quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Eduardo Ribeiro: Camões em Macau

Eduardo Ribeiro tem-se dedicado a investigar o facto de Camões (1524?-1580?) ter ou não ter vivido em Macau. Já escreveu vários livros sobre o tema. Veja-se http://macauantigo.blogspot.com/2009/09/camoes-esteve-ou-nao-em-macau.html
Em Nov. de 2010 esteve em Macau para uma conferência sobre o tema tão polémico e deu uma entrevista ao jornal HojeMacau de que aqui reproduzo uns excertos.

Década 1990
1925
(...)
Há muito ainda a dizer, aliás isso é o que eu ando a investigar, porque ando em busca da verdade histórica. Desse modo encontra-se sempre qualquer coisa. E como eu intui em 2007, quando lancei o meu primeiro livro, sabia que ia encontrar coisas e encontrei já muito, a ponto que, neste momento, eu posso dizer que o livro, publicado há três anos, ao lado daquilo que eu já encontrei e descobri é um pigmeu.
Descobri por exemplo quem era o Capitão-mor da viagem para a China e Japão, com quem Camões veio para Macau, que foi em1562. Os historiadores da época dizem que esse lugar “lhe foi dado pelo vice-rei” e, por diversas razões, o vice-rei só podia ser D. Francisco Coutinho, que esteve no cargo entre 1561 e 1564. Esse erro está na base da grande confusão sobre a historicidade de Camões em Macau. Todos os historiadores diziam que Camões tinha estado em Macau na década de 50, mas isso não é verdade, porque Macau só passou a ser em exclusivo o único estabelecimento dos portugueses na China a partir de 1560 e tudo começa a fazer sentido.
que tem feito então é ligar esses fios da história e juntar a meada...
Exactamente. Eu só tenho estado a pôr as peças do quebra-cabeças nos seus devidos lugares. De resto nada do que eu estou a “descobrir” está a ser descoberto, porque estava tudo escrito. A única coisa que descobri foi sobre Pedro Barreto. Depois de em 1561 o Francisco Coutinho ter dado o cargo de Provedor de Defuntos a Camões para vir para Macau eu pensei “então quem foi o capitão-mor em 1562?” Eu vi-me e desejei-me para descobrir isso. Mas depois recebi a lista anual dos capitães-mor, que eram anuais e que vinham com a Nau do Trato, que fazia a viagem anual de Goa para o Japão, e quando eu vi que em 1562 o capitão-mor foi o Pedro Barreto e aí eu disse: “Eureka!” Porque ele era o grande amigo de Camões, é o Charles Boxer que o diz. Foi com ele que depois o Camões viajou em 1567 para Moçambique, onde ficou lá um ano e tal dois anos esteve então em Macau. 
Parece haver sempre alguém que ainda afirma o contrário.
Não, não tenho dúvidas nenhumas. Os ingleses dizem que, para além de qualquer dúvida razoável, “há indícios mais do que suficientes” para demonstrar que Camões esteve em Macau. Aliás, a grande maioria dos historiadores dizem que isso é verdade. Embora apontem para os anos 50 e esse é que é o grande erro de origem desta história toda.
Quantos anos esteve Camões em Macau?Tradicionalmente todos defendem que são os dois anos... 
Bom, eles defendem de que ele esteve cá como Provedor de Defuntos dos portugueses em Macau, mas há aí uma nuance, o Camões pode ter tido esse cargo aqui, é certo, mas a acumular com o lugar que lhe foi dado, que foi o lugar de Provedor de Defuntos na viagem. Todas as viagens tinham esse posto estabelecido, tinham de ter, que é o de responsável pelos bens dos portugueses que morriam.
Isso é uma teoria sua ou é mesmo a verdade?
Não, é assim a verdade, eu só fui beber no que eles dizem. Quem era o provedor da viagem? Era o capitão-mor, que era um posto por inerência. Portanto, em 1562 quando o Pedro Barreto viaja de novo para Macau, já pela terceira vez, dá esse posto a Camões.
Em sua opinião o que atraiu Camões a vir para Macau?
Ainda bem que faz essa pergunta. Primeiro, o lugar de provedor podia-se ganhar algum dinheiro, porque eles tinham uma percentagem razoável dos bens que depois eram vendidos no regresso à Índia Portuguesa. Mas na minha opinião esse não foi o principal motivo, há outros autores que alvitram que houve outro motivo mais importante, e eu acredito nisso. Foi a instauração da Inquisição em Goa. Sabe que se diz que Camões era cristão novo e o seu grande amigo em Goa era o Garcia de Orta, e a partir do momento em que a Inquisição chega a Goa em 1560 começou a observá-lo, tanto é que já depois de morto, em 1570, já Camões estava em Portugal, foram buscar os ossos de Garcia de Orta e fizeram um auto-de-fé com os seus restos mortais. Eu estou convencido que depois do seu amigo Francisco Coutinho ter libertado Camões, porque ele estava preso por dívidas, aproveitou e aceitou esse lugar. E o Pedro Barreto levou-o e ficou todo contente porque assim não tinha a implicitação do cargo de Provedor de Defuntos porque não lhe dava créditos nenhuns. O que lhe dava dinheiro era a viagem, porque com cada viagem ficavam milionários. E Camões era letrado, sabia fazer escrituração, fazer contas, e assim ficaram todos contentes.
Diga-me então como era o dia-a-dia de Camões em Macau.
Consigo dizê-lo perfeitamente. Macau naquela altura, entre 1562 e 1565, era uma coisinha muito pequenina, eram meia dúzia de casinhotos, umas choupanas...
Com quantos habitantes?
Naquela altura sabemos exactamente quantos. Portugueses e criadagem, não chegavam a mil. E isto é o censo de 1564. Foi um censor chinês que enviou a informação para o imperador e que diz que “os portugueses eram quase mil.” Na verdade, eram meia dúzia de gatos pingados. Claro, o Camões não ia ficar no barco. Aquilo era um pivete, cheio de piolhos e doenças. E não lhe arranjaram alojamento porque não havia. Os próprios jesuítas que chegaram relativamente no mesmo ano tiveram que ser alojados precariamente em casa uns dos outros. E o Camões não arranjou alojamento em casa de nenhum amigo.
Então onde ficou?
Onde havia de ficar? Agarrou na trouxa dele e subiu a colina do Patane e foi lá encontrar uns rochedos, a que ele chamou “os penedos” nos seus poemas, nos sonetos, nas odes. Aquilo tinha muito florido, muitas árvores e tinham aquelas redes que traziam de Vera Cruz, do Brasil, que eram umas redes feitas do algodão dos índios Cajirós, que se estendiam de rochedo a rochedo. Era ali que ele passava grande parte do tempo. Não duvido que aquela tradição de que ele fez dali o seu “coito vivencial” esteja absolutamente certa, porque faz todo o sentido. Porque não havia mais lado nenhum, não havia nada. E nos dois ou três anos que aqui esteve, nunca parou de escrever poemas, e grande parte dos Lusíadas foi escrito aí, principalmente o episódio do Adamastor. Já escrevi sobre isso.
E porque se foi embora mais tarde?
Ele foi embora porque, embora fosse anual, a viagem ao Japão demorava dois anos. A Nau ficava aqui em Macau, eles subiam o Rio das Pérolas em juncos e iam até à feira de Cantão. Estou convencido de que quando Camões chegou em 1562 a Macau, em Julho, a feira já estava feita, porque em Setembro o Pedro Barreto já estava em Macau. E no Japão demorava-se sempre muito tempo, vendiam as sedas e as porcelanas da China e trocavam por prata. Para depois irem a Cantão de novo vendê-la. Por isso demorava dois anos.
E Camões já estaria cansado de cá estar, estando à espera do regresso?
Não sei, mas ele sempre esteve contrariado no Oriente. Sempre muito amargurado. Ele era um homem sofredor que viveu muito e penou muito, diz isso em toda a sua obra lírica. E começou-o a dizer logo num dos seus primeiros poemas. Não foi só aqui em Macau: foi em todo o Oriente. Aqui a sua vida foi marcada pelo isolamento, no seu “apartamento”. Camões já tinha 40 anos na altura, já tinha perdido um olho e, de certo, todos o devem ter achado um “bicho do mato”.
Cerimónia em Dezembro de 1999
(...)E ainda há mais para descobrir no fundo do poço?
Sim, eu tenho-me limitado às fontes secundárias, na leitura dos escritos dos outros. A única fonte primária que considero ter consultado foi a edição dos Lusíadas de 1613, que fui consultar à Biblioteca Nacional de Lisboa. Mas eu sei que há documentos inéditos do século XVI que estão por consultar. Que não são conhecidos sequer. Não se sabe o que dali pode vir, mas decerto há referências a Camões nesses documentos.
(...)
Excertos de uma entrevista de António Falcão publicada no HM de 30-11-2010
Existem no blog diversos post's sobre esta polémica - terá Camões vivido em Macau? - e sobre a história da Gruta.

