quarta-feira, 7 de agosto de 2019

George Vitalievich Smirnoff: 1903-1947


Smirnoff e a mulher
George Vitalievich Smirnoff, também conhecido como Yuri (nome russo para George) nasceu em Vladivostoque em 1903. Em plena revolução, aos 12 anos teve de fugir para Harbin, na Manchúria. Será aqui que estuda e se torna arquitecto. Com o avanço das tropas japonesas, Smirnoff, já casado, foge com a família para o Norte da China. Em Tsingtao trabalha como arquitecto tendo concebido mais de uma centena de projectos. Na altura a cidade era uma zona de veraneio e nos tempos livres Smirnoff entretém-se a pintar e chega a vender alguns quadros.
Em 1938 ele a família são novamente obrigados a fugir do avanço japonês e rumam até Hong Kong. Até que em Dezembro de 1941 a então colónia britânica é invadida pelos japoneses. Três anos mais tarde ele e a família partem para Macau, cidade já imensamente povoada de refugiados e onde reside no Páteo das Seis Casas. 
Os empregos são escassos e será a pintura a ter um papel chave para a sobrevivência naqueles anos difíceis. O arquitecto tornado pintor confidenciara certa vez ao seu velho amigo Padre Albert Cooney, que "não sabia o suficiente para ser bom, mas sabia já demais para ser mau". Quem repara nele e nas suas obras é Pedro Lobo (director dos Serviços de Economia) que via governo de Macau lhe encomenda uma série de 63 aguarelas sobre o território.
Palácio do Governo e Jardim Lou Lim Ioc
As obras, produzidas entre 1944 e 1945, passaram a fazer parte do espólio do então Museu Luís de Camões e actualmente estão no Museu de Arte de Macau., que lhe garantem a subsistência. Em Macau Smirnoff ainda se dedica a ensinar desenho e a fazer cenários para peças de teatro. A única exposição que ali fez data de 1945, no Colégio de S. Luís, na Rua da Praia Grande, juntamente com os seus alunos (o macaense Luís Demée, mais tarde pintor, foi um deles), pouco antes de regressar a Hong Kong onde a 6 de Fevereiro de 1947 se suicida. Está sepultado no cemitério de Happy Valley. Em Macau tem nome de rua.
Os chineses chama-se "Sam Pá Chai" ao Seminário de S. José em cima numa fotografia da década 1920 (acima) e em baixo uma aguarela de George Smirnoff na década 1940

George Vitalievich Smirnoff was born on 27 October 1903. Also known as Yuri (russian name for George). Born in 1903, in the coastal town of Vladivostock, he started his nomadic existence early. When he was barely twelve, the waves of the Russian Revolution hit his homeland and obliged him to flee to Harbin, in Manchuria.
During his adolescent years in Harbin, he proved to be an excellent student, winning a number of prizes helping to secure his entry to the Department of Architecture in the city's University. But the Japanese policy of territorial expansion included the invasion of Manchuria and the young architect, recently married, was compelled to flee once again, this time to Tsingtao, a summer resort north of Shanghai. Here he settled as an architect, responsible for drawing up projects and plans for two-hundred residences. Smirnoff took advantage of the seasonal architectural bustle of this small town; mainly happening during the four summer months, by spending the remaining months of the year painting. Naturally eclectic, he rapidly mastered the palette techniques with a talent which enabled him to sell some of his paintings and be encouraged in his endeavour.
But soon the conquering Japanese Army sweept China, and the Smirnoff family had to gather their belongings once again and move to Hong Kong where George got a job in a local architectural practice. In December 1941 they were trapped in the British colony by the rapid Japanese southern advance, only three years later managing to find refuge in Macao. But by then the city was swarming with refugees and jobs were scarce. This time, George Smirnoff's survival depended on his painting.
In Macao, he and his family lived at Páteo das Seis Casas (see photos). To earn Money he gave drawing classes and designed theatrical sets. In 1944 on behalf of the Government of Macao, Dr. Pedro Lobo placed with the artist an order for a series of watercolours depicting views of the colony, thus providing him with a steady revenue. Smirnoff produced a series of sixty-three urban landscapes, which presently belong to the heritage of the Museu Luís de Camões (Luís de Camões Museum). He exhibited for the first time in Macao, in December 1945 in the Colégio de S. Luís (St. Louis's College), in Praia Grande, in a joint show together with his apprentices. The Macanese Luís Demée who later became a painter, was one of them.
George Smirnoff died on 6th February 1947 and was buried at the Happy Valley Cemetery, Hong Kong.
Páteo das Seis Casas (Freguesia de S. Lourenço) in 1991 (above) and in 21st century

terça-feira, 6 de agosto de 2019

"Oldest European Colony In Asia and Its People"

