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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Macau (Yat Yuen) Canidrome Co. Ltd. / 澳門逸園賽狗股份有限公司

O ano de 1963 marcou o 'renascimento' do Canídromo em Macau pela concessionária Macau (Yat Yuen) Canidrome Co. Ltd. /  澳門逸園賽狗股份有限公司.
Após uma interrupção de duas décadas, a reabertura oficial das corridas de galgos ocorreu a 28 de Setembro de 1963, no então designado Campo Desportivo 28 de Maio. O espaço esteve em funcionamento durante mais de meio século até ao encerramento definitivo em Julho de 2018 e por esta altura está a ser demolido.
Entrada do Canídromo em slides das décadas 1960/70

O anúncio em chinês abaixo é de 1963

澳門逸園賽狗有限公司
每逢星期六、星期日
下午七時半開始售票 八時正開跑
入場門券:
會員席 每位三元
公眾席 每位一元
包廂 每座六十元
(每座供六位用另兩個侍應牌)
(逢星期四起在新馬路逸園總會公開預售)
會員招待站: 新馬路卅一號逸園賽狗總會二樓
(供會員休息貯放行李) 電話:三四八六

Tradução/Adaptação:
Companhia de Corridas de Galgos Macau Yat Yuen, Limitada
Todos os Sábados e Domingos
Bilheteira abre às 19h30 
Início das corridas às 20h00 em ponto
Bilhetes de Entrada:
Bancada de Sócios: 3 patacas por pessoa
Bancada do Público: 1 pataca por pessoa
Camarote: 60 patacas por camarote
(Capacidade para 6 pessoas, inclui 2 passes de serviço para empregados)
Pré-venda ao público a partir de cada quinta-feira na Sede da Yat Yuen, na Avenida de Almeida Ribeiro)
Posto de Atendimento a Sócios: 2.º andar da Sede da Companhia de Corridas de Galgos Yat Yuen, N.º 31, Avenida de Almeida Ribeiro (San Ma Lo)
(Espaço para repouso de sócios e depósito de bagagem) Telefone: 3486

Factura de 1989

Postal da década 1980

Programa de 1996

domingo, 29 de março de 2026

Duas versões do casino Macau Palace - 海門皇宮

O postal ilustrado é do início da década 1970 - nº104 - e mostra o casino flutuante Macau Palace na baía da Praia Grande com o Hotel Lisboa (inaugurado em Fevereiro de 1970) ao fundo. O casino foi inaugurado a 26 de Maio de 1962. O que está na imagem - a ser conduzido ao local de atracagem no Porto Interior - corresponde a uma nova versão. A primeira versão é a que se pode ver abaixo. Muitas diferenças... Por exemplo a nova versão tem mais um piso! Foi 'cenário' de vários filmes na década 1970. Em breve falarei de alguns...
Primeira versão do "Macau Palace"

Voltando ao postal... Nos caracteres chineses 海門皇宮. Ou seja, Palácio Macau. A estrutura no topo parece ainda não ter as luzes em neon que o identificavam (ver outro postal abaixo).

No verso do postal a legenda em três línguas:

Português:
"O novo 'Macau Palace', casino-restaurante flutuante de três pisos, com a sua exótica decoração oriental tornou-se uma das maiores atracções turísticas de Macau."

Chinês (Tradicional):
澳門海上皇宮娛樂場世界新紀元全部宮殿裝飾 內備:活動劇場、粵菜酒家、西餐廳、電動梯、酒吧。
(Tradução: Casino Palácio Flutuante de Macau, decoração palaciana de uma nova era. Inclui: teatro móvel, restaurante cantonês, restaurante ocidental, escadas rolantes e bar.)

Japonês:
マカオパレス外観娯場とに世界的な中国宮殿式設計に建築、内部では劇場、粤菜酒家、西洋餐能バー、エスカレーター等完備。
(Tradução: O exterior do Macau Palace foi construído com um design de palácio chinês de classe mundial; o interior está totalmente equipado com teatro, restaurante cantonense, bar de comida ocidental, escadas rolantes, etc.)

Inglês:
"The new Macau Palace, a floating three-deck casino-restaurant, with its exotic Oriental decoration, has become one of the biggest tourist attraction in Macau."

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Ano Novo chinês em 1926

Há 100 anos o ano novo chinês teve início a 13 de Fevereiro. Era o Ano do Tigre - também de fogo. Nesse dia um grupo de turistas passou pela cidade e registou para a posteridade o momento.
Juncos ancorados no Porto Interior na década 1920

Notícia do jornal A Pátria a 12 de Fevereiro de 1926:
Ano Novo Chinês
Grande numero de licenças para o jôgo de clu clu têm sido passadas na Secretaria Geral do Govêrno, cêrca de mil, vendo-se grande movimento nas vias públicas onde se encontram muitos estabelecimentos com artísticas decorações e reclamos engraçados.
A festa do Ano Novo representa para os chineses a mais importante e, por êsse facto, usam êles nestes dias os seus melhores vestidos o que dá um aspecto muito interessante ao movimento da cidade, especialmente nas grandes artérias, sendo o número principal desta festa o jôgo de clu clu.
Atraída por êstes tradicionais costumes, também a população não chinesa tem por hábito freqüentar os lugares de jôgo nestes dias, fazendo as suas paradazinhas, as quais por vezes atingem grossas quantias, pelo que, se tornam muito interessantes as suas fisionomias quando voltam para casa, notando-se vulgarmente mais tristeza que alegria, mas... lá está o ditado «Quem corre por gôsto não cansa.»

