segunda-feira, 17 de março de 2014

Consulado italiano: 1864

Decreto real - Vitor Emanuel II era o rei de Itália na altura - que em Março de 1864 autoriza a instalação em Macau de um consulado italiano. Era governador José Rodrigues Coelho do Amaral.
A Itália contemporânea nasceu como um Estado unitário em 1861. A 17 de Março desse ano a maioria dos estados da península e as duas principais ilhas foram unidas sob o comando do rei da Sardenha Vitor Emanuel II da casa de Saboia. A primeira capital do reino foi Turim (onde este documento foi criado), a antiga capital do Reino de Sardenha e ponto de partida do processo de unificação da Itália. Depois da convenção de Setembro de 1864, a capital foi transferida para Florença.

domingo, 16 de março de 2014

Jogos Asiáticos: 1994

Representação de Macau na 12ª edição dos Jogos Asiáticos que decorreu no Japão em 1994.

sábado, 15 de março de 2014

Hotéis no início do século XX

Actualmente são às dezenas os hotéis em Macau, mas nem sempre foi assim. Nesta fotografia de uma ponte-cais do Porto Interior - a porta de entrada marítima no território - onde atracavam os vapores destaca-se a publicidade a três unidades hoteleiras de Macau da primeira década do século XX. A saber: Oriental, Macao e Boa Vista. O primeiro era o único com características não ocidentais e poderá ser o que ficava logo ali no Largo da Caldeira (ver foto de cima: edifício com terraço); o segundo o mais central (Praia Grande) e o último o melhor localizado e já com jogo na época, a roleta. Passar uma noite nestes hotéis custava cerca de 10 patacas. Uma refeição conseguia-se por apenas uma pataca. Claro que existiam ainda as pensões.

A partir de 1917 e até 1923 o Boa Vista albergou o Liceu de Macau
O logótipo do Macao Hotel (antes conhecido por Hing Kee Hotel)
Publicidade nos jornais South China Morning Post e The China Mail em 1907. Quando se lê "both hotels" a referência é o Victoria hotel de Hong Kong. Em baixo: postal da época
Macao Hotel (cima) e Boa Vista Hotel (baixo)
Postal do Hotel Sanatório da Boa Vista
Bilhete postal enviado em 1907 para o hotel Boa Vista
São muitos os postais do Boa Vista nos primeiros anos do século XX. O edifício foi construído em 1870 como residência de um casal britânico que o transformou em hotel em 1890. Uma história fantástica de um edifício que teve múltiplas funções e que ainda hoje existe (residência do cônsul português).
Parte de uma ementa de pequeno almoço do final da década de 1910 do New Macao Hotel
Década de 1950: o Boa Vista, agora como Bela Vista, servindo de cenário para um filme chinês
O New Macao Hotel sucedeu ao Hing Kee (há tb referências a King Hee, julgo que por via da literatura - o Caso da rua Volong).  Por volta de 1900, o hotel aparece referenciado como “Macao Hing Kee’s Hotel”, o apelido do gerente de nome Pedro. Depois da morte de Pedro Hing Kee, cerca de 1907-10 passa para a gerência do inglês Farmer (o Boa Vista era gerido na mesma altura por um francês, Vernon). Em 1923, com nova gerência do chinês Kuan Ioc Chan, passou a ser conhecido por New Macao Hotel até 1927 ano em que encerrou. O comendador chinês Lou Lim Ioc reabriu-o com a designação de Hotel Riviera. Lou Lim Ioc faleceria pouco depois, em Junho desse ano, não assistindo à reabertura do hotel que aconteceu a 15 de Janeiro do ano seguinte. Aquando da sua estadia em Macau, em 1927, Jaime do Inso instala-se no que irá descrever como “renovado Hotel Riviera, cheio de conforto e bem estar”.
Ficava na Praia Grande e deu lugar anos mais tarde ao hotel Riviera demolido na década de 1970.