Na página 7 da edição de 5 de Março de 1905 o jornal "The Times Dispatch", de Richmond, Virgina, nos EUA, publica um artigo intitulado "Oldest European Colony In Asia and Its People". Seguem-se alguns exertos:

By Alleyne Ireland, F.R.G.S., Author of "Tropical Colonisation," etc. 
When the visitor in Hongkong gots tired of the rush and hurry of that thriving excrescence of the China coast; when the constant firing of salutes in honor of the daily advent of warships grates on his nerves; (...) the wise manlunches at the Hongkong Club, takes a rickshaw down the water front to the wharf of the Hongkong, Canton & Macao Steamship Company and embarks on one of the comfortable boats which leave in the early afternoon and land you in Macao in time for dinner in the same evening. (...)
The trip from Hongkong to Macao occupies about four hours. (...) Macao is a city of dreams, offering to the curious visitor thw spectacale of ancient forts and churches, decayed ramparts and all the relics of past greatness. (...)
Macao dates back to the sixteenth century. Is the oldest European colony in Asia and in its ruined churches and forts the present day traveler sees the remains of a system of colonization in which the priest and the soldier wero tho guiding spirits, and the man of commerce merely an adjunct. (...)
Macao is a favourite resort of honeymooners; and the cyni may discern in a week's sojourn there every degree of Illusion or disillusion to which that peculliar state is popularly supposed to tend itself. The most striking feature in the general view of Macao, which you obtain front the verandah of the Hotel Boa Vista, is the local skyscraper which does duty as a pawnbroker's establishment. It is a building of some seven or eight stories, and looks not unlike as rudimentary storage warehouse. It has rows of narrow; windows, and ingress is obtained through a very small door. (...)
The pawnbroker's establishment plays a very Important part in Chinese life. (...) The principal, if not the only industries, which flourish in Macao, are the Chinese fan-tan gambling business and the government lottery. (...)

Nas ilustrações a fachada de uma "Chinese gambling house in Macao" e "A lady musician of Macao".
1905年美國維珍尼亞州報紙報導亞洲最古老殖民地 澳門

domingo, 4 de agosto de 2019

Aclamação de D. Pedro V e incêndio no bazar no L'Illustration de 15 Março 1856

Na edição de 15 de Março de 1856 o jornal "L'Illustration jornal universele" - imagem abaixo - dava conta das celebrações em Macau da aclamação do rei D. Pedro V com uma ilustração da "iluminação do palácio do consulado brasileiro em Macau" e uma outra com a legenda "Vista da Praia Grande" preservada do grande incêndio que atingira o território em Janeiro desse ano. 
“A Illustração Luso-Brasileira” de 1856, num artigo assinado por Carlos Caldeira e com a mesma ilustração, informava assim: “Em 4 de Janeiro pelas duas horas da tarde, manifestou-se fogo no centro do bazar, ou bairro chinez, numa loja ou botica, como lá se dizem. O vento forte, que soprava rijo, espalhou-se rapidamente: às 5 horas rondou para leste, e algum tempo depois voltou ao norte, o que fez com que as chamas avançassem em todas as direcções. O incêndio durou até às 11 do dia seguinte. Arderam umas 1500 casas entre grandes e pequenas, incluindo mais de 600 lojas. As propriedades e valores perdidos sobem a mais de um milhão de patacas, ou para cima de 1000 contos. Houve também alguma perda de vidas."
A 16 de Setembro de 1855, quando fez 18 anos, Pedro V (1837-1861) - filho de Maria II e Fernando II - foi aclamado rei tendo ascendido ao cargo dois anos antes. Dedicou-se com afinco ao governo de Portugal sendo apelidado de "o Esperançoso" e "o Muito Amado", foi o Rei de Portugal e Algarves de 1853 até sua morte.
Em Macau existe um teatro com o nome D. Pedro V, edifício construído em 1860, o primeiro teatro de estilo ocidental na China.

sábado, 3 de agosto de 2019

A casa do General Ye Ting

A antiga residência do General Ye Ting (1896-1946), estratega militar e um dos fundadores do Exército de Libertação Popular, é um testemunho da vida do general no território nofinal da década de 1920 e início da de 1930.
O edifício de dois pisos ao estilo europeu, fica no nº 76 da Rua do Almirante Costa Cabral, inclui um jardim fronteiro, onde o militar e a sua família viveram durante sete anos. No início dos anos 50 a casa foi vendida, primeiro à Associação Geral de Estudantes Chong Wa de Macau passando, posteriormente, para as mãos da Associação Geral das Mulheres que aí estabeleceu a sua creche .
Na residência-museu podem ainda ser vistas peças de mobiliário, incluindo um armário de madeira, relógio de pêndulo, máquina de costura, cama de madeira e algumas decorações.