sábado, 24 de janeiro de 2026

O vício de Du Beloy em 1648

Jean-Baptiste Tavernier (1605-1689) foi um dos mais extraordinários viajantes e comerciantes do século XVII, ganhando fama mundial como o pioneiro do comércio de pedras preciosas entre a Europa e a Ásia. Ao longo de quarenta anos, Tavernier realizou seis grandes expedições que totalizaram mais de 120.000 milhas percorridas, focando-se principalmente na Pérsia e no Império Mogol, na Índia. Ele é reconhecido como o homem que trouxe para o Ocidente um diamante azul de 115 quilates, vendido ao rei Luís XIV de França, que mais tarde seria lapidado e conhecido mundialmente como o Diamante Hope. 
Diferente de outros exploradores da sua era, que viajavam por motivações religiosas ou políticas, Tavernier era movido pelo pragmatismo comercial, documentando detalhadamente as rotas de comércio, as minas de diamantes de Golconda e os costumes das cortes orientais.
Tavernier nunca chegou a visitar Macau. Embora tivesse o desejo de alcançar a China e o Japão, o ponto mais a leste que atingiu foi Batávia, a actual Jacarta, na Indonésia. A sua progressão para o Extremo Oriente foi interrompida tanto pelas severas restrições comerciais impostas na época quanto pela sua relação frequentemente conflituosa com a Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC). Toda esta vasta experiência e os detalhes das suas jornadas foram imortalizados no livro "Les Six Voyages de Jean-Baptiste Tavernier" (As Seis Viagens de Jean-Baptiste Tavernier), publicada pela primeira vez em 1676. E traduzido para inglês logo em 1678.
Nesta obra, Jean Baptiste Tavernier conta um episódio passado em Macau em 1648 e que envolve um tal "Du Beloy" que gostava muito de jogar...

Excerto da versão inglesa:

Du Belloy desir'd leave that he might go to Macao, which was granted him. For he understood that the greatest part of the Portugal-Gentry retir'd to that place, after they had got Estates by Merchandizing; that they were very courteous to strangers, and withal extremely addicted to play, which was Du Belloy's chief delight. He liv'd two years at Macao, very much to his content; for when he wanted Money, the Gentry lent it him freely. One day he had won above six-thousand Crowns; but going to play again, he was so unfortunate as to lose it all, besides a good sum of Money which his friends had lent him. Being thus at a loss, and finding that no-body would lend him any more Money, he began to swear against a Picture that hung in the room, which was the Portraiture of some Papistical Saint; saying in his passion, that it was an usual thing with them that plaid, that if they saw a Saints Picture hang in their sight, it made them lose; and that if that Picture had not been there, he had certainly won. Immediately the Inquisitor was inform'd of this, (for in every City in India under the Jurisdiction of the Portuguezes there is one. However his power is limited; having no other authority than to seize the person of him that says or acts any thing against their Religion, to hear the Witnesses, and to send the Offender with the examinations to Goa in the first Ship which is bound thither: where the Inquisitor-General has an absolute Power either to absolve him, or to put him to death. Thereupon Du Belloy was put aboard a small Vessel of ten or twelve Guns loaded with Irons; with a strict charge to the Captain to keep him safe, and some threats that he should be answerable for him if he escap'd. But so soon as the Ship was out at Sea, the Captain, who was of a noble disposition, and knew Du Belloy to be of a good Family, took off his Irons, and made him sit at his own Table; giving him also Linnen, and other convenient Apparel necessary for the Voyage, which was to continue forty days. They put into Goa the nineteenth of February 1649; and the Ship was no sooner come into Harbour, but St. Amant came a-board by the Governor's order, as well to receive his Letters, as to hear what news in China. But his surprize was very great, to see Belloy in that condition, and that the Captain would not let him go, before he had surrender'd him up into the hands of the Inquisitor. Nevertheless, in regard that St. Amant was a person of great credit, he obtain'd of the Captain, that Belloy should go along with him into the City. As for Belloy he immediately and for the nonce shifted himself into his old Cloaths, which were all to tatters and full of Vermin; and St. Amant, who knew there was no dallying with the Inquisition, took that season to present him to the Inquisitor ; who seeing a Gentleman in such a sad condition, had some compassion upon him, and allow'd him the whole City for his Prison; on condition he should surrender his body upon demand, when he underftood what was inform'd against him. In the interim St. Amant brings Du Belloy to my Lodging just as I was going to visit the Arch-Bishop of Mira, whom I formerly knew at Constantinople, when he was Prior of the Franciscans at Galata. I desir'd them to stay a while and to dine with me, which they did; after which I proffer'd my House and Table to Du Belloy, who liv'd with me; and for whom I also bought two new Suits of Apparel, and Linnen convenient. However, all the while that I stay'd at Goa, which was ten or twelve days, I could not persuade the Sieur Du Belloy to put on those new Cloaths, not knowing the reason, though he promis'd me every day. But being upon my departure, I told him I was going to take leave of the Vice-Roy; whereupon he desir'd me to procure leave for him also; which I did. We departed toward evening in the same Vessel wherein I came, and about midnight the Sieur Belloy began to shift himself, and when he had done he threw his old raggs into the Sea, swearing against the Inquisition like a mad man ; I understanding nothing all this while of the business. When I heard him swear in that manner, I told him we were not yet out of the Portugals hands; neither were he and I with five or six Servants, able to defend our selves against forty Sea-men that belong'd to the Ship. I ask'd him then, why he swore so heartily against the Inquisition; he reply'd, that he would tell me all the circumstances of the story; which he did when we came to Mingrela, which was about eight a Clock in the morning. When we landed we met certain Hollanders with the Commander, who were eating Oysters and drinking Sack upon the Shoar. Immediately they ask'd me who that person was with me. I told them it was a Gentleman who attending the French Ambassador into Portugal, had taken Shipping there for India, together with four or five more whom he had left at Goa; but that neither the scituation of the place, nor the humour of the Portugals pleasing him, he had desir'd my assistance in his return for Europe. Three or four days after, I bought him an Oxe to carry him to Surat ; and I gave him a Servant to assist him, together with a Letter to Father Zenon, a Capuchin, wherein I desir'd him to speak to my Broker to pay him ten Crowns a month for his subsistence, and to desire of the English President to embark him for Europe with the first opportunity. But it fell out contrary to my intentions; for Father Zenon carri'd him back again along with him to Goa, where he had some business to do for Father Ephraim his Companion; of whom I shall speak in the next Chapter. Father Zenon without doubt believ'd, that Du Belloy making his appearance to the Inquisition, and desiring his pardon, might have easily obtain'd it. 'Tis very true he did obtain it, but it was after he had been two years in the Inquisition, from which he was not discharg'd but with a Sulphur'd Shirt, with a St. Andrews Cross upon his Stomack. There was with him another Gentleman, call'd Lewis de Bar upon the Seine, who was us'd in the same manner ; and they always put them to accompany those who were put to death. The Sieur Du Belloy did very ill to return to Goa, and worse to appear afterwards again at Mingrela, where the Hollanders, who understanding he had formerly revolted out of their service, by the intelligence they receiv'd from their Commander at Surat, seiz'd his person, and sent him away in a Ship that was going for Batavia. They pretended that they sent him to the General of the Company, to do with him as he should think fitting. But I am in part assur'd, that as soon as the Vessel was out at Sea, they put the poor Gentleman into a Sack, and threw him into the Sea. This was the end of the Sieur Du Belloy."

