segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Recital de violino no Liceu em 1959

Folheto do recital de Violino por Carlos Alberto Simões Basto (11 anos - n. 10 Agosto 1947) aluno do Liceu no salão de conferências do Liceu Infante D. Henrique acompanhado ao piano por Ana Margarida Gomes. Domingo, 4 de Janeiro de 1959
 Imagens cedidas pelo também ex-aluno do LNIDH, Augusto Veiga.
Sugestão de leitura: blog dedicado em exclusivo ao Liceu de Macau

sábado, 9 de agosto de 2014

Bilhete postal para os Serviços de Fazenda (1926)

Este bilhete-postal foi enviado de França a 20 de Agosto de 1926 e recepcionado em Macau a 11 de Outubro desse mesmo ano. O remetente foi o Journal du Commerce e o destinatário a Direcção dos Serviços de Fazenda. Diz respeito à assinatura daquela publicação. No campo do endereço do destinatário aparece, curiosamente, a designação "Macau - Portugal"...

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Lancha-Canhoneira "Macau"

Desenho do pintor de marinha Artur Guimarães
Mensagem do cônsul-geral de Portugal em Cantão para o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
“No dia 29 de Dezembro de 1938, veio a esta cidade a Lancha-Canhoneira 'Macau', comandada pelo Sr. Tenente Albano Oliveira, e trazendo a bordo o Sr. Capitão Carlos Gorgulho, Comandante de Policia de Macau. Veio visitar as altas autoridades japonesas de ocupação, principalmente o General-em-Chefe Ando. Foi-lhes oferecido um almoço na residência deste General; não assisti em virtude do meu estado de saúde. Esta visita e vinda da canhoneira, trazendo um militar de visita às autoridades japonesas foi comentada pelos Cônsules Estrangeiros, que desconfiam de tudo!!! A Canhoneira retirou-se no dia 31 de Dezembro de 1938.”
A sigla NRP significa Navio da República Portuguesa. Esta lancha canhoneira fazia o serviço de patrulha das águas tranquilas da colónia portuguesa nos primeiros anos do século XX. O navio foi encomendado aos estaleiros Yarrow & Co. Ltd., de Glasgow, na Escócia, tendo sido entregue à Marinha portuguesa em 1909. Foi o navio Nº 60 do Regimento de Sinais da Armada e utilizou o distintivo “C.T.A.X.”, como indicativo do Código Internacional de Sinais.
Foi abatido ao efectivo dos navios da Armada a 15 de Agosto de 1943, sendo entregue aos responsáveis militares Japoneses da força expedicionária que invadiu a China (2ª guerra sino-japonesa), por troca com 10.000 sacos de arroz, ficando a navegar com o nome "Maiko". Em 1949 foi capturado por militares chineses, passando a ser propriedade da República da China. Integrado na Marinha chinesa, continuou a prestar serviço durante mais alguns anos sob o nome “Wu Fang”.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Nota de 5 avos: 1946

A 6 de Agosto de 1946 estavam prontas 180 mil unidades destas notas de cinco patacas. Impressas pela Hong Kong Printing Press (1946) Ltd. ao abrigo do Decreto No.35785 e postas em circulação pelo BNU em Abril de 1947.
Côr castanha-avemelhada sobre verde. Duas assinaturas impressas.
Número e data do decreto por cima do número de série.
Escudo de armas português no centro. Côr Verde.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Agent et marchand de timbres-poste

Augusto Óscar Marques era em 1899 "intérprete sinólogo do Consulado de Portugal e intérprete do Corpo Consular de Shanghai (categoria de 2° intérprete de 1ª classe).
Em Macau foi subchefe da Repartição de Expediente Sínico, exercendo o cargo de intérprete sinólogo durante mais de 25 anos. Foi enviado para o Consulado português de Shanghai em Outubro de 1878. Morreu em 1906.
Neste bilhete-postal datado de 1893 surge como agente e comerciante de selos e postais "de todos os países da Ásia e Oceania, em especial dos de Macau, Hong Kong e Timor". Estava estabelecido no nº 3 da Rua de Sto. Agostinho (referência ao Largo com o mesmo nome). Correspondia-se com João Feliciano Marques Pereira.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Comércio do ouro: final década 1940