 Fotos de Manuel Noronha
 
Ye Ting (September 10, 1896 - April 8, 1946), born in Huiyang, Guangdong, was a Chinese military leader. He started out nationalist and went to the communists.
Ye Ting joined the Kuomintang when Sun Yat-sen founded it in 1919 (the Kuomintang existed prior to 1919 but was called the Chinese Revolutionary Party) and from 1921 was a battalion commander in the National Revolutionary Army. In 1924 he studied in the Soviet Union and in December of that year joined the Communist Party of China. In September 1925 he returned to China to serve first as staff officer, then as independent regiment commander, in the Fourth Army of the National Revolutionary Army. In May 1926 he led an advance detachment in the Northern Expedition, with several victories in August. In September he besieged Wuchang, breaking through the defenses on the 10th of October. In 1927 he was a) deputy division commander of the 15th Division, b) division commander of the 24th Division of the 11th Army, and c) deputy army commander of the 11th Army.
On August 1, with Chen Yi, Zhou Enlai, He Long, Zhu De, Ye Jianying, Lin Biao, Liu Bocheng and Guo Moruo, he participated in the failed Nanchang Uprising, when the “Chinese Red Army” was founded. After Nanchang, he went to Hong Kong, whence on December 11 he led the Canton Uprising. After this uprising failed, he was persecuted as a scapegoat and as a result, he was exiled to Europe and when he returned to Asia went into hiding in Macao.
In 1937 he served as army commander of the New Fourth Army. As a result of the New Fourth Army Incident, he was put in jail for five years, until 1946. On April 8 of that year, after he was released, en route from Chongqing to Yan'an, he died in a plane crash. Among the victims were some of his family members and several senior CPC leaders such as Bo Gu, Deng Fa, and Wang Ruofei. There are rumors that Chiang Kai-shek arranged the crash. 

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Banda de Música da Guarnição de Macau (1910)

Em Novembro de 1910 a "banda" de Música da Guarnição de Macau actuava ao final da tarde, aos domingos, terças e quintas, "frente ao quartel-general" e jardim de S. Francisco. Do reportório faziam parte óperas, valsas, polkas, etc...

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

In the Land of Pagodas

In the Land of Pagodas: A Classic Account of Travel in Hong Kong, Macao, Shanghai, Hubei, Hunan and Guizhou é o título do livro - literatura de viagem - da autoria de Alfred Raquez. A edição e tradução é de 2016 e pertence a  William L. Gibson e Paul Bruthiaux.
Em boa hora, Gibson e Bruthiaux resolveram traduzir e editar esta obra esquecida de Joseph Gervais (1865-1907), escritor, viajante e fotógrafo. Trata-se de um relato pelo sudeste asiático feito na primeira pessoa no final do século 19 onde o autor viveu durante oito anos. A história passa-se na China em 1898. Um tempo de guerra, intriga e crescente poder estrangeiro no império do Meio. O protagonista é um francês fugitivo com a perspicácia de um jornalista. Alfred Raquez vai da Indochina para Hong Kong, Macau e Cantão antes de se juntar a um grupo de empresários obscuros de Xangai...
Edição original: Au Pays des Pagodes. Notes de Voyage, Hongkong, Macao, Shanghai, Le Houpé, Le Hounan. Shanghai: La Presse Orientale, 1900



China, 1898: a time of war, intrigue and growing foreign power. Onto the scene comes a Parisian fugitive with a gifted pen and a journalist's eye. Alfred Raquez, a self-proclaimed "explorer without a mission", drifts from Indochina to Hong Kong, Macao and Canton before falling in with a group of shady entrepreneurs in Shanghai with interests far up the Yuan River. In short order, Raquez sets off on a rollicking voyage into the heart of the lawless Miao-country, pen and camera in hand, far beyond the reach of Peking's court and its ruling Empress Dowager. The result is a richly recorded adventure through fin-de-siecle China told from the perspective of a wandering French boulevardier and in a startlingly fresh voice. The first English translation from the French of a long out-of-print and sorely neglected work, In the Land of Pagodas offers scholars and students new and unexpected historical insights into the ferment of 1890s China. In its narration it also reveals much about the derring-do and startling hypocrisy of the colonial enterprise. At the same time, this is a tale that will fascinate all readers, taking them on a picaresque journey that is as much Moulin Rouge as it is Heart of Darkness.