"Marcas Postais de Macau"

“Marcas Postais de Macau”, da autoria de Alexandre Guedes de Magalhães, foi primeiramente publicado em 1970 no boletim do Instituto “Luís de Camões”. Na imagem a edição "aditamento" da Imprensa Nacional de Macau em 1975.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Moeda 100 Mop: aeroporto


Emissão especial de uma moeda com o valor facial de 100 patacas em 1995 aquando da inauguração do aeroporto internacional de Macau.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

'Ecos de Macau' em Miguel Torga e Eugénio de Andrade



No próximo dia 10 de Dezembro, às 18h, terá lugar, na sala multiusos 2, piso 4, edifício ID da FCSH - Univ. Nova de Lisboa, a segunda sessão do Seminário Permanente de Estudos sobre Macau.  Na ocasião a Dra. Dora Gago (Centro de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro/FCT) apresentará a comunicação: Ecos de Macau em Miguel Torga e Eugénio de Andrade: O Exotismo da Palavra
Eugénio de Andrade em Macau - foto de António Andrade 
O encontro e desencontro entre Oriente e Ocidente, configurado pelo “exotismo” da palavra, evidencia-se em algumas passagens do Diário XV de Miguel Torga e em Pequeno Caderno do Oriente de Eugénio de Andrade, onde ecoam as incursões feitas pelos autores, por Macau, respectivamente, em 1987 e 1990.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Década 1970: fotos de Lei Chio Vang

O homem do triciclo pedala à chuva por mais uma patacas...
 Convento Precioso Sangue: polícia na estrada que faz parte do circuito da guia
 Cerimónia inauguração ponte: 5 Out. 1974
 Na zona do Patane: transporte de peixe fresco
 o último ferry a vapor cerca de 1975
A ponte quase conlcuída em meados de 1974

Final de 1974 
Hotel Lisboa, estátua F. Amaral e Penha 
venda ambulante de comida

1996: 1º voo Tap Macau-Lisboa

2 Abril 1996: o A340-300 da TAP faz o primeiro voo Macau-Lisboa... 
Uma rota a pensar na 'despedida' e que iria durar muito pouco tempo dado o fracasso comercial. Os voos faziam-se duas vezes por semana (terças e sábados) com escala em Bruxelas com base num acordo com a Sabena, Belgian World Airlines.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Stuart Braga sobre Montalto de Jesus

A propósito do post atrás mencionado recebi o seguinte e-mail:
Saturday 6 November 2010
Dear João, I see from your blog that you have a copy of the very rare 2nd edition of Historic Macau by C.A. Montalto de Jesus, with his annotations for a possible 3rd edition. You may be interested in my article on this book, published in the current issue of ‘Casa Down Under’, the Newsletter of the Casa de Macau, Australia, Stuart Braga.