Na sequência do final da 2ª Guerra Mundial e terminado o comércio do ópio Macau encontrou no comércio do ouro a salvação para uma economia fortemente abalada pelas consequências do segundo conflito mundial que na região se denominou Guerra do Pacífico. Portugal não assinou o tratado de Bretton Wood que fixou o preço do ouro em 35 dólares a onça. Em Macau praticava-se o preço livre. Era o mercado a funcionar. O preço rondava os 50 dólares/onça. A Macau chegavam cerca de 500 mil onças/mês oriundas das Filipinas (hidroavião). O Governo de Macau cobrava um imposto de 60 cêntimos por cada onça que entrava e saía do Território. O ouro chegava com 99,6% de pureza mas era-lhe acrescentado prata, fazendo com que o grau de pureza descesse para os 99%, o mínimo exigido pelo mercado chinês. Que negócio!
Os juncos faziam o transporte do ouro para Hong Kong. Por cada onça transportada cobravam um dólar. Estas ‘carreiras’ eram muitas vezes atacadas por piratas. É também nesta época que ocorre em Macau o primeiro sequestro a nível mundial de um avião comercial...
Nas imagens acima o descarregamento do ouro junto ao banco Tai Fung na Av. Almeida Ribeiro/San Ma Lo.
Notícia publicada no jornal “Voz de Macau” em 1 de Agosto de 1947- “Vindo de Manila chegou há dias a esta cidade um bimotor da Cathay Pacific Airways que, segundo dizem, trouxe barras de ouro para diversas firmas bancárias de Macau”. 
No final desse ano, o jornal “Notícias de Macau” publicava a seguinte notícia: “...o precioso metal, importado quase diariamente por via aérea, por várias casas bancárias, era exportado para Hong Kong,´Cantão e várias cidades da região”.
Cambista Tai Fung
Testemunho de Américo Monteiro: "Eu nos finais dos anos 60 como representante dos Serviços de Finanças de Macau fui dezenas de vezes, como um dos elementos da Comissão de Recepção do Ouro, fui à Av. Almeida Ribeiro, No. 146, r/c, onde se situava o Banco Seng Heng. Eu era encarregado pela pesagem e número das respectivas barras (nessa altura um tael só custava 200 e poucas patacas). Além do representante dos Serv. de Finanças havia outro da Direcção dos Serv. de Economia e um Oficial Superior dos Serviços de Marinha. Havia sempre uma escolta da PSP desde o Cais de Desembarque até ao referido Banco. De seguida era-nos oferecido um grande almoço no restaurante chinês Long Kei."

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

"Imprensa Nacional" no Boletim de Informação e Turismo

Na edição de Agosto de 1968 o Boletim de Informação e Turismo destacava o papel da Imprensa Oficial, cujo edifício (na imagem) tinha sido inaugurado em 1954, mas cuja história remonta ao século XIX. Na década de 1960 a Imprensa Nacional era responsável pela publicação do próprio boletim dos serviços de turismo, do Boletim Oficial, do Anuário do Ensino, da Lista Telefónica, do Anuário Estatístico e outras publicações oficiais onde se incluiam ainda alguns livros.

sábado, 2 de agosto de 2014

Casamata em Coloane

 Fotos do jornal The Macau Post Daily (2013)
 
Estas fotografias retratam uma casamata (posto militar construído ca. 1930) em Coloane, perto da Rua de Entre-Campos. Segundo Chan Chi Leong, responsável do Instituto de Macau para a Conservação e Restauro de Relíquias Culturais, restam apenas três casamatas em Macau: em Coloane, em Ka Hó e na Ilha Verde, construídas na altura em que as Forças Armadas portuguesas ainda estavam em Macau. Em Janeiro de 2013 estava ameaçada a sua existência por causa de novas construções. Chan Chi Leong pediu na altura que aquela casamata fosse integrada na lista do património de Macau a proteger, solicitando às autoridades competentes que estudem aquela construção.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

