Mostrar mensagens com a etiqueta memorabilia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta memorabilia. Mostrar todas as mensagens

sábado, 7 de março de 2026

Dois documentos com a assinatura de Camilo Pessanha

Requerimento de 1903
(na qualidade de professor)
 

Requerimento de 1903
(na qualidade de Conservador do Registo Predial)

segunda-feira, 2 de março de 2026

"Carreiras de Camionetas" em 1948

Na imagem abaixo um bilhete de autocarro do final da década 1940. A viagem começava no cais dos vapores (Poto Interior, junto à ponte-cais nº12) seguia pela Rua da Barra, depois pela Av. da República e Rua da Praia Grande até chegar ao "Aterro da Praia Grande" onde no cruzamento junto ao Jardim de S. Francisco, virava à esquerda para a Rua do Campo, até chegar ao destino final, o Bairro Tamagnini Barbosa (Toi San). 
Companhia de Auto-Ómnibus de Macau
澳門公共汽車公司
UA 7777 20 c. (20 avos)
Cais de vapores de Hongkong e Macau
港澳碼頭
Rua da Barra
媽閣
Avenida República
西灣
Aterro da Praia Grande
游泳場
Portas do Cerco
關閘
Bairro T. Barbosa
台山 
Este bilhete é válido só para uma viagem e é intransmissível
此票祇用壹次不得轉給別人

Terminada a segunda guerra mundial foi reactivado o serviço de transporte público na cidade de Macau. O Leal Senado lançou o concurso ganho pelo Companhia de Auto-Ónibus de Macau (com sede na Rua das Lorchas). Ficou com o exclusivo da operação a partir de 2 de Julho de 1947 e por um período de seis anos. Na prática o serviço só começou no final de Março de 1948 e com dois itinerários, segundo um anúncio publicado no dia 24 desse mês no jornal Notícias de Macau:
Carreiras de Camionetas da "Companhia de Auto-Omnibus de Macau"
com sede na Rua das Lorchas, No. 43
Seguem por enquanto 2 itinerários:
1.º  Partida na Rua Visconde Paço d'Arcos (ao Cais dos vapores), seguindo pela Av. Almeida Ribeiro, Praia Grande, Rua do Campo, Av. Conselheiro Ferreira de Almeida, Av. Horta e Costa e regresso ao ponto de partida pela Avenida Marginal.*
2.º  Partida do mesmo ponto, seguindo as camionetas em sentido inverso do anterior.
As carreiras funcionam todos os dias das 7 às 24 horas, sendo os intervalos entre duas camionetas entre 8 a 12 minutos.
Preço dos bilhetes — 20 avos para qualquer distância dentro dum itinerário.

Na década de 1950 a empresa tinha 25 viaturas ao serviço e cinco itinerários custando cada viagem 20 avos por pessoa. 
* A Avenida Marginal referida é o troço ao longo do Porto Interior: desde a Av. do Almirante Lacerda passando pela Rua da Ribeira do Patane até ao Cais dos Vapores, onde ficava o ponto de partida e de chegada dos autocarros, uma zona muito movimentada por ser a ligação de Macau com o exterior. Em cima uma fotografia da época onde assinalei a paragem dos autocarros, junto à ponte-cais nº 12.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Recibo da Yick Loong Fireworks Company: 1971

Recibo em papel timbrado da Yick Loong Fireworks Company, fábrica de panchões na Taipa.
Cabeçalho (Impresso em Vermelho)
O cabeçalho está escrito em chinês tradicional (lido da direita para a esquerda) e inglês.
Chinês: 益隆炮竹公司用箋
Transliteração: Yik Loong Pau Chuk Gung Si Yung Chin
Tradução: Papel de carta da Empresa de Panchões Yick Loong.
Menciona a sede em Macau, a fábrica na Taipa e a filial em Hong Kong.

Conteúdo Manuscrito (Pincel)
O texto está escrito em caligrafia cursiva chinesa. A leitura das colunas verticais faz-se da direita para a esquerda:
Coluna 1: 莊續傲 (Zhuang Xu Ao - Provavelmente um nome ou referência de conta).
Coluna 2: 帳事信知施紅赤掛皮殼灯并 (Uma nota técnica sobre mercadorias, mencionando "invólucros" e "lanternas/iluminação").
Coluna 3: 此致 (Expressão formal similar a "Atenciosamente").
Coluna 4: 均益壳廠 皿 (Endereçado à Fábrica de invólucros Kwan Yick).

3. Data (Extrema Esquerda)
A data utiliza o calendário sexagenário chinês e o calendário lunar:
辛亥年 八月 廿五日 - Ano de Xinhai, 8º mês lunar, dia 25.