A book burning in Macau
A powerful symbol of rejection is to destroy the circulation of ideas. In the 21st century, we think of shutting down websites, banning Facebook and censorship of film, videos and DVDs. In earlier times, strict control of the printed word was considered essential. Governments would license printing presses, or even prohibit them altogether. In 1736, the Portuguese government banned printing in any of its overseas territories, a prohibition that was strictly enforced on Portuguese subjects until 1820.
Still more extreme was the method adopted by dictators throughout the ages – the physical destruction of books to which they took exception. The first Chinese Emperor of the Qin Dynasty (Ch’in in the now superseded Wade-Giles system) destroyed all that he could lay his hands on which seemed to give any recognition to his predecessors. More recently, printers could be dealt with severely if they offended the Great Ones. John Stubbs had his right hand cut off in 1576 for publishing what was regarded as a seditious pamphlet criticising Queen Elizabeth. Immediately after suffering this dreadful punishment, he removed his hat with his left, and cried ‘God Save the Queen!’ before fainting. The pamphlets were seized and burnt.
Arguably the most famous episode of book burning was perpetrated by the Nazis in Germany, in April 1933, not long after they came to power. Naturally, the works of Jews and communists were prime targets. More than 25,000 ‘un-German’ books were removed from bookshops and libraries throughout Germany and ceremonially burnt, with each main author receiving individual denunciation: ‘I consign to the flames the works of the traitor .... ’

Mr. Carlos A. Montalto de Jesus, from the China Press, 23 June 1929
 few years earlier, on 11 March 1929, Macau had its own book burning event. There was only one book consigned to these flames. It was Historic Macao, by C. A. Montalto de Jesus, who was one of the very few people to write in English about the long history of Macau. An earlier book, written even before the British occupation of Hong Kong, was by Anders Ljungstedt, a Danish merchant who had lived for several years in Macau. His book, An historical sketch of the Portuguese settlements in China, was published in 1834. Not until 1902 did another book appear. In that year, Montalto de Jesus produced the first edition of his Historic Macao, to general acclaim. He took what might be termed the official line on several contentious issues.
The first was the thorny question of Portuguese sovereignty. Did Portugal have the right to be in Macau, or was it there on sufferance, barely tolerated by the Chinese, so long as tribute-money was paid annually? The second was the way in which Colonel Vicente Mesquita was to be regarded. Mesquita was the leader of a small force which mounted a successful counter-attack against a far more numerous Chinese force threatening Macau in 1849. Mesquita at once became a celebrated hero, and eventually a statue was erected in his honour on the Largo do Senado. His photograph is in Montalto de Jesus’s book, with a lengthy and eulogistic account of Mesquita’s heroism. Thirdly, Montalto de Jesus championed the cause
of Macau in the precarious situation it faced after Hong Kong became a British colony in 1841.
So what went wrong? Why was this book burnt? Montalto de Jesus revised his book and in 1926 published a second edition. All the old features were there, and this time a victor’s laurel wreath was placed around Mesquita’s photograph. Jack Braga, already a keen historian of Macau, naturally gave him strong support and assisted him in having it published. The grateful author gave him three copies, and in one he wrote, ‘To my dear friend Jack Braga these lines are inscribed as a token of recognition for his kind efforts in getting up this second edition of the work. The Author.’
However, Montalto de Jesus, in bringing his book up-to-date, commented on the failure of the recent reclamation scheme. This was an attempt to provide Macau with a deep water port that would enable large ships to dock. The Porto Exterior, the Outer Harbour, where Hong Kong-Macau ferries have docked for many years now, was developed between 1922 and 1926, after a long period of planning. A large area earmarked for commercial development was reclaimed between Guia and the Fortaleza S. Francisco (St Francis’ Fort). Once guarding the northern end of the Praya Grande, the old wall that once protected the fort is now well inland. A deep water channel was dredged through the shallow water surrounding Macau, enabling large ships to dock. However, the Great Leap Forward did not happen. Macau remained trapped in what seemed to be permanent economic depression. There was little industry apart from the manufacture of fireworks, and none of the modern boom in tourism. ‘Even as many as fifty or a hundred a week would help swell business in the Colony’, noted Henrique Noronha sadly, writing to his second cousin Jack Braga on 25 September 1935.
Montalto de Jesus had an idea. Why not ask the League of Nations to take over? Founded in 1919 following World War I, the League was nominally responsible for the administration of most of the former German colonies in Africa and the Pacific. These were mandated to the victors – Britain, France and the United States. Australia administered the north-east portion of New Guinea. Besides these territories, the League directly administered an awkward hot spot: Danzig on the Baltic Sea. Danzig was dwarfed by its larger neighbours, Germany and Poland, both of whom wanted it; it could not survive with outside protection. Montalto de Jesus considered that Macau was in a similar position. Moreover in 1926, when he issued the book, the League appeared to be an effective champion of world peace and international justice.
Montalto de Jesus meant well. He thought he had proposed a way out of the deep pit into which Macau had sunk. However, he seemed to imply that Portugal was, like Germany, a failed colonial power. Moreover, Macau, like Danzig, could not survive on its own. Worse, it was a slap in the face to the Macau government which had invested a great deal of money and effort into a major project which was confidently expected to save Macau from obscurity and perhaps even collapse.
This unfortunate impression could not be ignored. Enraged, the Macau authorities withdrew the book from sale and seized all copies that had been sold. These would have been few, because the book was in English, then not widely spoken or read in Macau. The author was hauled before a court in Macau and fined $400 plus costs, or four months in gaol in default for breach of the press laws, apparently for sedition. Nearly three years later, when he sought to have the copies returned to him, his request was refused, and he retorted sarcastically that they might as well be burned. He was aghast when the authorities responded to this ill-judged defiance by doing just that. Later, he told a newspaper reporter that more than five hundred copies were burned in a public bonfire.
Jack Braga had little sympathy. On 17 March 1929, he commented in his diary,
In the evening I went to Monteiro’s for dinner, and the subject was Montalto, who is going about moaning about the burning of his books last Monday [i.e. 11 March], but as it was at his own request he has only himself to blame. What a fool he is. So full of vanity that he has wrecked his life rather than accept the advice of friends, from his very youth to the present day.
Nevertheless, Jack Braga, who taught English at St Joseph’s College, Macau, refused to surrender his copies. He may have had little sympathy with the situation Montalto had put himself in, but he disagreed profoundly with the authoritarian reaction of the Macau government, even keeping an envelope with some of the ashes. Courageously, he sent one of his copies to a bookbinder and had it bound in vellum – a beautiful white leather usually reserved for precious books. In this copy, he carefully added notes augmenting and referencing Montalto de Jesus’s work. He also contacted the author, seeking his comments and additional material for a possible third edition that might one day eventuate. These were also added in his neat, minuscule writing to this special copy. Wisely, Jack Braga added a note of warning: ‘These additions must be considered in the light of the bitterness felt by Montalto de Jesus after the suppression of the Second Edition of the book’. Montalto de Jesus had intended to make a constructive suggestion. Instead it had been seen as an affront. No greater insult to an author can be imagined that the public burning of his book, and Montalto de Jesus left Macau, swearing never to return. Hatred followed him. The Jornal de Macau reported on 28 November 1929 that Montalto, ‘esse inimigo dos Portugueses’– ‘this enemy of the Portuguese people’ – was in Shanghai. However, Hong Kong papers and the China Press supported this ‘aged, broken-hearted historian’, who died there three years later, on 19 May 1932.
That is not the end of the story. Many years later, in 1984, his book, whatever its faults, was reprinted by Oxford University Press as one of a series of important books on Far Eastern history. By then, the League of Nations had long since vanished and prosperity had at last come to Macau. Jack Braga’s beautifully bound copy of what had become the very rare 1926 edition, with its important manuscript additions, is still part of the J.M. Braga Collection in the National Library of Australia, which was described last year by the eminent librarian Dr. Andrew Gosling as ‘one of the gems of the National Library’. In having it bound in vellum, Jack Braga clearly saw this important and controversial book as one of the gems of his own collection. He may have condemned the author’s opinions and his folly in confronting the authorities, but he condemned more strongly the attempt to stamp them out by burning his book.
Stuart Braga, 11 October 2010
Notas:
1) It is in the National Library of Australia, BRA 2104. Another copy is at BRA 2754. In a very rare tribute to J.M. Braga, the library has kept his collection of books intact, and has given the books a distinctive ‘BRA’ number.
2) National Library of Australia, J.M. Braga Collection, MS4300, Series 5.2, Lectures, articles, notes – Macau, Folder 18.
3) Montalto de Jesus gave an extensive interview in Shanghai to the China Press, 23 June 1929.
4) J.M. Braga, Diary 1929, National Library of Australia, Braga Collection, MS 4300, series 1.
5) According to Dr Barney Koo, ‘Researching José Maria Braga’, a paper delivered in 2004 in Macau, p. 2.
6) It is in the National Library of Australia, MS 4369.
7) China Press, 23 June 1929.
8) North China Daily News, Shanghai, 29 May1932, quoted by Paul B. Spooner, PhD thesis, ‘Macau, The Port for Two Republics’, University of Hong Kong, 2009, pp. 1406, 1411. The place and date of Montalto’s death have only recently been established by Dr Spooner.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Gastronomia macaense em Guimarães