Largo do Senado década 1930: o edifício Ritz como hotel (mais tarde sede da Melco)
Hotel Cantão (esq) num filme dos anos 60
 Hotel Kuong Chao (Rua do Guimarães)

sexta-feira, 14 de março de 2014

Feira em Lisboa e Exposição em Coimbra

O Turismo de Macau está presente na BTL - Feira Internacional de Turismo, que decorre até domingo na FIL, em Lisboa. "Através deste certame, pretende-se a alavancagem da contratualização turística entre operadores portugueses, macaenses e chineses, dando continuidade ao trabalho conjunto que tem vindo a ser desenvolvido com os operadores portugueses", explica o Turismo de Macau. 
No centro do stand está em destaque a flor-de-lótus, símbolo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), que fará a ponte entre o "Macau moderno e dinâmico" e o "Macau antigo e singular, classificado em 2005 pela UNESCO como Património Mundial", pode ainda ler-se no comunicado. Como é habitual, o Turismo de Macau leva à BTL uma calígrafa e uma artista que tocará peças musicais chinesas num Guzhang, um instrumento musical tradicional chinês.
Em Coimbra esta sexta-feira é inaugurada a exposição de fotografia "Cultos, Templos, Ou Mun" que regista momentos de espiritualidade do Ano Novo Lunar em Macau captados por Vítor Cordeiro. A anteceder a inauguração, pelas 18h30, o autor profere uma palesta sobre o tema e a sua visão pessoal da fotografia.
"No momento em que registo uma imagem posso fazê-lo porque me seduz, me toca de qualquer forma. No entanto, quando sinto que ela pode transmitir algo, que pode ser mensagem, aí descubro que é importante partilhá-la, atingindo assim a sua verdadeira dimensão ao permitir ao outro penetrar no seu íntimo. O tema surgiu naturalmente, por ter um vasto leque de material disponível e também pelo gosto de partilhar imagens que registam momentos de vivência de espiritualidade de outras culturas, neste caso durante o Ano Novo Lunar em Macau (Ou Mun), nos templos A Ma e Kun Iam T’ong.
As imagens foram registadas entre 1992 e 1999, em película preto e branco, nos formatos 135 mm e 6x6 cm e ampliadas pelo autor para as dimensões 30x40 cm e 30x30 cm, respectivamente. Que cada visitante se sinta transportado no espaço e no tempo a esse cantinho da Ásia e envolvido no ambiente de cada imagem."
A exposição estará patente na Sala Ingenium da Sede Regional da Ordem dos Engenheiros, em Coimbra  - Rua Antero de Quental, 107 - até 31 de Maio.
No Centro Comercial Amoreiras (Lisboa), até ao dia 20 está patente a exposição de fotografia da autoria do fotógrafo macaense Manuel Cardoso, intitulada “Primavera Dourada". São 30 fotografias para ver no átrio da escadaria central, piso 2.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Visitas de Estado



Visita em 1997. Foto Wong Sang/Lusa
Apesar da presença de quase cinco séculos em Macau, quase que se contam pelos dedos as visitas dos mais altos representantes (presidente da república e primeiro-ministro) de Portugal ao território. A 'estreia' ocorreu em 1952 e 'limitou-se' ao Ministro do Ultramar, Sarmento Rodrigues.
Portugal e a China estiveram sem relações diplomáticas oficiais entre 1949 e
1979 e foi preciso esperar mais cinco anos até acontecer uma visita de "Estado". Em 1984, Cavaco Silva, primeiro-ministro, visitou a China duas vezes, em Abril e em Novembro.
No ano seguinte foi a vez do então Presidente da República.
Ramalho Eanes vai de visita oficial à China para discutir a questão de Macau. Eanes esteve em Pequim de 21 a 27 de Maio tendo-se reunido com o Director do Conselho Consultor do Partido Comunista Central Chinês, Deng Xiaoping. Neste encontro, os dois países chegaram a um consenso sobre Macau.
Será Cavaco Silva a regressar a Pequim em 1987 para assinar a
Declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre a Questão de Macau, documento que definiu a data da transição. Cavaco esteve ainda em Macau de 17 a 20 de Abril de 1994.
Mário Soares visitou Macau diversas vezes enquanto presidente da República. A primeira aconteceu a 28 de Fevereiro de 1989. A segunda isita oficial foi de 29 a 31 de Outubro de 1993. Regressaria em Abril e Novembro de 1995 (Macau e China) e ainda em 1997.

O primeiro-ministro António Guterres esteve em Macau de 17 a 20 de Abril de 1998 e de 18 a 22 de Dezembro de 1999.