Um carimbo azul pequeno indica "1971". No ciclo de 60 anos, o ano Xinhai corresponde a 1971. Portanto, a data é 15 de Outubro de 1971.

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Medalhas das FSM

 


Medalha de 1996
Divisa "Vos vão servir com passo diligente" 
(retirado da obra Os Lusíadas - Camões)
Outra medalha de bronze numa edição de 500 exemplares
Década 1990
Decreto-Lei n.º 6/91/M  
Extinção do Comando das Forças de Segurança de Macau  e criação da Direcção dos Serviços das Forças de Segurança de Macau
As 4 corporações representadas são: Polícia de Segurança Pública (PSP); Polícia Marítima e Fiscal (PMF); Polícia Municipal (PM); Corpo de Bombeiros (CB).

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

"Macao, August 25th 1849"

Escrita em Macau a 25 de Agosto de 1849 esta carta é assinada por David Geisinger (1790-1860) comandante da esquadra naval dos EUA na Índia Oriental entre 1848 e 1850. É uma resposta a um pedido de apoio do Conselho do Governo de Macau após o assassinato do governador Ferreira do Amaral poucos dias antes (dia 22).

Macao, Aug. 25, 1849
to the Council of the Government of Macao.
"I have the honor to acknowledge the receipt of your two communications…one apprizing me of the intention of the Council of the Government to occupy the Barrier with a Portuguese force; and the other, stating that the force sent for that purpose has been fired on, and calling on me for assistance from the Force under my Command to repel the aggression of the Chinese. I will be most happy to render…any aid, or service, consistent with my position as Commander of the Force of a Neutral Power, or that may become necessary for the defense and protection of American Citizens residing here…" 

domingo, 25 de maio de 2025

Facturas de electricidade: 1943 e 1947


Factura de 1943 emitida pela Comissão Administrativa dos Serviços Municipais de Electicidade

Emitida pela Melco em 1947

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Conjunto de 8 Medalhas Prata: "Macau Cinco Séculos de História"


Conjunto de 8 Medalhas Prata "Macau Cinco Séculos de História"
Portas do Cerco (64,10 g)
Ruínas da Igreja de São Paulo (65,38 g)
Farol da Guia (63,59 g)
Templo A-Ma (63,13 g)
Centro Cultural de Macau (63,11 g)
Ponte Nobre de Carvalho (64,93 g)
Ponte da Amizade (64,40 g)
Região Autónoma Especial de Macau (68,31 g)
No anverso: Brasão e motivos arquitectónicos relacionados com a presença portuguesa em Macau e a assinatura do Escultor: Jorge Coelho No reverso: texto informativo
Edição do ano 2000 numerada e limitada a 1000 exemplares
Alguns exemplos:




quarta-feira, 10 de julho de 2024

Carimbo "Boa Vista Hotel" 1911

No início da década de 1910 pode ler-se nos guias turísticos:
"Macao has become a frequent retreat of invalids and business men from Hongkong and other neighbouring ports. The principal hotels are the Macao Hotel and the Boa Vista". 
Macau tornou-se um refúgio frequente de inválidos e empresários de Hong Kong e de outros portos vizinhos. Os principais hotéis são o Macao Hotel e o Boa Vista."
Por via marítima Macau ficava a três horas de distância de Hong Kong e a seis de Cantão, duas das cidades portuárias referidas acima. 
Em cima um carimbo (raro) do "Boa Vista Hotel - Macau" no verso de um envelope/sobrescrito enviado de Macau a 30 de Março de 1911 e entregue em Hong Kong no dia seguinte. Para além dos carimbos destaco o selo D. Carlos I Mouchon (bipartido) no valor de 2 avos.
Curiosidade: Hoi Kian Chau Tim era a designação em chinês do hotel Boa Vista que é desde 1999 a residência oficial do cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong. O Macao Hotel ficava na baía da Praia Grande, sensivelmente na zona onde está localizado actualmente o Hotel Metrópole.

sexta-feira, 24 de maio de 2024

Facturas da Melco: 1919

Na imagem acima duas facturas da Macau Electric Light Company (Melco), a concessionária da produção e distribuição de electridade no território, de Junho e Julho de 1919 passadas em nome da Direcção das Oficinas Navais - Estação das Bombas da Guia pelo fornecimento de energia eléctrica. As referidas bombas faziam a captação de água.