João Rodrigues, o intérprete

João Rodrigues (Sernancelhe, 1558 a 1561Macau, 1633 ou 1634) foi um sacerdote, jesuíta, português, missionário no Japão. Foi também um linguista, tendo escrito o primeiro dicionário de japonês-português e a primeira gramática da língua japonesa. É conhecido no Japão por João Rodrigues Tçuzu (O intérprete).
Com apenas 14 anos, João Rodrigues embarcou com destino à Índia. Pouco depois da sua chegada ao Japão em 1577, foi iniciado na Companhia de Jesus. Dedicou-se ao ensino da gramática e do latim e à aprendizagem da língua japonesa e alguns anos mais tarde concluiu os estudos em teologia em Nagasaki. Depois de ordenado sacerdote em Macau regressou ao Japão, onde se tornou comerciante, diplomata, político e intérprete entre os japoneses e os navegadores estrangeiros. A sua fluência no idioma oriental mereceu-lhe uma relação especial com os principais líderes japoneses durante o período de guerra civil e da consolidação do xogunato de Tokugawa Ieyasu. Nesta época também testemunharia à expansão da presença portuguesa nesta nação e à chegada do primeiro inglês, William Adams.
Durante este período, teve a oportunidade de escrever as suas observações sobre a vida japonesa, incluindo eventos políticos da emergência do xogunato e uma descrição detalhada da cerimónia do chá. Nos seus escritos revelou uma abertura de espírito sobre a cultura do seu país anfitrião, chegando a elogiar a santidade dos monges budistas.
João Rodrigues seria expulso do Japão no ano de 1610, como consequência de um incidente com o navio português Madre de Deus. Este navio tinha estado envolvido em um conflito em Macau em 1609, no qual foram mortos marinheiros japoneses. Ao voltar a Nagasaki, as autoridades japonesas tentaram abordar e prender o capitão André Pessoa. Na escaramuça, o navio foi incendiado e afundou ao tentar sair do porto da cidade e, em retaliação pelo incidente diplomático, os missionários cristãos foram expulsos do país. Regressando a Macau, dedicou-se à investigação das origens das comunidades cristãs estabelecidas no local desde o século XIII. Morreu a 1 de Agosto de 1633, tendo ficado sepultado na então igreja de São Paulo (hoje Ruínas de São Paulo).
Para além de intérprete, foi um dos autores e coordenador do "Vocábulo da Lingoa de Japam", primeiro dicionário de japonês-português editado em 1603, da "Arte da Língua de Japam" (1608), "Arte Breve da Língua de Japam" (1620) e "A História da Igreja de Japam" (1634).
É sem dúvida uma figura referencial nos primórdios das relações luso-nipónicas nos séculos XVI e XVII. A sugestão de leitura é, claro está, a biografia de João Rodrigues escrita pelo também jesuíta, mas inglês, Michael Cooper, em 1994. "Rodrigues, o intérprete: um jesuíta português no Japão e na China do século XVI".

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Restaurante "Macau" no Brasil

Lam Chon Chong nasceu em Macau em 1929. Em 1960 partiu para Moçambique para trabalhar como chef num restaurante chinês e deixou em Macau a sua mulher, Lam Leong Oi Fun e os quatro filhos. Em 1970, Lam Leong Oi Fun foi ao encontro do marido, em Moçambique, com seus filhos. Em 1972, a família reunida abriu seu próprio restaurante chinês (imagem abaixo). Com a Guerra da Independência de Moçambique, "a família Lam viu a necessidade de continuar a busca pelo seu sonho em outro local."
Como tinham amigos no Brasil, em 1974, decidiram partir de Moçambique e emigrar para as terras brasileiras. Em 1975, a família Lam chegou ao Rio de Janeiro, onde permaneceu por seis meses. Numa visita a amigos conheceram Belo Horizonte e decidiram que Minas seria um óptimo local para abrir um restaurante (primeira imagem). Foi isso que veio a acontecer em Dezembro de 1975 quando inauguraram o "Macau" na avenida do Contorno com a Rua Leopoldina. Em 1980, o restaurante mudou para a avenida Olegário Maciel, onde permanece até hoje.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