Du Belloy desejou permissão para poder ir a Macau, o que lhe foi concedido. Segundo ele entendia, a maior parte da fidalguia portuguesa retirava-se para aquele lugar após terem obtido fortunas através do comércio; que eram muito corteses com estrangeiros e, além disso, extremamente viciados em jogos, que era o principal deleite de Du Belloy.
Ele viveu dois anos em Macau, muito satisfeito; pois quando precisava de dinheiro, os fidalgos emprestavam-lhe livremente. Um dia, ele havia ganhado mais de seis mil coroas; mas, ao voltar a jogar, teve o azar de perder tudo, além de uma boa soma de dinheiro que seus amigos lhe haviam emprestado. Vendo-se em tal perda e descobrindo que ninguém mais lhe emprestaria dinheiro, ele começou a praguejar contra um quadro que estava pendurado na sala, que era o retrato de algum santo católico; dizendo, em sua fúria, que era coisa comum entre os que jogavam que, se vissem o quadro de um santo diante de seus olhos, isso os fazia perder; e que, se aquele quadro não estivesse ali, ele certamente teria vencido.
Imediatamente o Inquisidor foi informado disso (pois em toda cidade na Índia sob a jurisdição dos Portugueses existe um). No entanto, seu poder é limitado; não tendo outra autoridade senão a de prender a pessoa que diga ou faça qualquer coisa contra a religião deles, ouvir as testemunhas e enviar o infrator com os exames para Goa no primeiro navio que partisse para lá: onde o Inquisidor-Geral tem poder absoluto tanto para absolvê-lo quanto para condená-lo à morte.
Dito isto, Du Belloy foi colocado a bordo de uma pequena embarcação de dez ou doze canhões, carregado de ferros; com uma ordem rigorosa ao capitão para mantê-lo seguro, e algumas ameaças de que ele seria responsabilizado caso o prisioneiro escapasse. Mas assim que o navio saiu ao mar, o capitão, que era de nobre disposição e sabia que Du Belloy vinha de uma boa família, retirou-lhe os ferros e fê-lo sentar-se à sua própria mesa; dando-lhe também roupas de linho e outros trajes convenientes necessários para a viagem, que deveria durar quarenta dias. Chegaram a Goa a 19 de Fevereiro de 1649; e mal o navio entrou no porto, St. Amant veio a bordo por ordem do Governador, para receber o correios, bem como para ouvir as novidades da China. Mas a sua surpresa foi muito grande ao ver Belloy naquela condição, e ao saber que o Capitão não o deixaria partir antes de entregá-lo às mãos do Inquisidor. No entanto, considerando que St. Amant era uma pessoa de grande prestígio, ele obteve do Capitão a permissão para que Belloy o acompanhasse até a cidade. Quanto a Belloy, ele imediatamente e para a ocasião vestiu suas roupas velhas, que estavam todas em farrapos e cheias de vermes; e St. Amant, que sabia que não se devia brincar com a Inquisição, aproveitou o momento para apresentá-lo ao Inquisidor. Este, vendo um cavalheiro em tão triste condição, teve alguma compaixão dele e permitiu-lhe toda a cidade como prisão, sob a condição de que ele entregasse seu corpo mediante solicitação, quando soubesse do que fora informado contra ele. Nesse entretanto, St. Amant traz Du Belloy ao meu alojamento, justamente quando eu estava saindo para visitar o Arcebispo de Mira, a quem conheci anteriormente em Constantinopla, quando ele era Prior dos Franciscanos em Gálata.
Pedi que ficassem um pouco e jantassem comigo, o que fizeram; depois do que ofereci minha casa e mesa a Du Belloy, que viveu comigo, e para quem também comprei dois novos trajes de roupa e linhos adequados. No entanto, durante todo o tempo em que estive em Goa, que foram dez ou doze dias, não consegui persuadir o senhor Du Belloy a vestir aquelas roupas novas, sem saber o motivo, embora ele me prometesse todos os dias. Mas, estando para partir, disse-lhe que ia me despedir do Vice-Rei; ao que ele me pediu que conseguisse licença para ele também, o que eu fiz. Partimos ao entardecer na mesma embarcação em que vim, e por volta da meia-noite o senhor Belloy começou a trocar de roupa e, quando terminou, jogou seus trapos velhos ao mar, praguejando contra a Inquisição como um louco; eu, até então, nada entendia do assunto.
Quando o ouvi praguejar daquela maneira, disse-lhe que ainda não estávamos fora das mãos dos portugueses; nem ele e eu, com cinco ou seis servos, seríamos capazes de nos defender contra quarenta marinheiros que pertenciam ao navio. Perguntei-lhe então por que ele praguejava tão fervorosamente contra a Inquisição; ele respondeu que me contaria todas as circunstâncias da história, o que fez quando chegamos a Mingrela, por volta das oito horas da manhã. Quando desembarcamos, encontramos certos holandeses com o Comandante, que estavam comendo ostras e bebendo vinho na costa. Imediatamente perguntaram-me quem era aquela pessoa comigo. Respondi que era um cavalheiro que, acompanhando o embaixador francês a Portugal, havia embarcado lá para a Índia, juntamente com outros quatro ou cinco que deixara em Goa; mas que, não lhe agradando nem a situação do lugar nem o humor dos portugueses, ele solicitara a minha assistência no regresso à Europa.
Três ou quatro dias depois, comprei-lhe um boi para carregá-lo até Surate; e dei-lhe um servo para auxiliá-lo, junto com uma carta ao Padre Zenon, um capuchinho, na qual pedia que falasse com meu corretor para pagar-lhe dez coroas por mês para seu sustento, e que solicitasse ao presidente inglês que o embarcasse para a Europa na primeira oportunidade. Mas tudo ocorreu de forma contrária às minhas intenções; pois o Padre Zenon levou-o de volta consigo para Goa, onde tinha alguns negócios a tratar para o Padre Ephraim, seu companheiro, de quem falarei no próximo capítulo. O Padre Zenon, sem dúvida, acreditava que, se Du Belloy comparecesse perante a Inquisição e pedisse perdão, poderia facilmente obtê-lo. É verdade que ele o obteve, mas foi após ter passado dois anos na Inquisição, de onde não foi liberado senão com uma camisa de enxofre e uma cruz de Santo André sobre o peito. Estava com ele outro cavalheiro, chamado Lewis de Bar no Sena, que foi tratado da mesma maneira; e eles sempre os colocavam para acompanhar aqueles que eram levados à morte.
O Senhor Du Belloy fez muito mal em regressar a Goa, e pior ainda em aparecer depois novamente em Mingrela, onde os holandeses, sabendo que ele anteriormente havia desertado do serviço deles, pela inteligência que receberam de seu comandante em Surate, detiveram a sua pessoa e enviaram-nos num navio que ia para Batávia. Fingiram que o enviavam ao General da Companhia, para que fizesse com ele o que achasse conveniente. Mas estou em parte seguro de que, assim que a embarcação saiu ao mar, colocaram o pobre cavalheiro num saco e o jogaram no mar. Este foi o fim do Senhor Du Belloy."