A Confraria da Gastronomia Macaense continua empenhada na candidatura da gastronomia macaense a Património Intangível da humanidade. Actualmente está a trabalhar na criação do núcleo museológico da gastronomia, recolhendo receitas, algumas delas mesmo muito antigas.  “Algumas felizmente já nos foram entregues. As mais antigas que temos em nosso poder remontam a 1880. São receitas com nomes muito interessantes e um dia destes havemos de as publicar”, referiu Luís Machado, o presidente da confraria ao JTM em 1-12-2010.
No entanto, antes de se poder lançar “uma colecção de receitas seculares de Macau”, há pormenores que têm de ser limados. “Vamos fazer com que as nossas confreiras e confrades as testem primeiro, porque as receitas indicam as quantidades e elementos mas depois não dizem o tempo de cozedura, por exemplo. As cozinheiras têm de deitar mãos à obra e não é uma obra fácil. Só depois de um trabalho de casa bem feito, que pode demorar meses ou até anos, é que iremos lançar o livro”, referiu.
Formigos
O Centro de Promoção e Informação Turística de Macau, em Portugal, vai continuar a realizar este mês acções de promoção da cozinha macaense. No dia 14 deste mês, o Centro organizará mais uma Semana de Gastronomia Macaense, desta vez com a Pousada Santa Marinha, em Guimarães. As Semanas de Gastronomia Macaense que o Centro tem vindo a organizar por Portugal são acompanhadas por um workshop dirigido aos operadores turísticos da respectiva cidade e região, com formação dada pela Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, uma apresentação do coordenador do Centro sobre as novas infra-estruturas de Macau e terminam com um jantar ou almoço de comida macaense.

I Festival Musical de Macau

Os Grey Coats foram os vencedores do 1º Festival Musical de Macau que se realizou no território em Novembro de 1963. Em Portugal a revista de tv e espectáculos Plateia noticiou o evento em Janeiro de 1964.
Patrocinado pelo Centro de Informação e Turismo de Macau, o festival teve lugar no Teatro Cheng Peng perante mais de 2.500 pessoas. O festival foi dividido em 2 dias. O primeiro foi num sábado chuvoso do dia 9 de Novembro de 1963 e o segundo, no dia seguinte, também com lotação esgotada. 
Recortes do artigo da revista "Plateia" de 1 Janeiro de 1964

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Barbeiros de Macau - parte 2

No Pátio do Piloto, junto à Rua Praia do Manduco
idem
Próximo da Av. Almirante Sérgio (Mercado Vermelho)
Numa travessa da Rua Cinco de Outubro
 Preçário do corte de barba ou cabelo
Barbeiro de rua fazendo limpeza de ouvidos a um cliente, na Estrada do Arco do Bairro Iao Hon
Cortando o cabelo a uma criança, na Travessa das Galinholas
Jovens barbeiros, emigrados da China nas últimas décadas, numa travessa da Estrada do Arco, no Bairro Iao Hon.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Livraria Portuguesa: que futuro?

