Neste detalhe da primeira página da edição do The Canton Register de 27 de Maio de 1834 assinalei um anúncio:
"Horsburgh's Charts are always on sale at R. Markwick' & Co.'s"
As "Horsburgh's Charts" eram cartas náuticas criadas pelo hidrógrafo escocês James Horsburgh (1762-1836), consideradas as mais credíveis na época para quem pretendia navegar entre a Índia, o Sudeste Asiático e a China. Uma espécie de "Bíblia" dos Mares...
James Horsburgh, hidrógrafo da Companhia das Índias Orientais desde 1810, compilou décadas de dados sobre ventos, correntes e recifes.
As cartas eram indispensáveis para atravessar locais traiçoeiros como o Estreito de Malaca, o Mar da China Meridional e as aproximações de Macau. Sem elas, o risco de naufrágio em recifes não mapeados era altíssimo.
Na época o Porto de Cantão era o único acessível aos comerciantes estrangeiros na China, após uma paragem obrigatória em Macau onde tinha de obter autorização para prosseguir até Cantão.
| Detalhe de carta náutica James Horsburgh. 1815 |
A firma R. Markwick & Co. - onde se vendiam estas cartas - constituía um pilar logístico fundamental para a comunidade estrangeira em Macau e Cantão na década de 1830, operando como uma espécie de "balcão único" para as necessidades práticas da frota mercante internacional.
Richard Markwick, o fundador, era um empresário britânico que se posicionou estrategicamente no mercado chinês pré-Guerras do Ópio, não como um negociante de mercadorias como o chá ou o ópio, mas como um facilitador técnico e de serviços.
Para além de cartas náuticas comercializava outros instrumentos essenciais na navegação como o cronómetro, bens alimentares, material para reparação das embarcações (lonas, cordas, etc...). Actuava ainda como casa de leilões para mercadorias danificadas ou bagagens abandonadas, fornecia alojamento em Cantão e em Macau e assegurava uma ligação marítima com alguma regularidade entre as duas cidades.
PS: no próximo post mais detalhes sobre a estalagem de Markwick em Macau.
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