Em ano de jubileu da Diocese de Macau (1576-2026) recordo D. Frei Hilário de Santa Rosa, o 13º Bispo de Macau (1739-1752).
Nascido em Lisboa a 1 de Março de 1693, D. Frei Hilário de Santa Rosa professou na Ordem Menor de S. Francisco (Arrábida), sendo nomeado pelo rei D. João V bispo de Macau a 11 de Fevereiro de 1739 e confirmado no cargo a 19 de Dezembro de 1740.
Só a 14 de Março de 1742 embarca em Lisboa na nau S. Pedro e S. João - comandada pelo Capitão de mar-e-guerra João Pereira de Carvalho - juntamente com 4 jesuítas (um deles o Padre Montanha) e dois franciscanos, Fr. Albino de Assunção e Fr. José de Jesus Maria, este último autor da obra Azia Sinica e Japonica. Chegou a Macau no final de 1742 e no ano seguinte foi nomeado provedor da Santa Casa da Misericórdia da cidade. Consta que do rei terá recebido meios para "comprar residência" pois "os seus antecessores as não tinham".
O novo bispo chegou a Macau a 5 de Outubro (ou Novembro consoantes as fontes) de 1742.
Na "Relação dos Bispos de Macau", da autoria de Gabriel Fernandes, publicado em 1886 no Boletim da Sociedade de Geographia de Lisboa, afirma-se que "entrou em Macau a 5 de outubro de 1742 tomando posse em 17 do mesmo mez (...) e foi provedor da santa casa da misericordia da dita cidade em 1743. Governou o bispado com muita prudencia sabedoria e zêlo apostolico."
Num documento da época pode ler-se: "De bordo em distancia de sete legoas, tendo a Nau dado fundo com vento contrario defronte da Ilha dos Ladroens, escreve S. Exa. ao guardião de S. Francisco avizando-o que no seu Convento inteiramente se dezejava recolher, e como chegasse primeiro a bordo hum escaler, ou escucha dos Padres da Companhia a buscar para terra quatro Padres seus que vinhão no mesmo navio, persuadido por elles S. Exa. se embarcou também, e por ser ja tarde quando chegarão pernoitamos todos no Collegio de São Paulo, adonde S. Excia. foi com todo o applauzo recebido, sem que a tarde e a noite fosse impedimento para o Governador desta Praça, Manuel Pereira Coutinho (1738-1743), lhe ter prevenido na praia uma companhia de soldados, e o seu Palanquim que não aceitou por hir com os Padres; ao mesmo tempo se deu salva de artelharia. No dia seguinte e sedo se recolheu occulto ao Convento de S. Francisco, adonde foi comprimentado de todas as Relligioens, Clero, Senado e Nobreza desta Cidade. Esteve nelle perto de três semanas primorosamente assistido, em quanto se lhe preparavão casas para residir".
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Retrato de Frei Hilário de Santa Rosa Portugal, c. 1740/42 (autor desconhecido) Óleo sobre tela 147 x 103 cm Museu de São Roque (Lisboa) |
Durante a sua prelatura destacou-se pelo restauro da Catedral de Macau, pela criação de um fundo para o funcionamento do Cabido da Sé e pela defesa dos direitos das comunidades chinesas e timorenses, insurgindo-se contra o negócio das muichais, crianças chinesas retidas como criadas, conhecidas como "Atai" (rapaz) e "Amui" (rapariga).
Numa representação ao rei em 1747 dá conta que os habitantes de Macau tinham na sua posse "timores furtados, enganados, comprados e trocados por fazendas, fazendo-os escravos" (...) e o mesmo "com as chinas suas naturais, comprando-as em pequenas por limitado preço (dizem que para as fazer cristãs) e depois de baptizadas e adultas as cativam e reputam suas escravas por 40 anos, sem lei que permita, comprando-as, vendendo-as e dando-lhes (ainda com ferros) como escravas, bárbaros castigos". A abolição desta escravatura só ocorreria em 1758.
D. Frei Hilário partiu de Macau para Lisboa em 1749 e pediu resignação no ano seguinte tendo esta sido aceite em 1752. Retirou-se para o Convento de Mafra onde veio a morrer a 30 de Março de 1764, jazendo em campa rasa na Capela do Campo Santo, no referido convento.
Na colecção do Palácio de Mafra existe o seu anel episcopal, em ouro, com ametista oval facetada, guarnecida por 24 minas nova.


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