Alfred Raquez é o nome literário de Joseph Gervais, um aventureiro e viajante do século 19. Nascido em 1863 em Dunquerque, no norte da França, trabalhou como advogado antes de ter que fugir do país, falido e sob um mandado de busca. A Indochina, onde chegou em Junho de 1898, tornou-se o berço de sua segunda vida. O livro reúne os artigos que ele publicou numa revista francesa enquanto viajava pela Ásia, passando por Hong Kong, Macau, Xangai e várias cidades do sul da China, com experiências que variavam de uma excursão às 3 da manhã até o pico de Hong Kong, banquetes à mesa de um mandarim e uma exploração das minas de mercúrio de Guizhou.

terça-feira, 30 de julho de 2019

1.5 milhões de pageviews

No 10º ano de actividade o blogue Macau Antigo atingiu a marca dos 1,5 milhões de pageviews, consolidando-se como uma referência de consulta na internet sobre temas relacionados com a história de Macau.
Criado em Novembro de 2008 o projecto tem uma média mensal de 15 mil leitores oriundos sobretudo de Portugal, Macau, Brasil, Rússia, Alemanha, Hong Kong, China, França, Itália, Canadá e Austrália, de acordo com os dados estatísticos da plataforma blogger.
Até agora já foram publicados mais de 4 mil posts sendo o maior acervo documental online sobre a história de Macau.
Década 1960: vista parcial da Praia Grande junto ao Palácio do Governo
Macau Antigo: Blog about old Macau gets over 1.5 million visits
Created in 2008 Macau Antigo blog has reached more than 1,5 million visits. The site has an average of 15.000 visits per month, with the majority number of readers coming from Portugal, Macau, Brazil, Russia, Germany, Hong Kong, China, France, Italy, Canadá and Australia. So far more than 4,000 posts were published.

Pintura final séc. 18 :vista da Praia Grande a partir do Convento de S. Francisco
 Da esquerda para a direita: Penha, Seminário e Igreja S. José, Igreja Sto. Agostinho, Sé, Igreja Mater Dei (vulgo S. Paulo) e Fortaleza do Monte.

Cena de rua: década 1960

segunda-feira, 29 de julho de 2019

"Santa Cruz" em 1929



Este "Santa Cruz" foi o primeiro a cruzar o Atlântico, com o tenente Sacadura Cabral e o almirante Gago Coutinho em 1922. Em 1927 chegou a Macau ano em que foi criado o Centro de Aviação Naval de Macau numa hidrobase instalada na ilha da Taipa em 1927 para apoio às forças navais que combatiam a pirataria nos mares da China. O centro foi desactivado em 1933 mas foi novamente activado em 1937, por ocasião das guerras civis chinesas. Em 1940 foram construídas novas instalações no Porto Exterior de Macau, sendo para aí transferido o centro. Em 1942 foi definitivamente desactivado.
Em 1929, por exemplo, ano das imagens, fez ligações a Hong Kong (a primeira imagem). O "Santa Cruz" chegou a Macau com outros dois aparelhos (Fairey), um deles tinha o nº 20. Foi a bordo destes aparelhos que se conseguiram imagens aéreas de Macau como esta da zona do Tap Seac.

sábado, 27 de julho de 2019

Aviso trilingue

Aviso trilingue colocado junto à fábrica de panchões Kwong Hing Tai na década 1950. 
Foto de Harrison Forman.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Porto Interior no Archivo Pittoresco de 1864