“Ano próspero e feliz”
O actual contrato de concessão da Livraria Portuguesa de Macau termina no final deste ano e são dois os cenários possíveis: o espaço volta a ser gerido pelo IPOR ou continua nas mãos de gestão privada após um novo concurso de concessão do espaço. No Verão passado o Presidente do IPOR afirmava existir “muita gente interessada”. Na mesma entrevista a um jornal local, o “Ponto Final”, Rui Rocha disse ainda que “quando o euro está elevado, a situação é complicada. Acho que a actividade livreira em Macau, pelo volume de vendas, não é uma actividade que se possa dizer lucrativa”. E eu pensei... E há interessados? Alguém conhece o caderno de encargos?
Para ajudar a pintar o ‘quadro’ reproduzo as palavras do ainda responsável pela livraria, Aloísio da Fonseca, ao mesmo jornal há algumas semanas atrás. “De 1998 a 2003, houve uma média de 632 mil patacas de prejuízo por ano. Era necessário controlar os stocks e conseguimos, era necessário encurtar distâncias e conseguimos. Vinte e nove por cento daquilo que é vendido são livros de Macau, consignados, 71 por cento são livros importados de Portugal. Desses, 60 por cento esgotam-se no manual escolar e no livro de Direito. O restante é o Hélder, o António e o João que entram na livraria e compram. Por estes números, imagine qual é o universo de clientes particulares que a livraria tem… Isto para lhe dizer que a nossa preocupação de 2003 esgotou-se. A livraria está equilibrada para que o IPOR pegue nela ou a concessione. (...)”
É, portanto, esta a realidade que se coloca no futuro. Pois bem, eu, que não percebo nada disto, mas que nutro uma especial preocupação com o futuro de Macau (e já agora com o passado...), não ficaria bem com a minha consciência se não dissesse publicamente o que me vai na alma. O futuro da Livraria Portuguesa em Macau não passa por uma livraria!
Feita a declaração de intenções, importa referir a declaração de interesses. Não sou gestor, editor ou livreiro, e a única coisa que me liga à actual gestão - de Aloísio da Fonseca da sociedade AF Amagao Publicações desde 2003 - é o facto de ter lá à venda, em regime de consignação, alguns exemplares do livro que escrevi há uns anos, o “Liceu de Macau 1893-1999”.
Na Livraria Portuguesa em 2009 aquando da apresentação do livro a convite do Jornal Tribuna de Macau
Importa ainda dizer que o meu conhecimento da realidade de Macau é um saber difuso e filtrado pela distância dos oceanos e de alguns milhares de quilómetros. Nas linhas que se seguem vou tentar demonstrar que tipo de tipo de livraria portuguesa Macau necessita para o futuro.
A expressão que dá título a esta prosa é retirada da publicidade às LAG – linhas de acção governativa do Governo na RAEM para o ano financeiro de 2011. Também eu, como ‘filho da terra’ adoptivo partilho dos mesmos desejos. A propósito das LAG, disse o chefe do executivo que “as comunidades macaense e portuguesa aqui residentes são importantes elementos constituintes da sociedade de Macau”, que referindo-se ainda ao “rico legado histórico” do território. Tal como em 2010, foi ainda reafirmado o papel de Macau enquanto ponte entre o Continente e os países lusófonos: “continuaremos a dar ênfase ao papel de Macau como plataforma de serviços comerciais entre a China e os países de língua portuguesa, incentivando a cooperação económica e comercial do Interior da China e de Macau com os países lusófonos”.
Ora este parece-se ser o ‘ponto’ fulcral. E não é só de agora, é esta a estratégia de Pequim há décadas. Outra das ideias defendidas nas LAG para 2011 – onde se prevê um saldo positivo de 50 mil milhões de patacas! – passa pela aposta num turismo de qualidade. Um turismo, acrescento eu, que se impõe uma oferta mais diversificada e que tem de aproveitar mais e melhor o estatuto de património mundial da humanidade.
Chegado aqui o leitor poderá perguntar, com toda a legitimidade, de que forma se relaciona o que escrevi até agora com o futuro da livraria portuguesa. Na minha opinião, tudo. Não acredita? Então repare... O que defendo é a continuidade de uma livraria que não pode ser só livraria no sentido mais restrito e cuja propriedade e/ou gestão poderá ser partilhada pelas diferentes entidades com responsabilidades na matéria: do Governo ao IPOR, passando pela Fundação Macau ou Fundação Oriente, Instituto Internacional de Macau, Casa de Portugal, APIM, Consulado de Portugal... Meus senhores, entendam-se!
A pergunta que coloco é a de saber se se justifica a existência de uma Livraria Portuguesa em Macau. Será que tem alguma razão de ser para uma comunidade tão reduzida? A propósito, alguém sabe quantos são? E quanto aos jornais de língua portuguesa? E já agora rádio e televisão em português? No contexto de Macau parece-me que fazem todo o sentido mas... se não fossem os subsídios (com os quais concordo) poderiam existir? O que significa a venda em banca dos jornais locais em língua portuguesa?
Mesmo perante todas as vicissitudes e especificidades, impõe-se a existência de um espaço com vocação de livraria. Portugal, China e, acima de tudo, Macau, precisam de uma livraria portuguesa (que não pode ser exclusivamente uma livraria). Não o digo só agora, disse-o e escrevi desde que a polémica em torno do eventual encerramento da Livraria Portuguesa surgiu. E reafirmo-o agora que os prazos chegam ao fim.
Precisa tanto de uma livraria com vocação lusófona (e por que não anglófona) como de muitas mais livrarias de vocação chinesa. São públicos diferentes que exigem espaços distintos. E, claro, um espaço que tenha em conta o seu público-alvo: turistas com interesse cultural elevado e poder de compra similar, macaenses que ali encontram as suas referências culturais em forma de livro (e quantas edições estão esgotadas!) e os portugueses oriundos de Portugal, na maior parte juristas, advogados, jornalistas, professores, estudantes e ainda alguns funcionários públicos.
É curioso registar que na página da internet do Turismo de Macau nos locais de compras de índole cultural apenas são mencionadas três livrarias, a portuguesa, a de S. Paulo (encerrada segundo julgo saber) e a Plaza Cultural.
Um espaço de múltiplas valências parece ser a melhor solução. E se por acaso as actuais instalações não servirem tais objectivos, então que se venda o edifício e que se abra o novo espaço num novo local, adaptado aos dias de hoje.
Na década de 1950 Macau tinha oito livrarias, dessas de vender livros, não confundir com papelarias. Quantas serão hoje? Para os que já não têm memória, recordo espaços que entre as décadas de 50 e 90 fizeram parte da matriz cultural da cidade: a Pou Man Lau (no nº 2 do Largo de S. Domingos que era ainda tipografia e estúdio fotográfico), a Polidor (no Largo do Leal Senado, onde chegavam não só os livros mas também os jornais vindos da então Metrópole), a Tabaqueria Filipina (no início da San Ma Lou) ou a Livraria S. Paulo (cujas portas já se fecharam mas a montra pode ainda ser vista...).
A Livraria Portuguesa foi criada em 1985 pelo Instituto Cultural de Macau. Desde então muita coisa mudou. Desde que o IPOR assumiu o espaço este passou também a chamar-se “galeria de arte”. Os tempos mudaram. Mas num negócio o objectivo não se alterou: o lucro. Essa margem financeira num produto cultural como os livros ou revistas é, no caso em apreço, esmagada pelos custos associados ao transporte dos produtos. A última revista que comprei numa livraria ‘online’ veio dos EUA e o preço do transporte foi três vezes superior ao da publicação.
Hoje viaja-se com frequência e relativa facilidade entre Macau e a Europa. Por que não levar na viagem aquele livro que nos faz tanta falta no lazer ou no trabalho e que em Macau custa mais caro? E a venda de jornais? Com a sua disponibilidade imediata na internet está completamente fora de causa. Dito isto, o que resta para vender neste futuro espaço de localização privilegiada a escassos minutos de distância das Ruínas de S. Paulo, Jardim de S. Francisco, Sé e Largo do Leal Senado?
Pois bem, aqui fica o rol de sugestões: livros (de Portugal e do mundo e especialmente de Macau, a começar pelos que vão sendo editados aqui e ali pelas mais diversas fundações e institutos - e até da Universidade local - e que são tão difíceis de encontrar nas ditas livrarias comerciais...); postais, café; pastéis de nata; vinhos (com provas); azeite (e outros produtos tradicionais portugueses que tanto sucesso têm feito nas exportações); espaço de exposições; ‘souvenirs’ de qualidade elaborados pelo meu amigo António Conceição Júnior e demais artistas locais (na viagem que aí fiz o ano passado não encontrei nada! e só nas ‘tendinhas’ encontrei umas t-shirts com uns caracteres inscritos cujo significado desconheço); guias turísticos; bilhetes para os diversos museus e demais locais cuja entrada é paga; espaço multimédia na montra; espaço para tertúlias...
Em suma, o antigo e o moderno. O passado, mas também o presente e sobretudo o futuro do que as gentes de Macau têm para mostrar a quem por ali passa. E são aos milhares todos os anos.
Um ano próspero e feliz para todos!
João F. O. Botas - 22 Nov. 2010 PS: artigo escrito antes de 26-11-2010 data em que o IPOR anunciou o lançamento do novo concurso de concessão da gestão da LP para os próximos 5 anos.