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Macau nas "Cidades Fascinantes" de Ian Flemming

Em 1959 Ian Fleming foi contratado pelo The Sunday Times para explorar quatorze das cidades mais exóticas do mundo. 
Fleming observou tudo com o olhar de jornalista mas sobretudo com o de um escritor de suspense. De Hong Kong a Honolulu, de Nova York a Nápoles, trocou as ruas movimentadas pelos becos escuros, ignorou os pontos turísticos e privilegiou os locais 'obscuros', conviveu com celebridades mas também com gangsters e gueixas. O resultado é uma série de retratos vívidos de um mundo misterioso e já desaparecido dado a conhecer ao público pela primeira vez em 1963 na obra "Thrilling Cities" (Cidades Fascinantes/Emocionantes).
No livro embarcamos numa aventura por Hong Kong, Macau, Tóquio, Honolulu, Los Angeles, Las Vegas, Chicago, Nova York, Hamburgo, Berlim, Viena, Genebra, Nápoles e Monte Carlo. ... numa jornada pelas paisagens, sons, gastronomia e bebidas de algumas das cidades mais fascinantes do mundo em meados do século 20.
Na passagem por Macau o jornalista e escritor Ian Lancaster Fleming (1908-1964) teve uma relação especial com o Hotel Central - uma "casa de prazer" - e que viria a incluir no mundo de James Bond e que pode ver-se no filme "007  The Man with the Golden Gun" (1974). 
Uma das cenas é o salão onde se jogava fantan e onde as apostas eram feitas através de buracos entre pisos usando varas de pesca.