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Tabuleiro chinês ‘Macau’ em tamarindo e prata

Na imagem um tabuleiro (61,5 x 38 cm) que inclui a inscrição "Macau". 
Data do final do século 19/início do século 20 e é feito em madeira de tamarindo e prata chinesa nas pegas e aplicações. Na decoração incluem-se juncos e um pagode típico do Sul da China, nomeadamente na região de Cantão.
Este tipo de madeira (dura) é considerado nobre e é proveniente de uma árvore frutífera - de origem africana existindo também na Ásia - o tamarindeiro, tendo uma cor castanho-avermelhada. O fruto é também usado na culinária, incluindo na gastronomia macaense (porco balichão, por exemplo).

segunda-feira, 25 de março de 2024

Etiquetas de bagagem: Estoril Tours e Caravela Tours

Fundada em 1965 a agência de viagens Estoril Tours - 在澳門擔任 - ainda hoje existe. Tinha escritórios no Hotel Lisboa, rés-do-chão Tel. 3614. Estoril era também o nome do hotel inaugurado em 1963 e que também pertencia à STDM.
A Caravela Tours com o Tel. 5151 pertencia ao hotel como mesmo nome que ficava no nº 62/64 da Av. da República. Havia mais... a Rodrigues Tours, por exemplo.

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Registos de marca de fósforos: 1936

Dois certificados de registo de marca da fábrica de fósforos Tai Kwong Leong Ke  sita na Rua da Alegria. Publicado no Boletim Oficial em Junho de 1936.
Nota: adicionei os respectivos rótulos dos produtos que fazem parte da minha colecção. 
A Tai Kwong Leong Kei foi uma das mais importantes fábricas de fósforos do território onde esta indústria chegou a ter um peso significativo na economia local, nomeadamente na primeira metade do século 20.
Algumas das dezenas de marcas fabricadas em Macau

Curiosidade: Em Março de 1927 foi concedida uma licença para a fundação duma fábrica de fósforos na zona da Porta do Cerco a Rolf Eskil Maghusson, gerente no Extremo Oriente da Sociedade Swedish Match Company Limited, de Estocolmo, Suécia. A edição de 25.8.1927 do The New York Times noticia "Swedish Match Factory for Macao". Embora a maioria das fábricas fossem de origem local, os suecos eram dos mais conceituados fabricantes de fósforos a nível mundial. Esta empresa fez vários investimentos não só em Macau como também em Hong Kong.

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Postal ilustrado e bilhete de hydrofoil: década 1960

"Macao is now linked to neighbouring Hong Kong by a fast, frequent hydrofoil service, the first international operation of its kind in the world." 
Excerto de uma edição de 1965 da revista da British Overseas Airways Corporation.
Postal ilustrado do hydrofoil Flying Albatross

Nesse mesmo ano pode ler-se no Travel Guide to the Orient and the Pacific: 
"These hydrofoils move at a good clip and make the crossing four times daily in about 1,4 hours." 
A viagem de 75 minutos - face às 3 horas dos 'velhinhos' ferrys que também faziam a ligação Macau-Hong Kong mas atracavam no Porto Interior - veio revolucionar a ligação marítima com Hong Kong. 
A empresa Hongkong Macao Hydrofoil Co Ltd começou a operar em Maio de 1964 ligando Macau a Hong Kong por via marítima a partir do Porto Exterior. Numa primeira fase as viagens - 40 milhas de distância - eram feitas apenas durante o dia. Outra das empresas que também tinha hidroplanadores era a Far East Hydrofoil Co. 
Existiam dois tipos de embarcações. Os PT20 com capacidade para 28 passageiros e os PT50 com capacidade para 125 passageiros. O Flying Phoenix e o Flying Kingfisher, foram os primeiros a funcionar e eram do tipo PT20 sendo construídos em Itália. O Flying Flamingo e o Flying Condor, por exemplo, eram do tipo PT50.
Bilhete de hydrofoil no valor de 20 patacas

terça-feira, 28 de março de 2023

quinta-feira, 16 de março de 2023

Macau e o chá dos Açores


A 18 de Outubro de 1877 é publicado no Boletim do Governo de Macau um "aviso" onde se informa que "o governo portuguez deseja contratar os serviços de um agricultor e um manipulador de chá, para os empregar das direcção dos trabalhos de cultura e preparação da folha nas Ilhas dos Açores (Oceano Atlântico)," onde já havia, refira-se, plantações de chá. O governo garantia ainda o pagamento da passagem de ida e volta "e o salário que se convencionar".
A 13 de Novembro de 1877, o mestre Lau-a-Pan e o ajudante e tradutor Lau-a-Teng seu assinaram um contrato bilingue (chinês e português) na presença do governador, Carlos Eugénio Correia da Silva. (imagem abaixo)
Os dois contratados seguiram viagem na embarcação "África", primeiro para Lisboa e depois para os Açores onde chegaram a 5 de Março de 1878.
Contrato assinado em Macau em 1878 entre o Conselheiro Carlos Eugénio Correia da Silva, o  representante do presidente da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, e o chinês Lau-a-Teng, para serviço e preparação da cultura do chá em S. Miguel 


