Na edição de 14.2.205 o jornal Ponto Final destaca na primeira página os blogues sobre Macau sendo a fotografia (de Eloi Carvalho) da capa o blogue Macau Antigo.
Excerto do artigo da autoria de Luciana Leitão:
"Blogues em Macau: os poucos resistentes
Com os blogues a perder relevância no mundo, na era das redes sociais, ainda há alguns exemplos no território. Em Macau, os que existem são, sobretudo, de portugueses e de macaenses, já que, hoje em dia, entre a comunidade chinesa local, é uma ferramenta muito pouco usada.
Contam-se pelos dedos o número de blogues com temáticas ligadas a Macau e os que existem já têm alguns anos. O PONTO FINAL foi à procura dos resistentes, que ainda publicam actualmente, como o Macau Antigo, o Visto de Macau, o Nenotevaiconta, o Crónicas Macaenses ou o Delito de Opinião, e falou com alguns dos seus autores.
Um dos blogues mais conhecidos, entre a comunidade portuguesa e macaense, é o Macau Antigo, criado pelo jornalista João Botas, em Novembro de 2008. “Vivi em Macau na adolescência e, passados alguns anos, depois de regressar a Portugal, senti que havia um misto de desconhecimento e muitos mal-entendidos sobre a história de Macau”, conta. Por isso, por volta de 2006, quando fazia pesquisas para aquele que seria o seu primeiro livro, “Liceu de Macau 1893-1999”, deparou-se com muita “documentação interessante” que não seria necessária para o trabalho. ”Foi então que surgiu a ideia de criar o projecto Macau Antigo para poder divulgar esses documentos”, recorda. Definiu então como seria o modelo adoptado: linguagem simples, “sem ser simplista”, e associando, sempre que possível, ilustrações, para contar a história de Macau.
Ponto Final 14.2.2025 |
Alimentado por livros, jornais perguntas, testemunhos de leitores, publica todos os dias um texto. “Há mais de 16 anos que publico um novo post todos os dias e não me faltam temas, o que me falta é tempo”, destaca. Com visitantes portugueses, macaenses e chineses, de Macau, Hong Kong, China continental, além de ingleses e elementos de outras comunidades, João Botas diz que no blogue estão registados mais de 300 leitores. “Recebem uma notificação via e-mail de cada vez que é feita uma nova publicação e na rede social Facebook, onde também divulgo o projecto, são mais de mil”, diz.
Com um total de quase três milhões de visitantes, em média, tem tido cerca de 200 mil visitas por ano. “Dá uma média diária superior a 500”, diz o jornalista, que acrescenta: “No último mês de Janeiro, por exemplo, teve uma média diária de cerca de 700 visitantes e, em Março de 2004, registou um recorde mensal com cerca de 70 mil visitas.”
Os leitores são, por ordem decrescente, desde 2008, de Portugal, Estados Unidos, Macau, Brasil, Rússia, Hong Kong, Alemanha, Países Baixos, Suécia e Canadá. A energia para continuar com o projecto surge das reacções que recebe por parte de quem visita aquele espaço. “Recordo, por exemplo, que foi a partir de um contacto de uma leitora que nasceu a ideia de escrever a biografia de Manuel da Silva Mendes (1867-1931)”, declara.
Quase todas as semanas recebe pedidos de informação, sobretudo de estudantes universitários, de Portugal, Macau, Hong Kong, Brasil, mas também de militares que estiveram em comissão de serviço em Macau, ou dos familiares deles. “Querem saber mais, dar-me fotografias, jornais, ou apenas perguntar se consigo identificar um local numa fotografia”, refere. “Uma pessoa quis saber algo mais sobre a avó que tinha sido professora em Macau, nos primeiros anos do século XX. Enviou-me o nome e consegui ajudar, recorrendo a dois livros”, conta, a título de exemplo.
Para o projecto, recebe um “apoio simbólico” da Fundação Jorge Álvares, que ajuda a suportar algumas das despesas, como livros, digitalizações, “portes de correio nos passatempos anuais” em que oferece livros aos leitores ou deslocações. Aliás, conta João Botas, esporadicamente, tem de viajar para recolher um testemunho ou adquirir livros e outros documentos. “Recordo-me de, já há uns anos, ter ido de Lisboa à aldeia de S. Gregório (Melgaço) para entrevistar o senhor Marrucho, um militar que esteve em Macau na década de 1940. Foi o neto que me contactou”. (...)"
PS: Artigo na íntegra aqui
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