O cruzador S. Gabriel

“Foi o «S. Gabriel» não só o primeiro navio de guerra portuguez que realisou uma viagem de circum-navegação, mas o primeiro navio portuguez que passou pelo estreito de Magalhães e Canaes da Patagonia, e entrou nos portos do Chili, Peru, Panamá, Mexico, California e ilhas de Hawai, fazendo, sem dúvida, uma das mais interessantes, se não a mais interessante viagem, dos ultimos annos.” 
Palavras do autor, António Aloísio Jervis de Atouguia Ferreira Pinto Basto, que foi o comandante do S. Gabriel, do livro editado em 1912.
A viagem de circum-navegação começou em 1909. Num jornal da época publicou-se a seguinte notícia:
"Ontem à tarde, saiu da barra do Tejo cruzador S. Gabriel, conduzindo a bordo os aspirantes de marinha. Um dos propósitos dessa viagem, que não deve durar menos de 15 meses, é levar a portos remotos saudação da pátria aos portuguezes que o destino collocou em affastados pontos do globo muitos dos quaes ainda não foram visitados officialmente por um navio de guerra portuguez. O S. Gabriel" toca na Madeira, Cabo Verde, Montevideo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Porto Luiz, Buenos-Aires, e, passando pelo estreito de Magalhães, tocará depois no Perú, (...) Portos da China, Batavia, Timor, seguindo para Colombo, Bombaim, Mormugão, Moçambique, Cabo, Loanda, (...)"
Facto curioso, o S. Gabriel estava em viagem quando em Portugal se deu a passagem da monarquia para a República. Ainda assim, a viagem não sofreu alterações embora passasse a navegar com outra bandeira que não a da monarquia. Mais sobre a viagem aqui
O São Gabriel, juntamente com o São Rafael, eram conhecidos por os "Anjos". Foram encomendados aos estaleiros franceses de Le Havre no âmbito do programa de reequipamento da Marinha Portuguesa. Os navios eram do tipo cruzador protegido de 3ª classe e foram os primeiros navios portugueses a terem instalado um sistema de comunicações TSF. Destacaram-se ainda por:
- o S. Gabriel foi o primeiro navio moderno português a efectuar uma viagem de circum-navegação.
- o S. Rafael tomou parte activa no golpe militar de 1910 que implantou o regime republicano em Portugal, derrubando a Monarquia Constitucional ao bombardear o Terreiro do Paço e o Palácio das Necessidades onde se encontrava o Rei D. Manuel II.
O S. Rafael ficou inactivo depois de encalhar na foz do rio Ave em 1911. O S. Gabriel manteve-se ao serviço até 1924.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Anúncio 1941: malas de cânfora

"Aceitamos ordens para aquisição de malas e mobílias de cânfora ou teca, bem como mobílias de pau preto. A Lusitana. Av. Almeida Ribeiro, nº 1-B"
Anúncio publicado em 1941 no jornal "A Voz de Macau"

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Recordações do "Sarangong"

Quando chegava o Verão o céu de Macau coloria-se com centenas senão milhares de papagaios de papel. Numa época em que não existia a prisão da televisão, nem dos PC e nets, nem dos segas e quejandos, o papagaio de papel era a forma de divertimento mais popular e barata. Para miúdos e graúdos. Havia-os à venda, mas os craques tinham gosto em construir o “seu papagaio”. Alguns conseguiam imprimir uma forma e uma cor que quando eram lançados, os seus construtores eram imediatamente reconhecidos. Os meus Pais eram grandes “craques” nesta actividade.
Tudo começava com a escolha do papel de seda e da cana da índia que iria servir de estrutura. Depois, era o rolo de linha de uma determinada espessura e bastante comprida.
Com o papagaio construído, normalmente tinha a forma de losango, seguia-se o tratamento da linha. Esta tinha de ser toda passada por uma massa feita de cola e vidro em pó (que se obtinha esmagando garrafas velhas, com um martelo ou de outra forma). O fio, depois de seco, ficava cortante como faca. Finalmente, era só atravessar um pau no meio do rolo e estava-se pronto para o combate aéreo.
Pois era disso que se tratava. Aliás, havia uma espécie de código de honra que se respeitava. Os papagaios com rabo não eram atacados. Normalmente, eram de miúdos pequenos que se divertiam lançando apenas o papagaio, que com o rabo eram mais estáveis mas lentos nas manobras e voavam mais baixo.
Os “Combatentes”, apareciam sem rabo, normalmente eram mais pequenos e muito velozes nas manobras. Desafiavam-se entre si e davam origem a verdadeiros bailados aéreos. Aqui entrava o tal fio impregnado de pó de vidro. A táctica era simples: cada um tentava cruzar o seu fio com o do adversário, ficando por cima. Nessa altura largava linha a toda a velocidade na intenção de cortar o fio do que ficava por baixo. Caso conseguisse, havia um papagaio a esvoaçar sem controle, à mercê de quem o apanhasse.
Mas as coisas nem sempre eram assim tão simples. Se o opositor fosse bom, em dois tempos saía debaixo e passava para cima e tudo recomeçava. Outras vezes, ao largar a linha esta acabava e era a vez do de baixo largar linha e cortar o fio do que estava em cima. Eram autênticos desafios aéreos, de ataca e foge, de corta-corta, que só por si já eram um espectáculo, com papagaios em voo picado e outros em "loopings" defensivos.
Avô-Pá também largava papagaios. Mas construía-os como se faziam em Portugal: grande, com forma hexagonal e um longo rabo cheio de laços coloridos. Quando aparecia a “Estrela”, nome por que era conhecido, todos já sabiam que era do Chefe Amarante. Ninguém se metia com ele, por que sabiam que a “Estrela” não tinha capacidade de manobra, nem estava lá para desafiar ninguém. Eu ainda vi uma vez a “Estrela” impávida e serena com o rabo a dar a dar e à volta era uma guerra que lembrava os combates aéreos dos filmes da 2ª Guerra.
Contava a minha Mãe, que uma vez, houve um chico-esperto que cruzou o fio com o da “Estrela” e cortou-o, caindo no pátio dos Bombeiros. Avô-Pá, desceu do terraço, identificou o “herói”, agarrou no rolo deste partiu-o ao meio e cortou-lhe a linha. E depois disse-lhe que para a próxima era na cabeça dele…Remédio santo: nunca mais ninguém se atreveu a meter-se com a “Estrela”.
Texto e foto de Reinaldo Amarante do seu blog Conversas com Avó-Má
Foto: O pai de Reinaldo Amarante na última comissão que fez em Macau no final da década de 1950, num intervalo de uma cerimónia oficial, a manobrar um papagaio. O passatempo - típico do Verão - consistia na largada do papagaio de papel também chamado o ‘sarangong’, preso à linha, esta de antemão preparada e tratada por uma massa de farinha, gema de ovo e vidro em pó que a tornava cortante. Desta forma estava lançado o desafio a outro papagaio para um despique em que o objectivo era cortar a linha do outro. Daí que também se usasse a expressão ‘corta-corta!