“Ahi fica estampada a vista da parte ocidental da cidade de Macau e o seu ancoradoiro ou porto interior, formado pelas águas de um braço do grande rio de Cantão. É aqui o centro commercial da cidade, como a parte oriental, que estampamos a pag. 345 d´este volume, se pôde chamar o centro official administrativo, mais propriamente cidadão. 
Porto Interior: ilustração do século 19
Estamos a contemplalo das alturas da Penha. Ao longe, à direita , na altura em que se divisa um confuso arvoredo, é a quinta da Gruta de Camões, propriedade do comendador Lourenço Marques. As montanhas que se elevam ao fundo, à continuação da península em que Macau assenta, são da comarca de Anção ou Hiamxan, da ilha Ngão-men, a maior das que povôam o grande golpho em que desagua o rio Cantão. É ahi, sobre a esquerda, que está situada a povoação chin da Casa Branca. A primeira praia à esquerda (passando a fortaleza e pagode da barra, que ficam áquem do que descobrimos) é a chamada Manduco. Segue-se-lhe a Praia Pequena, adjacente à qual está a povoação chiN chamada do Bazar, quasi na sua totalidade reconstruída por um plano regular, depois do grande incêndio que, em 1856, lhe devorou umas mil casas grandes e pequenas. Segue-se-lhe a praia do Tarrafeiro, que é a última, na baixa ao poente da quinta da Gruta de Camões. A pequena ilha, que a pouca distancia se vê no meio do rio, é a ilha Verde, até 1762 propriedade dos jesuítas, de então até 1828 de particulares, e desde 1828 do collegio de S. José de Macau, hoje seminario diocesano. 
A parte de outra ilha, que apparece à esquerda da estampa, demarcando o ancoradoiro por este lado, é a ilha que antigamente chamávamos dos Padres, pelas estancias que os das ordens religiosas ahi tiveram, fronteiras à cidade; ilha a que agora chamâmos da Lapa, e os chins Toi-miu-shan, em vulgar Panthera. Na praia que d´ella avistámos, e na sua continuação para barra, tivemos até princípio do seculo XVIII as estancias da Lapa, da Ribeirinha e da Ribeira Grande; e ao sair da barra as da ilha do Bugio e de Oitem. A historia de cada parte d´este territorio, que nos pertenceu ou pertence, interessando particularmente aos portuguezes, pôde ainda assim ser para todos fonte de grandes e aproveitaveis lições. Reservâmola para artigo especial."
Excerto de artigo da autoria de José de Torres publicado no Archivo Pittoresco de 1864.
Porto Interior numa gravura holandesa do séc. XVII

quinta-feira, 25 de julho de 2019

"Língua de Macau: o que foi e o que é"


"Língua de Macau: o que foi e o que é" é um pequeno livro de 62 páginas da autoria de Graciete Nogueira Batalha (1925-1992). Edição: Imprensa Nacional de Macau, 1974

Trata-se de uma reedição actualizada da série de artigos publicados originalmente no jornal "Notícias de Macau" entre 25 de Maio e 24 Agosto de 1958.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

A sobrecarga "República"

Foram várias as emissões filatélicas de Macau que foram 'sobrecarregadas' com a marca "República". As emissões do chamado "antigo padrão" eram: do Tipo D. Luís e D. Carlos. Na prática eram selos emitidos antes da implantação da República (1910) e que para poderem continuar em circulação teve de se encontrar uma solução adequada ao novo regime político. 
Nestas especificidades locais há ainda o facto curioso de se poder ver - imagem abaixo - um selo de valor facial de 10 réis (azul), da emissão de D. Carlos tipo «Mouchon», com sobrecarga "República" e que nunca che
gou a ser referido nos catálogos em Portugal por durante muito tempo se acreditar que se tratava de uma falsificação.


1911 a 1913 - Série completa D. Carlos com sobrecarga "República" 

terça-feira, 23 de julho de 2019

Hydrofoil "Flying Skimmer"

Neste post destaco o hydrofoil (hidroplanador) "Flying Skimmer"  da empresa "Hong Kong Macao Hydrofoil Co. Ltd" numa viagem entre Hong Kong e Macau em 1976. Quando surgiram no início da década de 1960 tinham nomes como Flying Phoenix, Flying Kingfisher, Guia, Coloane, Flying Dragon, etc. 
O preço do bilhete era 28 patacas
Aspecto do interior
"Flying Skimmer"

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Dois carvalhos entrelaçados

Num dos inúmeros textos que escreveu sobre o território no início do século 20, Manuel da Silva Mendes (1867-1931) faz referência a dois carvalhos entrelaçados que por certo são os que existiram no templo de Kun Iam Tong
Estas árvores estão associadas a uma lenda de que já dei conta num outro post e que pode ser lida aquiMas voltemos a Silva Mendes que escreve assim: “Dois esplêndidos exemplares da fauna local, arte da natureza em compita com a do edifício de obra humana. Valem apenas esses dois augustos robles uma visita; e se a natureza ali os pôs para abater o artístico orgulho do homem, é a lição edificante.”
Apesar de densamente povoado o território tem milhares de árvores (eram 8 mil no início do século XXI) nos quase 20 espaços verdes, entre parques e jardins. Um dos 'pulmões' de Macau fica na colina da Guia onde abundam os pinheiros da China (pinus massoniana), as figueiras altas (ficus altíssima) e as árvores de pagode.
Sugestão de leitura: Árvores de Macau, da autoria de Wang Zhu Hao, Edição:Câmara Municipal das Ilhas, 1997.