O Presidente da República, Jorge Sampaio, visitou pela primeira vez Macau (imagem acima) e a China em 1997. Voltou ao território de Macau mais três vezes: de 18 a 21 de Março de 1999, de 18 a 22 de Dezembro de 1999 (transferência de soberania) e de 11 a 15 de Janeiro de 2005, na sua última viagem oficial à China. 

quarta-feira, 12 de março de 2014

1ª Exposição Colonial do Porto: 1934

Em 1934 o regime já consolidado e inspirado pela Exposição Colonial de Paris de 1931, promoveu no Porto a primeira das suas grandes exposições, a Exposição Colonial do Porto. O objectivo era mostrar o Estado Novo como um regime moderno e activo num Portugal Imperial.
A década de 1930 marca o 'despertar' para a questão colonial. Em Março de 1930 surgira em Angola um confronto entre funcionários civis e militares contestando a autoridade do poder central.
Na Sociedade das Nações gera-se um movimento no sentido de ilegalizar e acabar com os trabalhos forçados nas colónias.
Coincidindo com Salazar ocupando o Ministério das Colónias, é aprovado em 1930, O Acto Colonial (Decreto n.º 18 570, de 8 de Julho de 1930). Salazar reage na instituição e na defesa do Império Colonial como uma unidade orgânica e indivisível consagrando o Acto Colonial na Constituição de 1933.
A denominação dos territórios do Ultramar português passa de "províncias ultramarinas" para "colónias". 
Em 1951 regressará à primitiva terminologia na revisão da Constituição que revoga o Acto Colonial.
 Cinzeiro do evento como brasão das várias colónias

"Somos sobretudo uma potência atlântica, presos pela natureza à Espanha, política e economicamente debruçados sobre o mar e as colónias, antigas descobertas e conquistas. Nem sempre a nossa política se fez de Lisboa ou da parte continental, mas de outros pontos, tal a ideia de que a colónias não o foram à maneira corrente mas partes integrantes do mesmo todo nacional.(...) Portugal constitui com as suas colónias um todo, em virtude de um pensamento político que se fez pelos tempos fora realidade política. (...) Alheios a todos os conluios, não vendemos, não cedemos, não arrendamos, não partilhamos as nossas Colónias com reserva ou sem ela de qualquer parcela de soberania nominal para satisfação dos nossos brios patrióticos. Não no-lo permitem as nossas leis constitucionais; e, na ausência desses textos, não no-lo permitiria a consciência nacional."
António de Oliveira Salazar - Discursos e Notas Políticas
É neste quadro que se insere a participação de Portugal na Exposition Coloniale de Paris em 1931 e da qual resulta a Exposição Colonial de 1934 como afirma Henrique Galvão: "A Primeira Exposição Colonial Portuguesa é filha de um pensamento de política Imperial que, na larga e brilhante representação portuguesa na Exposição Internacional de Paris teve a sua realização inicial."
A Exposição Colonial do Porto em 1934, servirá ainda como primeiro ensaio para o que viria a ser a Exposição do Duplo Centenário (1140-1640 fundação e restauração), também conhecida por Exposição do Mundo Português, realizada em 1940. Sobre esse certame sugiro  a consulta de:
http://macauantigo.blogspot.com/2009/04/pavilhao-de-macau-na-expo-de-1940.HTML
A réplica (em cima) e o original (em baixo) do Farol da Guia (na sua primeira versão)  Localização da réplica na exposição: em destaque no final da av. da Índia.
 Pavilhão (de Chá) de Macau na exposição do Porto em 194
Informações adicionais sobre aquela que foi a 1ª Exposição Colonial Portuguesa nestes dois posts:
As emissões filatélicas foram apenas uma das formas do Estado Novo assinalar um dos maiores feitos da década de 1930 ao nível da propaganda.

