quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Em memória do pai...

Em Maio de 2019 a galeria At Light, no Pátio do Padre Narciso em Macau, acolhia a exposição "Casa das Duas Filhas - Fotos da Família de José Vicente Jorge".
As duas filhas (de José Vicente Jorge) que deram o mote à mostra eram Henriqueta* e Maria. As irmãs foram as mães dos primos Pedro Barreiros e Graça Pacheco Jorge que acabariam por casar.
Pedro e Graça são um exemplo na perpetuação da memória da história da família intimamente ligada a Macau. Basta lembrar livros como "A Cozinha de Macau da Casa do meu Avô" (1992), "Danilo no Teatro da Vida" (2010), "José Vicente Jorge: Macaense ilustre" (2012), entre outros, mas também inúmeras iniciativas de índole cultural, incluindo exposições com as pinturas de Pedro Barreiros que morreu a 15 de Janeiro de 2022.
Pintura de Pedro Barreiros: exposição em 2013

Miguel Barreiros, filho de Pedro, não teve oportunidade de ver esta exposição e após a morte do pai prometeu "dar continuidade" ao seu trabalho "para preservar a memória da nossa família de Macau e do meu bisavô, José Vicente Jorge".
Por estes dias recebi um e-mail do Miguel com votos de "Kung Hei Fat Choi! 恭喜發財" onde explica que o pai "tinha a tradição de celebrar o Ano Novo Chinês partilhando um desenho do animal do zodíaco que iniciava o seu ciclo". Na ausência física do pai, Miguel decidiu "retomar esse gesto em memória dele e em honra às nossas raízes de Macau. Partilho convosco este desenho que fiz inspirado nessa tradição e pela mestria dos seus traços. É a minha forma de o homenagear e de manter viva a sua arte e o seu espírito."
Aqui fica... Kung Hei Fat Choi e um abraço Miguel!
* Henriqueta Pacheco Jorge Barreiros - filha de José Vicente Jorge e mulher de Danilo Barreiros - foi aluna de Camilo Pessanha (1867-1926) em Macau. Henriqueta ambicionava ir estudar para Portugal mas o pai não concordava. Foi Pessanha que não só o convenceu como pagou uma mesada à estudante. 
Pedro Barreiros (1943-2022), filho de Danilo Barreiros e neto de José Vicente Jorge que foi amigo de Pessanha, revelou esta história em Outubro de 1990 aquando de uma exposição em Macau com pinturas suas sobre Pessanha: "Foi Camillo Pessanha, seu amigo e grande frequentador da sua casa que o conseguiu convencer a deixá-la partir estabelecendo-lhe uma mesada e escrevendo uma carta à sua irmã maçónica D. Ana de Castro Osório a recomendar a “gentil menina” e a pedir-lhe que a recebesse em sua casa. E assim a Tia Amália veio para Lisboa estudar Medicina, sob a égide do Poeta!"

Sem comentários:

Enviar um comentário