domingo, 27 de julho de 2014

Macau n'O Panorama

Artigo sobre Macau no jornal O Panorama: "jornal literário e instructivo da sociedade propagadora dos conhecimentos úteis", publicado em Portugal entre 1837 e 1868 com algumas interrupções pelo meio. Na ilustração vista parcial da baía da Praia Grande.

sábado, 26 de julho de 2014

"Os Chins de Macau": 1867

Um destes dias encontrei num leilão um exemplar deste livro de Manuel de Castro Sampaio, editado em Hong Kong em 1867 (Typografia Noronha e Filhos) em que a base de licitação era 4 mil dólares (mais de 40 mil patacas). Do livro extraí um excerto sobre as diferentes povoações do território - respeitando a grafia de meados do século XIX - ainda dividido entre cidade chinesa (a zona do bazar) e a cidade cristã.
"Uma das primeiras fica próxima da Fortaleza da Barra e é por isso chamada Povoação da Barra. A outra acha-se na encosta outeiro da Penha onde (...) está a a fortaleza do Bom Parto e onde se encontram as mais lindas chácaras de Macau. Esta é conhecida pelo nome de Tanque-Mainato, nome derivado de um tanque de lavadeiros ou mainatos, como lhes chama no paiz. As outras três povoações são denominadas de Patane, Mong-ha e S. Lazaro. Patane é de todas as cinco a mais importante, pela sua industria fabril e pelo seu comercio, principalmente em madeiras de construção. Esta fica no litoral do porto interior, tendo Mong-ha do lado opposto, onde existe a maior parte dos agricultores e onde há alguma indústria e comercio, como em todas as outras povoações, excepto a do Tanque-Mainato, onde pouca industria e nenhum comercia ha por ser um povoado insignificante. A povoação de S. Lazaro, que está em continuação da cidade cristã, é onde principalmente habitam os chins que não têm abraçado o christianismo. Nesta povoação há além da Igreja de s. Lazaro, que é o mais antigo templo de Macau, uma pequena capella a cargo de um sacerdote catholico, que se dedica à catechese. Entre Patane e Monghá, povoações que se dilatam até ao isthmo, existem diversas hortas, nas quaes se encontram algumas centenas de humildes tugurios, habitados por agricultores e mendigos. A maior parte destas hortas pertence a Monghá. As restantes são de Patane. Finalmente no Bazar há um theatro chinez (auto-china) e em diferentes pontos têm os chins os seus pagodes, em parte dos quaes habitam os bonzos ou sacerdotes chineses, e em todos é exercido o culto publicamente. (...) Há ainda umas povoações fluctuantes no rio e na Bahia da Praia Grande. Ali existem numerosas famílias que habitam em maiores e menores embarcações. Os seus misteres são diversos, como o de praticos de costa, o de pescadores, etc. e muitas das mulheres empregam-se em conduzir passageiros e mercadorias para bordos dos navios fundeados e para as ilhas circunvizinhas. (...)
Manuel de Castro Sampaio (1827-1875) era jornalista. Prestou serviço como Capitão da guarnição em Macau. Juntamente com António Feliciano Marques Pereira, José Gabriel Fernandes, Pereira Rodrigues, Osório Cabral de Albuquerque, José da Silva e Meyrelles de Távora fundou o semanário «Ta-Ssi-Yang-Kuo» publicado entre 1863 e 1866.  Foi sócio-correspondente da Real Sociedade Asiática de Londres (“Royal Asiatic Society“).
Para além do livro acima mencionado foi ainda autor de: Pobreza envergonhada (Valença, 1852); Compendio de hygiene popular – tradução livre do texto de D. FranciscoTamires Vaz, (Elvas, 1860); Victimas de uma paixão (Lisboa, 1863); Memorias dos festejos realizados em Macau no fausto nascimento de S. A. o sr. D. Carlos Fernando (Macau, 1864); Compendio de ortographia (Macau, 1864).