terça-feira, 11 de março de 2014

D. João Paulino de Azevedo e Castro (1852-1918)

Seminário: década 1920
João Paulino de Azevedo e Castro nasceu nos Açores (Lajes do Pico) em 1852. Estudou no Liceu da Horta e depois no Seminário de Coimbra tendo terminado o curso de Teologia da Universidade de Coimbra em 1879. Ali recebeu as ordens eclesiásticas menores, sendo conhecido entres estudantes do tempo pela sua inteligência e pelo uso de uma longa barba (a que jocosamente chamavam de barba paulina). Nesse ano regressou aos Açores e foi ordenado sacerdote no mesmo dia que o seu irmão mais velho, o padre Francisco Xavier de Azevedo e Castro e também no mesmo dia celebraram a sua primeira missa.
Em Angra do Heroísmo iniciou funções como professor do Seminário Episcopal de Angra: teologia dogmática, direito canónico, geografia, história, filosofia e francês. Em 23 anos no Seminário acumula com o cargo de professor a missão de vice-reitor nos últimos 16 anos, lugar para o qual foi nomeado em 1888.
Professor distinto e respeitado, criou no Seminário um Museu de História Natural, que depois viria a ser o embrião do Gabinete de História Natural do Liceu de Angra do Heroísmo. Foi ainda presidente da comissão administrativa do Asilo de Mendicidade e director do Boletim Eclesiástico dos Açores.
Em 1889 foi apresentado cónego da Sé de Angra e em 1890 foi elevado à dignidade de tesoureiro-mor da mesma Sé. Em 1891 nomeado arcediago, cargo que não chegaria exercer por ter sido entretanto apresentado para prelado de Macau. A apresentação para o lugar foi iniciativa do então Ministro da Marinha e Ultramar, o açoriano Jacinto Cândido da Silva, que havia sido seu contemporânea na Universidade de Coimbra.
Em 1902, a Santa Sé, por bula do papa Leão XIII, confirmou-o como bispo de Macau. A sagração ocorreu a 27 de Dezembro desse ano na Igreja de Nossa Senhora da Guia. Foi consagrante D. José Manuel de Carvalho, o recém-empossado bispo de Angra, mas que fora o anterior bispo de Macau. Foram vários os bispos de Macau oriundo dos Açores...
Postal Igreja S. José ca. 1900-1905
D. João Paulino partiu de Angra para Lisboa, com destino a Macau, a 6 de Fevereiro de 1903, tendo sido muito concorrida a cerimónia da sua despedida. Em Lisboa tratou junto do Ministério da Marinha e Ultramar dos negócios pendentes da sua cúria, partindo a 23 de Março de 1903 com destino a Lurdes e Roma. No Vaticano foi recebido em audiência particular pelo papa Leão XIII, partindo depois para Bombaim e dali para Macau. Escalou os portos de Malaca e Singapura, então parte da sua jurisdição episcopal.
D. João Paulino como Bispo de Macau
Tomou posse (19º Bispo) da Diocese de Macau a 4 de Junho de 1903, data em que chegou ao território. Naquele ano fundou a 17 de Julho o Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau. Iniciou também uma enérgica acção pastoral, não só em Macau, mas em toda a vasta área integrada naquela diocese: Estreito de Malaca e Singapura, Timor e Hainan. Em 1906 fundou em Macau o Orfanato da Imaculada Conceição que entregou à direcção dos Salesianos, sendo o primeiro director Luigi Versiglia (1873-1930), depois bispo titular de Carystus e vigário-apostólico de Shiuchow (hoje Shaoguan), mártir e santo da Igreja Católica Romana.
Por várias vezes presidiu ao conselho governativo da Província de Macau, na ausência do governador.
Outra das suas preocupações foi a delimitação das áreas sob jurisdição da diocese de Macau, em particular a delimitação entre a sua diocese e a Prefeitura Apostólica de Kuangtung (Cantão). A questão foi suscitada pelo governo francês junto da Sagrada Congregação de Propaganda, já que os Governos de Portugal e da França estavam interessados na fixação de novas delimitações à diocese de Macau e Prefeitura Apostólica de Cantão, esta sob jurisdição francesa. Neste processo conseguiu em 1908 o retorno à diocese de Macau, e por consequência ao Padroado Português no Extremo Oriente, da Prefeitura Apostólica de Shiu-Hing (hoje Zhaoqing), que havia sido sem sucesso permutada com a ilha de Hainan, devolvida ao domínio do prefeito apostólico de Cantão.
Em 1911 entregou a província de Heung-Shan (actual Zhongshan) à administração espiritual dos Salesianos e em 1913 repartiu a Prefeitura de Shiu-Hing entre os jesuítas e os sacerdotes diocesanos.
O problema jurídico e espiritual do Padroado Português no Extremo Oriente seria o tema do seu livro editado em 1917 intitulado
 "Os Bens das Missões Portuguesas na China". Mas escreveu muitos mais livros, incluindo numerosas provisões e escritos de natureza doutrinal. Na sua ida para Macau, D. João Paulino levou como secretário particular, o então seminarista José da Costa Nunes, seu conterrâneo da ilha do Pico, que haveria de lhe suceder no cargo e atingir o cardinalato. D. João Paulino morreu em Macau (na Penha) em 1918 e em 1923 os seus restos mortais regressaram ao Pico, onde é lembrado na toponímia e num monumento.