"In the Central Hotel, most of the Fantan tables have holes cut in the ceilings above them so that additional players can sit around a railing above and participate in the game."
Excerto do artigo "Macao Hits the Doldrums" da autoria de John W. Powell publicado na The China Weekly Review, 6.9.1947
As imagens acima (preto e branco) são da autoria de Jack Birns e foram feitas em 1948/49 para a revista Life (EUA) e mostram uma sala de jogo de fantan em Macau, muito provavelmente no hotel Central.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Postais da década 1960 do Casino flutuante

Estes postais ilustrados do Casino de Macau (flutuante) - o primeiro da STDM - publicados no início da década 1960, são a mais recente aquisição para a minha colecção que engloba mais de 5 mil objectos: postais, notas, moedas, selos, envelopes, carteiras de fósforos, calendários, lai si's, folhetos turísticos, mapas, etc


terça-feira, 7 de outubro de 2025

"O ressurgimento de Macau": Diário de Notícias - 20 Agosto 1924

 

Na edição de 20 de Agosto de 1924 o Diário de Notícias publica na primeira página um artigo sobre Macau com o ante-título "Cartas do Oriente" e o título "O ressurgimento de Macau" abordando temas como "As revoltas dos chineses", "A política inabil havida para com a China", "Os monopólios do ópio e do fantan", (...) "O patriotismo dos habitantes da cidade de Macau". Duas fotografias, uma do Palácio do Governo e outra do Largo do Senado, ilustram o artigo.
O autor é Félix Borges Medeiros da Horta, cônsul de Portugal em Cantão (1923-1926). Nesse ano, o cônsul (advogado) recebeu os heróis da aviação portuguesa - Brito Paes, Sarmento Beires e Manuel Gouveia - naquela cidade durante a recepção a cerca de 50 portugueses. O governador de Macau era Rodrigo José Rodrigues.
Coincidência, ou não, nesse ano foi publicado um livro em inglês com o mesmo título "The Renascence of Macao".

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

"Funccionários públicos nas casas de jogo de Fantan"

Em Maio de 1905 uma "circular" dirigida a "todos os chefes de Repartição da Província de Macau" por ordem do governador "novamente" apela à "rigorosa observância da portaria provincial nº 134 de 17 de outubro de 1896 (...) relativamente à entrada dos funccionários públicos nas casas do jogo de Fantan".
No nº 2 estabelece-se que "O jogo do Fantan, permitido em Macau e suas dependências em casas especiais e nos bairros chinas, é expressamente prohibido em qualquer epocha do anno e sob pena de immediata suspensão, a todos os funccionários d'esta província qualquer que seja a sua classe ou cathegoria".
A portaria nº 134 do governo de Macau emitida em 1905 surge então "em harmonia" com uma outra, de Portugal, entrada em vigor a 10 de Julho de 1896 e que "suscitava a execução de rigorosas providências para a repressão do vício do jogo de azar nas colónias de África".

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

"Macao The Home of Fan-tan and the Frailties of the East"

Aleko* assina o artigo intitulado "Macao The Home of Fantan and the Frailties of the East" na edição de 6 de Setembro de 1930 da publicação semanal The Sphere, título inglês que existiu entre 1900 e 1960.


* Trata-se de Aleko Axel August Eugen Lilius (1890- 1977), personagem que já abordei neste post.

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Tirando água do poço há 100 anos

Na segunda metade da década de 1920 - há 100 anos - James Holmes visitou Macau e tirou várias fotografias. A que seleccionei para este post mostra um poço frente ao templo de Kun Iam Tong no que é hoje a Av. do Coronel Mesquita. Na mesma imagem coloquei uma perspectiva semelhante da actualidade.
 
James Dearden Holmes (1873-1937) foi um fotógrafo britânico notável pelas suas viagens à volta do mundo e pelo uso de uma câmara estereoscópica. Ele foi contratado pela empresa de tabaco Cavanders Ltd. para tirar fotografias um pouco por todo o mundo para os maços de tabaco que continham cartões ilustrados com imagens estereoscópicas.
Dessas viagens, que decorreram entre 1924 e 1927, resultaram numa vasta colecção de mais de 9.000 imagens, intitulada "World Travel" (Viagens pelo Mundo). Holmes visitou inúmeros países, como o Egito, a Índia, a Austrália, os Estados Unidos e muitos na Ásia.
James esteve em Macau em Fevereiro de 1926 tendo também passado por Hong Kong para celebrar o Ano Novo Chinês (13 de Fevereiro) antes de seguir para Xangai. É sabido que tirou pelo menos 17 fotografias em Macau, incluindo uma imagem de um "poço chinês" em frente ao templo de Kun Iam e cenas de pessoas no Largo da Caldeira (Porto Interior), uma zona de muito comércio e onde estavam localizadas a maior partes das casas de jogo, nomeadamente do fantan.