sexta-feira, 25 de julho de 2014

Três instantâneos por fotógrafos chineses: década 1980

Banda da PSP no Largo do Senado. Foto de Ma Chi Son
Praça Ferreira do Amaral vendo-se ao fundo o Liceu, hotel Sintra, Edifícios Rainha D. Leonor e Luso. Foto de Kuong Ion Long.
Uma "pinga" na Rua da Aleluia. Foto de Mak Chu Fat

quinta-feira, 24 de julho de 2014

D. Frei Manoel de S. Galdino: 1769-1831

Dom Frei Manoel de São Galdino, O.F.M. (Lisboa, 18 de Abril de 1769 — Goa, 15 de Julho de 1831) (em chinês tradicional, 賈定諾) foi um prelado português. Foi ordenado padre em 4 de Agosto de 1793, pela Ordem dos Frades Menores. Em 27 de Março de 1803, foi instalado como bispo de Macau, cargo que exerceu até 1804, quando foi nomeado Arcebispo-coadjutor de Goa. Assume a arquidiocese em 10 de Fevereiro de 1812, sendo seu prelado até morrer em 1831. Durante sua prelazia em Goa, foi membro do 14.º Conselho de Administração da Índia Portuguesa.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Uma carta que escapou à censura: 1942


Numa carta enviada ao noivo, em Portugal, uma residente de Macau escreve assim a 23 Julho de 1942: “E agora, passando ao assunto do dia: como deves calcular Macau está desde o princípio da guerra com uma população aumentadíssima, pois que todos se recolhem a este cantinho onde, graças a Deus, se está relativamente bem. Entre os muitos que vieram figura grande número de bandidos, assassinos (...) Os assassinatos e os roubos sucedem-se uns aos outros com uma rapidez espantosa, de modo que não é aconselhável saírmos sós ou andarmos pelas ruas mais internas. (...) Por miséria e por ambição algumas das quadrilhas matam os descuidados que conseguem encontrar e comem-nos ou vendem-nos. Calcula tu ao que nós chegámos!!! Têm-se encontrado imenso abrigos cheios de ossadas humanas e até pelas ruas corpos meio escarnados. Os assassinos quando presos confessam abertamente que comeram a carne ou a venderam!!! De inquérito em inquérito o governador prendeu um dos cozinheiros do hotel Central que confessou que desde há dois anos cozinhava carne humana e a vendia a quem a comprasse”.
Zona do Porto Interior vendo-se ao fundo do Grand Hotel Kuok Chai
A carta enviada pela macaense para o noivo, 2ª tenente da Marinha, com morada em Algés, escapou à censura. O padre Manuel Teixeira corrobora esta e outras histórias semelhantes. Dizia que lhe tinham sido contadas por Evaristo Mascarenhas, juíz em Macau nessa época, bem como por outras pessoas que testemunharam actos similares.
Sugestão de leitura: "Macau 1937-1945:os anos da guerra". IIM, 2012