domingo, 28 de novembro de 2010

Capitão José Abellard Borges

Em resposta a um pedido de uma leitora do Blog Macau Antigo que está na Austrália, junto publico alguma informação sobre o capitão José Abellard Borges que encontrei no livro "Famílias Macaenses" do historiador Jorge Eduardo de Abreu Pamplona Forjaz. São 3 grandes volumes editados em 1996.
José Abelard Borges nasceu a 28 de Julho de 1861 (filho de Manuel José Borges (1834-1889) e Filomena Francisca Batalha (1838-1915) e foi baptizado/registado na Igreja de S. Lourenço. Casou com Veríssima Eulália dos Remédios (1863 com quem teve 4 filhos. Terão casado, como era tradição na altura, pouco antes do nascimento do 1º filho, portanto, cerca de 1880, quando tinha 19 anos, o que é muito natural para a época.
O primeiro nasceu em 1883, Luísa Emília Borges, em 1889 Rafael Gastão Bordalo Borges, em 1892 Artur António Tristão Borges e, em 1898, Mário Augusto Tancredo Borges. 
Embora a informação não conste do já referido livro, José Abelard Borges, terá morrido em 1913, na Guerra do Manufahi (1911-1913), uma revolta contra o domínio português em Timor que contou com o apoio dos holandeses e que não foi bem sucedida devido sobretudo à actuação dos chamados "Leais Moradores de Manatuto", um corpo de voluntários favoráveis à presença dos portugueses.
A razão pela qual Abellard Borges terá participado neste conflito tem a ver com o facto de se tratar de um militar e naquela altura Macau, Timor e Solor fazerem parte de uma única 'província'. Esta chamava-se "Província de Macau, Timor e Solor". Tinha sede em Macau e era independente, quanto ao seu governo, do "Geral Estado da Índia." Para além das guarnições locais estas províncias tinham ainda militares que iam de Portugal.

sábado, 27 de novembro de 2010

Barbeiros de Macau - parte 1

“Quando estive a preparar e seleccionar os conteúdos para as exposições do Museu de Macau, cerca de 1995, pedi a um professor da escola "Pui Ching" e a um jovem jornalista chinês de Pequim, que trabalhava na altura em Macau, para me fazerem algumas pesquisas e apresentar os respectivos trabalhos, relativos aos seguintes assuntos: "Barbeiros de Rua", "Farmácias Chinesas", "Profissões Típicas" e "Lojas de Chá".”