O contrato era de um ano, renovável por mais três, e garantia aos dois cidadãos chineses um salário que era pago em Macau e outro na ilha, em partes iguais. O mestre recebia 25 dólares mensais, para além de casa, duas libras de arroz ou o equivalente em pão, uma libra de peixe fresco ou salgado ou meia libra de vaca e uma libra de hortaliça.
Chegados no início de Março de 1878 o trabalho começou de imediato mas iria durar pouco mais de um ano já que regressaram a Macau a 18 de Julho de 1879. No entanto deixaram os ensinamentos em fábricas como a Gorreana e a Porto Formoso.
Já na década de 1890 seriam contratados em Macau mais dois técnicos. Chum Sem e Lum Sum chegaram aos Açores em Dezembro de 1891.
Na altura a corte portuguesa estava instalada em terras de Vera Cruz e num ofício de 1810, Almeida Melo e Castro, conde das Galveias e responsável no reino pelos assuntos ultramarinos solicita ao Ouvidor de Macau, Miguel de Arriaga, o envio de plantas de chá e de homens especializados no seu cultivo.
O cultivo do chá nos Açores remonta aos finais século XVIII numa época em que era usado sobretudo para fins ornamentais. Quanto a datas são várias as teorias possíveis. Umas indicam que a "Camellia sinensis", planta que está na origem do chá verde e do chá preto terão chegado à ilha de S. Miguel por volta de 1750. Outras indicam que também o micaelense Jacinto Leite, comandante da Guarda-Real de João VI de Portugal, trouxe consigo sementes quando voltou do Brasil por volta de 1820.

Voltando aos Açores, são vários os documentos que atestam a proveniência das plantas do chá de Macau. É o caso de um documento publicado no Boletim Oficial de Macau de 1878 e que reproduz uma carta da direcção da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense destinada ao ”Exmo. Sr. Conselheiro Carlos Eugénio Corrêa da Silva” (governador de Macau entre 1876 e 1879 - imagem acima) dando conta de que tinham chegado a S. Miguel dois chineses para ensinar o cultivo e a transformação industrial do chá.
​"(...) comunico a V. Exa. a chegada​ a esta ilha no dia 5 do corrente dos dois chinas contratados por V. Exa. para dirigir aqui a cultura e preparação do chá; bem como dos utensílios respectivos que para esta sociedade ahi se adquiriram. A semente chegou em parte deteriorada pelas delongas da viagem, mas temos esperança de que boa porção germinará ainda. Por fortuna existia aqui a planta do chá em boas condições de vegetação e já n'esta Primavera contamos proceder a alguns ensaios decisivos sobre o fabrico entre nós (...)."
Entre as espécies levadas de Macau/China estavam a "Jasmin grandiflorum" e a "Malva vacciones".
O cultivo e fabrico do chá nos Açores teve grande desenvolvimento até ao início do século XX chegando a existir seis fábricas a laborar em simultâneo.
Actualmente é na ilha de S. Miguel que ficam as únicas plantações de chá da Europa para fins industriais asseguradas pelas empresas Gorreana e Porto Formoso. A Gorreana é mesmo a mais antiga da Europa tendo sido criada em 1883.
Segundo os especialistas o arquipélago reúne as condições ideais para o crescimento da planta. O clima é temperado (chuva bem distribuída, sol não muito intenso e não ocorrência de geadas) e o solo vulcânico (argiloso e ácido) proporciona um chá perfumado e de travo agradável. 
"From Macao (...) 6148 boxes tea"
in The London and China Telegraph 4.3.1872

Em Macau não se cultivava chá (vinha da China) mas fazia-se a chamada preparação e era uma das mais importantes actividades económicas no território no século 19 sendo sobretudo para exportação.
Veja-se a seguinte intervenção do deputado Horta e Costa feita no Parlamento português em Maio de 1889, e dirigida ao ministro da Marinha:
"O chá, vindo do interior quase em bruto, ou preparado e passado por tantas operações sucessivas, de modo a sofrer uma alteração tão completa, que quase deverá ser esquecida a sua classificação primária, para ser considerado apenas como um produto da indústria daquela colónia".
Da intervenção daquele que viria a ser, depois, duas vezes governador de Macau fica a saber-se que havia naquela altura 15 fábricas de transformação de chá em Macau, "onde trabalhavam 120 operários fixos e 853 avulsos, dos quais 348 eram homens e 505 mulheres, e isto ainda além de 300 outros, empregados em carretos e transportes. E todo este chá ali preparado vai para Hong Kong, e dali para Inglaterra".