por dois tiros seguidos de canhão, disparados da Fortaleza do Monte.
Em 1858 foram estabelecidas companhias de cules em cada bairro, sendo obrigados a apresentar-se no Largo do Senado, para o serviço de bombas, sempre que houvesse deflagração de incêndio. Passou a haver sinais, a içar na Fortaleza do Monte, a seguir aos tiros de aviso, por forma a definir o local do incêndio.
Em 1883 houve uma profunda remodelação. Foi aprovado e posto em execução o regulamento do Serviço dos Incêndios em Macau, formando um corpo activo de bombeiros com mais de 60 pessoas. Na altura, a Inspecção de Incêndios ficava instalada no Quartel do Convento de S. Domingos.
Em 1916 os bombeiros possuiam 4 bombas a vapor, 2 bombas braçais, 3 viaturas de material (pronto-socorro), 1 auto-escada, 1 viatura de sarilho e 2 viaturas para carvão e as seguintes instalações: Estação n° 1 (Central) em S. Domingos. Estação n° 2 na Avenida Almirante Sérgio. Estação n° 3 na Av. Horta e Costa. Nas ilhas Posto de Incêndio da Taipa e Posto de Incêndio de Coloane.
Em 1919 o Corpo de Bombeiros que deixou de estar anexo à Repartição das Obras Públicas. Em 1920 os serviços de incêndios foram transferidos para o Leal Senado, sendo os das ilhas para a Comissão Municipal da Taipa e Coloane. Foi ainda aprovado o projecto da construção das novas instalações para o Corpo de Bombeiros junto à Estrada Coelho do Amaral.
Três anos depois voltou à Administração e passou a designar-se Corpo de Salvação Pública, ficando, além da extinção de incêndios e socorro em casos de sinistro, com as funções da Brigada Sanitária para o combate aos agentes propagadores de doencas endemo-epidémicas, o serviço de administração e distribuicao da água salgada, a condução de feridos e sinistrados e os que lhe vierem a ser atribuídos. Os cargos de Comandante, Ajudante e Chefe de Divisão eram considerados de comissão de serviço militar, quando exercidos por militares. Deixaram de ser dados sinais com tiros de artilharia para aviso de incêndio. O novo Quartel da Estrada Coelho do Amaral foi oficialmente inaugurado em 3 de Outubro.
Em 1936 o Corpo de Salvação Pública ficou enquadrado na Repartição Técnica das Obras Públicas, para efeitos administrativos e fiscalização.
Em 1939 o Corpo passou a ser uma corporação militarizada. Terminada a guerra, em 1946 voltaram a transitar para o Leal Senado, os serviços do Corpo de Salvação Pública, passando assim a Corpo de Bombeiros Municipais. No mesmo ano, foi publicado novo Regulamento, continuando a ser uma corporação militarizada.
Em 1976 por Decreto-Lei 705/75, de 19 de Dezembro, que entrou em vigor em 01Jan76, foram reorganizadas as forças militares e militarizadas, que passaram a constituir as Forças de Segurança de Macau, das quais, passou a fazer parte o Corpo de Bombeiros.
Em 1994 foram ampliadas as instalações da Sede na Estrada Coelho do Amaral.