Carlos Bonina Moreno acabou por não os utilizar no Museu, mas teve a amabilidade de os oferecer ao Blog Macau Antigo respondendo a um desafio que lhe coloquei. Muito obrigado, Carlos.
O texto relativo ao tema Barbeiros de Rua intitula-se “Associação de Cabeleireiros de Macau” (ACM) e refere que foi fundada em 1946. Nos primeiros anos tinha mais de 100 sócios e cobra uma quota mensal de 50 avos. Era a associação que fixava os preços praticados pelos barbeiros aos clientes A sede ficava na Av. Almeida Ribeiro, Farmácia de Yu Kon, 3º andar. Na década de 1950 a crise do pós guerra fez com que os barbeiros de Macau reduzissem os preços que só começaram a subir em 1958. Esta tabela terminou em 1987.
Nos anos de maior dificuldade no negócio a ACM ajudava os sócios e respectivas famílias fornecendo-lhes roupa e alimentos. Na década de 1960 há registo de mais de 600 sócios. Nos anos 90 o número de sócios era muito semelhante, sendo que 50 eram barbeiros de rua. A quota mensal era de 5 patacas. A sede ficava na Rua 5 de Outubro.
Desenhos de Chinnery

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Neto Valente e a herança portuguesa

"Neto Valente preocupado com as "forças" que querem destruir a herança portuguesa". Este é o ante-título de um artigo/entrevista publicado no Hoje Macau de 26-11-2002 e  que é assinado por António Falcão.
"O advogado Jorge Neto Valente passa o aviso de que há forças na RAEM que querem destruir o equilíbrio instituído, que detém na sua génese a geminação portuguesa, tanto nas estruturas administrativas, como na orgânica de todo o território." 
As palavras de Neto Valente, presidente da Associação de Advogados de Macau, foram proferidas à margem da exposição comemorativa do 10º aniversário da RAEM.
Pormenor do forte da ilha da Taipa construído em 1847: alusões à monarquia portuguesa
"(...) Deviam olhar para Hong Kong e ver que aí há muito mais cuidado em preservar o passado do que em Macau. O passado não são só os edifícios, os monumentos e o património histórico classificado pela UNESCO. Há muito mais do que isso e o facto de haver preocupação de dar continuidade significa que as pessoas têm em conta a realidade e a realidade não é feita do apagamento da história. O apagamento da história não deu bons resultados em lado nenhum, é sempre negativo."

Pedido informação: Maria Pacheco Borges, Abellard Borges, etc...

Numa altura em que os macaenses da diáspora 'regresssam' a Macau - esperam-se cerca de 1500 - para o seu encontro  anual (iniciado em 1993), o 4º sob os auspícios da RAEM, o blog Macau Antigo dá especial atenção às marcas da identidade cultural de uma comunidade ímpar.
Já por variadísimas vezes o "Macau Antigo" tem servido como 'ponto de encontro' de pessoas que tendo Macau em comum, pelos mais variados motivos perderam o rasto a familiares e/ou amigos. Desta vez uma leitora da Austrália pede informações sobre Maria Pacheco Borges, o seu bisavô e Beatriz de Almeida.

Sobre M.P.Borges o pouco que sei foi que escreveu em 1974 um livro intitulado "Chinesinha" que teve uma segunda edição em 1995 pelo IPOR e que contou com o prefácio de Maria Ondina Braga (1932-2003). Segundo pude apurar, Maria Pacheco Borges - de alcunha Lolly - nasceu em Macau em 1919 e faleceu em Portugal em 1992. O Capitão José Abelard Borges nasceu em Macau a 28 de Julho de 1861 e casou com Veríssima Eulália dos Remédios. Já o Padre - salesiano macaense - Albino António Pacheco Borges, nascido em Macau a 1 de Julho de 1917 morreu na Alemanha no início de 2008, país onde residia há cerca de 30 anos, trabalhando em Essen como professor de filhos de emigrantes portugueses. Tinha 90 anos de idade.
Quem souber de mais informações agradeço que me façam chegar pelo e-mail: macauantigo@gmail.com
"Li com interesse o seu artigo Escritores de Macau de 22/04/2009 no qual menciona o nome duma prima minha, a Maria Pacheco Borges. Eu gostaria imenso de poder entrar em contacto com ela. Nós temos um avô e bisavô em comum: o Capitão José Abellard Borges que em 1905 era o Comandante Militar em Liquiçá, Timor..Gostaria ainda de saber se a Beatriz de Almeida (filha da prima Armanda Borges Ferreira de Almeida) ainda está viva. Ela vivia com a mãe na Rua Inácio Baptista nos anos 70. Talvez alguém as tivesse conhecido? (...)
Eu (bisneta) ando à procura de qualquer arquivo a respeito do Capitão Jose Abellard Borges, que se presume ter falecido durrante a Guerra de Manufahi. Uma das razões é porque estou tentando arranjar a campa dele (muito delapidada) no Cemitério de Santa Cruz e não sei o lugar ou data de nascimento e falecimento. Agradeceria imenso se os membros da familia em Macau me pudessem ajudar nesse sentido. A familia talvez tambem gostaria de saber que nos Boletins Oficiais de Timor, está uma menção honrosa do Governador Celestino da Silva na altura que o bisavô ainda era Tenente. Também achei documentos em quando ele era Presidente da Comissão Municipal de Liquiçá e todos os anos tinha que apresentar ao Governo conta das receitas e despesas dessa Comissão para o "ano económico" de 1902-1903, 1903-1904, 1904-1905, etc. Atenciosamente, Maria de Fátima Oliveira Toms."