James Dearden Holmes (1873-1937) was a British photographer known for his extensive world travels and his use of a stereoscopic camera. He was hired by a tobacco company, Cavanders Ltd., to take photographs around the world for their cigarette cards, which were miniature stereoscopic pictures.
His travels, which took place from approximately 1924 to 1927, resulted in a collection of over 9,000 images titled "World Travel." He visited numerous countries, including Egypt, India, Australia, the United States, and many in Asia.
Specifically regarding Macau, Holmes was there in February 1926. He also visited nearby Hong Kong for Chinese New Year on February 13th of that year before traveling to Shanghai later in the month. He is known to have taken at least 17 photographs in Macau, including a photo of "A Chinese well" in front of the Kun Iam temple and scenes of people playing in the Largo da Caldeira (Inner Harbour). These photographs provide a historical glimpse into Macau in the 1920s.

quarta-feira, 18 de junho de 2025

"Go to the Dogs"

As corridas de galgos em Macau remontam a 1931 sob gestão do Macao Greyhound Racing Club, (Clube de Corridas de Galgos de Macau) uma empresa constituída por empresários ingleses (de Hong Kong), chineses e macaenses. Um dos sócios era Fan Che Pang, dono da  Hou Heng Company, que viria a ganhar o exclusivo da concessão do jogo em Macau.
Na edição de 28.12.1931 o jornal de Hong Kong South China Morning Post noticia: "Greyhound Racing: Macao’s Clubs Inaugural Meeting Proves to be a Big Success, Notable Opening Ceremony".
Anúncio no South China Morning Post - 16.1.1932
"Desporto emocionante e corridas empolgantes!"

THE MACAO GREYHOUND RACING CLUB
GO TO THE DOGS!
THRILLING SPORT AND EXCITING RACING
TO NIGHT at 8.30 p.m. AND 8.30 p.m. SUNDAY NIGHT
Public Stand: 40 Cents (Canton Currency)
Members by Ticket Only.
Non-Members to Members' Stand H.K. $1.
Steamers Leave Macao at 3 a.m. Sunday and Monday for Hongkong Arriving at 7 a.m.
STEAMERS TO MACAO
TODAY (WEDNESDAY): 2 P.M., 3 P.M., 4 P.M., 5 P.M.
SATURDAY: 2 P.M., 3 P.M., 4 P.M.
SUNDAY: 2 P.M., 3 P.M.

Pouco depois as provas passaram a ser geridas pela empresa South China Greyhound Racing Co. Ltd. (de Cantão). Assim foi até 1937. A guerra sino-japonesa viria a interromper as provas, uma pausa que se prolongou até ao início da década de 1960, período que marca uma nova era nas corridas de galgos.
年《南華早報》關於澳門賽狗廣
SCMP - 6.2.1932
A partir de Hong Kong, nas manhãs de sábados e domingo havia uma serviço especial de ferrys com destino a Macau. No final de cada dia de corridas havia um serviço especial no sentido inverso - vapores Sui Tai, Venezia, Tai Shan - para Hong Kong: partiam às primeiras horas da madrugada chegando à então colónia britânica por volta das 7 da manhã.

WATCH THE GREYHOUNDS RACE (Assista à corrida de galgos)
"Thorough-bred - Game - Speedy" (Puro-sangue - Atlético - Veloz)
"THE FASTEST MOVING ...SPORTIEST ANIMALS IN THE WORLD!" (Os animais mais rápidos e atléticos do mundo!)
ACTION-EXCITEMENT
(Acção-Emoção)

Horários das corridas:
SUNDAY NIGHT: 8 p.m. (Domingo à noite: 20h)
MONDAY AFTERNOON: 2 p.m. (Segunda-feira à tarde: 14h)

Preços de admissão:
Admission: Public Stand 40 cents
Members Stand $1.00
Informações sobre os barcos a vapor:

STEAMERS:
(Vapores)
SUNDAY, SUI TAI, VENEZIA: 9 A.M. (Domingo, Sui Tai, Veneza: 9h da manhã)
MONDAY, " " " : " " (Segunda-feira, " " ": " ")
Mais detalhes sobre os vapores:
"Sui An, Sui Fai, will leave Macao on return Journey at 3 a.m. and 5.30 p.m. respectively." (Sui An, Sui Fai, partirão de Macau em viagem de regresso às 3h e 17h30, respetivamente.)
GREYHOUND TRACK
(Pista de Galgos)
GREEN ISLAND
(Ilha Verde) *
*era perto, mas não era na ilha Verde
MACAO
Lotarias associadas às corridas de galgos

Texto em caracteres chineses na vertical (à direita): 
"澳門南華狗總跑娛樂有限公司" / Macau Nan Hua Dog Racing Entertainment Co. Ltd.
"SOUTH CHINA GREYHOUND RACING CO. LTD." 
"LOTARIA DO VENCEDOR"
Cada lotaria custava 20 avos
"Serie No. 23"
"Corrida 5"
"Nome do Comprador"
"A EXTRACÇÃO TERÁ LUGAR ANTES DE COMEÇAR A 4ª CORRIDA." 