Em Macau tem o seu nome na toponímia  - Estrada que começa na R. S. Tiago da Barra e termina no Miradouro de N. Sra. da Penha - e uma escola na Taipa.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Sporting Club de Macau: desde 1926

Em 1953 o Notícias de Macau assinalava que o SCM tinha ganho pela terceira vez consecutiva a Taça de Macau em futebol. O feito foi comemorado no restaurante da Piscina Municipal.
Boletim do Sporting: 7 Março 1927
O Sporting Club de Macau (SCM) foi criado a 10 de Março de 1926 sendo a filial número 27 do Sporting Club de Portugal fundado em 1906.
Aos primeiros anos do SCM estão ligados nomes como o Major Cabreira Henriques, o Dr. António da Conceição, Augusto Francisco Rocha, Joaquim Pedro Pacheco, Francisco Veiga ou Adelino Serra de Almeida, entre outros.
Veja aqui uma foto da equipa de futebol da década de 1960. Ou recorde um derby local entre Benfica e Sporting na década de 1950.

domingo, 9 de março de 2014

Senhor dos Passos


A Procissão do Senhor dos Passos é muito provavelmente a mais antiga manifestação da religião católica m Macau. As suas origens remontam a 1586 sendo das mais enraizadas na comunidade macaense. A imagem do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos carregando a cruz é levada da Igreja de St° Agostinho, passando pelo Largo do Senado, Travessa do Roquete e Largo da Sé até à Catedral, onde fica em vigília durante a noite.
No dia seguinte, a imagem volta para a Igreja de St° Agostinho, passando pelo Centro Histórico de Macau, pelo Largo do Senado, Igreja de S. Domingos, Santa Casa da Misericórdia, Templo Sam Kai Vui Kun (Templo de Kuan Tai) e Casa de Lou Kau.
Entre cânticos e orações em português, chinês e latim, a procissão faz a habitual paragem em sete estações representativas da via-sacra. A celebração marca o primeiro domingo da Quaresma, um período dedicado à oração, penitência, jejum, abstinência e obras de caridade.
The procession of “Nosso Senhor dos Passos” takes place every year on the first Sunday of Lent (February-March) between Santo Agosthino Church and the Cathedral (Sé). A status of Christ is taken in solemn procession from St. Augustine´s Church to the Cathedral for an overnight vigil. It is then returned through the city via the Stations of the Cross. The procession attracts thousands of devotee, making the streets crowded with people.
Na década de 1950 a procissão era assim...
“A Festividade do Senhor Bom Jesus dos Passos – a mais arreigada tradição entre a gente portuguesa – ocupa lugar de proeminência entre as devoções  do povo de Macau. É concorridíssima a Novena que precede a festa, realizada sempre no primeiro Domingo da Quaresma. A Igreja de Santo Agostinho enche-se de oração e de cumprimento de promessas feitas, sendo numerosas as Comunhões diárias. A  Procissão da Cruz, ao anoitecer de sábado, em que a venerável Imagem do Senhor  dos Passos é conduzida para a Sé Catedral, é  o mais recolhido cortejo litúrgico da cidade. A túnica roxa do Senhor e os cortinados, da mesma cor, que envolvem o andor, de mistura com a luz misteriosa dos archotes, infundem respeito e põem na alma uma tristeza grande, recomposição impressionante da cena pérfida do bosque das Oliveiras.(…) O Primeiro Domingo da Quaresma representa, na vida católica de Macau, um dia de penitência e oração – é o dia da Procissão do Bom Jesus dos Passos. Todos os pensamentos e todas as acções gravitam nesse dia à volta do grande acontecimento. O povo de Macau enche, desde o alvorecer da manhã até à hora de saída da Procissão, a vasta Sé Catedral (...)”
Boletim Informativo da Repartição Central dos Serviços Económicos - Secção de Propaganda e Turismo, n.º 38 ,  28 de Fevereiro de 1955
Agradecimentos: Luís Machado, pelas fotos a preto e branco.