Rádio Vila Verde e outras rádios...


Inaugurada em 1948, depois do final da II Grande Guerra, foi criada em Macau, com fundos privados, a Rádio Vila Verde, colmatando as necessidades de entretenimento da população portuguesa e chinesa residente, mas também os muitos estrangeiros que ainda por aqui se encontravam, a maior parte refugiados do trágico conflito internacional. Durante a fase experimental o seu primeiro locutor foi Jorge Estorninho, empregado superior dos Correios, Telégrafos e Telefones de Macau. A emissora Vila Verde começava às 9 horas da manhã com uma marcha de autoria de Pedro José Lobo. Durante o dia dava música chinesa e reclames comerciais em chinês com um intervalo apenas de meia hora às 14 horas para música inglesa. Das 21 até à hora do fecho - às 24 horas - a emissão utilizava as línguas portuguesa e inglesa.
Recordo com saudade que o programa mais popular da emissora era emitido às terças e quintas-feiras, pelas 22 horas e denominava-se “Request”. Como o seu nome indicia, os ouvintes faziam pedidos de canções, dedicadas às suas namoradas ou namorados, parentes e amigos, mensagens que eram lidas pelos locutores João Reis, Walter Reis e Nuno de Senna Fernandes, antes das músicas irem, para o ar. O programa principiava com as canções “Happy Birthday” e “Congratulations” e eram dedicadas a todos os que faziam anos nesse dia.
Algumas das músicas mais populares de que me recordo eram o Tennessee Waltz, Mockin Bird Hill, Doggie in the Window, You belong to me por Patti Page , Tea for two e On Moon Light Bay por Doris Day, Twilight Zone por Perry Como, Mule Trail por Frankie Laine, Answer me O My Lord por Nat King Cole, Buttons and Bows, C’est si Bon, La vie en Rose, Crying in the Chapel, Down the Trail of Broken Heart etc., etc, tudo canções bem dirigidas ao romantismo dos que pediam e dos que recebia as canções.
Relembro ainda que a canção que no meu tempo dominou largamente os pedidos das emissões do “Request” foi o “Forever and Never”.
Como não havia televisão nem os divertimentos nocturnos de hoje, pode dizer-se que durante as horas do “Request” o “coração” de Macau estava parado. A sua popularidade era tal que prosseguia depois nos dias seguintes com as pessoas (mesmo as não envolvidas) a comentarem as mensagens amorosas que se ouviam.
A Rádio Vila Verde também tinha um programa de meia hora todas as quartas feiras, para locutores amadores. Tomei parte duas vezes nesse programa, apresentando as músicas mais em voga dessa altura.
Curiosamente, a Rádio Vila Verde, que era mais popular que o oficial RádioClub de Macau, dava muito pouco música portuguesa. Nunca consegui saber a razão desta decisão...
Mas não eram apenas as duas Rádios locais que eram populares na Macau do após Grande Guerra. A Rádio Hong Kong e a Rádio Manila eram também muito ouvidas pelo facto de apresentarem uma selecção musical muito variada e de bom gosto.
Ainda me lembro dum pedido feito por Diana Marques à Rádio Manila para difundir a canção “It’s Magic” por Doris Day. Pelo facto de ter vindo de Macau, a Rádio Manila fez grande referência a esse pedido. Diana Marques, que ainda vive em Macau, é cunhada da minha prima Eulália, casada com Ivo Marques.
A Rádio Vila Verde que era captada em Hong Kong, perdeu certa importância quando foi fundada a Rádio Comercial de Hong Kong. Que tinha como um dos grandes accionistas o famoso actor norte-americano William Holden
Os tempos mudaram muito, o Rádio Macau impôs-se a partir dos anos 80 mas a Rádio Vila Verde continua existir. Agora limita-se a notícias das Corridas de Cães e Cavalos...
Artigo da autoria de Henrique Manhão publicado no JTM a 15-10-2009
NA: há tb a indicação de que a Rádio Vila Verde terá surgido em 1952; era uma rádio privada propriedade de Pedro José Lobo. 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

25 Novembro 1510

No dia de Santa Catarina, 25 de Novembro de há 500 anos, em 1510, teve lugar a tomada definitiva de Goa por Afonso de Albuquerque. O alerta veio de um leitor do blog que prefere manter o anonimato.
"Já se comemorou o Centenário da República, os 200 anos das Linhas de Torres... e o que é que se prepara para celebrar este feito que nos permitiu ser grandes no Índico, no comércio das especiarias, em Ceilão, em Malaca, na propagação da fé, em Ormuz, no Golfo Pérsico, na Índia, na Insulíndia, chegar e estar em Macau, comerciar com o Japão, deixar o nosso nome ligado aos lugares onde permanecemos, introduzir novos produtos e a nossa tecnologia, misturar o nosso sangue, a nossa cultura e nossa maneira de ser e de estar. Goa só com D. Nuno da Cunha, cerca de 1533, passou a ser a capital administrativa, situação que anteriormente pertencia a Cochim."


Legenda das imagens:
Brasão de Goa que tem a roda de navalhas de Santa Catarina (que foi morta num rodízio).
A partir de 1534 todas as peças de artilharia fundidas em Goa - e penso terem sido alguns milhares- têem a roda de navalhas ou uma imagem de Santa Catarina, santa que também tem uma igreja com o seu nome em Goa.
O canhão foi fundido em Goa por Pedro Dias Bocarro, pai do 'Bocarro' de Macau.