Context:
Greyhound racing was a popular form of entertainment and gambling in Macau for many decades since 1932. The "Canidrome" in Macau was a well-known greyhound racing track, which operated for many years until its closure in 2018

A partir de 1963 as corridas passaram a ser exploradas pela empresa Yat Yuen Canidrome Limited, empresa cujo principal impulsionador foi Ho Yin em 1961. Os galgos vieram de Austrália. As corridas realizava-se à noite e ao fim de semana atraindo milhares de jogadores, nomeadamente de Hong Kong. Em 1965, por exemplo, as corridas começavam às 20h30 horas, havendo 12 corridas da sessão no sábado e 10 corridas no domingo com intervalos de 25 minutos. A última corrida de galgos no Canídromo Yat Yuen de Macau foi realizada a 30 de Junho de 2018.

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

"Macao, Still Awaiting 20th Century, Gambles On"


"(...) The round casino on the first floor of the Lisboa Hotel here is always packed with gamblers. Chinese grandmothers in silk pajamas shuffle across the floor in low-heeled mules carrying green and red plastic bowls filled with pataca, Macao's currency. Carefully dressed Hong Kong businessmen who arrived by hydrofoil from across the Pearl River estuary mingle with the more successful immigrants who walked to this Portuguese territory through the barrier gate from China.
In novels, Macao is the capital of intrigue where beautiful Eurasian women get mixed up with sinister drug dealers or smugglers who use this territory's ancient trading connections with mainland China, Hong Kong and Europe to move valuable pieces of Chinese art.
''Macao is fiction,'' said Lee Tin Yau, a textile merchant. ''It is a place that exists most vividly in books. Today it is a place to gamble or buy antiques or daydream. Macao was once an important place, a hundred years ago. No more.''
Popular Gambling Area
''People come here to gamble,'' said Chow Ho Lee, a Hong Kong fabric salesman who comes to Macao at least twice a month to play fantan. In this ancient Chinese game, an inverted silver cup is plunged into a pile of porcelain buttons and pulled away. The bets are placed, the cup is lifted and the buttons are counted off in groups of four until four or less remain. ''My number is three,'' said Mr. Chow.
Excerto de artigo da autoria de Pamela G. Hollie publicado na edição de 8.4.1982 do The New York Times

sábado, 29 de junho de 2024

A banca do clu-clu

Sôbre a banca de Clu-clu está uma tijela invertida que tapa os dados. Aproximam-se os jogadores e fazem as suas paradas. No tampo da mesa encontra-se traçado uma espécie de largo xadrez com números e caractêres chineses, numa policromia de côres que se casa bem com o ambiente festivo, e o banqueiro, metendo os dados na tijela que cobre com as mãos, vae-os sacudindo, o que produz um ruído característico, que se ouve por todas as ruas do Bazar, ao mesmo tempo que exclama – Able! Able!
Poisa, então, os dados sôbre a mesa, conservando-os tapados com a tijela, à espera que os pontos se animem a jogar, cobrindo os diferentes quadrados, e convida ainda os jogadores, com o mesmo estribilho, às vezes variado com a expressão nhonha que, em dialecto macaense, significa senhora:
– Able, nhonha, able!
E quando vê a banca suficientemente guarnecida, abre, isto é, levanta a tijela e vê os dados, não sendo raro suceder que o banqueiro dê às de Vila Diogo, abandonando a banca, quando esta vá à glória.
Os chineses são apaixonados pelo jôgo e tudo lhes serve para jogar, até os dedos, quando não teem outro meio, mostrando dois jogadores uma das mãos, simultaneamente, com um certo número de dedos estendidos e verificando, a seguir, se o número de dedos apresentados é par ou impar. Por isso, as bancas de Clu-clu, apesar de abundarem por todo o Bazar e imediações – naquele ano foram concedidas mais de quatrocentas licenças – é raro estarem desertas durante os cinco dias em que o jôgo é permitido, constituindo também uma diversão para os europeus. Aquela primeira banca de Clu-clu com que topamos, é uma banca pobre, mal armada e quási solitária mas, à medida que avançamos, vão aparecendo outras, mais animadas, mais ricas e cada vez mais frequentes, quási a cada passo, chegando, algumas, a ostentar certo luxo, desde a iluminação, à noite, uma iluminação a jorros, com electricidade e luzes de incandescência, até ao sortear dos dados,substituindo-se a tijela por uma esfera, donde saem, a correr, pela boca dum dragão.
– Able nhonha, able, able!
O pregâo corre pelas ruas e travessas, de mistura com o tic-tac do bater dos dados, como uma nota característica do Ano Novo em Macau, e até nos pontos extremos da influência festiva do Bazar, se vêem míseras bancas de Clu-clu, desgarradas e solitárias, iluminadas a custo com a luz amarela dum velho candieiro de petróleo. O china triste fareja algum ponto de acaso e, com paciência evangélica, poisa ali horas a fio, até que acaba por levar a traquitana para outro lado.
-Quanta pataca fôra, Mimi?
– Nunca ganhá !
E a nhonhazinha galante, ao ser interpelada, esquiva-se à curiosidade do compatriota, a caminho dum Cou-lau, ou restaurante chinês, para saborear a tradicional sopas de fitas. É Ano Novo e o Clu-clu reina no Bazar.
- Able! Able!.
Texto de Jaime do Inso incluído no nº 70 da colecção Cadernos Coloniais (o último número desta colecção da editora Cosmos); o texto foi escrito no final da década de 1920 o mesmo período em que José Neves Catela tirou estas fotos do jogo clu-clu nas ruas de Macau.

terça-feira, 11 de junho de 2024

O SS Taishan e as "Macao Races"


A fotografia acima testemunha o momento do lançamento à água do SS Taishan (nome de uma cidade na província chinesa de Guangdong, perto de Macau) a 10 de Junho de 1925 no estaleiro naval de Taikoo (em Hong Kong, concluído em 1907. A imagem foi publicada na edição de Outubro desse ano da Far Eastern Review .
Hong Kong Daily Press 19.11.1931


O navio foi construído para a Hongkong Canton & Macao Steamboat Co. A embarcação tinha 23 cabines individuais e 10 cabines duplas, além de 2 cabines familiares para passageiros de 1ª classe. Permitia ainda acomodação para 24 “passageiros intermediários” , ou seja, os da denominada 3ª classe. O navio era movido por 2 motores a vapor de quatro cilindros e tripla expansão, com uma potência conjugada de 3500 cavalos que permitia uma velocidade de
cruzeiro de 15 nós (ca 28 Km/hora).
O bilhete para o hipódromo custava 40 cêntimos.
Lá dentro uma refeição custava 1.50 patacas.

As "Macao Races" referidas eram as corridas de cavalos que se realizavam no hipódromo da Areia Preta junto à Porta do Cerco. O público de Hong Kong era bastante entusiasta das corridas e das apostas, nomeadamente os macaenses que ali viviam, daí a organização destas viagens especiais entre os dois territórios, pois as ligações regulares não conseguiam transportar tanta gente.
Edição do mesmo jornal de Hong Kong próximo da páscoa de 1932.
Refere-se ainda outro navio, o SS Sui An.

terça-feira, 4 de junho de 2024

"Widest open little colony in the far east"

Hal Boyle assinou vários artigos sobre Macau na agência de notícias Associated Press em 1946 que depois foram reproduzidos na imprensa dos EUA. É o caso deste no jornal Times Daily. O autor visitou Macau e neste artigo aborda temas como o ópio, comércio do ouro e o jogo.
Clicar na imagem para ver em tamanho maior e poder ler
Times Daily 8.2.1946

terça-feira, 2 de abril de 2024

O fim das corridas de cavalos

Foto do Macau Jockey Club 2024

"O hipódromo de Macau acolheu no passado sábado as suas últimas corridas de cavalos e fechou as portas de forma definitiva, pondo fim a uma tradição de mais de 40 anos". O excerto é de uma notícia do jornal Ponto Final de 2 de Abril último. O fim noticiado refere-se às corridas no hipódromo da Taipa - imagem abaixo - porque na verdade as corridas de cavalos em Macau são muito mais antigas.
Hipódromo da Taipa: em construção e já finalizado

Em baixo um registo de uma corrida que teve lugar a 14 de Dezembro de 1941 (domingo), a Chung Shan Handicap (corridas em que era acrescido peso para os cavalos correrem em igualdade de circunstâncias)  e outro referente a 15 de Março de 1934 (domingo), The Macao Derby. 
Nesta época o hipódromo ficava na zona da Areia Preta junto à Porta do Cerco cuja inauguração ocorreu em Abril de 1927
Sobre as décadas de 1920 a 1940 consultar este post.

quarta-feira, 13 de março de 2024

"Macao to be tourist centre": 1962

"Macao to be tourist centre" título da notícia publicada no jornal The Straits Times (Singapura) a 21 de Fevereiro de 1962. Na despedida de Macau como governador - fim do mandato em Abril, Jaime Silvério Marques (esteve no cargo desde 1959) declara que Macau iria tornar-se num centro de turismo dentro de "dois ou três anos" sendo criadas melhores ligações a Hong Kong, um aeroporto na Taipa, corridas de galgos e um campo de golfe.
Em março desse ano seria assinado com a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) o contrato de concessão de exploração do jogo em regime de exclusividade. Entre as várias contrapartidas estavam contempladas as ligações marítimas com Hong Kong.
O aeroporto (1995) e o campo de golfe (1993) surgiriam muitas décadas mais tarde.
No telex da agência Reuters em Hong Kong podia ler-se: "Liutenent-Colonel Jaime Silverio Marques who left here for Lisbon today after having served his term as Governor of Macao, said the nearby Portuguese Colony would be developed into a tourist centre in the next two or three years. Better communication and transport links with Hong Kong would be opened and an airport would be built at Taipa island, he said. He added that Macao, already known as the 'Monte Carlo of the East' would have greyhound racing and a good golf course for enthusiasts."

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

"Macao Races" em Junho de 1933

Hongkong Daily Press 10.6.1933

Com o anúncio do fim das corridas de cavalos a trote com atrelados em Macau por "dificuldades de exploração" por parte do Macao Jockey Club que detinha o monopólo da concessão até 2042, recupero algumas notícias de 1933 publicadas no jornal Hong Kong Daily Press. Recordo que a maioria dos frequentadores/apostadores das corridas que na época se disputavam na zona da Areia Preta, perto da Porta do Cerca, eram oriundos da então colónia britânica.
A afluência para ver as corridas de fim de semana era de tal ordem que se efectuavam viagens de barco especialmente para esse fim como atestam estes anúncios.
Nota: o contrato para a concessão de exploração em regime exclusivo de corridas de cavalo em trote atrelado foi assinado em 1978 pelo governo de Macau com um consórcio com capitais de Macau e Hong Kong; as instalações seriam construídas na ilha de Taipa e as corridas iniciaram-se no final de 1984.